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terça-feira, 22 de março de 2016

Grey Wolf - Discografia Comentada

Se observarmos a história da humanidade até agora, vemos que a modernidade não substitui a tradição - ambos os conceitos apenas coexistem, como bem sabem os historiadores e sociólogos, ou pelo menos os que não seguem a escola durkheimiana. Isso dificilmente mudará, a não ser que o indivíduo tenha uma visão progressista da história. Igualmente à nossa própria história como sociedade, a "micro-sociedade" do Heavy Metal também apresenta uma clara dicotomia entre sonoridades tradicionais e modernas e, mesmo sem perceberem, muitos têm visões progressistas que, aliadas a um provável limitado conhecimento de bandas, pensam que o tradicional foi abandonado, que não é mais apreciado e bandas nessas linhas não mais surgem. Mero engano.
Em meio a tantas bandas com postura mais moderna, surgem também aquelas que optam por enfatizar o clássico, trazendo à tona suas influências mais básicas. Em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (Minas Gerais), é possível encontrar um bom representante da velha safra do Heavy Metal, capaz de suprir os anseios mais nostálgicos dos headbangers mais velhos, e apresentar o antigo a um novo público. Seu nome é Grey Wolf.
Fundada em 2012 pelo vocalista e baixista Fabio "Grey Wolf" Paulinelli, a banda se inspira intensamente nas vanguardas britânica e alemã, fazendo com que a sonoridade soe uma mistura de NWOBHM com características germânicas, aliada ainda a certo epicismo manifestado tanto no conteúdo lírico, por vezes inspirado em Conan, O Bárbaro, quanto em áudios ambiente, geralmente extraídos de filmes, remontando ao amanhecer do Power Metal.
Os dois primeiros anos já marcaram grande movimentação no Grey Wolf. A formação era difícil de estabilizar, por sinal. Mesmo assim, diversas demos saíam nesse espaço de tempo, cada uma delas com faixas distintas, contribuindo para que a banda mineira já tivesse, logo no início da carreira, um repertório autoral com um bom número de músicas.
Certamente isso contribuiu para a agilidade com que os dois primeiros álbuns foram lançados. O primeiro, batizado com o nome da própria banda, saiu já em 2014 de forma independente - e viria a ser relançado em novembro de 2015 pela Stormspell Records. "Grey Wolf" conta com um repertório de 10 faixas, todas selecionadas das demos lançadas entre 2012 e 2013, porém, regravadas no home studio do guitarrista Rudolf, que completava a formação ao lado do fundador Fabio e o baterista F. Thorgrim.
Mixado por Fabio "Grey Wolf" e masterizado por Rudolf, o álbum é rápido (32 minutos de duração), mas suficientemente efetivo em musicalidade e duração para convencer o ouvinte com sua sonoridade tradicional e uma excelente produção suja que realça esse aspecto. Os riffs de guitarra são crus, com arranjos simples, mas bem elaborados, que em cadeia resultam em músicas boas de se ouvir. Esses arranjos apresentam uma natural tendência ao melódico, lembrando o Iron Maiden em vários momentos. Por vezes, a postura se torna um pouco mais acelerada, o que estreita relações com o NWOBHM, trazendo nostalgia até mesmo para quem não viveu os anos 80, principalmente quando as bem trabalhadas linhas de baixo ganham destaque, como manda a cartilha do gênero. Os solos de guitarra aparecem bem, sempre muito bons e técnicos. Não são tão frequentes, nem tão prolongados (até pelas músicas serem rápidas), mas são sempre muito bem-vindos. A influência alemã que pode ser sentida no instrumental é realçada no vocal de Fabio, que é extremamente rasgado, com intensos drives, lembrando de forma muito cristalina ao Running Wild em sua época mais clássica.
Sons ambiente complementam a temática épica e heroica desde a envolvente introdução "Forging A Cimmerian Sword", passando com destaque também pelo ventoso interlúdio "North Winds", além das faixas "300" (com o "ahu!" espartano) e "A Night of Fun" (retratando animadas conversas em uma taberna com música de fundo).
Sem dúvidas, "Grey Wolf" é um excelente e convincente álbum de estreia, e até mesmo a versão física é bonita. Com encarte dobrável, as letras aparecem escritas em um papel de pergaminho, e ao desdobrá-lo inteiramente, vira pôster. O CD também é bonito: é dourado, mostrando o logo da banda e a cabeça de um lobo uivando, ambos em tom de silhueta. Vale a pena ter o material!
Pouco depois, em fevereiro de 2015, é lançado o segundo álbum de estúdio, intitulado "We Are Metalheads". Originalmente lançado de forma independente, também foi relançado pela Stormspell Records mais tarde, em novembro, juntamente com o primeiro. O segundo registro de estúdio, novamente gravado no home studio de Rudolf - também responsável pela masterização, enquanto Fabio se encarregou da mixagem -, seguiu os passos do primeiro em todos os sentidos, inclusive em se tratando de apresentar um setlist composto de músicas já lançadas nas primeiras demos, exceto pela instrumental à base de contrabaixo "In The Frozen Mountains of Vanaheim", que é inédita. Aqui, a banda se resume oficialmente à dupla Fabio-Rudolf, já que o baterista F. Thorgrim, que havia gravado as linhas do instrumento no debut, não está mais presente.
Em qualquer aspecto musical que se queira analisar, não é possível ver lá muitas diferenças em relação ao disco anterior. A mesma fórmula, a mesma atmosfera, a mesma similaridade nas fontes de inspiração temática, tudo está presente em "We Are Metalheads", o que é totalmente compreensível em vista do fato de que as canções aqui contidas foram compostas na mesma época daquelas do disco anterior, como já frisado. Até mesmo o tempo total de duração do trabalho é mais ou menos o mesmo: 35 minutos.
Quando um disco surge das "sobras" de algum outro, a pré-sensação é de que ele será mais fraco, já que as faixas teoricamente mais fortes já teriam sido selecionadas. Contudo, esse não é o caso aqui. A excelência se mantém no mesmo nível ao longo de uma lista de mais 10 canções. Nesses casos, o que define um disco como mais atraente que o outro é simplesmente o gosto pessoal, o apego próprio a determinadas músicas. Por mim, o primeiro, de uma forma geral, é realmente mais pescador de atenções e mais interessante de ouvir, mas "We Are Metalheads" não fica muito atrás, de jeito nenhum - seria até contraditório diante de tanta similaridade.
Assim como "Grey Wolf", o segundo trabalho também é bem bonito na versão física. O encarte, ao invés de dobrável, passa a ser grampeado, o CD é ilustrado com um close no motoqueiro da capa, e o fundo de caixa contém uma foto de Fabio "Grey Wolf" Paulinelli.
Não apenas pela qualidade musical, mas pela beleza dos trabalhos físicos, vale a pena tê-los na coleção. Para adquiri-los, basta entrar em contato com a banda através dos links oficiais fornecidos mais abaixo. Com isso, você dará força a uma banda nacional que aposta numa sonoridade fortemente influenciada por nomes como Running Wild, Grave Digger, Iron Maiden, Manowar, entre outros. Se esse tipo de sonoridade é uma linha muito apreciada por ti, não deixe de conferir esse excelente som brasileiro do ramo!

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IMPRENSA & MERCHANDISING:
E-mail: fabio.paulinelli@bol.com.br


 Grey Wolf (2014)

01 - Forging A Cimmerian Sword
02 - Golden Axe
03 - King Kull
04 - By The Power of Crom
05 - The Elephant Tower
06 - North Winds
07 - 300
08 - A Night of Fun
09 - The Frost Giant's Daughter
10 - Grey Wolf

 We Are Metalheads (2015)

01 - We Are Metalheads
02 - Die By The Steel
03 - Beowulf
04 - A Day of Blood, Steel and Fire
05 - In The Shadows of Stygia
06 - The Singing of The Steel
07 - Thor
08 - In The Frozen Mountains of Vanaheim
09 - The Attack of The Dragons
10 - The Great Sword of Steel

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