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sábado, 28 de janeiro de 2017

Pop Javali - Live In Amsterdam (Live) (2016)

Banda: Pop Javali
Álbum: Live In Amsterdam (Live)
Ano: 2016
Gênero: Hard 'n' Heavy
Origem: Americana, São Paulo - Brasil
Membros: Marcelo Frizzo (vocal e baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmunssen (bateria).

Imagine se aquela banda que você formou com seus amigos há muito tempo atrás tivesse continuado. Imagine a formação estável, a camaradagem e o comprometimento sempre pulsantes, com muitos shows, mesmo que locais em sua maioria, e muitas histórias para contar. Imagine que insano permanecerem juntos por 20 anos e só depois de todo esse tempo todo lançarem o primeiro álbum de estúdio! Pense mais além: que depois do segundo disco, você e seus amigos seriam recompensados com uma turnê pela Europa para divulgar o trabalho!

Pois é. Essa é a ponta do iceberg da longa história do Pop Javali, banda de um genérico Hard Rock oriunda de Americana (SP) e em atividade desde 1992. O ótimo debut "No Reason To Be Lonely" foi lançado apenas em 2011, mas recompensas maiores passaram a ser recebidas somente após o amadurecido disco subsequente, que foi produzido pelos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin) e foi lançado em 2014 sob o título "The Game of Fate".

O fruto mais marcante do trabalho foi levar o trio Marcelo Frizzo (vocal e baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmunssen (bateria) para fora do Brasil pela primeira vez em outubro de 2015, em uma bem-sucedida e marcante excursão para a realização de nove shows, passando por Inglaterra, Alemanha, Suíça, Itália e Holanda. Entre os 'achievements' dentro desses próprios 'achievements', estão o show no Cart & Horses, em Londres (lá mesmo, onde o Iron Maiden fez seu primeiro show, em 1976), e o show no belo The Waterhole, famosa casa/bar de shows de Rock em Amsterdã (Holanda). Essa apresentação foi captada e lançada, em setembro de 2016, em forma de disco, resultando no primeiro trabalho ao vivo do Pop Javali: o sugestivo "Live In Amsterdam", tema dessa publicação.

Claro, não foram todas as canções tocadas que fizeram parte do set do disco. Apenas oito foram selecionadas (intro inclusa), todas originalmente lançadas em "The Game of Fate", totalizando 31 minutos de uma ótima apresentação ao vivo. Como se trata de uma casa de shows fechada, a acústica funciona diferente, por isso dá pra sentir aquele "confinamento" do som (reforçado pela produção e captação, que poderiam ser melhores), algo diferente do que costuma acontecer em muitos shows open air. Mesmo com esse leve entrave, a experiência de ouvi-los é muito boa.

Mesmo ao vivo, o som não ficou mais pesado do que o é originalmente em estúdio, até pelo fato da banda contar com apenas uma guitarra. Por falar mesmo nela, a performance de Jaéder é excelente, mas aquela segunda guitarra faz falta, especialmente nos momentos dos solos, que são matadores mas poderiam ser potencializados por bases distorcidas. Mas... é pedir demais. É um trio. Por outro lado, isso os torna autênticos.

Interessante mesmo é que essa autenticidade ao vivo demonstra o quão sincero é o som dos paulistas. Não tem falsidades, milagres de estúdio, nada disso. O que é ouvido no disco de estúdio é ouvido também ao vivo, inclusive na timbragem alta do característico vocal de Marcelo Frizzo, que muito lembra, aos meus ouvidos, os de Phil Collins (Genesis). Sua performance é excelente, e ainda mais agressiva, em determinados momentos - especialmente da metade em diante. Faz questão de aplicar alguns drives no vocal, elevar um pouco mais o tom, provavelmente pela felicidade do momento e pela excelente recepção do público presente, algo que pode ser claramente percebido com os aplausos ao fim de cada canção.

Se a banda fez uma boa apresentação, isso é graças ao conjunto em si. Logo, apesar de não haver grandes desafios na bateria, Loks Rasmunssen também deve ser parabenizado pelo sólido trabalho no instrumento.

A bem da verdade: o Pop Javali não é espetacular. Porém, é bem gostosa de ouvir, porque parece profunda, introspectiva. Para quem gosta de um Hard Rock mais 'soft', 'easy', com contornos menos delineados e mais genéricos, vale dar uma chance aos power trio, que claramente recebe influências do Dr. Sin.

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01 - Intro
02 - Road To Nowhere
03 - Free Men
04 - Lie To Me
05 - A Friend That I've Lost
06 - Wrath of The Soul
07 - Time Allowed
08 - I Wanna Choose

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Broken Jazz Society - Discografia Comentada

Em uma época atida a nomenclaturas, onde se lê a manchete e não a matéria, títulos e rótulos podem dizer pouco ou nada sobre algo. É claro - tudo nos causa uma expectativa inicial. É involuntário. Então o que se espera de uma banda chamada Broken Jazz Society? Jazz, correto? Se pensou que sim, eis o primeiro equívoco.

Fundado em 2013 em Uberada, no Triângulo Mineiro, o trio Mateus Graffunder (vocal e guitarra), João Fernandes (baixo) e Felipe Araújo (bateria) se dedica a um estilo ainda bastante incomum em terras brasileiras, estando mais relacionado às marcantes regiões desérticas dos Estados Unidos, como Califórnia, Nevada, Texas: o Stoner Rock. Se você já formou uma consolidada expectativa do som dos caras, como se ele fosse puramente Stoner, aí está o segundo equívoco.

É daí que vem o título da banda - quebra de rígidos padrões sociais e profissionais, evitando pré-delinear seu caminho musical com balizas rotulares, correções digitais e quaisquer medidas que tornem a obra superficializada, uma mentira.

Mais saudosistas nos métodos de composição, gravação e planejamento gestual, os mineiros já trataram de gravar, à sua maneira, o primeiro álbum de estúdio, com apenas um ano de união. Dessa forma, surge em 2014, de forma independente e lo-fi, o disco de estreia "Tales From Purple Land".

Embora seja lo-fi, gravado com os poucos recursos que tinham à disposição (iPad com apogee jam e três microfones), o resultado ficou melhor, em termos de produção, do que o baixo financiamento leva a acreditar. A obra conta com oito faixas que totalizam rapidíssimos 23 minutos de duração que até estranham de primeira, por alguns fatores. Primeiro: o vocal de Mateus Graffunder é ligeiramente nasalado, e mais alto e agudo do que comumente se encontra no Stoner. Honestamente, não parece compatível num primeiro momento; mas a má impressão logo passa quando se acostuma ou compreende a proposta. Segundo: é Stoner? Certamente. Mas é mais alto astral do que a intuição diz.

Essa pegada mais animada do trio se dá necessariamente pela quebra de normas. "Tales From Purple Land" tem um 'quê' sessentista que dá um aspecto nostálgico à atmosfera, transportando o ouvinte a outro tempo e lugar. O Stoner Rock, além de determinados riffs sabáticos, recebe roupagens clássicas de Blues, Rock Psicodélico e as formas mais rudimentares de Hard Rock, o que torna o Broken Jazz Society uma banda ainda mais excêntrica tendo em vista sua origem.

Claro, a musicalidade tem distorções um tanto saturadas demais, baixo estrondoso e uma bateria correta - porém reta -, mas é engraçado como tudo isso, quando somado, deu certo. O disco é bom (melhora bastante se ouvido repetidamente) e os solos com distorção soam absolutamente clássicos e prazerosos.

Fechando o ciclo, vem dois anos mais tarde o segundo trabalho dos caras - mas não um álbum -: o EP de três faixas "Gas Station". De melhor produção, o disco tem canais mais dinâmicos, balanceados, e uma sonoridade mais encorpada, deixando essa história de lo-fi no passado. Das três canções, duas são inéditas e outra é regravação de "Riot Spring", que inclusive foi escolhida como single e recebeu um videoclipe muito bem produzido.

Em "Gas Station", o conjunto apresenta uma sonoridade mais pesada e segura, com esmagadores riffs sabáticos que são até dançantes, de certa forma. Recebendo influências de Grunge e Alternative Rock, a musicalidade se mantém, em certos momentos, em tempo mais rápido que o comum para o Stoner, mas sem desvirtuações drásticas. O equilíbrio entre base e estilos satélites é muito bom. Frequentemente, cadência e pegada têm suas alternâncias e desembocam em refrões intensos e até sentimentais.

Embora tenha coerência com o estilo dos caras, de um ponto de vista micro, "Gas Station" tem diferenças em relação a "Tales From Purple Land", e a combinação de fatores deu certo e tornou o segundo trabalho melhor do que o primeiro.

"Gas Station" foi gravado no 106Studio, em Uberaba mesmo, e a mixagem/masterização foram realizados por Gustavo Vazquez (Black Drawing Chalks, Uganga) no Estúdio RockLab, em Pirinópolis (GO).

O Broken Jazz Society ainda não está em sua melhor forma, mas com o mais recente EP, ganhou contornos realmente mais promissores. Infelizmente, não é - ainda - daquelas bandas que cativam de primeira, mas repetidas ouvidas atentas dão brilho a uma proposta pensada e bem executada. Portanto, para quem gosta de Stoner e gostaria de ver algo brasileiro no estilo, vale a dedicação aqui.

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Assessoria de Imprensa: Som do Darma
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 Tales From Purple Land (2014)

01 - Addicted
02 - Ivansible
03 - Riot Spring
04 - Devil's Shoulder
05 - Swim In The Deep
06 - La Venganza
07 - Summer Superstition
08 - Don't Care At All

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 Gas Station (EP) (2016)

01 - Gas Station
03 - Mean Machine

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