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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Wolfsbane - Discografia

A injustiça é inerente ao mundo. Convivemos com isso todos os dias. Ela nos afeta e também vemos pessoas ao nosso redor o serem. Mas apesar da normalidade desse fator em nosso dia-a-dia, ele continua sendo inconformante. E se há um músico no mundo intensamente esmurrado pela injustiça, ele certamente é o Blaze Bayley. Eu fico inconformado!
O vocalista britânico ficou mundialmente conhecido a partir de 1994, ano em que ocupou oficialmente o posto de vocalista de uma das maiores bandas da história, o Iron Maiden, após a inesperada saída de Bruce Dickinson. À frente da Donzela, lançou dois criticados álbuns considerados por muitos os mais fracos e apáticos do conjunto: "The X Factor", em 1995, e "Virtual XI", em 1998. Eu gosto de ambos, mas é fato que são distantes do máximo potencial do até então quinteto, resultando em severas críticas dos fãs e sorrisos amarelados por parte da mídia especializada. Há quem diga que foi uma das piores catástrofes da história do Heavy Metal e que Blaze Bayley foi uma farsa, uma tentativa frustrada. Enfim, as críticas negativas são muitas. A sincera e esforçada, porém desprovida de carisma passagem de Blaze pela banda não foi muito frutífera e gerou na grande maioria a total rejeição e falta de respeito a qualquer coisa que o envolva. Mas e se eu disser que talvez mais do que o Blaze Bayley "estragou" o Iron Maiden, o próprio Iron Maiden "estragou" e limitou o vocalista?
Pois é. A fase não era boa. O baixista e compositor Steve Harris passava por depressão e pecava na criatividade, na paixão em fazer música. Compôs canções mornas e a própria arquitetura delas aplicava ainda mais limites a um vocalista que naturalmente já não dotava do perfil mais compatível com a banda. Foi catastrófico para a imagem do vocalista. Mas isso não quer dizer que ele seja ruim, como normalmente se julga. Muitos sequer procuram saber, mas no Wolfsbane, sua banda de origem, Blaze Bayley é quase irreconhecível e canta de modo cativante! Ao lado de excelentes músicos e usufruindo de altas doses de alegria e notável segurança, o cantor é convincente e mostra que deve ser respeitado. Isso sem contar a qualidade musical da banda em si, manifestada através de um Hard Rock de alto nível que provavelmente só não ganhou o mundo devido a ausência de músicas especialmente grudentas, que se tornavam sucesso absoluto nas estações de rádio da época. Duvida? Então ouça!
A história começa em 1984, quando o Wolfsbane foi fundado em Tamworth, na Inglaterra. A primeira formação era composta por Blaze Bayley no vocal, Jason "The Ace" Edwards na guitarra, Jeff Hateley no baixo e Poo-Poos na bateria. Já no ano seguinte ocorreria a primeira mudança, provocada pela saída de Poo-Poos e entrada de Stakk Smasher em seu lugar, que participou da gravação de uma demo homônima de quatro faixas lançada naquele ano mesmo de 1985. Este também permaneceria apenas um ano na função, saindo a seguir para a entrada de Steve "Danger" Ellett, solidificando assim a formação, que permanece inalterada até os dias de hoje. Dessa forma, lançaram mais uma demo em 1987, agora intitulada "Dancin' Dirty" e composta por cinco faixas.
Já em 1988, a banda se preparava para o lançamento do primeiro álbum de estúdio. Pré-aquecendo os ouvidos daqueles que os acompanhavam, lançaram dois rápidos EPs, nomeados "Loco!" e "Wasted But Dangerous", até que finalmente, em 1989, assinaram com o selo estadunidense Def American Recordings e apresentaram o álbum de estreia "Live Fast, Die Fast".
Sem dúvidas, este foi um ótimo álbum de estreia, já na veia do que seria o Wolfsbane dali em diante. Um Hard Rock de qualidade é executado, com músicas excelentes de boa dose de animação e fáceis de se ouvir. Os secos riffs são tocados com velocidade e os solos seguem o mesmo passo de modo técnico e bem trabalhado, sugando o ouvinte à sensação de correria. Tal sentimento é reforçado pela composição das linhas vocais, que também são cantadas geralmente com velocidade, quase balbuciando. Refrões destacáveis que repetem o nome da faixa, como em "Man Hunt", tornam a assimilação ainda mais natural. Ao contrário do que muitos pensam sobre a capacidade de Blaze Bayley, aqui ele tem uma excelente performance, com direito a puxadas agudas e vocais em tons realmente altos para a extensão dele. Apesar do disco não ser intenso e custoso de ouvir, os 35 minutos totais de duração se mostram suficientes.
O ano de 1990 foi bastante interessante para o conjunto, já que ganharam um pouco mais de visibilidade ao excursionarem pelo Reino Unido com o Iron Maiden na turnê de divulgação do álbum "No Prayer For The Dying". Ainda por volta da mesma época, lançaram o EP "All Hell's Breaking Loose Down At Little Kathy Wilson's Place", trazendo seis faixas - em sua maioria inéditas - distribuídas ao longo de 23 minutos de duração.
Passado mais um ano, é a vez do segundo álbum de estúdio sair, novamente através da Def American Recordings. Chamado "Down Fall The Good Guys", esse disco possibilitou ao Wolfsbane sentir, pela única vez em sua história, um pouquinho o gosto de alguma repercussão após a single "Ezy" figurar na 68ª posição dos charts britânicos. Melhor produzido e com duração mais longa (46 minutos), esse álbum é certamente superior ao primeiro disco, que já é digno de muitos elogios. Agora os arranjos estão melhor trabalhados, mais maduros e realmente pesados. Os solos seguem fodas, vívidos, muito bem encaixados, mostrando-se indispensáveis para a complementação da feliz energia musical exalada. Blaze Bayley não usufrui tanto de puxadas agudas como fazia em "Live Fast, Die Fast", mas continua apresentando uma excelente performance muito bem apoiada por participativos backing vocals que tornam a musicalidade ainda mais empolgante e animada. É evidente que a banda amadureceu bastante, até pela criatividade dos riffs, longe de serem lineares ou "enchedores de linguiça". A sonoridade ganhou complexidade, elevando o Wolfsbane a um nível digno de se internacionalizar.
Algum tempo após o lançamento, o contrato com a Def American Recordings foi rescindido porque a gravadora sentiu que as vendas não iam bem. Mesmo diante desse baque, o conjunto não desanimou. Seguiu compondo e se apresentando sempre que possível. Como resultado do empenho, o Wolfsbane recebeu o título de melhor banda independente do Reino Unido em 1993. Sem dúvidas essa visibilidade facilitou na obtenção de um contrato com a Bronze Company, selo responsável pelo lançamento de "Massive Noise Injection" - o primeiro álbum ao vivo do grupo - ainda em 1993 e pelo vindouro álbum de estúdio. Ainda antes do fim do ano ocorreu, através da Castle Communication Records, o lançamento de mais um EP, intitulado "Massive Noise EP", compreendido por quatro faixas dentre as quais duas são covers de "Born To Run", de Bruce Springsteen, e "For You", do Anti-Nowhere League.
Virando a página para 1994, "Wolfsbane", o terceiro álbum de estúdio do quarteto, é lançado. Muitos que conhecem a banda o consideram o melhor disco, o que não é algo estranho. A musicalidade herda com força total toda aquela beleza e cativação de "Down Fall The Good Guys", tendo como resultado mais um disco empolgante. Novamente testemunhamos um vocalista seguro e confortável. Um Blaze Bayley convincente e em forma, elevando tons e ocasionalmente rasgando a voz com facilidade. A atmosfera das canções preserva o já marcante alto astral do Wolfsbane, mas agora está um tanto mais turbulenta, mais intensamente preenchida. Em vista disso, a assimilação fica menos facilitada, mas não é nada difícil perceber como esse disco é realmente foda, de qualquer forma.
Uma edição limitada do álbum homônimo foi lançada pouco depois, trazendo um disco bônus com seis faixas.
Até aqui, o Wolfsbane vinha crescendo. A passos curtos, mas vinha. O som amadurecia, a quantidade de fãs aumentava - fiéis, diga-se de passagem -, gravadoras se interessavam em lançar os discos... mas abruptamente, em outra banda inglesa, uma vaga para vocalista foi aberta. O icônico Bruce Dickinson deixava o Iron Maiden e as audições para um novo homem no cargo tiveram início. Blaze Bayley acabou prestando audições e foi escolhido, em meio a diversos outros vocalistas do mundo inteiro, como frontman de uma das maiores bandas da história.
A longa agenda e ocupações no Iron Maiden não permitiam que Blaze Bayley fosse capaz de conciliar os afazeres entre as duas bandas e, já que havia um profundo sentimento de amizade entre os membros de sua banda de origem, o Wolfsbane acabou encerrando definitivamente suas atividades ainda em 1994.
E lá ia o vocalista tornar-se mundialmente conhecido - e, por que não?, mundialmente criticado. Enquanto isso, o guitarrista Jason Edwards, o baixista Jeff Hateley e o baterista Steve Ellett, os membros remanescentes do Wolfsbane, juntaram-se ao vocalista Jez Spencer e fundaram a banda Stretch em 1995. Por sinal, lançaram apenas o EP de seis músicas "World of Stretch" um ano mais tarde através do selo Cottage Industry.
Por outro lado, após dois álbuns lançados junto da Donzela, o clima estava ficando meio desgastado entre a banda e o público, e até mesmo entre os próprios membros. Steve Harris procurava motivos para dispensar Blaze Bayley e recolocar Bruce Dickinson na função, até que finalmente demitiu o vocalista em 1999. Separado do Iron Maiden, Blaze imediatamente deu início à sua carreira solo e já em 2000 lançou o excelente álbum "Silicon Messiah".
Os anos seguintes foram marcados pelo foco solo do vocalista, que vinha realizando um trabalho realmente foda - além de injustiçado pelo público - álbum após álbum, mas sem alimentar nenhuma esperança de que o Wolfsbane ressuscitaria. Tal ideia começou a circular apenas a partir de dezembro de 2007, quando o conjunto se reuniu após 13 anos de inatividade para uma pequena turnê através do Reino Unido ao lado do The Wildhearts. Foram apenas cinco shows, mas suficientes para dar a sensação de que a banda estaria ressuscitando de vez. Contudo, levou mais exatos dois anos para que o Wolfsbane voltasse, dessa vez abrindo para o The Quireboys. Novamente, a atividade não foi permanente. Mas após duas pequenas turnês em 2007 e 2009, é possível que a saudade de fazerem novas músicas juntos tenha batido forte, principalmente em vista de que tinham total condição de fazê-lo com qualidade.
Por isso, em 2010, foi anunciado que o Wolfsbane estava de volta com força total, sob a mesma formação clássica e estável de antes da saída de Blaze Bayley e que um novo álbum estaria a caminho nos tempos seguintes. Tudo seria feito de forma independente daqui em diante.
O lançamento de um EP ainda precedeu a chegada do honorável quarto álbum de estúdio, sendo ele um trabalho apresentado em abril de 2011, intitulado "Did It For The Money". Ele traz cinco faixas em seu conteúdo, sendo duas inéditas.
A seguir é enfim a vez do novo álbum "Wolfsbane Save The World" ser lançado em janeiro de 2012, passados longos 18 anos desde o homônimo de 1994. O período separados não deteriorou suas habilidades e entrosamento para a música de modo algum. Pelo contrário: o tempo fez bem. Esse não é um disco tão superior aos "pré-1994", mas mantém bem o equilíbrio de qualidade, não deixando a peteca cair. De produção moderna, a sonoridade não mais apresenta apenas aquele puro Hard Rock anteriormente executado, já que acopla também boas doses de Heavy Metal e até um fundinho pouco sensível de Post-Grunge. Tais adições destiladas no Hard geraram fortes faixas batidas e influenciaram também nos na timbragem dos trechos mais cadenciados, cedendo a roupagem de uma sonoridade moderna. A banda certamente segue afiada, inclusive Blaze Bayley, que muito se doa para ter uma excelente postura vocal, e de fato a teve. Canta com alegria e rasga a voz em agudos que tão poucos sabem que ele tem. Destaque, como sempre, para os grudentos refrões, cantados de forma a grudar na cabeça e sustentados quase sempre por backing vocals que realçam as melódicas linhas vocais. Não há dúvidas de que esse álbum demonstra um Wolfsbane consistente e convincente, ainda vivo, que não sente o passar dos anos e não se esquece como fazer essas excelentes músicas.
Uma turnê britânica teve início após o lançamento, e é mesmo uma pena que eles só excursionem por lá. Com álbuns tão dignos de atenção como os quatro que lançaram até o momento, já era para no mínimo terem feito shows por toda a Europa. Vale a pena ouvi-los. Vale mesmo!
Diante de toda a qualidade oferecida em seus lançamentos, é difícil não desenvolver um sentimento de inconformidade pelo Wolfsbane não ser reconhecido como merece e por Blaze Bayley ser apedrejado sem que muitos tomem conhecimento de seu verdadeiro potencial e zona de conforto. Cá está, então, uma vítima da provável baixa divulgação, com a negatividade maximizada graças aos fortes comentários de muitos fãs do Iron Maiden. Se você gosta de um energético, criativo e marcante Hard Rock na veia de bandas como Warrant, Europe, Firehouse e similares, ficará feliz em dar uma chance ao tão injustiçado Wolfsbane. Por que não?


 Wolfsbane (Demo) (1985)

01 - Manhunt
02 - Clutching At Straws
03 - The Follower
04 - G.S.B.


 Loco! (EP) (1988)

01 - Loco! Nitro (Methane Injected Turbo Super Fireball From Hell Mix)
02 - Dance Dirty! (Wickedly Sensual Grinding Pelvis Mix)
03 - Limousine! (Stains on the Back Seat Mix)
04 - Killer! (Slow Tortuous Death - Vomit Under A Full Moon Mix)


 Live Fast, Die Fast (1989)

01 - Man Hunt
02 - Shakin
03 - Killing Machine
04 - Fell Out of Heaven
05 - Money To Burn
06 - Greasy
07 - I Like It Hot
08 - All Or Nothing
09 - Tears From A Fool
10 - Pretty Baby


 All Hell's Breaking Loose Down At Little Kathy Wilson's Place (EP) (1990)

01 - Steel
02 - Paint The Town Red
03 - Loco
04 - Hey Babe
05 - Totaly Nude
06 - Kathy Wilson


 Down Fall The Good Guys (1991)

01 - Smashed and Blind
02 - You Load Me Down
03 - Ezy
04 - Black Lagoon
05 - Broken Doll
06 - Twice As Mean
07 - Cathode Ray Clinic
08 - The Loveless
09 - After Midnight
10 - Temple of Rock
11 - Moonlight
12 - Dead At Last


 Massive Noise Injection (Live) (1993)

01 - Protect & Survive
02 - Load Me Down
03 - Black Lagoon
04 - Rope & Ride
05 - Kathy Wilson
06 - Loco
07 - End of The Century
08 - Steel
09 - Temple of Rock
10 - Manhunt
11 - Money To Burn
12 - Paint The Town Red
13 - Wild Thing


 Massive Noise EP (EP) (1993)

01 - End of The Century
02 - Temple of Rock
03 - Born To Run (Bruce Springsteen Studio Cover)
04 - For You (Anti Nowhere League Cover)


 Wolfsbane (1994)

01 - Wings
02 - Lifestyles of The Broke & Obscure
03 - My Face
04 - Money Talks
05 - Seen How Its Done
06 - Beautiful Lies
07 - Protect & Survive
08 - Black Machine
09 - Violence
10 - Die Again

Bonus CD:
01 - Rope & Ride
02 - Want Me
03 - For You (Anti-Nowhere League Cover)
04 - End of The Century
05 - Hollow Man
06 - Born To Run (Say Goodbye) (Bruce Springsteen Cover)


 Howling Mad Shitheads: The Best of Wolfsbane (Compilation) (2009)

01 - Loco
02 - Manhunt
03 - I Like It Hot
04 - Steel
05 - Paint The Town Red
06 - Totaly Nude
07 - Kathy Wilson
08 - Cathode Ray Clinic
09 - You Load Me Down
10 - Ezy
11 - Broken Doll
12 - Temple of Rock
13 - Dead At Last
14 - Money Talks (Demo)
15 - My Face
16 - Black Machine
17 - Want Me
18 - Born To Run (Say Goodbye)


 Did It For The Money (EP) (2011)

01 - Did It For The Money
02 - Limo
03 - G.S.B.
04 - Killing Machine
05 - Dance My Tune


 Wolfsbane Save The World (2012)

01 - Blue Sky
02 - Teacher
03 - Buy My Pain
04 - Starlight
05 - Smoke and Red Light
06 - Illusion of Love
07 - Live Before I Die
08 - Who Are You Now?
09 - Everybody's Looking For Something
10 - Child of The Sun
11 - Did It For The Money!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Maquinarios - Discografia

Diz-se que o Metal nasceu na Inglaterra e que, por isso, letras em inglês combinam mais com o estilo. Trata-se de uma meia-verdade. Pra ficar bacana, o Metal em outros idiomas depende unicamente da capacidade do compositores de fazê-lo soar natural. Por mais que alguns insistam em alimentar certa resistência ao estilo cantado em português e levantem a bandeira do "não tem nada a ver", há bandas espalhadas por aí que fazem a língua parecer inerente às guitarras distorcidas.
Por outro lado, em vista da grande quantidade de bandas cantando em inglês, existe também a parcela do público que clama por um pouco de identidade linguística. Especialmente para esse público, que deseja vislumbrar o velho Rock 'n' Roll em nosso idioma materno, o Maquinarios cai do céu. Para aqueles que têm resistência, a banda é uma prova de que estão enganados.
Estabelecendo bandas pioneiras como Black Sabbath, Made In Brazil e Patrulha do Espaço como norte de sua bússola musical, o trio entrega um forte Heavy Metal de qualidade, influenciado também por estilos como Stoner Metal, Hard Rock e até um fundo de Blues, sobrepostos por letras muito bem compostas interpretadas por memoráveis linhas vocais, principalmente nos refrões, que ficam na cabeça.
Embora tenham se assentado em Chapecó, no Estado de Santa Catarina, a partir de 2012, as origens do Maquinarios remontam até o norte do país, em Palmas, no Tocantins, quando de fato a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Watson Silva e do baixista Matheus Andrighi, em 2010. Alguns shows foram realizados naquela época já sob o nome atual, mas as variações na formação eram constantes, exceto pela dupla fundadora.
Em posse de algumas composições já bem adiantadas, decidiram se transferir para Chapecó (cidade de origem de Matheus Andrighi), onde por consequência fixariam a banda e traçariam suas ambições. Pensando no primeiro lançamento, o grupo viajou até São Paulo para gravar o primeiro EP, considerado por eles como um teste. A formação, naquele ponto, era completada com Ivan Silva no vocal e Cézar Fernandes nas baquetas, que participaram das gravações do trabalho.
Gravado e produzido no estúdio Mr. Som por Marcello Pompeu e Heros Trench (ambos do Korzus), o resultado saiu na forma de um EP de quatro faixas intitulado "Seis Milhas Para O Inferno", lançado virtualmente em 2013. Ele demonstra uma banda ainda nos primeiros estágios, sem uma identidade definida, mas que apesar disso, rende excelentes e energéticas faixas de fácil apegação. Os riffs são pesados e sujos, na mais homogênea mistura entre Heavy Metal e Hard Rock, com muitas arranjos "sabáticos". Tal influência inglesa é inclusive fortemente realçada numa quebra de ritmo em "Cinza Espúrio" que muito lembra a presente em "War Pigs". O alto e rasgado vocal de Ivan Silva acompanha apropriadamente a timbragem suja do instrumental, complementando com garra e vivacidade. Apesar disso, essas linhas vocais dão a impressão de precisarem de mais refinamento sobre o tom empregado, quando aplicar os drives, entre outros detalhes. Isso não afeta a excelência desse primeiro registro, de qualquer forma, até por ele ser mesmo um teste.
Não há muita homogeneidade entre as faixas desse EP, já que cada uma tem seu próprio ritmo. Algumas são mais energéticas como "Além da Estrada" e a faixa-título, enquanto a própria "Cinza Espúrio" tem momentos bem cadenciados. Tudo isso sob a roupagem de uma produção realmente excelente!
Contribuindo com ainda mais brilho ao disco, podemos apreciar as participações dos vocalistas Marcello Pompeu (Korzus) e Rogério Fernandes (Carro Bomba) na faixa que dá nome ao EP, mostrando que a banda estava muito bem acompanhada.
Após o lançamento, o Maquinarios voltou para Chapecó e passou por reformulações na formação com as saídas do vocalista Ivan Silva e do baterista Cézar Fernandes. Diego Massola foi o escolhido para preencher a função deixada por Cézar, enquanto o guitarrista Watson Silva deslocou-se também para o microfone, transformando a banda num trio completo. Dessa forma, anunciaram, então o relançamento do EP "Seis Milhas Para O Inferno" para março de 2014, agora com nova capa e também em mídias virtual e física.
Um pouco mais tarde, o trio iniciou pelo YouTube o projeto de uma série de dois vídeos chamada "Live In Studio". Gravados no Top Studio, as filmagens tinham o intuito de apresentar o novo Maquinarios, já na aguda voz de Watson, e, de quebra, promover o lançamento da edição especial do EP. Os vídeos exibem as regravações de duas faixas: "Seis Milhas Para O Inferno", lançada em junho; e "Além da Estrada", lançada em setembro. O "Live In Studio" foi promovido no programa Temos Vagas da 89 FM, de São Paulo, além de outras estações de rádio.
Com a repercussão, já no fim daquele ano de 2014, os caras foram agraciados com a oportunidade de se apresentarem no Estúdio Showlivre, onde tantos outros nomes consolidados ou em ascensão já deixaram suas marcas. Nessa apresentação, tocaram não apenas músicas do EP mas também testaram algumas inéditas que integrariam o vindouro álbum de estreia.
Na sequência, sentindo-se mais confiante e preparado, o grupo percebeu o momento perfeito para a gravação do primeiro álbum. Foi aí que viajaram de volta para São Paulo e entraram novamente no estúdio Mr. Som para concretizar seus planos. "Intacto" foi o título escolhido para o álbum, lançado através do selo Wikimetal em julho de 2015 e novamente produzido por Marcello Pompeu e Heros Trench. O álbum - cuja belíssima arte é de autoria do francês Olivier Dzo - foi disponibilizado pra venda no iTunes e em todas as principais plataformas de streaming.
Não há como negar que agora o Maquinarios tem cara de Maquinarios. Transitando pelo Hard 'n' Heavy com fortes manifestações Stoner Metal, sua essência e estilo próprios foram encontrados, por mais que a sonoridade não seja inovadora, no fim das contas. Watson Silva se consolida como um excelente frontman para a banda e dota de um vocal interessante e carismático, embora agudo. Drives também são ocasionalmente empregados. Conforme as gravações "Live In Studio" já mostravam, seu vocal caiu muito bem nas composições antigas e mudou bastante a atmosfera delas, até pela redefinição de alguns detalhes das linhas de voz. Por detrás da voz, testemunha-se um instrumental pulsante e cheio de vida graças à impecável produção. O contra-baixo de Matheus é estrondoso, a bateria é muito bem mixada e revela o talento de Diego sem sobressair o instrumento, e a guitarra de Watson tem arranjos claros sem que peso seja perdido. Essa combinação transportou à modernidade uma sonoridade de essência e ideias antigas.
A influência das bandas pioneiras do Brasil e do mundo segue latente, com todos os secos e nostálgicos riffs "sabáticos". Detalhe para os solos, que não são duradouros e fritantes, mas são viçosos e ficam ainda mais bonitos com o pequeno grau de reverb aplicado, concedendo certa profundeza e sentimentalismo. O vocal também ganha esse reverb principalmente nas puxadas mais agudas. Sem dúvidas o nível desse trabalho é grande de música a produção.
Não é necessário qualquer tipo de receio em relação às letras em português já que elas são compostas de modo a casar com o instrumental, então tudo fica bastante natural ao invés de deslocado ou forçado. Elas falam de assuntos clichês, mas são muito bem interpretadas, principalmente nos refrões, que ficam na cabeça e brandam repetidamente o título das canções. Desse modo, fica fácil relacionar o nome à música em si, pois ao ler o título, automaticamente o refrão será tocado mentalmente. Trabalho muito foda!
Aliás, a faixa "Um Grito Na Noite" recebeu um videoclipe bem produzido pra cacete pela My Name Is Films e dirigido por Jéssica Mendonça, lançado no final de junho, pouco antes do álbum.
É muito evidente que o Maquinarios está em uma ascensão que pode merecidamente levá-los alto. É uma banda para ser ouvida mesmo por quem não é chegado em letras em português, pois ela tem a capacidade de quebrar esse gelo. Aliando isso a uma sonoridade na linha de bandas como Carro Bomba e Patrulha do Espaço, que agitam o cenário atual, não restam motivos para não dar uma chance. Tenha em mente que quanto mais se ouve, melhor fica, e logo, logo cantará as músicas. Isso sem contar que o trio claramente tem capacidade de lançar álbuns ainda melhores no futuro. O Maquinarios não inventou a roda, mas a circunferência é perfeita e roda que uma beleza!
Curtam a página dos caras no Facebook, sigam no Twitter, inscrevam-se no canal no YouTube, e adquiram os materiais! O Metal nacional precisa mesmo de representantes modernos assim que reciclam o velho e o fazem soar novo, ao mesmo tempo em que cantam em nossa língua materna! Prepare-se, pois o espírito do Rock do Maquinarios vai te levar além da estrada!

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TELEFONE:
(49) 9901-7753 - Matheus Andrighi


 Seis Milhas Para O Inferno (EP) (2013)

01 - Além da Estrada
02 - Cinza Espúrio
03 - Seis Milhas Para O Inferno
04 - Sentido Contramão

Download

 Intacto (2015)

01 - Um Grito Na Noite
02 - Desgovernado
03 - Além da Estrada
04 - Veneno, Sangue e Destroços
05 - Ignição
06 - Vulto Negro
07 - Anjo Ou Réu
08 - Seis Milhas Para O Inferno
09 - Intacto


domingo, 20 de setembro de 2015

Evolução-X - Discografia

A banda paulistana Evolução-X foi fundada em  março de 2014 por Thiago Sanchez (vocal) e Brunno Passarello (guitarra). Em seguida, juntaram-se a eles Diego Silva (bateria) e Leone Kitanaka (baixo).
Buscando uma sonoridade que mistura o Hardcore com o Rock/Metal Alternativo, o conjunto começou a trabalhar em composições autorais, compondo canções que expressam a realidade da sociedade em que vivemos. Protestando o que há de errado através de suas canções e também expondo o amor que temos que ter pelos nossos semelhantes.
Infelizmente, a banda logo teve baixas na formação original e contou com as entradas de Alexandre Oliveira (baixo) e Arthur Tavares (guitarra). Atualmente, o ex-guitarrista Brunno Passarello assumiu a bateria, enquanto a banda não encontra um integrante em definitivo para o posto.
Com essa formação, lançaram a demo Escolhas em 2015. O trabalho chama a atenção pelas letras em português e pelo instrumental que casou muito bem com a proposta do conjunto. Aqueles que gostam de bandas como CPM22 e Charlie Brown Jr., vão apreciar o som do Evolução-X.
Atualmente, a banda segue trabalhando em um novas composições e devem lançar mais um álbum no início de 2016.

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 Escolhas (Demo) - 2015

01 - Ilusão
02 - Escolhas
03 - Covarde
04 - Guerras e Batalhas
05 - Um Dia Triste
06 - A Dor
07 - Irmandade
08 - Tem Gente
09 - Ilusão (Versão Rádio) (Faixa Bônus)
10 - Um Dia Triste (Versão Rádio) (Faixa Bônus)
11 - Tem Gente (Versão Rádio) (Faixa Bônus)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Metal Allegiance - Discografia

A maioria dos headbangers, alguma vez na vida, já fantasiou aleatoriamente sobre um projeto onde seus ídolos favoritos de algumas das maiores bandas do planeta unissem forças e lançassem um álbum fabuloso, inspirador, marcante. Muitos se deixam levar por esse momentâneo devaneio para em seguida cair na realidade e dizer que esse tipo de coisa seria "boa demais pra ser verdade". Vida que segue, não é? E se eu dissesse que esse sonho virou realidade? Que uma verdadeira aliança metálica foi forjada com o poder do que há de melhor na música pesada? Pois bem, o sonho agora é sim realidade e se materializou na forma de um Thrash Metal mais explosivo do que um mundo inteiro de bombas atômicas, conhecido pelo sugestivo nome de Metal Allegiance!
Membros de distintas bandas - especialmente vocalistas - trabalhando juntos em um mesmo projeto não é exatamente novidade no Metal, ainda mais após a popularização do Metal Opera (vários músicos de diversas bandas inseridos em um único conceito) desde a última década, ou também com os chamados supergrupos (músicos já conceituados na cena fundando uma nova banda).
No entanto, ao nos referirmos ao Metal Allegiance, estamos falando de um patamar superior. Não se trata de um projeto criado por um músico ambicioso que convida vocalistas de várias bandas por aí. Estamos falando de um projeto que somente a espinha dorsal já é formada por três dos mais conceituados músicos do mundo: Alex Skolnick (Testament), David Ellefson (Megadeth) e Mike Portnoy (The Winery Dogs, ex-Dream Theater). Estamos falando de um projeto que não convidou grandes músicos, mas sim Os Músicos, aqueles que você reverencia desde a infância! Um hipergrupo!
Tudo começou lá trás, em 2011, quando o músico e compositor estadunidense Mark Menghi aproveitou sua estreita amizade com Skolnick, Ellefson e Portnoy para compôr algumas canções juntos e realizar algumas apresentações ao vivo. Naquela época, o projeto ainda não tinha o nome atual. Por essência, o Metal Allegiance começou com a intenção de reunir grandes músicos nos palcos para realizar memoráveis shows. Desde então, à medida em que mais concertos eram realizados, músicos de renome como o vocalista Phil Anselmo (Down, ex-Pantera), os guitarristas Kerry King (Slayer) e Steve Vai e o baterista Dave Lombardo (ex-Slayer) se reuniram aos membros fixos e geraram apresentações de grande repercussão. A primeira sob o nome Metal Allegiance de fato aconteceu durante no festival Mötorboat Cruise, organizado pelo Motörhead, em setembro de 2014. Dali em diante, em vista da amizade, fluidez dos shows e da sincronizada sintonia em que os integrantes se encontravam, a ideia da concretização de um álbum totalmente novo sob o título do Metal Allegiance amadureceu naturalmente.
Certamente esse é um projeto diferenciado desde os processos mais básicos, como composição e ensaios. É coisa grande e séria. Normalmente bandas que têm alguns membros fixos e outros variáveis - como aqui é o caso de guitarrista solo e vocalista - têm músicas compostas pelos integrantes fixos que são entregues aos convidados apenas para que eles gravem ou contribuam com algum toque marcante que os defina, sem que eles tenham contato entre si. Esse não é o caso do Metal Allegiance, já que todos os músicos envolvidos de fato se reuniram no estúdio, discutiram as composições e ensaiaram. Nada de distância ou frieza. Apenas amigos fazendo um som juntos. Talentosos amigos. Não tinha como dar errado, não é?
Mixado por Josh Wilbur (que já trabalhou com bandas como Lamb of God, Avenged Sevenfold e Gojira) e produzido por Mark Menghi, Alex Skolnick, David Ellefson e Mike Portnoy, o resultado de todo o empenho colossal pode ser apreciado na forma de um álbum homônimo lançado no dia 18 de setembro de 2015 pela Nuclear Blast.
Apesar da variedade de músicos inseridos, a soberania certamente pertence ao Thrash Metal, até pela proveniência dos principais músicos, refletida diretamente nessa sonoridade bombástica. A Bay Area não poderia estar melhor representada.
Ostentando um set recheado de renomados e talentosos vocalistas como Mark Osegueda (Death Angel), Phil Anselmo (Down, ex-Pantera), Troy Sanders (Mastodon), Chuck Billy (Testament), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Randy Blythe (Lamb of God), Matt Heafy (Trivium), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest), Steve "Zetro" Souza (Exodus), entre outros, e instrumentistas como Andreas Kisser (Sepultura), Charlie Benante (Anthrax) e Gary Holt (Exodus), fica muito difícil não criar expectativas de um trabalho no mínimo sensacional.
A impecável produção definiu magistralmente cada um dos instrumentos utilizados, gerando uma sonoridade pesadíssima e estrondosa que dá ênfase até no contra-baixo, que pulsa com vivacidade. Os fortes adjetivos não são exagero, pois o álbum é definitivamente impactante. No entanto, isso não quer dizer que se trate de uma completa porrada na orelha o tempo todo. Claro, pode-se esperar muita técnica destilada, especialmente na bateria e nos solos de guitarra, mas os minutos de determinadas canções também cedem espaço a momentos de cadência, com vocais mais amenos, violões, guitarras limpas e solos mais profundos e sentimentais.
"Metal Allegiance" foi inteligente e criativamente composto de modo que as canções têm tanta particularidade quanto os vocalistas que as interpretam, explorando o que todos os músicos de linhas básicas a notáveis têm de melhor a oferecer. Nem sempre o instrumental se adapta de acordo com o vocalista, porém, as linhas vocais são fiéis às suas características, trazendo flashes de suas bandas de origem. Vide o cadenciado Troy Sanders e o grudento Matt Heafy, por exemplo. Entretanto, por vezes o instrumental se curva ao vocalista, ou até mesmo faz grandes tributos como na canção "Pledge of Allegiance", cuja sonoridade bebe das fontes mais tradicionais do Thrash Metal da Bay Area e é cantada por ninguém menos que Mark Osegueda, fazendo soar como se fosse o primeiro álbum do Death Angel sob produção moderna. Há espaço até mesmo para uma faixa instrumental de sete minutos de duração, cheia de influências Progressivas certamente oriundas de Mike Portnoy: "Triangulum". 
De fato, há muita diversificação no decorrer do disco, mas tudo sem deixar que a essência se dissipe. Em nenhum momento a peteca cai ou o foco se desvia demais, fazendo parecer não se tratar do mesmo álbum. A edição brasileira, lançada 20 dias antes da data internacional pela Voice Music, fecha o repertório com chave de ouro através da faixa "We Rock", cover do eterno Ronnie James Dio. Na versão do Metal Allegiance ela é uma verdadeira festa agitada por diversos vocalistas ao mesmo tempo, como Mark Osegueda, Tim "Ripper" Owens, Alissa White-Gluz, Steve "Zetro" Souza, Chuck Billy, entre outros. Grandiosa maneira de encerrar um trabalho!
O nível demonstrado pelos músicos nesse álbum é tão alto que, apesar da maior manifestação do Thrash Metal, ele é tão unificador das tribos quanto toda essa união de diferentes músicos faz parecer. É tão foda que qualquer headbanger deveria ouvi-lo e inevitavelmente ficar impressionado, contagiado com toda essa inspirada energia. Dificilmente se lança algo tão fantástico assim. Quem sabe um segundo álbum não venha no futuro? Se vier, obrigatoriamente terá de ser tão incrível quanto o primeiro. O fato é que o Metal Allegiance já entrou para a história.


 Metal Allegiance (2015)

01 - Gift of Pain (feat. Randy Blythe)
02 - Let Darkness Fall (feat. Troy Sanders)
03 - Dying Song (feat. Phil Anselmo)
04 - Can't Kill The Devil (feat. Chuck Billy)
05 - Scars (feat. Mark Osegueda & Cristina Scabbia)
06 - Destination: Nowhere (feat. Matt Heafy)
07 - Wait Until Tomorrow (feat. Dug Pinnick & Jamey Jasta)
08 - Triangulum
09 - Pledge of Allegiance (feat. Mark Osegueda)
10 - We Rock (Dio Cover) (feat. Mark Osegueda, Chris Jericho, Tim "Ripper" Owens, Alissa White-Gluz, Chuck Billy & Steve "Zetro" Souza) (Bonus Track)

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Mochila de Garagem - Discografia

Boas atitudes inspiram boas atitudes, não é verdade? O inverso também acontece, claro. Tudo na vida é fruto de um esquema de causa e consequência, e é especialmente bom quando você é a causa de atitudes positivas. Digo isso pois trás muito orgulho ver que as coletâneas lançadas por nós do Warriors Of The Metal a fim de divulgar bandas do cenário nacional inspiraram mais grupos a fazerem o mesmo e contribuírem de forma semelhante ao Rock brasileiro.
O Mochila de Garagem é uma página no Facebook que idealizou, a partir do final de 2014, uma série de coletâneas que tomou inspiração na nossa própria série Warriors Of The Metal BR. Visando deixar sua contribuição à cena de alguma forma, os paulistas Guilherme Henrique da Silva e Wesley Rodrigues iniciaram o processo de estreitamento de relações com algumas bandas para colher autorizações de inclusão de músicas nas vindouras coletâneas. Como resultado, surgiu essa série que por enquanto conta com dois volumes lançados e é intitulada com o nome da página no Facebook.
Em janeiro de 2015 foi lançado o Volume 1, que conta com um excelente repertório de 11 bandas dentre as quais, excepcionalmente, duas são do exterior: Lasavia (Chile) e Constables (Finlândia). O foco do disco é essencialmente o Indie Rock, mas bandas de Rock clássico e Garage Rock também marcam presença. Uma coisa muito notável é a linearidade da produção das canções, mesmo em se tratando de bandas distintas. Normalmente as coletâneas independentes têm oscilação, já que diferentes bandas contam com diferentes graus de investimento e diferentes produtores. Mas aqui é tudo liso, tornando a audição que já é boa ainda melhor. Todos os conjuntos são excelentes, exibem destacável qualidade e competência e, sem dúvidas, o trabalho inteiro tem capacidade de agradar até mesmo aos ouvintes mesmo de fora do gênero. Os 44 minutos totais de duração não são desgastantes. As nove bandas brasileiras envolvidas são oriundas de todas as partes do país e a maioria canta em português mesmo, algo interessante para os estilos.
Junto do download, que é totalmente gratuito - já que não há intenção de lucro no projeto -, vem um encarte em PDF exibindo capa fronteira, capa traseira com lista de faixas, e informações da banda envolvendo suas origens, fotos e links para suas redes sociais oficiais. Um espaço para créditos e agradecimentos também é aproveitado na última página.
Todo o trabalho gráfico ficou a cargo de Renan Alves, da banda Pallets, que participou do trabalho. Sem dúvidas, o produto final ficou muito bonito, com uma forte identidade visual.
Poucos meses depois, já em junho, foi a vez do Volume 2 ser lançado, agora com 16 bandas totalmente brasileiras espalhadas pelo país, distribuídas em um total de 50 minutos de duração. Algumas cantam em português e outras em inglês.
Ao contrário do volume anterior - que é centrado mais no Indie Rock -, esse trabalho já é mais variado, compactando bandas de estilos como Punk Rock, Thrash Metal, Stoner Rock, Deathcore, além do já tradicional Rock clássico, Garage Rock e Indie Rock. Outro ponto contrário ao antecessor é a infeliz oscilação de qualidade de gravação, dificultando a constância do trabalho, que acaba por não ser tão atrativo quanto, embora seja sim bom. Um encarte com informações das bandas não está incluso no download dessa vez. O único trabalho gráfico é a capa frontal mesmo, novamente assinada por Renan Alves, e sua banda Pallets novamente marca presença entre as 16. Portanto, o Volume 2 é mais limitado em relação ao Volume 1. Porém, a despeito da inconstância dos métodos, é ainda tão bem intencionado quanto.
Essa coletânea gerou uma participação do Mochila de Garagem no site Novo Rock Nacional, onde puderam falar um pouco sobre cada banda escolhida para esse segundo volume.
Toda a série de coletâneas da equipe do Mochila de Garagem foi lançada virtualmente, com downloads totalmente gratuitos e ciência das bandas envolvidas. Não há intenções de lucro inseridas. Apenas a vontade de propagar cultura e apresentar bandas menos privilegiadas em questões de divulgação. São atitudes assim que de fato auxiliam na manutenção de nossa cena e valorizam nossas bandas, nosso jeito de fazer música. O pessoal do Mochila de Garagem está de parabéns! Curtam a página dos caras no Facebook e fiquem ligados para futuros lançamentos!


 Mochila de Garagem: Volume 1 (2015)

01 - Rollercoaster: Xroads
02 - Blackpipe: Chá No Trem
03 - Lasavia: Ritual
04 - Casavelha: Diário
05 - Cigana: Falling Down
06 - Circo Litoral: Planador
07 - Muff Burn Grace: Just An Illusion
08 - Trembemditos: O Mistério Mineral
09 - Pallets: Sonhador
10 - Molho Negro: Black Rebel Marambaia Club
11 - Constables: Saliva Bubbles


 Mochila de Garagem: Volume 2 (2015)

01 - A Trip To Forget Someone: Claps Paradise
02 - Pallets: Terra da Bala
03 - Old Books Room: Fast Cars and Special Bonds
04 - Rirous: Corrimão
05 - Sky Down: Nowhere
06 - Yetis: Tatuagem
07 - Cerberus Attack: From This Prison
08 - Semivelhos: Além Mar
09 - Crucifyce: Freedom Is Gone
10 - Toco Y Me Voy: Caroleta
11 - The Flow: Words
12 - Mens Sana: O Que Sou
13 - The Gap Tear: I Hate To Be Your Friend
14 - Makinária Rock: Makinária Rock
15 - Blackpipe: Hey
16 - Diaz: Convidado Para Tocar


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Puritan - Discografia

Quando é dito que o Metal plaina a nível global, dificilmente pensamos também nas periferias urbanas. Muitas vezes relacionamos o estilo a um grande número de povos e temáticas - muitas delas até refinadas -, mas o subúrbio, por ser povoado por classes desfavorecidas e marcado por gêneros musicais como Rap, Hip Hop e Funk, acaba excluído, mesmo que não intencionalmente. Apesar disso, a agressão de guitarras distorcidas, baterias violentas e vocais guturais também prospera nesse meio e nos entrega grandes bandas como os capixabas do Puritan, que levam a experiência de viver nesse meio e a revolta com o sistema e sociedade para sua sonoridade.
Oriundo de Vitória, no Espírito Santo, uma das capitais mais violentas do país, o Puritan é um destacável expoente do cenário independente que executa um cruzamento entre Hardcore, Deathcore, MetalcoreDeath Metal, aliado à própria característica suburbana inserida nas composições e letras em português. Como resultado, alcançam uma musicalidade vividamente favelada, na língua do povo. Até por isso são frequentemente associados ao termo "Metal Favela". Embora a princípio o rótulo não pareça atraente aos headbangers mais tradicionalistas, a musicalidade dos capixabas é violenta e competente, capaz de agradar aos que se dispuserem a compreender sua proposta e assimilar suas canções.
Foi no ano de 2008 que as atividades começaram, quando o vocalista Silas Gomez, o guitarrista Flávio Mello, o baixista Bruno Max e o baterista Fábio Kiefer se juntaram, tirando proveito da influência de conjuntos como Hatebreed, Claustrofobia, Sepultura e Suicide Silence para formar uma banda que retratasse a realidade social das favelas brasileiras e dos menos favorecidos, com ênfase na criminalidade das grandes cidades.
Silas Gomez permaneceu apenas durante o ano de formação, o que levou o baixista Bruno Max a deslocar-se também ao posto de vocalista e transformar a banda num power trio. Nessa configuração, lançaram em 2009 o primeiro álbum de estúdio, intitulado "O Firme Fundamento do Desespero Incessante". Suas oito faixas totalizam apenas 17 minutos de duração, mas têm bom rendimento devido à firme paulada de um misto de Hardcore e Death Metal sobrepostos por um urrado e indignado vocal gutural rasgado como uma fera. O instrumental oscila entre ambos os gêneros, onde muitas vezes o Death prevalece e entrega riffs de palhetadas mais intensas. Há também oscilações no próprio ritmo, já que saem de um andamento mais cadenciado e enfincam em uma postura mais energética onde a bateria mostra serviço e toca com mais velocidade. Já o vocal impossibilita o ouvinte de entender as letras, mas demonstra técnica na execução, que reflete mais ao estilo Hardcore e é rasgada, muitas vezes se abrindo.
Dois anos mais tarde, em 2011, é a vez do peculiar álbum "Faixa de Gaza" vir à público. Certamente haverá estranheza na primeira execução, principalmente se o volume estiver alto e começar a ouvi-lo na correta ordem do set, desde a introdução. Digo isso pois nela está inserido o Funk do "Morro do Dendê", de MC Cidinho & Doca, o que o leva a se perguntar se clicou em coisa errada ou alguma aba com vídeo no YouTube abriu sozinha! Porém, claro, é apenas para reforçar o caráter favelado da proposta. Tal trecho puramente Funk carioca é breve e logo o ritmo se converte em Metal com canto em gutural, e dessa forma transcorre o restante do álbum.
Esse é o trabalho que mais faz jus ao rótulo de "Metal Favela", não se limitando ao evidente foco dos morros na intro mas também a ritmos de Funk vez ou outra, totalmente camuflados na forma de Metal. É recomendado que os mais "preocupados" não se deixem levar por isso, pois o disco é fodaço e pesado. Aqui aparecem os primeiros elementos de Deathcore e principalmente Metalcore do conjunto, que abandona aquela abordagem Hardcore do trampo anterior. A veia Death Metal ainda lateja alto, mas o Metalcore se expõe em diversos momentos, induzindo a sonoridade em direção à sua peculiaridade, com contínuas quebras de ritmo, riffs pausados, bateria um pouco mais técnica e uma postura vocal um pouco mais fechada por parte de Bruno Max. O amadurecimento dos músicos é facilmente sentido ao longo dos 32 minutos de duração do trabalho, distribuídos entre 13 faixas de duração média de dois minutos.
Passados mais três anos chegamos à 2014, ano de lançamento do fortíssimo terceiro full-length, agora nomeado "Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu". Dessa vez adotando uma postura mais voltada ao Deathcore e vocais guturais ainda mais fechados e avassaladores, certamente a banda trouxe seu melhor trabalho até o momento. São apenas 31 minutos de duração, mas que valem muito frente à intensa postura do conjunto, que se mostra mais seguro, técnico e pesado, com músicas mais energéticas, melhor preenchids e sem dúvidas mais cativantes. O ar periférico não é abandonado, já que as letras seguem retratando tal meio com palavras de baixo calão e frases de impacto cantadas com ódio. Backing vocals são constantemente acionados nos refrões, encorpando a mensagem e tornando-os ainda mais destacáveis. A criatividade composicional dos riffs e das linhas vocais elevou a banda à um patamar superior e confirma que se superam a cada álbum.
Durante a turnê de divulgação do trabalho, o guitarrista Christopher Gomez foi adicionado à formação, uma vez que era amigo do trio e compactuava com a proposta. Com isso, o Puritan volta a ser um quarteto após seis anos.
A banda é forte e vem em crescimento ao longo dos anos, sendo reconhecida pelo público e também pela mídia especializada. Já até tocaram fora do país. Ao longo de sua trajetória, dividiram os palcos com bandas como Dr. Sin, No Guerra, Misfits, Sepultura, Ratos de Porão, Paul Di'Anno, Violator, entre muitos outros. Um quarto álbum já se encontra em fase de composição, mas ainda não tem título nem previsão de lançamento. Enquanto isso, os capixabas já nos deixaram três excelentes registros onde certamente "Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu" é o mais consistente. Para adquirir os discos do Puritan, basta mandar uma mensagem para esse perfil no Facebook e negociar. Não se esqueçam também de curtir a página no Facebook! O Metal nacional não deve em nada para o internacional. A única diferença é o quanto valorizamos nossas bandas.

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TELEFONE:
(27) 99700-9019 - Fábio Kiefer


 O Firme Fundamento do Desespero Incessante (2009)

01 - Sob Os Escombros de Uma América Decadente
02 - Redenção
03 - Marcha Insana À Fornalha Ardente
04 - Multidões No Vale Inerte da Ignorância
05 - A Mãe das Meretrizes e Abominações da Terra
06 - Quando O Sol Se Converter Em Trevas; e A Lua, Em Sangue
07 - O Firme Fundamento do Desespero Incessante
08 - Sentença de Fogo


 Faixa de Gaza (2011)

01 - Intro
02 - Faixa de Gaza
03 - Indústria de Rancor
04 - Fornalha
05 - Possuídos Pelo Cão
06 - Tempestade de Ódio
07 - Facção Assassina
08 - O Orgulho Precede A Queda
09 - Que Lixo Você Pensa Que É?
10 - Mercenário
11 - A Covardia Tem A Proteção da Lei
12 - Julgados Pelo Que Temos, Não Pelo Que Somos
13 - Cova Rasa


 Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu (2014)

01 - Intro/Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu
02 - Bandido Bom É Bandido Morto
03 - Aqui Se Faz, Aqui Se Paga
04 - Manipulado
05 - Elite de Merda
06 - Desgraça Pouca É Bobagem
07 - Periferia É Periferia
08 - Punição
09 - Se Quer Respeito, Conquiste!
10 - Doa Em Quem Doer
11 - Sentença de Fogo


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Dogstar - Discografia

Já não é de hoje que as artes cênicas tem relação com o Rock/Metal. Se olharmos para o passado, temos Meat Loaf, que fez sucesso em ambos os segmentos e mais recentemente vimos o grande Christopher Lee mostrar o mesmo talento que exibia nas telonas também em seus discos. E como não falar no grande Hugh Laurie, o aclamado Dr. House, que levou seu apreço pela música para a série e a tornou uma característica marcante da personagem.
E dentre esses atores, o também genial Keanu Reeves figurou em uma banda de Rock Alternativo nos anos 90, o Dogstar.
O conjunto surgiu em 1991, quando Reeves encontrou o também ator Robert Mailhouse (Days Of Our Lives, Seinfeld) em um supermercado e eles ficaram amigos. Já em 1992, Gregg Miller juntou-se à dupla e os músicos dividiram as funções da seguinte maneira: Keanu Reeves (baixo e backing vocals), Robert Mailhouse (bateria e backing vocals) e Gregg Miller (vocais e guitarra). O Dogstar fez várias turnês pelos Estados Unidos e pela Ásia, sendo que em 1994, passaram a ser um quarteto com o ingresso de Bret Domröse (vocais e guitarra). No ano seguinte, Gregg Miller deixaria a banda, que antes de se chamar Dogstar, denominou-se Small Fecal Matter e BFS (Big Fucking Shit).
Ainda em 1995, o conjuntou tocou como banda de abertura para o Bon Jovi na Austrália e Nova Zelândia e depois abriram para o David Bowie.
O Dogstar também tocou com nomes que depois se tornariam conhecidos como Rancid e Weezer.
Em 1996, lançam o compacto Quattro Formaggi, seguido de seu debutOur Little Visionary, sendo que ambos situam-se no Rock Alternativo característico da década de 90, com faixas bem agradáveis e alegres e boas bases de guitarra e baixo. Em diversas faixas, a banda lembra bastante o Supersonic, o que é uma coisa ruim.
O fato de contar com o Keanu Reeves e a qualidade inegável de Our Little Visionary fizeram com que o Dogstar estabelecesse uma base de fãs e todo o mundo, o que os fez tocar em locais como Inglaterra, Austrália e Índia.
Em 1999, os músicos se reuniram em estúdio para gravarem aquele que sabiam que seria seu último trabalho: Happy Ending, lançado em 2000, e que manteve a mesma pegada do seu antecessor, mas com um instrumental mais rico e um melhor trabalho vocal de Bret (vide a sentimental Superstar, cover do The Carpenters). Aliás, esse disco é realmente digno de nota e encerrou com chave de ouro a curta, mas significativa carreira do Dogstar.
Em razão de seus outros compromissos, a banda encerrou as atividades em 2002, após uma apresentação no Japão.
Em 2003, os músicos ainda participaram de um tributo ao Mr. Big, com a faixa Shine. Recentemente, o conjunto começou a reaver as filmagens de suas apresentações para o lançamento de um projeto em que relembrarão as suas turnês.


 Quattro Formaggi (EP) - 1996

01 - Honesty Anyway
02 - Behind Her
03 - Return
04 - 32 Stories

 Our Little Visionary - 1996

01 - Forgive
02 - Our Little Visionary
03 - No Matter What
04 - Breathe Tonight
05 - Nobody Home
06 - The History Light
07 - Honesty Anyway
08 - And I Pray
09 - Enchanted
10 - Bleeding Soul
11 - Goodbye
12 - Denial


 Happy Ending - 2000

01 - Halo
02 - Slipping Down
03 - Enemies
04 - Superstar (The Carpenters Cover)
05 - Cornerstore
06 - A Dreamtime
07 - Stagger
08 - Washington
09 - Alarming
10 - Swim
11 - Blown Away



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Symmetrya - Discografia Comentada

O Power Metal fez e ainda faz muito sucesso entre os headbangers do mundo inteiro devido à sua característica acessível e versátil, mostrando-se naturalmente compatível com outros elementos. Arranjos criativamente melódicos, grande intervenção de teclados e altos tons vocais são os atributos mais marcantes do gênero, assim como suas letras, que geralmente nos contam histórias fantásticas. Esse sucesso não é diferente no Brasil, já que o país também conta com uma ótima quantidade de bandas executando a vertente e recebe muito bem esse tipo de proposta. Uma das notáveis bandas que se aventuram nesse agradável modelo está situada em Joinville, Santa Catarina, e atende pelo nome de Symmetrya.
Fundada em meados 2002 sob o nome Symmetry, o conjunto vem apresentando um consistente Power Metal que também bebe de fontes Progressivas, desembocando em solos característicos e ocasionais riffs com as tradicionais quebradeiras do gênero. Além disso, influências de Hard Rock também ganham espaço, latejando em determinadas canções e no próprio vocal de Jurandir Junior, que abusa de carregados drives enquanto explora tons mais elevados.
A história do inicialmente Symmetry começa quando os amigos Jurandir Junior (vocal) e Milton Maia (baixo) decidem unir forças para iniciar um projeto de Metal Melódico. Já havia confiança entre ambos, uma vez que trabalharam juntos na extinta banda Madness. Na sequência, o guitarrista Ney Soteiro, o baterista Marcos Vinícius "Nâna" e o tecladista Lincoln Pompermaier foram recrutados, estruturando assim a formação e possibilitando o completo trabalho nas primeiras composições.
Esse foi o line-up responsável pelo lançamento da demo "Symmetry" em 2003. A demonstração é composta por três faixas autorais que exibem uma banda linear e homogênea. Elas são muito bem compostas e pesadas, apesar da limitação da qualidade de gravação. Os teclados geram uma intensidade mágica aos demais instrumentos, que são viçosos, e suporta apropriadamente as melódicas linhas vocais. Talvez nas primeiras audições não se detecte a mágica do trabalho, mas com a insistência, é possível entrar em sua sintonia e reparar os detalhes e o quanto os refrões e solos são agradáveis. Claramente já se tratava de uma banda promissora.
Após o lançamento, o tecladista Lincoln Pompermaier deixou o conjunto a fim de se dedicar aos estudos. Com isso, o baixista Milton Maia se deslocou para a posição vaga, liberando o contra-baixo para o novo membro Alexandre Lamim.
Já o ano de 2004 traria mais novidades sobre os catarinenses. A primeira seria a alteração do nome, adicionando um "A" ao fim de "Symmetry", transformando-se em Symmetrya, como hoje são conhecidos. A mudança foi incentivada pelo fato de perceberem que existiam mais bandas com o mesmo nome, principalmente na Europa. Em seguida veio a participação nas coletâneas "Rock Soldiers Vol. 10" e "Valhalla Demo Section Vol. 1", da revista Rock Hard, sendo que esta última foi fruto do título de uma das melhores bandas a terem passado pela Demo Section da revista nos últimos quatro anos até então.
Aproveitando a maré a favor, o conjunto trabalhou bastante em novas composições para preencherem o primeiro disco. O resultado pôde enfim ser apreciado três anos mais tarde através do debut "Eternal Search", que já chama a atenção logo de cara devido ao lindíssimo trabalho gráfico do artista Robson Piccin, que inclusive já trabalhou com o Lothlöryen. A primeira coisa que se nota nesse disco distribuído por toda a América Latina pela Force Majeure Records é, fora a musicalidade em si, que a produção não aparenta grandes avanços em relação à demo. Ainda assim o trabalho é claramente degustável, pois não é nada tão negativo. Testemunhamos aqui uma banda esforçada, com vontade de fazer música e conhecedora do caminho de como fazê-la, embora não tenha efetivamente chegado ao seu destino ainda. O repertório de dez faixas é novamente intenso e reaproveita duas faixas da demo ("Symmetry" e "Inner Force", que fecha o disco), regravando-as e aprimorando-as. A musicalidade é muitas vezes pegada, no formato Speed, embora as linhas vocais sejam levemente cadenciadas. Os riffs têm certa complexidade mas infelizmente a produção dá uma certa mascarada. Com uma atmosfera bem preenchida por sintetizadores que não apenas comandam o ambiente base, mas também participam efetivamente de arranjos principais e duetam em solos com a guitarra, o álbum é turbulento e transmite linearidade nas composições.
O vocalista Jurandir Junior se mostra apurado em sua tonalidade e na técnica dos arranhados drives, mas fica uma sensação de necessidade de um pouco mais de raça, de empenho, entrega. Ele parece muito comportado. Com mais carisma vocal, as canções ficariam ainda melhor interpretadas e o disco teria um clima ainda superior. Isso mudaria bastante no disco seguinte!
Enfim, o transcorrer dos minutos e das músicas não apresenta tanta variação, apesar das músicas realmente ótimas e da positiva e sincera energia. Mesmo com a homogeneidade, algumas canções mais diferenciadas aparecem como a cadenciada e sentimental "In The Mouth of Madness". O disco tem seus pontos negativos que não são muito sutis, só que mesmo com eles, continua sendo um ótimo resultado final cuja audição só melhora quanto mais se assimila. A revista Roadie Crew mesmo o incluiu entre os 10 melhores lançamentos daquele ano de 2007.
Um longo período de poucas atividades viria a seguir, ocasionado por ocupações pessoais dos integrantes, atrasando bastante qualquer novo lançamento. Somente em 2012 o período estático de novidades foi rompido com a saída do guitarrista Ney Soteiro, que buscava se dedicar em outros projetos musicais. Sua saída provocou o deslocamento do baixista Alexandre Lamim para a guitarra, que por sua vez cedeu a vaga nas quatro cordas ao novo integrante Jacson Luis. De nova formação, os trabalhos para o segundo álbum de estúdio enfim tiveram início.
Após sete longos anos desde o debut "Eternal Search", os catarinenses voltam a se inserir no mercado musical com o álbum "Last Dawn", lançado de forma independente em 2014. Agora com a linda arte gráfica assinada pelo carioca Gustavo Sazes (conhecido por seus trabalhos com bandas como Angra, Arch Enemy, Kamelot, Gus G., Dream Evil, Almah, Sepultura, e uma cacetada de outras), podemos desfrutar de um trabalho muito mais maduro e consistente do que o antecessor. Os longos anos de intervalo e acúmulo de experiência fizeram bem à saúde das composições, que agora estão com contornos melhor definidos e arquitetura mais polida, resultando em canções de identidade, destacáveis. Com isso, o ouvinte se lembra melhor delas e as chances de gostar mais rapidamente aumentam. O nível subiu bastante em todos os aspectos, inclusive na produção! O Power Metal com claros elementos de Progressive Metal executado aqui se mostra bem diferente daquele de "Eternal Search", já que a atmosfera não está tão turbulenta e carregada. A audição flui levemente no decorrer do álbum, é agradável, ao mesmo tempo em que é bastante natural e rico.
Apesar da leveza e fluidez, o disco é pesado e não deixa para trás todos os elementos que fazem do Symmetrya o que é. Os arranjos brilham com guitarras nítidas e teclados bem encaixados em base e solo, com muita harmonia e melodismo. Os aprimoramentos se estendem até a voz de Jurandir, já que as composições vocais estão mais criativas, com variações de tons e uma interpretação bem mais digna por parte do intérprete, que se mostra seguro e à vontade, no espírito das canções.
Músicas sentimentais novamente integram o set e, curiosamente, são justamente as mais longas, com sete minutos cada: "Caught In A Dream" e "Stormy Winds". Mas as surpresas não se limitam à exibição de uma banda mais madura, não! Participações especiais também recheiam o trabalho, como a de Rafael Bittencourt (Angra) tocando o solo de guitarra da faixa "Something In The Mist", e as dos vocalistas Geane Carvalho e Luiz Moretti, que emprestam suas vozes na longa canção "Athena's Legacy", com seus nove minutos de duração. Inclusive, esta é a faixa que fecha o disco e a trilogia iniciada duas músicas antes, em "Past Life Trauma", baseada na obra "A Bruxa de Portobello", do grande escritor brasileiro Paulo Coelho. A música "To Live Again" pode soar um tanto familiar, afinal, ela é uma continuação de "Learn To Live", do primeiro disco. Há também versões com uma faixa bônus intitulada "Shark Paddle" que, por sua vez, apresenta uma abordagem puramente voltada para o Hard Rock. Sem dúvidas, trata-se de um disco muito lindo e muito foda. 
O resultado do excelente trabalho veio em forma de uma turnê com diversas datas pelo sul e sudeste brasileiros e expansão para o Uruguai e Chile como banda principal.
Em meados de 2016, inclusive, os catarinenses tocaram ao lado do Angra, abrindo shows realizados em cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro. Tais apresentações foram muito bem repercutidas, ganhando positivas resenhas em portais como Whiplash.
Ao longo de sua trajetória, o conjunto já se apresentou ao lado de importantes nomes como Andre Matos, Primal Fear, Angra, Dark Moor, Sonata Arctica, entre várias outras. Seu Metal Melódico com claras influências gráficas e musicais de bandas como Sonata Arctica e Stratovarius merece conquistar seu espaço, ainda mais após a consistência apresentada em "Last Dawn". Por enquanto, os catarinenses deixam a sensação de que ainda estão trilhando seu caminho rumo ao auge criativo/musical, que ainda há mais potencial a ser explorado em futuros trabalhos, apesar do mais recente álbum ser realmente excelente. A propósito, o terceiro álbum já se encontra em fase de composição e tem previsão de início das gravações para novembro de 2016. O lançamento oficial deverá acontecer em torno de março ou abril de 2017, e nomes de peso já foram recrutados como participações especiais.
Curtam a página dos caras no Facebook, adicionem os perfis, baixem os álbuns e comprem! O "Eternal Search" está esgotado por enquanto, mas o "Last Dawn" ainda está disponível! Ele custa R$ 25,00 e pode ser adquirido na Die Hard ou diretamente com a banda, bastando enviar uma mensagem pelo Facebook. Sua força para o conjunto e para o Metal nacional é muito importante!

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 Symmetry (Demo) (2003)

01 - Dreams and Nightmare
02 - Inner Force
03 - Symmetry


 Eternal Search (2007)

01 - Ascension
03 - Eternal Search
04 - Lost
05 - Dead Zone
06 - Symmetry
07 - Mesbilief
08 - In The Mouth of Madness
10 - Inner Force


 Last Dawn (2014)

01 - Sensory
02 - Something In The Mist
03 - In The Blink of An Eye
04 - Darkest Love
05 - To Live Again
06 - Caught In A Dream
07 - 711
08 - Stormy Winds
09 - Past Life Trauma
10 - Nature of The Witch
11 - Athena's Legacy
12 - Shark Paddle (Bonus Track)