Social Icons

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Father Karras - Discografia

A base da história todos nós conhecemos de alguma forma: dois amigos que se juntam para, sem maiores compromissos, fazerem um som enquanto tomam algumas cervejas. Foi dessa forma simples, genérica e efetiva que em 2010 o vocalista e baixista Rafael "Thunder" Duarte e o guitarrista Marcos Giliberti deram início à excelente banda Father Karras, cuja sonoridade é calcada no Heavy/Thrash Metal. Aliados à experiência na bagagem que já carregavam após muitos anos de underground em sua cidade - Sorocaba, no interior de São Paulo -, o conjunto se mostra preciso e competente em suas composições, que trilham fortemente os caminhos das ramificações alemãs do gênero.
Tão logo as primeiras composições surgiam e a qualidade delas ficava clara, não tardou para aquilo que era apenas uma diversão se tornar algo realmente sério. Por isso, visando profissionalizar de vez o Father Karras, a dupla convocou o amigo Goro para preencher a função de baterista e tornar a banda completa na configuração de um power trio. Agora com o line-up sólido, empenharam-se em finalizar o processo de composições das primeiras músicas para rapidamente apresentarem seu material para o público.
Com isso, o primeiro registro fonográfico do conjunto surge em 2011 no formato de um EP independente intitulado "The First Exorcism". O trabalho é composto por quatro faixas, dentre as quais três são autorais e uma é cover de "Raise Your Fist", do Running Wild. Seus 16 minutos totais de duração demonstram uma banda que apesar de ainda ser um tanto seca e não empolgar muito, tem dote para melhorar - o que fatalmente aconteceria anos mais tarde. Tal ideia se fundamenta principalmente no que diz respeito aos solos de guitarra, executados com excelência e precisão, bem como na harmonia dos arranjos e das linhas vocais, que reproduzem ótimas passagens, sobretudo nos refrões. Entretanto, falta vida e entrega no rasgado vocal de Rafael e, por questões de produção, a guitarra base estar mais baixa retira o feeling e potencial das canções.
Embora não seja uma obra máxima - compreensivelmente por se tratar de apenas os primeiros passos -, o compacto é bom e rendeu certa visibilidade à banda na cena sorocabana e regional, convertida na forma de shows em eventos pelos arredores.
A formação sofreu instabilidade pela primeira vez no princípio de 2012, quando o baterista Goro deixou o conjunto. Zé Piedade entrou em seu lugar na sequência, porém, não ficou muito tempo. Sua saída implicou no retorno de Goro.
Com o line-up original de volta, o trio focou nos trabalhos para o álbum de estreia, cujas sessões de gravação tiveram início já em outubro de 2013. No entanto, por diversos motivos, o processo levou muito mais tempo do que planejavam. Como consequência, "Prisoners of The Flesh" foi lançado apenas no dia 4 de janeiro de 2015.
Tanta demora para esse lançamento independente pode ter sido um fator de certo desânimo, mas isso não se estende à sonoridade nele exibida. A evolução é claríssima em todos os aspectos - de composições à produção -, desembocando num trabalho digno, de muito respeito e apreciação.
Com produção melhorada, todos os elementos que compõe as canções são, por consequência, melhor realçados: a guitarra é esmagadora, a bateria é potente e o baixo, estrondoso. Atrelado a esses atributos, testemunhamos músicas muito bem compostas, com riffs harmoniosos e criativos cujo peso soa prazeroso, além de viçosas linhas vocais de muita presença. Vale mesmo destacar o rasgado vocal de Rafael, que está mais técnico e profissional, claramente confortável com a proposta musical. Os solos de guitarra estão ainda mais empolgantes, conferindo muita velocidade e técnica em sua execução. Para a nossa alegria, todas as canções têm solos, um melhor do que o outro.
No que diz respeito ao ritmo, ele não oscila muito de faixa para faixa. Nenhuma é lenta demais, nem rápida demais, preservando, portanto, um certo padrão de pegada sem que isso signifique retilineidade nos arranjos. Afinal, as 10 canções do disco são muito bem arquitetadas e compõem um álbum maduro de 41 minutos totais que aparentam durar mais, embora não caracterize nem de perto uma audição desgastante. É bem provável que ao fim da primeira audição, os refrões de algumas canções sejam lembrados.
Com o avanço composicional veio também o estreitamento dos laços da sonoridade com sua mais claras influências alemãs: o Thrash Metal alemão de bandas como Kreator e Tankard e Heavy Metal de Grave Digger e Running Wild, algo que engloba instrumental e vocal. Para os headbangers que gostam de sempre mais daquela veia alemã que amam, o Father Karras é um prato cheio. Porém, a demasiada similaridade implica também em ausência de identidade, algo que muito se preza e busca em um estilo já saturado. São dois lados de uma mesma moeda, certamente, mas o negativo não diminui o excelente trabalho feito pelos sorocabanos.
Após o lançamento, o baterista Goro novamente deixa o conjunto, cedendo espaço para que David se efetive em seu lugar.
Você que gosta de Thrash Metal alemão pode ter certeza que ficará muito satisfeito com o trabalho do Father Karras. Não reinventam a roda, claro, mas fazem com muita competência aquilo que se dispõem a fazer e podem ainda melhorar no futuro, quiçá encontrar sua própria identidade, aquela espécie de arranjos ou solos que traduzem a personalidade dos músicos. Não deixem de curtir a página da banda no Facebook, adquirir o material e seguir acompanhando as novidades dos caras!

|    Facebook Page    |    YouTube Channel    |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mails: rafael_thunder@yahoo.com.br
marcos.giliberti@bol.com.br


 The First Exorcism (EP) (2011)

01 - Coffin Joe
02 - Fathers of Death
03 - Raise Your Fist (Running Wild Cover)
04 - Father Karras


 Prisoners of The Flesh (2015)

01 - Our Gods Were Astronauts
02 - Sadako
03 - T.C.M.
04 - World of Dust
05 - Prisoner of The Flesh
06 - Joana D'Arc
07 - Gospel Freakshow
08 - Those Who Disagree
09 - Until The Day We'll Die
10 - The Wishmaster

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Válvera - Discografia

Até onde vai a sua paixão pela música pesada? A que ponto chega a sua sincera vontade de tocar uma vertente musical desfavorecida em diversos aspectos e, ainda por cima, em sua língua-mãe? Ao ponto de largar tudo, mudar de cidade e botar pra foder?
Fazer Heavy Metal no Brasil é uma tarefa financeiramente arriscada, com muitos obstáculos. Exige dedicação, perseverança entre os membros da banda e muito, muito amor. Felizmente, existem pessoas dispostas a encarar as incertezas e o desconhecido para fazer aquilo que as cativa. Pessoas como o quarteto que compõe o Válvera, banda paulista que vem conquistando território com seu honesto e consistente Heavy Metal cantado em português.
Natural de Votuporanga, no interior de São Paulo, o conjunto acreditou piamente na capacidade de seu som e partiu rumo à capital paulista munido de nada além de expectativas e boas ideias na cabeça. Como recompensa, conheceram grandes pessoas envolvidas com o Metal na terra da garoa e começaram a construir um nome para si, tendo como firmamento uma sonoridade pesada, batedora de cabeça e ostentadora de clara qualidade.
A banda nasceu de fato em janeiro de 2010, quando o vocalista e guitarrista Glauber Barreto encontrou o guitarrista Rodrigo Torres e, juntos, decidiram dar à luz um projeto que demonstrasse a verdadeira identidade musical de ambos. Era algo que ansiavam, já que anteriormente passaram por bandas de Blues, Punk Rock e Hard Rock (como é o caso de Glauber), e até MPB (já no caso de Rodrigo). Foi assim que surgiu o Válvera, cujo peculiar nome representa com muita dignidade aquele momento em especial. Trata-se da fusão das palavras "válvula" - referente aos amplificadores valvulados, tão ansiados por aqueles que buscam um som pesado - e "paulera", já que a dupla havia acabado de comprar amplificadores valvulados e estava muito empolgada com a pauleira que poderia produzir.
Jesiel Lagoin se juntaria à banda apenas um ano mais tarde a fim de ocupar a função de baixista. Muito tempo se passou após sua chegada sem que ninguém se fixasse como baterista. A pessoa certa foi encontrada somente em 2014, um ano após os votuporanguenses corajosamente abandonarem seus empregos e partirem para São Paulo viver de música. Lá conheceram Vini Rossignolo, que assumiu as baquetas e fechou o line-up, possibilitando que a banda se preparasse mais apropriadamente para o lançamento do álbum de estreia.
Foi então que entraram no renomado estúdio Mr. Som e trabalharam com suor e dedicação nas músicas que comporiam o primeiro disco, cuja produção ficaria a cargo dos experientes Marcello Pompeu e Heros Trench, ambos do Korzus. O primeiro exemplar do que estava sendo feito saiu em fevereiro de 2015 na forma de um lyric-video da faixa "Extinção", certamente uma das melhores do conjunto. Aperitivo à altura do que viria a ser o trabalho completo.
Uma série de apresentações foi realizada tanto em São Paulo quanto no noroeste do Estado por volta daquele tempo, inclusive no festival Metal Pesado Brasileiro, no SESC Osasco, dividindo o palco com bandas como Almah, Claustrofobia, Kiko Loureiro e Korzus. Era aquecimento para o show de lançamento do primeiro álbum, que viria na sequência contando também com a presença dos grupos Muqueta Na Oreia e Metalmorphose.
Enfim lançado no dia 1º de agosto de 2015 através da Muqueta Records e distribuído pela Voice Music, o debut "Cidade Em Caos" emerge para somar em um meio onde cada vez mais bandas optam por transmitir suas mensagens em português, coroando excelentes performances musicais. Muitos alimentam receios por Metal cantado em português, mas não há motivos para tal. Aqui, a língua se encaixa com perícia e naturalidade nesse estilo acostumado com o inglês, sem causar estranheza.
Já a musicalidade é de uma pluralidade quase imperceptível, tamanha linearidade de cada um dos elementos. De difícil rotulação, as canções transitam pelo Heavy Metal tradicional, Thrash Metal e até mesmo Hardcore com uma facilidade impressionante, sem deixar a peteca cair e mantendo fiel a mesma atmosfera e postura pesadas. Tal característica define com precisão o objetivo do quarteto de simplesmente fazer música, sem se prender a rótulos e deixando as composições falarem por si. Convém defini-los como Heavy Metal, mas o rótulo é impreciso diante da grande competência e abrangência do que foi feito aqui.
As músicas são pegadas; exigem bateção de cabeça, um copo de cerveja na mão e aquela companhia divertida. Por meio de carismáticos vocais dotados de drive e memoráveis arranjos carregados de criatividade e adrenalina, o ouvinte é facilmente contagiado pelo clima e corre o risco de se empolgar com a explosão de energia dos velozes e muito bem executados solos de guitarra. Entretanto, nem só de porrada o disco é feito; sem quebrar clima, linhas instrumentais mais cadenciadas também fluem, levando o vocal de Glauber Barreto a amaciar de acordo. Até mesmo o uso de violão é explorado em faixas como "Escravo do Acaso" e "Extinção". Certamente, "Cidade Em Caos" é um trabalho maduro e sólido, servindo como um grande pontapé inicial para uma banda que demonstra potencial para oferecer coisas ainda melhores no futuro.
Um videoclipe promocional de "Pra Baixo dos Pneus" foi posteriormente lançado no canal do Válvera no YouTube. Faixa pegada e recomendadíssima! Minha preferida do trabalho.
Não é qualquer banda que tem a coragem para largar tudo e apostar no Metal como o Válvera teve. Mas sua astúcia está sendo recompensada com excelente receptividade nos shows, positivas resenhas sobre o álbum de estreia, contratos e contatos primordiais e, claro, música da melhor qualidade. Mais uma banda para rechaçar a resistência de alguns pelo Metal cantado em português. É Metal "pé na porta"! Não se esqueçam de deixar seus likes na página no Facebook e adquirir o material da banda!

|    Official Website    |    Facebook Page    |    Twitter    |
|    YouTube Channel    |    ASE Music    |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: bandavalvera@gmail.com
music@asepress.com.br

TELEFONE:
(17) 98164-4642 - Rodrigo Torres


 Cidade Em Caos (2015)

01 - Pra Baixo dos Pneus
02 - Cidade Em Caos
03 - O Miserável
04 - Escravo do Acaso
05 - Sangue e Ouro
06 - O Céu Pode Esperar
07 - Redenção
08 - Hora do Show
09 - Extinção


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ne Obliviscaris - Discografia

Nos tempos atuais, mais do que nunca na história, diz-se que não há muito mais o que fazer no Metal senão reproduzir de diferentes maneiras tudo aquilo que já foi anteriormente inventado. Diz-se que a originalidade e criatividade estão comprometidos. Tal alegação não é de todo mentirosa, afinal, todos conhecemos diversas bandas que são quase clones de outras, funcionando meio como uma extensão, um novo álbum das originais. Claro, isso é bom na perspectiva dos fãs, pois muitas vezes buscam mais de exatamente aquilo que tanto apreciam. Já musicalmente falando, não é algo muito interessante ou louvável.
Ainda assim, existem bandas que transitam na porcentagem equivocada da afirmação. É bem verdade que hoje surgem mais bandas misturando gêneros já existentes do que dando à luz estilos totalmente novos. Mas isso não quer dizer que a criatividade e viabilidade de fazer algo único não se manifestem. Na Austrália existe uma banda chamada Ne Obliviscaris que se mostra capaz de moldar canções incríveis a partir de estilos já existentes. Brincando com os opostos mais extremos da música, o sexteto é exuberante em sua musicalidade, caracterizada por longas e progressivas músicas de um momento alucinadas e, no seguinte, um breu de quietude e paz que sugam o ouvinte. Unificando basicamente Progressive Metal e Black Metal a diversos outros rótulos, muitos elementos acústicos, intensa exploração de violinos e vocais desde limpos a guturais - além de grande inteligência composicional -, a banda vem conquistando território com seu intenso e sonoro "caos organizado".
Embora esteja se tornando mais conhecida apenas a partir de 2012, a banda é relativamente antiga, já com mais de 10 anos de estrada acumulados. Suas origens remontam até o ano de 2003 na cidade de Melbourne, no Estado da Victoria, quando de fato tudo começou. O nome escolhido é tão excêntrico quanto a sonoridade que produzem. "Ne Obliviscaris" - pronunciado corretamente como "nai obliviscaris" - é uma expressão extraída do latim, que significa "não se esqueça".
Naquela época a formação consistia em Xenoyr no vocais guturais, Sheri-Jesse nos vocais sopranos, Adam Boddy na guitarra, Adam Cooper no contrabaixo, Corey Baker na bateria e Tim Charles no violino. Contudo, em apenas uma questão de dois anos, a maior parte do line-up foi reformulada de forma a restar apenas Xenoyr e Tim Charles como remanescentes originais - sendo que este último passou a dividir a função de violinista com a de vocalista limpo.
Logo, à altura de 2005, a banda estava com uma cara diferente por contar com, além da dupla original, Corey King e Matt Klavins nas guitarras, Brendan Brown no baixo e Daniel Presland na bateria. Essa foi a galera que entrou no Palm Studios em Melbourne em novembro de 2006 e gravou a demo "The Aurora Veil", lançada oficialmente e de forma independente em abril de 2007. Contendo três faixas que totalizam 33 minutos de duração, pouco nota-se que se trata de fato de uma demo. É muito bem gravada, o que valoriza a complexa e intensa sonoridade exalada nessas três canções, que viriam a integrar também o álbum de estreia. Apenas por alguns momentos percebe-se que é uma demonstração, talvez pela crueza do lado Black Metal em comparação com trabalhos posteriores, além dos vocais limpos estarem, por vezes, um pouco baixos, aparentemente alheios à porradaria sob os mesmos. Ainda assim, aquele era o retrato exato, musicalmente maduro e bem arquitetado do que consistiria a proposta da banda e como fazê-la soar.
Na sequência, aconteceriam mais algumas alterações na formação com as saídas do guitarrista Corey King em 2008 e do baterista Daniel Presland em 2011. Corey foi substituído por Benjamin Baret em 2009, enquanto Nelson Barnes chegou para a vaga de Daniel. Surpreendentemente, Barnes teve passagem relâmpago com fim decretado em 2012. A alteração foi então desfeita, já que Daniel Presland voltou ao posto.
As mudanças não alteraram a dedicação da banda para o álbum de estreia ao longo dos anos seguintes. O lançamento do tão aguardado título teve de esperar cinco anos desde a demo - até maio de 2012, quando veio à luz através da Code666 Records. Toda essa demora ocorreu principalmente devido à burocracia para a obtenção do visa australiano para Benjamin Baret, que é francês
"Portal of I" é uma grandiosa conclusão daquilo já anteriormente praticado na demo "The Aurora Veil". Aquela atmosfera inconstante e abruptas mudanças de andamento foram preservadas de uma forma incrivelmente fantástica e imersiva. Contudo, não há como negar que os extensos 71 minutos totais de músicas complexas, bem preenchidas e abundantes em detalhamentos instrumentais e vocais são bastante cansativos, mesmo que praticamente todas as músicas tenham momentos calmos e mais ambientais. Eles não bastam pra "descansar" os ouvidos, ainda mais que as canções têm em média 10 minutos de duração. Mesmo assim, apesar da grande demanda de energia para ouvi-la em sua totalidade, a obra é incrível e minuciosamente trabalhada.
É possível notar uma grande pluralidade de influências e recursos inseridos, sejam fundidos ou puros. Black Metal e o Progressive Metal são os estilos centrais que frequentemente se manifestam separadamente ou em crossovers plenos, cada qual conferindo técnica, versatilidade e violência ao outro. O Black Metal também entrega os raçudos guturais rasgados típicos, além da intensidade sonora e os blast beats da bateria. Já o Prog proporciona criatividade nos arranjos nos momentos em que rouba a cena, exibindo técnica, composições mais complexas e uma maior liberdade nas lindas linhas de baixo. A maleabilidade progressiva se estende aos ótimos vocais limpos, que geralmente cantam de forma arrastada, com notas muito bem sustentadas e equilibradas. Tal característica dá uma sensação de cadência e flutuação por mais que a fúria proveniente do Black Metal ainda se manifeste no instrumental.
Atrelado a isso, influências de Death Metal também fluem, bem como o Shred em trechos mais amenos, quando a técnica progressiva fala mais alto.
As duas polaridades vocais nem sempre assumem cada uma de uma vez certo momento da música, mas sim cantam ao mesmo tempo. Frequentemente um se torna backing vocal do outro, criando uma disparidade interessante e até insana, porém, coesa.
Sem dúvidas, em vista da dificuldade de assimilação do trabalho e ausência de refrões pegajosos ou fortemente marcantes como referência, o que oferece uma imprescindível beleza adicional é a linda e apelativamente técnica exploração dos violinos. Em momentos mais pegados, fornece arranjos melódicos, algumas vezes até em complemento com os profundos solos de guitarra, cheios de sentimento, enquanto nos momentos de calmaria, gera um ritmo distinto, mais dançante, refinado, daqueles que o levam a fechar os olhos e se deixar levar.
As canções são tão longas e há uma disparidade tão grande entre a agressividade e a paz que é comum o ouvinte crer que já se trata de outra música. Encarar tal característica como positiva ou negativa vai de cada um. Ainda assim, certamente, "Portal of I" é um álbum digno de parágrafos de elogios, mesmo que seja turbulento demais e ainda não demonstre a banda em sua mais consistente e apaixonante forma.
Ao contrário do longo tempo de espera entre os lançamentos anteriores, dessa vez foi um pulo para que o segundo álbum fosse lançado. Isso é justificável com base na excelente repercussão, positivas resenhas para "Portal of I" e consequente assinatura com o selo Season of Mist, responsável pelo lançamento do próximo título.
"Citadel" já é um álbum um pouco mais curto (totalizando 48 minutos de duração) e mais fácil de ouvir, mas a essência musical e característica de músicas extensas foram preservadas intactas e avassaladoras. Musicalmente, trata-se de um álbum mais equilibrado, não dotando, portanto, das inconstâncias e súbitas quebras de ritmo que tanto caracterizavam "Portal of I". Aqui, o Ne Obliviscaris é mais assimilável, mais temperado, maduro e também pé no chão. As canções não perderam a violência, mas não se mostram tão desenfreadas mais.
Atenção especial foi dada aos elementos acústicos, já que desfruta-se de uma maior incidência destes no decorrer das músicas com aplicação de violões, melhor trabalhamento nas linhas vocais limpas - que agora aparecem com mais frequência, variam mais de tom e estão mais belas - e uma simplesmente genial e apaixonante performance violinística, uma vez que o instrumento é explorado de modo extremamente romântico, por assim dizer. Sensacional!
Por outro lado, a fúria da veia Extrema da banda ainda lateja clamorosa, com muita intensidade e vivacidade, mas acoplando também alguns arranjos um tanto melódicos que, de certa forma, chegam a lembrar o Post-Rock. Ponto notável é também o melhor detalhamento e atenção aos solos de guitarra, que não são frequentes, mas, quando aparecem, são estupendos. Dando voz ao instrumental, os guturais geralmente são sustentados por uma segunda camada derivada da técnica, deixando as linhas mais demoníacas e encorpadas. Guturais mais fechados estão mais participativos, alternando ou concomitando com os guturais rasgados.
De modo geral, "Citadel" é um disco lindamente imersivo e obscuro, capaz de produzir uma atmosfera noturna difícil de não se deixar levar. Novamente, os violinos são parte importantíssima do maravilhoso clima desse trabalho tão sucinto. Ao contrário de seu antecessor, este não demanda paciência ou insistência para ouvi-lo em sua totalidade. A audição flui levemente e se mostra interessantíssima desde a atormentadora e horripilante introdução. Este é um disco perfeito para viajar e, ao meu ver, melhor do que "Portal of I". Entretanto, os dois discos são tão incríveis que a eleição do melhor varia de fã para fã.
Como resultado, o fantástico álbum alcançou a 42ª posição do ARIA Albums Chart, o ranking australiano.
Apostando nos milhares de fãs conquistados rapidamente, a banda começou em 2014 uma campanha de crowdfunding (doações financeiras on-line), visando arrecadar verba para realizarem uma turnê mundial. O objetivo era a arrecadação de 40 mil dólares australianos, mas a campanha foi tão bem-sucedida que arrecadaram mais de A$ 86.000,00, ultrapassando o dobro da meta. Isso prova como os australianos foram abraçados pelo público, que ansiava por vê-los.
Nisso que arrecadou mais do que precisava, a banda humildemente reaplicou a sobra nela própria, não visando seu engrandecimento às custas de dinheiro que não pertencia a eles, mas agradecer e presentear aqueles que os apoiaram. Por isso, em 2015, dois EPs intitulados "Hiraeth" e "Sarabande To Nihil" foram lançados de forma independente, limitados em tiragens de somente 300 cópias cada, especialmente para aqueles que participaram da campanha. São duas obras maravilhosas e raríssimas!
Em ambos os trabalhos, uma postura mais direta é apresentada, menos enfeitada e variante. As canções são pesadas, não contém momentos de quebra de ritmo e são menos técnicas. Embora o violino participe ativamente conferindo beleza e linhas melódicas, o mesmo não acontece com os vocais limpos, que são muito pouco aproveitados. Guturais fechados dominam tais linhas, sobrepondo-se até mesmo aos rasgados. Mesmo que sejam um pouco mais crus e objetivos, a musicalidade continua merecedora de respeito e admiração. Cada EP traz apenas três faixas, sendo que "Hiraeth" totaliza 28 minutos de duração e "Sarabande To Nihil", por sua vez, 22 minutos.
Ao conferir as obras lançadas pelo sexteto australiano, atesta-se o rebuscamento e elegância de seu som e fica muito claro por que andam colhendo tão bons frutos e conquistando uma base sólida de fãs que de fato os apoiam. O Progressive Black Metal é um técnico híbrido que vem conquistando espaço e, aos poucos, tornando-se mais comum. Certamente o Ne Obliviscaris tem sido um dos grandes propulsores disso e quem ainda não conhece deveria dar uma chance. Todos os discos são fantásticos!


 The Aurora Veil (Demo) (2007)

01 - Tapestry of The Starless Abstract
02 - Forget Not
03 - As Icicles Fall


 Portal of I (2012)

01 - Tapestry of The Starless Abstract
02 - Xenoflux
03 - Of The Leper Butterflies
04 - Forget Not
05 - And Plague Flowers The Kaleidoscope
06 - As Icicles Fall
07 - Of Petrichor Weaves Black Noise


 Citadel (2014)

01 - Painters of The Tempest (Part I): Wyrmholes
02 - Painters of The Tempest (Part II): Triptych Lux
03 - Painters of The Tempest (Part III): Reveries From The Stained Glass Womb
04 - Pyrrhic
05 - Devour Me, Colossus (Part I): Blackholes
06 - Devour Me, Colossus (Part II): Contortions


 Hiraeth (EP) (2015)

01 - Within The Chamber of Stars
02 - Felo de Se
03 - Beyond The Houglass

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

 Sarabande To Nihil (EP) (2015)

01 - Upon The Tongue of Eloquence
02 - When The Black Hands Dance
03 - All The Scarlet Tears

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Arena Metal - Discografia

Termos bandas de qualidade afim de fazer música pesada no país, sem dúvidas, é importante para a manutenção da existência de nosso cenário. Mas elas não andam sozinhas, não. O caminho seria bem mais árduo se não existisse um outro componente motor, que é ninguém menos que a mídia especializada e fãs que se dedicam a noticiar, cobrir e promover essas bandas, direta ou indiretamente. Pois é. O povo que promove não tem a mesma visibilidade que as bandas, mas é parte importante desse processo de visibilidade, e quanto mais pessoas dispostas a desempenharem esse tipo de trabalho, melhor.
Uma das mais notáveis iniciativas para exposição de bandas é, com certeza, um disco gravado e lançado ou canções inclusas em coletâneas diversas. E é sobre coletâneas mesmo que essa postagem se trata, pois os pernambucanos do Arena Metal vêm desde 2008 realizando um trabalho de cobertura, sobretudo da cena local, e em 2015 decidiram lançar uma honrosa série de compilações a fim de apresentar ao ouvinte um pouco mais da astúcia e competência do som brasileiro.
No princípio, o Arena Metal produzia conteúdo no formato de um blog, visando fortalecer o cenário metálico do Estado de Pernambuco. Em pouco tempo, com o crescimento, migrou sua hospedagem para o provedor UOL, até que se firmou como um site de fato a partir de 2009. Desde então, a equipe atualmente composta por Ismael Guidson, Léo QuipapáHugo Veikon vem em crescimento oferecendo serviços promocionais de bandas, eventos, álbuns, notícias, entrevistas e quaisquer tipos de cobertura relacionadas com a música pesada em Pernambuco e no país, com atualizações diárias e sem nenhum intuito de obtenção de lucro.
Atrelado ao importante e relevante trabalho realizado, o Arena Metal também dispõe de um programa na web chamado "Insana Harmonia Grava", apresentado alternadamente por Hugo Veikon e Adriano Forte (vocalista do Lethal Rising), e disponibilizado no canal no YouTube no primeiro sábado de todo mês às oito e meia da manhã.
À altura do ano de 2015, o projeto expandiu as fronteiras com o lançamento digital de suas gladiadoras compilações, que levam o nome do Arena Metal. Até o momento, elas se encontram divididas em quatro volumes, cada qual especializado em um gênero específico, descrito no título após o prefixo "Gladiadores do". Podemos, com isso, degustar excelentes expoentes dos estilos Black Metal, Death Metal, Heavy Metal e Thrash Metal espalhados pelo território nacional. O projeto é transparente e conta com a ciência e autorização de todas as bandas envolvidas, em moldes similares aos também já feitos por nós do Warriors Of The Metal nas coletâneas "Warriors Of The Metal BR".
O tempo total de duração varia entre 33 e 63 minutos, algo excelente que não torna a audição cansativa em nenhum dos discos. Além disso, cada um deles traz um encarte em PDF extremamente bem trabalhado incluso, onde podem ser visualizadas as fotos e letras das bandas que compõem os materiais, tornando o serviço mais completo. Todo o trabalho gráfico é assinado por Hugo Veikon, exceto pela "Gladiadores do Heavy Metal" que, por sua vez, tem Adriano Forte como autor. As bandas envolvidas apresentam trabalhos sólidos e convincentes, agregando ainda mais valor à belíssima atitude dos pernambucanos.
Toda forma de divulgação pacífica e respeitosa é aplicável quando se deseja o melhor, e é isso que o pessoal do Arena Metal deseja: o melhor para nosso cenário, fortalecendo-o, expondo-o e provando que as bandas nacionais têm conteúdos de qualidade a oferecer, não devendo em nada para as bandas de fora. Tal ideal não poderia ser melhor expressado do que através dessa grande e humilde atitude de lançar coletâneas para apoiá-las e expandir nosso conhecimento! Não deixem de conhecer o excelente trabalho dos caras e acompanhá-los! Acessem o site para seguir as notícias e não se esqueçam de apoiar deixando suas curtidas na página no Facebook! Trabalho lindo feito com honestidade, transparência e eficiência.

|    Arena Metal Website    |    Facebook Page    |    YouTube Channel    |

CONTATO:
E-mail: contato@arenametalpe.com.br


 Gladiadores do Black Metal (2015)

01 - Amen Corner: Mutilated Children, Stolen Souls
02 - Diabolical Funeral: Ritual Diabólico
03 - Lusferus: Seasons of The Suffering
04 - Malkuth: Anticristum (Bellicus)
05 - Diabolical Tyrant: A Glimpse of The Profane
06 - Dark Tower: Lord Ov The Vastlands
07 - Lord Blasphemate: Opus Gnosticum Satannae: Ecclesiae Gnosticae Luciferiani Canon Missae
08 - Symphony Draconis: Supreme Act of Renounciation (S.A.O.R.)
09 - As The Shadows Fall: Total Destruction
10 - Belchior: Enthroned By Hell's Fire (Bônus)


 Gladiadores do Death Metal (2015)

01 - Sodamned: Oração À Virgem
02 - Venereal Sickness: Uselles Commanders
03 - Krueger: Return To Death
04 - Great Flesh Mind: Next Victim
05 - Bloody Violence: Lethal Nuclear Evil
06 - Trator BR: Jazz No Maligno
07 - Coldblood: Anthropomorphic Idolatry
08 - Vomitfication: Putrid Infection, Cadaveric Infestation
09 - Land of Tears: Pentekontoros
10 - A Red Nightmare: Hedonist
11 - Morthur: Warlock of The Underworld
12 - Dissidium: Michael Myers


 Gladiadores do Heavy Metal (2015)

01 - Lethal Rising: Against The Fear
02 - Higher: The Sign
03 - Kingbird: Daybreak
04 - Sunroad: Master of Disaster (Carved In Time)
05 - Camus: False Convictions
06 - X-Avenger: God Forsaken Lands
07 - Shadows Legacy: Blood and Sweat
08 - X-Empire: Warcry
09 - Excellence: Unmerited


 Gladiadores do Thrash Metal (2015)

01 - Phrenesy: Destroyer
02 - Lei do Kaoz: Ditadura Nunca Mais
03 - Agressor: Belo Morte
04 - Andralls: Desire To Glorify
05 - Alkymenia: Chaotic-Religion
06 - Outlanders: Kretaceous
07 - Psych Acid: Our Mistake
08 - Necromancia: Necrosphere

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Battle Beast - Discografia Comentada

O Battle Beast teve seu início em 2005, em Helsinque, Finlândia. Desde o começo, a banda passou a chamar a atenção por trabalhar um som que transita entre o Power e o Heavy Metal, aliados aos vocais femininos. Em 2008, a coisa se tornou mais séria e os membros passaram a tratar a banda como prioridade.
Apesar de utilizar a maioria dos elementos que saturaram o estilo e o tornaram clichê, tais como teclados, partes orquestradas e sinfônicas e refrões grudentos, a banda conseguiu se destacar por fazer um som mais original, tanto na parte instrumental, quanto pela qualidade de sua vocalista.
O conjunto foi destaque no Wacken Metal Battle em outros festivais pela Europa, o que rendeu um acordo de gravação do primeiro álbum, Steel, pelo selo Nuclear Blast.
O álbum sai em 2011,  época em que o conjunto possuía a seguinte formação: Nitte Valo (vocais), Anton Kabanen (guitarra e vocais), Juuso Soinio (guitarra), Eero Sipilä  (baixo e backing vocals), Janne Björkroth (teclados), Pyry Vikki (bateria).
Steel mostra uma banda com muita personalidade e conquistou rapidamente a mídia especializada, que rendou elogios ao conjunto, grande parte deles destinados à Nitte Valo, por sua forma de cantar que em alguns momentos lembra o grande Ronnie James Dio, guardadas as devidas proporções. O disco todo é excelente, mas as faixas escolhidas como single Show Me How To Die e Enter The Metal World tornaram-se mais populares.
Após o lançamento, saíram em uma turnê tocando ao lado do Nightwish. Assim que acabou, a vocalista Nitte Valo anunciou que estava de saída, o que abalou o conjunto e fez com que muitos colocassem em dúvida sua continuidade. Mas a banda reagiu e rapidamente trouxeram a vocalista Noora Luohimo. Dona de uma voz igualmente poderosa, substituiu à altura Valo, apesar das características diferentes, o que foi bom, pois evitou comparações entre as duas.
Já em 2013, lançaram seu segundo álbum, o incrível Battle Beast. Noora demonstrou que poderia elevar o conjunto a outro patamar, principalmente por ser muito mais versátil que Nitte.
Além de poder explorar melhor as partes sinfônicas, Noora mostrou-se mais carismática, o que refletiu numa melhor aceitação do trabalho. Entre os destaques, o disco estão Let It Roar, Into The Heart Of Danger e Black Ninja. O disco teve ótimas vendas não só na Finlândia, mas em todo o continente europeu, o que rendeu ao conjunto uma turnê ao lado das bandas alemãs Powerwolf e U.D.O.
A popularidade dos finlandeses também cresceu graças ao grande trabalho feito por sua gravadora, que fez o que foi possível para colocá-los em evidência em diversos canais de comunicação.
No início de 2015, o Battle Beast solta seu terceiro álbum, Unholy Savior. Apesar não ter o mesmo nível de seu antecessor, o disco ainda é bem acima da média, com uma banda mais amadurecida e segura. Faixas como Lionheart, Madness e a faixa-título, são excelentes e comprovam que estão no caminho certo para se tornarem um dos expoentes da nova geração do Heavy/Power Metal!


 Steel (2011)

01 - Enter The Metal World
02 - Armageddon Clan
03 - The Band Of The Hawk
04 - Justice And Metal
05 - Steel
06 - Die-Hard Warrior
07 - Cyberspace
08 - Show Me How To Die
09 - Savage And Saint
10 - Iron Hand
11 - Victory
12 - Stay Black (Bonus Track)

Ouvir (Spotify)

 Battle Beast (2013)

01 - Let It Roar
02 - Out Of Control
03 - Out On The Streets
04 - Neuromancer
05 - Raven
06 - Into The Heart Of Danger
07 - Machine Revolution
08 - Golden Age
09 - Kingdom
10 - Over The Top
11 - Fight, Kill, Die
12 - Black Ninja
13 - Rain Man
14 - Shutdown (Bonus Track)

Ouvir (Spotify)

 Unholy Savior (2015)

01 - Lionheart
02 - Unholy Savior
03 - I Want The World... And Everything In It
04 - Madness
05 - Sea Of Dreams
06 - Speed And Danger
07 - Touch In The Night
08 - The Black Swordsman
09 - Hero's Quest
10 - Far Far Away
11 - Angel Cry
12 - Push It To The Limit (Bonus Track)
13 - Wild Child (W.A.S.P. Cover - Japanese Bonus Track)

Ouvir (Spotify)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Pagan Throne - Discografia

O Rio de Janeiro é uma cidade conhecida por um povo tipicamente brasileiro, pela alegria, pelas cores, pelo intenso calor, pelas praias, pelo carnaval. Essa são algumas marcantes características que estabelecem uma antítese com relação ao cenário underground carioca. E dentro dessa antítese, em meio a tudo que tão fortemente caracteriza o Rio de Janeiro e o Brasil, está um som maravilhoso, diferente até mesmo do que se espera de uma banda de qualquer parte do país. Uma banda obscura, típica das neves, que reproduz riffs gélidos e vocais ferozes, composta por sanguinários guerreiros pagãos protegidos por armaduras e armados com espadas, clavas, lanças, machados e instrumentos musicais. Uma banda chamada Pagan Throne!
Nada impede uma banda de qualquer país de fazer o som que bem entender. Não há regras. Porém, certos gêneros são mais comuns em determinados países do que em outros, o que está muitas vezes relacionado com o clima e sociedade. É exatamente isso que torna os cariocas do Pagan Throne ainda mais interessantes: serem oriundos de uma cidade quente em um país onde o inverno praticamente não existe e ainda assim serem capazes de reproduzir com extrema qualidade uma sonoridade digna do norte europeu.
Calcados num negro e misterioso Pagan Black Metal munido de elementos ambientais, Folk e belas doses melódicas que preservam agressividade, os cariocas alcançam uma sonoridade fria como o inverno, obscura como um ritual, épica como uma batalha heroica, violenta como o sangue dos inimigos respingado em seus corpos. Com músicas muito bem compostas e reproduzidas com maturidade, lucidez e precisão, esses caras vêm conquistando merecidamente seu espaço entre fãs e mídia.
Assim como nos contos onde guerreiros renascem, a horda carioca surgiu das ruínas de uma banda anterior em 2004: o Bloodthiirsty. Embora inicialmente se tratasse apenas de uma alteração de nome, hoje consideram (em vista do amadurecimento e mudanças internas e externas à banda) que Bloodthiirsty e Pagan Throne são duas bandas distintas, mas que de fato uma veio da outra. Por isso, a princípio, a formação consistia em Rodrigo Garm no vocal, Gorgoth na guitarra, Lord Abaddon no baixo e Alexandre Daemortiis na bateria, a mesma que deu fim à história da primeira.
Ainda antes de lançarem qualquer trabalho oficialmente sob o novo título, a primeira baixa já aconteceu com o desligamento do baixista Lord Abaddon, o que não prejudicou suas contribuições, até por ele ser o responsável pela arte da primeira single "Northern Forests", composta por duas faixas e lançada apenas em 2006. Sem Lord Abaddon, Gorgoth ficou encarregado de gravar as linhas de contra-baixo.
Transcorreram-se então longos quatro anos até que o álbum de estreia fosse lançado. Ainda como um trio, mas agora contando extraoficialmente com Eddie Torres nos imprescindíveis teclados (instrumento não explorado até então), o conjunto apresentou seu foderoso e independente álbum de estreia "The Way To The Northern Gates". É muito interessante como o disco é fantástico desde a introdução, que epicamente abre as cortinas para um verdadeiro massacre pagão. Evidentemente, o que mais se sobressai aqui é um Black Metal tradicional à moda norueguesa, tocado com frenéticas palhetadas, blast beats na bateria, contra-baixo acompanhando e um feroz vocal rasgado levemente reverberado, dando a sensação de ecoar em meio à nevasca. Entretanto, mesmo nessa proposta, os caras se mostram um tanto excêntricos, já que com extrema coesividade souberam acoplar elementos extras que tornaram a sonoridade ainda mais exuberante. O ríspido Black Metal muitas vezes se converte em Melodic Black Metal, conferindo arranjos mais melódicos sem que deixem de ser agressivos, enquanto os teclados dão um ritualístico tom obscuro e atmosférico que entregam epicismo e densidade ao ambiente. Sobre o criativo e bem arquitetado instrumental, o vocal de Rodrigo Garm também demonstra positivas oscilações, já que por diversas vezes sai do gutural rasgado e engata em um gutural de tom mais mais grave e firme, aplicando fortes drives. Tal técnica reflete bastante o lado pagão da banda, que também divide espaço com o Black Metal e suas variações. Para deixar tudo ainda mais maravilhoso, Gorgoth abusa de técnicos e melódicos solos de guitarra, algo pouco explorado na categoria do estilo em que executam.
Embora as letras sejam sempre compostas em inglês, uma das canções foi escrita em português: "Ritual". Provavelmente, se a letra não for lida ou essa informação não for lembrada durante a audição, o ouvinte não perceberá a mudança de idioma em vista da naturalidade com a qual Garm canta.
Após o lançamento - que teve toda a tiragem esgotada -, novamente o line-up passou por algumas reformulações, provocadas principalmente pela saída do guitarrista Gorgoth em 2011. Por isso, três novos guerreiros se juntaram oficialmente à horda: a dupla de guitarristas Daniel Iunes e Raphael Casotto, além de Eddie Torres, o tecladista de sessão que gravou "The Way To The Northern Gates", mas agora efetivado na função de baixista.
Já como um quinteto, o Pagan Throne começou a trabalhar em novas composições, mas infelizmente o guitarrista Daniel Iunes reduziu a formação a um quarteto no ano seguinte. O ocorrido não atrapalhou os planos da banda, que seguiu trabalhando e acabou lançando, novamente de forma independente, o EP "Pagan Heart" em 2013.
Contendo apenas três músicas que totalizam 15 minutos de duração, agora a sonoridade está um pouco menos furiosa e mais propriamente Pagan Black Metal. Os teclados participam mais efetivamente da ambientação - embora não interfiram nos arranjos principais -, os solos estão mais melódicos e sentimentais, e o vocal de Rodrigo Garm apresenta ainda mais diversificação. Além das técnicas já utilizadas no debut, agora o rapaz introduz também uma brava postura mais "convocativa", como se suas palavras fossem direcionadas a filas de guerreiros, convocando-os à uma mítica guerra. Além disso, é a partir desse trabalho que um Folk mais característico começa a florescer, como pode ser apreciado na faixa-título. Posteriormente, saiu uma nova edição limitada do disco, trazendo duas versões ao vivo de "The Trial of The Gods" e "Disease of The New World", gravadas durante o festival ThorhammerFest.
Após o lançamento do EP, o conjunto volta a ser configurado como um quinteto com a adição de Bruno Hage nos teclados e programação, tornando a formação oficialmente completa.
Essa foi a formação que tão aplicadamente trabalhou no fodástico álbum "Swords of Blood", um disco que confirma que o Pagan Throne tece músicas de grande qualidade e merece os ouvidos e atenção dos headbangers brasileiros.
Gravado no Michelangelo Studio, no Rio de Janeiro, lançado em julho de 2015 através da Eternal Hatred Records e distribuído pela OnEye Records, Voice Music, Black Legion Productions e Rising Records, esse trabalho definitivamente prova que os cariocas de fato dominaram o Pagan Black Metal e o reproduzem com enorme competência. Trata-se de um álbum fenomenal onde, assim como no primeiro disco, a épica introdução orquestrada com direito a sons de uma invasão retratada com o chocar de espadas e relinchar de cavalos já causa grande expectativa pelo que está por vir. E, novamente, não decepcionam. As canções estão com passagens ainda mais criativas, onde cada pedaço da fórmula é marcante e distinto. O clima é ainda mais pagão e mais épico, algo reforçado principalmente nos refrões, que são tão memoráveis pela bravura com a qual são cantados, com backing vocals frequentemente acionados, semelhante a um coro de guerreiros brandando espadas ao céu diante do inimigo. Os teclados conferindo uma aura negra garantem uma imersão ocultamente sangrenta, intensificada pela técnica dos solos de guitarra, bem como pelos demoníacos vocais rasgados de Rodrigo Garm - que novamente abre o leque de recursos e faz uso de distintas técnicas e muito "teatrismo" na interpretação das letras, todas compostas por ele. O lado Folk Metal também é lindamente introduzido, manifestado através de canções com andamento um tanto mais festivo como "Beast of The Sea" e "Kingdom Rises", onde gaitas de foles ditam o sentimento. Mais Folk aparece na versão acústica de "Pagan Heart", que encerra o disco com uma postura acústica, fazendo uso de violões, música ambiental e sussurrantes vocais narrativos. 
Um videoclipe muito bem produzido e dirigido da faixa "Rites of War" foi extraído desse disco, ela que é uma das melhores desse trabalho que é simplesmente sensacional.
Certamente, um grande incentivo para quem desejar comprar o CD físico é o belíssimo trabalho gráfico de Marcus Lorenzet, da Art Spell Design, que é totalmente pareável com a quantidade de selos que assinaram com a banda e garantiram a qualidade do material. Todo o encarte é bem detalhado e ilustrado com lindas gravuras, onde nenhuma se repete, nem mesmo no fundo de caixa. Isso mantém o interesse em contemplar as páginas. Qualidade profissional, de banda top de linha, tal como de fato o Pagan Throne é. Não deixem de obter o material. Basta entrar em contato com os caras através do Facebook!
A horda do Pagan Throne vem fazendo um trabalho merecedor de longos parágrafos de elogios. Não é à toa que vem colhendo positivas respostas da mídia crítica dos fãs. Sem dúvidas, é uma banda para se ficar de olho e acompanhar de perto. Ainda há muito território a ser conquistado no mundo inteiro. Os cariocas estão prontos, com armas empunhadas. Eis então a sua chance de se juntar à horda e garantir que o Brasil e o mundo sejam conquistados com o grande talento desse som! Para isso, conheçam os discos! Curtam a página no Facebook! Comprem o material físico! Vale a pena!!
"O corvo negro traz o sinal. Das invasões ao caminho das sombras, a espada sempre estará banhada de sangue."

|    Official Website    |    Facebook Page    |
|        Facebook Profile    |    ReverbNation    |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: paganthrone@gmail.com


 The Way To The Northern Gates (2010)

01 - For The Battle
02 - Black Hordes
03 - Course of The Old Domain
04 - March of The Tyrants
05 - Ritual
06 - Countess of Night
07 - Northern Forests (Bonus Track)


 Pagan Heart (EP) (2013)

01 - The Trial of The Gods
02 - Disease of The New World
03 - Pagan Heart
04 - The Trial of The Gods (Live ThorhammerFest) (Bonus Track)
05 - Disease of The New World (Live ThorhammerFest) (Bonus Track)


 Swords of Blood (2015)

01 - Invasion
02 - Swords of Blood
03 - Rites of War
04 - Fallen Heroes
05 - Northern Forests
06 - Beast of The Sea
07 - Kingdom Rises
08 - Dark Temples
09 - Path of Shadows
10 - Pagan Heart (Acoustic Version)


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As Do They Fall - Discografia

A maioria dos headbangers começa a trilhar a estrada como ouvinte de Metal ainda criança, ou pelo menos ainda durante a adolescência. Mesmo que o indivíduo não tenha crescido com o incentivo dos pais para aprender a tocar algum instrumento, esse estímulo brota com naturalidade em vista da maneira formidável com a qual seus ídolos os tocam, influenciando os jovens a aprenderem também. Isso muitas vezes faz com que ainda cedo essa rapaziada forme uma banda... e, cara, quando a aptidão para fazer música está no sangue, nada segura. Músicas de qualidade são compostas naturalmente, embora, em um primeiro instante, ainda necessitem do aprimoramento resultante da experiência que vem apenas com a prática junto da idade.
Falar da idade aqui é interessante porque tem relação com os gaúchos do As Do They Fall. São garotos fazendo música boa e batalhando por ela. Garotos que se mostram conhecedores dos caminhos de como executar Southern Metal/Metalcore com qualidade e têm pleno potencial de refinar ainda mais suas habilidades e ideias.
O conjunto foi fundado em 2012 na cidade de Veranópolis, no Rio Grande do Sul, quando o quinteto Leonardo Cenci (vocal), Samurai da Silva (guitarra), Bruno Grapeggia (guitarra), Lucas Dall'Agnol (baixo) e Ricardo Ghiouleas (bateria) ainda tinha uma média etária de 17 anos. A princípio, ensaiavam canções cover de bandas como Pantera, MetallicaAvenged Sevenfold, Slipknot, System of A Down e Ozzy Osbourne, e as apresentavam ao vivo em eventos da cidade e região, mas não demorou muito para sentirem necessidade de compôr material próprio.
Em meio a esse processo que começou a tomar forma em 2013, ocorreu uma alteração na formação devido à saída do guitarrista Bruno Grapeggia, que foi prontamente substituído por Kelvin Salvetti, ex-companheiro de Lucas em outra banda. De cara nova, entraram no estúdio em 2014 e deram início às sessões de gravação do álbum de estreia. Porém, durante esse momento, mais uma baixa se irrompeu no line-up com a saída do baterista Ricardo Ghiouleas no início de 2015. Diante dessa situação, o guitarrista Kelvin Salvetti foi deslocado para a função vaga, já que tocava bateria em outra banda. As gravações tiveram sequência apenas com um guitarrista e essa configuração acabou se consolidando, já que não apresentaram desconforto nas apresentações ao vivo.
Enfim, o resultado final da dedicação tomou forma oficial em agosto de 2015, quando foi lançado o debut "The Pure Strain of Boozercore". Bem produzido por Roger Fingle na cidade gaúcha de Caxias do Sul, o disco tem um compasso soberanamente homogêneo e realmente bom de se ouvir. O som é pesado, no entanto, equilibrado. Não é nem cadenciado demais, nem pegado demais, e nesse passo segue praticamente todo o decorrer dos 52 minutos totais de duração, sem muitas quebras de ritmo. Mesmo com a sensação de linearidade, os riffs têm capricho e dão vida a canções bem compostas, de estrutura sólida e concisa. O objeto de maior variação é o vocal de Leonardo, que oscila entre distintas técnicas, usufruindo desde o vocal limpo melódico, passando pela aplicação de drives até a agressividade de um grunhido gutural. Já os solos de guitarra não são abundantes, mas quando aparecem, conferem técnica e precisão. De um modo geral, a sonoridade deixa claro o forte direcionamento Southern Metal enquanto elementos de Melodic Metalcore também se sobrepõem em determinados momentos, talvez até de forma inevitável pela influência dos músicos. Sem dúvidas, esse não é um trabalho exuberante, mas cumpre com evidente qualidade o seu papel. Para assimilá-lo melhor talvez sejam necessárias repetidas audições já que seus pontos de interesse jazem em detalhes e os refrões não marcam tanto, dificultando que o ouvinte se apegue imediatamente a alguma canção específica, exceto por canções como "Nemesis", "Burn (The City Down)" e "Stories That I Already Knew", que são um tanto mais pegajosas, sobretudo a primeira mencionada, que conta com um excelente trecho mais ameno onde certa influência percussiva Folk se manifesta.
Dando sentido à sonoridade, as letras falam de coisas dignas de tal cunho sonoro, principalmente em relação à brigas de bar e cerveja, tema central de todo bom Southern Metal e até do título do álbum. Assuntos como injustiças sociais, religião, política e vício em drogas também são abordados.
Como resultado inicial do ótimo trabalho, o álbum foi tocado em rádios e podcasts regionais, chegando a inclusive ter faixas reproduzidas na England.FM.
O que foi desenvolvido até o momento mostra que os gaúchos são lúcidos, competentes, e foram capazes de entregar um ótimo disco. É evidente que ainda têm muito mais a oferecer e têm condições de tal, mas isso não ofusca o quanto esse disco é bom. Ouvi-lo pede uma cerveja. Enquanto ouvem e tomam uma gelada, não deixem de curtir a página no Facebook e adquirir o material. Basta enviar uma mensagem para a página e negociar!

|    Facebook Page    |    Soundcloud    |

SHOWS & IMPRENSA:
TELEFONE:
(54) 9648-0349 - Kelvin Salvetti


 The Pure Strain of Boozercore (2015)

01 - Intro
02 - Leviathan
03 - F.G.S.
04 - Stories That I Already Knew
05 - Kill Your Dying
06 - Tripping Road Crew
07 - Burn (The City Down)
08 - Fall Down and Die
09 - Nemesis
10 - Crosses
11 - Relentless
12 - Scars On The Face of The Earth