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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dying Suffocation - Discografia Comentada

A cidade é Pato Branco, no interior do Paraná, mas lá existe uma banda que pinta o nome do município em cores mais sombrias, contrariando a ideia radiante de paz e tranquilidade que o nome transmite. Essa banda é o Dying Suffocation, cuja sonoridade tem como proposta exatamente a asfixia da luz para dentro da escuridão, levando-a para uma dimensão densa, ofegante e obscura.

Fundada em novembro de 2014, a banda procura concretizar a negra proposta através da execução de um pesado e cadenciado Doom/Death Metal, como pouco se vê em solo brasileiro. O trio fundador era composto por Alex Habigzang na guitarra, André Kichel no baixo e Jorge Kichel na bateria. Em pouco tempo, a formação engordou com as chegadas do vocalista Cláudio Daniel e do guitarrista Fábio Conterno já no início de 2015, fechando a formação que lançaria, já em agosto daquele mesmo ano, o primeiro trabalho do conjunto: a demo "Dying Suffocation", de duas músicas.
Um dos frutos dessa demo foi o lançamento do videoclipe 'homemade' da faixa "The Angels", que obteve boa repercussão no exterior e culminou em sua inclusão na coletânea "Son of Carnival of Carnage", lançada pela Terrorizer, revista britânica de Rock/Metal.

Alguns meses mais tarde, em dezembro de 2015, mais um pequeno disco independente é lançado pelos brasileiros: agora é a vez de "When I Die", o primeiro EP da discografia. Gravado no Studio Musical Box, localizado em Pato Branco mesmo, e produzido pela própria banda em parceria com Júlio César, "When I Die" é uma obra de quatro faixas que totalizam 32 minutos de duração. Entre as faixas presentes, duas já faziam parte da demo anterior ("The Angels" e a faixa-título), mas foram regravadas, e outras duas ("In Search of Salvation" e "Rivers of Blood") são totalmente inéditas.

Instrumentalmente, os paranaenses fazem aquilo que o Doom Metal se propõe a fazer: entregar riffs bem distorcidos, cadenciados e sujos, remetendo claramente à forte influência tradicional que o Black Sabbath de seus primeiros tempos exerce sobre eles. Embora apresente também "Death" no rótulo, este não aparece com grande ênfase na sonoridade, tornando-a mais Doom mesmo. A pegada obscura e bastante cadenciada torna as músicas algo para se ouvir como plano de fundo, já que facilmente envolve o ouvinte em uma aura turva e cavernosa. Por vezes, a a musicalidade lembra a bandas de Funeral Doom Metal, como o Ahab. Um metrônomo um pouco mais lento tornaria possível alterar o rótulo.

Se a imersão provocada é um ponto positivo, outro nem tanto é a duração das faixas, que geralmente chegam a quase 10 minutos de duração. Quer dizer, não haveria problema algum na duração delas se os riffs variassem de andamento e composição no decorrer desse tempo. Certamente, eles são marcantes, memorizáveis - o que auxilia a gostar da banda -, mas o prolongamento da postura torna a experiência um tanto cansativa, por vezes monótona - ao menos pra mim, que tenho preferência por algo mais pegado, sem que isso signifique não gostar de cadência de vez em quando. Um pouco mais de inserção de Death Metal e a sonoridade ganharia mais vigor, e as passagens variariam, de maneira mais ou menos similar ao que faz o Swallow The Sun (apesar do lado Death dos finlandeses ser mais puxado pro melódico).

Sobrepondo a postura "sabática" do instrumental, vem o excelente e cavernoso gutural de Cláudio Daniel, que sutilmente varia entre imprimir guturais fechados e guturais rasgados e abertos. É nas vozes que a veia Death Metal definitivamente se manifesta, porém, em coerência com a proposta, também de maneira cadenciada. Sua técnica a grande responsável por coroar e mortificar a densidade instrumental, conferindo a ela uma aura demoníaca. Em perfeita sincronia com o instrumental, suas linhas também não variam muito o andamento - afinal, trata-se de um imersivo Doom Metal.

O trabalho foi bem aclamado pela crítica brasileira e internacional, rendendo inclusive a participação em mais coletâneas, como a Extreme Hell Vol. 2 e a Roadie Metal Vol. 8.

Dentro do que o Dying Suffocation se propõe a fazer, é certo que o faz bem, e o público-alvo há de concordar sem receios. Está no caminho certo, e se a banda seguir ativa, boas obras de Doom Metal eventualmente serão lançadas, tendo como aliada a natural maturidade que os anos de união e refinamento do projeto concedem. No entanto, ainda está relativamente crua - mesmo dentro da crueza óbvia do esquema - e música longa com quase o mesmo andamento o tempo todo não é característica que me prenda, mas por uma questão pessoal. Os adeptos do estilo discordarão prontamente.

Atualmente, a banda vem reestruturando seu line-up, que sofreu baixas em 2016 com as saídas do vocalista Cláudio Daniel e do guitarrista Fábio Conterno. Para as seis cordas, Dianriel Duarte foi recrutado, mas o posto de vocalista segue, por enquanto, vago. O Dying Suffocation promete novidades em breve. Uma delas provavelmente diz respeito ao novo vocalista, e outras serão referentes ao álbum de estreia, que já está tomando forma. Ele se chamará "In The Darkness of Lost Forest" e talvez saia ainda em 2016.

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: contato@dyingsuffocation.com.br

Assessoria de Imprensa: Sangue Frio Produções
E-mail: contato@sanguefrioproducoes.com


 Dying Suffocation (Demo) (2015)

01 - The Angels
02 - When I Die

Ouvir (Site oficial)

 When I Die (EP) (2015)


Ouvir (Site oficial)

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