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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bellfast - Discografia Comentada

O Bellfast me desperta questionamentos interessantes que corroboram com minha forma de pensar. Sempre que surge uma banda brasileira com letras inspiradas nas culturas de outros povos, surgem também pessoas criticando tal atitude, alegando que deveriam "valorizar" a cultura nacional ao invés disso. É bem verdade que nossa cultura não recebe a atenção que merece - e isso tem que mudar -, mas qual seria o argumento em se tratando de japoneses tocando Folk Metal inspirado nas culturas celta e viking, mesmo com toda sua riqueza cultural milenar conhecida mundialmente? Seriam hereges culturais?
Acredito que toda banda deva se deixar levar por aquilo que as inspira. Que toquem e escrevam sobre o que se sentirem à vontade e não cedam à qualquer tipo de pressão que imponha aquilo que elas devam fazer com sua própria proposta. Sinceridade musical é sempre mais bacana. Por isso não é estranha a proposta desses japoneses de Nagoya, na província de Aichi.
O conjunto foi fundado em 1993 por iniciativa do baixista Shuji Matsumoto. Os primeiros anos foram especialmente complicados, já que nenhum membro permanecia por muito tempo. Por volta de 1999, quando parecia haver estabilidade, todos os membros debandaram, deixando apenas Shuji como remanescente. Mas o baixista não desistiu e continuou trabalhando para concretizar o primeiro lançamento da discografia do Bellfast.
Com o auxílio de uma pancada de membros de sessão, gravou e lançou em 2001 através da Mustang Records o EP "Faraway Prayers", composto por seis faixas dentre as quais cinco são autorais e a última é cover de "Limelight", do Rush. A positiva recepção de fãs e mídia não foi suficiente para manter a banda altamente ativa, resultado em uma súbita queda nas atividades, que deixou como fruto apenas uma demo independente de duas faixas em 2003.
Somente em 2006 que, impulsionado pelo convite para participar da coletânea "Samurai Metal Vol. 2", Shuji resolveu reativar de vez o projeto. Para tal, convocou seus amigos Koh Nishino (vocal) e Makoto Kano (guitarra) para ingressarem na banda e, com novo auxílio de membros de sessão, gravaram a canção "Celtic Drum", que foi prontamente incluída na coletânea. A música teve um ótimo impacto entre os metaleiros japoneses, possibilitando o mantimento definitivo das atividades e a estruturação da formação, que agora contava também com Taro Arai na guitarra, Hiroshi Sakakima na bateria, Haruna Fukazawa na flauta e Izumi Takeuchi no violino.
O septeto passou a realizar shows enquanto escrevia material para o álbum de estreia. À altura do fim de 2009, entraram em estúdio para gravá-lo. Mixado e masterizado por Andy La Rocque (King Diamond) em seu estúdio na Suécia, o debut "Insula Sacra" foi lançado via Nexus Records em 2010 sob excelente clamor japonês! Ao analisar a qualidade composicional das músicas, torna-se compreensível o porquê de ter sido produzido tão longe do país natal. A produção é digna do excelente álbum que ele é.
As guitarras são estrelas evidentes, já que são pesadas e não se limitam apenas a dar apoio. Os riffs estremecem e diversos arranjos são mais melódicos, sem mencionar os solos, que são excelentes; casamento muito bem realizado com o Folk da musicalidade, manifestado através de flautas, violinos, violão e muito coro no backing vocal, elementos muito bem arranjados que nos transportam ao norte europeu. Diante do consistente instrumental, Koh Nishiro solta sua voz de timbragem tipicamente japonesa, muito apropriada para uma banda de Power Metal. Canta em tons altos com ocasionais agudos, mas há também passagens mais narrativas onde faz uso de gélidos e malévolos sussurros com drives. Seu vocal é muito bom, apesar do sotaque japonês atrapalhar e o vibrato não agradar tanto a mim particularmente. Entretanto, isso não prejudica tanto a apreciação do material.
No decorrer do disco testemunhamos faixas alegres, como se espera de uma musicalidade celta. Mas muitos coros também aludem aos vikings, assim como as letras. Os primeiros minutos podem ser um pouquinho estranhos, pois de fato a segunda canção "That's Ireland", por exemplo, tem backing vocals estranhos que dão a impressão de bagunça. Mas no decorrer do trabalho o ouvinte acostuma enquanto as músicas de fato melhoram, e tudo fica realmente foda.
Por enquanto, "Insula Sacra" é o único álbum dos japoneses. É inesperado ver uma banda da Terra do Sol Nascente tocando Folk Metal celta/viking, mas tal atitude não tem problema algum e acaba por se tornar um cartão-postal. Começaram muito bem e demonstraram solidez no trabalho, mas fica claro que quando mais álbuns forem lançados, poderão ser ainda melhores. É o que se espera para o próximo álbum, que está em fase de gravação e poderá sair até 2016.


 Insula Sacra (2010)

01 - Bell's Air
02 - That's Ireland
03 - Deadly Oath
04 - Odin's Call
05 - Beautiful Mind
06 - The Lone Horseman
07 - The Druid Song
08 - Sail Under The Midnight Sun
09 - Winter of Death
10 - Celtic Drum
11 - Winds of Time

Ouvir (Spotify)

domingo, 23 de agosto de 2015

Chaos Magic (Caterina Nix Featuring Timo Tolkki) - Discografia

Durante uma das passagens do Stratovarius pelo Chile, o guitarrista Timo Tolkki conheceu a vocalista Caterina Nix (ex-Aghonya). Após perceber o grande talento da chilena, Timo Tolkki a convidou para participar do segundo capítulo de Avalon, Angels Of The Apocalypse, onde ela dividia os vocais em canções com alguns nomes de peso ​​como Simone Simons (Epica), Elize Ryd (Amaranthe) e Floor Jansen (Nightwish).
Logo após a participação de Caterina em Avalon, Timo se ofereceu para produzir o seu primeiro álbum de estúdio.
Com o início dos trabalhos, aquele que seria apenas um álbum solo, acabou tornando-se um projeto em conjunto dos músicos, que recebeu o nome de Chaos Magic.
Na primeira metade de 2015, veio o primeiro álbum, homônimo, no qual Caterina se incumbiu dos vocais e Timo escreveu todas as músicas, além de tocar guitarra, teclados, baixo e também assumir o controle de gravação, produção, mixagem e masterização.
O álbum estabelece suas bases no Symphonic Metal e agrada facilmente os amantes do estilo. A produção é boa e ajuda a destacar a bela voz de Caterina. Entre as faixas, as melhores são One Drop Of Blood, A Little Too Late, Passionflow e Point Of No Return.
Entre indas e vindas, não há como negar que Timo é um ótimo músico e Caterina foi uma grande descoberta.
Fica agora a dúvida se esse projeto terá continuidade, ou se acabará sem maiores explicações, algo comum na carreira de Timo Tolkki.


 Chaos Magic - 2015

01 - I'm Alive
02 - Dangerous Game
03 - One Drop Of Blood
04 - Seraphim
05 - From The Stars
06 - A Little Too Late
07 - Passionflow
08 - Dead Memories
09 - Please Don't Tell Me
10 - Right Now
11 - The Point Of No Return



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Arkuum - Discografia

Gostar de música é algo inerente ao ser humano, independente da razão, do estilo, da técnica ou falta dela... Mas quando esse apreço musical é especialmente relacionado às emoções, tudo fica ainda mais marcante, não é verdade? Geralmente as músicas ou bandas preferidas de uma pessoa são justamente aquelas que atingem o coração de alguma forma, que provoca sentimentos, identificação. É por isso que tantos headbangers buscam o "feeling" das bandas, pois, se elas soarem plásticas demais, não vinga a reação química emocional...
...E por falar em "feeling", por que não uma dose da intensidade de um Post-Rock para provocá-lo? Um Post-Rock que se une triunfalmente ao Black Metal e não se descaracteriza. Um Post-Rock que encontra na frieza e sofrimento dos guturais rasgados a sua perfeita complementação profunda e melancólica. Direto de Speyer, na Alemanha, cá está uma linda banda que possui tais atributos sincronizados com toda a magia alemã ao fazer música e claras influências de bandas como God Is An Astronaut, Alcest e Lantlôs: o Arkuum.
Fundado em janeiro de 2013 pelo multi-instrumentista David "Arkas" Theobald, este é um projeto solo que tem muito a oferecer e merece a imediata atenção de qualquer ouvinte, principalmente aqueles que são ligados nessa vertente que tem tantos fãs apaixonados.
Caso o trabalho seguisse linha instrumental como a grande parcela das bandas de Post-Rock, o Arkuum seria uma "one-man-band", certamente. Entretanto, uma vez que Arkas não é vocalista mas desejava inserir guturais nas canções, conveio iniciar uma bateria de testes em busca de um vocalista compatível. Não foi fácil encontrar alguém que correspondesse às expectativas do músico, que buscava alguém que tivesse presença e complementasse bem o projeto, humanamente e vocalmente falando. Após diversas tentativas, finalmente Denny (da banda Zeugen der Leere) foi selecionado e as sessões de gravação do álbum de estreia puderam iniciar pouco depois.
O resultado do empenho saiu materializado no debut "Trostlos", lançado de forma independente no dia 21 de agosto de 2015 com tiragem limitada em 150 cópias no modelo digipack. Não tem nem como não ser direto: o álbum dispensa comentários. Sensacional! A sonoridade fortemente imersiva preenche o ambiente com facilidade e engolfa o ouvinte numa linda atmosfera melancólica que toca a alma até dos corações mais felizes. Essa musicalidade de primeira linha é caracterizada por um instrumental onde a base a teclados e os três diferentes tipos de guitarras utilizadas se manifestam puramente no brisante, palhetado e imersivo modelo Post-Rock, criando uma fantástica atmosfera noturna, enquanto a bateria se mostra mais firme e vívida do que naturalmente é no estilo - embora não seja complexa -, e o contra-baixo acompanha. Os instrumentos musicais não sofrem grande influência do Black Metal, exceto pelos pedais da bateria em determinadas passagens. Toda a majestade do estilo negro se manifesta mesmo nos vocais que interpretam a língua alemã através de gélidos guturais que se prolongam diante de uma sonoridade profunda e longínqua. Passagens limpas e mais narrativas também são exploradas. Por mais que uma sonoridade nesse estilo tenha uma atmosfera característica, diferentes momentos assumem as rédeas dos andamentos no decorrer do disco, com momentos mais intensos e outros mais inóspitos, como todo trabalho de qualidade da linha.
Não é brincadeira. Esse é o nascer de um grande nome do Post-Black Metal. Com um primeiro álbum tão maravilhoso, o Arkuum não levará tanto tempo para ser reconhecido entre uma das melhores bandas da vertente. Curtam a página no Facebook, ouçam o disco, e acompanhem as futuras novidades!

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: info@arkuum.de


 Trostlos (2015)

01 - Prolog
02 - Trübsinn
03 - Ferne Welten
04 - Interludum
05 - Abgrund der Einsamkeit
06 - Morgengrau
07 - Epilog

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Roadie Metal - Discografia Comentada

Que o Brasil ferve com bandas de qualidade de norte a sul e centro-oeste a nordeste já não é novidade alguma, como tantas vezes faço questão de frisar nas publicações. Quem acompanha a cena e/ou também acompanha o Warriors Of The Metal sabe disso. Agora... para essas milhares de bandas chegarem aos ouvidos do público com melhor fluidez já é outro papo mais complicado, por mais que elas tenham qualidade.
É nessa hora que entra a atitude dos fãs para fazer toda a diferença, principalmente em uma época onde as gravadoras estão virando coisa do passado e a produção de música está mais facilitada e acessível. Com pequenas, porém apaixonadas atitudes, é possível fazer muito pela cena, contribuindo para a promoção das bandas, a acumulação de conhecimento musical do público e, eventualmente, o fortalecimento do cenário. Por isso, a iniciativa de Gleison Júnior, apresentador do programa de webradio "Roadie Metal - A Voz do Rock!", de Goiânia, é digna de atenção e respeito.
Assim como nós do Warriors Of The Metal através dos volumes da "Warriors Of The Metal BR", o apresentador idealiza e lança coletâneas envolvendo bandas brasileiras geralmente independentes e de (ainda) pouca repercussão.
Um dos principais diferenciais do projeto - batizado com o nome do programa - é o fato dele ser lançado em competentes e ilustradas mídias físicas e distribuído gratuitamente para assessorias de imprensa, revistas, zines, selos, bandas, e todo o tipo de veículo relacionado ao Metal, a fim de inserir os nomes e sonoridades das bandas envolvidas nos lugares certos. Mas o público ouvinte também não fica de fora dessa, já que sorteios são realizados durante as transmissões, e com isso podem agarrar a chance de adquirir discos de grupos brasileiros e, de quebra, levar cópias das coletâneas junto.
Apesar do pouco tempo de vida, o projeto Roadie Metal já conta com uma discografia composta por 4 volumes envolvendo dezenas de bandas. O primeiro saiu no dia 23 de agosto de 2014 e trás em sua bagagem o som de 16 diferentes bandas. Por se tratar do primeiro trabalho, é natural que seja mais limitado. É o disco com menos bandas envolvidas e de material físico mais econômico, contendo apenas capa fronteira, capa traseira com lista de faixas e o CD entre ambos, lacrados a contact dentro em um plástico. Apesar da oscilação da qualidade de produção ao longo do disco (o que é normal, já que envolve diferentes bandas que gravaram em diferentes estúdios, com diferentes produtores e diferentes equipamentos), a competência das bandas é evidente e pode ser muito bem apreciada.
Já o volume 2 foi lançado apenas seis meses mais tarde, no dia 10 de fevereiro de 2015, e trás significativos avanços em vários aspectos, tornando o projeto mais bonito e notável. Dessa vez, o lançamento é duplo e trás consigo 17 bandas em cada CD, totalizando quase três horas de reprodução. Além disso, a partir daqui o material físico passou a ser lançado no formato digipack, com cada CD repousando de um lado dentro da embalagem, e, pela primeira vez, um encarte vem incluso, guardado dentro de um compartimento separado, também no interior do produto. O encarte é dobrável e trás ilustrações das bandas envolvidas e a lista de faixas. Trabalho bonito, bem como a sonoridade das bandas que participam. Dentre todos volumes, esse é um dos que apresentam menor oscilação de qualidade de produção e, em relação ao antecessor, é mais diversificado em se tratando de gêneros.
Rapidamente, passados mais três meses, pudemos apreciar o altamente diversificado volume 3 da Roadie Metal, lançado no dia 08 de maio de 2015. A exemplo do volume anterior, trata-se de um lançamento duplo contido no interior de uma embalagem digipack, com encarte dobrável incluso mostrando ilustrações das bandas, lista de faixas e agora também o tempo de duração delas. Só que, dessa vez, 15 bandas compõem cada um dos discos, rendendo duas horas e quinze minutos totais de execução.
Infelizmente, ao contrário do antecessor, não há um compartimento separado para o encarte, algo que faz falta por ter que colocá-lo atrás de um dos CDs. Outro detalhe negativo jaz no fato de que as artes não caíram tão legais nos CDs e no encarte. Ficaram um tanto apagadas e sem vida. Ainda assim, o digipack é muito bonito e a sonoridade e variedade das bandas compreendidas nos dois CDs - o que de fato importa - dispensa comentários. Ótimo trabalho.
Como naturalmente ocorre com os trabalhos que têm continuidade, a qualidade só aumenta. E nisso o volume 4 foi certamente o mais destacável até aquele momento, desde as artes, passando pela qualidade do material físico, até a produção das faixas. Lançado no dia 1º de agosto de 2015, novamente a Roadie Metal capricha com um disco duplo englobando 17 bandas cada, totalizando pouco mais de duas horas e meia. A questão da diferença de gravação entre as bandas foi bastante minimizada, já que tomou-se a liberdade de mexer um pouco na equalização e, dessa forma, nivelar melhor os áudios.
Impossível não destacar o quão lindo o material físico é. Esse volume vem num belíssimo digipack ilustrado com alta qualidade. Os CDs têm arte injetada, valorizando os detalhes, e o encarte não é mais dobrável, e sim encadernado com grampos, como muitos estão acostumados. Nele podemos conferir as ilustrações de cada banda, suas origens, links oficiais, além de páginas de agradecimentos e resumo do que consiste o projeto, detalhes que eram antes inseridos na parte interna dos próprios digipacks. Realçando a qualidade, o encarte foi produzido em papel fotográfico, como os que a Laser Company utiliza atualmente, tornando as artes mais bonitas e vibrantes, com belos reflexos e melhor manuseio. O único ponto negativo fica, novamente, na falta de um compartimento interno próprio para guardá-lo. Belíssimo trabalho com belíssimas e poderosas bandas!
Com a excelente repercussão da qualidade do material do Volume 4, ficava difícil parar por aqui. Por isso, Gleison Júnior rapidamente trabalhou no lançamento de mais um volume, agora o 5, novamente duplo, lançado dois meses mais tarde, no dia 20 de outubro de 2015. O trabalho segue à risca a base da excelente qualidade do Volume 4, e ainda a melhora. Tal fato pode ser notado só de vislumbrar a arte gráfica, assinada por Marcelo Nespoli (Eleven Strings), também responsável pela arte do volume 4. A capa, bastante detalhista e criativa, retrata um tanque de guerra circulando uma via urbana, com labaredas de fogo á sua volta e detalhes de edificações urbanas ao fundo.
Quase cada parte da obra conta com uma arte distinta, o que se mostra excelente para não ficar cansativo de sempre ver a mesma imagem repetindo-se. Capa, contra-capa, as artes injetadas em cada um dos dois CDs, as próprias imagens de fundo do digipack ao abri-lo, todas são diferentes, muito embora conservem a mesma proposta temática e de paleta de cores. A exceção fica para o encarte, novamente grampeado, fabricado no lindo papel fotográfico e que felizmente repousa em um compartimento separado especialmente para guardá-lo. Nele, o mesmo plano de fundo se repete a cada par de páginas. Isso, claro, não elimina a utilidade do livreto, já que contém fotos e informações sobre as bandas envolvidas, como links oficiais, origem e formação. Já nas páginas que marcam o centro, há mensagens de agradecimento por parte do idealizador, bem como informações sobre o programa. Sem dúvidas, o trabalho visual é ainda superior e mais lindo do que o volume anterior, com a melhora e super útil inclusão do compartimento próprio para o encarte.
Evidentemente, essa qualidade toda se estende às canções. São 32 excelentes e promissoras bandas envolvidas. Metade para cada CD, totalizando duas horas e quarenta e quatro minutos de duração. Todas entregaram canções fortes e muito bem produzidas, com raras exceções, deixando a audição realmente estável. Diversidade marca novamente o trabalho, que não abre espaço apenas para bandas pesadas e esmagadoras, mas também as mais leves, que transitam nos diferentes rótulos do Rock. Mais um belo e importantíssimo trabalho!
No início de 2016 foi a vez do sexto volume ser lançado! Como tradicionalmente ocorre desde o segundo volume, o lançamento é duplo - um verdadeiro combo de músicas pesadas ao longo de duas horas e meia, aproximadamente. São dezessete bandas em cada disco, sendo que uma delas, em especial, é e ao mesmo tempo não é uma surpresa: o Torture Squad. Velho conhecido do público brasileiro, o (atualmente) quarteto abre o primeiro disco com a faixa "No Escape From Hell". A presença de uma banda veterana como essa só vem a ressaltar a importância e o bem-sucedimento dos propósitos de divulgação e qualidade da Roadie Metal.
Esse volume conta com ótimas bandas, certamente, e apenas uma minoria das canções não apresenta qualidade satisfatória de produção. Além disso, embora hajam diferenciações de proposta entre as bandas - o que, em teoria, sintetiza o argumento da diversificação rotular devido à presença de bandas de Death Metal, Thrash Metal, Hardcore, Metalcore, Progressive Metal, Heavy Metal, Gothic Metal, ou mistura entre estes e outros -, na prática, a maioria se aventura nos aclives do Metal Extremo, o que cria uma proximidade sonora entre elas e diminui a sensação de uma coletânea diversificada. Logo, esse novo trabalho está menos diversificado que seu antecessor, mas a qualidade das bandas está resguardada, por mais que essa ou aquela se destaque de acordo com as exigências pessoais do ouvinte.
No que diz respeito a coletâneas, não é de meu feitio fazer destaques, pois se trata de um modelo que conta com vários profissionais de várias bandas diferentes, com propostas distintas e até mesmo públicos diversificados. É diferente de destacar melhores músicas de um álbum de uma banda específica, pois todas são trabalhos da mesma. Portanto, não é justo eleger "melhores". Parece significar diminuir uns para elevar outros. Contudo, sinto bastante linearidade entre as bandas, corroborando com a proximidade rotular supracitada.
Fisicamente, a Roadie Metal manteve o padrão que vem em prática desde o Volume 4. Trata-se de um digipack de qualidade, brilhante e que evidencia a arte gráfica - assinada, mais uma vez, por Marcelo Nespoli (Eleven Strings). No interior, cada CD repousa em seu devido compartimento à esquerda e direita, e na parte traseira do compartimento esquerdo há um local para guardar o encarte, novamente grampeado e fabricado em papel fotográfico, apresentando todas as informações pertinentes às bandas envolvidas no trabalho, além de duas páginas com agradecimentos e informações sobre a Roadie Metal. Fotos, links, formações, origens... está tudo disponível lá. Os únicos 'poréns' são um defeito de fabricação que pôs o CD 1 como CD 2, e o CD 2 como CD 1 - essa inversão gera confusão ao consultar o tracklist e ao escolher que disco executar -, e a palheta de cores da arte gráfica escolhida. Digo... de fato, é tudo bem bonito, mas a predominância da cor preta o logo bem transparente acabaram não pegando muito bem na versão física, escondendo vários detalhes - até mesmo o próprio nome do projeto e seu volume. Entretanto, são apenas detalhes que são percebidos, mas não diminuem a seriedade da Roadie Metal, o seu alcance e o que ela pode fazer pelas bandas envolvidas, já que o material é espalhado gratuitamente para dezenas de veículos especializados em música pesada no Brasil e também no exterior.
O empenho do apresentador Gleison Júnior na realização dessas coletâneas é notável e motivado pela paixão e absoluta certeza de que o Metal nacional pareia com o internacional, o que é fato e quem está por dentro sabe disso. O goiano já colheu honrosos frutos graças à sua iniciativa, como a inclusão de uma resenha sobre seu trabalho na Roadie Crew, a maior revista especializada em circulação no país. Dar uma chance às coletâneas é dar uma chance à bandas que mantém a nossa cena viva. Todos os volumes compreendem grupos de diversos estilos como Heavy Metal, Power Metal, Symphonic Metal, Folk Metal, Hardcore, Punk, Death Metal, Thrash Metal, entre muitos outros. Estejam prontos para uma ótima experiência!
Mais tarde, em junho de 2016, é lançada a coletânea "Roadie Metal Volume 7" e, como de costume, foi distribuída gratuitamente para os veículos de imprensa do Brasil e também no exterior. Novamente, trata-se de uma coletânea dupla, com 17 bandas no primeiro CD e 18 no segundo, totalizando mais de duas horas e meia de muito Rock 'n' Roll.
Normalmente, nos volumes anteriores, bandas de diferentes gêneros se misturavam ao longo dos dois CDs, havendo alternâncias entre algo considerado mais leve e algo considerado mais pesado. No entanto, no Volume 7, Gleison Junior optou por dividir o setlist mais ou menos em blocos, de modo que se tenha bandas de um mesmo estilo seguidamente, e poucas alternâncias rotulares. Como consequência, o CD 1 se mostra mais calcado no Heavy Metal e no Hard Rock, enquanto o CD 2 se especializa nas bandas que exploram os gêneros mais extremos, com guturais. É destacável também a grande quantidade de bandas cantando em português presentes aqui, uma tendência que aparentemente só cresce.
O primeiro disco começa, de cara, com uma excelente quadra de Heavy Metal, através das bandas SyrenTropa de ShockVálvera e Dolores Dolores. As duas primeiras, pegadas, apresentam claras referências ao Iron Maiden em suas formas de compor (e isso é bem sabido por quem conhece o Syren, já que a banda carioca não é nenhuma desconhecida), enquanto o Válvera traz a primeira música em português do set (e que competência!). Já o Dolores Dolores, embora faça majoritariamente Heavy Metal, apresenta também nuances de Hard Rock por meio de sua canção "I Was Wrong", que quebra o ritmo forte que vinha sendo imposto pela trinca anterior, funcionando tanto como um descanso aos ouvidos quanto como introdução à sessão de Hard Rock que vem a seguir graças à sua própria tendência Hard.
É aí que vem duas canções de Hard Rock: "Let It Go", do Underload, que tem o clima mais festivo e dançante dos anos 70, e "Eleição ou Gozação", do Makinária Rock, que, com letras em português, entrega uma canção irônica com um Hard mais energético e agressivo que flerta com aquele dos anos 80, encaixando-se perfeitamente no que pode ser chamado, de forma genérica, de Rock 'n' Roll. Na sequência, o Heryn Dae quebra a rápida sessão Hard Rock ao trazer de volta o Heavy Metal, porém com uma pegada mais tradicionalista, digna do NWOBHM, mas também apresentando uma veia épica no refrão, mais "manowariana".
A oitava música, que dá nome à própria banda Overhead, resgata o Hard interrompido anteriormente com direito a letras em português e ainda mais peso do que as primeiras do estilo, de instrumental a vocais - esses últimos bem raivosos. Os estilos que até então se encontravam sendo executados separadamente se unem com a canção "Lost Seasons", do Normandya. Trata-se de um típico Hard 'n' Heavy, porém, não tão chamativo de um modo geral, infelizmente.
Até aqui, a coletânea segue uma linha lógica que deixa o ouvinte preparado para cada vez mais peso tradicional. Contudo, o Fenrir's Scar se insere em meio a toda essa tradicionalidade para provocar surpresa com seu inesperado Symphonic/Gothic Metal cantado com vocais femininos e ocasionais masculinos. A produção poderia ser melhor, mas a música é boa e contribui com uma brisa de diferenciação com toda essa suavidade feminina e a "atmosferização" dos teclados.
Blessed In Fire, por sua vez, com sua música autointitulada, apresenta outro tipo de tradicionalidade: a do Speed Power Metal. Sua abordagem mais energética motoriza o estilo calmo da canção do Fenrir's Scar e prepara terreno para um canção que, se o tempo de duração for visto antes, pode provocar desânimo, especialmente por estar em uma coletânea. "The Dance of Fire", do Apeyron, tem nove minutos e seu inconsciente diz que será uma experiência Progressiva e talvez chata... mas que nada! Interessantemente, é um dos destaques do disco um. A primeira metade é repleta de um misterioso e épico Heavy/Doom Metal de claras raízes sabáticas, cantada heroicamente enquanto teclados se manifestam na base. A canção ascende em ritmo a partir da segunda metade, convertendo-se em uma pegada pesada e melódica que bebe em fontes de Heavy Metal tradicional!
S.I.F. já entrega em "Puritania" mais uma canção destoante na coletânea com um revoltado Hardcore cantado por uma mulher. É a segunda participação feminina e a quarta canção em português. O estilo tem sequência com Gravis em "Ladrão", mais uma canção em português, mas de Hardcore mais dinâmico e heterogêneo do que o do S.I.F.. Excelente trabalho.
A trinca final Vate Cabal, com um bom Rock, Underhate, com um Thrash Metal similar ao do Metallica, e Eduardo Lira, com um lindo Heavy Metal/Shred instrumental encerra bem a primeira parte da coletânea, disposta a entregar estilos considerados mais leves (tendo o Extremo como comparação antônima) e vocais limpos, com ou sem drives.
O segundo CD, por sua vez, como supracitado, desbrava as áreas mais mortíferas do Metal. O Metal Extremo começa com expressiva classe Death/Thrash Metal através da faixa "Juggernaut", da conhecida banda Voodoopriest, do vocalista Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad). Até a quinta faixa, temos alternâncias entre Death Metal e Thrash Metal, mas sempre com algo mais. A excelente banda fluminense Monstractor, por exemplo, acopla Southern Metal ao seu Thrash, não abrindo mão também da geração de uma sensação Death metal bem lá no fundo. O Forkill executa Thrash Metal mais tradicionalizado; o Kryour une, assim como o Voodoopriest, Death e Thrash Metal, mas ainda com o acréscimo de estilos modernos, aproximando-se do Metalcore (vale ressaltar a excelente produção da música); o Criminal Brain, por outro lado, contribui com Death Metal puro, mas bem mais profundo do que tudo o que estava em execução até então. Avassaladora e densa, "Victim" é uma cansão bem dinâmica e cavernosa.
Não bastasse todo o esmagamento das cinco primeiras bandas, a sexta, Handsaw, ainda se destaca por investir nos subgêneros mais "nojentos" do Death Metal. Absolutamente visceral, "Supreme Being" é uma faixa de Technical/Brutal Death Metal interpretadas com técnicos vocais beirando o pig squeal. Matador.
Dying Silence já deixa a peteca cair um pouco no que diz respeito à produção, mas mantém viva a coerência Death Metal que vinha sendo estabelecida. Juntamente do rótulo, a banda ainda hibrida o Hardcore e apresenta a primeira música em português no disco dois.
A partir da oitava faixa começa a sessão mais centrada no Thrash Metal em si. Ela é aberta pela banda Demolition, que, por meio da canção "Infected Face", executa um Thrash Metal mais aberto, com riffs melodiosos e bem construídos, flertando com o Heavy Metal mais longe da velha guarda. Sequenciando o Thrash, vem então o conjunto Deadliness com "Guerreiros do Metal", a segunda em nossa língua no CD 2. Trata-se de um Thrash Metal mais desenhado e dinâmico, a exemplo do Demolition. Já o Hellmotz, décima banda, insere bastante Southern Metal na musicalidade, deixando o Thrash Metal como estilo complementar. Som que, de certa forma, remete ao faroeste. Porradeiro e técnico.
Death Metal volta a emergir com o destacável trabalho da banda Death Chaos na música "House of Madness". O destaque não se faz merecido apenas pela música ser boa em si, mas pela clara noção de melodia que a banda tem, distanciando-se de retilinidades e tornando o Death mais interessante e harmônico. Tem cadência sem perder peso, sem falar dos guturais, impressionantemente cavernosos. Grande trabalho.
Com o Melanie Klain e a faixa "Lavagem Cerebral", Thrash Metal e letras em português ascendem novamente. Mas enquanto todo o disco era cantado em gutural até aqui, esses paulistas trazem vocais fora desse campo monstríaco, mas ainda assim sujos, com ampla carga de drives. A sonoridade é moderna e pegada, exibindo um Thrash com gratas influências de Nu Metal que exalam interessantes referências ao Slipknot em uma bem feita música, cheia de momentos diferentes.
Psychosane abre alas para o trecho Stoner Metal do CD. "Road" é uma música pesada e interessante, também cantada no âmbito limpo driveado. Pegada forte e solo de guitarra simplesmente foda. Agregou muito ao disco. Nessa mesma linha Stoner, mas com mais cadência e alternâncias entre vocais driveados e guturais fechados, a molecada do As Do They Fall deixa sua marca. "Nemesis" é uma faixa coerente e inteligente, onde cada técnica vocal aparece em seu devido momento, sem provocar sensações de deslocamento.
De volta ao Thrash Metal, já ouviu um Speed Thrash cantado em português? Pois é. É isso que o Dioxina faz na faixa "Sombras". A naturalidade da língua é tanta que você nem perceberia. A seguir, é a vez da trinca final de bandas Heavenly Kingdom, onde a produção deixa a desejar mas o Thrash é bom e tem Slayer como referência; South Hammer, cujo Death Metal motoqueiro faz parecer que a capa do disco foi elaborada pensando neles; e Crush, que encerra definitivamente o Volume 7 da forma como ele se propõe a ser: brasileiro e em português.
São um total de 35 bandas, e naturalmente algumas se destacam em meio a outras, sempre resguardados os gostos pessoais. No CD 1, destacam-se Syren, Válvera, Underload, Apeyron, Gravis e Eduardo Lira, enquanto no CD 2 vale ressaltar as bandas Voodoopriest, Monstractor, Kryour, Handsaw, Death Chaos e Psychosane.
A arte gráfica ficou novamente a cargo do artista Marcelo Nespoli, que fez um ótimo trabalho, como se espera dele. O encarte não ficou em um compartimento separado, a exemplo das edições anteriores, precisando ser guardado atrás de um dos CDs em seus compartimentos. O livreto também não tem verniz no material, dando aquele conhecido brilho de papel fotográfico, mas ainda assim, ficou muito bonito, e até mais fácil de manusear. Nele estão informações sobre todas as bandas envolvidas, bem como páginas de agradecimentos, onde é uma felicidade para mim ter meu nome mencionado. Apoio totalmente o projeto, que deixa a zona do "queria fazer" e entra na zona do "eu faço". Atitude.

Se você tem uma banda e deseja fazer parte de futuras coletâneas da Roadie Metal, basta entrar em contato com Gleison Júnior através de seu Facebook pessoal ou da página oficial da Roadie Metal - A Voz do Rock, e então acertar os detalhes.
Os programas da Roadie Metal são transmitidos ao vivo todas as quintas-feiras, das 20:30 às 23:00, e também aos sábados, das 14:40 às 16:15, através do www.canalfelicidade.com. A cada programa uma banda brasileira diferente é entrevistada e quadros especiais, juntamente com sorteios, animam as transmissões e mantém o público mais próximo do programa. Fiquem ligados!

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 Roadie Metal Volume 1 (2014)

01 - Eleven Strings: Forged In The Fire
02 - Eyes of Beholder: Insanity
03 - Dymon's: Devotos
04 - Down To My Bones: Inner Strenght
05 - Overhead Rock: Ressaca
06 - Thunder Spell: Battle Scream
07 - Haaley Alves: Until The End
08 - Eternal Fate: Destruction
09 - Alicercius: Redenção
10 - Sunroad: Master of Disaster
11 - Basttardos: Basttardos
12 - Monday Riders: King of Highway
13 - Patriotas do Rock: Exótico
14 - Red Fever: Black Block Drive
15 - Abiosi: Respeito
16 - Sattva Rock: Irreal Master


 Roadie Metal Volume 2 (2015)

CD 1:
01 - Continuum: Choke Hold
02 - Apple Sin: Apple Sin
03 - Evil Remains: The Executioner
04 - Fatal Scream: Killer Wolf
05 - Scibex: Static
06 - Marenna: Like An Angel
07 - Silence: Mr. Lie
08 - Exorddium: Heavy Metal
09 - Cris Delyra: Qual É O Seu Nome?
10 - The Revengers: Revenger
11 - Thunderwrath: Power of Freedom
12 - Chafun di Formio: Minha Toada
13 - Steel Soldier: Guardians of The Night
14 - The MZZ Project: You Are The One
15 - Knights: Knights
16 - Gato de Louça: Luta Armada
17 - War Thunder: Source of The Dragon

CD 2:
01 - Mutran: Crossroad
02 - Burning Witch: Malleus Maleficarum
03 - Abominatus: Negateds
04 - Outlanders: Storm Traitor
05 - Fullface: Não Vou Parar
06 - Crimson Blood: I Am The Way
07 - Coronel XX: A Vida Que Você Quis Levar
08 - Defensor: Não Vou Me Calar
09 - Crown of Scorn: ...Or Be Destroyed
10 - Colorsimetria: Lullabies of A Goer
11 - Insanity: Liberdade Condicionada
12 - Inner Call: The Payment
13 - Harper's: Sem Tradução
14 - Pissing Against The Wild: Not Afraid
15 - Legado de Honra: Vendável
16 - Frozen Frost: Dangerous Mind
17 - Dissonância Cognitiva: Virjão

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 Roadie Metal Volume 3 (2015)

CD 1:
01 - Tellus Terror: Bloody Visions
02 - Land of Tears: Mega Alexandros
03 - Dark Witch: To Valhalla We Ride
04 - Incognosci: Eleven Years
05 - Exorddium: Guerreiros do Metal
06 - Individual: Blindfold
07 - In Fúria: A Luta
08 - Last Chance: Internal Conflict Part 2: Move On
09 - Petrus 7: Vaidade
10 - Living Heart: Hunger For Love
11 - Dkrauz: Divine
12 - Outlanders: Outlanders
13 - Cross The Crow: Wickedness Lake
14 - Neohadth: Guerra Contra As Trevas
15 - Catastrophe: When The Clock Strikes Midnight

CD 2:
01 - Fates Prophecy: New Degeneration
02 - Apple Sin: Fire Star
03 - Necromancer: Deadly Symbiosis
04 - Gutted Souls: Dancing To The Sound of The Powers That Be
05 - Basttardos: Fake
06 - Desperata: When The Cresfallen Feast
07 - Sunrose: Another Life
08 - Moretools: Human Dependence
09 - Defensor: Refém
10 - Overhead Rock: Re-evolução
11 - Madkill: Run To The War
12 - Crimson Blood: Through The Shadows
13 - The Hell Mask: Ritualistic
14 - Bully Dog: D-ASI
15 - Rock Expressão: Chagas

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 Roadie Metal Volume 4 (2015)

CD 1:
01 - Supersonic Brewer: Society In Ruins
02 - Dancing Flame: Warrior's Path
03 - All 7 Days: Hurricane
04 - Cassino.357: Hot Rod
05 - Overdose Nuclear: 333
06 - Hating Evil: Rotten Inside 8
07 - White Death: Red Star
08 - Kalonia: ...Then You're A Freeman!
09 - Hell Gun: The Wolfman
10 - Vigilianonima: Pare e Repare
11 - Demons Inside: Alcohol
12 - Outlanders: Black Flags and Beer
13 - Archard: Now Is The Time
14 - Delta 7: Displicente
15 - Codmorse: Nuclear Fear
16 - The Walkins: Só Tem Falso
17 - Souls' Guardian: Soldier's Truth

CD 2:
01 - Mistrust: Sands of War
02 - [MAUA]: Resist
03 - Carpe Diem: Resistência
04 - Jäilbäit: Born To Win
05 - Sephion: Fucking War
06 - Consequência: Sistema Oculto
07 - Midnight Order: Rise
08 - Rocksteria: Veneno
09 - Ender 7: O Tempo
10 - SC 16: Bang Bang
11 - Basttardos: Nem Agoniza
12 - Wearblack: Slaves of Power
13 - Iluminácidos: Não To Afim
14 - Thoryk: Afterlife
15 - Covil de Antelon: Dias Assim
16 - Banda 80 Rock: Conquista
17 - Rhuan Carvalho: Breaking and Wore

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 Roadie Metal Volume 5 (2015)

CD 1:
01 - Vivalma: Proudhome
02 - Shallrise: Simply For Nothing
03 - Tellus Terror: 3rd Rock From The Sun
04 - Cavera: More Lies
05 - Sunroad: Into The City Lights
06 - Magnética: Inflamáveis
07 - The Goths: Strange Way of Living
08 - Rotten Pieces: Rot In Pieces
09 - Lascia: Trapped
10 - Marcus Mausan Rock Band: Last Train To Rio Largo
11 - DxLxM: Zumbis
12 - Banda 80 Rock: Nem Tudo Está Perdido
13 - Velho Corvo: Pé Na Estrada
14 - Aronne: Sherazad
15 - Morgaroth: Panzer Division War
16 - Adimi: Tão Iguais

CD 2:
01 - Krucipha: Pulse
02 - Hollow: Destruction of The Mass
03 - Maquinarios: Um Grito Na Noite
04 - Balba: Skin To Skin
05 - Aronne: Mephisto
06 - Individual: Every Men For Himself
07 - Half Bridge: Karma
08 - Esffera C4: Sempre João
09 - Vômitos & Náuseas: Mergulho No Caos
10 - 50 Point: Chorume
11 - Outlanders: Kretaceous
12 - Codmorse: Sign The Hell
13 - Catástrofe: Holocausto
14 - Deadfall: Illusion
15 - Valfenda: Another Dimension
16 - Intersect 4E: Reféns

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 Roadie Metal Volume 6 (2016)

CD 1:
01 - Torture Squad: No Escape From Hell
02 - Maverick: Upsidown
03 - The Goths: The Death
04 - Project Black Pantera: Boto Pra Fuder
05 - Apple Sin: Another Day
06 - Black Triad: Dream On
07 - AirTrain: Back To War
08 - Cracked Skull: Fascism
09 - Dekapto: Financiando A Própria Morte
10 - Blue Lotus: Rat Game
11 - Kyballium: Sea of Illusions
12 - Ás: Warriors
13 - Bloodfire: Save The World From War
14 - Lascia: Jealousy
15 - Universe: The Dreams Does Not End Here
16 - Oblivious Machine: Echoes of Insanity
17 - Jäilbäit: Do You Wann Be A Rockstar?

CD 2:
01 - Dramma: Sombra da Solidão
02 - M-19: Southern Brave
03 - Vorgok: Kill Them Dead
04 - Shallrise: Follows His Quest
05 - Supersonic Brewer: Trapped In An Hourglass
06 - All 7 Days: Ensign of War
07 - Magnética: Os Magnéticos
08 - InCarne: Good Morning, Humans
09 - Ceiffador: Anjo Infernal
10 - Firegun: What's The Reason?
11 - Lethal Accords: I Have A Dream
12 - Deviation: Like I Said
13 - Terrorsphere: Terror Squad
14 - Crucify: Rise Up
15 - Rising: Hexencraft
16 - Evil Minds: War
17 - Steel Soldier: Messenger of Souls

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 Roadie Metal Volume 7 (2016)

CD 1:
01 - Syren: Motordevil
02 - Tropa de Shock: Inside The Madness
03 - Válvera: Cidade Em Caos
04 - Dolores Dolores: I Was Wrong
05 - Underload: Let It Go
06 - Makinária Rock: Eleição ou Gozação
07 - Heryn Dae: Heryn Dae
08 - Overhead: Overhead
09 - Normandya: Lost Seasons
10 - Fenrir's Scar: Downfall
11 - Blessed In Fire: Blessed In Fire
12 - Apeyron: The Dance of Fire
13 - S.I.F.: Puritania
14 - Gravis: Ladrão
15 - Vate Cabal: A Extração da Pedra da Loucura
16 - Underhate: Revolution Day
17 - Eduardo Lira: Sunrise

CD 2:
01 - Voodoopriest: Juggernaut
02 - Monstractor: The 4th Kind
03 - Forkill: Let There Be Thrash
04 - Kryour: Chaos of My Dream
05 - Criminal Brain: Victim
06 - Handsaw: Supreme Being
07 - Dying Silence: Sem Conserto
08 - Demolition: Infected Face
09 - Deadliness: Guerreiros do Metal
10 - Hellmotz: Wielding The Axe
11 - Death Chaos: House of Madness
12 - Melanie Klain: Lavagem Cerebral
13 - Psychosane: Road
14 - As Do They Fall: Nemesis
15 - Dioxina: Sombras
16 - Heavenly Kingdom: Hungry Misery and Pain
17 - South Hammer: Harley My Motorcycle
18 - Crush: Pedrada

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sábado, 15 de agosto de 2015

Cruachan - Discografia

Não há dúvidas de que o Folk Metal é um gênero muito popular hoje em dia. O resgate cultural do estilo através de letras e instrumentos tradicionais de determinada época ou civilização conquistou de jeito a atenção dos headbangers. Claro que atualmente ele está mais refinado, mais polido, coeso, consequência quase inevitável após mais de duas décadas de aprimoramento. Mas em nem todos os estilos as bandas pioneiras ganham o respeito e audições que merecem, e isso infelizmente acontece no Folk, exceto por uma banda: o Cruachan. Não foram os primeiros a surgir, mas fazem parte da onda pioneira e com certeza é a banda mais mencionada e aclamada entre os pais fundadores desse tão apreciado estilo folclórico.
Formado em Dublin, na Irlanda, o Cruachan conta com uma discografia onde cada álbum é marcante à sua maneira, seja por aspectos positivos ou negativos em quesitos produtivos ou criativos/musicais. Baseados na cultura celta - e algumas vezes nas mitologias de J. R. R. Tolkien -, demonstram uma musicalidade bastante à caráter de sua naturalidade irlandesa.
Começaram aplicando unicamente Black Metal em meio ao Folk, mas, rapidamente, com a chegada da vocalista Karen Gilligan em 1999, essa característica foi amenizada e o som se tornou mais melódico. Porém, progressivamente o Black foi voltando ao longo dos discos, até que Karen saiu em 2008 e o estilo negro ficou mais evidente e denso. O que nunca mudou de fato foi o atributo que os torna inconfundíveis, que é exatamente o Folk e toda a sua alegria exposta com instrumentos tradicionais de sopro, cordas e arco.
Tudo começou em 1991, quando o multi-instrumentista Keith Fay pegou pra ouvir o debut "The Wayward Sons of Mother Earth", do Skyclad (os grandes pioneiros do Folk), lançado ainda naquele ano. Fay ficou maravilhado com a expansão das bordas do que é possível fazer com o Metal. Influenciado pela proposta medieval dos ingleses, decidiu extinguir a banda que havia acabado formar em 1991 - o Minas Tirith, baseado em Tolkien -, e fundar o Cruachan em 1992, que seguiria linha similar. O nome foi escolhido em homenagem à Cruachan, a capital do império irlandês medieval de Connacht, e atualmente também é o nome dado ao sítio arqueológico de Rathcroghan, também na Irlanda.
Após a formação ficar estabelecida com Keith Fay (vocal, guitarra e baixo), Leon Bias (violão e bouzouki), Jay O'Neill (bateria e percussão), Collete O'Fathaigh (teclados) e John Fay (flautas), saiu em 1994 a primeira e rústica fita demo, intitulada "Celtica". O trabalho rendeu  um contrato com a Nazgul's Eyrie Productions, possibilitando a distribuição do primeiro álbum da discografia.
Já com um sexto membro adicionado (John Clohessy no baixo, liberando Keith Fay da função), sai em abril de 1995 o debut "Tuatha Na Gael". A primeira coisa que se nota é, de cara, a produção. Como muito comumente acontecia nos primeiros trabalhos das bandas novas daquela época, a qualidade da gravação deixava a desejar. Quando há apenas trechos limpos de Folk, o som é claro e agradável, mas, naturalmente, quando entra o Metal com o peso de suas guitarras, a gravação demonstra sua limitação e distorce, tornando as músicas ácidas e um tanto abafadas. Mesmo com esse infeliz detalhe, ainda dá pra apreciar bem o trabalho feito nesse álbum, que é calcado num tradicional Black Metal alicerçado com os instrumentos folclóricos de cordas e sopro. Uma vez que o Black Metal se manifesta em sua forma mais tradicional desde os riffs à técnica vocal gutural - que é bem rasgada, na raça -, o resultado fica bastante pagão e perverso. Esse tipo de vocal é o único explorado no trabalho, com exceção de algumas quedas limpas com drive.
Instrumentalmente, o disco apresenta vários momentos diferentes e interessantes no transcorrer das canções. Passa de momentos mais calmos e ambientais puramente Folk com exploração de flautas, teclados e sons ambientais, para momentos mais agressivos com a frieza do Black Metal. Quando ambos se unem, a sonoridade por vezes se mantém agressiva e, por outras, se transforma em Heavy Metal clássico, mas sem deixar a peteca cair.
Apesar da pobre produção, a banda se mostrava promissora. Por isso chamaram a atenção da poderosa Century Media Records, que logo ofereceu um contrato. Entretanto, ao visualizar os termos para a assinatura, os irlandeses desanimaram pois a gravadora teria o direito de mudar qualquer aspecto das músicas deles, correndo o risco de perderem sua identidade e terminarem com álbuns diferentes daquilo que gostariam de fazer. Recusaram então a proposta. O impacto negativo desencadeou um desânimo total que culminou no fim do Cruachan em 1997.
Para o bem do Folk Metal, a paralisação não foi eterna. Em janeiro de 1999 a banda estava de volta à ativa com um contrato com a Hammerheart Records debaixo do braço e poucas, porém sensíveis mudanças na formação. De volta à configuração de um quinteto, Leon Bias, John Fay e Jay O'Neill deixaram o conjunto, cedendo espaço para o baterista Joe Farrell e, mais notavelmente, a vocalista Karen Gilligan, que provocaria uma brusca mudança na postura da banda, mas, claro, mantendo a proposta Folk.
Dessa forma, foi lançado em 2000 o álbum "The Middle Kingdom", que pega de surpresa quem espera algo na linha do "Tuatha Na Gael". Agora, ao invés dos guturais de Keith Fay, é a suave voz de Karen Gilligan que assume a responsabilidade de interpretar as canções, afetando de forma direta a sonoridade, que cortou quase completamente a agressividade do Black Metal e e deu espaço a uma abordagem mais delicada, atmosférica e melódica, com teclados envolventes ditando o clima e as sensações do ambiente.
Com uma maior gama de instrumentos Folk e, consequentemente, mais possibilidades de composição, o trabalho se mostra bastante rico e explora muitos instrumentos diferentes. Eles que, em consonância com os teclados, resultam em uma sonoridade bastante feliz e dançante, dignamente gnoma, irlandesa.
A produção de fato melhora, mas não a largos passos. É mínima. Porém, melhora o suficiente para realçar bem o lado mais pesado do trabalho, que alterna entre pegadas de Heavy Metal e até mesmo Punk Rock, dependendo da música. Alguns flashes da proposta anterior brilham por vezes, como na faixa-título, onde vocais guturais rasgados são introduzidos, mas só lá mesmo. Interessantemente, vocais limpos masculinos também se fazem presentes em faixas como "Óró Sé Do Bheatha", que é bem Punk, e "Unstabled (Steeds of Macha)", aliviando o ouvinte de ter que ouvir apenas vocais femininos - não que isso seja necessariamente ruim, mas diversidade é sempre bem-vinda.
O disco é encerrado com chave de ouro através da faixa instrumental "The Butterfly", que agracia nossos ouvidos com belíssimos arranjos medievais.
Dois anos mais tarde, foi a vez do álbum "Folk-Lore" sair. Novamente, os avanços são tímidos em relação ao antecessor, exceto pela pequena melhora na produção, que deu um jeito na timbragem das guitarras. Em meio às poucas mudanças podemos destacar a abordagem um pouco menos ambiental do que aquela demonstrada em "The Middle Kingdom", e a manutenção do investimento em canções mais sentimentais, valorizando a suavidade do vocal de Karen Gilligan. Apesar disso, canções mais agressivas para a vocalista também integram o set, como a faixa de abertura "Bloody Sunday", até porque a temática exige isso. Ela conta um triste capítulo da história norte-irlandesa chamado "Domingo Sangrento", que aconteceu em 1972 durante manifestações populares, onde grupos religiosos manifestantes foram oprimidos pelas forças militares locais, deixando 14 mortos e 26 feridos. O U2, outra banda irlandesa, também escreveu um clássico sobre esse dia: "Sunday Bloody Sunday".
De qualquer forma, vocais limpos masculinos também são um pouco mais frequentemente acionados, o que pode ser observado em faixas como "The Rocky Road To Dublin", "Ossian's Return", e nas músicas tradicionais irlandesas "Spancill Hill" e a lindíssima "Ride On", que inclusive foi single e alcançou altas posições nos charts, dando à banda um pequeno gosto de sucesso comercial. Os guturais rasgados do Black Metal também retornam timidamente, apresentando-se apenas na faixa "Exiles", que fecha o disco.
Após o lançamento, o flautista John O'Fathaigh deixa o conjunto e não é substituído. Ao invés disso, a banda passa a contar com membros de sessão para o álbum subsequente.
Já em 2004, o álbum "Pagan" é lançado, via Karmageddon Media Records. Embora o álbum utilize mais um belo instrumento nas canções (o cello), a produção novamente deixa a desejar e as diferenças são minúsculas. Entretanto, vocais limpos masculinos são mais intensamente explorados, bem como uma maior incidência do Black Metal e guturais, tornando as faixas eventualmente mais pegadas. Elas inclusive são mais secas, distanciando-se definitivamente daquela jogada mais envolvente. A última faixa, "The Fall of Gondolin", é regravação da faixa de mesmo nome originalmente lançada no álbum de estreia "Tuatha Na Gael".
Para o próximo álbum, o flautista John Ryan foi oficialmente recrutado. Voltando ao mesmo estúdio onde gravaram os primeiros álbuns, a banda se empenhou na composição daquele que é - justamente, diga-se de passagem - considerado por muitos fãs e pelo próprio Keith Fay o melhor da banda: "The Morrigan's Call".
Lançado em 2006, é muito claro que, nesse trabalho, algo deu muito, muito certo, pois as canções simplesmente estão muito melhores. Melhores que nunca! Com toda certeza esse é o álbum mais consistente e convincente da discografia. O amadurecimento gerou canções realmente sólidas, que evidenciam uma clara segurança por parte do conjunto. Combinando muita inspiração e alegria a uma produção enfim excelente de verdade (pesada, clara, muito bem feita), é possível sentir a energia e vivacidade do trampo!
Vale relembrar que a banda começou com um intenso Black Metal acoplado ao Folk Metal, com ocasionais elementos Punk, e após abolir essa característica, ela foi, aos poucos e timidamente, inserindo-o de volta. Após toda essa progressão, chegamos ao auge da plenitude nesse álbum! Agora os antigos atributos estão bem mais presentes, mas na correta medida, sem se sobressair demais. Como resultado, geraram-se excelentes duetos entre os vocais masculinos (que alternam entre vocais limpos e guturais) e femininos, sobrepondo um instrumental forte, marcante e energético, sem dúvidas exalando identidade. As músicas são bem polidas e esbanjam o melhor que o Cruachan é capaz de fazer.
Mudanças no line-up marcaram os tempos subsequentes, e uma delas teve impacto direto na forma como a banda soa. A primeira baixa aconteceu em 2006 mesmo. Por diferenças pessoais, o baterista Joe Farrell deixou o conjunto pouco após o lançamento, e acabou sendo substituído por Colin Purcell. Na sequência, o flautista John Fay retornou à banda. Mas a mudança mais sensível ocorreu em 2008, quando a vocalista Karen Gilligan decidiu sair da banda "por diversas razões". Keith Fay poderia até convocar outra vocalista, porém, optou por promover uma nova mudança na banda, resgatando a antiga essência e acoplando-a à produção moderna. Com isso, ele volta a ser vocalista principal, explorando vocais guturais e também vocais limpos com fortíssimos drives.
O impacto da mudança pode ser testemunhado através do álbum "Blood On The Black Robe", lançado em 2011 após assinar com a gigante Candlelight Records. Trata-se de um álbum bem pesado, de punho firme. Com produção fodaça e uma atmosfera densa, engolfante, esse álbum are mão daquela clássica alegria em prol de uma postura mais séria e obscura. Essas características negras realçam bastante a natureza pagã da banda, tornando tudo intimidador. Uma vez que o Black Metal está um pouco mais forte, as canções também ganham contornos mais violentos, com uma bateria mais pegada e riffs mais rápidos, contudo, sem deixar a natureza Folk de lado, ela que também se mostra tão negra quanto o Metal.
Embora Karen Gilligan tenha deixado o conjunto, ela ainda contribuiu como membro de sessão em algumas faixas como "An Bean Sidhe" e "The Voyage of Bran". Certamente se trata de um álbum muito foda!
No ano seguinte, a banda passou por uma grande reformulação na formação que deixou o vocalista e guitarrista Keith Fay, o flautista John Fay e o violinista John Ryan como únicos remanescentes. O conjunto passou a contar com Kieran Ball na outra guitarra, Eric Fletcher no baixo e Mauro Frison na bateria e percussão.
Na sequência, o contrato com a Candlelight Records foi rescindido para assinar com a Trollzorn Records, selo especializado na linha Folk. Sob sua tutela saiu em 2014 "Blood For The Blood God", o sétimo álbum de estúdio da discografia.
O disco reflete bem a "mania" da banda de dar início a uma proposta e apresentar progressividade no desenvolvimento ao longo dos álbuns. Por isso ele parece uma continuação ainda mais seca e obscura do trabalho anterior. A produção é matadora, muito clara, e as canções são ainda mais intensas, impondo um Black Metal mais latente através de riffs que aludem com clareza à tradicionalidade do estilo.
Apesar do Folk se manter firme como dita o manual da banda, ele desaparece em várias passagens e passa a bola para trechos unicamente metalizados. Enquanto isso, os vocais deixam de ser mais guturalizados e pendem para algo mais limpo, com fortes drives - embora a diferença seja tênue -, mas o primeiro continua aparecendo em vários momentos. Vocais femininos também são encaixados em alguns poucos trechos de algumas canções, emprestados da vocalista de sessão Barbara Allen, mas nada que mude dramaticamente o estilo esmagador do trabalho.
É muito verdade que o Cruachan não foi uma banda forte durante a discografia inteira. Pode-se dizer que só passaram a ser sólidos de fato a partir de 2006, com o lançamento do álbum "The Morrigan's Call". Ainda assim, a importância de bandas como eles e o Skyclad no impulsionamento e popularização do Folk Metal é grande, já que muitas bandas se inspiraram nesses caras que deram os primeiros passos do gênero. E não há dúvidas de que os irlandeses são reconhecidos por isso e pelo seu Metal Celta, por mais que não sejam mainstream e muitos nunca tenham ouvido nenhuma música, embora com certeza a maioria já tenha pelo menos ouvido falar. Se você é um desses, cá está uma bela chance de conferir uma das mais importantes bandas do gênero!


 Celtica (Demo) (1994)

01 - To Moytura We Return
02 - Maeves' March
03 - Cúchulainn
04 - Battle Frenzy
05 - The Voyage of Bran
06 - To Invoke The Horned God
07 - F.M.C.D.A.C.A.K.A.F.G.H.
08 - Scéal Na Fianna (Live)


 Tuatha Na Gael (1995)

01 - I Am Tuan
02 - The First Battle of Moytura
03 - Maeves' March
04 - Fall of Gondolin
05 - Cúchulainn
06 - Taín Bó Cuailgne
07 - To Invoke The Horned God
08 - Brian Boru
09 - To Moytura We Return


 Promo '97 (Demo) (1997)

01 - Return
02 - Erinsong
03 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile


 The Middle Kingdom (2000)

01 - A Celtic Mourning
02 - Celtica (Voice of The Morrigan)
03 - The Fianna
04 - A Druids Passing
05 - Is Fuair An Chroi
06 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
07 - The Middle Kingdom
08 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile
09 - Unstabled (Steeds of Macha)
10 - The Butterfly


 Ride On (Single) (2001)

01 - Ride On
02 - Maeves' March (2001)
03 - To Hell Or To Connaught
04 - Sauron


 Folk-Lore (2002)

01 - Bloody Sunday
02 - The Victory Reel (Instrumental)
03 - Death of A Gael
04 - The Rocky Road To Dublin
05 - Ossian's Return
06 - Spancill Hill
07 - The Children of Lir
08 - Ride On
09 - Susie Moran
10 - Exiles
11 - To Invoke The Horned God (Bonus Track)


 Pagan (2004)

01 - Michael Collins
02 - Pagan
03 - The Gael
04 - Ard Rí Na Heirann
05 - March To Cluain Tairbh
06 - Viking Slayer
07 - 1014 A.D.
08 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
09 - 1000 Years
10 - Lament For The Wild Geese
11 - Erinsong
12 - Summoning of The Sidhe
13 - The Fall of Gondolin


 The Morrigan's Call (2006)

01 - Shelob
02 - The Brown Bull of Cooley
03 - Coffin Ships
04 - The Great Hunger
05 - The Old Woman In The Woods
06 - Ungoliant
07 - The Morrigan's Call
08 - Téir Abhaile Riú
09 - Wolfe Tone
10 - The Very Wild Rover
11 - Cúchulainn
12 - Diarmuid and Grainne


 A Celtic Legacy (Compilation) (2007)

01 - I Am Tuan
02 - Cúchulainn
03 - To Invoke The Horned God
04 - Celtica (Voice of The Morrigan)
05 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
06 - The Middle Kingdom
07 - Death of A Gael
08 - The Children of Lir
09 - Ride On (feat. Shane McGowan)
10 - Michael Collins
11 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
12 - The Fall of Gondolin
13 - Little Timmy Scumbag
14 - Bloody Sunday (Unplugged)


 Blood On The Black Robe (2011)

01 - To War
02 - I Am Warrior
03 - The Column
04 - Thy Kingdom Gone
05 - An Bean Sidhe
06 - Blood On The Black Robe
07 - Primeval Odium
08 - The Voyage of Bran
09 - Brian Boru's March
10 - Pagan Hate
11 - The Nine Year War


 Blood For The Blood God (2014)

01 - Crom Cruach
02 - Blood For The Blood God
03 - The Arrival of The Fir Bolg
04 - Beren and Luthien
05 - The Marching Song of Fiach Mac Hugh
06 - Prophecy
07 - Gae Bolga
08 - The Sea Queen of Connaught
09 - Born For War (The Rise of Brian Boru)
10 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 1)
11 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 2)

Bonus CD:
01 - Pagan (2014 Version)
02 - Prophecy (Demo Version)
03 - Sea Queen (Demo Version)
04 - Marching Song (Demo Version)
05 - I Am Warrior (Demo Version)
06 - Pagan Hate (Demo Version)
07 - Voyage of Bran (Demo Version)


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Força Macabra - Discografia

Muitos não param pra pensar, não sabem, ou até mesmo menosprezam a importância e relevância da cena brasileira do Hardcore/Punk/Thrash Metal nos anos 80 não apenas aqui no Brasil, mas também no exterior. Talvez isso aconteça porque normalmente não temos noção do tamanho de nossa influência em algum quesito, afinal, não somos afetados por ela. Nós somos ela. Pode ser isso. Mas a verdade é que bandas como Ratos de Porão, Inocentes, Armagedom, Lobotomia, Sarcófago, Chakal, entre outras dos ramos, foram muito mais longe do que é comentado nas rodas de amigos e mídia. A prova real de que isso tudo não se tratou apenas de um movimento nacional é o Força Macabra.
Nome em português, letras em português brasileiro, altamente apaixonados e influenciados também pelo Overdose... O Força Macabra pode facilmente ser considerado uma banda nacional caso o ouvinte não faça uma pequena pesquisa. Contudo, a verdade é bastante interessante, já que o conjunto é oriundo de muito, muito longe da terra tupiniquim, atravessando o oceano e subindo às terras geladas do norte europeu.
Pois é. Trata-se de uma banda europeia. Finlandesa, mais precisamente. Formado na capital Helsinque em 1991, o conjunto - cuja formação conta com membros puramente finlandeses, mas que usem nomes artísticos - se deixou influenciar pesadamente pela cena brasileira ao ponto de compôr letras em português e nos brindar com essa interessante experiência.
Inicialmente composta por Oswaldo "Taurus" Extermínio (Otto Luotonen) no vocal, Pedro "Porco" Anthares guitarra, Roberto Necrófago no baixo e Oscar "Deadbrain" Antítese (Otto Itkonen) na bateria, a banda primeiro lançou trabalhos menores, como demos e splits. A primeira saiu ainda no ano de formação, intitulada simplesmente "1st Demo".
Já na próxima demo, intitulada "2nd Demo: Para Agonia e Morte" e lançada em 1992, a banda estava contando com outro baixista no lugar de Roberto, chamado Jaska.
Após lançarem mais algumas demos e splits, conquistaram um contrato com a Genet Records, responsável pelo lançamento do álbum de estreia "Nos Túmulos Abertos", em 1995. Com suas 13 faixas que totalizam 26 minutos de duração, este é um trabalho que apresenta um Hardcore/Punk bastante objetivo e tradicional: porradeiro, agressivo, homogêneo, com um vocal carregado por drive cantando na tonalidade que as inconformadas e críticas letras exigem. No entanto, peca em alguns pontos devido à limitação de recursos ou até mesmo a pouca idade da banda. A gravação não é tão boa... é meio abafada, com o som dos instrumentos se confundindo, pouco claros. O pulsar do baixo é estranho, a bateria é seca, a guitarra é arranhada... até o português é afetado, pois com o pouco tempo de estrada da banda, a pronúncia se mostra mais balbuciada e atropelada ao invés de propriamente falada. Esses atributos são ótimos para quem gosta de um som mais sujo.
Tempos depois do lançamento, o guitarrista Abutre E. Hate foi adicionado à formação, e mais uma cacetada de splits e compilações foram lançadas no meio-tempo até o próximo álbum. Uma dessas splits saiu no ano de 2001, em parceria com o Ulster, banda brasileira de Hardcore/Punk de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Já o ano de 2002 marcou a chegada do segundo álbum de estúdio, chamado "Caveira da Força". Lançado através da Hardcore Holocaust Records, agora a musicalidade melhorou em diversos aspectos. A produção está mais nítida, as composições estão mais abrangentes e criativas, e solos são fritados, explorados com técnica e velocidade. Ao longo de seus 30 minutos de duração, o álbum apresenta uma banda que trás à superfície uma influência adicional de Thrash Metal que tornou as músicas mais pesadas, com linhas instrumentais melhor desenhadas, mais interessantes. Ao unir Hardcore, Punk e Thrash Metal de forma tão coesa como fizeram, alcançaram uma sonoridade para agradar qualquer fã das vertentes. É pegada, cheia de palhetadas velozes gerando uma intensa riffeira, bateria porradeira, baixo que a acompanha. As linhas vocais não ficaram por fora do desenvolvimento, já que Oswaldo agora apresenta um vocal mais técnico, mais encorpado e um drive ainda mais carregado, a caráter da maior influência da banda: o Overdose. Backing vocals também são constantemente acionados ao mais tradicional estilo Punk/Hardcore, complementando muito bem uma musicalidade que já é notável por si só. Álbum forte, certamente.
Após o lançamento, o baixista Jaska deixou o conjunto, mas ninguém foi convocado pra preencher sua vaga. Ao invés disso, o guitarrista Pedro "Porco" Anthares passou a dividir as funções no estúdio.
O tempo que a banda levou para lançar o segundo álbum foi certamente longo. Foram sete anos de espera. Depois de lançar um disco excelente como "Caveira da Força", esperava-se que não demorasse tanto mais para que mais álbuns saíssem. Entretanto, mais seis longos anos tiveram de transcorrer até que mais materiais inéditos pudessem finalmente ser apreciados.
Portanto, o terceiro full-length foi conhecido apenas em 2008. "Aqui É O Inferno", lançado via Agipunk Records, é um álbum que dá prosseguimento à competente tendência Crossover/Thrash iniciada em seu antecessor, mas também apresenta mudanças. De fato, é furioso e incrivelmente energético, batedor de cabeça. As canções estão ainda mais velozes e assassinas, cantadas por um vocal que esbanja revolta e autoridade, com sílabas pronunciadas alucinada e rapidamente. O português está muito melhor pronunciado do que antes, diga-se de passagem. Beirando a perfeição. No entanto, as composições não apresentam a mesma criatividade de "Caveira da Força". São mais estreitas, retilíneas, sem tanta variação ou complexidade nos arranjos. Os solos passaram a ser menos explorados (mas muito bem executados quando entram em cena), os backing vocals Punk praticamente desapareceram... Apesar de certas "faltas", há muita compensação no ritmo e vivacidade das canções, que são contagiantes e selam esse álbum como de fato excelente.
Desde então, nada mais foi lançado pelos finlandeses. Pelo menos não oficialmente. Mas é sabido que ainda estão na ativa. Quem sabe não tem mais um álbum de estúdio saindo? Só o tempo dirá. Enquanto isso os finlandeses nos deixaram três interessantes álbuns que no mínimo despertam a curiosidade de qualquer um que saiba que eles não são brasileiros. Pra quem curte Crossover, sem dúvidas essa é uma banda pra ser muito bem apreciada. Agora, pra quem não curte, por que não ouvir pra pelo menos tirar a curiosidade da pronúncia? O Metal é global, e o Força Macabra é um presente da globalização para nós brasileiros.


 1st Demo (Demo) (1991)

01 - Sem Poluição
02 - Mortes dos Inocentes
03 - Vida Morta
04 - Juventude Ignorante/Cães do Sistema
05 - Revolução
06 - Em Nome da Liberdade
07 - Destruição, Morte e Dor


 2nd Demo: Para Agonia e Morte (Demo) (1992)

01 - Mentes Mortes
02 - Chorando A Guerra
03 - Outra Guerra, Outra Vítima
04 - Revolução
05 - Medo
06 - Em Guerra
07 - Morte dos Inocentes
08 - Será O Fim da Terra?
09 - Cansado
10 - Calado (Inocentes Cover)
11 - Depois da Bomba
12 - Destruição, Morte e Dor


 3rd Demo (Demo) (1993)

01 - Cegos Por Ódio (Armagedom Cover)
02 - Bandeira Negra
03 - De Quem É A Culpa?
04 - Most To Die (Lobotomia Cover)/Paranóia Nuclear (Ratos de Porão Cover)
05 - Eu Não Preciso do Sistema
06 - Alma Sofredora
07 - Sofrer Demais
08 - Chorando A Guerra
09 - Tu Pagas
10 - Crucificados Pelo Sistema (Ratos de Porão Cover)


 Força Macabra/Homomilitia (Split) (1994)

01 - Força Macabra: Eu Não Preciso do Sistema
02 - Força Macabra: Alma Sofredora
03 - Força Macabra: Sofrer Demais (Armagedom Cover)
04 - Força Macabra: Chorando A Guerra
05 - Homomilitia: Ziemia
06 - Homomilitia: Multinationals


 Nos Túmulos Abertos (1995)

01 - Este Mundo
02 - Outra Guerra, Outra Vítima
03 - Será O Fim da Terra?
04 - Medo
05 - Alma Sofredora
06 - Apanhado
07 - Asilo Na Existência (Armagedom Cover)
08 - Eu Não Preciso do Sistema
09 - Mentes Mortas
10 - Em Guerra
11 - Cansado
12 - Tu Pagas
13 - Nos Túmulos Abertos


 Força Macabra/Ulster (Split) (2001)

01 - Força Macabra: Cemitério
02 - Força Macabra: Malicius Death (Necromancer Cover)
03 - Força Macabra: Vida Morta
04 - Ulster: Arturo Bandini
05 - Ulster: Matar
06 - Ulster: Conquest (Disclose Cover)
07 - Ulster: U.E.P.R.
08 - Ulster: SP R$1,76
09 - Ulster: Os Leões Estão Marcados


 Caveira da Força (2002)

01 - Desejo de Poder
02 - Agonia Final
03 - O Que Nós Vemos
04 - Sarcófago Nuclear
05 - A Queda
06 - El Condor
07 - D.E.P.
08 - Bitchfucker
09 - Suicídio 89
10 - Medo do Amanhecer
11 - Filho do Mundo
12 - Caveira da Força


 Aqui É O Inferno (2008)

01 - Esfera Metal
02 - Cemitério
03 - Filhos da Tormenta
04 - Massacre do Ódio
05 - Fúria (Anthares Cover)
06 - Apanhado
07 - Vôo do Abutre
08 - Assassino
09 - Do Inferno Eu Vim
10 - Hecatombe Alcóolica
11 - O Chamando dos Esqueletos
12 - Guerreiro do Rock
13 - Pescador de Almas