Social Icons

segunda-feira, 7 de março de 2016

Unmasked Brains - Discografia Comentada

Uma banda que não soa exatamente original, autêntica, não significa que ela seja ruim. A maioria das bandas soam como outras, e ainda assim tem muita coisa boa por aí. Mas quando uma banda realmente tem personalidade própria, uma auto-essência, ela já se torna digna de uma atenção mais especial e cuidadosa. Muito se requer que um som original seja feito, como se isso fosse fácil. Enquanto algumas se lançam em uma cruzada musical para encontrar sua identidade, outras já a trazem naturalmente em seu DNA desde os primórdios. Uma dessas bandas de identidade inconfundível provém do Rio de Janeiro e se chama Unmasked Brains.
Favorecidos por um entrosamento de longa data alimentado desde bandas anteriores, o quarteto carioca fundamenta sua sonoridade em um Thrash Metal influenciado por diversas outras vertentes que resulta em uma sonoridade absolutamente distinta. Singulares da vestimenta à música, os experientes músicos agitam a cena carioca e fluminense por meio de músicas compostas com minuciosidade cirúrgica.
Embora o lançamento do debut "Machina" tenha acontecido em 2014, o início do Unmasked Brains se deu 21 anos antes, em 1993. Naquela época, Reinaldo Leal (vocal e guitarra), LGC (guitarra), Daniel Kulless (baixo) e Élcio Pineschi (bateria) faziam parte da banda Milícia Armada, que executava Hardcore. Contudo, decidiram formar uma banda paralela visando dar voz às fortes influências que os gigantes do Thrash Metal exerciam sobre eles. Desse genérica jeito nasceu o Unmasked Brains.
Rapidamente algumas composições foram concluídas naquela época, desembocando no lançamento de uma fita-demo batizada com o próprio nome da banda em 1994. Interessantemente contendo sete faixas, percebe-se como a voz de Reinaldo, em plena juventude, tinha mais facilidade para cantar mais alto e aplicar drives (e isso não significa que, 20 anos mais tarde, seu vocal tenha deteriorado, mas a postura nitidamente tem certas diferenças). A qualidade da gravação condiz com as limitações da época, ainda mais se tratando de uma banda nova, mas os primeiros passos são assim mesmo.
Apesar do entrosamento e da fluidez das composições, a banda acabou encerrando suas atividades por volta de 1998. Um longo período de silêncio se sucedeu, deixando a entender que a banda nunca voltaria. Porém, 13 anos mais tarde, em 2011, esse silêncio foi quebrado, momento em que aquela aquela mesma formação dos anos 90 decidiu revitalizar a proposta, compôr novo material e lançar o merecido álbum de estreia.
Todavia, ainda antes de lançarem qualquer coisa, o baixista Daniel Kulless decidiu sair de cena. Foi então que outro amigo de longa data preencheu o posto: Denner Campolina. Talentosíssimo, o músico conta com formação clássica em seu currículo e é membro da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Foi então que emergiu, em 2013, a nova demo "Turning On", lançada virtualmente. Entre as seis faixas que compõem o setlist, apenas duas são inéditas: a "intro", que apresenta sons mecânico-robóticos, e "A Máquina". As demais foram regravadas da primeira demo, recebendo roupagens polidas e modernas - a cara do Unmasked Brains, que se consolidaria pouco depois no disco de estreia.
E esse disco de estreia foi apresentado logo no ano seguinte, lançado de forma independente. "Machina" é basicamente um questão de honra, de coroação das músicas anteriormente compostas. Em seu set de 45 minutos de duração distribuídos ao longo de nove músicas, apenas duas são inéditas: "Numbers" e "Cloistered Life". As demais já eram conhecidas das demos anteriores, mas receberam regravações, naturalmente, principalmente aquelas reaproveitadas da demo de 1994.
Musicalmente, toda a identidade da banda é exalada com naturalidade em cada acorde - sem exageros. É interessante como um Thrash Metal muito bem tocado sustenta a base instrumental, mas voos são alçados também para gêneros como Progressive Metal e Heavy Metal, muitas vezes motorizados por características Speed. Esses estilos são comuns, mas a forma como são compostos aqui, não. Cada elemento instrumental recebe atenção especializada. Basta prestar atenção na técnica empregada nos arranjos de guitarra, no belo trabalho em suas construções. Essa pegada técnica se estende às linhas de baixo, sempre pulsantes, e também à bateria, muito bem explorada sem que isso signifique se sobressair aos demais instrumentos, como acontece em bandas de ênfase de fato mais técnica.
Definitivamente destacáveis são os solos de guitarra, já que neles reside uma das principais características da banda. São frequentes, viçosos, empregados de uma forma que poucos fazem: apostando em um efeito mais limpo e descontínuo, gerando solos de notas quebradas, como que se solando em um violão. Essa abordagem confere um clima erudito à atmosfera.
O vocal de Reinaldo Leal, por sua vez, demonstra ter amadurecido, o que é esperado. Mas seu timbre continua apresentando fácil tendência a tons mais altos, e eles são explorados no álbum. De vez em quando, imprime um fundo de drive na voz, ou por vezes chega a rasgá-la commpletaente, como em alguns raros backing vocals (recurso pouquíssimo explorado pela banda), mas, de geral, canta plenamente limpo. Aliás, sua voz também atribui uma singularidade forte à banda, e a composição das linhas vocais aguça isso. É até meio cibernético. A mixagem deixou o vocal um tanto baixo, levando a haver certa confusão entre ele e o instrumental em meio à rápida pronúncia das palavras. Chega até ser difícil entender o que é dito, mesmo quando a canção é cantada em português, como no caso de "A Máquina". Ainda assim, é apenas um detalhe e pode ser que, se fosse diferente, ficaria estranho.
"Machina" é repleto de constantes músicas fortes, extremamente bem arquitetadas e vigorosas. É fácil sentir a energia, ainda mais com a excelente produção realizada no estúdio Ponto4 Digital, que valorizou a atenção minuciosa dada pela banda ao grandioso instrumental. Já a capa é de autoria do artista brasileiro Jobert Mello, que já inclusive trabalhou com bandas como Sabaton, Primal Fear, Hagbard, além de muitas outras. Ela reflete bem a identidade visual da banda, com alusões mecânicas.
A vestimenta e toda a empolgada postura são levados também para os shows, incitando frequentes rodas Punk. Os traços verdes das roupas brilham ao reflexo da luz, e o cabelo artificial do guitarrista LGC contém pequenas lâmpadas em seu interior, que piscam incessantemente. Fica especialmente maneiro nos momentos em que o palco fica pouco iluminado - o cabelo e os contornos de sua máscara se destacam vivamente, transmitindo uma visão robótica e até mesmo macabra.
O Unmasked Brains é, definitivamente, uma banda única da vestimenta à musicalidade, e igual competência única é transmitida nos palcos. Se está a fim de ouvir algo diferente e realmente bom, não há por que não dar uma chance aos cariocas e auxiliá-los a continuarem movimentando o underground carioca e fluminense e, por que não?, o dos demais estados.

|    Official Website    |    Facebook Page    |    Twitter    |    Soundcloud    |
|    ReverbNation    |    YouTube Channel    |    Instagram    |


 Unmasked Brains (Demo) (1994)

01 - Intro/The End
02 - The New Order of Disorder
03 - Lost Control
04 - Corrupt
05 - Life Has No Meaning
06 - Little God Ivory
07 - Controversies of The War

Download (link direto do site da banda)

 Turning On (Demo) (2013)

01 - Intro
02 - A Máquina
03 - The New Order of Disorder
04 - Corrupt
05 - Lost Control
06 - Little God Ivory (Live)

Download (link direto do site da banda)

 Machina (2014)

01 - Numbers
03 - A Máquina
04 - Cloistered Life
05 - Lost Control
06 - Controversies of The War
07 - Little God Ivory
08 - Life Has No Meaning
09 - Corrupt

Download (link direto do site da banda)
Ouvir (YouTube)
Ouvir (Soundcloud)

Nenhum comentário:

Postar um comentário