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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pandemmy - Discografia

Não é nenhum absurdo afirmar que, em seu dia a dia, o povo nordestino precisa lutar contra tudo e mais um pouco, qualquer que seja o assunto - meio ambiente, política, valor cultural... Toda luta se torna ainda mais árdua devido ao desequilíbrio extra causado pelo desfavorecimento que a região enfrenta, e isso não diz respeito apenas às autoridades, não: os próprio brasileiros das demais regiões subestimam o Nordeste como um todo. E esse sentimento é ainda reforçado pela mídia, que faz muita questão de enfatizar os pontos negativos, porém, muito pouca questão de realçar os pontos positivos. É por isso e ainda mais que os nordestinos gritam. Um grito quase desesperado que diz: "eu estou aqui, e aqui também é terra de valor".
Nota-se também um grito diferente em meio a tantos. Um grito gutural, acompanhado pela harmonia da distorção de guitarras, contrabaixo estrondoso e bateria prepotente. Uma verdadeira pancadaria ouvida diretamente de Recife, capital de Pernambuco. Os responsáveis por ela representam um underground vasto e fiel, repleto de fãs e amontoado de excelentes bandas, sedentas por provar que também existe Metal de qualidade para aquelas localidades. São parte de uma pandemia de excelentes nomes que se alastra pelo Nordeste e impressiona cada vez mais. Também pudera: eles mesmos são a Pandemia! Ou melhor; o Pandemmy! Munido de um potente e técnico Death/Thrash Metal, o quinteto pernambucano vem apresentando uma musicalidade avassaladora que madurou bem rápido, não ficando muito atrás de outras bandas Extremas com mais tempo de estrada.
As origens dessa destruição sonora situam-se em janeiro de 2009, quando o guitarrista Pedro Valença idealizou aquilo que era ainda apenas um projeto. Em pouco tempo, conseguiu o apoio de Rafael Gorga (vocal), Diego Lacerda (guitarra), Augusto Ferrer (baixo) e Fausto Prieto (bateria), que completaram a formação e possibilitaram a gravação da demo "Self-Destruction", lançada já em 2010.
Bem gravado em se tratando de uma demo, o trabalho é seco, mas preciso e malevolente. Suas quatro faixas autorais demonstram uma banda que ainda precisava ser lapidada - e eventualmente seria -, porém, claramente estava bem situada quanto à proposta. Sonoridade agressiva, ritmo "pé-na-porta", frenéticos solos de guitarra e transições entre guturais fechados e rasgados - muitas vezes contrastando entre si ao mesmo tempo - são características de presença forte aqui e que marcam a essência de uma banda cuja veia Death Metal latejava mais forte que a veia Thrash Metal, mas ambas eram bem acionadas. Resquícios e sensações de Black Metal também podem notados e sentidos. O quinteto alcançou um resultado geral positivo em um momento delicado e importante da carreira.
Como resultado, "Self-Destruction" foi aclamado por fãs e mídia especializada, colhendo boas resenhas em veículos como a revista Roadie Crew e o site Recife Metal Law. Shows pelo Nordeste também foram outro efeito colateral do bom trabalho.
A banda ia muito bem, obrigado. Valendo-se da empolgação, logo deram início aos trabalhos de composição do EP "Idiocracy", que viria na sequência. Contudo, o baterista Fausto Pietro marcou a primeira queda da formação original pouco antes do lançamento, e foi substituído provisoriamente por Flávio Santos enquanto um nome não se fixava no posto.
Foi por volta dessa época que o Pandemmy marcou presença em um tributo pernambucano ao Sepultura chamado "Ratamahatta de Pernambuco Para O Mundo: Um Tributo Ao Sepultura", entrando com um cover da faixa "Convicted In Life", do álbum "Dante XXI", lançado em 2006. Foi uma atitude atípica, já que as demais bandas, naturalmente, escolheram executar faixas da considerada "época de ouro" dos mineiros.
De qualquer forma, Ricardo Lira assumiu definitivamente as baquetas no início de 2011 - após o tributo -, e o EP "Idiocracy" saiu do forno, na sequência, em março.
Se "Self-Destruction" estava mais pra Death Metal do que para Thrash Metal, "Idiocracy" interessantemente pode ser definido como o inverso - regado a amadurecimento, claro, e produção um pouco melhor por parte de Adriano Leão. O baixo Augusto Ferrer mesmo está mais evidente e chega a ser bonito ouvi-lo bem, apesar de alguns exageros no volume.
Composto por seis faixas inéditas, o trabalho tem, em um contexto geral, uma abordagem um tanto mais melódica, sem abrir mão de empregar a corriqueira violência na musicalidade. A fusão entre Death Metal e Thrash Metal está mais natural, mas é evidente que a maior parte do tempo o Thrash Metal se sobressai e exerce seu domínio, ditando a atmosfera das canções. Além disso, os arranjos apresentam desenhos mais definidos, gerando uma sonoridade mais harmônica e mais claramente arquitetada, batendo nas portas da fronteira com o Heavy Metal.
De certa forma, as nem tão leves mudanças atingem também a postura vocal de Rafael Gorga. Não é tão impactante, mas guturais fechados são agora mais acionados do que os rasgados, fora que as duas técnicas contrastam menos entre si. Isso expande as distâncias praticadas entre melodismo e agressividade, que ainda assim são coesas. Dando uma fuga a novos ares, a banda inesperadamente introduz épicos teclados tocados por Joabson Branntweinn na faixa "Through Twisted Paths", mostrando que são antenados a recursos extras também.
Shows para divulgação do trabalho vieram a seguir. Em meio a eles, a banda venceu a etapa regional do W:O:A: Metal Battle em Recife, levando uma vaga para a final nacional disputada no festival Roça 'n' Roll, em Varginha (MG). A bateria de shows teve fim triunfal com a abertura dos shows das bandas Ragnarok e Belphegor em suas passagens pela capital pernambucana.
Mesmo com a agitação de shows e boas recepções às suas composições, o conjunto não se esqueceu de continuar compondo canções e pensar no futuro. Por isso, mais um EP veio à luz, já no início de 2012 - o último trabalho antes do álbum de estreia. Era a vez de "Dialectic" ser conhecido.
Esse compacto trouxe mais cinco músicas novas em folha que revelam uma banda a fim de voar fora da aglomeração. Aqui eles seguem apostando em elementos diferenciados ao gênero, puxando as bordas do que podem fazer com seu som. Os teclados definitivamente se apossaram das harmonias, e isso é revelado desde a épica e romana intro "Shatter The Soul". Nas demais canções eles também aparecem para adornar, mas restritos à base, sem exageros. Ainda mais madura e melhor produzida, é apresentada uma sonoridade ainda mais pesada e escaramuçada, levada a riffs esmagadores que não perdem vivacidade nas variações entre os momentos pegados e outros mais cadenciados. Tal característica cria um deleitoso manifesto rítmico. Mantendo a tendência, as linhas vocais estão ainda mais agressivas e técnicas e, por vezes, um vocal que de meio-termo entre o gutural e o forte drive é explorado. O Pandemmy está mais denso e, por que não?, mais ousado. Isso é definitivamente provado na faixa de encerramento "Entrapment (Death of All Kings)", que faz diferente ao iniciar recorrendo a violão dedilhado e calmos vocais limpos de tom baixo antes de entrar na quebradeira e, por fim, finalizar do jeito que começou. "Dialectic" foi suficiente para provar a qualidade e potencialidade do conjunto nordestino e fomentar boas expectativas para o disco de estreia.
O EP foi oficialmente lançado no festival Abril Pro Rock, no qual fizeram parte naquele ano e tocaram ao lado de bandas como Brujeria e Exodus. Contudo, poucos shows foram realizados naquele tempo, já que estavam focados no álbum de estreia e inclusive precisaram viajar para São Paulo para gravá-lo no El Diablo Studio, do produtor Fabiano Penna, que assina a produção do disco.
Concluídas as gravações no fim de 2012, uma profunda mudança ocorreu no line-up em decorrência da debandada geral de membros. O vocalista Rafael Gorga, o baixista Augusto Ferrer e o baterista Ricardo Lira acabaram deixando suas posições. Todavia, o álbum de estreia "Reflections & Rebellions" foi lançado naturalmente em 2013 por meio dos selos Gallery Productions, Impaled Records e Rising Records, já com a banda contando com os novos membros André Valongueiro (vocal), Marcelo Santa Fé (baixo) e Arthur Lira (bateria), ex-Cangaço.
O álbum de estreia dos pernambucanos é quase, a cru modo, uma compilação de algumas canções lançadas anteriormente, porém, regravadas. Sete faixas já conhecidas se juntaram a outras quatro inéditas, completando onze músicas e 44 minutos totais de duração. Isso não é algo ruim, não, pois o registro tem uma produção invejável que espreme o máximo do potencial dessas arregaçantes músicas. Ouvir as "repetidas" é como ouvir novas músicas pela primeira vez, já que foram aprimoradas e refinadas com novos detalhes, entrando sagazmente no contexto da violentíssima atmosfera.
A exemplo do EP "Dialectic", o disco inicia com uma intro atípica, recorrendo ao belo e firme som de um cello. No entanto, a classe erudita dura apenas um minuto, até que se converte em um outro tipo de classe, mais avassaladora: a do Death/Thrash Metal de "Mind Effigies", que inclusive tem um lindo solo melódico. "Reflections & Rebellions" é uma avalanche de peso e muita coerência, soterrando os ouvidos com destruidoras linhas de bateria, guitarras pesadas - mega distorcidas, mas claras -, solos empolgantes, contrabaixo estrondoso e um cavernoso gutural fechado, seguro e atormentador, com frequentes puxadas a um rasgado cheio de raiva.
Algumas participações especiais marcam passagem discreta pelo trabalho, inclusive. Os mais notáveis são os guitarristas Antônio Araújo (Korzus) e Alexandre de Orio (Claustrofobia), que tocam os solos de "Herectic Life" e "Rubicon (Point of No Return)", respectivamente. Alcides Burn (Inner Demons Rise) também tem passagem nos vocais adicionais de "Herectic Life".
É incontestável a qualidade e a rápida maturidade alcançada em apenas quatro anos de banda. Tornaram-se dignos de referência sobre como fazer Metal Extremo de forma interessante e destruidora, sem ao mesmo tempo soar linear em demasiado. Independente de critérios técnicos, o resultado é a sensação de puro deleite e bateção de cabeça!
Um show de pré-lançamento foi realizado em Fortaleza, no Ceará, aliás. Na ocasião, o quinteto abriu para os alemães do Tankard. Uma bateria de shows de divulgação sucedeu o lançamento, estendendo-se até agosto de 2015. Algumas mudanças foram ocorrendo na formação ao longo desses dois anos devido à falta de interesse de alguns membros, por mais que a banda estivesse indo bem. Excursionaram extensamente pelo Nordeste e tiveram as apresentações no festival Blizzard of Rock, de Vitória de Santo Antão (PE), e a abertura para o Obituary em Recife como momentos a serem recordados.
O vocalista Alcides Burn e o baterista André Lira (ex-Cangaço) preencheram, interinamente, posições no Pandemmy até que a última parte da turnê fosse completada. Ao fim dela, o line-up se reestruturou com as chegadas de Vinícius Amorim (vocal), Guilherme Silva (guitarra) e Arthur Santos (bateria).
De cara nova, os pernambucanos se encontram atualmente concluindo o segundo álbum de estúdio, que trará um set de 10 faixas integrais, acrescidas de duas bônus. A previsão de lançamento é para o ano de 2016.
Na próxima vez que duvidar do Metal nordestino, pense no Pandemmy. Eles estão no rol de grandes e promissoras bandas que agitam o underground daquela região e provam que lá também é terra de música pesada de qualidade.

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: pandemmy@gmail.com


 Self-Destruction (Demo) (2010)

01 - Self-Destruction
02 - In Front of Death
03 - Heretic Life
04 - Burn My Clan (The Lines of Violence)


 Idiocracy (EP) (2011)

01 - Involution of A Lost Society
02 - Idiocracy
03 - The Price of Dignity
04 - Point of No Return
05 - Through Twisted Paths
06 - Titan of The Void


 Dialectic (EP) (2012)

01 - Shatter The Soul
02 - Common Is Different Than Normal
03 - Heralds of The Reckoning
04 - The Age of Mammon
05 - Entrapment (Death of All Kings)


 Reflections & Rebellions (2013)

01 - Farewell
02 - Mind Effigies
03 - Self-Destruction
04 - Common Is Different Than Normal
05 - Idiocracy
06 - Without Opinion
07 - Heretic Life
08 - Involution of A Lost Society
09 - The Price of Dignity
10 - Rubicon (Point of No Return)
11 - Ode To The Renegade


domingo, 29 de novembro de 2015

Heart - Discografia

Durante a infância e a adolescência, as irmãs Ann Wilson e Nancy Wilson viajaram ao redor do mundo acompanhando o seu pai, que era militar. Quando ele se aposentou tudo apontava para uma vida tranquila para as jovens, que firmaram sua residência da cidade de Seattle, Estados Unidos. Elas nem imaginavam que a rotina que haviam vivido com o pai, não seria nada perto do que viria a acontecer em suas vidas.
Em 1971, Ann Wilson conheceu Roger Fisher no colégio. Roger era o guitarrista da banda White Heart (antes chamada The Army), com a qual tocava desde 1967 e que tempos depois passaria a contar com Ann Wilson. A banda acabou mudando seu nome para Hocus Pocus. Ainda em 1971, Mike Fisher, irmão de Roger, foi a Seattle (ele morava no Canadá) visitar o irmão. Ele conheceu Ann e eles começaram a namorar. Logo depois, Ann decidiu ir para o Canadá com Mike. 
Após terminar os estudos, o baixista Steve Fossen, que tocava com Roger desde os tempos de The Army também mudou-se para o Canadá e, em 1973, o trio deu início a um novo conjunto, que se chamaria Heart. Nancy Wilson se juntou ao conjunto em 1974 e logo depois se envolveu romanticamente com Roger.
A primeira era formação do Heart contava com Ann (vocais), Nancy (guitarra), Roger (guitarra), Steve (baixo), John Hannah (teclados) e Brian Johnstone (bateria).
Após realizarem algumas apresentações em pequenas casas de shows, o conjunto conseguiu gravar sua primeira demo. Nessa época já não contavam com John Hannah e Brian Johnstone e para conseguirem finalizar o trabalho, tiveram o auxílio do tecladista Howard Leese, que se tornaria membro em definitivo.
A banda partiria então para a gravação de seu primeiro álbum, Dreamboat Annie, que sai em 1976. Durante as gravações desse álbum, o baterista Michael Derosier se juntou à banda. Além de Michael, os bateristas Duris Maxwell, Dave Wilson e Kat Hendrikse, e o baixista Brian Newcombe, também auxiliaram nas sessões.
O Heart apresentava uma sonoridade fortemente influenciada por grupos de Hard Rock, como Led Zeppelin, assim como por elementos de música Folk e Pop. Além disso, o talento de Ann Wilson era um grande diferencial, pois a mesma conseguia se sair bem passagens suaves e era ainda melhor quando o momento exigia mais agressividade. Os backing vocals de Nancy também chamavam a atenção, algo que seria ainda mais aprimorado no futuro, com a dupla realizando ótimas harmonias.
O álbum vendeu 30.000 cópias no Canadá em seus primeiros meses e logo foi lançado nos Estados Unidos. Embalado por faixas como Crazy On You e Magic Man, o disco novamente alcança ótimos resultados, passando de um 1.000.000 de cópias vendidas.
Após uma grande batalha judicial, a banda deixou a gravadora canadense Mushroom Records e assinou com a Portrait, subsidiária da renomada gravadora CBS.
O segundo disco de estúdio, Little Queen é lançado em 1977, também atingiu ótimas vendas, sendo grande parte em razão do hit Barracuda. A disputa judicial com antiga gravadora causaria uma grande confusão, pois antes de Little Queen a banda havia lançado o álbum Magazine e os problemas judiciais suspenderam a distribuição do disco, que sairia oficialmente somente em 1978 e não em 1977, data de sua gravação e primeira distribuição.
Apesar da confusão, Magazine também teve ótima recepção e apresentava faixas como Heartless, Here SongWithout You (cover do Badfinger).
Era o ápice do Heart, com o conjunto alcançando o grande público, as irmãs Wilson obtendo uma grande exposição (inclusive estampando a capa da revista Rolling Stone) e se apresentando em grandes festivais, entre eles o primeiro Texxas Jam, realizado no dia 4 de julho de 1978, em que tocaram para mais de 100.000 pessoas ao lado de nomes como  Aerosmith, Van Halen, Ted Nugent, Journey, entre outros.
Ainda em 1978, a banda lança do disco Dog And Butterfly, que alcança ótimas vendas (mais uma vez) embalado por hits como faixa-título e Straight On. O álbum foi dividido em duas partes com o lado A (Dog) contendo canções mais Rock e o lado B (Butterfly) com baladas e faixas experimentais, como a excelente Mistral Mind.
Em 1979, termina o relacionamento entre Roger Fisher e Nancy Wilson, o que acarreta na saída de Roger do Heart, através de uma votação dos demais membros. Um mês depois é a vez de Mike Fisher deixar a banda. Para o lugar de Roger vem Sue Ennis e Howard Leese também passa a colaborar como guitarrista.
Com essa formação lançam Bébé le Strange, em 1980, álbum que ficou abaixo do esperado, apesar das boas vendas. O disco tinha o hit Even It Up, mas o trabalho de guitarras deixou a desejar, o que comprovava que a ausência de Roger seria bastante sentida. O conjunto ainda lançaria a coletânea/ao vivo Greatest Hits/Live em 1980.  Para esse álbum, a banda gravou vários covers, como Unchained Melody, Rock And Roll (Led Zeppelin) e I'm Down (The Beatles). Fora isso, o álbum conta com duas faixas inéditas e seis faixas ao vivo.
Em 1982 vem o álbum Private Audition, disco marca uma mudança no direcionamento musical, mais voltado para o Pop e o AOR. Tais modificações não agradaram o grande público e a ausência de faixas inspiradas, fizeram o disco ter um resultado ruim em termos de vendas. Apesar disso, City's Burning e The Situation se salvam, principalmente por manterem a estrutura do som dos discos anteriores. Outro ponto que pode ter contribuído para as mudanças do disco foi não ter sido produzido por Mike Flicker, que havia trabalhado com o Heart em todos os trabalhos anteriores.
Após o lançamento desse álbum, DeRosier e Fossen saíram da banda, sendo substituídos por Denny Carmassi na bateria e Mark Andes no baixo.
Para o trabalho seguinte, a banda decidiu trabalhar com o consagrado produtor Keith Olsen, que havia trabalhado com nomes como Rick Springfield, Fleetwood Mac, Grateful Dead, Foreigner, Emerson, Lake & Palmer, entre muitos outros.
O primeiro disco da nova parceria seria Passionworks, de 1983. Como o próprio nome já diz, o disco está recheado de baladas, com destaque para Sleep Alone, Allies e How Can I Refuse, sendo a última um dos maiores feitos do Heart quando exploraram o AOR. Apesar da boa repercussão de How Can I Refuse, mais uma vez as vendas decepcionaram, o que colocou uma grande pressão sobre a banda, pois a participação de Keith Olsen já havia sido uma exigência da gravadora, que buscava resultados melhores que Private Audition.
Em 1984,  Ann Wilson gravou a balada pop Almost Paradise com Mike Reno da banda de Hard Rock Loverboy. A faixa fez parte da trilha-sonora do filme Footloose e figurou no topo das paradas. O sucesso de Almost Paradise influenciou significativamente o Heart e acabou tendo papel importante no processo de composição para o próximo disco.
Se Almost Paradise teve o papel colocar Ann Wilson e indiretamente o Heart em evidência, o que viria na sequência tornaria o single quase insignificante.
O álbum seguinte, homônimo, lançado em 1985, não só mostrava que o Heart tinha lenha para queimar, mas deixava claro que aquele era o melhor disco do conjunto em sua história. Afinal, não é qualquer trabalho que tem faixas do calibre de What About Love, Never, These Dreams, Nothing At All e If Looks Could Kill. Heart é praticamente um "Greatest Hits", mas de faixas inéditas. Vale lembrar que o lançamento do disco é simultâneo ao ápice do Hair Metal, o que também influenciou significativamente o álbum, que deixou de apresentar tantos elementos Folk e Acústicos, além de mostrar um equilíbrio maior entre baladas e faixas mais agressivas.
Não por acaso, Heart é o disco mais vendido da carreira da banda. 
O trabalho seguinte, Bad Animals de 1987, manteve o conjunto em alta e também alcançou ótimas vendas, sendo o primeiro disco do conjunto a figurar no Top 10 britânico. Mantendo a mesma sonoridade de seu antecessor, o destaque fica por conta de Who Will Run To, There's The Girl, I Want You So Bad e, principalmente, Alone, um dos maiores hits do Heart.
Se Bad Animals demonstrava que a banda poderia se aproximar do êxito de seu disco homônimo, o álbum seguinte colocaria dúvidas sobre qual era o melhor de sua história. Brigade, lançado em 1990, trazia mais um caminhão de hits: Stranded, I Didn't Want To Need You, All I Wanna Do Is Make Love To You,  Secret, Wild Child e Tall, Dark Handsome Stranger. Obviamente, o disco foi um enorme sucesso, tanto de crítica, quanto de vendas e encerraria com maestria a era de ouro do Heart.
Em 1991, vem o primeiro ao vivo,  Rock The House Live!, que contava com o cover de John Farnham da faixa You're The Voice, que levou o Heart mais uma vez às paradas de sucesso.
Em seguida, as irmãs Wilson fundaram o grupo acústico The Lovemongers com Sue Ennis e Frank Cox.
O baixista Schuyler Deale tocaria com a banda em seu álbum seguinte, Desire Walks On, de 1993, substituindo Mark Andes. Após a gravação do trabalho, Fernando Saunders assume o posto de baixista.
Desire Walks On trazia Black On Black II e Will You Be There (In The Morning), como faixas de destaque, mas soando ultrapassado, não teria boas vendas.
Em 1995, Nancy Wilson decide fazer uma pausa para se dedicar à sua família. Como não poderia haver Heart, sem Nancy, Ann deu continuidade às apresentações utilizando os nomes: The Ann Wilson BandAnn Wilson & The Ricola Brothers. Em seguida, chegou a fazer um show com o The Lovemongers.
Ainda em 1995, viria o álbum The Road Home, que apresentava versões acústicas ao vivo das músicas mais conhecidas do grupo e foi produzido por John Paul Jones (Led Zeppelin).
Como a pausa de Nancy se estendia, Ann deu continuidade ao projeto de The Lovemongers, que chegou a lançar dois discos no período: Whirlygig (1997) e Here Is Christmas (1998). Nancy participa de ambos o trabalhos, o que é explicável, pois o projeto consumia bem menos tempo do que o Heart. Nancy também mostrou seu talento no cinema, nos filmes: Jerry Maguire (1996), Almost Famous (2000), Vanilla Sky (2001) e Elizabethtown (2005), todos dirigidos por seu marido, Cameron Crowe, com quem se casou em 1986.
Não bastasse isso, a guitarrista ainda gravaria o álbum solo Live at McCabe's Guitar Shop, lançado em 1999.
O álbum Here Is Christmas do The Lovemongers chegaria a ser relançado pelo Heart em 2001, com o nome Heart Presents a Lovemongers' Christmas.
Em 2002, Ann e Nancy retornaram à estrada com uma nova formação: Scott Olson (guitarra), Ben Smith (bateria), Mike Inez (baixista, Alice In Chains) e Tom Kellock (teclados).
Para marcar o retorno aos palcos, a banda lança o DVD Alive In Seattle, em 2003, o qual foi muito bem recebido pela crítica. Ainda em 2003Gilby Clarke (ex-Guns N' Roses) e Darian Sahanaja substituem Olson e Kellock na turnê americana. Mas a nova dupla não permanece muito tempo, e deixam a banda em 2004, sendo substituídos por Craig Bartok e Debbie Shair.
Após onze anos, a banda lançaria um novo álbum de 2004, chamado Jupiter's Darling, que seria uma espécie de retorno às origens, com a mistura clássica do Hard Rock com a música Folk. Apesar de nenhum grande hit, o trabalho é bem interessante e recebeu boas críticas, além de agradar aos fãs que estavam ansiosos por um álbum de inéditas. Infelizmente, o disco não teve boas vendas, sendo considerado um grande fracasso comercial.
Em 2006, a banda participou de um especial do canal VH-1, tocando com a cantora country Gretchen Wilson (que não é parente das irmãs), além de convidados especiais como Alice In Chains, Phil Anselmo, Dave Navarro, Rufus Wainwright e Carrie Underwood. Ainda naquele ano, o baixista Mike Inez juntou-se à nova formação do Alice In Chains e foi substituído por Ric Markmann.
O Heart começou a chamar a atenção de um público mais jovem em 2007, quando teve as faixas Crazy On You e Barracuda, presentes nos games Guitar Hero II e III, respectivamente. Em maio daquele ano, a banda foi homenageada com o VH1 Rock Honors ao lado de Ozzy Osbourne, Genesis e ZZ Top. O ano de 2007 também marcou o lançamento do primeiro álbum solo de Ann Wilson, chamado Hope & Glory, o que fez com que aquele não fosse um ano tão produtivo para o conjunto.
Em 2008, a banda realizou inúmeras apresentações e esteve em programas de TV dos EUA como American Idol e The Ellen DeGeneres Show. Logo em seguida, saíram em uma grande turnê pelo país tocando ao lado de Cheap Trick e, principalmente do Journey.
Um ano álbum estúdio surgiu em 2010, Red Velvet Car, que levou mais uma vez a sonoridade do conjunto para as origens, com a mistura do Hard Rock Melódico aliado aos elementos Folk. O disco teve o melhor resultado da banda em 20 anos.
Em 2012, lançam mais um álbum, Fanatic, que trouxe como grandes destaques as faixas Dear Old America, A Million Miles, Walkin' Good e a faixa-título. As vendas foram boas e a banda fez apresentações nos Estados Unidos e no Canadá. Após o lançamento do álbum Dan Rothchild assumiu o posto de baixista.
No dia 26 de dezembro de 2012, as irmãs Wilson acompanhadas de uma orquestra e do baterista Jason Bonham (filho de John Bonham) se apresentaram um especial de tv que prestou um tributo ao Led Zeppelin. Executando Stairway To Heaven, levaram os membros vivos do Led às lágrimas e a faixa tornou-se uma recordista de downloads.
Em 2013, o Heart entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame e tocaram Crazy On You durante a cerimônia. Aquela foi a primeira apresentação dos membros originais do conjunto, (irmãs Wilson, Howard Leese, Michael Derosier, Steve Fossen e Roger Fisher) em 34 anos.
Apesar dos anos, o Heart segue na ativa e em alto nível, como demonstra o ao vivo Fanatic Live From Caesar's Colosseum lançado em 2014. Ainda nesse ano, o tecladista Chris Joyner entrou para o conjunto.
É inegável a importância do Heart, pois conseguiu fazer sucesso utilizando-se uma forma diferente para os padrões da época, além de ser encabeçada por uma dupla de mulheres, algo pouco comum no ramo.
Os inúmeros singles de sucesso e a extensa discografia, tornam o Heart uma audição obrigatória para quem gosta de música.


 Dreamboat Annie - 1976

01 - Magic Man
02 - Dreamboat Annie (Fantasy Child)
03 - Crazy On You
04 - Soul Of The Sea
05 - Dreamboat Annie
06 - White Lightning & Wine
07 - (Love Me Like Music) I'll Be Your Song
08 - Sing Child
09 - How Deep It Goes
10 - Dreamboat Annie (Reprise)

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 Little Queen - 1977

01 - Barracuda
02 - Love Alive
03 - Sylvan Song
04 - Dream Of The Archer
05 - Kick It Out
06 - Little Queen
07 - Treat Me Well
08  - Say Hello
09 - Cry To Me
10 - Go On Cry
11 - Too Long A Time
12 - Stairway To Heaven (Live)

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 Magazine - 1977

01 - Heartless
02 - Devil Delight
03 - Just The Wine
04 - Without You
05 - Magazine
06 - Here Song
07 - Mother Earth Blues
08 - I've Got The Music In Me

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 Dog And Butterfly - 1978

01 - Cook With Fire
02 - High Time
03 - Hijinx
04 - Straight On
05 - Dog And Butterfly
06 - Lighter Touch
07 - Nada One
08 - Mistral Wind


 Bébé Le Strange - 1980

01 - Bebe Le Strange
02 - Down On Me
03 - Silver Wheels
04 - Break
05 - Rockin Heaven Down
06 - Even It Up
07 - Strange Night
08 - Raised On You
09 - Pilot
10 - Sweet Darlin'

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 Greatest Hits/Live - 1980

01 - Barracuda
02 - Silver Wheels
03 - Crazy On You
04 - Straight On
05 - Dreamboat Annie
06 - Even It Up
07 - Magic Man
08 - Heartless
09 - Dog & Butterfly
10 - Bebe Le Strange (Live)
11 - Tell It Like It Is (Live)
12 - Mistral Wind (Live)
13 - Sweet Darlin' (Live)
14 - I'm Down/Long Tall Sally (Live)
15 - Rock & Roll (Live)

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 Private Audition - 1982

01 - City's Burning
02 - Bright Light Girl
03 - Perfect Stranger
04 - Private Audition
05 - Angels
06 - This Man Is Mine
07 - The Situation
08 - Hey Darlin Darlin
09 - One Word
10 - Fast Times
11 - America

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 Passionworks - 1983

01 - How Can I Refuse
02 - Blue Guitar
03 - Johnny Moon
04 - Sleep Alone
05 - Together Now
06 - Allies
07 - (Beat By) Jealousy
08 - Heavy Heart
09 - Love Mistake
10 - Language Of Love
11 - Ambush


 Heart - 1985

01 - If Looks Could Kill
02 - What About Love
03 - Never
04 - These Dreams
05 - The Wolf
06 - All Eyes
07 - Nobody Home
08 - Nothin' At All
09 - What He Don't Know
10 - Shell Shock


 Bad Animals - 1987

01 - Who Will You Run To
02 - Alone
03 - There's The Girl
04 - I Want You So Bad
05 - Wait For The Answer
06 - Bad Animals
07 - You Ain't So Tough
08 - Strangers Of The Heart
09 - Easy Target
10 - RSVP


 Brigade - 1990

01 - Wild Child
02 - All I Wanna Do Is Make Love To You
03 - Secret
04 - Tall, Dark Handsome Stranger
05 - I Didn't Want To Need You
06 - The Night
07 - Fallen From Grace
08 - Under The Sky
09 - Cruel Nights
10 - Stranded
11 - Call Of The Wild
12 - I Want Your World To Turn
13 - I Love You

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 Rock The House Live! - 1991

01 - Wild Child
02 - Fallen From Grace
03 - Call Of The Wild
04 - How Can I Refuse
05 - Shell Shock
06 - Love Alive
07 - Under The Sky
08 - The Night
09 - Tall, Dark Handsome Stranger
10 - If Looks Could Kill
11 - Who Will You Run To
12 - You're The Voice
13 - The Way Back
14 - Barracuda

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 Desire Walks On - 1993

01 - Desire
02 - Black On Black II
03 - Back To Avalon
04 - The Woman In Me
05 - Rage
06 - In Walks The Night
07 - My Crazy Head
08 - Ring Them Bells
09 - Will You Be There (In The Morning)
10 - Voodoo Doll
11 - Anything Is Possible
12 - Avalon (Reprise)
13 - Desire Walks On
14 - La Mujer Que Hay En Mi (Bonus Track)
15 - Te Quedaras (En La Mañana) (Bonus Track)

 The Road Home (Live) - 1995

01 - Dreamboat Annie (Fantasy Child)
02 - Dog And Butterfly
03 - (Up On) Cherry Blossom Road
04 - Back To Avalon
05 - Alone
06 - These Dreams
07 - Love Hurts
08 - Straight On
09 - All I Want To Do Is Make Love To You
10 - Crazy On You
11 - Seasons
12 - River
13 - Barracuda
14 - Dream Of The Archer
15 - The Road Home

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 These Dreams - Greatest Hits - 1997

01 - Crazy On You
02 - All I Wanna Do Is Make Love To
03 - If Looks Could Kill
04 - Never
05 - Alone
06 - Who Will You Run To
07 - Straight On (Live Acoustic)
08 - Magic Man
09 - What About Love?
10 - Dreamboat Annie
11 - Dog And Butterfly (Live Acoustic)
12 - Nothin' At All
13 - Heartless
14 - Stranded
15 - Will You Be There (In The Morning)
16 - These Dreams
17 - Barracuda (Live)

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 Greatest Hits - 1998

01 - Strong, Strong Wind
02 - Magic Man
03 - Crazy On You
04 - Dreamboat Annie (Reprise)
05 - Barracuda
06 - Little Queen
07 - Kick It Out
08 - Love Alive
09 - Heartless
10 - Straight On
11 - Dog And Butterfly
12 - Even It Up
13 - Bebe Le Strange
14 - Tell It Like It Is (Live)
15 - This Man Is Mine
16 - How Can I Refuse-
17 - Rock & Roll (Live)

Donwload

 Greatest Hits: 1985–1995 - 2000

01 - What About Love?
02 - If Looks Could Kill
03 - Never
04 - These Dreams
05 - Nothin' At All
06 - Alone
07 - Who Will You Run To
08 - There's The Girl
10 - All I Wanna Do Is Make Love To You
11 - I Didn't Want To Need You
12 - Tall, Dark Handsome Stranger
13 - Stranded
14 - You're The Voice (Studio Version)
15 - Back To Avalon
16 - Black On Black II
17 - Will You Be There (In The Morning)

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 Presents A Lovemongers' Christmas - 2001

01 - Here Is Christmas
02 - Balulalow
03 - Christmas Waits
04 - William And Rose
05 - Ave Maria
06 - How Beautiful
07 - The Last Noel
08 - It's Christmas Time
09 - Oh Holy Night
10 - Bring A Torch

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 Ballads: The Greatest Hits - 2001

01 - Alone
02 - What About Love?
03 - All I Wanna Do Is Make Love To You
04 - Without You
05 - Never
06 - I'll Never Stop Loving You (Previously Unreleased)
07 - I Didn't Want To Need You
08 - These Dreams
09 - The Woman In Me
10 - Stranded
11 - Strangers Of The Heart

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 The Essential Heart (Compilation) - 2002

CD 01

01 - Crazy On You
02 - Magic Man
03 - Dreamboat Annie
04 - Barracuda
05 - Little Queen
06 - Kick It Out
07 - Love Alive
08 - Heartless
09 - Straight On
10 - Dog & Butterfly
11 - Silver Wheels
12 - Even It Up
13 - Rock And Roll (Live)
14 - Tell It Like It Is
15 - Unchained Melody (Live)
16 - This Man Is Mine
17 - How Can I Refuse?
18 - Allies

CD 02

01 - What About Love?
02 - Never
03 - These Dreams
04 - Nothin' At All
05 - If Looks Could Kill
06 - Alone
07 - Who Will You Run To
08 - There's The Girl
09 - I Want You So Bad
10 - All I Wanna Do Is Make Love To
11 - Wild Child
12 - I Didn't Want To Need You
13 - Stranded
14 - Secret
15 - You're The Voice (Live)
16 - Will You Be There (In The Morning)
17 - Black On Black II
18 - Ring Them Bells
19 - The Road Home

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 Jupiter's Darling - 2004

01 - Make Me
02 - Oldest Story In The World
03 - Things
04 - Perfect Goodbye
05 - Enough
06 - Move On
07 - I Need The Rain
08 - I Give Up
09 - Vainglorious
10 - No Other Love
11 - Led To One
12 - Down The Nile
13 - I'm Fine
14 - Fallen Ones
15 - Lost Angel
16 - Hello Moonglow
17 - How Deep It Goes
18 - Fallen Ones (Acoustic)

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 Love Songs (Compilation) - 2006

01 - Sweet Darlin'
02 - Alone (Live)
03 - Magic Man (Live)
04 - One Word
05 - Love Song (Live)
06 - Lighter Touch
07 - These Dreams (Live)
08 - No Other Love
09 - How Can I Refuse?
10 - Unchained Melody (Live)
11 - Love Alive
12 - What About Love?

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 Playlist: The Very Best Of Heart (Compilation) - 2008

01 - Barracuda (Album Version)
02 - Magic Man (Live)
03 - Dream Of The Archer (Album Version)
04 - Alone (Live)
05 - Straight On (Album Version)
06 - Love Alive (Album Version)
07 - Even It Up (Album Version)
08 - Johnny Moon (Album Version)
09 - Dog & Butterfly (Album Version)
10 - Allies (Album Version)
11 - Mistral Wind (Album Version)
12 - Crazy On You (Live Version)
13 - These Dreams (Live)
14 - Dreamboat Annie (Reprise) (Live Album Version)

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 Red Velvet Car - 2010

01 - There You Go
02 - WTF
03 - Red Velvet Car
04 - Queen City
05 - Hey You
06 - Wheels
07 - Safronias Mark
08 - Death Valley
09 - Sunflower
10 - Sand
11 - Closer To The Sun (Bonus Track)
12 - In The Cool (Bonus Track)
13 - Bootful Of Beer (Bonus Track)
14 - Listening (Bonus Track)

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 Strange Euphoria (Compilation) - 2012

CD 01

01 - Through Eyes And Glass
02 - Magic Man (Demo)
03 - How Deep It Goes (Demo)
04 - Crazy On You (Demo)
05 - Dreamboat Annie (Fantasy Child) + Dreamboat Annie Reprise
06 - Love Alive (Album Version)
07 - Sylvan Song (Album Version)
08 - Dream Of The Archer (Album Version)
09 - White Lightning & Wine (Live At The Aquarius)
10 - Barracuda (Live)
11 - Little Queen (Album Version)
12 - Kick It Out (Album Version)
13 - Here Song (Demo)
14 - Heartless (Demo)
15 - Dog & Butterfly (Acoustic Demo)
16 - Straight On (Album Version)
17 - Nada One (Album Version)

CD 02

01 - Bebe Le Strange (Album Version)
02 - Silver Wheels (Album Version)
03 - Even It Up (Album Version)
04 - Sweet Darlin (Album Version)
05 - City's Burning (Album Version)
06 - Angels (Album Version)
07 - Love Mistake (Album Version)
08 - Lucky Day (Demo)
09 - Never (Live)
10 - These Dreams
11 - Nobody Home
12 - Alone
13 - Wait For An Answer
14 - Unconditional Love (Demo)
15 - High Romance (Demo)
16 - Under The Sky (Demo)
17 - Desire Walks On (Beach Demo Version)

CD 03

01 - Kiss
02 - Sand (Live)
03 - Everything (Live)
04 - She Still Believes (Live)
05 -  Any Woman's Blues (Demo)
06  - Strange Euphoria (Album Version)
07 - Boppy's Back (Demo)
08 - Friend Meets Friend
09 - Love Or Madness (Live)
10 - Skin To Skin
11 - Fallen Ones
12 - Enough
13 - Lost Angel (Live)
14 - Little Problems, Little Lies
15 - Queen City
16 - Hey You
17 - Avalon (Reprise)

CD 04

01 - Going To California (Live)
02 - Battle Of Evermore
03 - What Is And What Should Never Be (Live)
04 - Immigrant Song
05 - Misty Mountain Hop

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 Fanatic - 2012

01 - Fanatic
02 - Dear Old America
03 - Walkin' Good (With Sarah McLachlan)
04 - Skins & Bones
05 - A Million Miles
06 - Pennsylvania
07 - Mashallah!
08 - Rock Deep (Vancouver)
09 - 59 Crunch
10 - Corduroy Road
11 - Beautiful Broken (Bonus Track)
12 - Two Silver Rings (Bonus Track)
13 - Zingara (Bonus Track)

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 Fanatic Live From Caesars Colosseum (Live) - 2014

01 - Fanatic
02 - Heartless
03 - What About Love
04 - Mashallah!
05 - Even It Up
06 - 59 Crunch
07 - Straight On
08 - Dog And Butterfly
09 - Walking Good
10 - These Dreams
11 - Alone
12 - Dear Old America
13 - Crazy On You
14 - Barracuda

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 Heart & Friends - Home For The Holidays (Live) - 2014

01 - The River
02 - Seasons
03 - Rocking
04 - Love Come Down At Christmas
05 - Poem
06 - All Through The Night
07 - All We Need Is An Island
08 - Santa's Going South
09 - Please Come Home For Christmas
10 - Remember Christmas
11 - Barracuda
12 - Even It Up
13 - Stairway To Heaven
14 - Ring Them Bells

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sábado, 28 de novembro de 2015

We Came As Romans - Discografia

Os anos passam, tornam-se décadas, e as décadas são sempre marcadas por alguns estilos musicais que predominam. Em gêneros diversificados como o Rock/Metal, algumas vertentes recebem maior atenção, principalmente da mídia. Se os anos 90 foram do Grunge e os 2000 foram do Rock Alternativo e Post-Grunge, atualmente (entre o fim da década de 2000 e decorrer da de 2010) o que traz novos adeptos ao estilo e movimenta o mainstream é, certamente, o bem trabalhado Metalcore. Marcado por músicos jovens que aplicam frequentes alternâncias entre o esmagador e o macio com direito a vocais cavernosos guturais e lisos vocais limpos, o estilo é também controverso entre os que preferem algo mais pesado, tal como acontece com qualquer mainstream. Bem ou mal, o som é sofisticado e muito frequentemente não é Metalcore puro, mas sim uma mistura com elementos extras. Assim como o Asking Alexandria, que é um dos maiores nomes do ramo, o We Came As Romans traz uma sonoridade que acopla também elementos eletrônicos e Alternative Rock, além da natural característica melódica que já aplicam. Por isso são definidos, em rótulo geral, como uma banda de Melodic Metalcore ou Post-Hardcore. Com refrões pegajosos, canções de passagens marcantes e muito "wo oh oh", o We Came As Romans se lança definitivamente como um dos melhores nomes do estilo.
Como várias outras bandas - principalmente do gênero -, as raízes do conjunto remontam até 2005, nos tempos de Ensino Médio, quando os adolescentes Mark Myatt (vocais), Joshua Moore (guitarra), Dave Stephens (guitarra e teclados), Jonny Nabors (baixo) e Sean Zelda (bateria) fundaram em Detroit, no Michigan, o embrião do We Came As Romans, chamado The Emergency. Havia bastante atividade para a banda, já que se apresentavam ao vivo com alguma frequência pela região metropolitana da cidade.
No fim do ano aconteceu a primeira baixa na formação com a saída do baixista Jonny Nabors, que foi prontamente substituído por Sean Daly. Intensas mudanças seguiram acontecendo na sequência, sendo que as principais foram as saídas do baterista Sean Zelda em 2006 para se dedicar à faculdade (e consequente entrada de Eric Choi) e do vocalista Mark Myatt pouco depois, em 2007, ele que foi responsável pela alteração do nome da banda para como são conhecidos atualmente: We Came As Romans. Em seu lugar, entrou Larry Clark como substituto. Chris Moore também chegou como membro adicional para cantar em vocal limpo e tocar sintetizadores, transformando a banda em um sexteto.
Com o line-up solidificado por ora, dedicaram-se mais na composição de canções autorais e no lançamento de demonstrações do que eram capazes de fazer. Daí, em 2008, lançaram a primeira demo-EP intitulada "Demonstrations", conhecida também como "Motions EP". O trabalho é pesado e intenso, apresentando uma proposta de um quase integralmente esmagador Metalcore, que se torna ainda mais turbulento pela rusticidade da gravação. Os vocais guturais são alucinados e os limpos têm momentos especiais para aparecer, não recebendo tanta atenção.
Esse parâmetro mudaria ainda em 2008 com o lançamento do segundo EP, chamado "Dreams". Mais harmônico e digerível, aqui eles têm uma abordagem bem mais precisa sobre o que seria o We Came As Romans nos álbuns completos: uma balanceada alternância entre urrados guturais, altos vocais limpos e backing vocals em coro ao estilo Hard Rock, que trazem o correto clima para uma sonoridade distorcida de riffs quebrados, ao mesmo tempo em que arranjos melódicos e sintetizadores eletrônicos conferem certa profundeza à sonoridade.
Novas mudanças no esquema de formação aconteceram, levando a banda a agora ser configurada com David Stephens nos vocais guturais, Kyle Pavone no vocal limpo e teclados, Joshua Moore e Lou Cotton nas guitarras, Andy Glass no baixo e Eric Choi na bateria.
De contrato junto à Equal Vision Records em mãos, enfim lançaram em novembro de 2009 o primeiro álbum, nomeado "To Plant A Seed". Produzido por Joey Sturgis (que assina também a produção de "Dreams"), esse é um trabalho plural e ambicioso. A arquitetura das canções é pensada com metodismo e inteligência suficientes para misturar variados elementos e gerar um disco de deixar boquiaberto. Em meio ao Melodic Metalcore executado com riffs pesados e pausados sobrepostos por raçudos guturais, alas são abertas completamente do nada para momentos de cadência e leveza com agudos vocais limpos. Nesses momentos, o instrumental se torna mais atmosférico e alternativo, com direito a encaixe de elementos eletrônicos como distorcedores de voz, vocal duplicado, bem como teclados, sintetizadores e batidas tipicamente eletrônicas. Belíssimas orquestrações também encontram seu espaço em canções como "Intentions" (que conta com a participação especial de Tyler Telle Smith, vocalista do The Word Alive), "We Are The Reasons" e "I Will Not Reap Destruction". Muitas vezes todos os elementos se cruzam de uma forma incrivelmente coesa e sensata. Não há a sensação de bagunça, de falta de norteamento. Álbum competente e muito ambiental, capaz de provocar diferentes sentimentos ao seu decorrer, como a flutuação de uma sonoridade imersiva e o despertar alerta da agressividade.
O ano foi encerrado com shows ao lado de I See Stars, Of Mice & Man e Broadway. "To Plant A Seed" viria a ser relançado em 2011 com uma faixa bônus e um DVD contendo entrevistas exclusivas, por trás das cenas, apresentações ao vivo, entre outros conteúdos inéditos. O áudio desse DVD está presente nessa postagem para download.
Dois anos mais tarde é a vez de "Understanding What We've Grown To Be" ser lançado. Trata-se de um registro de audição um tanto mais complicada à princípio devido às escassas passagens pelas quais se apegar. A sonoridade é mais linear, homogênea e bem mais violenta do que aquela praticada no disco anterior, não apresentando a mesma alegria. Os elementos eletrônicos são menos explorados - ou explorados de forma mais tímida em meio à turbulência sonora - e ele tem uma característica mais voltada ao "Core". A postura mais obscura e densa rendeu como resultado um álbum que parece durar mais do que realmente dura (47 minutos, fora a faixa bônus). Tecnicamente não há nada de errado e é um ótimo álbum, contudo, não dota do mesmo charme de seu antecessor.
"Understanding What We've Grown To Be" alcançou a vigésima posição na Billboard 200. Uma turnê foi realizada na sequência, passando por diversos festivais principalmente nos Estados Unidos e Canadá, e posteriormente para fora do país ao lado de outras bandas como August Burns Red.
O terceiro álbum de estúdio se chama "Tracing Back Roots" e foi lançado em 2013. O título faz jus à sonoridade, já que é mesmo um verdadeiro rastreio de volta às raízes. As músicas voltam a apresentar alegria. São mais abertas, cheias de refrões marcantes e passagens repletas de personalidade. A veia eletrônica volta a pulsar, o ambientalismo novamente nos imerge. Contudo, há diferenças: a sonoridade se mostra mais voltada ao Alternative Rock, provocando uma maior incidência de vocais limpos do que de guturais, principalmente porque Dave Stephens - que anteriormente se dedicava apenas aos guturais -, agora direciona sua atenção também aos limpos (com drive), em dueto com Kyle Pavone. As linhas principais são suportadas por backing vocals constantemente acionados tanto para a tarefa de repetição de fim de frases quanto apoiando em coro. E por falar em coro, os "wo oh oh" são mais inseridos aqui do que nunca. A grande marca é que muitas das faixas têm refrões animados e contagiantes, fáceis de decorar e dignas de fazer a galera pular e cantar em um show, tais como em "Through The Darkest Dark and Brightest Bright", "Tell Me Now" e principalmente "Fade Away", que é fortemente comercial. A exemplo de "To Plant A Seed", o álbum também traz uma participação especial. A bola da vez é o Aaron Gillespie, vocalista do Underoath e The Almost, que aparece na faixa "I Survive". Como consequência do bom trabalho, alcançaram a oitava posição da Billboard 200.
Um ano mais tarde é lançado o DVD "Present, Future and Past", um excelente disco ao vivo com 14 faixas que demonstra uma banda bem postada ao vivo. Esse trabalho saiu apenas em DVD. No entanto, o áudio está presente nessa postagem.
Após uma extensiva turnê, o We Came As Romans voltou ao estúdio para a gravação do álbum homônimo, que viria a ser lançado no dia 24 de julho de 2015. O que mais impressiona negativamente aqui é a duração, pois são apenas 33 minutos totais. Apesar de começar e terminar num piscar de olhos, as canções têm muita qualidade e diversidade de recursos. Em um contexto geral, estão mais alternativas, distanciando-se do Metalcore e da marcante característica atmosférica. Entretanto, justificando a pluralidade, o conjunto lança mão de diversas jogadas, tais como elementos de Nu Metal, a exemplo de "Tear It Down"; uma imprescindível influência eletrônica, com breaks, duplicações de voz, batidas típicas e tudo mais, que são melhor notadas em "Savior of The Week", bem como orquestrações, presentes em "Flatline". Hits como "Regenerate" e a comercialíssima "The World I Used To Know" mostram um We Came As Romans forte e grudento, mas também realçam a ambição de se manter no mainstream, sem dúvidas, para garantir lucros.
Eu diria que o We Came As Romans é uma banda mais facilmente apreciada por quem já está acostumado com Metalcore, pois os vocais limpos podem não agradar aos que vêem o gênero de longe, embora, diante de toda a majestade do estupendo trabalho geral, possam ser tolerados. Isso não impede que a banda mereça os ouvidos de cada um. É uma pena que claramente busquem estar sempre no mainstream, o que faz com que a sonoridade se adeque cada vez mais aos parâmetros comerciais e a riqueza e complexidade anteriores sejam deixados para trás e substituídos por novos que, muitas vezes, não conferem a mesma impressão positiva. Ainda assim, os rapazes certamente lançaram grandes álbuns - principalmente "To Plant A Seed" que, ao meu ver, é mais capaz de agradar àqueles que não são adeptos do gênero. É um trabalho complexo e muito capaz de despertar emoções. Os caras, assim como a maioria das bandas de Metalcore, dispensam comentários. Por que não dar uma chance?


 Demonstrations (EP) (2008)

01 - Questions
02 - Motions
03 - Letters
04 - Numbers
05 - Colours


 Dreams (EP) (2008)

01 - Conditions
02 - Dreams
03 - Intentions
04 - Shapes


 To Plant A Seed (2009)

01 - To Plant A Seed
02 - Broken Statues
03 - Intentions (feat. Tyler Telle Smith)
04 - Roads That Don't End and Views That Never Cease
05 - Dreams
06 - We Are The Reasons
07 - Beliefs
08 - I Will Not Reap Destruction
09 - Searching, Seeking, Reaching, Always
10 - An Ever-Growing Wonder
11 - To Move On Is To Grow (Bonus Track)


Bonus DVD Audio:
01 - Introduction
02 - To Plant A Seed (Live)
03 - Making The Band
04 - Intentions (Live)
05 - Music With Meaning
06 - We Are The Reasons (Live)
07 - Tour Life
08 - To Move On Is To Grow (Live)
09 - Wacko Jacko
10 - Roads That Don't End and Views That Never Cease (Live)
11 - Credits


 Understanding What We've Grown To Be (2011)

01 - Mis//Understanding
02 - Everything As Planned
03 - What I Wished I Never Had
04 - Cast The First Stone
05 - The Way That We Have Been
06 - A War Inside
07 - Stay Inspired
08 - Just Keep Breathing
09 - Views That Never Cease, To Keep Me From Myself
10 - What My Heart Held
11 - I Can't Make Your Decisions For You
12 - Understanding What We've Grown To Be
13 - Roads That Don't End and Views That Never Cease (Live) (Bonus Track)


 Tracing Back Roots (2013)

01 - Tracing Back Roots
02 - Fade Away
03 - I Survive (feat. Aaron Gillespie)
04 - Ghosts
05 - Present, Future, and Past
06 - Never Let Me Go
07 - Hope
08 - Tell Me Now
09 - A Moment
10 - I Am Free
11 - Through The Darkest Dark and Brightest Bright
12 - One Face (Bonus Track)
13 - Recklessness (Bonus Track)


 Present, Future, and Past (Live) (2014)

01 - Tracing Back Roots
02 - Ghosts
03 - Fade Away
04 - Mis//Understanding
05 - I Survive
06 - Never Let Me Go
07 - Glad You Came (The Wanted Cover)
08 - Roads That Don't End and Views That Never Cease
09 - To Move On Is To Grow
10 - Present, Future, and Past
11 - A Moment
12 - Medley
13 - Hope
14 - To Plant A Seed


 We Came As Romans (2015)

01 - Regenerate
02 - Who Will Pray?
03 - The World I Used To Know
04 - Memories
05 - Tear It Down
06 - Blur
07 - Savior of The Week
08 - Flatline
09 - Defiance
10 - 12:30
11 - One Way Ticket (Bonus Track)
12 - Hope (Acoustic) (Bonus Track)
13 - A Moment (Acoustic) (Bonus Track)

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Download (Zippyshare)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Endless Fear - Discografia

O dicionário Michaelis define "banda" como uma palavra coletiva sinônima de "grupo" ou "facção", entre vários outros significados diversos. Em um contexto popular, a ideia que a palavra passa não fica diferente disso. Imaginamos sempre que por detrás de uma banda estejam pelo menos três músicos - ou, com menos frequência, dois -, cada qual com seu instrumento.
No entanto, o sentido da palavra vem sofrendo alterações nos últimos tempos, graças ao avanço tecnológico. Com a facilitação de gravações e produções caseiras de qualidade aliada a softwares de programação, multi-instrumentistas têm cada vez mais optado por se aventurar no modelo one-man-band, ou banda-de-um-homem-só. Agora, a palavra "banda" não mais está associada apenas à ideia de um conjunto de indivíduos tocando instrumentos harmonicamente, mas também puramente à soma harmônica dos sons de diferentes instrumentos, podendo ser reproduzida por somente um homem.
Percebendo-se capaz de dar cabo a esse tipo de proposta, o gaúcho João Roberto Cavanus acabou se tornando mais um expoente desse solitário modelo musical. Nascido no dia 27 de agosto de 1987, o multi-instrumentista natural de Guaporé (Rio Grande do Sul) assume por conta própria todas as tarefas relacionadas ao Endless Fear, projeto que fundou em 2013. E o que ele faz não é coisa simples, não: é um muito bem feito Progressive Death Metal adornado por traços de Thrash Metal.
No princípio, a intenção não era ser uma banda solo; João Roberto tocava em uma banda cover chamada Stormrider, que reproduzia clássicos de conjuntos como Iron Maiden, Helloween, Metallica, entre vários outros. Ao perceber que alguns amigos fora da cena headbanger estavam ingressando em projetos de músicas autorais, passou a também se interessar em exercer a criatividade e perpetuar aquilo que criasse. Os demais companheiros do Stormrider não se interessaram tanto em criar músicas próprias quanto João Roberto, por isso ele se viu na necessidade de deixar a banda e focar integralmente em suas novas ambições.
Foi então que ele começou a dar vida a riffs e composições que já vinham aos poucos sendo criadas e, por consequência, dar vida ao Endless Fear. Contudo, o músico encarava muitos empecilhos para concretizar o projeto, principalmente relacionados a finanças e estrutura. Sem condições momentâneas para pagar por um estúdio profissional, começou a juntar dinheiro para comprar equipamentos e montar seu homestudio com um mínimo de qualidade e economia. Enquanto isso, continuava os processos de composições e recorria bastante à internet para estudar sobre mixagem e masterização, algo que pretendia também fazer por conta própria.
À altura do início de 2015, seu pequeno mas próprio homestudio estava pronto para receber suas ideias. João Roberto passou então a se dedicar com ainda mais intensidade na conclusão das canções, finalizando-as ainda a tempo de lançar digitalmente o excelente álbum de estreia "The Curse Inside Me" em setembro do mesmo ano.
Diante da simplicidade e até aparente falta de segurança com a qual o músico se refere ao seu próprio trabalho, você acaba se contagiando um pouco e esperando algo menos do que realmente é. Contudo, a palavra aqui é "imprevisibilidade", sem dúvidas! Com capa editada por seu amigo Lucas Ruggini, trata-se de um álbum que infla, que cresce e conquista à medida que o set passa. Não bastando a melhora e envolvência significativas no transcorrer do tempo, as canções se tornam cada vez mais imprevisíveis, lançando mão de detalhes e ritmos inesperados que acabam por agregar positivamente à musicalidade.
Sim, o disco começa mais tímido, apesar de uma introdução que alimenta expectativas com sons ambiente de chuva, aplicação de violão dedilhado e lindos efeitos de teclado, que logo se convertem no peso de um potente Progressive Death Metal na segunda faixa, que dá nome ao disco. É ela mesmo que apresenta de cara boa parte do que será experimentado no álbum: peso, exploração de teclados solo, criativos e técnicos solos de guitarra, além de vocais guturais fechados e também vocais limpos. O segundo tipo não caiu tão legal nessa faixa, mas se fazem essenciais na emocional "Banned From Paradise", que é linda.
Os traços de Thrash Metal brotam mais claramente na pesada "My Inner Nature" e nos primeiros minutos de "The Face of Fear", que sucede a primeira e é inesperadamente instrumental, adornada com momentos marcantes e muito distintos entre si: começa elétrica, passa por uma quebra de ritmo ambiental e à base de violão no meio, até que se converte novamente em peso acompanhado por belos solos de guitarra.
Um breve minuto de refúgio jaz em "A Glimpse of Hope", calmo e atmosférico interlúdio que prepara terreno para a volta definitiva do esmagamento progressivo em "Abomination of Insanity". A propósito, essa faixa impressiona por sua qualidade e pega de surpresa na quebra de ritmo localizada por volta da metade, pois criativamente se transforma em um ar calmo e entorpecente de Rock Progressivo misturado com uma veia oriental, sustentados por teclado atmosférico e interessantes jogadas percussivas enquanto uma camada de teclado solo completa tudo isso. É brilhante! "Riding To Death" é mais uma faixa instrumental presente no trabalho, e com ela está a responsabilidade de fechar esse excelente disco com chave de ouro.
A variedade de momentos e ritmos que o disco contém é explorada com muita astúcia, não sendo, portanto, estranha, mas sim positivamente surpreendente e contextual. Toda essa beleza impressionantemente saiu da mente de apenas um jovem rapaz, que com criatividade e dedicação conseguiu entregar um trabalho conciso e coerentemente heterogêneo. João Roberto tratou de caprichar até mesmo na produção, que é acima da média para trabalhos independentes de bandas iniciantes, e ainda mais louvável levando em conta que o rapaz não tinha nenhuma experiência com produção musical na bagagem. Tudo o que aprendeu foi com o auxílio da internet. Realmente é um ótimo trabalho!
Um novo álbum está sendo planejado e a previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2016. Ele conservará todas as características musicais e estruturais apresentadas em "The Curse Inside Me", principalmente no que diz respeito a ser uma one-man-band com produção própria.
O Endless Fear conserva claríssimas referências ao Opeth destiladas em meio à influências de bandas como Pain of Salvation, Symphony X e Testament. Tenha certeza que o trabalho é muito bem feito e se você for fã de Opeth, fã de Progressive Death Metal, sentir-se-á em casa.

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 The Curse Inside Me (2015)

01 - Reflections
02 - The Curse Inside Me
03 - My Inner Nature
04 - The Face of Fear
05 - Banned From Paradise
06 - A Glimpse of Hope
07 - Abomination of Insanity
08 - Nuclear Catastrophy
09 - Riding To Death


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Scalblood - Discografia

Pode-se dizer que já chegamos a um ponto onde a nacionalidade de uma banda pouco determina se ela será boa ou ruim, mesmo em quesitos de produção. Todos os dias nos deparamos com bandas de muita qualidade vindas de todos os continentes, rechaçando qualquer tipo de receio por parte do ouvinte. Porém, é claro, por questões pessoais, alguns países acabam por ser mais atraentes do que outros, desequilibrando positiva ou negativamente o interesse em ouvir bandas de determinados lugares. Dentro desse raciocínio, certamente a Rússia é um país curioso. Seu clima, seu mistério, reforçados pela singularidade de suas excelentes bandas, alimentam a curiosidade de novos ouvidos, incluindo aos meus.
É por isso que os siberianos do Scalblood me despertaram interesse desde o princípio, e não me arrependi nem um pouco. Natural de Krasnoyarsk, o conjunto aposta suas fichas em um ávido Melodic Death Metal enriquecido com ampla exploração de sintetizadores e músicas contagiantes, cheias profissionalismo e consistência.
A princípio, o nome era outro. Quando fundada em 2008 pelo vocalista e guitarrista Ilya "Verz" Varavin e pelo baixista Roman "Loki" Soldatov, a banda era conhecida como Oddworld. Nessa época, havia muita instabilidade na formação, o que atrasou severamente quaisquer planos de lançamento imediato. Nesse ritmo a banda foi empurrada até 2011, ano em que decidiram gravar suas composições como uma dupla mesmo e lançá-las na forma de um EP independente.
Lançando mão do auxílio de bateria e sintetizadores programados para preencher as lacunas, as canções tomaram forma final e integraram o fodaço "Психология душевнобольных", primeiro registro do conjunto, lançado digitalmente através do VK oficial. Inegavelmente, trata-se de um tremendo pontapé inicial! Bem produzidas, as canções são curtas, mas não tão diretas. Dentro de pouco tempo os russos souberam encaixar riqueza e detalhes comuns a músicas maiores, gerando canções turbulentas e muito satisfatória. Em linhas gerais, o disco é pegado e agressivo, com fortes riffs bem elaborados, raivosos guturais rasgados e, de brinde, gratos traços de Black Metal. Mas, pareando com a violência, está o lado melódico, explorado o tempo inteiro por meio dos belos sintetizadores, que dão uma atmosfera mágica. A identidade do conjunto já estava claramente definida.
Com apenas 17 minutos de duração, o EP conta com quatro músicas cantadas em russo e uma bônus em inglês, "Virus", que é uma versão traduzida da terceira faixa, "Вирус".
A receptividade do público foi extremamente positiva, fazendo o compacto se espalhar amplamente pela web, conquistando entusiastas em diversas outras localidades da Rússia, estendendo-se também à Austrália, Estados Unidos e Europa.
Na sequência, um segundo guitarrista chamado Unbreak chegou a ingressar, mas rapidamente se desligou por volta de 2012, mesma época em que o nome da banda foi alterado para Scalblood, como é conhecida atualmente. Já com novo título e boas resenhas colhidas, estruturar a formação ficou um pouco mais viável. Foi então que chegaram o baterista Vladimir "Tiriont" Kaplun e a tecladista Elvira "Ella" Spridonova, conferindo um pouco mais de abrangência e segurança a uma banda que já vinha fazendo um excelente trabalho, mas precisava de recursos humanos para consolidar definitivamente suas ambições.
Ao longo dos anos de 2012 e 2013, várias apresentações foram realizadas em Krasnoyarsk e cidades siberianas dos arredores. Inclusive, algumas foram aberturas para outras bandas em turnê que por lá passavam, tal como os gregos do Rotting Christ. Os intervalos entre shows eram aproveitados para trabalhar em novas composições.
Já em 2014, notando que haviam acumulado músicas suficientes para gravarem o primeiro trabalho sob o novo nome, o quarteto entrou no Lakegray Studio para começar tudo. Após as gravações, enquanto elas eram mixadas e masterizadas pelo produtor Alexey Stetsyuk no Drygva Studio, um segundo guitarrista foi anexado à formação, chamado Alexey "Elder" Ermakov. Por chegar depois, seu nome não foi creditado na ficha técnica do disco.
Vários meses se passaram antes que o fantástico álbum "I" finalmente saísse. O lançamento só foi ocorrer de fato no dia 6 de outubro de 2015, através do selo Fono Ltda. Notoriamente, o debut é uma continuação da proposta já iniciada sob o nome Oddworld, porém, um pouco mais consistente e mais puxada para a veia melódica. Isso se dá devido à minimização das influências de Black Metal, maior participatividade dos teclados graças à chegada de Ella, além dos próprios arranjos das guitarras, que estão mais adocicados e apropriadamente Melodic Death Metal. Embora caprichosamente harmoniosas, as canções seguem agressivas, com um firme trabalho de bateria impondo ritmo acelerado - sem mencionar a postura mais fechada, vívida e violenta do vocalista Verz.
Novamente, a atmosfera é robusta, intensamente preenchida, e a principal graça jaz na beleza dos diversos detalhes sintéticos. Essa turbulência faz com que o disco renda bastante, por mais que ele seja curto (apenas 32 minutos totais de duração). Diferentemente do EP "Психология душевнобольных", as letras foram totalmente compostas na língua inglesa, reaproveitando, inclusive, a faixa "Virus". O resultado final é extremamente satisfatório e provoca muito deleite no ouvinte, tornando esse álbum um grande atrativo para o nome da banda e para aqueles que sempre buscam um Melodic Death Metal de verdadeira qualidade.
Não é brincadeira: o Scalblood está fazendo um excelente e sólido trabalho. Nem sempre temos acesso a bandas russas ao acaso, mas quando temos, é muito provável que elas maravilhem o ouvinte. Por isso, sem pestanejar, esses caras merecem uma chance. São especialmente atraentes para aqueles que gostam de bandas similares ao Children of Bodom, sua principal referência.

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E-mail: scalblood@gmail.com
verz13@ya.ru


 Психология душевнобольных (EP) (2011)

01 - Гармония Диссонанса
02 - Дракон
03 - Вирус
04 - Храм Зла
05 - Virus (Bonus Track)


 I (2015)

01 - Circle
02 - Agony
03 - House of Broken Mind
04 - Virus
05 - The Dragon
06 - The Temple
07 - Insomnia (Intro)
08 - Insomnia
09 - The Transmigration of Souls