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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pandemmy - Discografia

Não é nenhum absurdo afirmar que, em seu dia a dia, o povo nordestino precisa lutar contra tudo e mais um pouco, qualquer que seja o assunto - meio ambiente, política, valor cultural... Toda luta se torna ainda mais árdua devido ao desequilíbrio extra causado pelo desfavorecimento que a região enfrenta, e isso não diz respeito apenas às autoridades, não: os próprio brasileiros das demais regiões subestimam o Nordeste como um todo. E esse sentimento é ainda reforçado pela mídia, que faz muita questão de enfatizar os pontos negativos, porém, muito pouca questão de realçar os pontos positivos. É por isso e ainda mais que os nordestinos gritam. Um grito quase desesperado que diz: "eu estou aqui, e aqui também é terra de valor".
Nota-se também um grito diferente em meio a tantos. Um grito gutural, acompanhado pela harmonia da distorção de guitarras, contrabaixo estrondoso e bateria prepotente. Uma verdadeira pancadaria ouvida diretamente de Recife, capital de Pernambuco. Os responsáveis por ela representam um underground vasto e fiel, repleto de fãs e amontoado de excelentes bandas, sedentas por provar que também existe Metal de qualidade para aquelas localidades. São parte de uma pandemia de excelentes nomes que se alastra pelo Nordeste e impressiona cada vez mais. Também pudera: eles mesmos são a Pandemia! Ou melhor; o Pandemmy! Munido de um potente e técnico Death/Thrash Metal, o quinteto pernambucano vem apresentando uma musicalidade avassaladora que madurou bem rápido, não ficando muito atrás de outras bandas Extremas com mais tempo de estrada.
As origens dessa destruição sonora situam-se em janeiro de 2009, quando o guitarrista Pedro Valença idealizou aquilo que era ainda apenas um projeto. Em pouco tempo, conseguiu o apoio de Rafael Gorga (vocal), Diego Lacerda (guitarra), Augusto Ferrer (baixo) e Fausto Prieto (bateria), que completaram a formação e possibilitaram a gravação da demo "Self-Destruction", lançada já em 2010.
Bem gravado em se tratando de uma demo, o trabalho é seco, mas preciso e malevolente. Suas quatro faixas autorais demonstram uma banda que ainda precisava ser lapidada - e eventualmente seria -, porém, claramente estava bem situada quanto à proposta. Sonoridade agressiva, ritmo "pé-na-porta", frenéticos solos de guitarra e transições entre guturais fechados e rasgados - muitas vezes contrastando entre si ao mesmo tempo - são características de presença forte aqui e que marcam a essência de uma banda cuja veia Death Metal latejava mais forte que a veia Thrash Metal, mas ambas eram bem acionadas. Resquícios e sensações de Black Metal também podem notados e sentidos. O quinteto alcançou um resultado geral positivo em um momento delicado e importante da carreira.
Como resultado, "Self-Destruction" foi aclamado por fãs e mídia especializada, colhendo boas resenhas em veículos como a revista Roadie Crew e o site Recife Metal Law. Shows pelo Nordeste também foram outro efeito colateral do bom trabalho.
A banda ia muito bem, obrigado. Valendo-se da empolgação, logo deram início aos trabalhos de composição do EP "Idiocracy", que viria na sequência. Contudo, o baterista Fausto Pietro marcou a primeira queda da formação original pouco antes do lançamento, e foi substituído provisoriamente por Flávio Santos enquanto um nome não se fixava no posto.
Foi por volta dessa época que o Pandemmy marcou presença em um tributo pernambucano ao Sepultura chamado "Ratamahatta de Pernambuco Para O Mundo: Um Tributo Ao Sepultura", entrando com um cover da faixa "Convicted In Life", do álbum "Dante XXI", lançado em 2006. Foi uma atitude atípica, já que as demais bandas, naturalmente, escolheram executar faixas da considerada "época de ouro" dos mineiros.
De qualquer forma, Ricardo Lira assumiu definitivamente as baquetas no início de 2011 - após o tributo -, e o EP "Idiocracy" saiu do forno, na sequência, em março.
Se "Self-Destruction" estava mais pra Death Metal do que para Thrash Metal, "Idiocracy" interessantemente pode ser definido como o inverso - regado a amadurecimento, claro, e produção um pouco melhor por parte de Adriano Leão. O baixo Augusto Ferrer mesmo está mais evidente e chega a ser bonito ouvi-lo bem, apesar de alguns exageros no volume.
Composto por seis faixas inéditas, o trabalho tem, em um contexto geral, uma abordagem um tanto mais melódica, sem abrir mão de empregar a corriqueira violência na musicalidade. A fusão entre Death Metal e Thrash Metal está mais natural, mas é evidente que a maior parte do tempo o Thrash Metal se sobressai e exerce seu domínio, ditando a atmosfera das canções. Além disso, os arranjos apresentam desenhos mais definidos, gerando uma sonoridade mais harmônica e mais claramente arquitetada, batendo nas portas da fronteira com o Heavy Metal.
De certa forma, as nem tão leves mudanças atingem também a postura vocal de Rafael Gorga. Não é tão impactante, mas guturais fechados são agora mais acionados do que os rasgados, fora que as duas técnicas contrastam menos entre si. Isso expande as distâncias praticadas entre melodismo e agressividade, que ainda assim são coesas. Dando uma fuga a novos ares, a banda inesperadamente introduz épicos teclados tocados por Joabson Branntweinn na faixa "Through Twisted Paths", mostrando que são antenados a recursos extras também.
Shows para divulgação do trabalho vieram a seguir. Em meio a eles, a banda venceu a etapa regional do W:O:A: Metal Battle em Recife, levando uma vaga para a final nacional disputada no festival Roça 'n' Roll, em Varginha (MG). A bateria de shows teve fim triunfal com a abertura dos shows das bandas Ragnarok e Belphegor em suas passagens pela capital pernambucana.
Mesmo com a agitação de shows e boas recepções às suas composições, o conjunto não se esqueceu de continuar compondo canções e pensar no futuro. Por isso, mais um EP veio à luz, já no início de 2012 - o último trabalho antes do álbum de estreia. Era a vez de "Dialectic" ser conhecido.
Esse compacto trouxe mais cinco músicas novas em folha que revelam uma banda a fim de voar fora da aglomeração. Aqui eles seguem apostando em elementos diferenciados ao gênero, puxando as bordas do que podem fazer com seu som. Os teclados definitivamente se apossaram das harmonias, e isso é revelado desde a épica e romana intro "Shatter The Soul". Nas demais canções eles também aparecem para adornar, mas restritos à base, sem exageros. Ainda mais madura e melhor produzida, é apresentada uma sonoridade ainda mais pesada e escaramuçada, levada a riffs esmagadores que não perdem vivacidade nas variações entre os momentos pegados e outros mais cadenciados. Tal característica cria um deleitoso manifesto rítmico. Mantendo a tendência, as linhas vocais estão ainda mais agressivas e técnicas e, por vezes, um vocal que de meio-termo entre o gutural e o forte drive é explorado. O Pandemmy está mais denso e, por que não?, mais ousado. Isso é definitivamente provado na faixa de encerramento "Entrapment (Death of All Kings)", que faz diferente ao iniciar recorrendo a violão dedilhado e calmos vocais limpos de tom baixo antes de entrar na quebradeira e, por fim, finalizar do jeito que começou. "Dialectic" foi suficiente para provar a qualidade e potencialidade do conjunto nordestino e fomentar boas expectativas para o disco de estreia.
O EP foi oficialmente lançado no festival Abril Pro Rock, no qual fizeram parte naquele ano e tocaram ao lado de bandas como Brujeria e Exodus. Contudo, poucos shows foram realizados naquele tempo, já que estavam focados no álbum de estreia e inclusive precisaram viajar para São Paulo para gravá-lo no El Diablo Studio, do produtor Fabiano Penna, que assina a produção do disco.
Concluídas as gravações no fim de 2012, uma profunda mudança ocorreu no line-up em decorrência da debandada geral de membros. O vocalista Rafael Gorga, o baixista Augusto Ferrer e o baterista Ricardo Lira acabaram deixando suas posições. Todavia, o álbum de estreia "Reflections & Rebellions" foi lançado naturalmente em 2013 por meio dos selos Gallery Productions, Impaled Records e Rising Records, já com a banda contando com os novos membros André Valongueiro (vocal), Marcelo Santa Fé (baixo) e Arthur Lira (bateria), ex-Cangaço.
O álbum de estreia dos pernambucanos é quase, a cru modo, uma compilação de algumas canções lançadas anteriormente, porém, regravadas. Sete faixas já conhecidas se juntaram a outras quatro inéditas, completando onze músicas e 44 minutos totais de duração. Isso não é algo ruim, não, pois o registro tem uma produção invejável que espreme o máximo do potencial dessas arregaçantes músicas. Ouvir as "repetidas" é como ouvir novas músicas pela primeira vez, já que foram aprimoradas e refinadas com novos detalhes, entrando sagazmente no contexto da violentíssima atmosfera.
A exemplo do EP "Dialectic", o disco inicia com uma intro atípica, recorrendo ao belo e firme som de um cello. No entanto, a classe erudita dura apenas um minuto, até que se converte em um outro tipo de classe, mais avassaladora: a do Death/Thrash Metal de "Mind Effigies", que inclusive tem um lindo solo melódico. "Reflections & Rebellions" é uma avalanche de peso e muita coerência, soterrando os ouvidos com destruidoras linhas de bateria, guitarras pesadas - mega distorcidas, mas claras -, solos empolgantes, contrabaixo estrondoso e um cavernoso gutural fechado, seguro e atormentador, com frequentes puxadas a um rasgado cheio de raiva.
Algumas participações especiais marcam passagem discreta pelo trabalho, inclusive. Os mais notáveis são os guitarristas Antônio Araújo (Korzus) e Alexandre de Orio (Claustrofobia), que tocam os solos de "Herectic Life" e "Rubicon (Point of No Return)", respectivamente. Alcides Burn (Inner Demons Rise) também tem passagem nos vocais adicionais de "Herectic Life".
É incontestável a qualidade e a rápida maturidade alcançada em apenas quatro anos de banda. Tornaram-se dignos de referência sobre como fazer Metal Extremo de forma interessante e destruidora, sem ao mesmo tempo soar linear em demasiado. Independente de critérios técnicos, o resultado é a sensação de puro deleite e bateção de cabeça!
Um show de pré-lançamento foi realizado em Fortaleza, no Ceará, aliás. Na ocasião, o quinteto abriu para os alemães do Tankard. Uma bateria de shows de divulgação sucedeu o lançamento, estendendo-se até agosto de 2015. Algumas mudanças foram ocorrendo na formação ao longo desses dois anos devido à falta de interesse de alguns membros, por mais que a banda estivesse indo bem. Excursionaram extensamente pelo Nordeste e tiveram as apresentações no festival Blizzard of Rock, de Vitória de Santo Antão (PE), e a abertura para o Obituary em Recife como momentos a serem recordados.
O vocalista Alcides Burn e o baterista André Lira (ex-Cangaço) preencheram, interinamente, posições no Pandemmy até que a última parte da turnê fosse completada. Ao fim dela, o line-up se reestruturou com as chegadas de Vinícius Amorim (vocal), Guilherme Silva (guitarra) e Arthur Santos (bateria).
De cara nova, os pernambucanos se encontram atualmente concluindo o segundo álbum de estúdio, que trará um set de 10 faixas integrais, acrescidas de duas bônus. A previsão de lançamento é para o ano de 2016.
Na próxima vez que duvidar do Metal nordestino, pense no Pandemmy. Eles estão no rol de grandes e promissoras bandas que agitam o underground daquela região e provam que lá também é terra de música pesada de qualidade.

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: pandemmy@gmail.com


 Self-Destruction (Demo) (2010)

01 - Self-Destruction
02 - In Front of Death
03 - Heretic Life
04 - Burn My Clan (The Lines of Violence)


 Idiocracy (EP) (2011)

01 - Involution of A Lost Society
02 - Idiocracy
03 - The Price of Dignity
04 - Point of No Return
05 - Through Twisted Paths
06 - Titan of The Void


 Dialectic (EP) (2012)

01 - Shatter The Soul
02 - Common Is Different Than Normal
03 - Heralds of The Reckoning
04 - The Age of Mammon
05 - Entrapment (Death of All Kings)


 Reflections & Rebellions (2013)

01 - Farewell
02 - Mind Effigies
03 - Self-Destruction
04 - Common Is Different Than Normal
05 - Idiocracy
06 - Without Opinion
07 - Heretic Life
08 - Involution of A Lost Society
09 - The Price of Dignity
10 - Rubicon (Point of No Return)
11 - Ode To The Renegade


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