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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Father Karras - Discografia

A base da história todos nós conhecemos de alguma forma: dois amigos que se juntam para, sem maiores compromissos, fazerem um som enquanto tomam algumas cervejas. Foi dessa forma simples, genérica e efetiva que em 2010 o vocalista e baixista Rafael "Thunder" Duarte e o guitarrista Marcos Giliberti deram início à excelente banda Father Karras, cuja sonoridade é calcada no Heavy/Thrash Metal. Aliados à experiência na bagagem que já carregavam após muitos anos de underground em sua cidade - Sorocaba, no interior de São Paulo -, o conjunto se mostra preciso e competente em suas composições, que trilham fortemente os caminhos das ramificações alemãs do gênero.
Tão logo as primeiras composições surgiam e a qualidade delas ficava clara, não tardou para aquilo que era apenas uma diversão se tornar algo realmente sério. Por isso, visando profissionalizar de vez o Father Karras, a dupla convocou o amigo Goro para preencher a função de baterista e tornar a banda completa na configuração de um power trio. Agora com o line-up sólido, empenharam-se em finalizar o processo de composições das primeiras músicas para rapidamente apresentarem seu material para o público.
Com isso, o primeiro registro fonográfico do conjunto surge em 2011 no formato de um EP independente intitulado "The First Exorcism". O trabalho é composto por quatro faixas, dentre as quais três são autorais e uma é cover de "Raise Your Fist", do Running Wild. Seus 16 minutos totais de duração demonstram uma banda que apesar de ainda ser um tanto seca e não empolgar muito, tem dote para melhorar - o que fatalmente aconteceria anos mais tarde. Tal ideia se fundamenta principalmente no que diz respeito aos solos de guitarra, executados com excelência e precisão, bem como na harmonia dos arranjos e das linhas vocais, que reproduzem ótimas passagens, sobretudo nos refrões. Entretanto, falta vida e entrega no rasgado vocal de Rafael e, por questões de produção, a guitarra base estar mais baixa retira o feeling e potencial das canções.
Embora não seja uma obra máxima - compreensivelmente por se tratar de apenas os primeiros passos -, o compacto é bom e rendeu certa visibilidade à banda na cena sorocabana e regional, convertida na forma de shows em eventos pelos arredores.
A formação sofreu instabilidade pela primeira vez no princípio de 2012, quando o baterista Goro deixou o conjunto. Zé Piedade entrou em seu lugar na sequência, porém, não ficou muito tempo. Sua saída implicou no retorno de Goro.
Com o line-up original de volta, o trio focou nos trabalhos para o álbum de estreia, cujas sessões de gravação tiveram início já em outubro de 2013. No entanto, por diversos motivos, o processo levou muito mais tempo do que planejavam. Como consequência, "Prisoners of The Flesh" foi lançado apenas no dia 4 de janeiro de 2015.
Tanta demora para esse lançamento independente pode ter sido um fator de certo desânimo, mas isso não se estende à sonoridade nele exibida. A evolução é claríssima em todos os aspectos - de composições à produção -, desembocando num trabalho digno, de muito respeito e apreciação.
Com produção melhorada, todos os elementos que compõe as canções são, por consequência, melhor realçados: a guitarra é esmagadora, a bateria é potente e o baixo, estrondoso. Atrelado a esses atributos, testemunhamos músicas muito bem compostas, com riffs harmoniosos e criativos cujo peso soa prazeroso, além de viçosas linhas vocais de muita presença. Vale mesmo destacar o rasgado vocal de Rafael, que está mais técnico e profissional, claramente confortável com a proposta musical. Os solos de guitarra estão ainda mais empolgantes, conferindo muita velocidade e técnica em sua execução. Para a nossa alegria, todas as canções têm solos, um melhor do que o outro.
No que diz respeito ao ritmo, ele não oscila muito de faixa para faixa. Nenhuma é lenta demais, nem rápida demais, preservando, portanto, um certo padrão de pegada sem que isso signifique retilineidade nos arranjos. Afinal, as 10 canções do disco são muito bem arquitetadas e compõem um álbum maduro de 41 minutos totais que aparentam durar mais, embora não caracterize nem de perto uma audição desgastante. É bem provável que ao fim da primeira audição, os refrões de algumas canções sejam lembrados.
Com o avanço composicional veio também o estreitamento dos laços da sonoridade com sua mais claras influências alemãs: o Thrash Metal alemão de bandas como Kreator e Tankard e Heavy Metal de Grave Digger e Running Wild, algo que engloba instrumental e vocal. Para os headbangers que gostam de sempre mais daquela veia alemã que amam, o Father Karras é um prato cheio. Porém, a demasiada similaridade implica também em ausência de identidade, algo que muito se preza e busca em um estilo já saturado. São dois lados de uma mesma moeda, certamente, mas o negativo não diminui o excelente trabalho feito pelos sorocabanos.
Após o lançamento, o baterista Goro novamente deixa o conjunto, cedendo espaço para que David se efetive em seu lugar.
Você que gosta de Thrash Metal alemão pode ter certeza que ficará muito satisfeito com o trabalho do Father Karras. Não reinventam a roda, claro, mas fazem com muita competência aquilo que se dispõem a fazer e podem ainda melhorar no futuro, quiçá encontrar sua própria identidade, aquela espécie de arranjos ou solos que traduzem a personalidade dos músicos. Não deixem de curtir a página da banda no Facebook, adquirir o material e seguir acompanhando as novidades dos caras!

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mails: rafael_thunder@yahoo.com.br
marcos.giliberti@bol.com.br


 The First Exorcism (EP) (2011)

01 - Coffin Joe
02 - Fathers of Death
03 - Raise Your Fist (Running Wild Cover)
04 - Father Karras


 Prisoners of The Flesh (2015)

01 - Our Gods Were Astronauts
02 - Sadako
03 - T.C.M.
04 - World of Dust
05 - Prisoner of The Flesh
06 - Joana D'Arc
07 - Gospel Freakshow
08 - Those Who Disagree
09 - Until The Day We'll Die
10 - The Wishmaster

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