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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Symmetrya - Discografia Comentada

O Power Metal fez e ainda faz muito sucesso entre os headbangers do mundo inteiro devido à sua característica acessível e versátil, mostrando-se naturalmente compatível com outros elementos. Arranjos criativamente melódicos, grande intervenção de teclados e altos tons vocais são os atributos mais marcantes do gênero, assim como suas letras, que geralmente nos contam histórias fantásticas. Esse sucesso não é diferente no Brasil, já que o país também conta com uma ótima quantidade de bandas executando a vertente e recebe muito bem esse tipo de proposta. Uma das notáveis bandas que se aventuram nesse agradável modelo está situada em Joinville, Santa Catarina, e atende pelo nome de Symmetrya.
Fundada em meados 2002 sob o nome Symmetry, o conjunto vem apresentando um consistente Power Metal que também bebe de fontes Progressivas, desembocando em solos característicos e ocasionais riffs com as tradicionais quebradeiras do gênero. Além disso, influências de Hard Rock também ganham espaço, latejando em determinadas canções e no próprio vocal de Jurandir Junior, que abusa de carregados drives enquanto explora tons mais elevados.
A história do inicialmente Symmetry começa quando os amigos Jurandir Junior (vocal) e Milton Maia (baixo) decidem unir forças para iniciar um projeto de Metal Melódico. Já havia confiança entre ambos, uma vez que trabalharam juntos na extinta banda Madness. Na sequência, o guitarrista Ney Soteiro, o baterista Marcos Vinícius "Nâna" e o tecladista Lincoln Pompermaier foram recrutados, estruturando assim a formação e possibilitando o completo trabalho nas primeiras composições.
Esse foi o line-up responsável pelo lançamento da demo "Symmetry" em 2003. A demonstração é composta por três faixas autorais que exibem uma banda linear e homogênea. Elas são muito bem compostas e pesadas, apesar da limitação da qualidade de gravação. Os teclados geram uma intensidade mágica aos demais instrumentos, que são viçosos, e suporta apropriadamente as melódicas linhas vocais. Talvez nas primeiras audições não se detecte a mágica do trabalho, mas com a insistência, é possível entrar em sua sintonia e reparar os detalhes e o quanto os refrões e solos são agradáveis. Claramente já se tratava de uma banda promissora.
Após o lançamento, o tecladista Lincoln Pompermaier deixou o conjunto a fim de se dedicar aos estudos. Com isso, o baixista Milton Maia se deslocou para a posição vaga, liberando o contra-baixo para o novo membro Alexandre Lamim.
Já o ano de 2004 traria mais novidades sobre os catarinenses. A primeira seria a alteração do nome, adicionando um "A" ao fim de "Symmetry", transformando-se em Symmetrya, como hoje são conhecidos. A mudança foi incentivada pelo fato de perceberem que existiam mais bandas com o mesmo nome, principalmente na Europa. Em seguida veio a participação nas coletâneas "Rock Soldiers Vol. 10" e "Valhalla Demo Section Vol. 1", da revista Rock Hard, sendo que esta última foi fruto do título de uma das melhores bandas a terem passado pela Demo Section da revista nos últimos quatro anos até então.
Aproveitando a maré a favor, o conjunto trabalhou bastante em novas composições para preencherem o primeiro disco. O resultado pôde enfim ser apreciado três anos mais tarde através do debut "Eternal Search", que já chama a atenção logo de cara devido ao lindíssimo trabalho gráfico do artista Robson Piccin, que inclusive já trabalhou com o Lothlöryen. A primeira coisa que se nota nesse disco distribuído por toda a América Latina pela Force Majeure Records é, fora a musicalidade em si, que a produção não aparenta grandes avanços em relação à demo. Ainda assim o trabalho é claramente degustável, pois não é nada tão negativo. Testemunhamos aqui uma banda esforçada, com vontade de fazer música e conhecedora do caminho de como fazê-la, embora não tenha efetivamente chegado ao seu destino ainda. O repertório de dez faixas é novamente intenso e reaproveita duas faixas da demo ("Symmetry" e "Inner Force", que fecha o disco), regravando-as e aprimorando-as. A musicalidade é muitas vezes pegada, no formato Speed, embora as linhas vocais sejam levemente cadenciadas. Os riffs têm certa complexidade mas infelizmente a produção dá uma certa mascarada. Com uma atmosfera bem preenchida por sintetizadores que não apenas comandam o ambiente base, mas também participam efetivamente de arranjos principais e duetam em solos com a guitarra, o álbum é turbulento e transmite linearidade nas composições.
O vocalista Jurandir Junior se mostra apurado em sua tonalidade e na técnica dos arranhados drives, mas fica uma sensação de necessidade de um pouco mais de raça, de empenho, entrega. Ele parece muito comportado. Com mais carisma vocal, as canções ficariam ainda melhor interpretadas e o disco teria um clima ainda superior. Isso mudaria bastante no disco seguinte!
Enfim, o transcorrer dos minutos e das músicas não apresenta tanta variação, apesar das músicas realmente ótimas e da positiva e sincera energia. Mesmo com a homogeneidade, algumas canções mais diferenciadas aparecem como a cadenciada e sentimental "In The Mouth of Madness". O disco tem seus pontos negativos que não são muito sutis, só que mesmo com eles, continua sendo um ótimo resultado final cuja audição só melhora quanto mais se assimila. A revista Roadie Crew mesmo o incluiu entre os 10 melhores lançamentos daquele ano de 2007.
Um longo período de poucas atividades viria a seguir, ocasionado por ocupações pessoais dos integrantes, atrasando bastante qualquer novo lançamento. Somente em 2012 o período estático de novidades foi rompido com a saída do guitarrista Ney Soteiro, que buscava se dedicar em outros projetos musicais. Sua saída provocou o deslocamento do baixista Alexandre Lamim para a guitarra, que por sua vez cedeu a vaga nas quatro cordas ao novo integrante Jacson Luis. De nova formação, os trabalhos para o segundo álbum de estúdio enfim tiveram início.
Após sete longos anos desde o debut "Eternal Search", os catarinenses voltam a se inserir no mercado musical com o álbum "Last Dawn", lançado de forma independente em 2014. Agora com a linda arte gráfica assinada pelo carioca Gustavo Sazes (conhecido por seus trabalhos com bandas como Angra, Arch Enemy, Kamelot, Gus G., Dream Evil, Almah, Sepultura, e uma cacetada de outras), podemos desfrutar de um trabalho muito mais maduro e consistente do que o antecessor. Os longos anos de intervalo e acúmulo de experiência fizeram bem à saúde das composições, que agora estão com contornos melhor definidos e arquitetura mais polida, resultando em canções de identidade, destacáveis. Com isso, o ouvinte se lembra melhor delas e as chances de gostar mais rapidamente aumentam. O nível subiu bastante em todos os aspectos, inclusive na produção! O Power Metal com claros elementos de Progressive Metal executado aqui se mostra bem diferente daquele de "Eternal Search", já que a atmosfera não está tão turbulenta e carregada. A audição flui levemente no decorrer do álbum, é agradável, ao mesmo tempo em que é bastante natural e rico.
Apesar da leveza e fluidez, o disco é pesado e não deixa para trás todos os elementos que fazem do Symmetrya o que é. Os arranjos brilham com guitarras nítidas e teclados bem encaixados em base e solo, com muita harmonia e melodismo. Os aprimoramentos se estendem até a voz de Jurandir, já que as composições vocais estão mais criativas, com variações de tons e uma interpretação bem mais digna por parte do intérprete, que se mostra seguro e à vontade, no espírito das canções.
Músicas sentimentais novamente integram o set e, curiosamente, são justamente as mais longas, com sete minutos cada: "Caught In A Dream" e "Stormy Winds". Mas as surpresas não se limitam à exibição de uma banda mais madura, não! Participações especiais também recheiam o trabalho, como a de Rafael Bittencourt (Angra) tocando o solo de guitarra da faixa "Something In The Mist", e as dos vocalistas Geane Carvalho e Luiz Moretti, que emprestam suas vozes na longa canção "Athena's Legacy", com seus nove minutos de duração. Inclusive, esta é a faixa que fecha o disco e a trilogia iniciada duas músicas antes, em "Past Life Trauma", baseada na obra "A Bruxa de Portobello", do grande escritor brasileiro Paulo Coelho. A música "To Live Again" pode soar um tanto familiar, afinal, ela é uma continuação de "Learn To Live", do primeiro disco. Há também versões com uma faixa bônus intitulada "Shark Paddle" que, por sua vez, apresenta uma abordagem puramente voltada para o Hard Rock. Sem dúvidas, trata-se de um disco muito lindo e muito foda. 
O resultado do excelente trabalho veio em forma de uma turnê com diversas datas pelo sul e sudeste brasileiros e expansão para o Uruguai e Chile como banda principal.
Em meados de 2016, inclusive, os catarinenses tocaram ao lado do Angra, abrindo shows realizados em cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro. Tais apresentações foram muito bem repercutidas, ganhando positivas resenhas em portais como Whiplash.
Ao longo de sua trajetória, o conjunto já se apresentou ao lado de importantes nomes como Andre Matos, Primal Fear, Angra, Dark Moor, Sonata Arctica, entre várias outras. Seu Metal Melódico com claras influências gráficas e musicais de bandas como Sonata Arctica e Stratovarius merece conquistar seu espaço, ainda mais após a consistência apresentada em "Last Dawn". Por enquanto, os catarinenses deixam a sensação de que ainda estão trilhando seu caminho rumo ao auge criativo/musical, que ainda há mais potencial a ser explorado em futuros trabalhos, apesar do mais recente álbum ser realmente excelente. A propósito, o terceiro álbum já se encontra em fase de composição e tem previsão de início das gravações para novembro de 2016. O lançamento oficial deverá acontecer em torno de março ou abril de 2017, e nomes de peso já foram recrutados como participações especiais.
Curtam a página dos caras no Facebook, adicionem os perfis, baixem os álbuns e comprem! O "Eternal Search" está esgotado por enquanto, mas o "Last Dawn" ainda está disponível! Ele custa R$ 25,00 e pode ser adquirido na Die Hard ou diretamente com a banda, bastando enviar uma mensagem pelo Facebook. Sua força para o conjunto e para o Metal nacional é muito importante!

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: contact@symmetrya.com


 Symmetry (Demo) (2003)

01 - Dreams and Nightmare
02 - Inner Force
03 - Symmetry


 Eternal Search (2007)

01 - Ascension
03 - Eternal Search
04 - Lost
05 - Dead Zone
06 - Symmetry
07 - Mesbilief
08 - In The Mouth of Madness
10 - Inner Force


 Last Dawn (2014)

01 - Sensory
02 - Something In The Mist
03 - In The Blink of An Eye
04 - Darkest Love
05 - To Live Again
06 - Caught In A Dream
07 - 711
08 - Stormy Winds
09 - Past Life Trauma
10 - Nature of The Witch
11 - Athena's Legacy
12 - Shark Paddle (Bonus Track)


2 comentários:

  1. O novo album e muito bem produzido e power metal de primeira

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  2. Sensacional este album Last Dawn. banda de personalidade e com refroes muito bons. Gostei

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