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quinta-feira, 30 de abril de 2015

neNasty - Discografia

Sempre tem algum ser humano que consegue, de alguma forma, ultrapassar os limites do ordinário. Que consegue nos impressionar de alguma forma e fazer perguntarmos a nós mesmos como é possível tal coisa.
O multi-instrumentista russo Valery Androsov, conhecido como Senmuth, é um desses que estarrece a comunidade headbanger que o conhece devido ao inacreditável número de álbuns que lança em sua carreira solo em pouco tempo. Geralmente são dezenas de discos por ano. Discos inéditos. Isso exige tempo, criatividade e versatilidade, intercalando tudo aos seus afazeres pessoais e às viagens ao redor do mundo, que são frequentes.
Autodidata, sua versatilidade jaz no fato de, ao longo de sua discografia que passa de três dígitos, solo ou projetos paralelos, passear através de diversos gêneros dentro ou fora do Metal, como o Industrial Metal, Avant-garde Metal, Folk Metal, Doom Metal, Ethnic, Ambient, Djent, Progressive, ou mistura destes e vários outros elementos.
Pouco antes de iniciar de fato sua gigantesca e instrumental carreira solo em 2004, Senmuth fundou, ao lado da vocalista e compositora Nasty Turenkova, o projeto neNasty, que segue a linha do Avant-garde Metal.
O projeto começou em 2003 em Penza, na Rússia, convencionando-se que Senmuth tocaria todos os instrumentos e comporia as músicas, enquanto Nasty seria vocalista, comporia as letras (que são em russo) e também auxiliaria seu colega com a composição musical.
Foi só em 2005, após o início da carreira solo e de já ter lançado uma quantidade considerável de álbuns por lá, que o primeiro álbum do neNasty saiu das trevas. Intitulado "...Сны Жестоки", parece ter saído das trevas mesmo. É uma mistura de Avant-garde Metal com algo de Gothic Metal principalmente no vocal e uma carregada atmosfera Dark Ambient, coisa típica do russo. Apesar da mixagem não ser a mais perfeita que pode-se ouvir (voz aparentemente deslocada dos instrumentos e guitarra pouco clara), é um bom disco para se ouvir. Nasty Turenkova é dona de um belo vocal que de repente se caso se entregasse mais deixaria as canções ainda melhores.
No ano seguinte é a vez do segundo e último álbum "Когда Уходят Тени" ser lançado. Musicalmente é ainda melhor e mais denso que o antecessor, além da produção, que está um pouco melhor. É um trabalho um pouco mais dinâmico, com momentos mais variados em recursos dependendo dos momentos da canção. As veias Avant-garde e Dark Ambient estão com suas raízes mais fortemente infincadas na sonoridade, o que causa a consequência da maior densidade instrumental, e Nasty segue complementando a sonoridade com seu belo e consistente vocal, que de alguma forma deixa o conjunto da obra ainda mais profundo e negro.
Esse é mais um dos projetos paralelos saídos da genial cabeça de Valery Androsov, o Senmuth. As atividades foram encerradas em 2007 e, mesmo que não seja a reinvenção da roda, roda bem. Para quem é fã dos trabalhos do cara, é mais um objeto de apreciação na coleção de conhecimentos pessoais relacionados ao músico, assim como outros projetos como Aegnor, Harmahis e Tenochtitlan.


 ...Сны Жестоки (2003)

01 - Ледяной Саркофаг
02 - Ненастье
03 - Свет Глубины
04 - Полярная Ночь (Оттенок Рассвета)
05 - Сны Жестоки
06 - Слезы Ангела На Земле
07 - Ненастье (акустика)
08 - Достигая 108
09 - Долина Страха


 Легенда Осени (Single) (2004)

01 - Легенда Осени (Doom Version)
02 - Легенда Осени (Alternativе Version)
03 - Легенда Осени (Dark Version)
04 - Не Жалея об Ошибках
05 - Полярная Ночь (Оттенок Рассвета)
06 - Достигая 108


 Когда Уходят Тени (2006)

01 - Холод
02 - Тишина
03 - Легенда Осени
04 - Воспарив
05 - В Морозную Ночь
06 - Не Жалея
07 - Куда Уходят Тени
08 - Не Видишь
09 - Призрачная Грусть


terça-feira, 28 de abril de 2015

Persefone - Discografia

Misturar gêneros distintos é uma prática que exige muita criatividade e maturidade, ainda mais em se tratando do aplicamento do Progressive Metal. Por vezes o resultado pode ser bem insatisfatório. No entanto, há bandas que conseguem exceder o limite do satisfatório e alcançam resultados impressionantes! A beleza do Persefone jaz nesse detalhe. Dificilmente encontramos bandas que misturam gêneros melódicos como o Progressive Metal e extremos como o Death Metal e alcançam um nível tão elevado e cativante. Esses caras são simplesmente excepcionais!
Essa fantástica banda surgiu no ano de 2001 em Andorra-a-Velha, capital do pequeno país europeu de Andorra, falante do catalão e esmagado entre a Espanha e a França. Tendo em vista que a população do país não chega sequer aos 75 mil habitantes, é extremamente difícil encontrar grandes bandas oriundas de lá. Contudo, como toda regra tem exceção, o Persefone vem para nos impressionar com sua musicalidade fora de série!
Tudo começou por iniciativa dos amigos Carlos Lozano Quintanilla (guitarra), Jordi Gorgues Mateu (guitarra), Toni Mestre Coy (baixo) e Xavi Pérez (bateria), que deram o nome de Persefone à banda, em referência à deusa grega Perséfone, filha de Zeus e Deméter, deusa das flores, frutos, ervas e perfumes, sobrinha e esposa de Hades, rainha do mundo inferior. O primeiro recrutamento aconteceu em 2002 com a chegada do tecladista Miguel Espinoza Ortiz.
Inicialmente os responsáveis pelos vocais, que alternam guturais e graves limpos graves, eram o guitarrista Carlos Lozano e o tecladista Miguel Espinoza. Foi com esse perfil que os caras entraram em estúdio e lançaram em dezembro de 2004 o álbum de estreia "Truth Inside The Shades", via Adipocere Records.
Trata-se de um pontapé inicial sinistro e com o pé direito! Nesse maravilhoso disco os andorranos aplicam uma sólida mistura composta por Symphonic, Black, Gothic e, claro, Progressive Metal. A técnica vocal extrema mais utilizada aqui é o gutural rasgado típico do Black Metal, enquanto o gutural fechado, típico do Death Metal, é bem menos explorado, utilizado apenas como backing vocal em alguns trechos. Impressionante é a raça com a qual essas agressivas técnicas são feitas! O lado Gothic contribui não apenas com a atmosfera arcaica e obscura típica, mas também com a introdução de graves vocais limpos que se apresentam como se estivessem em transe. A principal aposta dos caras, o Prog, não aparece de forma tão latente, exceto por alguns trechos e na última faixa. Ele contribui mais com técnica subjetiva e longa duração das faixas. Nada extremamente fritado. Todos esses elementos são guiados pelo lado Symphonic e sua bela aplicação de teclados, que não é nada exagerada e complementa muito bem a atmosfera negra desse trabalho idealizado e produzido com excelência.
Algumas pequenas turnês sucederam ao lançamento, mas com nova formação, pois ainda em 2004 o baterista Xavi Pérez deixou o conjunto e foi substituído pelo produtor da banda, o talentoso Aleix Dorca Josa. Ainda no mesmo ano deu tempo de desafogar Carlos Lozano de sua função extra de vocalista gutural e entregá-la ao novo membro Marc Martins Pia, que chegou exclusivamente para tal fim.
Essa foi a formação que entrou no estúdio e lançou através da Soundholic Records o magnífico álbum conceitual "Core" em 2006. Ele é composto apenas por três canções com mais de 20 minutos de duração que contam a história da deusa que dá nome à banda. "Core" vem de Coré, nome de Perséfone quando ainda pura e inocente na época que vivia no Olimpo. Ela se torna Perséfone depois de desposada à força por seu tio Hades que, apaixonado e louco de ódio após uma luta com seu irmão Zeus, levada-a ao mundo inferior, onde ela se nega a se alimentar. A fome a levou a não resistir à tentação de comer o fruto proibido, permitido apenas aos condenados. O efeito foi a implantação o mal no coração de Coré, tornando-a Perséfone.
Toda essa história é contada através de um álbum musicalmente impressionante e apocalíptico! A banda passa a usufruir mais de suas influências Progressivas, unindo-a bem sucedidamente ao Death Metal com rastros melódicos a um nível de deixá-lo boquiaberto. É aqui que a fritação da banda dá seus primeiros enormes passos: os riffs são fodaços e pesadíssimos, com criativas e pontuais quebradas e muita escala. Os solos também esculacham, mas também são pontuais. Isso é porque a principal preocupação da banda era transmitir a história.
O Symphonic Metal do "Truth Inside The Shades" desapareceu. Agora os teclados são utilizados inteiramente ao melhor estilo Progressive Metal, contribuindo com arranjos providenciais de base e solo tanto em efeitos de piano quanto nos demais sons sintéticos, muitos aparecendo em velozes solos.
Vocalmente a banda também mudou, graças à chegada de Marc Martins Pia. Ele contribui com os avassaladores vocais guturais fechados intensamente aplicados nesse trabalho, em consonância com os ferozes guturais rasgados com a raça do álbum anterior. Por vezes eles cantam ao mesmo tempo no fim de algumas frases, dando aquele efeito monstruoso de arrepiar! Claro, os graves vocais limpos também recebem atenção, como anteriormente. Aparece em alguns refrões (chamemos assim devido à melodia dos trechos, pois o trabalho é retilíneo e sem refrões), emprestando diversidade ao trabalho.
Já o conceito lírico é em linha reta, sem muita repetição de estrofes, logo, sem refrões. As canções são divididas em diversos atos que guiam como o instrumental vai soar. Cada uma das três faixas conta a história sob uma perspectiva diferente: "Sanctuary: Light and Grief" é do ponto de vista de Deméter; "Underworld: The Fallen & The Buttlerfly", da perspectiva de Hades; e por fim, "Seed: Core & Persephone", dos olhos e coração de Coré, ou Perséfone.
Há também uma participação especial não creditada no álbum. Um lindo vocal feminino que aparece sempre que a passagem lírica é pertinente à pura Coré (os trechos como Perséfone são guturais, afinal, é o lado sombrio da deusa). Não se sabe quem é a responsável.
"Core" possui todos os atributos de um grandiosíssimo álbum conceitual, onde não apenas as letras se comunicam com o ouvinte, mas também o instrumental. Cada arranjo e riff é cuidadosamente composto de forma a representar o momento em que a história se passa, seja batalha, seja angústia, seja tristeza, ódio, ou os efeitos desses sentimentos. É genial e espetacular. Uma obra-prima do Progressive Death Metal!
Nova mudança na formação ocorreu na sequência, novamente na bateria. Saiu Aleix Dorca Josa e entrou Marc Mas Marti. Então o sexteto novamente invadiu o estúdio e se preparou para mais um fodaço lançamento.
Agora inspirados na cultura japonesa e talvez de alguma forma no livro estratégico japonês "O Livro dos Cinco Anéis", escrito pelo lendário espadachim Miyamoto Musashi, os rapazes surgiram novamente em 2009 com o álbum "真剣", ou "Shin-Ken", nome da espada exibida pelo samurai na bela capa.
O trabalho é primoroso como se deve ser e esperar do Persefone, com o correto balanceamento entre os vocais extremos e o espaço para o limpo. A musicalidade é uma montanha-russa devido à constante transição entre calmaria e tempestade, além da diversidade entre músicas tranquilas e pegadas. Nas músicas mais energéticas temos ainda momentos mais comportados e outros mais fritantes, com solos técnicos e frenéticos de guitarra e teclado. Instrumentação japonesa pode ser elementalmente apreciada, como em "Fall To Rise" e "Rage Stained Blade", provavelmente graças a efeitos de teclado. Mas um ponto negativo é o retrocesso no âmbito das baquetas, pois mesmo que tenha feito um bom trabalho, Marc Mars não fez um serviço de encher os olhos.
No geral, a postura da banda é mais melódica. Executam um Progressive Melodic Death Metal com a veia Melodeath um tanto mais contundente, só que não de forma genérica. Elementos de Black Metal aparecem aqui e ali em alguns riffs de rápidas palhetadas alternadas, mas não passa do nível elemental, mesmo que os vocais rasgados típicos do gênero ainda sejam constantemente explorados.
Quatro anos mais tarde é a vez do quarto álbum de estúdio chegar às prateleiras, através da ViciSolum Productions. "Spiritual Migration" já é um estupendo álbum que aposta no mais genuíno Progressive Melodic Death Metal possível, com todos os seus atributos intensamente realçados. O Prog aqui é uma surra, com muita técnica e exibicionismo, cheio de quebradas, escalas e velocidade, enquanto o Melodic Death Metal é claríssimo de instrumental a vocal; o instrumental mais genérico do estilo é perfeitamente fundido ao Progressive Metal resultando em uma musicalidade singular. Prova da grande atenção ao Melodeath é o fato de abrirem mão dos guturais fechados e inserir integralmente vocais rasgados, não ao estilo Black, mas ao estilo Melodeath, que é diferente, mais urrado, aberto e agressivo. Outro detalhe é a volta dos holofotes à bateria, que é variada e cheia de recursos. O clima aqui é mais moderno, profundo e até tecnológico, o que faz deste um bom ponto de partida de quem gosta de bandas atuais. Álbum fantástico, com muitas atmosferas diferentes, assim como "Shin-Ken", logo, um disco muito diversificado.
Outra vez o conjunto sofreu troca de bateristas em 2015. Com a saída de Marc Mas Marti, Sergi Verdeguer assumiu a vaga.
Impressionantes, fabulosos, o Persefone é uma banda que todo tipo de ajetivo não é suficiente para dizer precisão a excelência deles. É só no ouvido, com a degustação correta. Seus trabalhos são intensos e necessitam de insistência para a assimilação. Coisa que o Prog nos obriga a fazer. Mas uma vez compreendida a sonoridade, vicia. Banda como nenhuma outra, para tirar o chapéu.


 Truth Inside The Shades (2004)

01 - My Unwithered Shrine (Prologue)
02 - The Whisper of Men
03 - Truth Inside The Shades
04 - Niflheim (The Eyes That Hold The Edge)
05 - Atemporal Divinity
06 - The Demise of Oblivion
07 - The Haunting of Human's Denial (Japanese Bonus Track)


 Core (2006)

01 - Sanctuary: Light & Grief
02 - Underworld: The Fallen & The Butterfly
03 - Seed: Core & Persephone
04 - Train of Consequences (Megadeth Cover) (Japanese Bonus Track)


 真剣 / Shin-Ken (2009)

01 - The Ground Book (Intro)
02 - Fall To Rise
03 - Death Before Dishonour
04 - The Water Book
05 - The Endless Path
06 - The Wind Book
07 - Purity
08 - Rage Stained Blade
09 - The Fire Book
10 - Kusanagi
11 - Shin-Ken Part I
12 - Shin-Ken Part II
13 - The Void Book
14 - Japanese Poem
15 - Sword of The Warrior (Cacophony Cover) (Bonus Track)


 Spiritual Migration (2013)

01 - Flying Sea Dragons
02 - Mind As Universe
03 - The Great Reality
04 - Zazen Meditation
05 - The Majestic of Gaia
06 - Consciousness Pt. 1: Sitting In Silence
07 - Consciousness Pt. 2: A Path Tto Enlightenment
08 - Inner Fullness
09 - Metta Meditation
10 - Upward Explosion
11 - Spiritual Migration
12 - Returning To The Source
13 - Outro


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Metalmorphose - Discografia

Apesar de pouco divulgada essa informação, o Heavy Metal no Brasil começou a ser praticado ainda cedo, em meio à opressiva ditadura militar, em meados dos anos 70. Mesmo com todas as dificuldades da época como acesso a bons equipamentos, à música, à liberdade de expressão, lá no Pará, uma banda decidiu tomar inspiração nos gigantes britânicos e dar o primeiro passo de um estilo que viria a ser enorme no país: o Stress. Enorme, sim, pois a cena brasileira atualmente é vasta e bandas surgem o tempo inteiro. O Brasil pode ser conhecido pelo Carnaval, pelo Samba, pelo futebol, mas nossa cena também é colossal!
Depois do Stress, mais bandas começaram a surgir no início dos anos oitenta, caracterizando aquilo que podemos chamar de "primeira onda do Heavy Metal brasileiro". Bandas que praticavam um Heavy Metal puro, mas singular ao mesmo tempo, com um estilo que só brasileiros faziam e em português! Uma dos integrantes desse pioneirismo é o Metalmorphose, banda carioca nascida em 1983.
A iniciativa partiu do trio de amigos Marcelo Ferreira (guitarra), Celso Suckow (guitarra) e André Delacroix (bateria), que mais tarde convocariam o vocalista Tavinho Godoy e o baixista André Bighinzoli para completar a formação e iniciar a prática da sonzeira.
Mesmo ainda no início, o Metalmorphose já se apresentava ao vivo e fazia seu nome na cena local. Enquanto isso, outra banda conterrânea tão jovem quanto chamada Dorsal Atlântica também chacoalhava as noites do underground carioca. Consequentemente, as duas bandas se tornaram amigas. Um fruto dessa amizade seria lançado em 1985 na forma de uma famosa split intitulada "Ultimatum". O Metalmorphose já se mostrava digno de fazer Heavy Metal de qualidade, embora o som tivesse sua dose de crueza, exceto pelos solos. As canções contidas aqui são verdadeiros hinos interpretados por um excelente vocalista de voz alta com traços de drive e muita presença.
Ambos seguiriam seus caminhos, mas quanto ao Metalmorphose, em marcha um pouco mais lenta. Realizavam shows ao longo dos anos seguintes e gravavam novas canções demos, mas nunca lançavam algo oficialmente, a não ser a single "Correntes", em 1986, até que em 1989 o conjunto encerrou definitivamente suas atividades, aparentemente sem chances de retorno.
Alguns integrantes chegaram a ter atividade relevante na cena durante esse tempo, como a participação de alguns deles no Azul Limão, mas, fora isso, nada que chamasse muito a atenção ou desse a ideia de que o Metalmorphose poderia retornar.
Parecia improvável, mas "improvável" não significa "impossível"; por isso, após 25 anos de silêncio, o Metalmorphose retornou completo, com a formação original. Naquele mesmo ano de 2008 já participaram de um disco em homenagem aos 40 anos do lançamento do clássico "White Album", do The Beatles.
O ano de 2009 também foi ano de atividades, de aproveitar o passado e colocá-lo em circulação no presente. Por isso, já em janeiro, relançaram através da Metalli Records o split "Ultimatum" em CD (pois originalmente era em fita) com canções remasterizadas e nova capa. Logo mais, em maio, foi a vez da compilação "Maldição" sair, composta por material ainda inédito gravado em 1986, além de gravações ao vivo registradas no período entre 1984 e 1985.
Um mês mais tarde, no dia 21 de junho, o grupo se apresentaria no Teatro Odisséia, no Rio de Janeiro, onde gravariam um show muito especial comemorando os 25 anos de lançamento do "Ultimatum", o retorno da banda em sua formação original e o lançamento de "Maldição". Esse registro seria lançado sob o nome "Odisseia", primeiro no formato de CD em 2010. Em vídeo, somente em 2012.
Outra grandiosa compilação de músicas gravadas nos anos 80 saiu ainda em 2010. "Nossa Droga É O Metal" é um maravilhoso registro de uma hora e doze de duração que apresenta a banda em sua mais energética e pura forma tradicional. Só clássico, só musicão. As letras eram mais simples, até clichês, mas o instrumental era excelente e os solos alucinantes! Seria muito interessante se a banda tivesse, ainda nos anos 80, a oportunidade de lançar alguns álbuns nessa linha. É um prato cheio pra quem gosta de antigueira!
Infelizmente o line-up não se manteria pois a dupla de guitarristas Celso Suckow e Marcelo Ferreira deixaria a banda. Suas vagas foram preenchidas por PP Cavalcante em 2011 e Marcos Dantas (Azul Limão) em 2012. Essa seria a formação que lançaria de forma independente, em 2012, o primeiro álbum de fato, chamado "Máquina dos Sentidos". Esse trabalho mostra o quanto os anos foram bons para a banda. Tornaram-se mais maduros, musical e liricamente. Não que deixar de soar tradicional seja um avanço, mas a arquitetura das canções está muito melhor trabalhada, criativa, fora o vocal de Tavinho Godoy, que amadureceu bastante e não está tão exagerado, diga-se de passagem. Com isso quero dizer que o momento para cada tipo de técnica, como a elevação do tom, a aplicação de drives, os agudos, está mais inteligentemente escolhido. Mesmo em se tratando de um registro independente, a produção é excelente. A sonoridade está alicerça pancada, peso e muito alto astral! Entretanto, claramente está mais comercial, própria para tocar em rádios. Os refrões são Pop, animados, grudentos, fáceis de decorar, levando-o a já nas primeiras audições identificar qual música é qual e a cantá-las. Muitos podem encarar o lado comercial como uma crítica, mas não é. "Máquina dos Sentidos" é um grande, fodaço e acessível registro do Heavy Metal brasileiro em português, além de simbolizar a perseverança do Metalmorphose em ainda lançar álbum mesmo depois de tantos anos.
Uma turnê de divulgação do disco sucedeu ao lançamento, percorrendo todos os cantos do país ao lado de outros grandes nomes pioneiros como Centúrias, Stress e Salário Mínimo. Dessa turnê ainda brotou mais um lançamento ao vivo da grande performance dos rapazes em palco. Também independente, ele se chama "Máquina Ao Vivo" e foi lançado em 2014 em CD e DVD.
No ano de 2015 os cariocas voltam a aparecer com mais um álbum de estúdio recheado de canções inéditas. "Fúria dos Elementos", lançado através da Urubuz Records, é um trabalho que transcorre linha similar ao "Máquina dos Sentidos", mas com mais pegada e menos veia comercial. A energia e alegria das canções permanece intocada, os solos seguem apurados e técnicos. No entanto, o álbum exige mais insistência na audição para melhor assimilar. E é uma insistência que vale a pena, pois o disco é bom pra caralho!
O Metalmorphose é mais um dos dinossauros brasileiros do Heavy Metal que muitas vezes é esquecido e até injustiçado pelo público atual. Fazem parte do movimento que inaugurou o estilo no país e hoje é mais do que consolidado. A banda é foda, vale a pena ouvi-los e valorizar o que nosso país tem a oferecer de música pesada em nossa língua materna! Vida longa ao Metal nacional!


P.S.: Não consegui encontrar de jeito nenhum links online do ao vivo "Máquina Ao Vivo", de 2014. Se alguma alma caridosa puder auxiliar o Warriors Of The Metal nos enviando links para baixá-lo, seria bom demais! Se tiverem cópias físicas, passem para o PC e nos enviem! Já nos auxiliaram com a compilação "Maldição" e o live "Odisseia". Só falta o "Máquinas Ao Vivo" mesmo! Ajudem-nos a completar essa grandiosa discografia!! Muito obrigado aos que contribuíram e aos que possivelmente contribuirão com o único disco que falta!


 Ultimatum (Split) (1985)

01 - Metalmorphose: Cavaleiro Negro
02 - Metalmorphose: Nosso Futuro
03 - Metalmorphose: Harpya
04 - Metalmorphose: Complexo Urbano
05 - Metalmorphose: Desejo Imortal
06 - Dorsal Atlântica: Império de Satã
07 - Dorsal Atlântica: Catástrofe
08 - Dorsal Atlântica: Armagedon
09 - Dorsal Atlântica: Princesa do Prazer
10 - Dorsal Atlântica: Heavy Metal

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 Maldição (Compilação) (2009)

01 - Maldição
02 - Rebeldia
03 - A Esperança Nunca Morre
04 - Ela Tem Sempre Uma Desculpa
05 - Não Quero Ouvir Você
06 - Minha Droga É O Metal
07 - Correntes
08 - Rock and Roll No Inferno (Live In São Conrado, 1984)
09 - Luta (Live At Bar Opinião, 1985)
10 - Cavaleiro Negro (Live At Bar Opinião, 1985)
11 - Minha Droga É O Metal (Live At Planetário)
12 - INPS (Demo)

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 Odisseia (Live) (2010)

01 - Luta
02 - Desejo Imortal
03 - Harpya
04 - Maldição
05 - Rebeldia
06 - Correntes
07 - Ela Tem Sempre Uma Desculpa
08 - Complexo Urbano
09 - Não Quero Ouvir Você
10 - Minha Droga É O Metal
11 - A Esperança Nunca Morre
12 - Battle Hymn (Manowar Cover)
13 - Cavaleiro Negro
14 - Não Tenha Medo de Mim (2009 Studio Version) (Bonus Track)

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 Nossa Droga É O Heavy Metal (Compilação) (2010)

01 - Correntes
02 - Rebeldia
03 - A Esperança Nunca Morre
04 - Ela Tem Sempre Uma Desculpa
05 - Não Quero Ouvir Você
06 - Maldição
07 - Minha Droga É O Metal
08 - Cavaleiro Negro
09 - Nosso Futuro
10 - Harpya
11 - Complexo Urbano
12 - Desejo Imortal
13 - Rock and Roll No Inferno
14 - Luta
15 - Sexy Sadie (The Beatles Cover)


 Máquina dos Sentidos (2012)

01 - Jamais Desista
02 - Máscara
03 - No Topo do Mundo
04 - Metrópole
05 - Máquina dos Sentidos
06 - Rumo Às Estrelas
07 - Passados Incompletos
08 - Pelas Sombras
09 - Livres Pra Sonhar


 Fúria dos Elementos (2015)

01 - Marcas do Tempo
02 - Corda Bamba
03 - Puro Prazer
04 - Porrada
05 - Acorrentado
06 - Ninguém É Maior Que Você
07 - Sinais Trocados
08 - Espanhola
09 - Vá Pro Inferno
10 - Evolução
11 - Me Leve Embora
12 - Luta e Glória

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Download (Zippyshare)

sábado, 25 de abril de 2015

Dead Limbs - Discografia

A banda é jovem. Os membros idem. As cidades de origem, quentes, abafadas e ventosas. Porém, o som é de gente grande e digno de um país gélido e melancólico, capaz de te envolver em uma áurea que somente bandas de qualidade conseguem. E eu me refiro a excepcionais bandas como Agalloch ou, um tanto mais distante, God Is An Astronaut. Pois é, se você sente falta de uma excelente banda brasileira que explora essa depressiva e entorpecente escuridão, aqui está uma bela oportunidade.
Direto do litoral do interior do Rio de Janeiro, o Dead Limbs surgiu em 2014 após o desfragmento de uma banda anterior. Então os amigos Lucas Falcão (baixo e vocal) e Yuri Merçon (guitarra), de Rio das Ostras, junto com Vitor Lima (guitarra e vocal) e Guilherme Martins (bateria), de Casimiro de Abreu, juntaram-se e formaram essa banda que simplesmente impressiona pela pouca idade dos rapazes e o nível de competência ao reproduzir uma sonoridade tão underground e bela como essa aliança entre Black Metal e Post-Rock.
Não demorou muito para que os garotos completassem a fase de composições e tivessem material para lançar o primeiro álbum de estúdio. Após assinar com a Bichano Records, selo do Rio de Janeiro, chegou no dia 5 de março de 2015 o debut "Lighthouse". Inteiramente gravado, mixado e masterizado no homestudio do baterista Guilherme Martins, que também é produtor, esse é, sem qualquer exagero, um daqueles trabalhos cujo maior defeito é ser tão curto. São apenas 31 minutos de um maravilhoso trabalho que percorre fundo a neblina e a escuridão. Mesmo sem o auxílio de teclados, conseguiram arquitetar um Post-Rock/Black Metal profundamente atmosférico. A sonoridade é fria, prolongada, arrasta-se pelos minutos. O vocal gutural é rasgado e baixo, distante e misterioso. Trechos mais narrados com vocal limpo também são introduzidos.
Já no primeiro registro os caras mandam ver e convencem. Com isso, certamente a expectativa é de lançamentos ainda mais interessantes no futuro. O Dead Limbs é uma banda que merece que fiquemos ligados. E, claro, para facilitar, não deixem de curtir a página da banda no Facebook. Ouçam sem medo, principalmente que gosta de explorar essa área, pois é certo que gostarão bastante!

|   Facebook Page   |   BandCamp   |   SoundCloud   |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: deadleembs@gmail.com


 Lighthouse (2015)

01 - Intro
02 - Lost Signal I: Waves
03 - Lost Signal II: Dissonance
04 - Sands
05 - Dysthymia
06 - Sacrilegium


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Centúrias - Discografia

Muitos tendem a subestimar o clássico Heavy Metal brasileiro, geralmente por terem ouvido uma ou outra banda que não gostaram tanto e acabarem abatendo todo o rebanho por causa de uma cabeça de gado. Principalmente os mais novos costumam achar que bandas clássicas são "coisa de velho" e que elas não são capazes de impressionar novos ouvintes, acostumados com os padrões modernos. Se você é jovem e tem esse tipo de ideia, principalmente em se tratando de nosso som tradicional, esteja pronto para mudá-la, porque o Centúrias é um dos pioneiros do Heavy Metal no Brasil e desde cedo já tinham qualidade inquestionável. A maneira como compõem suas músicas é madura e natural, sem causar estranhezas por comporem letras em português.
Foi em São Paulo, no ano de 1980, que o baterista Paulo Thomaz decidiu fundar uma banda que fizesse aquele som pesado que tanto estourava na época. Que mexia com a cabeça dos ouvintes (literalmente) e os fazia adotar uma identidade e desenvolver grande paixão. Afinal, ele era um deles.
Paulo adotou para a banda o nome Centúrias após sugestão daquele jornalista sem papas na língua, o Régis Tadeu, e completou a primeira formação com o vocalista Eduardo Camargo, o guitarrista Paulo Roberto, o falecido baixista Cacá e o tecladista Aguinaldo Martins.
Ainda antes de começarem a subir aos palcos, gravaram algumas canções com o auxílio do baixista Gerson Tatini (Rita Lee, Secos & Molhados), até que na noite de Halloween de 1981, realizaram seu primeiro show no antigo Teatro Idema, no bairro Jabaquara, na capital paulista. Enquanto a formação sofria algumas alterações dos tempos subsequentes, shows eram realizados com alguma regularidade. Uma das alterações mais relevantes na formação foi a saída do tecladista Aguinaldo Martins devido à decisão de seguir uma linha pesado e pura, sem o auxílio do instrumento.
Em 1983, mais uma demo foi gravada, composta por quatro faixas e produzida por Rolando Castello Júnior, baterista do Patrulha do Espaço, banda que também já gravou discos no Abertura Estúdio, mesmo estúdio onde essa demo foi gravada.
Os caras estavam havia algum tempo sem realizar shows, até pela dedicação à demo, então só um pouco depois do lançamento da mesma é que voltaram aos palcos. Fato curioso é que os roadies do primeiro show desde a demo, realizado no Teatro Paulo Eiró, eram os mesmos caras que mais tarde formariam um dos maiores nomes do Thrash Metal no Brasil: o Korzus.
Em 1984, após mais algumas alterações no line-up, o Centúrias participou de uma das splits mais lendárias da história do Metal brasileiro: a SP Metal I. O Centúrias contribuiu, além das bandas Avenger, Salário Mínimo e Vírus, com as faixas "Duas Rodas" e "Portas Negras". Por ter sido um dos primeiros registros de Heavy Metal a ser lançado em solo brasileiro, SP Metal foi um grande marco na nossa linha do tempo, principalmente pelo fato de ter tido grande aceitação, alavancando as bandas envolvidas. O Centúrias mesmo só teve a ganhar, alcançando um público ainda maior que se interessou muito por suas músicas.
A cada show e a cada contato que novas pessoas tinham com as músicas do Centúrias, mais o status aumentava. Com muita razão, diga-se de passagem. Com o respeito crescendo, algum registro sólido precisava ser lançado pela banda. Por isso em 1986, já configurados como um quarteto composto por Eduardo Camargo no vocal, Adriano Giudice na guitarra, Rubens Guarnieri no baixo e Paulo Thomaz na bateria, lançaram o primeiro trabalho da banda, o EP "Última Noite", através do selo Baratos Afins. Esse registro é simplesmente maravilhoso! Acima do nível de qualquer banda do gênero em atividade tanto naquela época quanto nos anos posteriores. A sonoridade é um Heavy Metal tradicional com pitacos de Hard Rock muito bem arquitetado e lúcido. Os riffs são inteligentes e criativos, longe da linearidade da maioria das bandas. Os solos são velozes e sensacionais. Técnicos e cheios de recursos. Quanto ao vocal, simplesmente excelente e cantado de forma muito bem casada com o instrumental, em tons médios, trechos em tons mais altos, muitas puxadas agudas de muito respeito e ainda certa exploração de drives. A língua portuguesa não é nada estranha, até pela pronúncia de Eduardo ser um tanto nasal e "colada", se aproximando um pouco de um jeito inglês, contribuindo com a naturalidade lírica para o gênero. Não há como discordar que "Última Noite" um dos melhores registros de Heavy Metal em português lançados no Brasil, mesmo que seja um EP ao invés de um álbum.
Tempos um tanto turbulentos se assolaram a seguir, pois meio que a banda teve um bloqueio de criatividade e de relacionamento entre os integrantes. A começar pelo fato do baterista Paulo Thomaz se tornar membro temporário do Korzus, algo que não agradou nem um pouco aos demais integrantes por ele ter que dividir as atenções. Os ensaios deixaram de render e simplesmente não conseguiam compôr com a mesma natureza de antes. Isso tudo quando já planejavam o evidente próximo passo, que era o lançamento de um álbum completo. Alguns membros também se tornaram menos interessados em seguir naquela sonoridade, o que fez com que o tempo fechasse de vez nos céus da banda e um tornado passasse, levando a uma reformulação drástica da formação.
Por drástica entende-se drástica mesmo! O line-up se dissolveu em apenas o fundador Paulo Thomaz. Buscando concretizar os planos traçados para o Centúrias, correu atrás de novos músicos e preencheu novamente a formação com o vocalista Nilton "Cachorrão" Zanelli (ex-Santuário e Aerometal) e Marcos Patriota (guitarra) e Ricardo Ravache (baixo), ex-membros do Harppia. A nova cara da banda realmente deu certo no que diz respeito a entrosamento, pois os ares eram bem leves e todo mundo se entendia bem. Todos também eram focados: trabalhavam com vontade nas composições do próximo trabalho e ainda tocavam novas músicas durante os shows. Não demorou muito para perceberem que já tinham um repertório longo o suficiente para compôr um álbum.
Com isso, pularam para dentro do estúdio Guidon, em São Paulo mesmo, e trataram de gravar as faixas que representariam o álbum "Ninja", lançado em 1988 também pela Baratos Afins.
Embora não tivesse o mesmo charme e energia do EP "Última Noite", é muito claro como os integrantes estavam animados e se entendiam. O trabalho, mais voltado para um Heavy Metal purista, conta com os mesmos atributos criativos do que era executado no trabalho anterior, fazendo desse um álbum forte e convincente, ainda mais com seus solos maravilhosos. A mudança de voz não afetou a sonoridade pois o vocal de Nilton tem suas semelhanças com o de Eduardo, exceto pelo fato de que puxa menos nos agudos. Eles eram um belo cartão-postal do Centúrias, mas a menor exploração deles não torna esse registro menos interessante. Contudo, mesmo com toda a aceitação do público e da mídia, assim que "Ninja" foi lançado, a banda encerrou suas atividades.
O mais profundo silêncio se manteve pairando no ar durante os dezesseis anos seguintes. Até que em julho de 2004 esse silêncio foi interrompido por um show histórico de reunião do conjunto, ao lado do Harppia. O evento aconteceu graças ao guitarrista Tadeu Dias (Oitão), que tocou na vaga que seria de Marcos Patriota.
Novo silêncio irrompeu após aquela comemoração, perdurando até 2008, quando novos shows foram marcados, agora com uma nova formação onde apenas dois eram remanescentes do álbum "Ninja": o vocalista Nilton "Cachorrão" Zanelli e o baixista Ricardo Ravache. Os demais músicos eram o guitarrista Roger Vilaplana (ex-Nostradamus) e o baterista Júlio Príncipe (Aggression Tales, ex-Firebox). O Centúrias então voltou a subir aos palcos e acabou atingindo uma nova geração de fãs que puderam conhecer os saudosos trabalhos de outrora. Contudo, isso não significou necessariamente o retorno definitivo do grupo, uma vez que o intuito das apresentações era apenas comemorativo.
Acabou que os caras gravaram uma música inédita para o documentário "Brasil Heavy Metal" da produtora Ideia House. A volta ao estúdio animou o quarteto, que decidiu reativar definitivamente o Centúrias em 2012.
Tudo indica que os paulistanos estão vindo com um novo álbum nos próximos tempos. Excelente sinal disso foi o lançamento da single "Rompendo O Silêncio", em 2013, através do SoundCloud, composta por duas canções inéditas: "Ruptura Necessária" e "Sobreviver". Duas músicas que demonstram uma banda pesada, animada e afim de fazer Heavy Metal, de manter seu nome vivo.
O Heavy Metal tradicional brasileiro é, sem sombra de dúvidas, único, singular. Dotamos de excelentes bandas dinossáuricas que escreveram importantes páginas da história da nossa música pesada e, muito embora muitas sejam realmente boas, o Centúrias se destaca com muito mais facilidade. São simplesmente fantásticos!


 SP Metal: Vol I (Split) (1984)

01 - Avenger: Missão Metálica
02 - Centúrias: Duas Rodas
03 - Vírus: Matthew Hopkins
04 - Salário Mínimo: Cabeça Metal
05 - Centúrias: Portas Negras
06 - Salário Mínimo: Delírio Estelar
07 - Avenger: Cidadão do Mundo
08 - Vírus: Batalha No Setor Antares

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 Última Noite (EP) (1986)

01 - Não Pense, Não Fale
02 - Rock Na Cabeça
03 - Chama de Pouca Idade
04 - Duas Rodas
05 - Inferno Falso
06 - Última Noite


 Ninja (1988)

01 - Animal
02 - Senhores da Razão
03 - Guerra e Paz
04 - Arde Como Fogo (To Hell)
05 - Ninja
06 - Fortes Olhos
07 - Metal Comando
08 - Cidade Perdida

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 Rompendo O Silêncio (Single) (2013)

01 - Ruptura Necessária
02 - Sobreviver

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quarta-feira, 22 de abril de 2015

A Loathing Requiem - Discografia Comentada

Tem músicos que parecem que realmente nasceram para o negócio. Músicos que têm a capacidade de visualizar cada detalhe de cada instrumento que compõe o "espectro musical" e têm a habilidade para tocar cada um deles. Essa visualização os leva a elaborar projetos realmente interessantes totalmente sozinhos, fazendo uma porradaria digna de um exército inteiro. As "one man bands" são coisas realmente admiráveis. 
Malcolm Pugh é um desses compositores e multi-instrumentistas capazes de tirar de letra a musicalidade desejada e empurrar com suas próprias forças o esmagador som do Technical Death Metal, que é sua paixão.
Por isso, com fins experimentais, resolveu trabalhar paralelamente à sua outra banda, Inferi (onde é guitarrista e backing vocal), em um projeto que soasse devastador e apocalíptico ao seu próprio gosto. Então na cidade de Nashville, no Tennessee (Estados Unidos), nasceu em 2007 o A Loathing Requiem.
Originalmente era apenas um experimento mesmo, onde Malcolm compunha diversas demos instrumentais, exercitando sua criatividade. Porém, a aceitação de quem ouviu foi incentivadora e eventualmente o projeto passou a tomar contornos mais sérios. Então em 2008, Malcolm lançou a primeira demo intitulada simplesmente "Demo 2008", contendo sete rápidas faixas que receberam ótimas críticas. A ideia de um álbum completo então madurou.
Por meio do selo independente The Artisan Era, o primeiro álbum completo se materializou sob o nome "Psalms of Misanthropy" em 2010. Muito embora de vez em quando fique claro que a qualidade da gravação não é extremamente profissional, o trabalho empolga com sua devastação. Naturalmente possui atributos de um Technical Death Metal de qualidade: os riffs são brutais e bem distorcidos, o baixo sustenta o peso de riffs e bateria, e o espancamento da bateria é incessável, fora o vocal gutural fechado de Malcolm, que é perturbador.
Mesmo que tenha composto cada canção sozinho, Malcolm conta também com alguns amigos. Quem toca todas as linhas de baixo é A. J. Lewandowski (Emblazoned). Fora os guitarristas Christian Münzner (Spawn of Possession) e Matt Brown (Enfold Darkness), que executam os belíssimos solos das faixas "Enhanced Sinister Corruption" e "Architect Or Arsonist", respectivamente.
O trabalho é sinistro e a expectativa é a de lançamento de mais discos. Pelo menos esse foi o plano do músico desde a chegada do primeiro trabalho. Enquanto um segundo álbum não vem, pelo menos um está disponível para quem gosta de musicalidade brutal com letras blasfêmicas e misantrópicas.

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 Psalms of Misanthropy (2010)

01 - Annihilation Induced By The Luminous Firestorm
02 - Rapturous Euphoria
03 - False Gods Render Death
04 - Enhanced Sinister Corruption
05 - Ecliptic Realm
06 - And Darkness Was Cast
07 - Architect Or Arsonist
08 - Purged and Forgotten
09 - The Carnage of Infinite Black

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 Acolytes Eternal (2015)

01 - Lords of Lavish Filth
02 - Prismatic Delusion
03 - Withered On The Vine
04 - The Mortal's Harvest
05 - Clarity (Interlude)
06 - Constellation of Flies
07 - Worthless Vessel Flawed
08 - Immaculate Machine
09 - Reaping The Earthbound Revelry

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terça-feira, 21 de abril de 2015

Metaleiro Patriota - Discografia

São diversos os métodos de divulgação utilizados no mundo de hoje. Muitos são tão sutis que a maioria de nós nem se dá conta de que estamos sendo expostos a algo que provoca nossa curiosidade. Um bom exemplo amplamente utilizado hoje é a tal da "participação especial", onde um artista de outra banda é convidada para participar de alguma música em outra. Isso expõe o artista convidado a um novo público que se perguntará quem é ele. Com essa curiosidade, pesquisará e encontrará sua banda e, provavelmente, conhecerá o trabalho.
Mesmo os métodos antigos como splits e coletâneas permanecem muito comuns e são praticados por uma grande variedade de bandas, gravadoras e até mesmo fãs que "não tem nada a ver com isso", como eu e você.
Nós do Warriors Of The Metal mesmo temos nossos próprios volumes de coletânea em prol do pleno reconhecimento do Metal brasileiro como de alto nível, intitulados Warriors Of The Metal BR. Porém, essa prática de coletânea é bem antiga e não é só somente nós que praticamos algo da linha.
Existe no Facebook uma página muito recomendada chamada Metaleiro Patriota, onde o dono e amigo Richard Pimentel orgulhosamente apresenta diversos discos lançados por várias bandas nacionais ascendentes, sempre demonstrando conhecimento relacionado tanto ao Metal quanto à cultura brasileira, assuntos pelo qual é apaixonado. Tudo isso com direito a ótimas resenhas.
Assim como o Warriors Of The Metal, a Metaleiro Patriota também tem suas coletâneas lançadas para apresentar ao público excelentes bandas do Metal nacional. Todas nos mesmos moldes que as nossas: total transparência, com ciência de todas as bandas envolvidas e sem fins lucrativos. O artista das capas também é o mesmo: o talentoso Pedro Segundo, da Grey Castle Art Studio, que também presenteou à página com belas capas.
Após realizar uma votação sobre as melhores bandas que lançaram álbum em 2013, a Metaleiro Patriota lançou o primeiro volume da coletânea no dia 15 de fevereiro de 2014 através da página oficial no Facebook. O título escolhido foi "O Brado Retumbante", trecho do Hino Nacional Brasileiro que significa "grito forte que provoca eco", em alusão ao grito das bandas e dos fãs brasileiros, ecoando nosso som através do país e do mundo. As bandas envolvidas são bem diversificadas, passeando por estilos como Power Metal, Progressive Metal, Folk Metal, Heavy Metal, Death Metal, entre outros elementos e complementos. Isso sem ressaltar a grande qualidade das mesmas. Algumas delas com certeza são conhecidas especialmente por quem nos acompanha. São uma hora e trinta e quatro minutos de som verde e amarelo dividido entre 16 bandas.
Após o Brado Retumbante ecoar pelos cantos do país, pouco mais de um ano mais tarde, no dia 2 de março de 2015, o segundo volume emerge grandioso em meio às florestas amazonenses como consequência do grito. Quase literalmente: é "O Impávido Colosso"!
Simbolizando esse colosso que é o Metal brasileiro, a capa retrata a lenda do Pai-do-Mato, um ser mitológico brasileiro descrito como sendo enorme, mais alto que qualquer árvore da floresta e de aspecto animalesco, com cabelos grandes, longas unhas de dez metros de comprimento e orelhas de cavalo. O Pai-do-Mato dota de um feroz urro que pode ser ouvido por toda a mata e, durante as noites, é possível ouvir sua risada.
Mais uma vez, dezesseis bandas compõem o setlist desse formidável trabalho de diversificada uma hora e dezessete minutos de duração. Bandas ainda mais underground são apresentadas aqui, todas com a requisitada qualidade que as coloca num trabalho de respeito como esse. Isso só nos auxilia na garimpagem de sons.
A paixão pelo Metal e o reconhecimento da qualidade das bandas de nossa terra leva a atitudes como essa coletânea sem fins lucrativos. Valorizar o nosso som não implica em deixar de apreciar bandas gringas ou não ir à shows das mesmas. Significa apenas colocá-las no mesmo patamar das de fora, saber e conhecer a qualidade e o nível do que é executado. É reconhecer o esforço e o amor das bandas que lutam para fazer música de qualidade em um país que é difícil conseguir tal feito.
Curtam a página no Facebook da Metaleiro Patriota e acompanhem o trabalho! Vale muito a pena. Enquanto isso, deleitem-se com as coletâneas da página e, claro, com as nossas do Warriors Of The Metal BR também!


 O Brado Retumbante (2014)

01 - Armahda: Ñorairô/Echoes From The River
02 - Hibria: Silent Revenge
04 - Arandu Arakuaa: Aruanãs
05 - Morrigam: Corpo Seco
06 - Lacerated and Carbonized: O Ódio e O Caos
07 - Woslom: New Faith
08 - Scibex: Cryptic Comfort Zone
09 - Cangaço: Devices of Astral
10 - Malefactor: A Guerra Virá
11 - D.A.M.: Avalon
12 - Vandroya: The Last Free Land
13 - Empürios: Empty
14 - Tierramystica: Myths of Creation
15 - Kernunna: Curupira's Maze
16 - Ankhalimah: Ankhalimah


 O  Impávido Colosso (2015)

01 - Age of Artemis: Penance/Under The Sun
02 - Kattah: Lapis Lazuli
03 - Higher: Keep Me High
04 - Kriver: Our Silent Borders
05 - Semblant: The Shrine
06 - Trieb: In Stahlgewittern
07 - Dynahead: Legis
08 - Slasher: Overcome
09 - Voodoopriest: Mandu
10 - Miasthenia: Entronizados Na Morte
11 - A Red Nightmare: Lobotomedia
12 - A Pinga e O Diabo: A Pinga e O Diabo
13 - Unmasked Brains: The New Order of Disorder
14 - Dunehill: Seize The Day
15 - Haaley Alves: Until The End
16 - The Leprechaun: Melancholic Singings


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Stress - Discografia

Sempre existem os pioneiros, não é verdade? Para tudo há alguém que chegou a fez primeiro. Nem todos conhecem ou reconhecem, mas o Stress ostenta um interessante fato tanto em sua própria história quanto na do Heavy Metal brasileiro: foram a primeira banda de Metal formada no Brasil, bem como a primeira a lançar um disco.
Não há como dizer que o esses caras influenciaram todas as bandas brasileiras que vieram depois, uma vez que se inspiram no Metal exterior e as bandas posteriores também tomaram tal referência mesmo muito provavelmente sem conhecer o Stress. No entanto, é de fato muito interessante ver que ainda nos anos setenta, em plena ditadura militar, algo do gênero já era praticado no país.
A banda foi fundada em 1974 com o nome de Pingo D'Água, quando Roosevelt Bala (vocal), Wilson Mota (guitarra), Paulo Lima (baixo), André Lopes Chamon (bateria) e Leonardo Renda (teclados) se conheceram na escola. Já que são os pioneiros, é natural deduzir que sejam de São Paulo ou Rio de Janeiro, grandes metrópoles. Mas pior que não - são de uma terra bem mais distante: Belém, capital do Pará, no norte do país.
Os paraenses iniciaram a carreira tirando som de covers de bandas como Nazareth, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Rolling Stones, Deep Purple e bandas da linha. Foi só e 1977 que se apresentaram ao vivo pela primeira, durante uma festa de aniversário da escola.
No fim de 1977, resolveram alterar o nome da banda para Stress, nome em inglês que já refletia o desejo do conjunto de compôr canções na língua estrangeira. Começaram os trabalhos para o primeiro álbum no ano seguinte escrevendo letras que alternavam entre inglês e português. Porém, a ideia não foi adiante devido ao apelo dos fãs, que desejavam entender as letras. Com isso, deram exclusividade à nossa língua e reescreveram tudo em português.
Alguns anos se passaram, até que chegamos em 1982, ano em que a banda lançou seu primeiro álbum de estúdio de forma independente, intitulado simplesmente "Stress". O quarteto, composto por Roosevelt Bala nos vocais e baixo, Pedro Lobão na guitarra, André Lopes Chamon na bateria e Leonardo Renda nos teclados, é o responsável por essa obra, que foi o primeiro disco de Heavy Metal a surgir em solo brasileiro.
Essa exibição de Heavy Metal com boas influências de Hard Rock é curta, tendo apenas 36 minutos de duração. Porém, é muito claro como a principal influência é o Deep Purple, principalmente pelos teclados. É possível notar certo amadorismo principalmente no vocal, que não é nem um pouco técnico e atrativo, além de que algumas linhas de vocal são confusas, parecem que não sabem para onde vão. O instrumental em si também é diversas vezes simples e direto. A qualidade da gravação, que não é das melhores, deixa o disco um pouco estranho, mas é uma verdadeira relíquia ainda assim. Fãs de bandas de Rock setentistas como Deep Purple e Led Zeppelin certamente se apegariam demais ao trabalho por ser quase uma conversão delas para o português. Contudo, a banda toca com um ritmo que, à época, era considerado rápido.
Muitas das letras têm foco em questões políticas e sociais, criticando a ditadura militar, por exemplo. Mas muitos trechos e títulos das canções sofreram alteração devido à censura imposta na época. Tempos negros de nossa história... Ainda assim, a faixa "O Oráculo de Judas" recebeu apreço da mídia e foi bastante tocada pelas rádios do Rio de Janeiro.
Há espaço até para controvérsias: o vocalista Roosevelt é contrário à ideia de que o Metallica foi o primeiro a executar um Thrash Metal veloz, uma vez que o Stress já tocava rápido ainda antes do lançamento de "Kill 'Em All", de 1983, um ano mais tarde em relação ao debut do Stress. Portanto, o músico põe sua banda não apenas como pioneira do Metal no Brasil mas também a primeira de Speed Thrash Metal no mundo, o que já é absurdo, até pelo Thrash Metal do Stress naquele ponto ser apenas elemental, enquanto o Metallica fazia Thrash de fato, além de bem mais veloz e técnico.
Passados três anos, novas alterações na formação ocorrem: saíram o guitarrista Pedro Lobão e o tecladista Leonardo Renda. Alex Magnum chegou para preencher a função de guitarrista, enquanto Bosco ocupou a função de baixista, que no primeiro álbum era exercida pelo vocalista Roosevelt. Leonardo Renda permaneceu na banda, embora não mais oficialmente, só que como membro de sessão, quebrando um galho pois seus teclados ainda eram desejados.
Com isso, ainda em 1985, somos presenteados com o lançamento do segundo álbum de estúdio, intitulado "Flor Atômica", via Polyfar Records. O amadurecimento musical é gritante! Roosevelt passa a utilizar técnicas agudas de vocal de forma muito respeitável, enquanto backing vocals o apoiam e o instrumental se torna muito melhor estruturado, colocando-os com cara de banda grande, de renome. Entretanto, os teclados passaram a receber menos atenção, se tornando meramente apoio dos demais instrumentos ao invés do papel determinando do primeiro disco. Efeitos da saída de Leonardo.
Apesar de ser um trabalho de inéditas, algumas faixas do álbum anterior como "Mate O Réu" e "Sodoma e Gomorra" foram repaginadas, regravadas e incluídas no set. Comparar as duas versões é o mais evidente modo de notar como os caras se desenvolveram musical e criativamente. Não é á toa que a partir daqui consolidaram-se no underground brasileiro.
Shows foram apresentados nos tempos que se seguiram, porém, prováveis conflitos levaram a banda a não trabalhar em um terceiro álbum e encerrar suas atividades em 1987.
Somente em 1995 o Stress decidiu se reunir para manter a pioneira do gênero no Brasil na ativa. Mas voltaram como um power trio composto por Roosevelt Bala no vocal e baixo, Paulo Gui na guitarra e André Lopes Chamon nas baquetas. Rapidamente em 1996 chegou, de forma independente, o terceiro álbum de estúdio, nomeado "III". Esse ótimo trabalho é o mais pesado, dignamente Heavy Metal puro. Mas há algumas diferenças em relação aos anteriores: o vocal de Roosevelt, embora permaneça agudo, não mais dá puxadas ainda mais agudas como antes e o instrumental é mais seco e purista, não só por uma mais forte distorção da guitarra de Paulo Gui como também pela total ausência de teclados, exceto pelas últimas três faixas, sendo que em "Aventura" o instrumento é tocado pelo membro de sessão Hermínio Dias, e em "Vigília" e "Fé Em Procissão", pelo próprio vocalista Roosevelt.
A sonoridade em geral não é Speed como em "Flor Atômica". Aqui já apostam muitas vezes na cadência e melodismo. Violões também são introduzidos nas introduções de faixas como "Nada A Perder" e "Folha No Vento", acrescentando diversidade à musicalidade.
Mesmo se mantendo ativos desde então, o trio não lançou mais nenhum álbum de inéditas. O máximo que saiu foi a single de apenas uma música "Coração de Metal", de 2005, que mais tarde, em 2009, seria incluída na compilação "Live 'n' Memory", uma coletânea de registros ao vivo, da demo lançada em 1986 e dessa nova single.
Rumores sobre o lançamento de um novo álbum circulam atualmente, mas o Stress não confirmou nada oficialmente. 
O Stress escreveu uma importante página da história da música pesada no Brasil e isso há de ser respeitado. São um dos dinossauros de nossa terra, executando um som com aquele estilo clássico do Heavy Metal brasileiro, que é único! Que novos álbuns venham!


 Stress (1982)

01 - Sodoma e Gomorra
02 - A Chacina
03 - 2031
04 - Oráculo do Judas
05 - Stressencefalodrama
06 - O Viciado
07 - Mate O Réu
08 - O Lixo


 Flor Atômica (1985)

01 - Heavy Metal
02 - Não Desista
03 - Mate O Réu
04 - Flor Atômica
05 - Esperando O Messias
06 - Forças do Mal
07 - Inferno Nuclear
08 - Sodoma e Gomorra
09 - Tributo Ao Prazer
10 - Jennie


 Demo 86 (Demo) (1986)

01 - Vale O Que Tem
02 - Vida e Glória
03 - Nossa Vez
04 - Aventura


 III (1996)

01 - Estrela Azul
02 - Sexo Anual
03 - Nada A Perder
04 - Dança do Trem
05 - Folha No Vento
06 - Maria Mentira
07 - Dor e Prazer
08 - Aventura
09 - A Tua Mãe É Moça?
10 - Vigília
11 - Fé Em Procissão
12 - Coração de Metal (Bonus Track)


 Live 'n' Memory (Compilation) (2009)

01 - Heavy Metal (Live)
02 - Sodoma e Gomorra (Live)
03 - A Chacina (Live)
04 - Stressencefalodrama (Live)
05 - Inferno Nuclear (Live)
06 - Flor Atômica (Live)
07 - Mate O Réu (Live)
08 - Folha No Vento (Live)
09 - O Lixo + Drum Solo (Live)
10 - Não Desista (Live)
11 - A Tua Mãe É Moça? (Live)
12 - Vale O Que Tem (1986 Demo)
13 - Vida e Glória (1986 Demo)
14 - Nossa Vez (1986 Demo)
15 - Aventura (1986 Demo)
16 - Coração de Metal


domingo, 19 de abril de 2015

Rage Against The Machine - Discografia

Para que impôr regras na música? Regras no que devemos ouvir? Regras no que pode ou não pode ser misturado a determinado gênero musical? Pra quê? Música é uma arte universal e gostar de mais de um estilo musical é natural. Mais interessantemente ainda, é também natural sempre ter alguém que misture dois gêneros teoricamente distantes entre si. Isso é bem comum no Rock e Metal. Por isso costumo ter a ideia de que, se bem feito, qualquer estilo musical é compatível. Basta estruturar corretamente, o que é não é uma tarefa fácil e exige muita criatividade.
Rock e Rap. Dois gêneros musicais incompatíveis, em tese. Entretanto, podemos apreciar exemplos muito bem feitos desse híbrido entre os dois universos a partir de bandas como Linkin Park, ou mesmo Anthrax em algumas músicas com o Public Enemy, grupo de Hip Hop. Um outro exemplo - poderoso, diga-se de passagem - nasceu em Los Angeles, na Califórnia, no ano de 1991, quando quatro músicos decidiram formar uma banda com tal finalidade: o famoso Rage Against The Machine.
Não apenas o Rage Against The Machine une de forma sublime Rock e Rap em um único composto, mas também carrega em suas músicas importantes e fortes mensagens ativistas com ideais esquerdistas, criticando as políticas estadunidenses com pontos de vista até insultantes. E o mais bacana é que nunca foram hipócritas: sempre participaram de protestos. Certamente a mensagem contida em suas canções foram, além da excelente musicalidade, grandes impulsores da fama que a banda alcançou, principalmente pelo fato da música ultrapassar barreiras políticas, sociais e culturais.
Gigantes, o quarteto formado pelo vocalista rapper Zack de La Rocha, pelo criativo e técnico guitarrista Tom Morello, pelo baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk voou alto e fez com que o Rage Against The Machine se tornasse uma das maiores bandas da história do Rock, mesmo com poucos discos lançados. Alcançaram platinas com altas vendagens e tiveram dois de seus trabalhos incluídos na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, elaborada pela importante revista Rolling Stone, em 2003.
Tudo começou quando o guitarrista Tom Morello saiu da banda Lock Up em 1991. Certa noite estava em um club em Los Angeles, onde o vocalista Zack de La Rocha estava fazendo freestyle rapping. Morello se impressionou e convidou Zack para formar uma banda. Na sequência, Morello chamou o baterista Brad Wilk (já conhecido pelo guitarrista por ter feito testes no Lock Up) enquanto Zack convidou seu amigo de infância Tim Commerford para ser baixista. Com a formação fechada, só faltava um título mesmo para a banda. O nome "Rage Against The Machine" foi escolhido devido a uma música que Zack de La Rocha havia escrito para sua banda anterior, Inside Out. Este também seria o título de um álbum que nunca foi lançado pela banda.
Não levou muito tempo para começarem a se apresentar ao vivo. Pouco depois, ainda em 1991, já veio a primeira demo. Lançada de forma independente, era composta por doze músicas e intitulada com o nome da banda. Muitas gravadoras se interessaram no que estes caras estavam fazendo, e eventualmente ofereceram contratos. A escolhida foi a Epic Records devido à liberdade criativa dada ao conjunto.
O primeiro álbum de estúdio foi lançado em 1992, também autointitulado. Apresentando uma genuína fusão entre Nu Metal e Rap, e composto por várias faixas presentes na demo, o disco obteve grande repercussão e apreço da mídia e do público. Não é à toa que alcançou tripla platina, principalmente graças a faixas como "Killing In The Name", além de ter ficado na 368ª colocação da lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da Rolling Stone em 2003.
Liricamente as canções não têm construções complexas, já que são cantadas ao estilo Rap e há muitas repetições de palavras e frases, mas casam muito bem com a sonoridade e o resultado geral é realmente satisfatório, até mesmo revolucionário à época. Interessante que não só as músicas são diferentes de tudo e as mensagens são abusivamente ideológicas, mas até á capa do álbum é um convite à crítica: trata-se de uma foto tirada em 1963 por Malcolm Browne em Saigon, no Vietnã, no momento em que um monge budista vietnamita chamado Thich Quang Duc ateia fogo em si mesmo até a morte em protesto ao assassinato de budistas pelos Estados Unidos.
Uma turnê de divulgação sucedeu ao lançamento, chegando a tocarem no Lollapalooza em 1993 e a excursionar com o Suicidal Tendencies pela Europa.
Você vê como uma banda está realmente deslanchando no cenário quando ela começa a produzir trilhas sonoras para filmes (ou em outros casos, jogos eletrônicos). Foi exatamente o que aconteceu após a turnê. Participaram da trilha sonora do filme "Higher Learning" com as faixas "Year of Tha Boomerang" e uma versão antiga de "Tire Me", ambas inéditas até então (viriam a integrar o próximo álbum). Na sequência, regravaram a faixa "Darkness" da primeira demo para que fosse incluída na trilha sonora de "O Corvo", bem como "No Shelter" entrou estrelou em "Godzilla". Faixa bem rara, esta última.
Rumores sobre uma possível separação do conjunto se espalharam pelas bocas dos fãs nos tempos subsequentes. Rumores estes que não se concretizaram - muito pelo contrário: a banda surgiu com tudo em 1996 com um novo e ótimo álbum, intitulado "Evil Empire". Foi um verdadeiro sucesso de vendas, chegando à primeira colocação do Top 200 da Billboard e consequentemente alcançando tripla platina mais tarde. Uma das faixas é bastante conhecida para quase qualquer jogador de videogame, uma vez que integrou o game "Guitar Hero III: Legends of Rock": claro, "Bulls On Parade". Aliás, ela também foi tocada no Saturday Night Live em abril de 1996. Aquela performance era para contar com duas faixas, mas apenas uma foi tocada pois a banda tentou pendurar bandeiras dos Estados Unidos de cabeça para baixo nos amplificadores, protestando pelo fato do candidato à presidência republicano Steve Forbes ser convidado do anfitrião naquela noite.
Uma turnê de divulgação veio a seguir. Em 1997 abriram um show para o U2 no PopMart Tour, onde todo o lucro do Rage Against The Machine foi destinado a organizações beneficentes. A seguir, excursionaram pelos Estados Unidos com o Wu-Tang Clan abrindo seus shows (um grupo de Hip Hop nova-iorquino). Por onde passavam geravam muita polêmica com suas mensagens, por isso as polícias de muitos estados tentaram cancelar os shows alegando que o quarteto transmitia "filosofias violentas e anti-lei", mas sem sucesso.
Em 1998 uma compilação foi lançada pela Sony Records assim que pisaram em solo japonês para divulgação do "Evil Empire". "Live & Rare" era composta por canções ao vivo e outras lado-B, uma verdadeira relíquia para colecionadores.
Um ano mais tarde se apresentaram no Woodstock '99, até que, pouco depois, mas um aclamado (e ainda mais maduro) álbum é lançado. "The Battle of Los Angeles" foi, para variar, mais um sucesso comercial e novamente coadjuvou a primeira colocação na Billboard 200 após vender 450 mil cópias logo na primeira semana. Posteriormente o álbum subiu à dupla platina. Esse expressivo registro foi posto na 426ª posição da lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, elaborada pela Rolling Stone em 2003. É outro marco da música.
Novamente a banda foi premiada com mais faixas escolhidas para trilhas sonoras de filmes. "Wake Up" entrou em "Matrix", enquanto "Calm Like A Bomb" fez parte de "Matrix Reloaded".
Até o ano 2000, a banda só voava cada vez mais alto. Nada poderia pará-los... exceto a concretização dos antigos rumores sobre uma possível separação. O vocalista Zack de La Rocha anunciou, naquele ano, seu desmembramento do Rage Against The Machine devido às disparidades de opiniões quando estão prestes a decidir algo pela banda. Não estavam mais na mesma sintonia.
Mesmo após a separação, mais um disco de estúdio saiu, mas num caráter mais de compilação. É o raro "Renegades", de 2000, que consiste em uma coleção de covers de diversos artistas do âmbito do Rock e do Rap que muito os influenciaram. É mais um disco tratado como peça de colecionador.
Em 2003 a Epic Records lançou o primeiro registro ao vivo da discografia, intitulado "Live At The Grand Olympic Auditorium", gravado, claro, no Grand Olympic Auditorium, em Los Angeles, nos dias 12 e 13 de setembro de 2000. Originalmente era previsto para sair em novembro de 2000, mas o lançamento foi segurado devido ao fim da banda. A data foi remarcada então para  2001, mas a formação de outra banda envolvendo os antigos membros do Rage Against The Machine atrasou os planos novamente.
Essa banda é o Audioslave. Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk ainda planejavam manter o Rage Against The Machine vivo, por isso procuravam um novo vocalista. Nessa caça, acabaram encontrando e fazendo amizade com Chris Cornell, mas acabaram mesmo é formando outra banda.
Enquanto o Audioslave dava seus primeiros passos rumo ao sucesso, membros ex-Rage Against The Machine também trabalhavam paralelamente. Tom Morello iniciou um projeto solo de Folk acústico com temas políticos sob o apelido "The Nightwatchman". Mais tarde, por volta de 2008, juntou-se à Boots Riley e formou outra banda de Rap Rock, chamada Street Sweeper Social Club.
Por outro lado, Zack de La Rocha também iniciou carreira solo em colaboração com músicos como DJ Shadow, Company Flow, Roni Size e Questlove, mas parou no meio do caminho porque começou a trabalhar com o vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor. Contudo, foi outro projeto que até chegou até ser totalmente gravado, mas nunca lançado. Nos anos seguintes, Zack foi muitas vezes visto se apresentando junto com vários artistas do mundo do Hip Hop, mas sem maiores pretensões como lançamentos de discos.
Rumores sobre um possível retorno da banda começaram a circular por volta de 2005. Provavelmente porque ofereciam muito dinheiro para a banda retornar e realizar shows, mas nenhuma era aceita. Todos os membros se davam bem, até dizem que surfavam juntos. 
Eventualmente os rumores se fortaleceram devido ao vazamento da informação de que se apresentariam no Coachella Valley Music and Arts Festival em janeiro de 2007, o que de fato aconteceu. A princípio o plano era que realizassem um único show, só que o calor do palco e da reunião fez bem ao quarteto, que passou o resto dos anos de 2007 e 2008 se apresentando em "comemoração" à reunião e, igualmente importante para eles, criticando o governo de George W. Bush. Passaram então por vários países como Austrália, Nova Zelândia, Japão, Europa, além de seu próprio, apresentando-se em diversos festivais de renome.
Apesar de se apresentarem intensamente ao redor do globo nos anos que se seguiram, jamais confirmaram se um novo álbum está sendo escrito. As respostas são sempre evasivas e seguidas por comentários sobre serem apenas uma banda ao vivo atualmente. Não dão certeza de nada, mas provavelmente estão sim trabalhando em algo, talvez não com tanto empenho, por motivos pessoais de cada integrante, eu diria.
No entanto, o fato é que o Rage Against The Machine, com toda sua irreverência, atitude, polêmica, e até sonoridade divisora de águas, é uma das maiores e mais singulares bandas que o mundo já viu. Amplamente premiada e bem-sucedida. Enquanto um novo álbum não vem - se é que virá -, vale a pena esquentar as orelhas com os excelentes trabalhos deixados para nós. Apenas três álbuns de estúdio. Porém, três jóias.


 Rage Against The Machine (Demo) (1991)

01 - Bombtrack
02 - Take The Power Back
03 - Bullet In The Head
04 - Darkness of Greed
05 - Clear The Lane
06 - Township Rebellion
07 - Know Your Enemy
08 - Mindset's A Threat
09 - Killing In The Name
10 - Autologic
11 - The Narrows
12 - Freedom


 Rage Against The Machine (1992)

01 - Bombtrack
02 - Killing In The Name
03 - Take The Power Back
04 - Settle For Nothing
05 - Bullet In The Head
06 - Know Your Enemy
07 - Wake Up
08 - Fistful of Steel
09 - Township Rebellion
10 - Freedom


 Evil Empire (1996)

01 - People of The Sun
02 - Bulls On Parade
03 - Vietnow
04 - Revolver
05 - Snakecharmer
06 - Tire Me
07 - Down Rodeo
08 - Without A Face
09 - Wind Below
10 - Roll Right
11 - Year of Tha Boomerang


 Live & Rare (Compilation) (1998)

01 - Bullet In The Head (Live)
02 - Settle For Nothing (Live)
03 - Bombtrack (Live)
04 - Take The Power Back (Live)
05 - Freedom (Live)
06 - Black Steel In The Hour of Chaos (Live)
07 - Zapata's Blood (Live)
08 - Without A Face (Live)
09 - Hadda Be Playing On The Jukebox (Live)
10 - Fuck Tha Police (Live)
11 - Darkness
12 - Clear The Lane
13 - The Ghost of Tom Joad
14 - People of The Sun (Live)
15 - No Shelter (Live)


 The Battle of Los Angeles (1999)

01 - Testify
02 - Guerrilla Radio
03 - Calm Like A Bomb
04 - Mic Check
05 - Sleep Now In The Fire
06 - Born of A Broken Man
07 - Born As Ghosts
08 - Maria
09 - Voice of The Voiceless
10 - New Millennium Homes
11 - Ashes In The Fall
12 - War Within A Breath


 Renegades (2000)

01 - Microphone Fiend (Eric B. & Rakim Cover)
02 - Pistol Grip Pump
03 - Kick Out The Jams (MC5 Cover)
04 - Renegades of Funk (Afrika Bambaataa Cover)
05 - Beautiful World (Devo Cover)
06 - I'm Housin' (EPDM Cover)
07 - In My Eyes (Minor Threat Cover)
08 - How I Could Just Kill A Man? (Cypress Hill Cover)
09 - The Ghost of Tom Joad (Bruce Springsteen Cover)
10 - Down On The Stree (The Stooges Cover)
11 - Street Fighting Man (The Rolling Stones Cover)
12 - Maggie's Farm (Bob Dylan Cover)
13 - Kick Out The Jams (MC5 Cover) (Live Version)
14 - How I Could Just Kill A Man? (feat. B-Real and Sen Dog) (Cypress Hill Cover) (Live Version)


 Live At The Grand Olympic Auditorium (Live) (2003)

01 - Bulls On Parade
02 - Bullet In The Head
03 - Born of A Broken Man
04 - Killing In The Name
05 - Calm Like A Bomb
06 - Testify
07 - Bombtrack
08 - War Within A Breath
09 - I'm Housin'
10 - Sleep Now In The Fire
11 - People of The Sun
12 - Guerrilla Radio
13 - Kick Out The Jams
14 - Know Your Enemy
15 - No Shelter
16 - Freedom