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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Archonaut - Discografia

Não existe exatamente um padrão que dite como o músico deve compôr suas músicas. Qualquer ideia pode servir como pedra angular para a construção do edifício musical: um riff, um solo, a letra de um refrão ou estrofe. Não há regra. Contudo, ao perceber que a maioria dos compositores se agarra primeiro às ideias instrumentais e só então escreve letras que se encaixam na harmonia sonora, os alemães do Archonaut decidiram fazer diferente, como poucos: escrever primeiro um conceito lírico, uma história a ser contada ao longo de todo um álbum e, aí sim, acrescentar uma instrumentação que se curve em reverência às letras e se comunique com o ouvinte na mesma sintonia das palavras.
Essa ideia fervilhou na fertilidade de suas imaginações em 2013, na cidade independente de Wuppertal, depois que os amigos Jens Kipper (vocal), Sebastian Maschuw (guitarra) e Julian Klotz (guitarra, mas inicialmente bateria) se envolveram em um projeto colaborativo que desencadeou esse tipo de proposta. Uma vez que o conceito foi traçado, nasceu o Archonaut.
O passo seguinte, claro, era buscar novos integrantes para fechar o line-up, mas isso foi realmente difícil. Ninguém se situava por muito tempo. Então, até o lançamento do primeiro álbum, houve muito vai-e-vem, desanimando o trio. Vislumbraram, então, como opção mais viável, trabalhar com membros de sessão.
Após focarem intensamente em um meticuloso trabalho de composição de canções, lançaram em janeiro de 2015, de forma independente, o primeiro álbum de estúdio, intitulado "Duchess". Com design gráfico assinado por Michael Meißner e produção por Toshi Trebess, esse trabalho combina Progressive Rock a elementos de Alternative Rock com uma sutileza capaz de tocar a alma. Também, não é pra menos: o álbum conta a história da Duquesa, uma alma flutuante que vive em uma caverna no oceano e que é tão poderosa que atrai outras almas, que se unem à ela e se tornam uma consciência única.
Em sua ânsia por compreender o mundo e o porquê de ouvir tantos pensamentos mortíferos vindos da superfície, a Duquesa embarca em uma saga onde desesperadamente tenta encontrar meios de alcançar a superfície, na esperança de que o mundo seja algo mais do que apenas água e encontrar respostas.
Envolvendo o profundo e abstrato conteúdo lírico, experienciamos uma sonoridade igualmente imersiva, onde os instrumentos e voz se comportam na intensidade que as palavras exigem. E, de fato, a atmosfera é de leveza, flutuante... Como se o peso deixasse seu corpo e tudo se tornasse profundo, longínquo, emocional.
O vocal de Jens Kipper é um grande indutor dessa sensação. É limpo, controlado, suave, como se fosse fácil ter uma voz tão lisa. Um belíssimo exemplo é a longa faixa de abertura "The Cavern of Many Beings" com seus 12 minutos e toda sua entorpecente intensidade. Minha preferida. Entretanto, suavidade não é a única característica apresentada por sua voz, uma vez que, em algumas canções como "Drowning Men", ela também é rasgada. Seu lindo vocal em frente a um instrumental reverberado, recheado de passagens em guitarra limpa e um contra-baixo bem nítido e pulsante, resultaram em um álbum maravilhoso e convidativo, viajante como o Progressive Rock deve ser. Infelizmente os solos são muito escassos. Fazem falta. Mas quando aparecem, são bons e também se comunicam com as letras e maximizam a sensação no ouvinte.
Já que, pela instabilidade na formação, resolveram permanecer oficialmente como um trio, levando-os a contar com membros de sessão na gravação do debut, naturalmente também precisariam de membros extra-oficiais para que apresentações ao vivo fossem realizadas. Por isso, atualmente contam fixamente com o baixista italiano Felice Puopolo e o baterista Chris Jordan nos palcos, fechando a formação.
Os alemães do Archonaut começaram muito bem sua discografia, sem dúvidas. São músicos experientes, com claro potencial de acumular ainda mais experiência e nos trazer trabalhos ainda superiores. "Duchess" deve ser encarado como um exímio trabalho Progressivo. Encantador!
Não deixem de curtir a página da banda no Facebook e acompanhar os próximos passos dos caras! Boa viagem com a Duquesa!

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: archonautmusic@gmail.com
booking@archonaut-music.com

TELEFONE:
(049) 173/2786012 - Sebastian Maschuw


 Duchess (2015)

01 - The Cavern of Many Beings
02 - Drowning Men
03 - ARK
04 - Siren
05 - Promise
06 - The Last March of The Swarm
07 - Nautilus
08 - Souls Eclipse


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Hatebreed - Discografia

O Hatebreed foi formado em 1993 na cidade de New Haven, Connecticut, Estados Unidos. Em seu início, contava com os seguintes membros: Jamey Jasta (vocal), Larry Dwyer (guitarra), Chris Beattie (baixo) e Dave Russo (bateria).
Desde o seu começo, o conjunto era altamente influenciado pelos grandes nomes do Hardcore em Nova Iorque, tais como Agnostic Front e Madball, o primeiro já estabilizado e reconhecido e o segundo um contemporâneo do Hatebreed. Além dos compatriotas, o som praticado pela banda tinha referências em outros nomes importantes do estilo, como Entombed e Napalm Death.
Em 1995, a banda faria sua estréia com um split ao lado do Neglect. Naquela época, o Hardcore vivia um bom momento e o conjunto rapidamente se tornou importante, o que facilitou para que já em 1996, lançassem o seu primeiro disco, Under The Knife, momento em que já contavam com um quinto membro: o guitarrista Wayne Lozinak. Apesar de curto, o álbum expôs com perfeição o que era o Hatebreed: uma mistura de Hardcore, Punk, Metalcore e Heavy Metal.
Se Under The Knife teve o papel de apresentar o conjunto para os fãs, o trabalho seguinte, Satisfaction Is The Death Of Desire, de 1997, colocou o Hatebreed em outro patamar, sendo considerado pelos fãs e por boa parte dos críticos, como um dos trabalhos mais importantes do Hardcore na década de 90. Um dos aspectos mais significativos do disco foi ter se tornado o mais vendido da história da gravadora Victory Records.
Em Satisfaction, a banda passou por uma grande reformulação, com as saídas de Wayne Lozinak, Larry Dwyer e Dave Russo, que deram seu lugar para Matt McIntosh (guitarra), Lou "Boulder" Richards (guitarra) e Nick "Nickel P" Papantoniou (bateria).
Após o lançamento do disco, a banda realizou uma série de apresentações, tocando ao lado de conjuntos que antes eram fontes de inspiração para o Hatebreed, como Agnostic Front, Downset, Madball, Slayer, Deftones, Entombed e Napalm Death.
O contato com o Slayer renderia uma participação de Kerry King no próximo disco. Com os novos membros: Sean Martin (guitarra) e Matt Byrne (bateria), a banda lançou Perseverance em 2002. Esse era o segundo lançamento pela gigante Universal Records, que trouxe ainda mais exposição para a banda e, possibilitou que a faixa I Will Be Heard fizesse parte da trilha-sonora do filme Triplo X. Ainda que tivessem uma exposição maior e fossem bem aceitos pelas mídias em geral, o Hatebreed jamais abandonou a origem de seu som, o que lhes proporcionou formar uma base de fãs fiéis, que nunca se decepcionaram com os trabalhados do conjunto.
O Hatebreed se tornaria um quarteto após o lançamento de Perseverance, com saída de Lou "Boulder" Richards.
Como a fase era muito boa e a banda estava com a criatividade em alta, já em 2003, o Hatebreed fugiu dos padrões atuais da indústria e trouxe mais um trabalho de inéditas: Rise Of Brutality.
Com várias referências aos conjuntos clássicos do Hardcore da Big Apple, a banda trouxe mais um ótimo trabalho, com destaques para Straight To Your Face, Another Day, Another Vendetta, Live For This e Choose Or Be Chosen.
Rise Of Brutality demonstrava que o Hatebreed manteria o alto padrão de seu trabalho ao longo dos álbuns, sendo que aqueles que gostavam da banda, poderiam ter certeza da qualidade dos demais discos, já aqueles que não curtiam o seu som, não adiantava arriscar, pois levariam sempre a mesma sonoridade.
Aproveitando o bom momento, em 2004, a banda saiu em uma mega turnê pela Europa, ao lado de nomes como Slayer, Slipknot e Mastodon. Nos anos seguintes, novamente o conjunto obteve grande exposição, tocando no Download Festival e no Ozzfest, ambos em 2006. Aquele ano marcaria também o ingresso de Frank Novinec, que ocupou o posto de segundo guitarrista.
Com essa formação, vem o álbum Supremacy (2006), que é bastante linear, assim como toda a discografia da banda. O disco traz as ótimas Destroy Everything, Divine Judgement e As Diehard As They Come e mantêm a agressividade do início ao fim.
No dia 13 de setembro de 2006, o guitarista Lou "Boulder" Richards, cometeu suicídio aos 35 anos, ele tocou com o Hatebreed de 1997 a 2002 e gravou o clássico Satisfaction Is the Death Of Desire.
Em 2007, a banda tocou novamente no Ozzfest e em 2008 no Wacken Open Air. As apresentações ao vivo renderam o álbum Live Dominance também de 2008.
Já em 2009, o ano foi altamente movimentado, com o lançamento do ótimo For The Lions, um álbum de covers e também com o inédito e auto-intitulado Hatebreed, que cumpre com maestria o seu papel, em especial pelas ótimas Between Hell And Heartbeat, Not My Master, Hands Of A Dying Man, Merciless Tide e Through The Thorns.
No álbum Hatebreed, a banda já não contava mais com Sean Martin, que deu seu lugar para o retorno de Wayne Lozinak.
Em 2013, a banda saciou o desejo dos bandas e retornou em grande estilo com o disco The Divinity Of Purpose, com destaque para as ótimas Put It To The Torch, Honor Never Dies, Before The Fights Ends You, Dead Man Breathing e a faixa-título.
A banda segue na ativa, expondo a sua bem sucedida mistura de Hardcore, Punk e Heavy Metal, fazendo um som próprio, mas que pode ser caracterizado simplesmente como Metal.


 Hatebreed/Neglect (Split) - 1995

01 - Hatebreed - Not One Truth
02 - Hatebreed - Severed
03 - Neglect - Two Foot City


 Under The Knife (EP) - 1996

01 - Smash Your Enemies
02 - Kill An Addict
03 - Under The Knife
04 - Filth
05 - Not One Truth
06 - Severed
07 - Puritan

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 Integrity/Hatebreed (Split CD) - 1997

01 - Hatebreed - Burial For The Living
02 - Integrity - B.A.T.F. Would Be Proud

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 Satisfaction Is The Death Of Desire - 1997

01 - Empty Promises
02 - Burn The Lies
03 - Before Dishonor
04 - Puritan
05 - Conceived Through An Act Of Violence
06 - Afflicted Past
07 - Prepare For War
08 - Not One Truth
09 - Betrayed By Life
10 - Mark My Words
11 - Last Breath
12 - Burial For The Living
13 - Worlds Apart
14 - Driven By Suffering

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 Perseverance - 2002

01 - Proven
02 - Perseverance
03 - You're Never Alone
04 - I Will Be Heard
05 - A Call For Blood
06 - Below The Bottom
07 - We Still Fight
08 - Unloved
09 - Bloodsoaked Memories
10 - Hollow Ground
11 - Final Prayer
12 - Smash Your Enemies
13 - Healing To Suffer Again
14 - Judgement Strikes (Unbreakable)
15 - Remain Nameless
16 - Outro

 The Rise Of Brutality - 2003

01 - Tear It Down
02 - Straight To Your Face
03 - Facing What Consumes You
04 - Live For This
05 - Doomsayer
06 - Another Day, Another Vendetta
07 - A Lesson Lived Is A Lesson Learned
08 - Beholder Of Justice
09 - This Is Now
10 - Voice Of Contention
11 - Choose Or Be Chosen
12 - Confide In No One

 Supremacy - 2006

01 - Defeatist
02 - Horrors Of Self
03 - Mind Over All
04 - To The Threshold
05 - Give Wings To My Triumph
06 - Destroy Everything
07 - Divine Judgment
08 - Immortal Enemies
09 - The Most Truth
10 - Never Let It Die
11 - Spitting Venom
12 - As Diehard As They Come
13 - Supremacy Of Self

 Live Dominance - 2008

01 - This Is Now
02 - Perseverance
03 - A Call For Blood
04 - To The Threshold
05 - Empty Promises
06 - Destroy Everything
07 - Voice Of Contention
08 - As Diehard As They Come
09 - Hallow Ground
10 - Doomsayer
11 - Betrayed By Life
12 - Straight To Your Face
13 - Facing What Consumes You
14 - Before Dishonor
15 - Never Let It Die
16 - Last Breath
17 - Beholder Of Justice
18 - Smash Your Enemies
19 - Proven
20 - Defeatist
21 - Live For This
22 - I Will Be Heard

 For The Lions (Cover Album) - 2009

01 - Ghosts Of War (Slayer Cover)
02 - Suicidal Maniac (Suicidal Tendencies Cover)
03 - Escape (Metallica Cover)
04 - Hatebreeders (Misfits Cover)
05 - Set It Off (Madball Cover)
06 - Thirsty And Miserable (Black Flag Cover)
07 - All I Had I Gave (Crowbar Cover)
08 - Your Mistake (Agnostic Front Cover)
09 - I'm In Pain (Obituary Cover)
10 - It's The Limit (Cro-Mags Cover)
11 - Refuse-Resist (Sepultura Cover)
12 - Supertouch-Shitfit (Bad Brains Cover)
13 - Evil Minds (D.R.I. Cover)
14 - Shut Me Out (Sick Of It All Cover)
15 - Sick Of Talk (Negative Approach Cover)
16 - Life Is Pain (Merauder Cover)
17 - Hear Me (Judge Cover)
18 - Bored In (Subzero Cover)
19 - Sheer Terror I, Spoiler (Bonus Track)
20 - To The Threshold (Live In Dallas) (Bonus Track)
21 - Destroy Everything (Live In Dallas) (Bonus Track)
22 - Defeatist (Live In Dallas) (Bonus Track)
23 - The Most Truth (Live In Dallas) (Bonus Track)


 Hatebreed - 2009

01 - Become The Fuse
02 - Not My Master
03 - Between Hell And A Heartbeat
04 - In Ashes They Shall Reap
05 - Hands Of A Dying Man
06 - Everyone Bleeds Now
07 - No Halos For The Heartless
08 - Through The Thorns
09 - Every Lasting Scar
10 - As Damaged As Me
11 - Words Become Untruth
12 - Undiminished
13 - Merciless Tide
14 - Pollution Of The Soul
15 - Escape (Diehard Edit - Metallica Cover)
16 - To The Threshold (Live) (Bonus Track)
17 - As Diehard As They Come (Live) (Bonus Track)


 The Divinity Of Purpose - 2013

01 - Put It To The Torch
02 - Honor Never Dies
03 - Own Your World
04 - The Language
05 - Before The Fight Ends You
06 - Indivisible
07 - Dead Man Breathing
08 - The Divinity Of Purpose
09 - Nothing Scars Me
10 - Bitter Truth
11 - Boundless (Time To Murder It)
12 - Idolized And Vilified


domingo, 2 de agosto de 2015

Impaled Nazarene - Discografia

Polêmica, extremismo, elitismo e Black Metal são assuntos que, quando combinados, dão resultados que não são novidade pra quem curte essa vertente da música extrema. É por isso que os finlandeses do Impaled Nazarene sempre deram o que falar. Já correram risco de terem lançamento de álbum banido; já tiveram shows cancelados; já sofreram e ainda sofrem muita crítica acerca do irreverente conteúdo lírico; já tiveram até mesmo rixa com a cena norueguesa de Black Metal... a lista continua. Bem ou mal, esses eventos tornam a banda ainda mais chamativa.
Entretanto, nem só de polêmicas é feito o Impaled Nazarene; eles fazem por onde musicalmente. Muito embora os caras pareçam limitados e estreitos em seus pensamentos - vide as entrevistas que concedem -, a sonoridade é bastante versátil no âmbito extremo. Mesmo que sempre tenham se assentado num devastador Black Metal, podemos desfrutar de muita competência e coesão em um verdadeiro passeio por vários dos gêneros mais pesados (como Grindcore, Punk, Thrash Metal, Death Metal, entre outros) ao longo da discografia, sem deixar o gênero negro para trás. Dando vida à letras que abordam temas como violência, satanismo, sexo, política (de certa forma com o anti-comunismo) e, mais evidentemente, patriotismo finlandês - relacionado ao elitismo racial ou nazismo -, a musicalidade é uma verdadeira destruição, algumas vezes até medonha. Por mais que no passar dos anos a produção tenha gradativamente se modernizado, ficando mais limpa, e as canções tenham se tornado mais abrangentes composicionalmente, o som nunca deixou de ser verdadeiramente agressivo.
Considerado um dos pioneiros da cena Black Metal na Finlândia, o Impaled Nazarene teve seu início em Oulu no começo de 1990. A ideia do nome vem de um panfleto que o vocalista e líder Mika Luttinen leu sobre Jesus Cristo de Nazaré ser um vampiro. Isso fervilhou sua imaginação, que logo traçou um paralelo com o fato de uma das únicas formas de se matar um vampiro seja empalá-lo no peito com uma estaca de prata. Então brotou o título "Nazaré Empalado", com o qual a banda foi batizada.
Inicialmente o nome do conjunto foi muito propagado devido aos discursos de ódio pelo Black Metal norueguês, criando uma espécie de rivalidade. Contudo, a treta não vingou. Rapidamente esses atos foram extintos e Luttinen diz que já até mesmo tocou com Euronymous (guitarrista do Mayhem) antes de ter sido assassinado a facadas por Varg Vikernes (Burzum).
Outro detalhe passageiro nos primeiros estágios foi a adoção do corpse paint, que eram muito populares no estilo (e ainda são nos dias de hoje), principalmente entre os noruegueses. Todavia, em vista do "boom" do estilo naquele princípio de década e da relação que as pessoas faziam entre declarações extremistas, toda a polêmica em si e o Black Metal, decidiram se distanciar disso para não serem generalizados. Com isso, o Impaled Nazarene é também uma das poucas bandas da época que se preocupavam em fazer um som extremo sem que seja necessário se preocupar também com a aparência.
A primeira formação a lançar algum registro se resumia a um quinteto composto por Mika Luttinen no vocal, Mika Pääkkö e Ari Holappa nas guitarras, Antti Pihkala no baixo e Kimmo Luttinen na bateria. Este último era o irmão mais novo de Mika Luttinen. Juntos, lançaram a demo cassete "Shemhamforash" em fevereiro de 1991, composta por 9 músicas, dentre as quais duas eram covers de Extreme Noise Terror e Deicide. Nos tempos subsequentes, a formação se mostrou bastante instável, com muita troca de membros em meio a mais trabalhos independentes lançados, como a demo "Taog Eht Fo Htao Eht" em agosto de 1991 e o EP "Goat Perversion" em fevereiro de 2002.
À altura de novembro de 1992, quando o álbum debut "Tol Cormpt Norz Norz Norz..." foi lançado através da Osmose Productions (selo com quem a banda tem contrato até hoje), a formação já era um quarteto onde alguns membros decidiram usar pseudônimos. O vocalista Mika Luttinen agora era conhecido como Mikaakim, enquanto seu irmão - agora guitarrista principal e baterista -, Kimmo Lutinen, passou a ser chamado Kimmoomik. Os demais membros eram o guitarrista Jarno Anttila e o baixista Taneli Jarva.
O álbum de estreia era uma coisa realmente medonha. Focado em um Black Metal/Grindcore/Punk sujo e energético, o trabalho se mostra extremamente furioso, alucinado. Esse extremismo diz respeito tanto à objetividade das faixas quanto no conteúdo lírico, repleto de mensagens de blasfêmia. Os vocais guturais oscilam de um demoníaco gutural fechado para um desesperado e balbuciado gutural rasgado impossível de compreender. A postura combina perfeitamente com o frio e crespo instrumental que faz com que o álbum renda, mesmo que tenha apenas 29 minutos de duração - suficientes para encaixar diversos interlúdios ambientais macabros com sons infernais de sofrimento e tortura, geralmente levados à base de teclados.
Rapidamente, em menos de um ano o segundo álbum de estúdio já foi lançado. Diferente do anterior, "Ugra-Karma" é um álbum que sacrifica a expulsão de energia imposta no primeiro disco em prol de passagens mais rítmicas e harmônicas, mas apenas em detalhamento, sem que isso afete drasticamente a violência. Agora os finlandeses apresentam músicas um pouco mais longas e melhor trabalhadas, guiadas por uma atmosfera mais densa, flertando com algo mais atmosférico através de um teclado base que dá certo epicismo. Contudo, o teclado se limita a acompanhar os irados riffs, sem efetivamente tomar a posição de protagonista.
Pouco após o lançamento, todos os membros passaram a ser conhecidos por nomes artísticos, e os dois que já eram, alteraram. Mika Luttinen agora mudou para Mr. M. L. G-D-6th e Kimmo Luttinen para Sir Luttinen, enquanto Taneli Jarva adotou The Fuck You-Man e Jarno Anttila escolheu Dr. J-Ace.
Dessa forma, novamente apenas um ano separa a data de lançamento de um álbum para o próximo, pois, em 1994, o terceiro registro de estúdio, intitulado "Suomi Finland Perkele", saiu. Esse trabalho foi resultado dos pitacos que Kimmo Luttinen dava nas composições, provocando uma certa mudança que deixou os demais membros insatisfeitos. Para um ouvinte, a mudança não é tão drástica, e para quem gosta de algo mais melódico, é até bem-vinda, mas para Mika Luttinen, foi o fim do mundo e uma descaracterização do que o Impaled Nazarene vinha sendo.
O frio Black Metal se mantém, mas elementos Punk aparecem de forma um pouco mais viçosa, em perfeita fusão, tornando os arranjos mais harmônicos, estilísticos. O Punk também contribuiu com a introdução de backing vocals em coros típicos do estilo em algumas passagens. Mas, claro, são gritos de profanação. Para quem gosta de algo um pouco mais melódico e menos retilíneo, o disco pode ser um ponto de partida, cheio de passagens marcantes para se apegar como referência em novas audições, coisa que a banda tinha em escassez nos discos anteriores devido a objetividade e limitação da sonoridade.
A contribuição de Kimmo nessa mudança de sonoridade com certeza não era esperada por quem acompanhava a banda, e nem mesmo pelos demais membros. Eventualmente, com os nervos à flor da pele, os irmãos Luttinen brigaram seriamente em 1995. Pouco depois, durante as gravações do EP "Hamnasnas" (que nunca foi lançado), os desentendimentos relacionados a Kimmo se estenderam até o baixista Taneli Jarva, inevitavelmente resultando na saída do músico. Felizmente, Kimmo e Taneli fariam as pazes em 1998 e fundariam juntos uma nova banda chamada The Black League, que fazia Gothic Metal e só encerraria suas atividades em 2014, após cinco álbuns lançados.
Sem Kimmo Luttinen, que exercia as funções de principal guitarrista e baterista, a banda ganhou um verdadeiro buraco na formação. Decidiram, portanto, seguir apenas com a guitarra de Jano Antilla e preencher a vaga de baterista com Reima Kellokoski, preservando a configuração de quarteto. Além disso, a banda optou por abandonar os nomes artísticos e utilizarem seus nomes reais.
Em vista da turbulência que se assolou nos céus do grupo com as brigas, o ritmo de lançamento de um álbum por ano foi quebrado. Mesmo assim, não tardou tanto para que o quarto álbum saísse.
Com ânimos renovados e criatividade mais inflada, os finlandeses marcaram o ano de 1996 com o lançamento do poderoso álbum "Latex Cult", onde os elementos Punk se consolidam de vez na sonoridade, em alto grau de coesão, tornando-o digno de ser referência nessa fusão. Os atributos positivos do momento geraram um álbum impressionante, porradeiro e bastante energético. Sem dúvidas, é o trabalho mais insano e desesperado lançado até aquele momento. Certa diferença também aparece no vocal de Mika, que dota de um rasgado mais aberto e assimilável.
O retorno da grande exploração Punk gerou um álbum de longa lista de canções, porém, curta duração (apenas 30 minutos), a exemplo do primeiro. No entanto, essa meia-hora rende muito devido à homogeneidade das canções.
Após o lançamento, outra baixa aconteceu na formação. Dessa vez quem estava de saída era o baixista Taneli Jarva, afim de se dedicar integralmente ao The Black League. Por isso, Jani Lehtosaari foi recrutado em seu lugar, ele que também se tornou guitarrista e trouxe de volta os duetos de guitarras.
Como resultado da mudança, saiu o álbum "Rapture" em 1998, um dos trabalhos mais simples e pobres da discografia, composicionalmente falando. Ele se apresenta na forma de um Black Metal/Punk bastante retilíneo, direto ao ponto. Não tem muita firula ou jogadas que exigem um pouco mais de criatividade ou fazem o ouvinte se apegar mais facilmente. Porradaria resume o registro. Sem interlúdios. Sem passagens melódicas. Sem praticamente nada mais ameno. A tamanha violência imposta demonstra que a banda sabia o que fazer e como fazer, até pela sua simplicidade.
Mesmo com as limitações, o CD é bem prolongado pro gênero, com 37 minutos de duração. Inclusive, a partir daqui os discos passaram a ser melhor produzidos. Aqui a produção é realmente excelente, sem invenção de moda, ajudando a destacar o peso e a detectar os instrumentos com mais clareza.
Ainda naquele ano de 1998, um novo integrante foi adicionado à formação, que voltou a ser um quinteto após 7 anos. Esse integrante era ninguém menos que o guitarrista Alexi Laiho, atualmente famoso por ser vocalista e guitarrista do Children of Bodom. Naquela época, a sua agora banda principal tinha apenas um ano de vida. Então tinha tempo de sobra em mãos para se entregar no perverso Black Metal do Impaled Nazarene.
Tendo alguém como Alexi Laiho na formação, Mika Luttinen decidiu explorar o que ele tinha de melhor para oferecer e se afastar do Punk anteriormente executado, rumando em direção a algo mais criativo, melhor trabalhado, mas sem perder a essência do peso esmagador que tão fortemente marca sua sonoridade. Era o amanhecer de uma nova era na discografia. Uma era onde a banda exploraria novos horizontes e lançaria discos diferenciados que ironicamente contradizem a subconsciente noção de que esses caras não são abertos o suficiente para apostar em novos modelos de sonoridade.
De sonoridade mais polida, a nova fase da banda tem início com o álbum "Nihil". O sexto da discografia, lançado em 2000. Provavelmente, um resultado inesperado para muitos acostumados com a sonoridade dos álbuns anteriores. A abordagem é mais diversificada, harmônica e melódica, contrariando a insistente e quase retilínea porradaria dos trabalhos anteriores. "Nihil" apresenta momentos de cadência, frenéticos solos (algo difícil até então) que deixam a sonoridade batedora de cabeça à sua maneira, e uma postura vocal de Mika que não se mostra tão balbuciada mais, e sim mais "falada", propriamente dito. Interessantemente o disco é encerrado com um solo pegando na veia do feeling, digno de fechar os olhos e se deixar levar.
Claro, o trabalho é pesado, tal como é a exigência da banda, sem contar a excelente produção. Os caras não deixaram a peteca cair em sua tradicional agressividade, ao passo em que souberam acoplar inteligentemente novos elementos e dar origem ao álbum mais deslocado da discografia até então. Mesmo com os flertes com Melodic Death Metal e o maior empenho na confecção das canções, a tradição de lançarem álbuns rápidos se manteve intacta: o tempo total de duração é de 32 minutos.
O ano de 2000 ainda foi marcado por mais agitação: em agosto foi lançada pela Solardisk Records a split "Impaled Nazarene/Driller Killer". Como o próprio nome indica, é um trabalho colaborativo; por sua vez, em novembro, foi lançada pela Osmose Records a primeira compilação da discografia, intitulada "Decade of Decadence", contando com incríveis 33 faixas. O ano também é encerrado com a notícia de que o guitarrista Alexi Laiho não mais fazia parte da banda, após dois anos de trabalho. Daquele momento em diante teria mais tempo para se dedicar ao Children of Bodom e eventualmente crescer com a banda ao longo dos anos seguintes. Outra baixa foi a do baixista Jani Lehtosaari. Rapidamente suas vagas foram preenchidas por Teemu Raimoranta (ex-Finntroll) e Mika Arnkil, respectivamente, e os trabalhos para mais um álbum de estúdio recomeçaram ligeiramente.
Com nova formação, pseudônimos voltaram a ser utilizados. A formação, portanto, agora é composta da seguinte maneira: Slutti666 (Mika Luttinen, vocal), Onraj 9mm (Jarno Anttila, guitarra), Somnium (Teemu Raimoranta, guitarra), Arc v 666 (Mika Arnkil, baixo) e Repe Misanthrope (Reima Kellokoski, bateria). Todavia, esse não foi o único antigo costume a ser ressuscitado. Outro muito bom também voltou: o de lançar um álbum por ano.
Por isso, já em 2001 os finlandeses apresentaram o álbum "Absence of War Does Not Mean Peace". Com direito a até faixa de introdução, podemos apreciar um álbum que segue abrindo o leque de recursos e mantém a crescente tendência iniciada em "Nihil". Porém, apesar de trazer músicas melhor estruturadas com arranjos bem desenhados e composições interessantes, abrangentes, ele aposta em um andamento mais cadenciado, com momentos bem melódicos e teclados apoiando na base. Claro que se trata de um álbum pesado e carregado de ira, mas não tão homogêneo quanto era a banda nos primeiros estágios. Certamente é um disco que chama bastante a atenção de quem procura algo mais melódico, e faz quem gosta de porrada pura torcer o nariz.
Surpreendentemente, uma tragédia aconteceu em 2003, provocando uma dolorosa baixa nas formações do Impaled Nazarene e do Finntroll: o guitarrista Teemu Raimoranta, ou Somnium, morreu após cair ou saltar da ponte Kaisaniemi em Helsinque e se chocar com o gelo logo abaixo. Apesar da causa oficial da morte ter sido relatada como intoxicação por álcool (levando-o a acidentalmente cair da ponte), Mika Luttinen especula que Raimoranta possa ter cometido suicídio. O incidente aconteceu pouco após a finalização do EP acústico "Visor Om Slutet", do Finntroll, que, quando lançado naquele mesmo ano, foi dedicado à sua memória.
Não foi apenas o Finntroll que lançou o último um último disco com Raimoranta naquele tempo, já que 2003 também é o ano de lançamento do oitavo álbum de estúdio do Impaled Nazarene, intitulado "All That You Fear". Na data de lançamento, já contavam com o substituto Tuomo Louhio, que seguiu bem com a banda.
Esse é provavelmente o álbum mais complexo e maduro já lançado pela banda no que diz respeito à competência com a qual conseguiram passear por diferentes estilos metálicos sem perder sua essência. Voltando no tempo, seria difícil imaginar que aquela banda que só tocava Black Metal/Punk fosse um dia se render a tanta diversidade e ainda fazer um grande trabalho. De porteiras abertas, o conjunto se deixou influenciar por estilos que só acrescentaram na sonoridade e deram uma nova roupagem ao violento e pegado Black Metal executado com violência e brilhantismo na bateria, que é sensacional, cheia de viradas e blast beats, até que o Black Metal se converte em estilos como Thrash Metal e Melodic Death Metal, cheios de solos explorados com excelência. Como resultado geral, temos um trabalho de músicas intensas e teclados que apoiam com firmeza, sem muito disfarce, o que intensifica o ambiente bem preenchido das canções. Sem dúvidas, o álbum mais abrangente e assimilável da discografia. Entretanto, longe de cair no gosto dos mais puristas.
Já em 2005, enfim saiu o primeiro disco ao vivo dos finlandeses. Gravado em dezembro de 2004 no clube Tavastia em Helsinque, na Finlândia, "Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces" contém 26 faixas que totalizam uma hora e sete minutos de pura blasfêmia.
O live precede o nono e intrigante álbum de estúdio que exala patriotismo, chamado "Pro Patria Finlandia". Sucesso comercial que rendeu uma extensiva turnê que passou por mais de trinta países em quatro continentes ao lado de bandas como Cannibal Corpse, Mayhem e Dark Tranquillity, este é um álbum que contraria a tendência melódica que vinha sendo alimentada desde 2000 com "Nihil". "Pro Patria Finlandia" é um álbum que retoma uma sonoridade mais purista, livre de teclados e cadências. De forma longínqua, trás flashes dos primeiros discos em se tratando da resolução em uma devastadora agressividade. Porém, diferentemente dos primórdios, aqui podemos apreciar uma produção moderna e limpa que valoriza as intensas palhetadas e toda a fúria descontrolada da bateria, que é muito bem mixada e é o principal motor desse desesperado e energético som. A bateria dita o ritmo e é muito foda mesmo com a falta de criatividade demonstrada por meio da carência de recursos e incessantes blast beats, transições e mais variações de blast beats no decorrer de todos os 38 minutos de álbum.
De qualquer forma, a musicalidade é bem crua, veloz e seca, oscilando entre o Black Metal puro e o Melodic Black Metal, abusando de solos que complementam a velocidade dos riffs e empregam excitantes alavancadas. Trabalho bem técnico e certamente capaz de chamar de volta a atenção dos que preferiam o Impaled Nazarene mais ríspido.
Em 2007 houve outra alteração na função de guitarrista. Tuomo Louhio havia sido substituído por Tomi Ullgrén (Shape of Despair) para a gravação do álbum "Manifest", lançado em 2010. Trata-se do álbum mais distante do Black Metal e também o mais longo, com 50 minutos de duração. Ele é calcado num avassalador e exímio híbrido de Black Metal e Thrash Metal, onde o segundo se sobrepõe e faz da sonoridade um assalto Thrash verdadeiramente bisonho, esmagador e de enorme competência. Embora apresente momentos que se arrastem um pouco mais e outros mais rítmicos com belas harmonias, o disco preserva a costumeira violência imposta através da velocidade, com bateria e riffs sedentos e alucinados.
Certamente estamos falando de outro trabalho cru, bem direto, sem tanta invenção de moda com efeitos extras, exceto pelos teclados em "Mushroom Truth", que são épicos como em uma batalha, e "Funeral For The Despicable Pigs", soando como num funeral e complementando assim o tema. Além da objetividade de uma sonoridade raivosa, o assalto também ganha contornos mais definidos com seus maravilhosos solos dignos de qualquer Thrash Metal de ponta, ricos em velocidade, técnica e excelente exploração da alavanca. É um álbum mega aconselhado pros thrashers.
Novidades só voltaram a surgir três anos mais tarde, em 2010, quando o guitarrista base Jarno Anttila deixou o conjunto. Com sua saída, a banda voltou a ser configurada em um quarteto e não pretende substituí-lo.
Dois mil e dez também foi ano de lançamentos, a começar pelo EP de 8 minutos "Enlightment Process", que saiu no dia 19 de novembro, subsequenciado pelo álbum "Road To The Octagon" no dia seguinte. Esse disco abre (ou reabre) mais uma nova (velha, né) era na discografia, mas não uma era de novidades, e sim de volta às origens. Ignorando a roupagem dos últimos álbuns, o registro se caracteriza por utilizar da produção moderna na confecção de um som das antigas. O modelo de composição de faixas rápidas resultando em álbuns de curta duração é retomado. Com seus 33 minutos totais de duração, "Road To Octagon" tem uma sonoridade tão veloz quanto o tempo de duração de suas músicas. Por mais que nos brinde com um peso sufocante nas distorções exaladas por um Black Metal maleável o suficiente para decair ao Speed, tirar elementos Punk da manga e trazer flashes do Thrash Metal do "Manifest" à superfície, o disco me parece confuso e pouco inspirado. A atmosfera é turbulenta, com a intensidade de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e os instrumentos misturando-se entre si sem demonstrar harmonia. É complicada a assimilação. Dificultando ainda mais para escolher um ponto de referência, os solos são explorados muito moderadamente, e quando aparecem, são bem modestos em técnica e duração. Mesmo com os fortes negativos, o clima caótico de correria e desespero deixa o ouvinte elétrico. Muita raiva é transmitida.
Passados mais três anos, os finlandeses voltam à lista de lançamentos com um dos menores EPs que alguém pode ouvir na vida, chamado "Die In Holland". São apenas duas faixas, sendo que a de abertura é homônima, e a segunda é um cover do The Exploited. Juntas elas somam 3 minutos e 53 segundos.
A espera pelo 12º álbum de estúdio teve fim em 2014 com o lançamento de "Vigorous and Liberating Death". Nunca a banda tinha ficado quatro anos sem lançar álbum de inéditas. De qualquer forma, a espera sem sombra de dúvidas valeu a pena para os fãs mais tradicionais. É o trabalho que mais se aproxima dos primeiros álbuns, não apenas pela sonoridade que junta Black Metal, Death Metal e elementos Punk, mas também pela produção retrô, abafada, suja. São 33 minutos de uma sonoridade veloz, cruel, crespa e abominável. Sem firulas, sem polimento, bem rústico. O máximo de diferente são alguns sons ambiente em alguns momentos dependendo da canção, só para melhor ilustrar as letras contidas, assim como acontecia nos primórdios. Excelente álbum flashback. Lançar álbuns assim é uma jogada ousada nos tempos atuais.
Fazer música de qualidade parece inerente ao cidadão finlandês. Não importa o gênero, sempre haverá uma banda com o selo Finlândia de qualidade. O Impaled Nazarene tem esse DNA. Tem toda a competência de uma banda finlandesa. São polêmicos, até contraditórios às vezes... Dizem uma coisa, fazem outra. Criticaram e se enfureceram com a pequena mudança de postura que Kimmo Luttinen provocou na sonoridade em "Suomi Finland Perkele", mas acabaram desenvolvendo o que tanto os enfureceu e ainda levaram além. Mesmo assim, são uma grande banda que não tem medo de fazer o que achar conveniente, desde que esteja fazendo aquilo que os deixa bem. Metal extremo de primeira linha!


 Shemhamforash (Demo) (1991)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)


 Taog Eht Fo Htao Eht (Demo) (1991)

01 - Nuctemeron of Necromanteion
02 - Condemned To Hell
03 - Impurity of Dawn
04 - The Crucified
05 - Infernus
06 - Morbid Fate
07 - Ave Satanas
08 - In The Name of Satan
09 - Fall To Fornication
10 - Damnation (Raping The Angels)


 Goat Perversion (EP) (1992)

01 - Noisrevrep Taog
02 - In The Name of Satan
03 - Noisrevrep Eht Retfa
04 - Damnation (Raping The Angels)


 Tol Cormpt Norz Norz Norz... (1992)

01 - Apolokia
02 - I Al Purg Vonpo/My Blessing (The Beginning of The End)
03 - Apolokia II: Aikolopa 666
04 - In The Name of Satan
05 - Impure Orgies
06 - Goat Perversion
07 - The Forest (The Darkness)
08 - Mortification/Blood Red Razor Blade
09 - The God (Symmetry of Penis)
10 - Condemned To Hell
11 - The Dog (Art of Vagina)
12 - The Crucified
13 - Apolokia III: Agony
14 - Body-Mind-Soul
15 - Hoath: Darbs Lucifero
16 - Apololokia Finale XXVII A.S.
17 - Damnation (Raping The Angels)
18 - Ghost Riders (Stan Jones Cover) (Bonus Track)
19 - Sadogoat (Bonus Track)
20 - Noisrevrep Taog (Bonus Track)
21 - Taog Eht Fo Htao Eht (Demo 1991) (Bonus Track)


 Ugra-Karma (1993)

01 - Goatzied
02 - The Horny and The Horned
03 - Sadhu Satana
04 - Chaosgoat Law
05 - Hate
06 - Gott Ist Tot (Antichrist War Mix)
07 - Coraxo
08 - Soul Rape
09 - Kali-Yuga
10 - Cyberchrist
11 - False Jehova
12 - Sadistic 666/Under A Golden Shower


 Suomi Finland Perkele (1994)

01 - Intro
02 - Vituksen Multihuipennus
03 - Blood Is Thicker Than Water
04 - Steelvagina
05 - Total War - Winter War
06 - Quasb/The Burning
07 - Kuolema Kaikille (Paitsi Meille)
08 - Let's Fucking Die
09 - Genocide
10 - Ghettoblaster
11 - The Oath of The Goat


 Latex Cult (1996)

01 - 66.6 S of Foreplay
02 - 1999: Karmakeddon Warriors
03 - Violence I Crave
04 - Bashing In Heads
05 - Motörpenis
06 - Zum Kotzen
07 - Alien Militant
08 - Goat War
09 - Punishment Is Absolute
10 - When All Golden Turned To Shit
11 - Masterbator
12 - The Burning of Provinciestraat
13 - I Eat Pussy For Breakfast
14 - Delirium Tremens


 Rapture (1998)

01 - Penis Et Circes
02 - 6th Degree Mindfuck
03 - Iron Fist With An Iron Will
04 - Angel Rectums Do Bleed
05 - We're Satan's Generation
06 - Goatvomit and Gasmasks
07 - Fallout Theory In Practise
08 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
09 - Healers of The Red Plague
10 - The Pillory
11 - The Return of The Nuclear Gods
12 - Vitutation
13 - JCS
14 - Nuclear Metal Retaliation
15 - Inbred
16 - Phallus Maleficarum (Bonus Track)
17 - Transvestite (Bonus Track)
18 - Motörpenis (Bonus Track)
19 - Bashing In Heads (Bonus Track)
20 - I Eat Pussy For Breakfast (Bonus Track)
21 - Whore (Bonus Track)
22 - Violence I Crave (Bonus Track)
23 - Goat Perversion (Bonus Track)
24 - Hoath- Darbs Lucifero (Bonus Track)
25 - Goat Perversion (Reprise) (Bonus Track)


 Nihil (2000)

01 - Cogito Ergo Sum
02 - Human-Proof
03 - Wrath of The Goat
04 - Angel Rectums Still Bleed: The Sequel
05 - Post Eclipse Era
06 - Nothing Is Sacred
07 - Zero Tolerance
08 - Assault The Weak
09 - How The Laughter Died
10 - Nihil


 Impaled Nazarene/Driller Killer (Split) (2000)

01 - Impaled Nazarene: Impotent Mankind
02 - Driller Killer: How Come?
03 - Impaled Nazarene: I Couldn't Care Less (Driller Killer Cover)
04 - Driller Killer: Ghettoblaster (Impaled Nazarene Cover)


 Decade of Decadence (Compilation) (2000)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)
10 - Nuctemeron of Necromanteion
11 - Condemned To Hell
12 - Impurity of Dawn
13 - The Crucified
14 - Infernus
15 - Morbid Fate
16 - Ave Satanas
17 - In The Name of Satan
18 - Fall To Fornication
19 - Damnation (Raping The Angels)
20 - Noisrevrep Taog
21 - In The Name of Satan
22 - Noisrevrep Eht Retfa
23 - Damnation (Raping The Angels)
24 - The Black Vomit (Sarcófago Cover)
25 - Ghost Riders (Stan Jones Cover)
26 - Sadogoat
27 - I Am The Killer of Trolls
28 - Kill Yourself (S.O.D. Cover)
29 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
30 - Nuclear Metal Retaliation
31 - Instrumental I
32 - Instrumental II
33 - Instrumental III


 Absence of War Does Not Mean Peace (2001)

01 - Stratagem
02 - Absence of War
03 - The Lost Art of Goat Sacrificing
04 - Prequel To Bleeding (Angels III)
05 - Hardboiled and Still Hellbound
06 - Into The Eye of The Storm
07 - Before The Fallout
08 - Humble Fuck of Death
09 - Via Dolorosa
10 - Nyrkillä Tapettava Huora
11 - Never Forgive
12 - Satan Wants You Dead
13 - The Madness Behind


 All That You Fear (2003)

01 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
02 - Armageddon Death Squad
03 - The Endless War
04 - The Maggot Crusher
05 - Curse of The Dead Medusa
06 - Suffer In Silence
07 - Halo of Flies
08 - Recreate Thru Hate
09 - Goat Seeds of Doom
10 - Even More Pain
11 - Tribulation Hell
12 - Urgent Need To Kill
13 - All That You Fear


 Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces (Live) (2005)

01 - Intro
02 - The Horny and The Horned
03 - Armageddon Death Squad
04 - Goat Perversion
05 - 1999: Karmageddon Warriors
06 - Motörpenis
07 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
08 - The Endless War
09 - Sadhu Satana
10 - Ghettoblaster
11 - Coraxo
12 - Soul Rape
13 - Sadistic 666/Under A Golden Shower
14 - Zero Tolerance
15 - The Maggot Crusher
16 - Let's Fucking Die
17 - Tribulation Hell
18 - We're Satan's Generation
19 - Cogito Ergo Sum
20 - Goat Seeds of Doom
21 - Condemned To Hell
22 - Intro S.F.P.
23 - Sadogoat
24 - Vitutuksen Multihuipennus
25 - The Lost Art of Goat Sacrificing
26 - Total War - Winter War


 Pro Patria Finlandia (2006)

01 - Weapons To Tame A Land
02 - Something Sinister
03 - Goat Sodomy
04 - Neighbourcide
05 - One Dead Nation Under Dead God
06 - For Those Who Have Fallen
07 - Leucorrhea
08 - Kut
09 - This Castrated World
10 - Psykosis
11 - Contempt
12 - I Wage War
13 - Cancer
14 - Hate - Despise - Arrogance


 Manifest (2007)

01 - Intro: Greater Wrath
02 - The Antichrist Files
03 - Mushroom Truth
04 - You Don't Rock Hard
05 - Pathogen
06 - Pandemia
07 - The Calling
08 - Funeral For Despicable Pigs
09 - Planet Nazarene
10 - Blueprint For Your Culture's Apocalypse
11 - Goat Justice
12 - Die Insane
13 - Original Pig Rig
14 - Suicide Song
15 - When Violence Commands The Day
16 - Dead Return


 Enlightenment Process (EP) (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - Ghettoblaster
03 - Kali-Yuga


 Road To The Octagon (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - The Day of Reckoning
03 - Corpses
04 - Under Attack
05 - Tentacles of The Octagon
06 - Reflect On This
07 - Convulsing Uncontrollably
08 - Cult of The Goat
09 - Gag Reflex
10 - The Plan
11 - Silent and Violent Type
12 - Execute Tapeworm Extermination
13 - Rhetoric Infernal


 Die In Holland (EP) (2013)

01 - Die In Holland
02 - Let's Start A War (The Exploited Cover)


 Vigorous and Liberating Death (2014)

01 - King Reborn
02 - Flaming Sword of Satan
03 - Pathological Hunger For Violence
04 - Vestal Virgins
05 - Martial Law
06 - Riskiarvio
07 - Apocalypse Principle
08 - Kuoleman Varjot
09 - Vigorous and Liberating Death
10 - Drink Consultation
11 - Dystopia A. S.
12 - Sananvapaus
13 - Hostis Humani Generis


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Scars From The Last Fight - Discografia

Não há dúvidas de que se alguém diz que a música pesada no Brasil é fraca e a cena não tem boas bandas, não está por dentro do que realmente está acontecendo em nosso país. A ascensão de conjuntos com discos de bela produção e composições de evidente qualidade em todo o território nacional já não é novidade alguma, independente da vertente executada. Eventualmente, uma vez que o Metalcore é um estilo badalado atualmente, bandas brasileiras trilhando a linha também somam na conta, contribuindo com variedade "étnica" em um estilo marcado por bandas britânicas e estadunidenses.
Assim como acontece em qualquer outra vertente, ao fundir diferentes influências ao Metalcore, obtém-se distintos resultados de sonoridade. Um dos fodíssimos exemplos disponíveis hoje no país é o Scars From The Last Fight, que aposta num Metalcore menos identificável e mais magnetizado pela forte influência de bandas como Pantera, Killswitch Engage e até mesmo flashes de Black Label Society principalmente em decorrência do vocalista Diego Camargo, que alterna entre um vocal limpo bem carregado por drives e guturais rasgados e fechados. Mas até refinar a sonoridade dessa forma, claro, levou tempo, trabalho e experimentação.
Natural de Caraguatatuba, interior de São Paulo, o Scars From The Last Fight nasceu no início de 2010 por iniciativa dos amigos Diogo Serra (vocal limpo, vocal gutural e guitarra), Anderson Emídio (guitarra e vocal gutural) e Gabriel Hatoun (bateria), que compartilhavam o desejo de dar início a um projeto musical. No decorrer do ano, as ideias amadureciam e se traduziam em composições, e consequentemente, a necessidade de fechar o line-up. Foi aí que, no final do ano, o baixista Emerson Oliveira chegou, estabilizando a espinha dorsal para o primeiro lançamento.
Com isso, saiu já em 2011 o EP de estreia "Screenplay", lançado de forma independente. Listado com seis faixas e totalizando 28 minutos, o compacto apresenta uma ótima sonoridade correta e alternativa, porém, ainda não muito refinada, mas deixando um ar de que a banda tem condição de amadurecer bastante.
Com um instrumental que não se destaca tanto mas cumpre bem seu papel, o destaque vai para as linhas vocais de Diogo, que são melódicas, bem desenhadas e altas, empregando ainda um fundo de drive algumas vezes. Sua característica pode ser encontrada em algumas bandas de Alternative Rock. Os guturais de Anderson Emídio também dividem as atenções em meio aos vocais limpos de Diogo (que por vezes faz os rasgados também), aparecendo em momentos estratégicos ou backing vocals, complementando bem a sonoridade e dando um andamento mais pegado.
Interessantemente, a segunda metade é mais ousada, uma vez que conta com canções como "I Don't Believe", que é mais passional e explora bem o violão; "Lies of True", que é mais forte e impactante; e, por sua vez, a "Scars From The Last Fight", que tem um andamento que divide ritmo pegado e cadência com interessantes e variantes jogadas de riffs e um apreciável trabalho de bateria.
É bem verdade que o EP poderia ter uma produção mais clara e pesada, mas limitações impediram que isso acontecesse. As guitarras estão um pouquinho baixas e abafadas e às vezes o baixo se destaca demais. Mas para um primeiro trabalho, o resultado geral de produção é excelente e totalmente audível.
O trabalho chamou a atenção da gravadora 272 Records, de Los Angeles, que prontamente solicitou que a faixa-título integrasse a coletânea que estavam lançando. Esse foi um bom boot nos ânimos!
Mas as coisas ficaram ainda melhores com a complementação de seu currículo em 2012 com mais uma experiência que certamente auxiliou na exposição da banda: a seleção para a participação no programa televisivo Showlivre Day, da empresa Show Livre (grupo MSN). Ao obter a maior audiência entre todas as bandas envolvidas, a oportunidade se converteu num convite para uma edição exclusiva no programa Estúdio Showlivre.
Na sequência, lançaram a single "Walking Dead" em homenagem ao famoso seriado "The Walking Dead", criado por Frank Darabont e exibido originalmente no canal AMC. A canção conquistou a apreciação do ator Norman Reedus (responsável por dar vida ao personagem Daryl Dixon), que a criticou positivamente e divulgou.
Em 2013, os paulistas apareceram com mais um lançamento independente, só que, dessa vez, com duração ainda mais breve, com seus quase 8 minutos de tempo total. Trata-se de mais um EP, intitulado simplesmente como "EP 2013", que conta com três ótimas faixas, dentre as quais a primeira é uma rápida introdução esbanjando um clima misterioso. O aspecto geral das canções, sobretudo em relação à produção, é bem parecido com o do primeiro EP, mas há algumas pequenas diferenças. Os vocais guturais praticamente desaparecem, sendo possível notá-los apenas timidamente como apoio na canção "Don't Bring Me Down", essa que é uma canção com arranjos mais melódicos. Já "Malibu Rulez" é um pouco mais rítmica, percussiva, com uma excelente performance vocal de Diogo, que se mostra teatral cantando em um estilo que remonta aos Blues e Jazz. Um rápido solo pode ser apreciado no fim, algo bem-vindo e raramente explorado pela banda.
Apesar de um lançamento geralmente significar que as coisas estão fluindo, esse novo compacto marcou a despedida de Diogo Serra. Até por isso o trabalho foi muito pouco divulgado, pois agora representava uma banda que não mais tinha aquela cara. Com a saída, eventualmente duas posições ficaram vagas, já que era vocalista e guitarrista. Por isso, dois recrutamentos aconteceram: o do vocalista Diego Camargo e o do guitarrista Matheus Lorenzetti. Ambos se tornaram peças fundamentais no alcance de uma musicalidade mais pesada e agressiva em todos os aspectos.
Após colherem positivas críticas e bons resultados com os lançamentos anteriores, além dos membros originais claramente terem se entrosado bem com os novos, o foco em novas composições se intensificou. Com novas ideias, nova energia e clara paixão, o grupo apareceu em 2015 com seu primeiro álbum de estúdio completo, disponibilizado gratuitamente em seu site oficial. Independente, gravado no próprio estúdio da banda e com produção a cargo do baixista Emerson Oliveira junto do restante do conjunto, o registro (que leva o nome da banda) exibe uma sonoridade bem diferente daquela dos EPs.
Estamos falando de um som bem "pé na porta", que expulsa grande carga de energia e agressividade. Aquela pegada mais alternativa anterior deu lugar a uma competente fusão entre um técnico Metalcore e o Southern Metal, tornando a sonoridade meio texana e digna de um bar com ambiente pesado, esfumaçado e baixa iluminação, cheio de brigas. Contudo, isso diz respeito apenas à sonoridade, já que o tema lírico aborda assuntos mais pensados como valores, realidade e ações do ser humano.
De qualquer forma, as canções são coesas, estruturadas com perícia e compostas com criatividade. Não se vê repetições nos riffs. Cada faixa fala sua própria língua com seus arranjos únicos, sem que isso dissipe a sensação de se tratar do mesmo álbum, que é latente. Aliás, impossível não dar o devido destaque ao trabalho de bateria de Gabriel Hatoun, que usufrui bem de seus recursos e fez um trabalho excelente, longe de qualquer mesmice.
A sonoridade mais pesada é aguçada pela excelente produção e ganha contornos especiais através do talentoso vocal de Diego Camargo, que impõe ira, que se entrega, por meio de vocais limpos firmes e carregados de drives e vocais guturais rasgados soltos com a alma. Ele não poupa voz. E a violência vocal segue ganhando suporte com os guturais fechados de Anderson Emídio, um grande intensificador. Certamente, o álbum é punho-firme e agrada àqueles que gostam de bandas que passam essa atmosfera e postura. Algumas como Texas Hippie Coalition vêm facilmente à minha cabeça. 
Embora seja um álbum empolgante, sente-se falta de solos, que deixariam as músicas ainda mais fodas e contribuiriam com maior clima de diversidade, dando um "descanso melódico" em meio a tanta porrada. Eles chegam a ser explorados com perspicácia em canções como "Gates of Lust" - que conta com a participação especial da vocalista Nathália Sato - e "Sons of Midas", mas não é frequente, deixando uma sensação retilínea, embora os arranjos sejam bem trabalhados.
Meses após o lançamento, foi anunciada a saída do guitarrista Anderson Emídio, por razões pessoais. Até o momento, o espaço deixado pelo músico não foi ocupado novamente.
Seus trabalhos recheados de qualidade justificam a ascensão que o Scars From The Last Fight vem conquistando no cenário. Sem dúvidas, há espaço para ainda mais aprimoramento, logo, trabalhos ainda melhores no futuro, já que é composta por músicos de mão cheia que sabem o que estão fazendo e são capazes de ainda mais.
Seguem abaixo os links oficiais da banda. Deixem seus likes no Facebook, sigam no Twitter, acompanhem os caras pelas redes sociais! O apoio é importantíssimo e esses caras merecem!

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: info@scarsfromthelastfight.com
imprensa@furiamusic.com.br


 Screenplay (EP) (2011)

01 - Screenplay
02 - Promises and Illusions
03 - Promises and Illusions (Remix 2012)
04 - I Don't Believe
05 - Lies of True
06 - Scars From The Last Fight


 EP 2013 (EP) (2013)

01 - Introdução
02 - Don't Bring Me Down
03 - Malibu Rulez


 Scars From The Last Fight (2015)

01 - Relentless Reaper
02 - Bolshevik
03 - Spider
04 - Gates of Lust (feat. Nathália Sato)
05 - Moth-Eaten
06 - Sinking Alone
07 - Trusting In Fate
08 - Sons of Midas
09 - Walking Dead
10 - Wise Man


sexta-feira, 24 de julho de 2015

DIVULGUE SUA BANDA! / PROMOTE YOUR BAND!

Como provavelmente muitos visitantes notaram, nós do Warriors Of The Metal não fazemos apenas um trabalho de divulgação de qualquer banda, de qualquer estilo, de qualquer parte do planeta, de acordo com a nossa própria conveniência. Nós também damos total apoio e uma atenção especial e amorosa ao som oriundo de nossa rica e única terra.
Entretanto, não são apenas conjuntos que estão nos nossos próprios planos que entram no acervo. No caso de alguém ser integrante de alguma banda e estiver interessado em divulgar seu som através de nós (reconhecendo, dessa forma, nosso potencial), a banda ganha atenção especial, é postada mais rapidamente e, de quebra - se demonstrar apoio ao nosso trabalho com a divulgação e outros catalisadores quaisquer -, entra no seleto hall das "bandas promocionais nacionais". Aquela sessão trata exclusivamente dessas bandas.
Sabemos que muitas pessoas que nos visitam têm banda, mas por timidez ou por não saberem exatamente como estabelecer contato conosco, acabam se bloqueando de conquistar a divulgação. É visando essa galera que estamos escrevendo essa postagem.

Afim de facilitar a compreensão e objetividade das prováveis dúvidas, essa publicação está dividida em alguns tópicos esclarecedores.

1 - BANDAS BRASILEIRAS:
......1.1 - O que é o índice de bandas promocionais?
......1.2 - Como posso ter minha banda divulgada no Warriors Of The Metal?
......1.3 - Quais as condições para que minha banda seja postada?
......1.4 - E se minha banda já tiver sido postada sem meu pedido?

2 - TO FOREIGN BANDS:
......2.1 - What is this topic about?
......2.2 - What is the "índice de bandas promocionais"?
......2.3 - How can I get my band promoted on Warriors Of The Metal?
......2.4 - Are there any conditions for my band to be included?


BANDAS BRASILEIRAS:

1.1 - O QUE É O ÍNDICE DE BANDAS PROMOCIONAIS?
O índice de bandas promocionais é a repartição de nosso acervo onde são alocadas as bandas que nos procuram para divulgação de seu som autoral, em especial bandas com pouco tempo de estrada. Temos dois tipos: o índice para as bandas brasileiras e o índice para as bandas estrangeiras. Uma vez que alguma banda faz contato, manifesta apoio e divulga nosso trabalho, o lugar dela é certamente lá por melhor promoção e visibilidade para que ela seja encontrada.

1.2 - COMO POSSO TER MINHA BANDA DIVULGADA NO WOTM?
Não tem muito segredo. Basta entrar em contato conosco de alguma forma, seja por mensagem no Facebook através da página do Warriors Of The Metal ou de nossos perfis pessoais (Cláudio/Rudão/Walker); pelo Twitter do Warriors Of The Metal ou nossos Twitters pessoais (Cláudio/Walker); ou até nossos e-mails (Cláudio/Rudão/Walker). Veremos e responderemos em quaisquer desses meios, solicitando o material que precisaremos.

1.3 - QUAIS AS CONDIÇÕES PARA QUE MINHA BANDA SEJA POSTADA?
Antes de mais nada, é necessário que o pedido de divulgação seja feito por um membro da banda. Caso contrário, interpretaremos apenas como um fã pedindo uma discografia que gosta ou procura, na tentativa de nos desviar de nosso foco. Como sabido, não atendemos pedidos, a não ser das próprias bandas.
Uma vez que você é membro da banda que deseja ver postada, determinamos unicamente que pelo menos um álbum completo tenha sido lançado e, claro, que ele tenha aceitável qualidade de produção. Afinal, ter lançado pelo menos um álbum é a prova de que a banda funciona e não vai parar no meio do caminho antes de completar o primeiro objetivo. No caso de sua banda ter lançado apenas uma demo, EP, ou quaisquer trabalhos curtos, ela não receberá postagem exclusiva aqui no blog. Porém, podemos divulgá-la com uma postagem em nosso Facebook sem problema algum!

1.4 - E SE MINHA BANDA JÁ TIVER SIDO POSTADA SEM MEU PEDIDO?
Mesmo nesse caso sua banda ainda pode ir parar no índice de bandas promocionais nacionais. Basta que você manifeste essa vontade e divulgue nosso trabalho!


TO FOREIGN BANDS:

2.1 - WHAT IS THIS TOPIC ABOUT?
This topic is about promoting your band, in case you have one. Since we know many of our visitors have their own bands, we are pretty sure there are lots of qualified and talented bands to be found out and showed up to the world through Warriors Of The Metal. So, this is all about how you can get your band posted here for promotion.

2.2 - WHAT IS THE "ÍNDICE DE BANDAS PROMOCIONAIS"?
This is the table where we allocate bands that make contact with us in order to have their material available and reviewed on our site, specially the newborn ones. We got two sessions: one for the brazilian ones and another for the foreign ones. Once a band comes to us, manifests support and promote our work, it can be placed on that session for better visibility and promotion. Of course, if your band is from abroad, it will be included on "índice bandas promocionais internacionais".

2.3 - HOW CAN I GET MY BAND PROMOTED ON WOTM?
That's pretty simple. All you need to do is to contact us somehow. There are plenty ways, such as sending us a message on Facebook either through Warriors Of The Metal page or our personal profiles (Cláudio/Rudão/Walker); either through Warriors Of The Metal Twitter account or our personal Twitter accounts (Cláudio/Walker); or even by sending an e-mail to CláudioRudão, or Walker. Be sure we will see the messages and answer back as soon as possible.

2.4 - ARE THERE ANY CONDITIONS FOR MY BAND TO BE INCLUDED?
Yes. First of all, you need to be part of the band. Once we don't post requested bands in order to maintain the quality of what we do - which is made solely with passion -, if you're not a member, then we interpret you as a fan requesting a discography like any other, trying to blur our own focus about what to do next. So, the only way to see a band posted here by request is to be a member of it.
Now, if you are a member of the band to be posted, all we ask is a full-length album released because it serves as proof that the band in fact works and did not split up before achieving the first goal. Also, it has to have acceptable production quality. In case your band have only demos, EPs or minor releases, it can't be part of our heap, but we do can promote it through our Facebook page.

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Com essa publicação, espero que não tenha restado dúvidas sobre como trazer a sua banda para o Warriors Of The Metal e mostrá-la para milhares de headbangers que nos conhecem e apoiam. Espero também ter incentivado as bandas mais tímidas a apresentarem seu material e mostrarem que o Metal tem força e bons representantes e qualquer canto do Brasil.
Qualquer dúvida remanescente, por favor, comentem abaixo para que o esclarecimento possa ser feito.

Muito obrigado pela atenção!

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WARRIORS OF THE METAL,
A CASA DO RESPEITO AOS DIFERENTES GÊNEROS!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cavaleiro Dragão - Discografia

Algumas bandas têm nomes que levam à subestimação. Afinal, assim como somos levados a ouvir algumas só porque o nome é legal, o inverso também acontece. O negócio é que não se pode julgar um disco pela capa, ou banda pelo nome. Os paulistas do Cavaleiro Dragão são uma grande prova disso, já que são capazes de impressionar facilmente com sua qualidade.
Talvez para muitos o título soe clichê demais, até engraçado, prejudicando, assim, o real interesse no que esses caras fazem. Grande erro. Formado em Hortolândia, São Paulo, no ano de 2007, o quinteto trás consigo um excelente Heavy Metal tradicional, oitentista, sobreposto por letras épicas dignas de Power Metal e, mais interessantemente ainda, em português. O clima heroico se estende também às apresentações ao vivo, já que geralmente os músicos se vestem de guerreiros ou templários e até mesmo brandam espadas, fortalecendo o medievalismo das canções.
O line-up está sólido desde o princípio, configurado com Charles Arce no vocal, Mauro Soares e Rafael Miguel como dupla de guitarristas, Andrey Fernandes no baixo e Jayme Neto na bateria. O primeiro lançamento saiu em forma de demo em 2010. Levando o nome da banda, a demonstração conta com seis canções, sendo que praticamente todas seriam reaproveitadas no primeiro álbum de estúdio.
Mesmo com o ainda pouco tempo de estrada, a banda logo de cara lançou seu primeiro DVD em 2011, intitulado "Cavaleiro Dragão Ao Vivo Festa do Figo" e gravado no dia 29 de janeiro daquele ano na cidade de Valinhos, também em São Paulo.
No ritmo que as coisas estavam, não demoraria mesmo para sair o álbum debut. Foi o que de fato aconteceu já em 2012. Mixado por Ricardo Picolli e produzido pela própria banda, "Cavaleiro Dragão" é um álbum que impressiona pela sua qualidade em todos os aspectos. Trata-se de um sólido Heavy Metal tradicional muito bem arquitetado, com jogadas de riffs interessantemente belas que saem do retilíneo do comum e por vezes encontram seu break em momentos de guitarra limpa e flertes com o Folk (uma aldeia surgir em sua imaginação não é mera coincidência, como na introdução "O Vilarejo do Rei"). O excelente vocal de Charles Arce acompanha muito bem todo o exuberante ritmo instrumental, já que o adapta de acordo com a passagem, explorando vocais mais médios e arrastados em passagens de calmaria, e elevando para tons altos e um fundo de drive quando o instrumental ou a letra exigem mais empenho. Os backing vocals inteligentemente inseridos pontualmente em alguns fins de frase deixam a coisa ainda mais bonita.
Impossível não comentar sobre o destacamento dos solos, pois são maravilhosos, exibindo muita criatividade e técnica. Algumas vezes são até prolongados, até porque, sim, as canções são longas. Toda a qualidade é realçada por uma excelente produção que pôs os instrumentos claros e pesados.
O disco conta com sete faixas com uma média de uns 7 minutos de duração. Entretanto, isso não pode ser problema. Vai por mim: você não sente esse tempo passando, mesmo em uma canção mais longa como "Navio Fantasma" e seus 10 minutos, ou a totalmente instrumental e rica em solos "Avalon", de quase 9. Não é um trabalhando maçante, até porque o tempo total é de 48 minutos. A competência desses caras é tão sólida como metal, e tão forte quanto a força de um guerreiro. Vale o repeat.
Esse trabalho foi lançado junto da Atitude Records e distribuído no Brasil e no México com uma prensagem inicial de apenas 1000 cópias. Quase todas foram rapidamente vendidas.
Atualmente o conjunto está trabalhando em um novo álbum de estúdio, bem como em um videoclipe, que não devem demorar tanto para sair. Shows também estão sendo realizados com alguma frequência.
Não tenha dúvidas de que o som é merecedor de atenção e as letras em português não causam estranheza. Caso esteja com expectativas baixas, ficará ainda mais deliciado. E se você gosta de um som tradicional e tem saudade de uma banda que o execute de forma respeitável hoje em dia, o Cavaleiro Dragão sacia a sede. Ao ouvir, desembainhe a sua espada e prepare-se para lutar e derrotar um maligno dragão!


 Cavaleiro Dragão (2012)

01 - O Vilarejo do Rei
02 - O Grande Guerreiro
03 - Dragão da Noite
04 - Navio Fantasma
05 - Avalon
06 - Em Nome do Reino
07 - O Rei

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