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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Wolfsbane - Discografia

A injustiça é inerente ao mundo. Convivemos com isso todos os dias. Ela nos afeta e também vemos pessoas ao nosso redor o serem. Mas apesar da normalidade desse fator em nosso dia-a-dia, ele continua sendo inconformante. E se há um músico no mundo intensamente esmurrado pela injustiça, ele certamente é o Blaze Bayley. Eu fico inconformado!
O vocalista britânico ficou mundialmente conhecido a partir de 1994, ano em que ocupou oficialmente o posto de vocalista de uma das maiores bandas da história, o Iron Maiden, após a inesperada saída de Bruce Dickinson. À frente da Donzela, lançou dois criticados álbuns considerados por muitos os mais fracos e apáticos do conjunto: "The X Factor", em 1995, e "Virtual XI", em 1998. Eu gosto de ambos, mas é fato que são distantes do máximo potencial do até então quinteto, resultando em severas críticas dos fãs e sorrisos amarelados por parte da mídia especializada. Há quem diga que foi uma das piores catástrofes da história do Heavy Metal e que Blaze Bayley foi uma farsa, uma tentativa frustrada. Enfim, as críticas negativas são muitas. A sincera e esforçada, porém desprovida de carisma passagem de Blaze pela banda não foi muito frutífera e gerou na grande maioria a total rejeição e falta de respeito a qualquer coisa que o envolva. Mas e se eu disser que talvez mais do que o Blaze Bayley "estragou" o Iron Maiden, o próprio Iron Maiden "estragou" e limitou o vocalista?
Pois é. A fase não era boa. O baixista e compositor Steve Harris passava por depressão e pecava na criatividade, na paixão em fazer música. Compôs canções mornas e a própria arquitetura delas aplicava ainda mais limites a um vocalista que naturalmente já não dotava do perfil mais compatível com a banda. Foi catastrófico para a imagem do vocalista. Mas isso não quer dizer que ele seja ruim, como normalmente se julga. Muitos sequer procuram saber, mas no Wolfsbane, sua banda de origem, Blaze Bayley é quase irreconhecível e canta de modo cativante! Ao lado de excelentes músicos e usufruindo de altas doses de alegria e notável segurança, o cantor é convincente e mostra que deve ser respeitado. Isso sem contar a qualidade musical da banda em si, manifestada através de um Hard Rock de alto nível que provavelmente só não ganhou o mundo devido a ausência de músicas especialmente grudentas, que se tornavam sucesso absoluto nas estações de rádio da época. Duvida? Então ouça!
A história começa em 1984, quando o Wolfsbane foi fundado em Tamworth, na Inglaterra. A primeira formação era composta por Blaze Bayley no vocal, Jason "The Ace" Edwards na guitarra, Jeff Hateley no baixo e Poo-Poos na bateria. Já no ano seguinte ocorreria a primeira mudança, provocada pela saída de Poo-Poos e entrada de Stakk Smasher em seu lugar, que participou da gravação de uma demo homônima de quatro faixas lançada naquele ano mesmo de 1985. Este também permaneceria apenas um ano na função, saindo a seguir para a entrada de Steve "Danger" Ellett, solidificando assim a formação, que permanece inalterada até os dias de hoje. Dessa forma, lançaram mais uma demo em 1987, agora intitulada "Dancin' Dirty" e composta por cinco faixas.
Já em 1988, a banda se preparava para o lançamento do primeiro álbum de estúdio. Pré-aquecendo os ouvidos daqueles que os acompanhavam, lançaram dois rápidos EPs, nomeados "Loco!" e "Wasted But Dangerous", até que finalmente, em 1989, assinaram com o selo estadunidense Def American Recordings e apresentaram o álbum de estreia "Live Fast, Die Fast".
Sem dúvidas, este foi um ótimo álbum de estreia, já na veia do que seria o Wolfsbane dali em diante. Um Hard Rock de qualidade é executado, com músicas excelentes de boa dose de animação e fáceis de se ouvir. Os secos riffs são tocados com velocidade e os solos seguem o mesmo passo de modo técnico e bem trabalhado, sugando o ouvinte à sensação de correria. Tal sentimento é reforçado pela composição das linhas vocais, que também são cantadas geralmente com velocidade, quase balbuciando. Refrões destacáveis que repetem o nome da faixa, como em "Man Hunt", tornam a assimilação ainda mais natural. Ao contrário do que muitos pensam sobre a capacidade de Blaze Bayley, aqui ele tem uma excelente performance, com direito a puxadas agudas e vocais em tons realmente altos para a extensão dele. Apesar do disco não ser intenso e custoso de ouvir, os 35 minutos totais de duração se mostram suficientes.
O ano de 1990 foi bastante interessante para o conjunto, já que ganharam um pouco mais de visibilidade ao excursionarem pelo Reino Unido com o Iron Maiden na turnê de divulgação do álbum "No Prayer For The Dying". Ainda por volta da mesma época, lançaram o EP "All Hell's Breaking Loose Down At Little Kathy Wilson's Place", trazendo seis faixas - em sua maioria inéditas - distribuídas ao longo de 23 minutos de duração.
Passado mais um ano, é a vez do segundo álbum de estúdio sair, novamente através da Def American Recordings. Chamado "Down Fall The Good Guys", esse disco possibilitou ao Wolfsbane sentir, pela única vez em sua história, um pouquinho o gosto de alguma repercussão após a single "Ezy" figurar na 68ª posição dos charts britânicos. Melhor produzido e com duração mais longa (46 minutos), esse álbum é certamente superior ao primeiro disco, que já é digno de muitos elogios. Agora os arranjos estão melhor trabalhados, mais maduros e realmente pesados. Os solos seguem fodas, vívidos, muito bem encaixados, mostrando-se indispensáveis para a complementação da feliz energia musical exalada. Blaze Bayley não usufrui tanto de puxadas agudas como fazia em "Live Fast, Die Fast", mas continua apresentando uma excelente performance muito bem apoiada por participativos backing vocals que tornam a musicalidade ainda mais empolgante e animada. É evidente que a banda amadureceu bastante, até pela criatividade dos riffs, longe de serem lineares ou "enchedores de linguiça". A sonoridade ganhou complexidade, elevando o Wolfsbane a um nível digno de se internacionalizar.
Algum tempo após o lançamento, o contrato com a Def American Recordings foi rescindido porque a gravadora sentiu que as vendas não iam bem. Mesmo diante desse baque, o conjunto não desanimou. Seguiu compondo e se apresentando sempre que possível. Como resultado do empenho, o Wolfsbane recebeu o título de melhor banda independente do Reino Unido em 1993. Sem dúvidas essa visibilidade facilitou na obtenção de um contrato com a Bronze Company, selo responsável pelo lançamento de "Massive Noise Injection" - o primeiro álbum ao vivo do grupo - ainda em 1993 e pelo vindouro álbum de estúdio. Ainda antes do fim do ano ocorreu, através da Castle Communication Records, o lançamento de mais um EP, intitulado "Massive Noise EP", compreendido por quatro faixas dentre as quais duas são covers de "Born To Run", de Bruce Springsteen, e "For You", do Anti-Nowhere League.
Virando a página para 1994, "Wolfsbane", o terceiro álbum de estúdio do quarteto, é lançado. Muitos que conhecem a banda o consideram o melhor disco, o que não é algo estranho. A musicalidade herda com força total toda aquela beleza e cativação de "Down Fall The Good Guys", tendo como resultado mais um disco empolgante. Novamente testemunhamos um vocalista seguro e confortável. Um Blaze Bayley convincente e em forma, elevando tons e ocasionalmente rasgando a voz com facilidade. A atmosfera das canções preserva o já marcante alto astral do Wolfsbane, mas agora está um tanto mais turbulenta, mais intensamente preenchida. Em vista disso, a assimilação fica menos facilitada, mas não é nada difícil perceber como esse disco é realmente foda, de qualquer forma.
Uma edição limitada do álbum homônimo foi lançada pouco depois, trazendo um disco bônus com seis faixas.
Até aqui, o Wolfsbane vinha crescendo. A passos curtos, mas vinha. O som amadurecia, a quantidade de fãs aumentava - fiéis, diga-se de passagem -, gravadoras se interessavam em lançar os discos... mas abruptamente, em outra banda inglesa, uma vaga para vocalista foi aberta. O icônico Bruce Dickinson deixava o Iron Maiden e as audições para um novo homem no cargo tiveram início. Blaze Bayley acabou prestando audições e foi escolhido, em meio a diversos outros vocalistas do mundo inteiro, como frontman de uma das maiores bandas da história.
A longa agenda e ocupações no Iron Maiden não permitiam que Blaze Bayley fosse capaz de conciliar os afazeres entre as duas bandas e, já que havia um profundo sentimento de amizade entre os membros de sua banda de origem, o Wolfsbane acabou encerrando definitivamente suas atividades ainda em 1994.
E lá ia o vocalista tornar-se mundialmente conhecido - e, por que não?, mundialmente criticado. Enquanto isso, o guitarrista Jason Edwards, o baixista Jeff Hateley e o baterista Steve Ellett, os membros remanescentes do Wolfsbane, juntaram-se ao vocalista Jez Spencer e fundaram a banda Stretch em 1995. Por sinal, lançaram apenas o EP de seis músicas "World of Stretch" um ano mais tarde através do selo Cottage Industry.
Por outro lado, após dois álbuns lançados junto da Donzela, o clima estava ficando meio desgastado entre a banda e o público, e até mesmo entre os próprios membros. Steve Harris procurava motivos para dispensar Blaze Bayley e recolocar Bruce Dickinson na função, até que finalmente demitiu o vocalista em 1999. Separado do Iron Maiden, Blaze imediatamente deu início à sua carreira solo e já em 2000 lançou o excelente álbum "Silicon Messiah".
Os anos seguintes foram marcados pelo foco solo do vocalista, que vinha realizando um trabalho realmente foda - além de injustiçado pelo público - álbum após álbum, mas sem alimentar nenhuma esperança de que o Wolfsbane ressuscitaria. Tal ideia começou a circular apenas a partir de dezembro de 2007, quando o conjunto se reuniu após 13 anos de inatividade para uma pequena turnê através do Reino Unido ao lado do The Wildhearts. Foram apenas cinco shows, mas suficientes para dar a sensação de que a banda estaria ressuscitando de vez. Contudo, levou mais exatos dois anos para que o Wolfsbane voltasse, dessa vez abrindo para o The Quireboys. Novamente, a atividade não foi permanente. Mas após duas pequenas turnês em 2007 e 2009, é possível que a saudade de fazerem novas músicas juntos tenha batido forte, principalmente em vista de que tinham total condição de fazê-lo com qualidade.
Por isso, em 2010, foi anunciado que o Wolfsbane estava de volta com força total, sob a mesma formação clássica e estável de antes da saída de Blaze Bayley e que um novo álbum estaria a caminho nos tempos seguintes. Tudo seria feito de forma independente daqui em diante.
O lançamento de um EP ainda precedeu a chegada do honorável quarto álbum de estúdio, sendo ele um trabalho apresentado em abril de 2011, intitulado "Did It For The Money". Ele traz cinco faixas em seu conteúdo, sendo duas inéditas.
A seguir é enfim a vez do novo álbum "Wolfsbane Save The World" ser lançado em janeiro de 2012, passados longos 18 anos desde o homônimo de 1994. O período separados não deteriorou suas habilidades e entrosamento para a música de modo algum. Pelo contrário: o tempo fez bem. Esse não é um disco tão superior aos "pré-1994", mas mantém bem o equilíbrio de qualidade, não deixando a peteca cair. De produção moderna, a sonoridade não mais apresenta apenas aquele puro Hard Rock anteriormente executado, já que acopla também boas doses de Heavy Metal e até um fundinho pouco sensível de Post-Grunge. Tais adições destiladas no Hard geraram fortes faixas batidas e influenciaram também nos na timbragem dos trechos mais cadenciados, cedendo a roupagem de uma sonoridade moderna. A banda certamente segue afiada, inclusive Blaze Bayley, que muito se doa para ter uma excelente postura vocal, e de fato a teve. Canta com alegria e rasga a voz em agudos que tão poucos sabem que ele tem. Destaque, como sempre, para os grudentos refrões, cantados de forma a grudar na cabeça e sustentados quase sempre por backing vocals que realçam as melódicas linhas vocais. Não há dúvidas de que esse álbum demonstra um Wolfsbane consistente e convincente, ainda vivo, que não sente o passar dos anos e não se esquece como fazer essas excelentes músicas.
Uma turnê britânica teve início após o lançamento, e é mesmo uma pena que eles só excursionem por lá. Com álbuns tão dignos de atenção como os quatro que lançaram até o momento, já era para no mínimo terem feito shows por toda a Europa. Vale a pena ouvi-los. Vale mesmo!
Diante de toda a qualidade oferecida em seus lançamentos, é difícil não desenvolver um sentimento de inconformidade pelo Wolfsbane não ser reconhecido como merece e por Blaze Bayley ser apedrejado sem que muitos tomem conhecimento de seu verdadeiro potencial e zona de conforto. Cá está, então, uma vítima da provável baixa divulgação, com a negatividade maximizada graças aos fortes comentários de muitos fãs do Iron Maiden. Se você gosta de um energético, criativo e marcante Hard Rock na veia de bandas como Warrant, Europe, Firehouse e similares, ficará feliz em dar uma chance ao tão injustiçado Wolfsbane. Por que não?


 Wolfsbane (Demo) (1985)

01 - Manhunt
02 - Clutching At Straws
03 - The Follower
04 - G.S.B.


 Loco! (EP) (1988)

01 - Loco! Nitro (Methane Injected Turbo Super Fireball From Hell Mix)
02 - Dance Dirty! (Wickedly Sensual Grinding Pelvis Mix)
03 - Limousine! (Stains on the Back Seat Mix)
04 - Killer! (Slow Tortuous Death - Vomit Under A Full Moon Mix)


 Live Fast, Die Fast (1989)

01 - Man Hunt
02 - Shakin
03 - Killing Machine
04 - Fell Out of Heaven
05 - Money To Burn
06 - Greasy
07 - I Like It Hot
08 - All Or Nothing
09 - Tears From A Fool
10 - Pretty Baby


 All Hell's Breaking Loose Down At Little Kathy Wilson's Place (EP) (1990)

01 - Steel
02 - Paint The Town Red
03 - Loco
04 - Hey Babe
05 - Totaly Nude
06 - Kathy Wilson


 Down Fall The Good Guys (1991)

01 - Smashed and Blind
02 - You Load Me Down
03 - Ezy
04 - Black Lagoon
05 - Broken Doll
06 - Twice As Mean
07 - Cathode Ray Clinic
08 - The Loveless
09 - After Midnight
10 - Temple of Rock
11 - Moonlight
12 - Dead At Last


 Massive Noise Injection (Live) (1993)

01 - Protect & Survive
02 - Load Me Down
03 - Black Lagoon
04 - Rope & Ride
05 - Kathy Wilson
06 - Loco
07 - End of The Century
08 - Steel
09 - Temple of Rock
10 - Manhunt
11 - Money To Burn
12 - Paint The Town Red
13 - Wild Thing


 Massive Noise EP (EP) (1993)

01 - End of The Century
02 - Temple of Rock
03 - Born To Run (Bruce Springsteen Studio Cover)
04 - For You (Anti Nowhere League Cover)


 Wolfsbane (1994)

01 - Wings
02 - Lifestyles of The Broke & Obscure
03 - My Face
04 - Money Talks
05 - Seen How Its Done
06 - Beautiful Lies
07 - Protect & Survive
08 - Black Machine
09 - Violence
10 - Die Again

Bonus CD:
01 - Rope & Ride
02 - Want Me
03 - For You (Anti-Nowhere League Cover)
04 - End of The Century
05 - Hollow Man
06 - Born To Run (Say Goodbye) (Bruce Springsteen Cover)


 Howling Mad Shitheads: The Best of Wolfsbane (Compilation) (2009)

01 - Loco
02 - Manhunt
03 - I Like It Hot
04 - Steel
05 - Paint The Town Red
06 - Totaly Nude
07 - Kathy Wilson
08 - Cathode Ray Clinic
09 - You Load Me Down
10 - Ezy
11 - Broken Doll
12 - Temple of Rock
13 - Dead At Last
14 - Money Talks (Demo)
15 - My Face
16 - Black Machine
17 - Want Me
18 - Born To Run (Say Goodbye)


 Did It For The Money (EP) (2011)

01 - Did It For The Money
02 - Limo
03 - G.S.B.
04 - Killing Machine
05 - Dance My Tune


 Wolfsbane Save The World (2012)

01 - Blue Sky
02 - Teacher
03 - Buy My Pain
04 - Starlight
05 - Smoke and Red Light
06 - Illusion of Love
07 - Live Before I Die
08 - Who Are You Now?
09 - Everybody's Looking For Something
10 - Child of The Sun
11 - Did It For The Money!


Um comentário:

  1. Muito boa essa banda. Sempre confundi ela com a banda inglesa Wolfbane sem o s, que gravou duas demos na década de 80 e uma compilação de demos relançadas em 2009.

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