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terça-feira, 16 de junho de 2015

+44 - Discografia

É engraçado como nossas opiniões mudam, não é? Quanto ao gosto musical, se não muda, ele amplia, ou pelo menos acontece com muitos. Comigo não foi diferente. Na adolescência eu não suportava o Pop Punk. Não suportava Blink-182, Good Charlotte, Green Day. Não suportava os vocais. Nada descia. E falava mal. Ah! Falar mal era necessário! Hoje em dia, adulto, penso que para uma parcela dos adolescentes, o Metal é libertador, mas também, um tanto venenoso. Seu peso faz com que os garotos subestimem e menosprezem a qualidade de Rocks mais alternativos, acessíveis, comerciais. Hoje em dia, adulto, admiro bandas do ramo e me impressiono com a qualidade, alegria e competência das canções. Acredite: as bandas são boas pra caramba.
O +44 era mais uma que eu detestava. Meu irmão ouvia muito e eu era obrigado a me trancar em outro cômodo e colocar Metal em altura suficiente para não ouvir o que vem do outro lado. Quem nunca? Só que eu não imaginava que no futuro eu passaria a gostar. Quando decidi rolar por conta própria o único álbum lançado pela banda, "When Your Heart Stops Beating", foi engraçado perceber que eu já conhecia todas as músicas, mas só sabia o nome da faixa-título, que é uma das melhores do disco. Coisas da vida...
O Plus Forty-Four, como é pronunciado, foi uma banda que nasceu graças à inconstância interna do Blink-182. A criação do Box Car Racer pelo vocalista/guitarrista Tom DeLonge em 2002 abalou a amizade com o vocalista/baixista Mark Hoppus, mas eles ainda tentaram manter o pé no acelerador e tocar a banda principal adiante. Isso resultou no lançamento do experimental álbum homônimo em 2003, mas com o passar do tempo os atritos se tornariam cada vez mais constantes e levariam a um hiato que começaria em 2005. Separados e sem previsão para retorno - sem saber também se haveria um retorno (que efetivamente aconteceu em 2009) -, cada qual seguiu seu rumo. Tom DeLonge apostou no Alternative Rock e formou o consistente Angels & Airwaves, enquanto Mark Hoppus iniciou no ano de 2005 em Los Angeles, na Califórnia, ao lado do baterista e companheiro de Blink-182 Travis Barker, o +44.
O nome provém do código de área internacional do Reino Unido, onde Travis estava descansando do hiato do Blink. Hoppus e Barker alimentaram a ideia do projeto pela primeira vez à distância, pelo telefone, daí a inspiração. A título de curiosidade, o código de área internacional do Brasil é +55. Por isso ele aparece antes dos números que não temos em nossas agendas.
Enfim. A princípio, a abordagem do projeto era bastante eletrônica, não por intenção, mas por conveniência. Afinal, não estavam com estrutura para uma barulhada e não queriam que a polícia batesse na casa deles às duas da manhã por estarem gravando a bateria. Por utilizarem o porão de Barker e a sala de jantar de Hoppus, fizeram tudo eletronicamente, com teclados, bateria eletrônica, samples e gravações direto no computador. À medida que os dias se tornaram meses, o peso foi acrescentado aos poucos, bem como novos membros na formação, estruturando a espinha dorsal da banda. Primeiro chegaram a contar com a ex-vocalista do Get The Girl, Carol Heller, que emprestou sua voz para a maioria das primeiras demos. Depois veio o guitarrista e amigo Shane Gallagher apenas para gravar algumas faixas, mas acabou efetivado.
Buscando um lugar apropriado para gravar músicas em melhor qualidade, compraram o estúdio do guitarrista Richie Kotzen (The Winery Dogs, ex-Poison), em North Hollywood, e se mudaram para lá. Com melhor estrutura, o som foi se tornando mais pesado. Pouco tempo depois, o guitarrista Craig Fairbaugh chegou ao estúdio para observar, ouvir e até fazer um som com os caras, o que resultou no convite para se tornar mais um membro da banda. Dessa forma, a formação compreendia Mark Hoppus no vocal e baixo, Shane Gallagher na guitarra solo, Craig Fairbaugh na guitarra base e Travis Barker na bateria e teclado.
A relevância do Blink-182 era grande. Logo, quaisquer coisas que seus membros fizessem, também recebia bastante atenção. Ainda mais com o fato de Travis e Mark se equivocarem ao mencionar a existência da banda em algumas entrevistas, mesmo que tudo ainda estivesse nos primeiros estágios. Uma grande expectativa tomava conta da mídia e dos fãs, provocando o arrependimento e combinação de não mais mencionar nada até que fosse a hora certa. Muitos rumores circularam a internet, até mesmo músicas fakes foram soltas. Mas enfim, em novembro de 2006, o debut "When Your Heart Stops Beating" finalmente foi lançado. Evidentemente algumas similaridades com o Blink-182 são partilhadas, como a base em Pop Punk e a própria voz de Mark Hoppus e estilo único de Travis Barker ao tocar bateria, o que induz a tal relação por motivos óbvios. Contudo, outros elementos tornam a diferença maior: a banda mostra-se mais alternativa e não deixa totalmente de lado os "antigos" elementos eletrônicos. Teclados e samples são explorados e casam perfeitamente com a acessível e animada sonoridade. Os caras conseguiram produzir músicas de grande identidade e um álbum variado, com canções calmas postas nos lugares certos do set, dando a pausa correta entre as outras mais pegadas ou mistas com seus diferentes momentos para se apegar. Tudo isso sem perder o estilo gostoso de se ouvir. A voz de Carol Heller aparece na peculiar "Make You Smile", comprovando a diversidade do trabalho.
O álbum chegou à décima posição da Billboard 200 após vender aproximadamente 66 mil cópias na primeira semana. Apesar do sucesso comercial e de eu achar um disco fantástico, a mídia ficou dividida e escreveu resenhas mistas. Em setembro aconteceu o primeiro show, em Hollywood, e então embarcaram em uma turnê pela Europa e Austrália, que só não saiu como deveria porque Travis Barker quebrou o braço. Mesmo agoniando e alterando as posições de seu set de bateria, ele se apresentou, mas acabou cedendo à recomendação do médico e descansando. Daí, Gil Sharone (ex-The Dillinger Escape Plan) ocupou sua posição para os próximos shows, inclusive no Japão.
Até então eles tocavam apenas músicas do próprio projeto, mas essa rigidez foi suavizada em em meados de 2007 e passaram a incluir também músicas do Blink-182. Pouco depois, as datas para agosto foram prorrogadas por razões não convincentes; uma delas era de que entrariam novamente em estúdio para a gravação de um segundo álbum. O quarteto gastou o restante do ano conversando com gravadoras sobre o novo trabalho, até que foi anunciado que ele seria lançado através da Interscope Records. Todavia, mais trabalhos paralelos consumiam o tempo disponível na época. Barker estava trabalhando em remixes para sua carreira solo, assim como Hoppus, que também gravava conteúdo para uma possível carreira solo. Ambos trabalhavam no mesmo estúdio, então acompanhavam de perto o desenvolvimento um do outro.
Contudo, em setembro de 2008 aconteceu algo trágico que viria a mudar o curso das coisas de uma forma ou de outra: o baterista e seu colaborador Adam Goldstein (conhecido como DJ AM) se envolveram em um acidente de avião com mais quatro pessoas e apenas os dois sobreviveram. Travis teve queimaduras de segundo e terceiro graus e desenvolveu estresse pós-traumático. Sua recuperação custou dezesseis cirurgias e 4 a 8 horas de transfusão de sangue. O incidente levou à mais contato com Tom DeLonge, que o visitava no hospital. A volta de um contato mais cálido pavimentou o caminho para a reunião do Blink-182.
Chegando em fevereiro de 2009, Hoppus comentou em uma entrevista que o +44 estava em hiato e que o foco era o Blink-182. Apesar de demonstrar desejo de prosseguir com a banda futuramente, não há planos para o lançamento do tal segundo álbum, nem de qualquer outro trabalho. Mas isso pode ocorrer em algum momento do futuro.
E assim segue até os dias de hoje. Mark Hoppus e Travis Barker se dedicam muito ao Blink-182, que lançaria em 2011 o primeiro álbum desde o retorno, intitulado "Neighborhoods". Porém, os conflitos internos permaneceriam, culminando na nova saída de Tom DeLonge em 2015. Já o +44, bem, vamos esperar que mais trabalhos sejam lançados num futuro mais próximo possível. De preferência, nesse mesmo calibre Pop Punk com elementos eletrônicos. O "Plus" teve vida curta, mas certamente, deixou um excelente trabalho para ser apreciado.


 When Your Heart Stops Beating (2006)

01 - Lycanthrope
02 - Baby, Come On
03 - When Your Heart Stops Beating
04 - Little Death
05 - 155
06 - Lillian
07 - Cliff Diving
08 - Interlude
09 - Weatherman
10 - No It Isn't
11 - Make You Smile
12 - Chapter XIII
13 - Baby, Come On (Acoustic Version) (Bonus Track)
14 - Weatherman (Acoustic Version) (Bonus Track)


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Box Car Racer - Discografia Comentada

É incrível como pequenas ideias, pequenas e descompromissadas atitudes, podem virar uma bola de neve e se tornar algo maior. O Box Car Racer tomou forma assim. Afinal, em San Diego, na Califórnia, no ano de 2001, durante as sessões de gravação do álbum "Take Off Your Pants and Jacket", do Blink-182, o vocalista e guitarrista Tom DeLonge (que na época estava na banda) tocava violão distraidamente e exercitava sua criatividade nessa calmaria, para distanciar a cabeça das guitarras distorcidas, do clima do estúdio.
Acabou que ele foi se aprofundando cada vez mais nesse hobby, aproveitando as lacunas das sessões de gravação e da agenda para compôr canções acústicas a seu gosto, mais negras, profundas e tristes, incompatíveis com o Blink-182.
Alguns incidentes, apesar de infelizes, contribuíram muito para a concretização do trabalho. O primeiro deles foi a prorrogação da turnê europeia no fim de 2001 devido aos atentados de 11 de Setembro, e o segundo, as dores crônicas que Tom DeLonge sofria nas costas por causa de uma hérnia de disco. O sofrimento e consequente cirurgia resultaram no cancelamento de todas as datas do início de 2002, provocando uma pausa nas atividades da banda.
Nesse meio-tempo, o projeto tema dessa postagem, que inicialmente não tinha ambição alguma de se tornar grande ou efetivamente lançar as canções oficialmente, ia tomando forma. O humor, vida e interesses do líder influenciaram bastante nas letras e na sonoridade que estava trilhando. Alguns nomes como The Kill foram dados ao projeto, porém, o interesse de DeLonge pelas guerras o levou a batizá-lo como Box Car Racer, devido à confusão de pronúncia com o bombardeiro B-29 Bockscar, de onde saiu a bomba atômica Fat Man, detonada sobre a cidade japonesa de Nagasaki. Outro reforço foi o fato desse ter sido o nome de uma banda que o baterista Travis Barker (também do Blink-182) estava após o Ensino Médio, e que DeLonge gostava.
Com o conceito de projeto acústico pronto, faltava o segundo passo, que era completar a formação. O primeiro a ingressar foi o próprio Travis Barker, companheiro do Blink-182, não pelo seu evidente talento, mas por questões econômicas. Era mais fácil contar com um amigo do que ter que pagar um baterista, ou pelo menos essa é a versão de Tom DeLonge. A chegada de Barker acabou tornando a musicalidade mais pesada, e o projeto passou a percorrer sonoridades mais plugadas. Completando a formação, chegou o guitarrista David Kennedy, boa amizade que o músico cultivava.
Tudo ia bem até o trio da formação se solidificar. O desbalanço veio por parte de Mark Hoppus, companheiro de duetos vocais de DeLonge no Blink, que tinha muito interesse em também fazer parte do Box Car Racer. Contudo, DeLonge o vetava e explicava que o projeto se tratava de uma manifestação artística própria dele, algo paralelo, independente da banda principal, e que incluí-lo no plantel transformaria o trabalho em outro Blink-182.
Mark Hoppus não engoliu nem a explicação da proposta, nem o motivo econômico pelo qual Travis estava envolvido na banda. Então um sentimento de traição e abandono irrompeu dentro dele, resultando em desentendimentos com DeLonge e prejudicando até mesmo o Blink-182 por um momento.
De qualquer forma, o line-up se firmou mesmo configurado como um trio, que evidentemente ganharia repercussão pela qualidade das canções e pelo relevante fato de dois membros do Blink-182 (que estava no auge na época) estarem envolvidos. Com Tom DeLonge cuidando do baixo além dos vocais, o experimentalismo resultou no único álbum do Box Car Racer, auto-intitulado e lançado em 2002 pela MCA Records. O trabalho - que chegou à 12ª posição da Billboard 200 - teve rápidas sessões de gravação e rápido processo de composição, uma vez que não foi lapidado para se tornar um fenômeno comercial, e sim a manifestação do desejo de fazer música própria. Bom, se o projeto permanecesse com a proposta inicial de ser acústico, certamente seria muito diferente da banda principal. No entanto, na prática, não foi tanto assim. O que é executado é quase o mesmo Pop Punk do Blink, mas com apenas Tom nos vocais, ao invés da alternância com Mark Hoppus. Na verdade, Hoppus aparece como participação especial na faixa "Elevator", aliviando um pouco os ânimos entre ambos. Traços da ideia original brotam à superfície e percorrem o leito de alguns trechos de violão. Mas a predominância é o som de um Punk acessível, harmônico, com linhas vocais melódicas e marcantes. Grande expoente da intimidade de DeLonge com o material é a faixa "My First Punk Song", que é puro Punk mais tradicional e bem rapidinha, com apenas um minuto de duração.
Em suma, trata-se de um trabalho versátil, acessível e com algumas músicas mais facilmente comercializáveis como os hits "I Feel So" e "There Is", mas sem deixar de lado o experimentalismo e variação de fórmula.
A empolgação com o trabalho era muita, pois era uma válvula de escape das limitações rotulares do que o Blink era até então. Visando os palcos, o baixista Anthony Celestino foi contratado antes mesmo do lançamento do álbum (mas não o gravou), liberando a função de Tom, que tocaria a guitarra base. Shows foram realizados pela Califórnia desde antes da chegada do disco. Os nomes das canções não eram anunciados pois ainda estavam inacabadas. Mais apresentações aconteceram após o lançamento, interrompidas apenas quando o Blink-182 voltou às atividades em abril de 2002 e saiu em turnê com Green Day e Jimmy Eat World. Mais tarde naquele ano, o grupo voltaria a se reunir para uma turnê norte-americana ao lado do The Used, e os planos foram crescendo. Enquanto viajavam, escreviam mais músicas. Uma delas até já era tocada ao vivo. Além disso, Travis já estava com planos de pegar várias canções (incluindo as novas), remixá-las e lançá-las em um EP, aproveitando o clima de seu projeto de Rap chamado Transplants.
Todavia, o último show aconteceu no dia 17 de dezembro em Detroit, no Michigan, deixando no ar a certeza de que futuros trabalhos aconteceriam. DeLonge queria. Mas a ideia e todo o projeto foram arquivados em meados de 2003 por causa dos problemas na amizade entre ele e Mark Hoppus, que continuava inconformado por ter sido "deixado de lado" e se preocupava com o futuro do Blink-182.
A banda principal havia lançado quatro álbuns até então, sempre com a mesma proposta, apesar do amadurecimento no decorrer dos lançamentos. Mas afim de apaziguar os ânimos com DeLonge, Hoppus abriu a cabeça e se tornou mais compreensivo e comunicativo, o que permitiu a influência do Box Car Racer sobre a sonoridade do Blink-182. Daí veio o álbum homônimo, lançado em 2003, de caráter mais maleável e experimental. "I Miss You" foi o grande hit do trabalho, inclusive.
Infelizmente, com a volta do foco total no Blink-182, o vocalista mudou de ideia e decidiu encerrar de vez o Box Car Racer, alegando que ele deu o que tinha que dar e nunca mais nada seria lançado.
O legado do projeto não apenas resvalou na musicalidade do Blink-182, mas também em projetos futuros. O interesse em guerras influenciaria com força principalmente o conteúdo lírico da próxima banda de DeLonge, o maravilhoso Angels & Airwaves, que foi formado em 2006, seguindo a linha do Alternative Rock. Por outro lado, Mark Hoppus, na mesma época, formaria o também fantástico +44, que seguiu a linha do Pop Punk e lançou apenas o álbum "When Your Heart Stops Beating" naquele ano.
Legal mesmo é que, assim como o Blink-182, o Box Car Racer é mais uma daquelas bandas que eu não gostava quando era adolescente, mas hoje em dia admiro. Mais legal ainda é ouvir essas bandas atualmente já conhecendo detalhadamente cada música desde anos atrás, pois meu irmão ouvia bastante. Para quem gosta das bandas do estilo (que realmente bombaram na década de 2000), também gosta do Box Car Racer. Grande projeto de um grande músico, que apesar de ser meio difícil de lidar, sempre contribui com excelentes trabalhos para os fãs.


 Box Car Racer (2002)

01 - I Feel So
02 - All Systems Go
03 - Watch The World
04 - Tiny Voices
05 - Cat Like Thief
06 - And I
07 - Letters To God
08 - My First Punk Song
09 - Sorrow
10 - There Is
11 - The End With You
12 - Elevator
13 - Instrumental

Ouvir (Spotify)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Terra Prima - Discografia

Os anos vão se passando e, com eles, mais e mais bandas de muito profissionalismo surgem em todo o território nacional. Com o passar do tempo, propostas cada vez mais ousadas são traçadas e sons inteligentes são concretizados - e a cultura brasileira é cada vez mais valorizada. À medida que novas bandas aparecem, o Metal brasileiro é mais lapidado, ganhando contornos próprios. A sua própria identidade. Seja na introdução de elementos externos ou na jinga dos arranjos, graças à cultura única que temos, a música pesada aqui se torna cada vez mais brasileira.
É uma pena que o nosso estilo preferido ainda hoje seja estereotipado, desconhecido pela mídia mainstream e grande massa. As pessoas simplesmente não fazem ideia do que nossas bandas fazem e do quão grande é esse estilo, que tem os fãs mais fiéis do mundo. O Terra Prima, de Recife, é mais uma amostra de que o tão preconceituado Heavy Metal é um dos estilos que mais resgatam cultura no planeta. Que é a grande e incompreendida manifestação cultura dessa colossal minoria.
Cultura. Brasil. Nordeste. Palavras que definem bem o direcionamento de mais esse grito nordestino de qualidade. Novamente, a cultura brasileira empresta seus elementos para enriquecer um estilo musical que, por si só, já é rico e carregado de história.
Com a ideia de unificar elementos regionais como Maracatu, Baião, Música Flamenca, Salsa, entre outros, o seu melódico Power Metal, o Terra Prima surgiu na capital pernambucana no ano de 2004. Até mesmo seu nome remonta à cultura, uma vez que provém do latim e significa "Primeira Terra".
O primeiro trabalho surgiu ainda em julho na forma da demo "Life Carries On", contendo quatro faixas. Após passar os tempos seguintes realizando shows, voltam a lançar outro trabalho em 2006: o EP "Step By Step".
Um ano mais tarde, configurados com Daniel Pinho no vocal, Diego Veras e Bruno Soderini nas guitarras, Pedro Diniz no baixo, Tiago Ataíde nas baquetas e Mário José Camelo Gomes nos teclados, outra demo foi lançada, agora intitulada "Prelude To Life" e contendo sete faixas.
A sequência de lançamentos pré-debut teve fim quando o EP "New Dawn" saiu em 2009. A essa altura, vários shows haviam sido realizados, incluindo apresentações em festivais como Abril Pro Rock e Sunrock Festival, além de já terem divido o palco com bandas como Iron Maiden, Sepultura, Scorpions e Angra. Alterações no line-up também ocorreram nesse meio-tempo em decorrência das saídas do guitarrista Bruno Soderini e do tecladista Mário José e consequente entradas de Otávio Mazer e João Nogueira, respectivamente.
Reestruturados e reaproveitando a maioria das músicas dos lançamentos anteriores, a obra completa do trabalho de anos da banda chegou em 2010 através da Voice Music, conhecido como "And Life Begins". Em se tratando de Metal melódico e de cultura brasileira ao mesmo tempo, esse som abrasileirado torna impossível não lembrar do Angra. Tal impressão é reforçada pelo excelente e alto vocal de Daniel Pinho, cujos agudos lembram muito os de Andre Matos. O intérprete também é capaz de aplicar o técnico drive na voz, muito comum no Power Metal brasileiro. Instrumentalmente, o álbum segue a linha de um Power Metal acelerado, mas também adocicado por ser mais melódico do que normalmente o estilo é. Elementos de Progressive Metal também podem ser notados em alguns riffs. Contudo, o charme mesmo jaz na naturalidade com que os elementos da música regional aparecem. Em diversos momentos eles estão ali, em forma de percussão, instrumentos típicos, ou até mesmo na jogada dos riffs. Tecnicamente não falta nada, pois há momentos de clímax, momentos de cadência, excelentes solos de guitarra, participação de teclados tanto em efeito de piano quanto em base sintética, além de belas alas abertas para momentos completamente culturais, pondo de lado o peso das guitarras.
"And Life Begins" é um álbum de alto nível que passou pelas mãos de músicos de alto nível. Ele foi produzido por Marcello Pompeu e Heroes Trench, ambos do Korzus, e também conta com as participações especiais de Gilmar Bola 8 (Nação Zumbi) nos instrumentos alfaia e ganzá da introdução "GateZzzZzz", Rafael Bittencourt (Angra) no vocal de "Essence" e Andria Busic (Dr. Sin) no vocal em "New Dawn". Não é à toa que foi eleito um dos 10 melhores álbuns nacionais de 2010 pelos leitores da Roadie Crew. Apesar de todos os prós, a beleza do trabalho é comprometida a longo prazo. A musicalidade extremamente melódica e os vocais integralmente altos tornam o trabalho enjoativo. Apesar da diversidade de elementos e momentos, aquela sensação de linearidade permanece no decorrer do disco. Entretanto, foi apenas o primeiro álbum. Haverão outros futuramente.
Novos shows ocorreram nos tempos seguintes. Um dos mais relevantes foi durante o Carnaval Multicultural do Recife em 2011. Em 2012, pela primeira vez, os pernambucanos viajaram ao Velho Continente para uma turnê ao lado dos italianos do Overtures. Passaram por 7 países e realizaram 11 apresentações.
Chegando em 2013, divulgaram que os trabalhos de composição para o segundo álbum de estúdio tiveram início. Infelizmente, até hoje, nada mais foi dito.
Nesse esquema de Metal enfincado entre as raízes de uma região de forte cultura como o Nordeste, só em Recife temos dois fortes representantes que trilham caminhos divergentes: o Terra Prima, claro, com seu Power Metal, e o Cangaço, que por sua vez, faz Death Metal em consonância com a tradição. Essa divergência só demonstra como o foco de algumas bandas está na valorização da cultura brasileira, e isso acaba respingando nos fãs, que se interessarão e conhecerão mais sobre. Demonstra também que é possível mesclar elementos externos a qualquer rótulo do Heavy Metal, mas tal feito também exige criatividade, inteligência. ousadia. Estamos testemunhando uma renascença brasileira na música pesada. O amanhecer de uma era próspera!


 And Life Begins (2010)

01 - GateZzzZzz
02 - Time To Fly
03 - Rage
04 - Await The Story's End
05 - New Dawn
06 - Prelude To Life
07 - And Life Begins
08 - Step By Step
09 - Gain
10 - Life Carries On
11 - Essence

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Amazon - Discografia Comentada

Embora tenha se popularizado e ganhado força tardiamente - muito devido à ditadura militar e dificuldades de acesso a bons materiais e equipamentos -, o Metal no Brasil é praticado há muito tempo. São pelo menos 30 anos de história. Tempo suficiente para que muitos ouvintes se convertam à causa, para que uma cena se solidifique e, claro, para que bandas surjam. Tempo suficiente também para que determinados segmentos se tornem preferência, enquanto outros são menos praticados. Bandas brasileiras de Death Metal, Thrash Metal e Power Metal não são novidades, por exemplo. Mas e o Symphonic Metal?
A vertente que tem Epica e Nightwish como grandes nomes mundiais ainda não é amplamente praticada em terra tupiniquim. Mas engana-se quem pensar que ela não existe aqui. Em Valinhos, no interior de São Paulo, existe uma banda que pode não ser o último biscoito do pacote, mas faz muito bem aquilo que se propõe a fazer e tem obtido melhoras significativas no álbum mais recente. Com temática inspirada em fantasias, sentimentos e cultura brasileira e sul-americana interpretada por vocais femininos líricos, o Amazon nos dá uma boa alternativa Sinfônica e demonstra potencial para contribuir à cena com álbuns ainda melhores no futuro.
Por iniciativa dos líderes Renato Ângelo (guitarra e teclados) e Sabrina Todt (vocal), em 2001 as atividades tiveram início. Após completarem a formação com Danilo Ângelo (baixo) e Newton Godoi (bateria), lançaram a primeira demo "While There Is Time" já em 2002, que contém cinco músicas que viriam a ser aproveitadas mais tarde no álbum de estreia.
Já com Marcelo Freitas responsável pelas baquetas, chegou em 2004 o debut independente "Victoria Regia", que mais tarde seria relançado pela Megahard Records com nova capa e set em ordem alterada. Esse é um álbum que consegue ser muito bonito e muito bem produzido mesmo com as limitações de um trabalho independente. A sonoridade brilha com certo clima florestal gerado por teclados mágicos e ocasionais flautas inseridas, mesmo que os arranjos de guitarra não sejam muito complexos e o baixo e bateria façam apenas o dever de casa. As influências de Nightwish e After Forever são latentes tanto instrumentalmente quanto vocalmente falando, até pela forma como Sabrina canta. Abusa da força do lírico, mas também contrasta com a suavidade de uma técnica mais amena, ou até mesmo trechos cantados mais limpamente. Enquanto isso, claros traços de Stratovarius também aparecem em solos de guitarra à lá Timo Tolkki, dividindo os holofotes com ótimos solos de teclado. Sem dúvidas "Victoria Regia" foi um ótimo ponta-pé inicial, por mais que não seja bombástico e não conte com músicas explosivas. A chave aqui é a beleza por si só.
Ainda em 2004, no dia 5 de dezembro, o Amazon se apresentou na Via Funchal, em São Paulo, abrindo um show do Nightwish. O show foi gravado e lançado em um DVD que traz seis músicas, dentre as quais duas são emblemáticos covers de "Tears of The Dragon" do Bruce Dickinson e "Rainbow In The Dark" do Dio.
Seis longos anos se passam e chegamos a agosto de 2010, momento do lançamento do segundo álbum "Nature's Last Ride", também independente. Por um momento, ele é estranho, pois a mixagem é desigual, mas no decorrer do álbum você se acostuma e passa a apreciar. Uma pena um trabalho que demonstra amadurecimento, músicas mais fortes e arranjos de guitarra mais criativos ser ofuscado por uma produção que pôs a guitarra muito baixa, a bateria muito alta e seca e deu destaque demais aos teclados. Os acertos foram o vocal e o baixo. Principalmente o âmbito vocal ganhou força com refrões com coro apoiando a voz de Sabrina. "Nature's Last Ride" é um álbum difícil de definir pois ele apresenta tanto avanços quanto retrocessos. É sim, de certa forma, um amadurecimento da proposta do antecessor, mas os teclados são menos participativos nos arranjos solo das canções. Suas funções são mais puxadas para a base. Solos de guitarra também são mais escassos e os que aparecem são rápidos demais. Em contrapartida, os riffs são mais complexos, criativos, harmônicos e mais pesados (ou deveriam ser), flertando com o Heavy Metal. É um bom álbum que merece regravação futura.
Mais cinco anos se passaram até que um novo álbum fosse lançado pelo Amazon. Com eles, alterações no line-up aconteceram. O baixista Danilo Ângelo e o baterista Marcelo Freitas se desligaram da banda, cedendo vaga para André Pedral e Marcos Frassão. De cara e atitude novas, a banda buscou novos horizontes e novas possibilidade para aproveitar ao máximo o potencial e maturidade que acumularam ao longo dos anos. Por isso, Renato Ângelo buscou o auxílio de Amanda Somerville (Kiske/Somerville e HDK) e Sander Gommans (HDK, ex-After Forever) para produzir o álbum subsequente, e o resultado não poderia ter sido melhor.
Agora sim: uma produção perfeita, músicas vigorosas, nível internacional. Solos matadores, riffs pesados e sofisticados de se aplaudir de pé. Alternâncias entre peso e melodismo. Orquestrações. Atributos de uma grande banda segura naquilo que está fazendo. Isso é o álbum "Rise!", cujo nome simboliza essa nova era do conjunto. Lançado novamente de forma independente em 2015, ele é a divisão de águas da banda. É notável a entrega nesse trabalho, mesmo que tenham contado também com auxílios de Somerville e Gommans com dicas composicionais. O disco pulsa, convence, empolga. É daqui que vem a ideia de que a banda pode vir a contribuir com álbuns cada vez melhores no futuro.
Muitas vezes não importa se uma banda faz som ruim ou bom. Se tiver propaganda, ela ganha nome de peso, então ganha fãs. O Amazon é muito bom e o que falta a eles é uma estratégia publicitária efetiva. Precisam aparecer. Precisam realizar shows, abrir para mais grandes bandas, aparecer em revistas, na internet. Em relação a shows, o fato de Sabrina e Renato estarem atualmente morando na Alemanha e o restante dos membros no Brasil atrapalha bastante, com certeza. Mas lá eles poderão acumular ainda mais conhecimento e se/quando voltarem, poderão ativar a banda nos palcos. Ainda não são uma banda especial, mas tem muito potencial, conforme provaram no álbum "Rise!". Curioso? Não se arrependerá. É som brasileiro dos bons.

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 Victoria Regia (2004)

01 - Dawn
02 - The Phantom In The Mirror
03 - Destiny's Revenge
04 - Surrender
05 - Growing
06 - The Shadow
07 - Seven Suns and Seven Moons
08 - We Were All
09 - Angel Wolf
10 - Fate of Glory
11 - While There Is Time

Ouvir (Soundcloud)

 Nature's Last Ride (2010)

01 - Black Star
02 - Conceived
03 - Come
04 - Nature's Last Ride
05 - Lake of Dreams
06 - Falling
07 - Heretic
08 - Prisoner (Phantom In The Mirror - Part II)
09 - Whoever You Are
10 - Gathering High
11 - Moon High Glow
12 - The Poem & The Eden

Ouvir (Soundcloud)

 Rise! (2015)

02 - Three Lives
03 - The Path
04 - Suicide Note
05 - Prisoners of The Seas
06 - Sins
07 - Immortal
08 - Time
09 - New Horizons
10 - Bittersweet

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Exhumed - Discografia

Você está feliz com os rumos que o Metal toma atualmente? Está feliz com as maneiras modernas de fazer uso de estilos tradicionais como o Death Metal e o Grindcore? Bem, é sempre interessante se manter antenado e de cabeça aberta. Porém, gosto é gosto, então há quem não goste mesmo e prefira algo mais "à moda antiga". Esse conceito de oposição às maneiras mais sofisticadas de executar o Death Metal (como Melodic Death Metal e Technical Death Metal) foi o norte da bússola do vocalista e guitarrista Matt Harvey ao moldar os direcionamentos do Exhumed. Essa insatisfação, em liga com influências líricas e sonoras do Grindcore, gerou uma sonoridade visceral capaz de agradar a todos aqueles que têm sede do sangue expelido por esse tipo de abordagem, de letras ricas em chacina.
A banda foi fundada em 1990 em San Jose, na Califórnia, quando Matt Harvey tinha apenas 15 anos de idade. Fã dos primeiros estágios de bandas como Carcass, Entombed, Impetigo, Terrorizer, entre outras, ele sempre buscou mais representantes da linha, mas na época era mais difícil obter esse tipo de acesso. Então optou por criar a sua própria, à sua maneira.
Inicialmente a formação consistia em Matt no vocal/guitarra, Jake Giardina no outro vocal, Derrel Houdashelt na outra guitarra, Ben Marrs no baixo e Col Jones na bateria. O sexteto lançou três demos em 1992 ("Dissecting The Caseated Omentum", "Excreting Innards" e "Goregasm"), antes dos problemas de instabilidade iniciarem e provocarem uma grande rotatividade de integrantes ao longo dos anos seguintes. Diversas demos e splits foram lançadas entre 1992 e 1998, sempre apresentando uma sonoridade cada vez mais voltada para um Death Metal/Grindcore mais tradicional, à medida que Matt se tornava mais insatisfeito com o direcionamento que Carcass e Entombed tomavam. Não gostar sequer da jogada mais técnica de bandas como Nile e Dying Fetus também foi determinante para que músicas mais cruas e objetivas fossem confeccionadas, desembocando no lançamento do debut "Gore Metal" em 1998, através da Relapse Records.
Aqui, o agora quarteto composto por Matt Harvey no vocal e guitarra, Ross Sewage no vocal e baixo, Mike Beams na segunda guitarra e Col Jones na bateria, alcançou uma musicalidade incitadora de moshs, com canções rápidas, sem refrões, direto ao ponto. A alternância entre guturais rasgados e porcos guturais fechados é predominante, ambos cantados aceleradamente. Porém, há momentos de cadência onde o gutural fechado fica mais arrastado e o instrumental decai mais ao Grindcore. Alguns solos aparecem por momentos, intensificando o ritmo acelerado, guiado por insistentes porradarias na bateria. A qualidade de gravação não é das melhores. É um tanto baixa e abafada, mas isso só tornou o álbum ainda mais underground e símbolo daquilo que Matt almejava.
Uma turnê através dos Estados Unidos sucedeu ao lançamento, com participações em diversos festivais. Novas mudanças irromperam no line-up até 2000, quando a banda, resumida em um trio (Matt, Mike e Col), contou com um exército de membros de sessão para a gravação e lançamento do álbum "Slaughtercult". O trabalho apresenta qualidade de produção um pouco melhor, além de uma sonoridade melhor trabalhada e mais acelerada, com músicas estruturadas por refrões (difíceis de notar), riffs mais complexos e variantes, solos mais presentes, técnicos, velozes, escalados. Sem dúvidas, "Slaughtercult" representa um avanço em relação à brutalidade e produção, assim como a consolidação do Exhumed no cenário e naquilo que se propôs a fazer. Os dois álbuns influenciaram bastante bandas posteriores que optaram por percorrer caminho similar.
Uma nova turnê teve início após o lançamento, novamente passando pelos Estados Unidos e, pela primeira vez, cruzando o oceano até a Europa, onde tocaram em vários festivais, incluindo o Wacken Open Air.
Com a chegada do baixista Bud Burke em 1999 (que não participou das sessões de gravação de "Slaughtercult"), a banda volta oficialmente a ser um quarteto. Dessa forma lançam o sofisticado "Anatomy Is Destiny" em 2003. Aqui a qualidade de gravação ganha força definitiva, aguçando o amadurecimento da banda, expressado através da manutenção da sonoridade matadora anteriormente executada e um melhor desenvolvimento do lado Death Metal. Alguns detalhes diferentes podem ser notados, como a maior incidência dos solos - que por vezes pendem levemente ao melódico -, além do maior acionamento de guturais rasgados do que de fechados, mesmo que ambos se mantenham presentes, alternada e conjuntamente.
Apesar de ser melhor composto, maduro e técnico, o disco recebeu resenhas mistas pelas revistas especializadas, que criticaram a falta de refrões marcantes (algo estranho, uma vez que apesar de inserir refrões nas canções, elas soam e sempre soaram bem lineares).
Mais alterações no line-up vieram nos tempos seguintes, pois o baixista Bud Burke deixou o conjunto logo após o lançamento e foi substituído por Leon del Müerte. O baterista Col Jones também se desligou, afetando severamente a criatividade da banda, uma vez que auxiliava nas composições. Enquanto um substituto era procurado, a compilação "Platters of Splatter" saiu em 2004, trazendo três CDs com antigas e raras gravações do Exhumed. No mesmo ano, Danny Walker substituiu Col Jones nas baquetas e a banda saiu em turnê pela América do Norte, Europa, Japão e Austrália. Entretanto, de novo a formação sofreu queda com a saída do guitarrista Mike Beams e do novo baterista Danny Walker. Wes Caley e Matt Connell preencheram os postos, respectivamente, fazendo a engrenagem produtora de música voltar a girar, mas não a transmitir força.
Com isso, entraram em estúdio, gravaram e lançaram em 2005 o modesto álbum de covers "Garbage Daze Re-Regurgitated". Composto por covers de bandas como The Cure, Pentagram, Metallica, Master, Led Zeppelin, entre outros nomes, esse trabalho é mais um "filler", lançado apenas para demonstrar serviço, mostrar que a banda estava ativa apesar da tempestade nos bastidores. Matt Harvey estava muito frustrado com as baixas na formação e com como a banda não estava indo como desejava. Os músicos que chamava para fazer parte da banda não satisfaziam. Ele sempre tinha que ensinar o que e como fazer. Isso o cansou e a banda acabou entrando em hiato naquele ano de 2005.
Durante o tempo de pausa, Matt tocou em outras bandas como Scarecrow, Dekapitator e Gravehill e, segundo ele, aquilo o mostrou que a paixão pela música não se foi, mas a paixão pelo Exhumed, sim.
Foram longos cinco anos de hiato até que Matt passasse a sentir arrependimento de ter parado e lamentasse que o último álbum do Exhumed tenha sido cover. Por isso, já rejuvenescido com nova mentalidade, energia e objetivos, reativou a banda e chamou a galera de volta para continuar os trabalhos. A intenção não era uma reunião. Não era uma lembrança do passado. Era pra seguir em frente, prosseguir e lapidar ainda mais a antiga proposta. Com o guitarrista Wes Caley, o baixista e vocalista Leon del Müerte e o baterista Danny Walker de volta, a banda entrou em estúdio e gravou o excelente "All Guts, No Glory", lançado em julho 2011 ainda com a Relapse Records. O trabalho feito aqui é primoroso. A qualidade da produção é moderníssima. Clara, pesada, alta, muito bem polida. Tem energia, sentimento. É massacrante. Quem gosta de produção contemporânea tem orgasmos pelo ouvido. A bateria é muito bem trabalhada, é divertido reparar os bumbos. As guitarras têm riffs velozes, variam bastante. O vocal é em grande parte gutural rasgado, mas o fechado ainda se faça bastante presente, mas como apoio. Apesar de todo o esplendor do álbum, ele é também um tanto irônico se você pensar no que Matt dizia sobre a modernização do Metal. Digo, esse é um álbum moderníssimo, e os solos combinam não apenas velocidade e técnica, mas também muitas cadências sentimentais, melódicas, além de muita alavancada. Características modernas, de Melodic Death Metal. Mas segundo a opinião de Matt, trata-se de um álbum que une a agressividade de "Gore Metal" e "Slaughtercult" com a melodia de "Anatomy Is Destiny".
Uma extensiva turnê veio a seguir. Ao fim dela, as primeiras baixas desde o retorno aconteceram: o baixista e vocalista Leon del Müerte e o baterista Danny Walker deixaram novamente o conjunto para seguirem com o Murder Construct e concluírem o álbum debut. Suas vagas foram preenchidas por Rob Babcock e Mike Hamilton, respectivamente.
No ano seguinte é a vez do guitarrista Wes Caley deixar outra vez Matt Harvey como único membro original remanescente. Bud Burke tomou então seu lugar. Esse foi o quarteto que gravou e lançou em 2013 o excelente "Necrocracy". As guitarras perdem peso e força em relação a "All Guts, No Glory", porém, ganha harmonia. Esse atributo provém de uma interessante influência de Thrash Metal, que deixou também os solos mais vigentes e melódicos e as linhas vocais mais cantadas, meio que como se faz no Crossover. O álbum retrata bem o desejo de Matt de compôr músicas cada vez mais grudentas, de fácil assimilação, que tragam o ouvinte a repetir a audição por se lembrar daquela passagem marcante. Por isso também, os dois últimos lançamentos possuem o tal do refrão marcante que a mídia dizia faltar em "Anatomy Is Destiny". Uma das coisas mais marcantes do trabalho é a passagem de violão presente em "Dysmorphic", por exemplo, uma das faixas mais macias do registro. Essa veia mais acessível contrasta com o peso dos já tradicionais duetos entre os diferentes tipos de guturais e uma bateria que esmaga.
Em novembro de 2014 outra baixa irrompeu na formação do Exhumed, agora devido a saída do baixista Rob Babcock, que chegou a ser substituído por Matt Ferri, mas ele saiu pouco depois. Atualmente a banda segue como um trio.
"Gore Metal", o primeiro álbum do conjunto, é um dos álbuns preferidos do líder e fundador Matt Harvey. Em uma entrevista ele teria dito que sempre que o ouve, gosta das músicas, mas lamenta o fato da produção ter sido precária. Então veio em 2015 a possibilidade de regravá-lo e lançá-lo nos moldes modernos de produção e mentalidade da banda. Essa possibilidade foi concretizada com a chegada de "Gore Metal: A Necrospective 1998-2015", disco duplo onde o primeiro CD contém "Gore Metal" totalmente regravado, com nova atmosfera e novos arranjos, e o segundo CD é o álbum na gravação original.
O Exhumed é uma banda pavorosa que faz uso da temática "gore" para expressar tudo que bem entendem. Matt alega que esse é um tema onde tudo pode ser inserido de forma alegórica, por isso o utiliza para criticar política, sociedade, relações interpessoais, economias. Nada explícito. E isso acaba por ser a temática perfeita para dar sentido a uma sonoridade que soa brutal, visceral, tradicional. Apesar de atualmente terem saído um pouco da proposta inicial - que era fazer tudo à moda antiga -, a banda não perdeu força nem certo clima de underground. Pois essa é sua essência. Essa é sua alma. E é isso que os fãs procuram na banda.


 Dissecting The Caseated Omentum (Demo) (1992)

01 - Caseating Decomposition
02 - Oozing Rectal Feast
03 - Culinary Pathology
03 - Culinary Pathology
05 - Embryonic Regordation
06 - Ziploc Body-Bag


 Excreting Innards (Demo) (1992)

01 - Festering Sphinctral Malignancy
02 - Perverse Innard Infestation
03 - Coital Mutilation
04 - Disfigured Corpse
05 - Grubs
06 - Cadaveric Splatter Platter


 Goregasm (Demo) (1992)

01 - Perverse Innard Infestation
02 - Excreting Innards
03 - Ziploc Bodybag
04 - Goregasm
05 - Coital Mutilation
06 - Oozing Rectal Feast
07 - Splurgee
08 - Pyathrotic Discorporation
09 - Caseating Decomposition
10 - Embryonic Regordation
11 - Ben's Song
12 - Festering Sphinctral Malignancy
13 - Cadaveric Splatter Platter


 Grotesque Putrefied Brains (Demo) (1993)

01 - Grotesque Putrefied Brains
02 - Pyathrotic Discorporation
03 - Excreting Innards


 Horrific Expulsion of Gore (Demo) (1994)

01 - Radiator Bitch
02 - Excoriated, Emasculated, and Dead
03 - Quagmire of Flesh
04 - Puke of The Dead
05 - Carneous Corneal Carbonization
06 - Vagitarian


 In The Name of Gore (Split) (1996)

01 - Hemdale: Delicious Gory Fun
02 - Hemdale: Pus Filled Carcass
03 - Hemdale: Overflow
04 - Hemdale: Bathing In Mucus and Bile
05 - Hemdale: Tasty Hemorrhoidal Tissue
06 - Hemdale: Brutally Mauled Human Remains
07 - Hemdale: Succulent Torso Crescendo
08 - Hemdale: It Burns... and It Just Plain Smells Bad
09 - Hemdale: Are You Pornophoric?
10 - Hemdale: Demented Surgical Incest
11 - Hemdale: Artificial Masturbation
12 - Hemdale: Licking Mental Patients' Cum Off The Sheets
13 - Hemdale: Curse The Gods (Destruction Cover)
14 - Exhumed: Horrendous Member Dismemberment
15 - Exhumed: Septicemia (Festering Sphinctral Malignancy, Part II)
16 - Exhumed: Masochistic Copramania
17 - Exhumed: Necrovores- Decomposing The Inanimate
18 - Exhumed: Disinterred, Digested, and Debauched
19 - Exhumed: Bone Fucker
20 - Exhumed: The Naked and The Dead
21 - Exhumed: Necro-Transvestite
22 - Exhumed: Torso
23 - Exhumed: Dissecting The Caseated Omentum
24 - Exhumed: Death Metal (Possessed Cover)


 Gore Metal (1998)

01 - Necromaniac
02 - Open The Abcess
03 - Post-Mortem Procedures
04 - Limb From Limb
05 - Enucleation
06 - Casketkrusher
07 - Deathmask
08 - In My Human Slaughterhouse
09 - Sepulchural Slaughter
10 - Vagitarian II
11 - Blazing Corpse
12 - Deadest of The Dead
13 - Sodomy & Lust (Sodom Cover)


 Slaughtercult (2000)

01 - Decrepit Crescendo
02 - Forged In Fire (Formed In Flame)
03 - A Lesson In Pathology
04 - The Axe Was Made To Grind
05 - Carnal Epitaph
06 - Dinnertime In The Morgue
07 - Fester Forever
08 - Deep Red
09 - Infester
10 - Slave To The Casket
11 - Slaughtercult
12 - Funeral Fuck
13 - Vacant Grave


 Deceased In The East/Extirpated Live Emanations (Split) (2003)

01 - Exhumed: Vacant Grave
02 - Exhumed: Limb From Limb
03 - Exhumed: Forged In Fire (Formed In Flame)
04 - Aborted: Eructations of Carnal Artistry
05 - Aborted: Necro Eroticism
06 - Aborted: To Roast and Grind


 Anatomy Is Destiny (2003)

01 - Anatomy Is Destiny
02 - Waxwork
03 - The Matter of Splatter
04 - Under The Knife
05 - Consuming Impulse
06 - Grotesqueries
07 - In The Name of Gore
08 - Arclight
09 - Nativity Obscene (A Nursery Chyme)
10 - Death Walks Behind You
11 - A Song For The Dead


 Platters of Splatter (Compilation) (2004)

CD 1:
01 - Horrendous Member Dismemberment
02 - Septicimia (Festering Sphinctral Malignancy, Part II)
03 - Masochistic Copromania
04 - Necrovores: Decomposing The Inanimate
05 - Disinterred, Digested, and Debouched
06 - Bone Fucker
07 - The Naked and The Dead
08 - Necro-Transvestite
09 - Torso
10 - Dissecting The Caseated Omentum
11 - Death Metal (Possessed Cover)
12 - Goreified
13 - Emeticide
14 - Pus Grinder
15 - Torso 2000
16 - Totally Fucking Dead
17 - Dead Again
18 - Gory Melanoma
19 - Necro-Voyeur
20 - Indignities To The Dead
21 - Masterpieces
22 - Instruments of Hell
23 - Carneous Corneal Carbonization
24 - Blood and Alcohol
25 - Oozing Rectal Feast
26 - Outro: A Decrepit Denouement For The Disgustingly Deceased
27 - No Presents For Christmas (King Diamond Cover)
28 - Cannibal Apocalypse (Impetigo Cover)
29 - Exhume To Consume (Carcass Cover)

CD 2:
01 - Intro: A Purulent Prelude To Putrescent Pyosisification
02 - Excreting Innards
03 - Vagitarian
04 - Grotesque Putrefied Brains
05 - The Exquisite Flavor of Gastro-Anal Tripe
06 - Sex, Drinks and Metal (Sarcófago Cover)
07 - Radiator Bitch
08 - Excoriated, Emasculated, and Dead
09 - Quagmire of Flesh
10 - Puke of The Dead
11 - Carneous Corneal Carbonization
12 - Vagitarian
13 - Grotesque Putrified Brains
14 - Pyathrotic Discorporation
15 - Excreting Innards
16 - Festering Sphinctral Malignancy
17 - Perverse Innard Infestation
18 - Coital Mutilation
19 - Grubs
20 - Disfigured Corpse
21 - Cadaveric Splatter Platter
22 - Caseating Decomposition
23 - Embryonic Regordation
24 - Oozing Rectal Feast
25 - Culinary Pathology
26 - Scrubs
27 - Ziploc Bodybag

CD 3:
01 - Cadaveric Splatter Platter (Different Recording)
02 - The Exquisite Flavor of Gastro-Anal Tripe (Different Recording)
03 - Excreting Innards (Different Recording)
04 - The Pallor of Unliving Flesh
05 - Perverse Innard Infestation (Different Recording)
06 - Masterpieces (Totally Different Arrangement)
07 - In My Human Slaughterhouse (Demo Version)
08 - Deathmask (Demo Version)
09 - Schizo (Venom Cover)
10 - Interlude: A Cacophonous Cresendo of Cadaverous Crepitation
11 - Septicemia (Live On The Radio)
12 - Vagitarian (Live On The Radio)
13 - Necrovores: Decomposing The Inanimate (Live On The Radio)
14 - The Naked and The Dead (Live On The Radio)
15 - Enucleation (Live On The Radio)
16 - Bone Fucker (Live On The Radio)
17 - Rancid Fermenting Stench
18 - Lacerated and Molested Necro-Vagina
19 - Intercourse With A Limbless Cadaver (1993 Version)
20 - Interlude: A Disgorged Dirge of Dire Detrunctation
21 - The Pallor of Unliving Flesh
22 - Bleeding Heap of Menstrual Carnage (1993 Version)
23 - In The Throes of Ecstasy
24 - Sickening Colotomic Surgery
25 - Bleeding Heap of Menstrual Carnage (1996 Version)
26 - Necro-Fornicator (1994 Version)
27 - Material Girl (Madonna Cover)


 Garbage Daze Re-Regurgitated (2005)

01 - A Reflection (The Cure Cover)
02 - All Murder, All Guts, All Fun (Samhain Cover)
03 - Pay To Die (Master Cover)
04 - The Power Remains (Amebix Cover)
05 - Uninformed (Unseen Terror Cover)
06 - No Quarter (Led Zeppelin Cover)
07 - Trapped Uunder Ice (Metallica Cover)
08 - Necrophilia (GBH Cover)
09 - The Ghoul (Pentagram Cover)
10 - In Fear We Kill (Epidemic Cover)
11 - Twisted Face (Sadus Cover)
12 - Drop Dead (Siege Cover)


 Something Sickened This Way Comes/To Clone and To Enforce (Split) (2006)

01 - Exhumed: Something Sickened This Way Comes
02 - Exhumed: Consumer Or Consumed
03 - Exhumed: Life_ (Napalm Death Cover)
04 - Ingrowing: Biomechanized
05 - Ingrowing: Dance of Submission
06 - Ingrowing: Total Dismemberment of A Female Corpse (Regurgitate Cover)


 All Guts, No Glory (2011)

01 - All Guts, No Glory
02 - As Hammer To Anvil
03 - Your Funeral, My Feast
04 - Through Cadaver Eyes
05 - Death Knell
06 - Distorted and Twisted To Form
07 - I Rot Within
08 - Dis-Assembly Line
09 - Necrotized
10 - Funereality
11 - So Let It Be Rotten... So Let It Be Done

Bonus CD:
01 - The Way of All Flesh
02 - Unclean
03 - To Wake The Dead
04 - Cold Caress
05 - Necromaniac (2011 Version)
06 - Forged In Fire (Formed In Flames) (2011 Version)


 Necrocracy (2013)

01 - Coins Upon The Eyes
02 - The Shape of Deaths To Come
03 - Necrocracy
04 - Dysmorphic
05 - Sickened
06 - (So Passes) The Glory of Death
07 - Ravening
08 - Carrion Call
09 - The Rotting
10 - The Beginning After The End (Bonus Track)
11 - Not Yet Dead Enough (Bonus Track)
12 - E Pluribus, Mortem (Bonus Track)
13 - Chewed Up, Spit Out (Bonus Track)
14 - Go For The Throat (Bonus Track)


 Gore Metal: A Necrospective 1998-2015 (2015)

CD 1:
01 - Necromaniac
02 - Open The Abscess
03 - Postmortem Procedures
04 - Limb From Limb
05 - Enucleation
06 - Casketkrusher
07 - Deathmask
08 - In My Human Slaughterhouse
09 - Sepulchral Slaughter
10 - Vagitarian 2
11 - Blazing Corpse
12 - Deadest of The Dead


CD 2 - Original 1998 Version:
01 - Necromaniac
02 - Open The Abcess
03 - Post-Mortem Procedures
04 - Limb From Limb
05 - Enucleation
06 - Casketkrusher
07 - Deathmask
08 - In My Human Slaughterhouse
09 - Sepulchural Slaughter
10 - Vagitarian II
11 - Blazing Corpse
12 - Deadest of The Dead
13 - Sodomy & Lust (Sodom Cover)


sábado, 23 de maio de 2015

Woslom - Discografia Comentada

Musicalidade vívida. Thrash Metal que pulsa, que prospera. Em um mundo cada vez mais entupido de bandas com propostas similares, o Woslom consegue a proeza de provar que por mais que a roda já tenha sido inventada há tempos, ela ainda pode ser utilizada de maneiras magníficas. Não é à toa que o grupo paulistano vem conquistando fãs rapidamente e excursiona no exterior divulgando seus trabalhos.
Está cada vez mais desafiador conseguir se sobressair no cenário musical, ainda mais em se tratando de estilos mais "direto ao ponto" como o Thrash Metal. Mas a magia do Woslom jaz na forma como fazem música, na intensa energia que transmitem, na criatividade composicional e, por que não, na similaridade com o Megadeth e o Metallica em suas mais veneráveis formas, principalmente devido ao vocal de Silvano Aguilera, que oscila num misto claramente influenciado por Dave Mustaine e James Hetfield.
Apesar de ter começado a fazer sucesso somente nos últimos anos, a banda é relativamente antiga, remontando até 1997, quando foi fundada, na capital paulista. A primeira formação consistia em Roger Nociti no vocal e guitarra, Tito na outra guitarra, Chicão Stanich Jr. no baixo e Fernando Oster na bateria, mas diversas alterações aconteceram ao longo dos anos seguintes. No período entre 2000 e 2007, cinco demos foram lançadas, uma delas inclusive composta apenas por covers do Metallica, intitulada "Woslom Remains Metallica", lançada em 2001 e compreendendo seis faixas.
Somente em 2009 o line-up se estabilizou com a chegada do vocalista e guitarrista Silvano Aguilera, que se juntou ao guitarrista Rafael Iak e aos remanescentes da formação original, Chicão e Fernando. O grande tempo sem a concretização do objetivo de lançamento do álbum de estreia acabou por se converter em experiência, que certamente foi constantemente polida e moldada.
A espera e o desenvolvimento da maturidade valeram a pena, pois o debut "Time To Rise", lançado de forma independente em 2010, é uma verdadeira obra-prima do Thrash Metal. O álbum - produzido com maestria, diga-se de passagem - apresenta uma musicalidade tocada com intensidade, vontade e velocidade. É uma energia contagiante passada através de pesados riffs produzidos por acordes constantemente trocados e rápidas palhetadas, solos frenéticos e um vocal de drives incomuns de ouvirmos por aí. O excelente trabalho rendeu positivas críticas de fãs e mídia, consequentemente coroando-os com o título de melhor banda de 2010 pela Metal Militia e Roadie Crew.
No ano seguinte passaram a realizar shows pelo Brasil, divulgando seu trabalho. Assinaram também com a Digital Media Records para a distribuição do trabalho nos Estados Unidos e Europa e na internet através de sites especializados.
Brindando o sucesso, o bom trabalho do quarteto foi recompensado com a primeira turnê europeia em 2012. Cruzando 10 países (como Portugal, Suécia, Holanda e Bélgica), os paulistanos realizaram um total de 25 shows, sendo alguns deles em festivais de verão.
Retornando ao Brasil, concentraram suas atenções na criação de novas canções. Ao fim do processo, entraram no Acústica Studios, em São Caetano do Sul, e gravaram o álbum "Evolustruction", lançado em 2013. Dessa vez a banda está um pouco mais diversa, apostando em solos mais fritados e riffs de momentos mais melódicos, sem deixar o peso ir embora. A alternância de velocidade e cadência mais latente e exercida com grande maturidade. A experiência ao ouvir o primeiro álbum é superior, ao meu ver, mas isso não significa que o nível aqui seja baixo. É mais um grande álbum de uma banda que está voando!
Outra turnê europeia subsequenciou o lançamento, agora passando por sete países, incluindo Rússia. No Brasil também participaram do Panzer Fest, festival organizado pela banda Panzer onde bandas como Nervochaos, Command6 e Forka também dividiram os palcos. Ao fim da turnê, um contrato com a Punishment 18 foi obtido para a distribuição de ambos os álbuns na Europa.
Em 2014 outra baixa na formação aconteceu após a saída do baixista Chicão Stanich Jr., deixando apenas o baterista Fernando Oster como remanescente da formação original. Em seu lugar, Andre Mellado foi convocado, e o quarteto seguiu se apresentando. Atualmente excursionam a Colômbia pela primeira vez. Serão duas semanas de turnê com oito datas marcadas.
Palavras não são capazes de transmitir a noção exata do que esses caras fazem. Dizer que é Thrash Metal para quem ainda não os conhece pode ser vazio. Ficarão com a ideia que sabem o que esperar. Mas não é bem assim. O Woslom faz mágica, pois é muito fácil de gostar! Suas músicas são capazes de agradar, sem esforços, a gregos e troianos, revitalizando uma vertente onde geralmente não temos expectativas de sermos impressionados seriamente.


 Time To Rise (2010)

01 - Time To Rise
02 - Soulless (S.O.T.D.)
03 - Power & Misery
04 - The Deep Null
05 - Mortal Effect
06 - Despise Your Pain
07 - Downfall
08 - Checkmate
09 - Beyond Inferno

Ouvir (Spotify)

 Evolustruction (Single) (2013)

01 - Evolustruction
02 - Time To Rise (Live In Passos de Ferreira, Portugal)
03 - Soulless (Live In Emmen, Netherlands)
04 - The Deep Null (Live In Gothenburg, Sweden)

 Evolustruction (2013)

01 - Evolustruction
02 - Haunted By The Past
03 - Pray To Kill
04 - River of Souls
05 - No Last Chance
06 - New Faith
07 - Breathless (Justice's Fall)
08 - Purgatory
09 - Breakdown (Mad Dragzter Cover) (Bonus Track)
10 - Evolustruction (Extended Version) (Bonus Track)

Ouvir (Spotify)

 Panzer Fest (Compilation) (2013)

01 - Command6: Crush The World
02 - Command6: Dawn of A Man
03 - Forka: Black Ocean
04 - Forka: Empire Surrender
05 - Nervochaos: To The Death
06 - Nervochaos: Pazuzu Is Here
07 - Panzer: Rising
08 - Panzer: Burden of Proof
09 - Woslom: Evolustruction
10 - Woslom: Time To Rise

 A Near Life Experience (2016)

01 - Underworld of Aggression
02 - A Near Life Experience
03 - Brokenbones
04 - Lapses of Sin
05 - Redemption
06 - Unleash Your Violence
07 - Lords of War
08 - Total Speed Thrash
09 - Thrasher's Return

Ouvir (Spotify)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Lagerstein - Discografia

Icem as velas, levantem a âncora, estoquem mais rum que o suficiente e não deixem que a chuva molhe a pólvora, piratas! À bordo do S.S. Plunderberg, através dos céus e em cada taberna que se encontra no caminho, os australianos do Lagerstein fazem da arte do Folk Metal uma grande festa pirata de música e bebedeira! Com uma sonoridade animada, tematizada e divertidas letras, os piratas bêbados garantem por meio de suas próprias histórias uma experiência musical diferenciada e teatral, capaz de te sugar para um universo totalmente distinto onde o rum é tudo o que importa (e, é claro, vingar-se daqueles que o roubam de você).
A tripulação do navio voador S.S. Plunderberg se reuniu pela primeira vez em 2010 na cidade de Brisbane, em Queensland, simplesmente por decidirem que não existem bandas bêbadas suficientes por aí, então algo precisava ser feito. Com raros motins na tripulação, a rotatividade de marujos é pouca ao longo do tempo em atividade. Os baderneiros inicialmente eram compreendidos em Definition of A Viking (Chris) no vocal, The Majestic Beast (Nathan Riedel) e Neil Rummy Rackers na dupla de guitarras, The Immobilizer (Luke Philp) no contra-baixo, The Ax Man (Timothy Edwards) na bateria e Mother Junkst (Joel Orford) na keytar (ou controlador, como é conhecido no Brasil).
Os primeiros desertores foram conhecidos em 2011. O vocalista Definition of A Viking e o baterista The Ax Man provocaram um motim que resultou na imediata expulsão da tripulação. Suas tarefas foram preenchidas por Ultralord (Dale J. Williams) e Oldmate Dazzle (Darren Riedel), respectivamente, e então shows passaram a acontecer em Brisbane e cidades próximas. A receptividade dos curiosos foi grande, muitos até se vestiam de acordo para ir às apresentações. Com a palavra sobre a competência da equipe se espalhando e a primeira base de fãs surgindo, pensamentos sobre o lançamento do primeiro álbum amadureceram.
Por isso entraram no estúdio, gravaram, e lançaram em setembro de 2012, de forma independente, o fantástico e divertido álbum "Drink 'Til We Die". A sonoridade dos piratas é sólida e convincente: à medida que nos divertimos com letras - por vezes de baixo calão - sobre suas próprias lendas à bordo de um navio voador, experimentamos uma sonoridade folclórica guiada por pesadas distorções de guitarra, violões e teclados com efeitos de acordeão. O trabalho nas linhas vocais é fantástico pois, além da notável perícia de Ultralord na alternância entre vocais limpos com vibratos e vocais piratas carregados de drive, ele canta interpretando as letras, de forma bem teatral. Detalhe determinante é que frequentemente os coros dos marujos são acionados, sustentando o clima de determinação e festança. Tornando tudo ainda mais divertido, há trechos cantarolados com descontraídas palavras inexistentes, como em "Dreaded Skies", onde o refrão diz "ya-da-dadada-dah-da-da, we're pirates of the skies!". Sons ambiente também são explorados, como cantorias de piratas bêbados se divertindo, copos, navio rangendo à maré, o som do mar... É um trabalho realmente muito bem feito e com qualidade profissional de gravação. Na primeira audição pode ser que não capte a essência, mas com duas ou três certamente ela vai melhorar bastante!
Em março de 2013 os piratas subiram novamente à bordo do S.S. Plunderberg e cruzaram os céus até a Europa pela primeira vez. Rondaram então o Velho Continente através da França, Suíça, Itália, Espanha, Hungria e Eslovênia com os irmãos piratas do Alestorm e os impiedosos imperadores romanos do Ex Deo, sempre realizando shows lotados.
Ao retornar para a Austrália, conheceram mais um desertor dentro da tripulação. Entristeceu muito o fato de ser o vocalista Ultralord, que buscava novos caminhos na vida. Após vasculhar várias tabernas à procura de um substituto, acabaram encontrando dois, o que aumentou o poder de fogo dos bêbados. O primeiro deles foi o vocalista Captain Gregaaarrr, subsequenciado pelo tecladista Jacob, The Fiercest Pirate In All The Caribbean. Com isso, Mother Junkst passou a se concentrar não apenas na keytar, mas também no violino. De volta com força máxima, carregaram os canhões com pólvora e se prepararam para mais assaltos.
O ano de 2014 foi marcado por shows, muitos deles abrindo para os compadres beberrões finlandeses do Korpiklaani e Finntroll na Austrália, além da banda compatriota Birds of Tokyo. Uma turnê de 12 dias pelo país em conjunto com os guerreiros escoceses do Gloryhammer também aconteceu.
Atualmente a tripulação está trabalhando no segundo álbum de estúdio, que se chamará "All For Rum 'n' Rum For All" e tem previsão de lançamento ainda para 2015. A expectativa é de mais um disco de muita qualidade, principalmente levando em conta que pode acontecer o amadurecimento natural da banda, além de estarem convencidos de que Captain Gregaaarrr é perfeito para a posição. Por enquanto, não há sinais de motim! 
Sintam-se parte da tripulação, voem à bordo do S.S. Plunderberg e fiquem bêbados ao maravilhoso Folk Metal artístico do Lagerstein, que é promissor e tem grandes chances de vir a se tornar um dos gigantes entre aqueles que velejam sob velas negras! Ahoy!


 Drink 'Til We Die (2012)

01 - The Rum Thieves
02 - Dreaded Skies
03 - Harpoon The Sun
04 - Nightmare Ship
05 - Pirate Music Piracy
06 - Plunderberg
07 - Slocken The Rum
08 - Jungle Juice Journey
09 - Beer Bong Song
10 - Drink 'Til We Die
11 - Beer (Reel Big Fish Cover)
12 - I'm On A Boat (The Lonely Island Cover)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

The Winery Dogs - Discografia

Quando a palavra "supergrupo" é mencionada no meio musical, é sempre acompanhada por grandes e positivas expectativas. Não foi diferente com o The Winery Dogs em 2012, quando foi anunciada a união entre três titãs do Rock em Los Angeles, na Califórnia. Mike Portnoy (Flying Colors, Transatlantic, ex-Dream Theater), Richie Kotzen (ex-Poison e Mr. Big) e Billy Sheehan (Mr. Big, ex-David Lee Roth e UFO) formam um poderoso, experiente e técnico trio que faz jus à uma expectativa grandiosa acerca de qualquer coisa que produzam.
Com as funções divididas em Richie Kotzen no vocal, guitarra e teclados, Billy Sheehan no contra-baixo e Mike Portnoy na bateria e percussão, os músicos passaram o ano de 2012 trabalhando nas composições, até que, em dezembro, entraram no estúdio em Los Angeles mesmo para a gravação do álbum debut.
Produzido pela própria banda e lançado em meados de 2013 pela Loud & Proud Productions, as vendagens do disco - que recebeu o nome da própria banda - corresponderam às expectativas, vendendo 10.200 cópias já na primeira semana, alavancando-o para a 27ª posição da Billboard 200. Tanto fãs quanto mídia crítica ficaram muito satisfeitos e retribuíram com positivíssimo feedback, o que não é de se impressionar. Afinal, trata-se de um álbum perfeito nas linhas e entrelinhas, digno do peso que seus nomes representam.
O trabalho pode ser calcado no Hard Rock, mas linearidade é o que menos encontramos aqui. No decorrer do registro nota-se, música a música, diferentes elementos que passeiam através do Progressive Rock, Blues, Alternative Rock, até o Grunge, tudo inserido com extrema inteligência e maestria. Sem mencionar o vocal de Richie Kotzen, que acompanha a aula instrumental com uma aula vocal de técnica e paixão, fazendo parecer fácil cantar como ele, que é incrivelmente versátil. 
Como resultado temos um álbum técnico que combina diversidade e acessibilidade, no mesmo passo em que não deixa escapar aquele clima de se tratar do mesmo álbum, da mesma banda. Não é fritado, nem exagerado. É na medida perfeita. É um trabalho de um projeto que compreende que se tratar de um supergrupo não significa que precise de estruturas complexas e ostensivas nas músicas. Entendem que o sentimento passado através de gostosas músicas é efetivo e já demonstra, por si só, toda a competência.
O trio saiu então em turnê ainda no mesmo ano. O segundo show, realizado no dia 17 de julho em Tóquio, no Japão, foi registrado e lançado em CD e DVD um ano mais tarde. Intitulado "Unleashed In Japan 2013", a versão em DVD trás o concerto completo com suas 20 faixas, enquanto a versão em CD foi embutida como disco bônus da edição especial do álbum de estreia e trás apenas 10 faixas. Entretanto, estou disponibilizando separadamente o áudio do concerto completo para uma completa experiência de vocês da competência desses caras, que tocam ao vivo tão fantasticamente quanto no estúdio.
Esteja pronto para um verdadeiro espetáculo musical que, embora exuberante, é também acessível, de fácil assimilação. Os refrões são grudentos e as canções ficam na cabeça. O The Winery Dogs é um projeto impecável que merece continuidade. Não ouviu ainda por quê?


 The Winery Dogs (2013)

01 - Elevate
02 - Desire
03 - We Are One
04 - I'm No Angel
05 - The Other Side
06 - You Saved Me
07 - Not Hopeless
08 - One More Time
09 - Damaged
10 - Six Feet Deeper
11 - Criminal
12 - The Dying
13 - Regret

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 Unleashed In Japan 2013 (Live) (2014)

01 - Elevate
02 - We Are One
03 - Criminal
04 - One More Time
05 - Time Machine
06 - Damaged
07 - Six Feet Deeper
08 - Mike Portnoy's Drum Solo
09 - The Other Side
10 - Billy Sheehan's Bass Solo
11 - You Saved Me
12 - Not Hopeless
13 - Stand (Richie Kotzen Solo)
14 - You Can't Save Me
15 - Shine
16 - I'm No Angel
17 - The Dying
18 - Regret
19 - Fooled Around and Fell In Love
20 - Desire

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 Hot Streak (2015)

01 - Oblivion
02 - Captain Love
03 - Hot Streak
04 - How Long
05 - Empire
06 - Fire
07 - Ghost Town
08 - The Bridge
09 - War Machine
10 - Spiral
11 - Devil You Know
12 - Think It Over
13 - The Lamb

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Semblant - Discografia

Não há brecha para dúvidas: o Metal é imenso. É global. Sendo assim, existe sempre aquela galera que se reúne e faz um som em qualquer canto do planeta. Muitas vezes o modo como tocam o estilo é subconscientemente influenciado pela cultura do país de onde a banda vem. O Power Metal das bandas alemãs é um pouco diferente daquele executado pelas bandas finlandesas, por exemplo. Outras vezes, mesmo que o som não tenha uma definição cultural, alguns países são peritos em exportar bandas de gêneros específicos. Podemos dizer que é assim com o Black Metal na Noruega ou o Melodic Death Metal na Suécia. A fama de alguns países com alguns gêneros nos leva a, caso busquemos aprofundamento em algo, buscar mais bandas naquele país mesmo. Contudo, isso pode nos fazer esquecer que bandas do mundo inteiro são capazes de fazer qualquer coisa.
A tendência ao buscar bandas obscuras na linha do Symphonic Doom/Gothic Metal pode ser imediatamente "vasculhar a Europa", sobretudo a Noruega devido a bandas como Tristania e Sirenia. Mas por que ir tão longe se temos um representante de peso que percorre caminho parecido aqui mesmo, dentro de casa? Em Curitiba, capital do Paraná, uma banda com extrema perspicácia é capaz de trazer a profundeza exata de uma sonoridade pesada, noturna e vampírica. É o Semblant.
O início dessa consistente banda aconteceu em 2006 por iniciativa do vocalista Sérgio Mazul. No princípio houve dificuldade para solidificar a formação, o que retardou bastante o lançamento de qualquer trabalho. Mas tão logo as coisas se estabilizaram principalmente com a vocalista Katia Shakath para fazer dueto com Sérgio, as coisas começaram a engrenar.
Em 2008 saiu a primeira demo, intitulada "Behold The Real Semblant", que apresenta três canções que certamente são algumas das melhores da história do conjunto. A qualidade de gravação é ótima, permitindo a plena degustação do som já nos estágios iniciais. No ano seguinte saiu a single "Sleepless", trazendo uma faixa inédita (a faixa-título), acrescida pelas canções da demo, porém, em lindas versões acústicas.
Após estabilizar a formação com Everson Choma na guitarra, Leonardo Rivabem no baixo, Phell Voltollini na bateria, J. Augusto nos teclados, além de, claro, Sérgio Mazul e Katia Shakath nos vocais, o quinteto curitibano conquistou um contrato com a Free Mind Records, que lançou o maravilhoso álbum de estreia "Last Night of Mortality". Trata-se de um estupendo registro onde a banda une Symphonic, Doom e Gothic Metal em uma sonoridade reverberada, como dentro de um calabouço. Essa atmosfera subterrânea é sustentada também por teclados que não apenas criam o background mas também participam efetivamente dos arranjos da estrutura musical, em consonância com excelentes guitarras e bateria precisa. A dupla de vocalistas conclui a transmissão da vampírica mensagem por meio de uma convincente alternância entre os vocais limpos e guturais de Sérgio Mazul com os altíssimos vocais de Katia Shakath. O conjunto certamente confeccionou um dos melhores álbuns do gênero.
Assim que o disco saiu, o Semblant voltou a sofrer com problemas na formação, culminando nas saídas de Katia Shakath, Everson Choma e Phell Voltollini. As lacunas foram rapidamente preenchidas por Mizuho Lin como vocalista, Juliano Ribeiro e Sol Perez como dupla de guitarristas e Rhandu Lopez na bateria, fazendo da banda agora um sexteto.
Já de cara nova, os curitibanos lançam em novembro de 2011, de forma independente, o EP "Behind The Mask", um excelente disco que demonstra uma estética do som um pouco alterada. Vemos uma banda de pegada mais seca, de atmosfera menos climatizada e mais pesada. Era o prelúdio do trabalho a ser desenvolvido no próximo álbum.
Na sequência, a saída do baixista Leonardo Rivabem em 2012 causa nova turbulência no line-up, travando o progresso da banda. Mesmo sem baixista fixo, ainda entraram em estúdio para a gravação da single "Throw Back To Hell", que saiu em meados daquele ano, estrelando apenas a faixa-título. Logo depois foi a vez do baterista Rhandu Lopez deixar o grupo.
Devido a instabilidade, levou mais dois longos anos até finalmente podermos apreciar um novo álbum de estúdio. No entanto, aliados a João Victor no baixo e Thor na bateria, sai em 2014 - quatro anos após o debut - o álbum "Lunar Manifesto", via Shinigami Records. Desenvolvendo aquilo inicialmente demonstrado no EP "Behind The Mask", aqui podemos testemunhar uma banda que mistura diferentes influências, desembocando numa musicalidade mais bruta e seca. A instrumentação se mostra mais técnica, com um trabalho de bateria excelente, pesadas distorções de guitarra que ganham os holofotes com técnicos e velozes solos, além de teclados densos e épicos. Os vocais também roubam a cena; Mizuho Lin é uma talentosa vocalista de voz mais encorpada e tom mais baixo do que o da Katia Shakath, embora também ocasionalmente eleve o tom. Seu lúcido controle vocal contrasta com os de Sérgio Mazul, que agora tem seus vocais limpos mais acionados, sem que isso signifique necessariamente redução da participação dos guturais fechados e rasgados. A soma dos fatores resultou em um álbum de Symphonic Metal com vários elementos como Death Metal, Thrash Metal, Gothic Metal e Melodic Death Metal inseridos em diferentes trechos. A estrutura das linhas vocais em algumas passagens e refrões tendem a algo mais comercial. É harmônica, de fácil assimilação, não significando ser um ponto negativo, entretanto. Álbum realmente excelente.
O Semblant é mais uma prova de peso que o Metal não está regredindo ou morrendo. Muito pelo contrário. É mais um talentoso conjunto de uma inspirada geração de grandes bandas nacionais que buscam seu espaço com paixão e muita competência. Além de toda a qualidade, esses curitibanos saciam aquela vontade de ouvir algo na linha dos projetos de Morten Veland, The Sins of Thy Beloved e bandas similares. Sonoridade apaixonante! Mesmo se você não é por dentro do gênero, há muita chance de aprovar o que é feito pelos caras. Metal de primeira linha!


 Behold The Real Semblant (Demo) (2008)

01 - Black Babylon
02 - Forever Failure
03 - Legacy of Blood


 Sleepless (Single) (2009)

01 - Sleepless (Album Version)
02 - Forever Failure (Acoustic Version)
03 - Black Babylon (Scoustic Version)
04 - Legacy of Blood (Acoustic Version)


 Last Night of Mortality (2010)

01 - Last Night of Mortality
02 - Nightmare World
03 - Black Babylon
04 - Evilbringer
05 - Forever Failure
06 - Sleepless
07 - Legacy of Blood
08 - The Neptune Effect
09 - Deep In Dark Waters
10 - End of Dusk (Legacy of Blood Pt. II)


 Behind The Mask (EP) (2011)

01 - Behind The Mask
02 - Beautiful Carnage
03 - The Undead
04 - 11:11 - The Door Is Open


 Lunar Manifesto (2014)

01 - Incinerate
02 - Dark of The Day
03 - What Lies Ahead
04 - The Shrine
05 - Bursting Open
06 - Mists Over The Future
07 - The Hand That Bleeds
08 - Selfish Liar
09 - Ode To Rejection
10 - The Blind Eye
11 - Scarlet Heritage (Legacy of Blood Pt. III)