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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Metalizer - Discografia Comentada

Muito reclama-se atualmente da saturação de determinados gêneros metálicos. Da aparente falta de inovação das novas bandas, levando-as a se parecerem demasiadamente com suas influências. As críticas são bastante verdadeiras, porém, muitas vezes superficiais, inobservando alguns fatos como o que a música pesada é uma metamorfose e sempre existe aquela parcela que de fato inova (embora os mais tradicionalistas torçam o nariz), e, mais importante ainda, o fato que a maioria das bandas não tem pretensão alguma de reinventar a roda; querem fazer o som que as agrada da melhor forma possível e transmitir a mesma paixão para quem igualmente se identifica.
Quem se importa se o Thrash Metal está saturado? Os paulistas do Metalizer, pelo menos, não. Por isso se dispõem a executar o estilo de forma veloz, resgatando a essência Old School de marcos como Slayer e Destruction, suas mais claras influências. A ascensão do conjunto vem acontecendo lentamente e, embora não sejam o ápice da excelência musical, são extremamente sinceros em seu som e têm vontade de sobra de manter o legado vivo, mesmo diante das desanimadoras adversidade como as frequentes inconstâncias na formação que marcaram os primeiros 10 anos da banda.
Apesar de ser considerado um novo nome no cenário, a existência do Metalizer remonta até muito tempo atrás, desde 2004, ano de sua fundação na cidade de Nova Odessa. As alternâncias no line-up já eram frequentes desde o início, mas a estabilidade foi alcançada brevemente em 2005 com o trio Thiago Agressor (vocal e baixo), Leandro Psicopata (guitarra) e Luciano Lars (bateria), que gravou a modestamente produzida demo "Electric Homicide" no mesmo ano. Mesmo que a qualidade de produção não seja tão boa (guitarras fracas, baixo socado, bumbos da bateria abafados...), as três faixas contidas aqui convencem da qualidade do conjunto. Um Thrash Metal empolgante é executado, recheado de passagens retratando a furiosa velocidade do Speed Metal que, no momento seguinte, convertem-se em um andamento mais cadenciado e batedor de cabeça. Os loops são frequentes e os solos de guitarra se espelham nos momentos de arrancada instrumental, alucinando-se em velocidade e técnica. Enquanto isso, os vocais guturais de Thiago Agressor - dignos de Death Metal - engrossam o peso da musicalidade. Sua postura é um meio-termo entre o gutural fechado e o rasgado, com ocasionais puxadas mais gritadas. Excelente ponta-pé inicial.
Após o lançamento, mais mudanças acontecem com a chegada de Douglas Lima, que substitui o guitarrista Leandro Psicopata. Com isso, o conjunto passa o restante do ano e o seguinte inteiros realizando shows enquanto escreve novos materiais. Essas novas canções entrariam em uma segunda demo, lançada em 2007, intitulada "Weapons of Metalization".
Em quesitos de produção, a nova demonstração pouco avança em relação à primeira, com o acréscimo de que o china da bateria está ainda mais estridente. Só que não incomoda, até porque novamente o Metalizer apresenta excelentes músicas que atestam amadurecimento, embora o vocal já não agrade tanto mais. Instrumentalmente, a banda deu alguns passos adiante. Mostra-se mais madura, compositora de músicas consistentes, pesadas. Desenvolveram muito bem as técnicas de velocidade, gerando músicas ainda mais furiosas. É possível sentir facilmente desde a excelente introdução instrumental. Contudo, Thiago Agressor passa a usar uma voz rasgada mais voltada ao Thrash, que se distancia do gutural anteriormente executado e se fixa no gritado. Evidentemente, tal abordagem não seria um problema se a aplicação não fosse tão alucinada e não conferisse um ar desconexo à maturidade do instrumental. Não caiu legal. Ainda assim, o resultado geral compensa e evidencia a capacidade da banda de aprimorar seus direcionamentos vocais e instrumentais.
Os tempos que se sucederam foram marcados por novas e intensas inconstâncias no line-up, em especial na bateria. Luciano Lars deixou seu posto ao final de 2007, fazendo com que a banda sofresse ao longo dos anos seguintes para fixar alguém na função. O baixista Nilão Bonebreaker chegou no início de 2008, desafogando Thiago Agressor da função e levando-o a se concentrar apenas nos vocais. Mas na bateria as coisas continuavam complicadas. Muitos músicos iam e vinham sem que nenhum realmente se adaptasse. Foi então que, inusitadamente, diante das adversidades, Thiago decidiu assumir a responsabilidade pelo instrumento em 2010, acumulando, portanto, as funções de vocalista e baterista.
O agora quarteto passou então um longo período sem realizar shows, a fim de intensificaro foco em trabalhar na concretização do objetivo de lançar o primeiro álbum completo. Assim que tudo ficou pronto em 2012, entraram no estúdio Radioativo em Sumaré (SP) e iniciaram as gravações. Durante o processo, o experiente vocalista Sandro Maués (baterista do Zênite e Mitra) foi convocado, ainda a tempo de gravar as linhas vocais do vindouro trabalho. Logo, Thiago Agressor passou a se preocupar unicamente com as baquetas. As coisas começavam a funcionar.
Toda a luta para fazer a banda rolar mesmo com os desanimadores desafios foi recompensada com a chegada do excelente debut "The Thrashing Force" em agosto de 2013, quase 10 anos após o nascimento da banda. De lançamento independente e artes gráficas assinadas por Fernando Lima (Drowned), o álbum é sobretudo um compilado de canções antigas e novas, passando a limpo toda a história do suado grupo, porém, regravado com a formação daquele momento.
São apenas 31 minutos totais de duração, mas suficientes para energizar o pescoço com um exímio Speed Thrash Metal. Veloz, acelerado, pesado. "Thrasheira" mesmo. A banda estava em excelente forma e repaginou com sucesso gravações mais antigas, da época das demos. Sandro, com seu agressivo vocal gritado carregado de drives, mostrou-se um positivo sopro da tradicionalidade na banda, tornando intuitiva a lembrança do Slayer. Há espaço até para aplicar vibratos à técnica como na excelente e nervosa "Metalizer (The Thrashing Force)", além de plenos vocais limpos em "Silent Desperation", faixa que fecha o disco e pega de surpresa pelo ritmo inicial mais lento e atmosférico após um álbum inteiro de porrada e energéticos, técnicos e bem encaixados solos de guitarra. Backing vocals são ocasionalmente acionados, mas infelizmente, apesar de explorados pontualmente, seus coros não ficaram tão fortes e chamativos.
O instrumental acelerado dispensa comentários. Tradicionalidade corrida para agradar a qualquer thrasher, com ênfase na vivacidade da bateria, que abusa de viradas e alternâncias. Além disso, os adornos de sons ambiente estreitam a relação do ouvinte com as músicas, já que a introdução instrumental "Trails of A Blood Storm" os explora chamando a atenção para as trovoadas no início. Tiros em "Peace In Pieces", latas se abrindo e arrotos em "Alcoholic Madness", além dos ventos soprando e narração sussurrante em "Silent Desperation" são outras interessantes adições extra-musicais.
É uma pena que a produção continue fraca. Com gravação meio socada, o álbum ficou devendo qualidade, prejudicando a experiência de canções tão intensas e batedoras de cabeça. Seu lançamento é um grande troféu de uma banda que não desistiu, ainda assim.
Diversos shows de divulgação aconteceram na sequência em diversos municípios do Estado de São Paulo e, com eles, a banda colhia boa aceitação do público. Sempre vendendo discos e apresentando excelentes performances, a empolgação para prosseguir com o trabalho se traduzia na composição de novas músicas.
Agora contando com uma formação estável, shows sendo realizados, composições fluindo, álbum lançado, aceitação do público e de contrato com a Black Legion Productions em mãos, tudo começou a acontecer num ritmo mais natural nos bastidores do Metalizer. Prova disso é a rapidez com a qual o segundo álbum de estúdio, "Your Nightmare", foi lançado: já dois anos mais tarde, em 2015. Para a maioria das bandas, um espaço de dois anos entre lançamentos é normal, mas para o Metalizer em especial, é um grande avanço e sintoma positivo.
Gravado no estúdio Mix Music em Amparo (SP) e produzido por Fábio Pereira (Sangrena), esse disco novamente tem produção fraca, ofuscando a percepção da diferente abordagem musical do conjunto. No entanto, a sinceridade sonora permanece intacta. Ao contrário do Thrash soberanamente Speed retratado nos lançamentos anteriores, agora os paulistas possuem momentos mais contidos e rítmicos revelando fortes flertes com o Heavy Metal, reduzindo (mas não extinguindo) as passagens velozes que marcam o estilo da banda. Com isso, a sonoridade passou a lembrar bandas como Metal Church. A construção e o passo das músicas está muito e desenvolvido como a banda já vinha sendo, mas reflete mais uma mudança de postura do que amadurecimento, apesar de que esse último lampeja em diversos trechos.
Amadurecimento mesmo é notado no vocal de Sandro Maués, que está mais apelativo, até teatral. Em alguns momentos sai do canto e vira grito, o que desagrada. Um pouco de direcionamento ajudaria. Porém, não desmerece a frequência com que sua técnica voz agrega positivamente à sonoridade. Variando de tons médios a puxadas mais elevadas - sempre com ariscos drives -, sua abordagem teatral concede interessantes interpretações às canções, principalmente quando canta de uma forma mais falada e inconformada - momento em que seu vocal se assemelha muito ao de Schmier, do Destruction, em épocas antigas.
A bateria de Thiago também apresenta avanços na percepção de momento e exploração de recursos, mostrando-se tão importante quanto o vocal no ritmo.
Embora esse trabalho seja um pouco diferente em relação ao "The Thrashing Force", a banda não permite que certas características escapulam, tais como a essência Old School, sons ambiente (cachorros latem em "Street Dog") e até faixas instrumentais, como "Cause and Effect" - ela que é uma oscilante e madura faixa nessa configuração, inconstante em seu ritmo mas não em sua qualidade. Passeia pela velocidade do Speed Thrash, balanço do Heavy Metal e encerra com violão.
Solos de guitarra são menos abundantes, mas experimentam novas formas de serem executados e convencem.
Mais longo e menos direto, "Your Nightmare" totaliza 41 minutos de duração nos quais foram objeto de muitos elogios. Não estou de acordo com todos, já que, em um contexto geral, prefiro o debut e "Your Nightmare" tem mais aspectos que me desagradam. Mas todos merecidos. Ah, e não feche o seu player ao fim de "Life Is Your Nightmare"; passado pouco mais de um minuto de silêncio, uma hidden track se revela: a regravação de "Thrash General", originalmente lançada na demo "Weapons of Metalization"!
Assim que o álbum foi lançado, um segundo guitarrista chamado Edson Ruy (Rethurno) foi adicionado à formação, convertendo a banda num quinteto.
O Metalizer pode fazer com que várias bandas venham à sua cabeça. Pode não ter uma essência exatamente própria, mas procura fazer com que o ouvinte tenha acesso a músicas de qualidade e se sinta tentado a bangear. Isso basta. Os caras vêm em justo crescimento tendo em vista que sempre lutaram para que a banda acontecessem. Porém, podem e precisam amadurecer ainda mais, principalmente no que diz respeito a produção. Quem sabe no futuro os álbuns não sejam regravados e que os vindouros tenham uma produção mais atrativa? Mesmo assim, a musicalidade tem potencial pra enlouquecer os thrashers que sempre buscam uma pegada tradicional.

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: metalizer_thrash@hotmail.com


 Electric Homicide (Demo) (2005)

01 - Electric Homicide
02 - Rejection
03 - Until The Last Strike

Ouvir (YouTube)

 Weapons of Metalization (Demo) (2007)

01 - Mortal Revelation (Intro)
02 - The Coming of The Storm
03 - Thrash General
04 - Alcoholic Madness
05 - Bleed By My Fist

Ouvir (YouTube)

 The Thrashing Force (2013)

01 - Trails of A Blood Storm (Intro)
02 - Peace In Pieces
03 - Thrashing The Betrayers
04 - Alcoholic Madness
05 - Electric Homicide
06 - Metalizer (The Thrashing Force)
07 - Emptiness
08 - Bleed By My Fist
09 - Silent Desperation

Ouvir (YouTube)

 Your Nightmare (2015)

01 - Weapons of Metalization
02 - My Cage
03 - Street Dog
04 - A Bridge Across Time and Space
05 - Still Alive
06 - Cause and Effect (Instrumental)
07 - Zombified Generation
08 - Wake Up
09 - Preacher of Hate
10 - Life Is Your Nightmare

Ouvir (YouTube)

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