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sábado, 15 de agosto de 2015

Cruachan - Discografia

Não há dúvidas de que o Folk Metal é um gênero muito popular hoje em dia. O resgate cultural do estilo através de letras e instrumentos tradicionais de determinada época ou civilização conquistou de jeito a atenção dos headbangers. Claro que atualmente ele está mais refinado, mais polido, coeso, consequência quase inevitável após mais de duas décadas de aprimoramento. Mas em nem todos os estilos as bandas pioneiras ganham o respeito e audições que merecem, e isso infelizmente acontece no Folk, exceto por uma banda: o Cruachan. Não foram os primeiros a surgir, mas fazem parte da onda pioneira e com certeza é a banda mais mencionada e aclamada entre os pais fundadores desse tão apreciado estilo folclórico.
Formado em Dublin, na Irlanda, o Cruachan conta com uma discografia onde cada álbum é marcante à sua maneira, seja por aspectos positivos ou negativos em quesitos produtivos ou criativos/musicais. Baseados na cultura celta - e algumas vezes nas mitologias de J. R. R. Tolkien -, demonstram uma musicalidade bastante à caráter de sua naturalidade irlandesa.
Começaram aplicando unicamente Black Metal em meio ao Folk, mas, rapidamente, com a chegada da vocalista Karen Gilligan em 1999, essa característica foi amenizada e o som se tornou mais melódico. Porém, progressivamente o Black foi voltando ao longo dos discos, até que Karen saiu em 2008 e o estilo negro ficou mais evidente e denso. O que nunca mudou de fato foi o atributo que os torna inconfundíveis, que é exatamente o Folk e toda a sua alegria exposta com instrumentos tradicionais de sopro, cordas e arco.
Tudo começou em 1991, quando o multi-instrumentista Keith Fay pegou pra ouvir o debut "The Wayward Sons of Mother Earth", do Skyclad (os grandes pioneiros do Folk), lançado ainda naquele ano. Fay ficou maravilhado com a expansão das bordas do que é possível fazer com o Metal. Influenciado pela proposta medieval dos ingleses, decidiu extinguir a banda que havia acabado formar em 1991 - o Minas Tirith, baseado em Tolkien -, e fundar o Cruachan em 1992, que seguiria linha similar. O nome foi escolhido em homenagem à Cruachan, a capital do império irlandês medieval de Connacht, e atualmente também é o nome dado ao sítio arqueológico de Rathcroghan, também na Irlanda.
Após a formação ficar estabelecida com Keith Fay (vocal, guitarra e baixo), Leon Bias (violão e bouzouki), Jay O'Neill (bateria e percussão), Collete O'Fathaigh (teclados) e John Fay (flautas), saiu em 1994 a primeira e rústica fita demo, intitulada "Celtica". O trabalho rendeu  um contrato com a Nazgul's Eyrie Productions, possibilitando a distribuição do primeiro álbum da discografia.
Já com um sexto membro adicionado (John Clohessy no baixo, liberando Keith Fay da função), sai em abril de 1995 o debut "Tuatha Na Gael". A primeira coisa que se nota é, de cara, a produção. Como muito comumente acontecia nos primeiros trabalhos das bandas novas daquela época, a qualidade da gravação deixava a desejar. Quando há apenas trechos limpos de Folk, o som é claro e agradável, mas, naturalmente, quando entra o Metal com o peso de suas guitarras, a gravação demonstra sua limitação e distorce, tornando as músicas ácidas e um tanto abafadas. Mesmo com esse infeliz detalhe, ainda dá pra apreciar bem o trabalho feito nesse álbum, que é calcado num tradicional Black Metal alicerçado com os instrumentos folclóricos de cordas e sopro. Uma vez que o Black Metal se manifesta em sua forma mais tradicional desde os riffs à técnica vocal gutural - que é bem rasgada, na raça -, o resultado fica bastante pagão e perverso. Esse tipo de vocal é o único explorado no trabalho, com exceção de algumas quedas limpas com drive.
Instrumentalmente, o disco apresenta vários momentos diferentes e interessantes no transcorrer das canções. Passa de momentos mais calmos e ambientais puramente Folk com exploração de flautas, teclados e sons ambientais, para momentos mais agressivos com a frieza do Black Metal. Quando ambos se unem, a sonoridade por vezes se mantém agressiva e, por outras, se transforma em Heavy Metal clássico, mas sem deixar a peteca cair.
Apesar da pobre produção, a banda se mostrava promissora. Por isso chamaram a atenção da poderosa Century Media Records, que logo ofereceu um contrato. Entretanto, ao visualizar os termos para a assinatura, os irlandeses desanimaram pois a gravadora teria o direito de mudar qualquer aspecto das músicas deles, correndo o risco de perderem sua identidade e terminarem com álbuns diferentes daquilo que gostariam de fazer. Recusaram então a proposta. O impacto negativo desencadeou um desânimo total que culminou no fim do Cruachan em 1997.
Para o bem do Folk Metal, a paralisação não foi eterna. Em janeiro de 1999 a banda estava de volta à ativa com um contrato com a Hammerheart Records debaixo do braço e poucas, porém sensíveis mudanças na formação. De volta à configuração de um quinteto, Leon Bias, John Fay e Jay O'Neill deixaram o conjunto, cedendo espaço para o baterista Joe Farrell e, mais notavelmente, a vocalista Karen Gilligan, que provocaria uma brusca mudança na postura da banda, mas, claro, mantendo a proposta Folk.
Dessa forma, foi lançado em 2000 o álbum "The Middle Kingdom", que pega de surpresa quem espera algo na linha do "Tuatha Na Gael". Agora, ao invés dos guturais de Keith Fay, é a suave voz de Karen Gilligan que assume a responsabilidade de interpretar as canções, afetando de forma direta a sonoridade, que cortou quase completamente a agressividade do Black Metal e e deu espaço a uma abordagem mais delicada, atmosférica e melódica, com teclados envolventes ditando o clima e as sensações do ambiente.
Com uma maior gama de instrumentos Folk e, consequentemente, mais possibilidades de composição, o trabalho se mostra bastante rico e explora muitos instrumentos diferentes. Eles que, em consonância com os teclados, resultam em uma sonoridade bastante feliz e dançante, dignamente gnoma, irlandesa.
A produção de fato melhora, mas não a largos passos. É mínima. Porém, melhora o suficiente para realçar bem o lado mais pesado do trabalho, que alterna entre pegadas de Heavy Metal e até mesmo Punk Rock, dependendo da música. Alguns flashes da proposta anterior brilham por vezes, como na faixa-título, onde vocais guturais rasgados são introduzidos, mas só lá mesmo. Interessantemente, vocais limpos masculinos também se fazem presentes em faixas como "Óró Sé Do Bheatha", que é bem Punk, e "Unstabled (Steeds of Macha)", aliviando o ouvinte de ter que ouvir apenas vocais femininos - não que isso seja necessariamente ruim, mas diversidade é sempre bem-vinda.
O disco é encerrado com chave de ouro através da faixa instrumental "The Butterfly", que agracia nossos ouvidos com belíssimos arranjos medievais.
Dois anos mais tarde, foi a vez do álbum "Folk-Lore" sair. Novamente, os avanços são tímidos em relação ao antecessor, exceto pela pequena melhora na produção, que deu um jeito na timbragem das guitarras. Em meio às poucas mudanças podemos destacar a abordagem um pouco menos ambiental do que aquela demonstrada em "The Middle Kingdom", e a manutenção do investimento em canções mais sentimentais, valorizando a suavidade do vocal de Karen Gilligan. Apesar disso, canções mais agressivas para a vocalista também integram o set, como a faixa de abertura "Bloody Sunday", até porque a temática exige isso. Ela conta um triste capítulo da história norte-irlandesa chamado "Domingo Sangrento", que aconteceu em 1972 durante manifestações populares, onde grupos religiosos manifestantes foram oprimidos pelas forças militares locais, deixando 14 mortos e 26 feridos. O U2, outra banda irlandesa, também escreveu um clássico sobre esse dia: "Sunday Bloody Sunday".
De qualquer forma, vocais limpos masculinos também são um pouco mais frequentemente acionados, o que pode ser observado em faixas como "The Rocky Road To Dublin", "Ossian's Return", e nas músicas tradicionais irlandesas "Spancill Hill" e a lindíssima "Ride On", que inclusive foi single e alcançou altas posições nos charts, dando à banda um pequeno gosto de sucesso comercial. Os guturais rasgados do Black Metal também retornam timidamente, apresentando-se apenas na faixa "Exiles", que fecha o disco.
Após o lançamento, o flautista John O'Fathaigh deixa o conjunto e não é substituído. Ao invés disso, a banda passa a contar com membros de sessão para o álbum subsequente.
Já em 2004, o álbum "Pagan" é lançado, via Karmageddon Media Records. Embora o álbum utilize mais um belo instrumento nas canções (o cello), a produção novamente deixa a desejar e as diferenças são minúsculas. Entretanto, vocais limpos masculinos são mais intensamente explorados, bem como uma maior incidência do Black Metal e guturais, tornando as faixas eventualmente mais pegadas. Elas inclusive são mais secas, distanciando-se definitivamente daquela jogada mais envolvente. A última faixa, "The Fall of Gondolin", é regravação da faixa de mesmo nome originalmente lançada no álbum de estreia "Tuatha Na Gael".
Para o próximo álbum, o flautista John Ryan foi oficialmente recrutado. Voltando ao mesmo estúdio onde gravaram os primeiros álbuns, a banda se empenhou na composição daquele que é - justamente, diga-se de passagem - considerado por muitos fãs e pelo próprio Keith Fay o melhor da banda: "The Morrigan's Call".
Lançado em 2006, é muito claro que, nesse trabalho, algo deu muito, muito certo, pois as canções simplesmente estão muito melhores. Melhores que nunca! Com toda certeza esse é o álbum mais consistente e convincente da discografia. O amadurecimento gerou canções realmente sólidas, que evidenciam uma clara segurança por parte do conjunto. Combinando muita inspiração e alegria a uma produção enfim excelente de verdade (pesada, clara, muito bem feita), é possível sentir a energia e vivacidade do trampo!
Vale relembrar que a banda começou com um intenso Black Metal acoplado ao Folk Metal, com ocasionais elementos Punk, e após abolir essa característica, ela foi, aos poucos e timidamente, inserindo-o de volta. Após toda essa progressão, chegamos ao auge da plenitude nesse álbum! Agora os antigos atributos estão bem mais presentes, mas na correta medida, sem se sobressair demais. Como resultado, geraram-se excelentes duetos entre os vocais masculinos (que alternam entre vocais limpos e guturais) e femininos, sobrepondo um instrumental forte, marcante e energético, sem dúvidas exalando identidade. As músicas são bem polidas e esbanjam o melhor que o Cruachan é capaz de fazer.
Mudanças no line-up marcaram os tempos subsequentes, e uma delas teve impacto direto na forma como a banda soa. A primeira baixa aconteceu em 2006 mesmo. Por diferenças pessoais, o baterista Joe Farrell deixou o conjunto pouco após o lançamento, e acabou sendo substituído por Colin Purcell. Na sequência, o flautista John Fay retornou à banda. Mas a mudança mais sensível ocorreu em 2008, quando a vocalista Karen Gilligan decidiu sair da banda "por diversas razões". Keith Fay poderia até convocar outra vocalista, porém, optou por promover uma nova mudança na banda, resgatando a antiga essência e acoplando-a à produção moderna. Com isso, ele volta a ser vocalista principal, explorando vocais guturais e também vocais limpos com fortíssimos drives.
O impacto da mudança pode ser testemunhado através do álbum "Blood On The Black Robe", lançado em 2011 após assinar com a gigante Candlelight Records. Trata-se de um álbum bem pesado, de punho firme. Com produção fodaça e uma atmosfera densa, engolfante, esse álbum are mão daquela clássica alegria em prol de uma postura mais séria e obscura. Essas características negras realçam bastante a natureza pagã da banda, tornando tudo intimidador. Uma vez que o Black Metal está um pouco mais forte, as canções também ganham contornos mais violentos, com uma bateria mais pegada e riffs mais rápidos, contudo, sem deixar a natureza Folk de lado, ela que também se mostra tão negra quanto o Metal.
Embora Karen Gilligan tenha deixado o conjunto, ela ainda contribuiu como membro de sessão em algumas faixas como "An Bean Sidhe" e "The Voyage of Bran". Certamente se trata de um álbum muito foda!
No ano seguinte, a banda passou por uma grande reformulação na formação que deixou o vocalista e guitarrista Keith Fay, o flautista John Fay e o violinista John Ryan como únicos remanescentes. O conjunto passou a contar com Kieran Ball na outra guitarra, Eric Fletcher no baixo e Mauro Frison na bateria e percussão.
Na sequência, o contrato com a Candlelight Records foi rescindido para assinar com a Trollzorn Records, selo especializado na linha Folk. Sob sua tutela saiu em 2014 "Blood For The Blood God", o sétimo álbum de estúdio da discografia.
O disco reflete bem a "mania" da banda de dar início a uma proposta e apresentar progressividade no desenvolvimento ao longo dos álbuns. Por isso ele parece uma continuação ainda mais seca e obscura do trabalho anterior. A produção é matadora, muito clara, e as canções são ainda mais intensas, impondo um Black Metal mais latente através de riffs que aludem com clareza à tradicionalidade do estilo.
Apesar do Folk se manter firme como dita o manual da banda, ele desaparece em várias passagens e passa a bola para trechos unicamente metalizados. Enquanto isso, os vocais deixam de ser mais guturalizados e pendem para algo mais limpo, com fortes drives - embora a diferença seja tênue -, mas o primeiro continua aparecendo em vários momentos. Vocais femininos também são encaixados em alguns poucos trechos de algumas canções, emprestados da vocalista de sessão Barbara Allen, mas nada que mude dramaticamente o estilo esmagador do trabalho.
É muito verdade que o Cruachan não foi uma banda forte durante a discografia inteira. Pode-se dizer que só passaram a ser sólidos de fato a partir de 2006, com o lançamento do álbum "The Morrigan's Call". Ainda assim, a importância de bandas como eles e o Skyclad no impulsionamento e popularização do Folk Metal é grande, já que muitas bandas se inspiraram nesses caras que deram os primeiros passos do gênero. E não há dúvidas de que os irlandeses são reconhecidos por isso e pelo seu Metal Celta, por mais que não sejam mainstream e muitos nunca tenham ouvido nenhuma música, embora com certeza a maioria já tenha pelo menos ouvido falar. Se você é um desses, cá está uma bela chance de conferir uma das mais importantes bandas do gênero!


 Celtica (Demo) (1994)

01 - To Moytura We Return
02 - Maeves' March
03 - Cúchulainn
04 - Battle Frenzy
05 - The Voyage of Bran
06 - To Invoke The Horned God
07 - F.M.C.D.A.C.A.K.A.F.G.H.
08 - Scéal Na Fianna (Live)


 Tuatha Na Gael (1995)

01 - I Am Tuan
02 - The First Battle of Moytura
03 - Maeves' March
04 - Fall of Gondolin
05 - Cúchulainn
06 - Taín Bó Cuailgne
07 - To Invoke The Horned God
08 - Brian Boru
09 - To Moytura We Return


 Promo '97 (Demo) (1997)

01 - Return
02 - Erinsong
03 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile


 The Middle Kingdom (2000)

01 - A Celtic Mourning
02 - Celtica (Voice of The Morrigan)
03 - The Fianna
04 - A Druids Passing
05 - Is Fuair An Chroi
06 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
07 - The Middle Kingdom
08 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile
09 - Unstabled (Steeds of Macha)
10 - The Butterfly


 Ride On (Single) (2001)

01 - Ride On
02 - Maeves' March (2001)
03 - To Hell Or To Connaught
04 - Sauron


 Folk-Lore (2002)

01 - Bloody Sunday
02 - The Victory Reel (Instrumental)
03 - Death of A Gael
04 - The Rocky Road To Dublin
05 - Ossian's Return
06 - Spancill Hill
07 - The Children of Lir
08 - Ride On
09 - Susie Moran
10 - Exiles
11 - To Invoke The Horned God (Bonus Track)


 Pagan (2004)

01 - Michael Collins
02 - Pagan
03 - The Gael
04 - Ard Rí Na Heirann
05 - March To Cluain Tairbh
06 - Viking Slayer
07 - 1014 A.D.
08 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
09 - 1000 Years
10 - Lament For The Wild Geese
11 - Erinsong
12 - Summoning of The Sidhe
13 - The Fall of Gondolin


 The Morrigan's Call (2006)

01 - Shelob
02 - The Brown Bull of Cooley
03 - Coffin Ships
04 - The Great Hunger
05 - The Old Woman In The Woods
06 - Ungoliant
07 - The Morrigan's Call
08 - Téir Abhaile Riú
09 - Wolfe Tone
10 - The Very Wild Rover
11 - Cúchulainn
12 - Diarmuid and Grainne


 A Celtic Legacy (Compilation) (2007)

01 - I Am Tuan
02 - Cúchulainn
03 - To Invoke The Horned God
04 - Celtica (Voice of The Morrigan)
05 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
06 - The Middle Kingdom
07 - Death of A Gael
08 - The Children of Lir
09 - Ride On (feat. Shane McGowan)
10 - Michael Collins
11 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
12 - The Fall of Gondolin
13 - Little Timmy Scumbag
14 - Bloody Sunday (Unplugged)


 Blood On The Black Robe (2011)

01 - To War
02 - I Am Warrior
03 - The Column
04 - Thy Kingdom Gone
05 - An Bean Sidhe
06 - Blood On The Black Robe
07 - Primeval Odium
08 - The Voyage of Bran
09 - Brian Boru's March
10 - Pagan Hate
11 - The Nine Year War


 Blood For The Blood God (2014)

01 - Crom Cruach
02 - Blood For The Blood God
03 - The Arrival of The Fir Bolg
04 - Beren and Luthien
05 - The Marching Song of Fiach Mac Hugh
06 - Prophecy
07 - Gae Bolga
08 - The Sea Queen of Connaught
09 - Born For War (The Rise of Brian Boru)
10 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 1)
11 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 2)

Bonus CD:
01 - Pagan (2014 Version)
02 - Prophecy (Demo Version)
03 - Sea Queen (Demo Version)
04 - Marching Song (Demo Version)
05 - I Am Warrior (Demo Version)
06 - Pagan Hate (Demo Version)
07 - Voyage of Bran (Demo Version)


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Força Macabra - Discografia

Muitos não param pra pensar, não sabem, ou até mesmo menosprezam a importância e relevância da cena brasileira do Hardcore/Punk/Thrash Metal nos anos 80 não apenas aqui no Brasil, mas também no exterior. Talvez isso aconteça porque normalmente não temos noção do tamanho de nossa influência em algum quesito, afinal, não somos afetados por ela. Nós somos ela. Pode ser isso. Mas a verdade é que bandas como Ratos de Porão, Inocentes, Armagedom, Lobotomia, Sarcófago, Chakal, entre outras dos ramos, foram muito mais longe do que é comentado nas rodas de amigos e mídia. A prova real de que isso tudo não se tratou apenas de um movimento nacional é o Força Macabra.
Nome em português, letras em português brasileiro, altamente apaixonados e influenciados também pelo Overdose... O Força Macabra pode facilmente ser considerado uma banda nacional caso o ouvinte não faça uma pequena pesquisa. Contudo, a verdade é bastante interessante, já que o conjunto é oriundo de muito, muito longe da terra tupiniquim, atravessando o oceano e subindo às terras geladas do norte europeu.
Pois é. Trata-se de uma banda europeia. Finlandesa, mais precisamente. Formado na capital Helsinque em 1991, o conjunto - cuja formação conta com membros puramente finlandeses, mas que usem nomes artísticos - se deixou influenciar pesadamente pela cena brasileira ao ponto de compôr letras em português e nos brindar com essa interessante experiência.
Inicialmente composta por Oswaldo "Taurus" Extermínio (Otto Luotonen) no vocal, Pedro "Porco" Anthares guitarra, Roberto Necrófago no baixo e Oscar "Deadbrain" Antítese (Otto Itkonen) na bateria, a banda primeiro lançou trabalhos menores, como demos e splits. A primeira saiu ainda no ano de formação, intitulada simplesmente "1st Demo".
Já na próxima demo, intitulada "2nd Demo: Para Agonia e Morte" e lançada em 1992, a banda estava contando com outro baixista no lugar de Roberto, chamado Jaska.
Após lançarem mais algumas demos e splits, conquistaram um contrato com a Genet Records, responsável pelo lançamento do álbum de estreia "Nos Túmulos Abertos", em 1995. Com suas 13 faixas que totalizam 26 minutos de duração, este é um trabalho que apresenta um Hardcore/Punk bastante objetivo e tradicional: porradeiro, agressivo, homogêneo, com um vocal carregado por drive cantando na tonalidade que as inconformadas e críticas letras exigem. No entanto, peca em alguns pontos devido à limitação de recursos ou até mesmo a pouca idade da banda. A gravação não é tão boa... é meio abafada, com o som dos instrumentos se confundindo, pouco claros. O pulsar do baixo é estranho, a bateria é seca, a guitarra é arranhada... até o português é afetado, pois com o pouco tempo de estrada da banda, a pronúncia se mostra mais balbuciada e atropelada ao invés de propriamente falada. Esses atributos são ótimos para quem gosta de um som mais sujo.
Tempos depois do lançamento, o guitarrista Abutre E. Hate foi adicionado à formação, e mais uma cacetada de splits e compilações foram lançadas no meio-tempo até o próximo álbum. Uma dessas splits saiu no ano de 2001, em parceria com o Ulster, banda brasileira de Hardcore/Punk de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Já o ano de 2002 marcou a chegada do segundo álbum de estúdio, chamado "Caveira da Força". Lançado através da Hardcore Holocaust Records, agora a musicalidade melhorou em diversos aspectos. A produção está mais nítida, as composições estão mais abrangentes e criativas, e solos são fritados, explorados com técnica e velocidade. Ao longo de seus 30 minutos de duração, o álbum apresenta uma banda que trás à superfície uma influência adicional de Thrash Metal que tornou as músicas mais pesadas, com linhas instrumentais melhor desenhadas, mais interessantes. Ao unir Hardcore, Punk e Thrash Metal de forma tão coesa como fizeram, alcançaram uma sonoridade para agradar qualquer fã das vertentes. É pegada, cheia de palhetadas velozes gerando uma intensa riffeira, bateria porradeira, baixo que a acompanha. As linhas vocais não ficaram por fora do desenvolvimento, já que Oswaldo agora apresenta um vocal mais técnico, mais encorpado e um drive ainda mais carregado, a caráter da maior influência da banda: o Overdose. Backing vocals também são constantemente acionados ao mais tradicional estilo Punk/Hardcore, complementando muito bem uma musicalidade que já é notável por si só. Álbum forte, certamente.
Após o lançamento, o baixista Jaska deixou o conjunto, mas ninguém foi convocado pra preencher sua vaga. Ao invés disso, o guitarrista Pedro "Porco" Anthares passou a dividir as funções no estúdio.
O tempo que a banda levou para lançar o segundo álbum foi certamente longo. Foram sete anos de espera. Depois de lançar um disco excelente como "Caveira da Força", esperava-se que não demorasse tanto mais para que mais álbuns saíssem. Entretanto, mais seis longos anos tiveram de transcorrer até que mais materiais inéditos pudessem finalmente ser apreciados.
Portanto, o terceiro full-length foi conhecido apenas em 2008. "Aqui É O Inferno", lançado via Agipunk Records, é um álbum que dá prosseguimento à competente tendência Crossover/Thrash iniciada em seu antecessor, mas também apresenta mudanças. De fato, é furioso e incrivelmente energético, batedor de cabeça. As canções estão ainda mais velozes e assassinas, cantadas por um vocal que esbanja revolta e autoridade, com sílabas pronunciadas alucinada e rapidamente. O português está muito melhor pronunciado do que antes, diga-se de passagem. Beirando a perfeição. No entanto, as composições não apresentam a mesma criatividade de "Caveira da Força". São mais estreitas, retilíneas, sem tanta variação ou complexidade nos arranjos. Os solos passaram a ser menos explorados (mas muito bem executados quando entram em cena), os backing vocals Punk praticamente desapareceram... Apesar de certas "faltas", há muita compensação no ritmo e vivacidade das canções, que são contagiantes e selam esse álbum como de fato excelente.
Desde então, nada mais foi lançado pelos finlandeses. Pelo menos não oficialmente. Mas é sabido que ainda estão na ativa. Quem sabe não tem mais um álbum de estúdio saindo? Só o tempo dirá. Enquanto isso os finlandeses nos deixaram três interessantes álbuns que no mínimo despertam a curiosidade de qualquer um que saiba que eles não são brasileiros. Pra quem curte Crossover, sem dúvidas essa é uma banda pra ser muito bem apreciada. Agora, pra quem não curte, por que não ouvir pra pelo menos tirar a curiosidade da pronúncia? O Metal é global, e o Força Macabra é um presente da globalização para nós brasileiros.


 1st Demo (Demo) (1991)

01 - Sem Poluição
02 - Mortes dos Inocentes
03 - Vida Morta
04 - Juventude Ignorante/Cães do Sistema
05 - Revolução
06 - Em Nome da Liberdade
07 - Destruição, Morte e Dor


 2nd Demo: Para Agonia e Morte (Demo) (1992)

01 - Mentes Mortes
02 - Chorando A Guerra
03 - Outra Guerra, Outra Vítima
04 - Revolução
05 - Medo
06 - Em Guerra
07 - Morte dos Inocentes
08 - Será O Fim da Terra?
09 - Cansado
10 - Calado (Inocentes Cover)
11 - Depois da Bomba
12 - Destruição, Morte e Dor


 3rd Demo (Demo) (1993)

01 - Cegos Por Ódio (Armagedom Cover)
02 - Bandeira Negra
03 - De Quem É A Culpa?
04 - Most To Die (Lobotomia Cover)/Paranóia Nuclear (Ratos de Porão Cover)
05 - Eu Não Preciso do Sistema
06 - Alma Sofredora
07 - Sofrer Demais
08 - Chorando A Guerra
09 - Tu Pagas
10 - Crucificados Pelo Sistema (Ratos de Porão Cover)


 Força Macabra/Homomilitia (Split) (1994)

01 - Força Macabra: Eu Não Preciso do Sistema
02 - Força Macabra: Alma Sofredora
03 - Força Macabra: Sofrer Demais (Armagedom Cover)
04 - Força Macabra: Chorando A Guerra
05 - Homomilitia: Ziemia
06 - Homomilitia: Multinationals


 Nos Túmulos Abertos (1995)

01 - Este Mundo
02 - Outra Guerra, Outra Vítima
03 - Será O Fim da Terra?
04 - Medo
05 - Alma Sofredora
06 - Apanhado
07 - Asilo Na Existência (Armagedom Cover)
08 - Eu Não Preciso do Sistema
09 - Mentes Mortas
10 - Em Guerra
11 - Cansado
12 - Tu Pagas
13 - Nos Túmulos Abertos


 Força Macabra/Ulster (Split) (2001)

01 - Força Macabra: Cemitério
02 - Força Macabra: Malicius Death (Necromancer Cover)
03 - Força Macabra: Vida Morta
04 - Ulster: Arturo Bandini
05 - Ulster: Matar
06 - Ulster: Conquest (Disclose Cover)
07 - Ulster: U.E.P.R.
08 - Ulster: SP R$1,76
09 - Ulster: Os Leões Estão Marcados


 Caveira da Força (2002)

01 - Desejo de Poder
02 - Agonia Final
03 - O Que Nós Vemos
04 - Sarcófago Nuclear
05 - A Queda
06 - El Condor
07 - D.E.P.
08 - Bitchfucker
09 - Suicídio 89
10 - Medo do Amanhecer
11 - Filho do Mundo
12 - Caveira da Força


 Aqui É O Inferno (2008)

01 - Esfera Metal
02 - Cemitério
03 - Filhos da Tormenta
04 - Massacre do Ódio
05 - Fúria (Anthares Cover)
06 - Apanhado
07 - Vôo do Abutre
08 - Assassino
09 - Do Inferno Eu Vim
10 - Hecatombe Alcóolica
11 - O Chamando dos Esqueletos
12 - Guerreiro do Rock
13 - Pescador de Almas


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Archonaut - Discografia

Não existe exatamente um padrão que dite como o músico deve compôr suas músicas. Qualquer ideia pode servir como pedra angular para a construção do edifício musical: um riff, um solo, a letra de um refrão ou estrofe. Não há regra. Contudo, ao perceber que a maioria dos compositores se agarra primeiro às ideias instrumentais e só então escreve letras que se encaixam na harmonia sonora, os alemães do Archonaut decidiram fazer diferente, como poucos: escrever primeiro um conceito lírico, uma história a ser contada ao longo de todo um álbum e, aí sim, acrescentar uma instrumentação que se curve em reverência às letras e se comunique com o ouvinte na mesma sintonia das palavras.
Essa ideia fervilhou na fertilidade de suas imaginações em 2013, na cidade independente de Wuppertal, depois que os amigos Jens Kipper (vocal), Sebastian Maschuw (guitarra) e Julian Klotz (guitarra, mas inicialmente bateria) se envolveram em um projeto colaborativo que desencadeou esse tipo de proposta. Uma vez que o conceito foi traçado, nasceu o Archonaut.
O passo seguinte, claro, era buscar novos integrantes para fechar o line-up, mas isso foi realmente difícil. Ninguém se situava por muito tempo. Então, até o lançamento do primeiro álbum, houve muito vai-e-vem, desanimando o trio. Vislumbraram, então, como opção mais viável, trabalhar com membros de sessão.
Após focarem intensamente em um meticuloso trabalho de composição de canções, lançaram em janeiro de 2015, de forma independente, o primeiro álbum de estúdio, intitulado "Duchess". Com design gráfico assinado por Michael Meißner e produção por Toshi Trebess, esse trabalho combina Progressive Rock a elementos de Alternative Rock com uma sutileza capaz de tocar a alma. Também, não é pra menos: o álbum conta a história da Duquesa, uma alma flutuante que vive em uma caverna no oceano e que é tão poderosa que atrai outras almas, que se unem à ela e se tornam uma consciência única.
Em sua ânsia por compreender o mundo e o porquê de ouvir tantos pensamentos mortíferos vindos da superfície, a Duquesa embarca em uma saga onde desesperadamente tenta encontrar meios de alcançar a superfície, na esperança de que o mundo seja algo mais do que apenas água e encontrar respostas.
Envolvendo o profundo e abstrato conteúdo lírico, experienciamos uma sonoridade igualmente imersiva, onde os instrumentos e voz se comportam na intensidade que as palavras exigem. E, de fato, a atmosfera é de leveza, flutuante... Como se o peso deixasse seu corpo e tudo se tornasse profundo, longínquo, emocional.
O vocal de Jens Kipper é um grande indutor dessa sensação. É limpo, controlado, suave, como se fosse fácil ter uma voz tão lisa. Um belíssimo exemplo é a longa faixa de abertura "The Cavern of Many Beings" com seus 12 minutos e toda sua entorpecente intensidade. Minha preferida. Entretanto, suavidade não é a única característica apresentada por sua voz, uma vez que, em algumas canções como "Drowning Men", ela também é rasgada. Seu lindo vocal em frente a um instrumental reverberado, recheado de passagens em guitarra limpa e um contra-baixo bem nítido e pulsante, resultaram em um álbum maravilhoso e convidativo, viajante como o Progressive Rock deve ser. Infelizmente os solos são muito escassos. Fazem falta. Mas quando aparecem, são bons e também se comunicam com as letras e maximizam a sensação no ouvinte.
Já que, pela instabilidade na formação, resolveram permanecer oficialmente como um trio, levando-os a contar com membros de sessão na gravação do debut, naturalmente também precisariam de membros extra-oficiais para que apresentações ao vivo fossem realizadas. Por isso, atualmente contam fixamente com o baixista italiano Felice Puopolo e o baterista Chris Jordan nos palcos, fechando a formação.
Os alemães do Archonaut começaram muito bem sua discografia, sem dúvidas. São músicos experientes, com claro potencial de acumular ainda mais experiência e nos trazer trabalhos ainda superiores. "Duchess" deve ser encarado como um exímio trabalho Progressivo. Encantador!
Não deixem de curtir a página da banda no Facebook e acompanhar os próximos passos dos caras! Boa viagem com a Duquesa!

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 Duchess (2015)

01 - The Cavern of Many Beings
02 - Drowning Men
03 - ARK
04 - Siren
05 - Promise
06 - The Last March of The Swarm
07 - Nautilus
08 - Souls Eclipse


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Hatebreed - Discografia

O Hatebreed foi formado em 1993 na cidade de New Haven, Connecticut, Estados Unidos. Em seu início, contava com os seguintes membros: Jamey Jasta (vocal), Larry Dwyer (guitarra), Chris Beattie (baixo) e Dave Russo (bateria).
Desde o seu começo, o conjunto era altamente influenciado pelos grandes nomes do Hardcore em Nova Iorque, tais como Agnostic Front e Madball, o primeiro já estabilizado e reconhecido e o segundo um contemporâneo do Hatebreed. Além dos compatriotas, o som praticado pela banda tinha referências em outros nomes importantes do estilo, como Entombed e Napalm Death.
Em 1995, a banda faria sua estréia com um split ao lado do Neglect. Naquela época, o Hardcore vivia um bom momento e o conjunto rapidamente se tornou importante, o que facilitou para que já em 1996, lançassem o seu primeiro disco, Under The Knife, momento em que já contavam com um quinto membro: o guitarrista Wayne Lozinak. Apesar de curto, o álbum expôs com perfeição o que era o Hatebreed: uma mistura de Hardcore, Punk, Metalcore e Heavy Metal.
Se Under The Knife teve o papel de apresentar o conjunto para os fãs, o trabalho seguinte, Satisfaction Is The Death Of Desire, de 1997, colocou o Hatebreed em outro patamar, sendo considerado pelos fãs e por boa parte dos críticos, como um dos trabalhos mais importantes do Hardcore na década de 90. Um dos aspectos mais significativos do disco foi ter se tornado o mais vendido da história da gravadora Victory Records.
Em Satisfaction, a banda passou por uma grande reformulação, com as saídas de Wayne Lozinak, Larry Dwyer e Dave Russo, que deram seu lugar para Matt McIntosh (guitarra), Lou "Boulder" Richards (guitarra) e Nick "Nickel P" Papantoniou (bateria).
Após o lançamento do disco, a banda realizou uma série de apresentações, tocando ao lado de conjuntos que antes eram fontes de inspiração para o Hatebreed, como Agnostic Front, Downset, Madball, Slayer, Deftones, Entombed e Napalm Death.
O contato com o Slayer renderia uma participação de Kerry King no próximo disco. Com os novos membros: Sean Martin (guitarra) e Matt Byrne (bateria), a banda lançou Perseverance em 2002. Esse era o segundo lançamento pela gigante Universal Records, que trouxe ainda mais exposição para a banda e, possibilitou que a faixa I Will Be Heard fizesse parte da trilha-sonora do filme Triplo X. Ainda que tivessem uma exposição maior e fossem bem aceitos pelas mídias em geral, o Hatebreed jamais abandonou a origem de seu som, o que lhes proporcionou formar uma base de fãs fiéis, que nunca se decepcionaram com os trabalhados do conjunto.
O Hatebreed se tornaria um quarteto após o lançamento de Perseverance, com saída de Lou "Boulder" Richards.
Como a fase era muito boa e a banda estava com a criatividade em alta, já em 2003, o Hatebreed fugiu dos padrões atuais da indústria e trouxe mais um trabalho de inéditas: Rise Of Brutality.
Com várias referências aos conjuntos clássicos do Hardcore da Big Apple, a banda trouxe mais um ótimo trabalho, com destaques para Straight To Your Face, Another Day, Another Vendetta, Live For This e Choose Or Be Chosen.
Rise Of Brutality demonstrava que o Hatebreed manteria o alto padrão de seu trabalho ao longo dos álbuns, sendo que aqueles que gostavam da banda, poderiam ter certeza da qualidade dos demais discos, já aqueles que não curtiam o seu som, não adiantava arriscar, pois levariam sempre a mesma sonoridade.
Aproveitando o bom momento, em 2004, a banda saiu em uma mega turnê pela Europa, ao lado de nomes como Slayer, Slipknot e Mastodon. Nos anos seguintes, novamente o conjunto obteve grande exposição, tocando no Download Festival e no Ozzfest, ambos em 2006. Aquele ano marcaria também o ingresso de Frank Novinec, que ocupou o posto de segundo guitarrista.
Com essa formação, vem o álbum Supremacy (2006), que é bastante linear, assim como toda a discografia da banda. O disco traz as ótimas Destroy Everything, Divine Judgement e As Diehard As They Come e mantêm a agressividade do início ao fim.
No dia 13 de setembro de 2006, o guitarista Lou "Boulder" Richards, cometeu suicídio aos 35 anos, ele tocou com o Hatebreed de 1997 a 2002 e gravou o clássico Satisfaction Is the Death Of Desire.
Em 2007, a banda tocou novamente no Ozzfest e em 2008 no Wacken Open Air. As apresentações ao vivo renderam o álbum Live Dominance também de 2008.
Já em 2009, o ano foi altamente movimentado, com o lançamento do ótimo For The Lions, um álbum de covers e também com o inédito e auto-intitulado Hatebreed, que cumpre com maestria o seu papel, em especial pelas ótimas Between Hell And Heartbeat, Not My Master, Hands Of A Dying Man, Merciless Tide e Through The Thorns.
No álbum Hatebreed, a banda já não contava mais com Sean Martin, que deu seu lugar para o retorno de Wayne Lozinak.
Em 2013, a banda saciou o desejo dos bandas e retornou em grande estilo com o disco The Divinity Of Purpose, com destaque para as ótimas Put It To The Torch, Honor Never Dies, Before The Fights Ends You, Dead Man Breathing e a faixa-título.
A banda segue na ativa, expondo a sua bem sucedida mistura de Hardcore, Punk e Heavy Metal, fazendo um som próprio, mas que pode ser caracterizado simplesmente como Metal.


 Hatebreed/Neglect (Split) - 1995

01 - Hatebreed - Not One Truth
02 - Hatebreed - Severed
03 - Neglect - Two Foot City


 Under The Knife (EP) - 1996

01 - Smash Your Enemies
02 - Kill An Addict
03 - Under The Knife
04 - Filth
05 - Not One Truth
06 - Severed
07 - Puritan

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 Integrity/Hatebreed (Split CD) - 1997

01 - Hatebreed - Burial For The Living
02 - Integrity - B.A.T.F. Would Be Proud

Download

 Satisfaction Is The Death Of Desire - 1997

01 - Empty Promises
02 - Burn The Lies
03 - Before Dishonor
04 - Puritan
05 - Conceived Through An Act Of Violence
06 - Afflicted Past
07 - Prepare For War
08 - Not One Truth
09 - Betrayed By Life
10 - Mark My Words
11 - Last Breath
12 - Burial For The Living
13 - Worlds Apart
14 - Driven By Suffering

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 Perseverance - 2002

01 - Proven
02 - Perseverance
03 - You're Never Alone
04 - I Will Be Heard
05 - A Call For Blood
06 - Below The Bottom
07 - We Still Fight
08 - Unloved
09 - Bloodsoaked Memories
10 - Hollow Ground
11 - Final Prayer
12 - Smash Your Enemies
13 - Healing To Suffer Again
14 - Judgement Strikes (Unbreakable)
15 - Remain Nameless
16 - Outro

 The Rise Of Brutality - 2003

01 - Tear It Down
02 - Straight To Your Face
03 - Facing What Consumes You
04 - Live For This
05 - Doomsayer
06 - Another Day, Another Vendetta
07 - A Lesson Lived Is A Lesson Learned
08 - Beholder Of Justice
09 - This Is Now
10 - Voice Of Contention
11 - Choose Or Be Chosen
12 - Confide In No One

 Supremacy - 2006

01 - Defeatist
02 - Horrors Of Self
03 - Mind Over All
04 - To The Threshold
05 - Give Wings To My Triumph
06 - Destroy Everything
07 - Divine Judgment
08 - Immortal Enemies
09 - The Most Truth
10 - Never Let It Die
11 - Spitting Venom
12 - As Diehard As They Come
13 - Supremacy Of Self

 Live Dominance - 2008

01 - This Is Now
02 - Perseverance
03 - A Call For Blood
04 - To The Threshold
05 - Empty Promises
06 - Destroy Everything
07 - Voice Of Contention
08 - As Diehard As They Come
09 - Hallow Ground
10 - Doomsayer
11 - Betrayed By Life
12 - Straight To Your Face
13 - Facing What Consumes You
14 - Before Dishonor
15 - Never Let It Die
16 - Last Breath
17 - Beholder Of Justice
18 - Smash Your Enemies
19 - Proven
20 - Defeatist
21 - Live For This
22 - I Will Be Heard

 For The Lions (Cover Album) - 2009

01 - Ghosts Of War (Slayer Cover)
02 - Suicidal Maniac (Suicidal Tendencies Cover)
03 - Escape (Metallica Cover)
04 - Hatebreeders (Misfits Cover)
05 - Set It Off (Madball Cover)
06 - Thirsty And Miserable (Black Flag Cover)
07 - All I Had I Gave (Crowbar Cover)
08 - Your Mistake (Agnostic Front Cover)
09 - I'm In Pain (Obituary Cover)
10 - It's The Limit (Cro-Mags Cover)
11 - Refuse-Resist (Sepultura Cover)
12 - Supertouch-Shitfit (Bad Brains Cover)
13 - Evil Minds (D.R.I. Cover)
14 - Shut Me Out (Sick Of It All Cover)
15 - Sick Of Talk (Negative Approach Cover)
16 - Life Is Pain (Merauder Cover)
17 - Hear Me (Judge Cover)
18 - Bored In (Subzero Cover)
19 - Sheer Terror I, Spoiler (Bonus Track)
20 - To The Threshold (Live In Dallas) (Bonus Track)
21 - Destroy Everything (Live In Dallas) (Bonus Track)
22 - Defeatist (Live In Dallas) (Bonus Track)
23 - The Most Truth (Live In Dallas) (Bonus Track)


 Hatebreed - 2009

01 - Become The Fuse
02 - Not My Master
03 - Between Hell And A Heartbeat
04 - In Ashes They Shall Reap
05 - Hands Of A Dying Man
06 - Everyone Bleeds Now
07 - No Halos For The Heartless
08 - Through The Thorns
09 - Every Lasting Scar
10 - As Damaged As Me
11 - Words Become Untruth
12 - Undiminished
13 - Merciless Tide
14 - Pollution Of The Soul
15 - Escape (Diehard Edit - Metallica Cover)
16 - To The Threshold (Live) (Bonus Track)
17 - As Diehard As They Come (Live) (Bonus Track)


 The Divinity Of Purpose - 2013

01 - Put It To The Torch
02 - Honor Never Dies
03 - Own Your World
04 - The Language
05 - Before The Fight Ends You
06 - Indivisible
07 - Dead Man Breathing
08 - The Divinity Of Purpose
09 - Nothing Scars Me
10 - Bitter Truth
11 - Boundless (Time To Murder It)
12 - Idolized And Vilified


domingo, 2 de agosto de 2015

Impaled Nazarene - Discografia

Polêmica, extremismo, elitismo e Black Metal são assuntos que, quando combinados, dão resultados que não são novidade pra quem curte essa vertente da música extrema. É por isso que os finlandeses do Impaled Nazarene sempre deram o que falar. Já correram risco de terem lançamento de álbum banido; já tiveram shows cancelados; já sofreram e ainda sofrem muita crítica acerca do irreverente conteúdo lírico; já tiveram até mesmo rixa com a cena norueguesa de Black Metal... a lista continua. Bem ou mal, esses eventos tornam a banda ainda mais chamativa.
Entretanto, nem só de polêmicas é feito o Impaled Nazarene; eles fazem por onde musicalmente. Muito embora os caras pareçam limitados e estreitos em seus pensamentos - vide as entrevistas que concedem -, a sonoridade é bastante versátil no âmbito extremo. Mesmo que sempre tenham se assentado num devastador Black Metal, podemos desfrutar de muita competência e coesão em um verdadeiro passeio por vários dos gêneros mais pesados (como Grindcore, Punk, Thrash Metal, Death Metal, entre outros) ao longo da discografia, sem deixar o gênero negro para trás. Dando vida à letras que abordam temas como violência, satanismo, sexo, política (de certa forma com o anti-comunismo) e, mais evidentemente, patriotismo finlandês - relacionado ao elitismo racial ou nazismo -, a musicalidade é uma verdadeira destruição, algumas vezes até medonha. Por mais que no passar dos anos a produção tenha gradativamente se modernizado, ficando mais limpa, e as canções tenham se tornado mais abrangentes composicionalmente, o som nunca deixou de ser verdadeiramente agressivo.
Considerado um dos pioneiros da cena Black Metal na Finlândia, o Impaled Nazarene teve seu início em Oulu no começo de 1990. A ideia do nome vem de um panfleto que o vocalista e líder Mika Luttinen leu sobre Jesus Cristo de Nazaré ser um vampiro. Isso fervilhou sua imaginação, que logo traçou um paralelo com o fato de uma das únicas formas de se matar um vampiro seja empalá-lo no peito com uma estaca de prata. Então brotou o título "Nazaré Empalado", com o qual a banda foi batizada.
Inicialmente o nome do conjunto foi muito propagado devido aos discursos de ódio pelo Black Metal norueguês, criando uma espécie de rivalidade. Contudo, a treta não vingou. Rapidamente esses atos foram extintos e Luttinen diz que já até mesmo tocou com Euronymous (guitarrista do Mayhem) antes de ter sido assassinado a facadas por Varg Vikernes (Burzum).
Outro detalhe passageiro nos primeiros estágios foi a adoção do corpse paint, que eram muito populares no estilo (e ainda são nos dias de hoje), principalmente entre os noruegueses. Todavia, em vista do "boom" do estilo naquele princípio de década e da relação que as pessoas faziam entre declarações extremistas, toda a polêmica em si e o Black Metal, decidiram se distanciar disso para não serem generalizados. Com isso, o Impaled Nazarene é também uma das poucas bandas da época que se preocupavam em fazer um som extremo sem que seja necessário se preocupar também com a aparência.
A primeira formação a lançar algum registro se resumia a um quinteto composto por Mika Luttinen no vocal, Mika Pääkkö e Ari Holappa nas guitarras, Antti Pihkala no baixo e Kimmo Luttinen na bateria. Este último era o irmão mais novo de Mika Luttinen. Juntos, lançaram a demo cassete "Shemhamforash" em fevereiro de 1991, composta por 9 músicas, dentre as quais duas eram covers de Extreme Noise Terror e Deicide. Nos tempos subsequentes, a formação se mostrou bastante instável, com muita troca de membros em meio a mais trabalhos independentes lançados, como a demo "Taog Eht Fo Htao Eht" em agosto de 1991 e o EP "Goat Perversion" em fevereiro de 2002.
À altura de novembro de 1992, quando o álbum debut "Tol Cormpt Norz Norz Norz..." foi lançado através da Osmose Productions (selo com quem a banda tem contrato até hoje), a formação já era um quarteto onde alguns membros decidiram usar pseudônimos. O vocalista Mika Luttinen agora era conhecido como Mikaakim, enquanto seu irmão - agora guitarrista principal e baterista -, Kimmo Lutinen, passou a ser chamado Kimmoomik. Os demais membros eram o guitarrista Jarno Anttila e o baixista Taneli Jarva.
O álbum de estreia era uma coisa realmente medonha. Focado em um Black Metal/Grindcore/Punk sujo e energético, o trabalho se mostra extremamente furioso, alucinado. Esse extremismo diz respeito tanto à objetividade das faixas quanto no conteúdo lírico, repleto de mensagens de blasfêmia. Os vocais guturais oscilam de um demoníaco gutural fechado para um desesperado e balbuciado gutural rasgado impossível de compreender. A postura combina perfeitamente com o frio e crespo instrumental que faz com que o álbum renda, mesmo que tenha apenas 29 minutos de duração - suficientes para encaixar diversos interlúdios ambientais macabros com sons infernais de sofrimento e tortura, geralmente levados à base de teclados.
Rapidamente, em menos de um ano o segundo álbum de estúdio já foi lançado. Diferente do anterior, "Ugra-Karma" é um álbum que sacrifica a expulsão de energia imposta no primeiro disco em prol de passagens mais rítmicas e harmônicas, mas apenas em detalhamento, sem que isso afete drasticamente a violência. Agora os finlandeses apresentam músicas um pouco mais longas e melhor trabalhadas, guiadas por uma atmosfera mais densa, flertando com algo mais atmosférico através de um teclado base que dá certo epicismo. Contudo, o teclado se limita a acompanhar os irados riffs, sem efetivamente tomar a posição de protagonista.
Pouco após o lançamento, todos os membros passaram a ser conhecidos por nomes artísticos, e os dois que já eram, alteraram. Mika Luttinen agora mudou para Mr. M. L. G-D-6th e Kimmo Luttinen para Sir Luttinen, enquanto Taneli Jarva adotou The Fuck You-Man e Jarno Anttila escolheu Dr. J-Ace.
Dessa forma, novamente apenas um ano separa a data de lançamento de um álbum para o próximo, pois, em 1994, o terceiro registro de estúdio, intitulado "Suomi Finland Perkele", saiu. Esse trabalho foi resultado dos pitacos que Kimmo Luttinen dava nas composições, provocando uma certa mudança que deixou os demais membros insatisfeitos. Para um ouvinte, a mudança não é tão drástica, e para quem gosta de algo mais melódico, é até bem-vinda, mas para Mika Luttinen, foi o fim do mundo e uma descaracterização do que o Impaled Nazarene vinha sendo.
O frio Black Metal se mantém, mas elementos Punk aparecem de forma um pouco mais viçosa, em perfeita fusão, tornando os arranjos mais harmônicos, estilísticos. O Punk também contribuiu com a introdução de backing vocals em coros típicos do estilo em algumas passagens. Mas, claro, são gritos de profanação. Para quem gosta de algo um pouco mais melódico e menos retilíneo, o disco pode ser um ponto de partida, cheio de passagens marcantes para se apegar como referência em novas audições, coisa que a banda tinha em escassez nos discos anteriores devido a objetividade e limitação da sonoridade.
A contribuição de Kimmo nessa mudança de sonoridade com certeza não era esperada por quem acompanhava a banda, e nem mesmo pelos demais membros. Eventualmente, com os nervos à flor da pele, os irmãos Luttinen brigaram seriamente em 1995. Pouco depois, durante as gravações do EP "Hamnasnas" (que nunca foi lançado), os desentendimentos relacionados a Kimmo se estenderam até o baixista Taneli Jarva, inevitavelmente resultando na saída do músico. Felizmente, Kimmo e Taneli fariam as pazes em 1998 e fundariam juntos uma nova banda chamada The Black League, que fazia Gothic Metal e só encerraria suas atividades em 2014, após cinco álbuns lançados.
Sem Kimmo Luttinen, que exercia as funções de principal guitarrista e baterista, a banda ganhou um verdadeiro buraco na formação. Decidiram, portanto, seguir apenas com a guitarra de Jano Antilla e preencher a vaga de baterista com Reima Kellokoski, preservando a configuração de quarteto. Além disso, a banda optou por abandonar os nomes artísticos e utilizarem seus nomes reais.
Em vista da turbulência que se assolou nos céus do grupo com as brigas, o ritmo de lançamento de um álbum por ano foi quebrado. Mesmo assim, não tardou tanto para que o quarto álbum saísse.
Com ânimos renovados e criatividade mais inflada, os finlandeses marcaram o ano de 1996 com o lançamento do poderoso álbum "Latex Cult", onde os elementos Punk se consolidam de vez na sonoridade, em alto grau de coesão, tornando-o digno de ser referência nessa fusão. Os atributos positivos do momento geraram um álbum impressionante, porradeiro e bastante energético. Sem dúvidas, é o trabalho mais insano e desesperado lançado até aquele momento. Certa diferença também aparece no vocal de Mika, que dota de um rasgado mais aberto e assimilável.
O retorno da grande exploração Punk gerou um álbum de longa lista de canções, porém, curta duração (apenas 30 minutos), a exemplo do primeiro. No entanto, essa meia-hora rende muito devido à homogeneidade das canções.
Após o lançamento, outra baixa aconteceu na formação. Dessa vez quem estava de saída era o baixista Taneli Jarva, afim de se dedicar integralmente ao The Black League. Por isso, Jani Lehtosaari foi recrutado em seu lugar, ele que também se tornou guitarrista e trouxe de volta os duetos de guitarras.
Como resultado da mudança, saiu o álbum "Rapture" em 1998, um dos trabalhos mais simples e pobres da discografia, composicionalmente falando. Ele se apresenta na forma de um Black Metal/Punk bastante retilíneo, direto ao ponto. Não tem muita firula ou jogadas que exigem um pouco mais de criatividade ou fazem o ouvinte se apegar mais facilmente. Porradaria resume o registro. Sem interlúdios. Sem passagens melódicas. Sem praticamente nada mais ameno. A tamanha violência imposta demonstra que a banda sabia o que fazer e como fazer, até pela sua simplicidade.
Mesmo com as limitações, o CD é bem prolongado pro gênero, com 37 minutos de duração. Inclusive, a partir daqui os discos passaram a ser melhor produzidos. Aqui a produção é realmente excelente, sem invenção de moda, ajudando a destacar o peso e a detectar os instrumentos com mais clareza.
Ainda naquele ano de 1998, um novo integrante foi adicionado à formação, que voltou a ser um quinteto após 7 anos. Esse integrante era ninguém menos que o guitarrista Alexi Laiho, atualmente famoso por ser vocalista e guitarrista do Children of Bodom. Naquela época, a sua agora banda principal tinha apenas um ano de vida. Então tinha tempo de sobra em mãos para se entregar no perverso Black Metal do Impaled Nazarene.
Tendo alguém como Alexi Laiho na formação, Mika Luttinen decidiu explorar o que ele tinha de melhor para oferecer e se afastar do Punk anteriormente executado, rumando em direção a algo mais criativo, melhor trabalhado, mas sem perder a essência do peso esmagador que tão fortemente marca sua sonoridade. Era o amanhecer de uma nova era na discografia. Uma era onde a banda exploraria novos horizontes e lançaria discos diferenciados que ironicamente contradizem a subconsciente noção de que esses caras não são abertos o suficiente para apostar em novos modelos de sonoridade.
De sonoridade mais polida, a nova fase da banda tem início com o álbum "Nihil". O sexto da discografia, lançado em 2000. Provavelmente, um resultado inesperado para muitos acostumados com a sonoridade dos álbuns anteriores. A abordagem é mais diversificada, harmônica e melódica, contrariando a insistente e quase retilínea porradaria dos trabalhos anteriores. "Nihil" apresenta momentos de cadência, frenéticos solos (algo difícil até então) que deixam a sonoridade batedora de cabeça à sua maneira, e uma postura vocal de Mika que não se mostra tão balbuciada mais, e sim mais "falada", propriamente dito. Interessantemente o disco é encerrado com um solo pegando na veia do feeling, digno de fechar os olhos e se deixar levar.
Claro, o trabalho é pesado, tal como é a exigência da banda, sem contar a excelente produção. Os caras não deixaram a peteca cair em sua tradicional agressividade, ao passo em que souberam acoplar inteligentemente novos elementos e dar origem ao álbum mais deslocado da discografia até então. Mesmo com os flertes com Melodic Death Metal e o maior empenho na confecção das canções, a tradição de lançarem álbuns rápidos se manteve intacta: o tempo total de duração é de 32 minutos.
O ano de 2000 ainda foi marcado por mais agitação: em agosto foi lançada pela Solardisk Records a split "Impaled Nazarene/Driller Killer". Como o próprio nome indica, é um trabalho colaborativo; por sua vez, em novembro, foi lançada pela Osmose Records a primeira compilação da discografia, intitulada "Decade of Decadence", contando com incríveis 33 faixas. O ano também é encerrado com a notícia de que o guitarrista Alexi Laiho não mais fazia parte da banda, após dois anos de trabalho. Daquele momento em diante teria mais tempo para se dedicar ao Children of Bodom e eventualmente crescer com a banda ao longo dos anos seguintes. Outra baixa foi a do baixista Jani Lehtosaari. Rapidamente suas vagas foram preenchidas por Teemu Raimoranta (ex-Finntroll) e Mika Arnkil, respectivamente, e os trabalhos para mais um álbum de estúdio recomeçaram ligeiramente.
Com nova formação, pseudônimos voltaram a ser utilizados. A formação, portanto, agora é composta da seguinte maneira: Slutti666 (Mika Luttinen, vocal), Onraj 9mm (Jarno Anttila, guitarra), Somnium (Teemu Raimoranta, guitarra), Arc v 666 (Mika Arnkil, baixo) e Repe Misanthrope (Reima Kellokoski, bateria). Todavia, esse não foi o único antigo costume a ser ressuscitado. Outro muito bom também voltou: o de lançar um álbum por ano.
Por isso, já em 2001 os finlandeses apresentaram o álbum "Absence of War Does Not Mean Peace". Com direito a até faixa de introdução, podemos apreciar um álbum que segue abrindo o leque de recursos e mantém a crescente tendência iniciada em "Nihil". Porém, apesar de trazer músicas melhor estruturadas com arranjos bem desenhados e composições interessantes, abrangentes, ele aposta em um andamento mais cadenciado, com momentos bem melódicos e teclados apoiando na base. Claro que se trata de um álbum pesado e carregado de ira, mas não tão homogêneo quanto era a banda nos primeiros estágios. Certamente é um disco que chama bastante a atenção de quem procura algo mais melódico, e faz quem gosta de porrada pura torcer o nariz.
Surpreendentemente, uma tragédia aconteceu em 2003, provocando uma dolorosa baixa nas formações do Impaled Nazarene e do Finntroll: o guitarrista Teemu Raimoranta, ou Somnium, morreu após cair ou saltar da ponte Kaisaniemi em Helsinque e se chocar com o gelo logo abaixo. Apesar da causa oficial da morte ter sido relatada como intoxicação por álcool (levando-o a acidentalmente cair da ponte), Mika Luttinen especula que Raimoranta possa ter cometido suicídio. O incidente aconteceu pouco após a finalização do EP acústico "Visor Om Slutet", do Finntroll, que, quando lançado naquele mesmo ano, foi dedicado à sua memória.
Não foi apenas o Finntroll que lançou o último um último disco com Raimoranta naquele tempo, já que 2003 também é o ano de lançamento do oitavo álbum de estúdio do Impaled Nazarene, intitulado "All That You Fear". Na data de lançamento, já contavam com o substituto Tuomo Louhio, que seguiu bem com a banda.
Esse é provavelmente o álbum mais complexo e maduro já lançado pela banda no que diz respeito à competência com a qual conseguiram passear por diferentes estilos metálicos sem perder sua essência. Voltando no tempo, seria difícil imaginar que aquela banda que só tocava Black Metal/Punk fosse um dia se render a tanta diversidade e ainda fazer um grande trabalho. De porteiras abertas, o conjunto se deixou influenciar por estilos que só acrescentaram na sonoridade e deram uma nova roupagem ao violento e pegado Black Metal executado com violência e brilhantismo na bateria, que é sensacional, cheia de viradas e blast beats, até que o Black Metal se converte em estilos como Thrash Metal e Melodic Death Metal, cheios de solos explorados com excelência. Como resultado geral, temos um trabalho de músicas intensas e teclados que apoiam com firmeza, sem muito disfarce, o que intensifica o ambiente bem preenchido das canções. Sem dúvidas, o álbum mais abrangente e assimilável da discografia. Entretanto, longe de cair no gosto dos mais puristas.
Já em 2005, enfim saiu o primeiro disco ao vivo dos finlandeses. Gravado em dezembro de 2004 no clube Tavastia em Helsinque, na Finlândia, "Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces" contém 26 faixas que totalizam uma hora e sete minutos de pura blasfêmia.
O live precede o nono e intrigante álbum de estúdio que exala patriotismo, chamado "Pro Patria Finlandia". Sucesso comercial que rendeu uma extensiva turnê que passou por mais de trinta países em quatro continentes ao lado de bandas como Cannibal Corpse, Mayhem e Dark Tranquillity, este é um álbum que contraria a tendência melódica que vinha sendo alimentada desde 2000 com "Nihil". "Pro Patria Finlandia" é um álbum que retoma uma sonoridade mais purista, livre de teclados e cadências. De forma longínqua, trás flashes dos primeiros discos em se tratando da resolução em uma devastadora agressividade. Porém, diferentemente dos primórdios, aqui podemos apreciar uma produção moderna e limpa que valoriza as intensas palhetadas e toda a fúria descontrolada da bateria, que é muito bem mixada e é o principal motor desse desesperado e energético som. A bateria dita o ritmo e é muito foda mesmo com a falta de criatividade demonstrada por meio da carência de recursos e incessantes blast beats, transições e mais variações de blast beats no decorrer de todos os 38 minutos de álbum.
De qualquer forma, a musicalidade é bem crua, veloz e seca, oscilando entre o Black Metal puro e o Melodic Black Metal, abusando de solos que complementam a velocidade dos riffs e empregam excitantes alavancadas. Trabalho bem técnico e certamente capaz de chamar de volta a atenção dos que preferiam o Impaled Nazarene mais ríspido.
Em 2007 houve outra alteração na função de guitarrista. Tuomo Louhio havia sido substituído por Tomi Ullgrén (Shape of Despair) para a gravação do álbum "Manifest", lançado em 2010. Trata-se do álbum mais distante do Black Metal e também o mais longo, com 50 minutos de duração. Ele é calcado num avassalador e exímio híbrido de Black Metal e Thrash Metal, onde o segundo se sobrepõe e faz da sonoridade um assalto Thrash verdadeiramente bisonho, esmagador e de enorme competência. Embora apresente momentos que se arrastem um pouco mais e outros mais rítmicos com belas harmonias, o disco preserva a costumeira violência imposta através da velocidade, com bateria e riffs sedentos e alucinados.
Certamente estamos falando de outro trabalho cru, bem direto, sem tanta invenção de moda com efeitos extras, exceto pelos teclados em "Mushroom Truth", que são épicos como em uma batalha, e "Funeral For The Despicable Pigs", soando como num funeral e complementando assim o tema. Além da objetividade de uma sonoridade raivosa, o assalto também ganha contornos mais definidos com seus maravilhosos solos dignos de qualquer Thrash Metal de ponta, ricos em velocidade, técnica e excelente exploração da alavanca. É um álbum mega aconselhado pros thrashers.
Novidades só voltaram a surgir três anos mais tarde, em 2010, quando o guitarrista base Jarno Anttila deixou o conjunto. Com sua saída, a banda voltou a ser configurada em um quarteto e não pretende substituí-lo.
Dois mil e dez também foi ano de lançamentos, a começar pelo EP de 8 minutos "Enlightment Process", que saiu no dia 19 de novembro, subsequenciado pelo álbum "Road To The Octagon" no dia seguinte. Esse disco abre (ou reabre) mais uma nova (velha, né) era na discografia, mas não uma era de novidades, e sim de volta às origens. Ignorando a roupagem dos últimos álbuns, o registro se caracteriza por utilizar da produção moderna na confecção de um som das antigas. O modelo de composição de faixas rápidas resultando em álbuns de curta duração é retomado. Com seus 33 minutos totais de duração, "Road To Octagon" tem uma sonoridade tão veloz quanto o tempo de duração de suas músicas. Por mais que nos brinde com um peso sufocante nas distorções exaladas por um Black Metal maleável o suficiente para decair ao Speed, tirar elementos Punk da manga e trazer flashes do Thrash Metal do "Manifest" à superfície, o disco me parece confuso e pouco inspirado. A atmosfera é turbulenta, com a intensidade de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e os instrumentos misturando-se entre si sem demonstrar harmonia. É complicada a assimilação. Dificultando ainda mais para escolher um ponto de referência, os solos são explorados muito moderadamente, e quando aparecem, são bem modestos em técnica e duração. Mesmo com os fortes negativos, o clima caótico de correria e desespero deixa o ouvinte elétrico. Muita raiva é transmitida.
Passados mais três anos, os finlandeses voltam à lista de lançamentos com um dos menores EPs que alguém pode ouvir na vida, chamado "Die In Holland". São apenas duas faixas, sendo que a de abertura é homônima, e a segunda é um cover do The Exploited. Juntas elas somam 3 minutos e 53 segundos.
A espera pelo 12º álbum de estúdio teve fim em 2014 com o lançamento de "Vigorous and Liberating Death". Nunca a banda tinha ficado quatro anos sem lançar álbum de inéditas. De qualquer forma, a espera sem sombra de dúvidas valeu a pena para os fãs mais tradicionais. É o trabalho que mais se aproxima dos primeiros álbuns, não apenas pela sonoridade que junta Black Metal, Death Metal e elementos Punk, mas também pela produção retrô, abafada, suja. São 33 minutos de uma sonoridade veloz, cruel, crespa e abominável. Sem firulas, sem polimento, bem rústico. O máximo de diferente são alguns sons ambiente em alguns momentos dependendo da canção, só para melhor ilustrar as letras contidas, assim como acontecia nos primórdios. Excelente álbum flashback. Lançar álbuns assim é uma jogada ousada nos tempos atuais.
Fazer música de qualidade parece inerente ao cidadão finlandês. Não importa o gênero, sempre haverá uma banda com o selo Finlândia de qualidade. O Impaled Nazarene tem esse DNA. Tem toda a competência de uma banda finlandesa. São polêmicos, até contraditórios às vezes... Dizem uma coisa, fazem outra. Criticaram e se enfureceram com a pequena mudança de postura que Kimmo Luttinen provocou na sonoridade em "Suomi Finland Perkele", mas acabaram desenvolvendo o que tanto os enfureceu e ainda levaram além. Mesmo assim, são uma grande banda que não tem medo de fazer o que achar conveniente, desde que esteja fazendo aquilo que os deixa bem. Metal extremo de primeira linha!


 Shemhamforash (Demo) (1991)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)


 Taog Eht Fo Htao Eht (Demo) (1991)

01 - Nuctemeron of Necromanteion
02 - Condemned To Hell
03 - Impurity of Dawn
04 - The Crucified
05 - Infernus
06 - Morbid Fate
07 - Ave Satanas
08 - In The Name of Satan
09 - Fall To Fornication
10 - Damnation (Raping The Angels)


 Goat Perversion (EP) (1992)

01 - Noisrevrep Taog
02 - In The Name of Satan
03 - Noisrevrep Eht Retfa
04 - Damnation (Raping The Angels)


 Tol Cormpt Norz Norz Norz... (1992)

01 - Apolokia
02 - I Al Purg Vonpo/My Blessing (The Beginning of The End)
03 - Apolokia II: Aikolopa 666
04 - In The Name of Satan
05 - Impure Orgies
06 - Goat Perversion
07 - The Forest (The Darkness)
08 - Mortification/Blood Red Razor Blade
09 - The God (Symmetry of Penis)
10 - Condemned To Hell
11 - The Dog (Art of Vagina)
12 - The Crucified
13 - Apolokia III: Agony
14 - Body-Mind-Soul
15 - Hoath: Darbs Lucifero
16 - Apololokia Finale XXVII A.S.
17 - Damnation (Raping The Angels)
18 - Ghost Riders (Stan Jones Cover) (Bonus Track)
19 - Sadogoat (Bonus Track)
20 - Noisrevrep Taog (Bonus Track)
21 - Taog Eht Fo Htao Eht (Demo 1991) (Bonus Track)


 Ugra-Karma (1993)

01 - Goatzied
02 - The Horny and The Horned
03 - Sadhu Satana
04 - Chaosgoat Law
05 - Hate
06 - Gott Ist Tot (Antichrist War Mix)
07 - Coraxo
08 - Soul Rape
09 - Kali-Yuga
10 - Cyberchrist
11 - False Jehova
12 - Sadistic 666/Under A Golden Shower


 Suomi Finland Perkele (1994)

01 - Intro
02 - Vituksen Multihuipennus
03 - Blood Is Thicker Than Water
04 - Steelvagina
05 - Total War - Winter War
06 - Quasb/The Burning
07 - Kuolema Kaikille (Paitsi Meille)
08 - Let's Fucking Die
09 - Genocide
10 - Ghettoblaster
11 - The Oath of The Goat


 Latex Cult (1996)

01 - 66.6 S of Foreplay
02 - 1999: Karmakeddon Warriors
03 - Violence I Crave
04 - Bashing In Heads
05 - Motörpenis
06 - Zum Kotzen
07 - Alien Militant
08 - Goat War
09 - Punishment Is Absolute
10 - When All Golden Turned To Shit
11 - Masterbator
12 - The Burning of Provinciestraat
13 - I Eat Pussy For Breakfast
14 - Delirium Tremens


 Rapture (1998)

01 - Penis Et Circes
02 - 6th Degree Mindfuck
03 - Iron Fist With An Iron Will
04 - Angel Rectums Do Bleed
05 - We're Satan's Generation
06 - Goatvomit and Gasmasks
07 - Fallout Theory In Practise
08 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
09 - Healers of The Red Plague
10 - The Pillory
11 - The Return of The Nuclear Gods
12 - Vitutation
13 - JCS
14 - Nuclear Metal Retaliation
15 - Inbred
16 - Phallus Maleficarum (Bonus Track)
17 - Transvestite (Bonus Track)
18 - Motörpenis (Bonus Track)
19 - Bashing In Heads (Bonus Track)
20 - I Eat Pussy For Breakfast (Bonus Track)
21 - Whore (Bonus Track)
22 - Violence I Crave (Bonus Track)
23 - Goat Perversion (Bonus Track)
24 - Hoath- Darbs Lucifero (Bonus Track)
25 - Goat Perversion (Reprise) (Bonus Track)


 Nihil (2000)

01 - Cogito Ergo Sum
02 - Human-Proof
03 - Wrath of The Goat
04 - Angel Rectums Still Bleed: The Sequel
05 - Post Eclipse Era
06 - Nothing Is Sacred
07 - Zero Tolerance
08 - Assault The Weak
09 - How The Laughter Died
10 - Nihil


 Impaled Nazarene/Driller Killer (Split) (2000)

01 - Impaled Nazarene: Impotent Mankind
02 - Driller Killer: How Come?
03 - Impaled Nazarene: I Couldn't Care Less (Driller Killer Cover)
04 - Driller Killer: Ghettoblaster (Impaled Nazarene Cover)


 Decade of Decadence (Compilation) (2000)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)
10 - Nuctemeron of Necromanteion
11 - Condemned To Hell
12 - Impurity of Dawn
13 - The Crucified
14 - Infernus
15 - Morbid Fate
16 - Ave Satanas
17 - In The Name of Satan
18 - Fall To Fornication
19 - Damnation (Raping The Angels)
20 - Noisrevrep Taog
21 - In The Name of Satan
22 - Noisrevrep Eht Retfa
23 - Damnation (Raping The Angels)
24 - The Black Vomit (Sarcófago Cover)
25 - Ghost Riders (Stan Jones Cover)
26 - Sadogoat
27 - I Am The Killer of Trolls
28 - Kill Yourself (S.O.D. Cover)
29 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
30 - Nuclear Metal Retaliation
31 - Instrumental I
32 - Instrumental II
33 - Instrumental III


 Absence of War Does Not Mean Peace (2001)

01 - Stratagem
02 - Absence of War
03 - The Lost Art of Goat Sacrificing
04 - Prequel To Bleeding (Angels III)
05 - Hardboiled and Still Hellbound
06 - Into The Eye of The Storm
07 - Before The Fallout
08 - Humble Fuck of Death
09 - Via Dolorosa
10 - Nyrkillä Tapettava Huora
11 - Never Forgive
12 - Satan Wants You Dead
13 - The Madness Behind


 All That You Fear (2003)

01 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
02 - Armageddon Death Squad
03 - The Endless War
04 - The Maggot Crusher
05 - Curse of The Dead Medusa
06 - Suffer In Silence
07 - Halo of Flies
08 - Recreate Thru Hate
09 - Goat Seeds of Doom
10 - Even More Pain
11 - Tribulation Hell
12 - Urgent Need To Kill
13 - All That You Fear


 Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces (Live) (2005)

01 - Intro
02 - The Horny and The Horned
03 - Armageddon Death Squad
04 - Goat Perversion
05 - 1999: Karmageddon Warriors
06 - Motörpenis
07 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
08 - The Endless War
09 - Sadhu Satana
10 - Ghettoblaster
11 - Coraxo
12 - Soul Rape
13 - Sadistic 666/Under A Golden Shower
14 - Zero Tolerance
15 - The Maggot Crusher
16 - Let's Fucking Die
17 - Tribulation Hell
18 - We're Satan's Generation
19 - Cogito Ergo Sum
20 - Goat Seeds of Doom
21 - Condemned To Hell
22 - Intro S.F.P.
23 - Sadogoat
24 - Vitutuksen Multihuipennus
25 - The Lost Art of Goat Sacrificing
26 - Total War - Winter War


 Pro Patria Finlandia (2006)

01 - Weapons To Tame A Land
02 - Something Sinister
03 - Goat Sodomy
04 - Neighbourcide
05 - One Dead Nation Under Dead God
06 - For Those Who Have Fallen
07 - Leucorrhea
08 - Kut
09 - This Castrated World
10 - Psykosis
11 - Contempt
12 - I Wage War
13 - Cancer
14 - Hate - Despise - Arrogance


 Manifest (2007)

01 - Intro: Greater Wrath
02 - The Antichrist Files
03 - Mushroom Truth
04 - You Don't Rock Hard
05 - Pathogen
06 - Pandemia
07 - The Calling
08 - Funeral For Despicable Pigs
09 - Planet Nazarene
10 - Blueprint For Your Culture's Apocalypse
11 - Goat Justice
12 - Die Insane
13 - Original Pig Rig
14 - Suicide Song
15 - When Violence Commands The Day
16 - Dead Return


 Enlightenment Process (EP) (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - Ghettoblaster
03 - Kali-Yuga


 Road To The Octagon (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - The Day of Reckoning
03 - Corpses
04 - Under Attack
05 - Tentacles of The Octagon
06 - Reflect On This
07 - Convulsing Uncontrollably
08 - Cult of The Goat
09 - Gag Reflex
10 - The Plan
11 - Silent and Violent Type
12 - Execute Tapeworm Extermination
13 - Rhetoric Infernal


 Die In Holland (EP) (2013)

01 - Die In Holland
02 - Let's Start A War (The Exploited Cover)


 Vigorous and Liberating Death (2014)

01 - King Reborn
02 - Flaming Sword of Satan
03 - Pathological Hunger For Violence
04 - Vestal Virgins
05 - Martial Law
06 - Riskiarvio
07 - Apocalypse Principle
08 - Kuoleman Varjot
09 - Vigorous and Liberating Death
10 - Drink Consultation
11 - Dystopia A. S.
12 - Sananvapaus
13 - Hostis Humani Generis