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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dune Hill - Discografia Comentada

A cidade de Recife, em Pernambuco, vem nos últimos anos contribuindo com ótimas bandas para a esfera underground, principalmente no que diz respeito ao Metal. Mas essa ramificação mais pesada não é a única contemplada com novos representantes colhendo boas críticas mídia especializada afora - o Rock em geral também está abocanhando sua fatia.
Os recifenses da vez que atestam essa ideia são os que dão vida à banda Dune Hill e ao seu bom Hard Rock. Com seriedade e bom trabalho, o quinteto já inclusive despertou as atenções de revistas como Roadie Crew, Diário de Pernambuco e até mesmo a Folha de São Paulo, sempre com positivas menções.
Porém, para caminhar adiante, o primeiro passo se faz necessário, e ele foi o da formação da equipe lá em 2009, quando Leonardo Trevas (vocal), Felipe Calado (guitarra), André Pontes (guitarra), Pedro Maia (baixo) e Otto Notaro (bateria) se juntaram e solidificaram o line-up.
Três anos mais tarde, o bem recebido EP "Big Bang Revolution" veio a ser lançado de forma tão independente quanto a sua gravação. Com cinco músicas no repertório e produção satisfatória, o trabalho se mostra bom, mas um tanto inseguro, sem muito carisma. Talvez a questão produtiva influencie nessa concepção. Ainda assim, músicas de potencial como "Heroes" e a faixa-título podem ser destacadas pela ótima construção, solos e refrões fáceis de decorar. Mas tudo isso ainda melhoraria bastante mais tarde, principalmente porque público e mídia receberam positivamente o material e a banda conseguiu visibilidade suficiente para tocar no Festival de Inverno de Garanhuns (um importante evento de Pernambuco), dividir os palcos com bandas como Terra Prima, Enforcer, Dr. Sin e Cangaço e até mesmo apresentar-se no Abril Pro Rock, famoso festival recifense, em 2014.
E por falar no ano, dois mil e catorze foi exatamente mais uma época em que atividades relevantes aconteceram para o Dune Hill; tratam-se do lançamento do álbum de estreia "White Sand", bem como também do primeiro videoclipe, ilustrando a faixa inédita "Miracles".
"White Sand" foi gravado, mixado e masterizado no Mr. Mouse Studio, em Olinda (PE), sob supervisão de Leonardo Domingues, que inclusive empresta suas habilidades nos teclados nas faixas "White Sand Part I", "Miracles", "Revolution 2" e "Soul Love". Já a produção ficou a cargo da própria banda, em parceria com Daniel Pinho. O resultado? Cinquenta e dois minutos de músicas mais vívidas e uma banda mais promissora, madura e convincente.
Realmente a produção redesenhou bem os contornos e texturas das canções, inclusive daquelas que fizeram parte do primeiro EP, que foram todas reaproveitadas e regravadas, ganhando nova cara e energia. O trabalho não é explosivo - pelo contrário, soa até um tanto contido em vários momentos. Mesmo assim, os caras acertaram em cheio em aspectos concernentes a composições vocais, riffs e principalmente nos abundantes solos de guitarra, que são criativos e viçosos, muitas vezes velozes e loucos para tomarem a dianteira.
Apesar do ótimo trabalho, fica-se um tanto desnorteado quanto ao estilo executado. Digo, evidentemente a banda faz Hard Rock, mas é difícil estabelecer uma referência para exatificar com o que eles se parecem - o que implica em autenticidade, porém, que necessita ainda de uma boa esmerilhada. Ali, junto de um Hard Rock de bases frequentemente homogêneas (o dever de casa, em suma), também notam-se elementos de Alternative Rock e Heavy Metal muito bem destilados. Mais interessante ainda é o vocal de Leonardo Trevas, que sobrepõe o instrumental com uma postura incomum para o gênero, já que seu timbre é mais grave e as linhas vocais são muitas vezes compostas de forma semelhante ao Blues, só que de forma bastante natural. Apesar da gravidade, o vocalista frequentemente eleva o tom aplicando drives, demonstrando uma postura um pouco mais agressiva do que aquela do EP, além de melhor trabalhada.
A natural propensão ao Blues de sua voz faz com que as canções transmitam uma sensação de tradicionalidade. Enquanto a maioria das bandas estabelecem sua sonoridade olhando "para frente" em relação aos anos 80, o Dune Hill faz parecer que busca influências dos anos 80 para trás.
"White Sand" realmente ficou ótimo, mas ainda deixa uma sensação de que a banda está à procura de uma sonoridade própria e confortável ao mesmo tempo, cujas composições fluam com mais naturalidade. Não convence 100%: poderia ser mais pesado, mais energético e ter mais atratividade nas camadas mais básicas das canções. Contudo, a audição vale a pena e a banda é merecedora da boa repercussão do trabalho.
Atualmente estão trabalhando no segundo álbum de estúdio, que ainda não tem maiores informações divulgadas. A produção ficará a cargo de Antônio Araújo (Korzus, One Arm Away), que já está acostumado a trabalhar com bandas nordestinas, e a expectativa é de um Dune Hill mais consistente. Recife, novamente, injeta uma boa banda no cenário.

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SHOWS, IMPRENSA & MERCHANDISING:
E-mail: dunehill@gmail.com

TELEFONES:
(81) 99133-5188 (Pedro Maia)
(81) 99191-6510 (Leonardo Trevas)


 Big Bang Revolution (EP) (2012)

01 - Big Bang Revolution
02 - Seize The Day
03 - Seasons
04 - Soul Love
05 - Heroes

Ouvir (Soundcloud)

 White Sand (2014)

01 - White Sand (Part I)
02 - Big Bang
03 - Seize The Day
04 - Miracles
05 - Perfect Fire
06 - Seasons
07 - Revolution 2
08 - Soul Love (feat. Daniel Pinho)
09 - Heroes
10 - Lamb of Gold (feat. Nando Gomes)
11 - White Sand (Part II)

Ouvir (Soundcloud)

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