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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mike LePond's Silent Assassins - Discografia Comentada

É muito comum chegar um momento em que o músico, cedo ou tarde, decide trabalhar em algo próprio paralelamente à banda principal (mesmo que ela seja dele). Algumas vezes surge a ambição de compôr algo um tanto diferente, muitas vezes incompatível com propostas já estabelecidas e consolidadas na primeira banda. Essa é uma das formas de novos projetos surgirem, e com o baixista estadunidense Mike LePond, conhecido por ser integrante do Symphony X desde 1999, não aconteceu algo tão diferente.
Percebendo que o atual cenário de status pessoal era favorável, Mike tratou de fomentar e, por consequência, concretizar antigos sonhos de trabalhar em um projeto a seu gosto, que soasse Heavy Metal clássico. Foi assim que surgiu em 2014 na cidade de Newark, em Nova Jersey, o excelente projeto Mike LePond's Silent Assassins!
Montar a formação não foi difícil, já que contou com amigos próximos - e muito talentosos. Ao comentar sobre a ideia com Michael Romeo, seu companheiro de Symphony X, o guitarrista se prontificou a auxiliá-lo no que fosse preciso. Escolher um vocalista também não foi problema, pois há anos nutria uma grande amizade com o experiente Alan Tecchio (Hades), que morava perto dele. Michael Pinnella, tecladista do Symphony X, e o polonês "Metal" Mike Chlasciak (Halford, ex-Testament e Sebastian Bach) completaram a formação nos vocais de apoio e guitarra, respectivamente.
Foi um pulo para que setembro daquele ano chegasse e trouxesse consigo o homônimo álbum de estreia do baixista, lançado através do selo Moonlight Records.
E como as primeiras impressões podem nos trair em sua ignorância, eu devo dizer...! A capa de autoria de Jonathan Stenger retratando o mítico Cavalo de Troia é, de fato, linda, mas ainda assim, pareceu um tanto genérica. Para piorar, ao ouvir a primeira música, "Apocalypse Rider", mesmo que tenha achado de fato excelente, nutri uma impressão de que ao longo da próxima hora eu degustaria um álbum bom, mas apenas mais um entre tantos similares. Ironicamente, o início de expectativa levemente negativada fez com que eu só gostasse ainda mais de estar enganado ao fim dos 57 minutos de duração do disco. Ele começa tradicional, pesado, acelerado, mas vai se revelando e inflando à medida que o setlist prossegue... e se engrandece em todos os aspectos.
O antigo e o novo coexistem em harmonia no Silent Assassins e esbanjam vivacidade com a bela produção do próprio Mike LePond. São mais claramente percebidas as referências ao Judas Priest, principalmente. Mas a secura acaba adornada por jogadas mais típicas do Progressive Metal em determinados arranjos, apurando as técnicas. Há momentos de sensação mais Hard Rock, enquanto em outros o Power Metal exala e, mais interessantemente para a proposta, o diferenciado Folk. Isso culmina em um instrumental bem arquitetado e diversificado ao longo das músicas, tornando tudo mais envolvente. Vide a introdução bem mediterrânea/oriental de "Red Death", ou o forte Folk de "The Quest", que chega a lembrar jogos de RPG e danças medievais com o bater de palmas, ou mesmo a beleza acústica de "Masada", situada em um estratégico momento de descanso no centro do set. E vale reparar como o Mike LePond's faz uma média consigo mesmo através das linhas de contrabaixo, que frequentemente ganham destaque... claro, o projeto é dele. O instrumento é lindamente tocado, mas não chega ao exagero e nem aparece em passagens inconvenientes. Toda a experiência do músico também recai na coerência musical. Incríveis e velozes solos de guitarra por parte de Michael Romeo (que também dá uma mão nos teclados) e Mike Chlasciak completam a lista de pré-requisitos para instrumentais de qualidade. A bateria, por sua vez, é programada, mas muito é bem feita e a grande maioria sequer notaria.
O trabalho tem beleza extensiva ao poder das músicas pesadas e mais cruas, com requintes de epicismo pelo acionamento de backing vocals guerreiros e principalmente pela perícia vocal de Alan Tecchio. O que ele canta não é brincadeira: seu vocal é gritado e alto, levado na base da raça de drives e ocasionais agudos empregados quando a passagem pede. Sua postura termina de complementar a tradicionalidade do instrumental e aguça definitivamente a atmosfera "priesteana".
"Silent Assassins" se mostra um disco energético e capaz de convencer com louvor à medida que avança. É uma boa pedida para quem gosta de tradicionalidade com roupagem moderna, mas não restrita ao modelo, já que a musicalidade recebe elementos extras que distanciam o registro da linearidade.
Atualmente Mike LePond está trabalhando no segundo álbum de estúdio do projeto, que receberá o nome "Pawn and Prophecy". Ainda não há data de lançamento divulgada e nem line-up, mas é certo que o vocalista Alan Tecchio contribuirá novamente.

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 Mike LePond's Silent Assassins (2014)

01 - Apocalypse Rider
02 - Red Death
03 - The Quest
04 - The Outsider
05 - Masada
06 - Silent Assassins
07 - Ragnarok
08 - The Progeny
09 - Oath of Honor

Ouvir (Spotify)

Um comentário:

  1. Muito bom que o site continue com as ótimas análises de álbuns e discografias. Muita gente pode não gostar, mas eu não via a necessidade de continuar com downloads, até porque hoje em dia tudo (ou quase) está aí disponível nos serviços de Streaming (vide link no final), onde eu por exemplo, antes mesmo da ideia de retirada dos links já tinha deixado de fazer downloads a um bom tempo. Vinha no site, conhecia as novidades e corria pro Spotify para poder escutar.
    Muito bom, espero que o site continue assim e espero ver mais resenhas e análises pela frente (Megadeth, Primal Fear e Anthrax estão aí). God Bless.

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