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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Puritan - Discografia

Quando é dito que o Metal plaina a nível global, dificilmente pensamos também nas periferias urbanas. Muitas vezes relacionamos o estilo a um grande número de povos e temáticas - muitas delas até refinadas -, mas o subúrbio, por ser povoado por classes desfavorecidas e marcado por gêneros musicais como Rap, Hip Hop e Funk, acaba excluído, mesmo que não intencionalmente. Apesar disso, a agressão de guitarras distorcidas, baterias violentas e vocais guturais também prospera nesse meio e nos entrega grandes bandas como os capixabas do Puritan, que levam a experiência de viver nesse meio e a revolta com o sistema e sociedade para sua sonoridade.
Oriundo de Vitória, no Espírito Santo, uma das capitais mais violentas do país, o Puritan é um destacável expoente do cenário independente que executa um cruzamento entre Hardcore, Deathcore, MetalcoreDeath Metal, aliado à própria característica suburbana inserida nas composições e letras em português. Como resultado, alcançam uma musicalidade vividamente favelada, na língua do povo. Até por isso são frequentemente associados ao termo "Metal Favela". Embora a princípio o rótulo não pareça atraente aos headbangers mais tradicionalistas, a musicalidade dos capixabas é violenta e competente, capaz de agradar aos que se dispuserem a compreender sua proposta e assimilar suas canções.
Foi no ano de 2008 que as atividades começaram, quando o vocalista Silas Gomez, o guitarrista Flávio Mello, o baixista Bruno Max e o baterista Fábio Kiefer se juntaram, tirando proveito da influência de conjuntos como Hatebreed, Claustrofobia, Sepultura e Suicide Silence para formar uma banda que retratasse a realidade social das favelas brasileiras e dos menos favorecidos, com ênfase na criminalidade das grandes cidades.
Silas Gomez permaneceu apenas durante o ano de formação, o que levou o baixista Bruno Max a deslocar-se também ao posto de vocalista e transformar a banda num power trio. Nessa configuração, lançaram em 2009 o primeiro álbum de estúdio, intitulado "O Firme Fundamento do Desespero Incessante". Suas oito faixas totalizam apenas 17 minutos de duração, mas têm bom rendimento devido à firme paulada de um misto de Hardcore e Death Metal sobrepostos por um urrado e indignado vocal gutural rasgado como uma fera. O instrumental oscila entre ambos os gêneros, onde muitas vezes o Death prevalece e entrega riffs de palhetadas mais intensas. Há também oscilações no próprio ritmo, já que saem de um andamento mais cadenciado e enfincam em uma postura mais energética onde a bateria mostra serviço e toca com mais velocidade. Já o vocal impossibilita o ouvinte de entender as letras, mas demonstra técnica na execução, que reflete mais ao estilo Hardcore e é rasgada, muitas vezes se abrindo.
Dois anos mais tarde, em 2011, é a vez do peculiar álbum "Faixa de Gaza" vir à público. Certamente haverá estranheza na primeira execução, principalmente se o volume estiver alto e começar a ouvi-lo na correta ordem do set, desde a introdução. Digo isso pois nela está inserido o Funk do "Morro do Dendê", de MC Cidinho & Doca, o que o leva a se perguntar se clicou em coisa errada ou alguma aba com vídeo no YouTube abriu sozinha! Porém, claro, é apenas para reforçar o caráter favelado da proposta. Tal trecho puramente Funk carioca é breve e logo o ritmo se converte em Metal com canto em gutural, e dessa forma transcorre o restante do álbum.
Esse é o trabalho que mais faz jus ao rótulo de "Metal Favela", não se limitando ao evidente foco dos morros na intro mas também a ritmos de Funk vez ou outra, totalmente camuflados na forma de Metal. É recomendado que os mais "preocupados" não se deixem levar por isso, pois o disco é fodaço e pesado. Aqui aparecem os primeiros elementos de Deathcore e principalmente Metalcore do conjunto, que abandona aquela abordagem Hardcore do trampo anterior. A veia Death Metal ainda lateja alto, mas o Metalcore se expõe em diversos momentos, induzindo a sonoridade em direção à sua peculiaridade, com contínuas quebras de ritmo, riffs pausados, bateria um pouco mais técnica e uma postura vocal um pouco mais fechada por parte de Bruno Max. O amadurecimento dos músicos é facilmente sentido ao longo dos 32 minutos de duração do trabalho, distribuídos entre 13 faixas de duração média de dois minutos.
Passados mais três anos chegamos à 2014, ano de lançamento do fortíssimo terceiro full-length, agora nomeado "Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu". Dessa vez adotando uma postura mais voltada ao Deathcore e vocais guturais ainda mais fechados e avassaladores, certamente a banda trouxe seu melhor trabalho até o momento. São apenas 31 minutos de duração, mas que valem muito frente à intensa postura do conjunto, que se mostra mais seguro, técnico e pesado, com músicas mais energéticas, melhor preenchids e sem dúvidas mais cativantes. O ar periférico não é abandonado, já que as letras seguem retratando tal meio com palavras de baixo calão e frases de impacto cantadas com ódio. Backing vocals são constantemente acionados nos refrões, encorpando a mensagem e tornando-os ainda mais destacáveis. A criatividade composicional dos riffs e das linhas vocais elevou a banda à um patamar superior e confirma que se superam a cada álbum.
Durante a turnê de divulgação do trabalho, o guitarrista Christopher Gomez foi adicionado à formação, uma vez que era amigo do trio e compactuava com a proposta. Com isso, o Puritan volta a ser um quarteto após seis anos.
A banda é forte e vem em crescimento ao longo dos anos, sendo reconhecida pelo público e também pela mídia especializada. Já até tocaram fora do país. Ao longo de sua trajetória, dividiram os palcos com bandas como Dr. Sin, No Guerra, Misfits, Sepultura, Ratos de Porão, Paul Di'Anno, Violator, entre muitos outros. Um quarto álbum já se encontra em fase de composição, mas ainda não tem título nem previsão de lançamento. Enquanto isso, os capixabas já nos deixaram três excelentes registros onde certamente "Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu" é o mais consistente. Para adquirir os discos do Puritan, basta mandar uma mensagem para esse perfil no Facebook e negociar. Não se esqueçam também de curtir a página no Facebook! O Metal nacional não deve em nada para o internacional. A única diferença é o quanto valorizamos nossas bandas.

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(27) 99700-9019 - Fábio Kiefer


 O Firme Fundamento do Desespero Incessante (2009)

01 - Sob Os Escombros de Uma América Decadente
02 - Redenção
03 - Marcha Insana À Fornalha Ardente
04 - Multidões No Vale Inerte da Ignorância
05 - A Mãe das Meretrizes e Abominações da Terra
06 - Quando O Sol Se Converter Em Trevas; e A Lua, Em Sangue
07 - O Firme Fundamento do Desespero Incessante
08 - Sentença de Fogo


 Faixa de Gaza (2011)

01 - Intro
02 - Faixa de Gaza
03 - Indústria de Rancor
04 - Fornalha
05 - Possuídos Pelo Cão
06 - Tempestade de Ódio
07 - Facção Assassina
08 - O Orgulho Precede A Queda
09 - Que Lixo Você Pensa Que É?
10 - Mercenário
11 - A Covardia Tem A Proteção da Lei
12 - Julgados Pelo Que Temos, Não Pelo Que Somos
13 - Cova Rasa


 Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu (2014)

01 - Intro/Nesse Chiqueiro Ninguém Vai Pro Céu
02 - Bandido Bom É Bandido Morto
03 - Aqui Se Faz, Aqui Se Paga
04 - Manipulado
05 - Elite de Merda
06 - Desgraça Pouca É Bobagem
07 - Periferia É Periferia
08 - Punição
09 - Se Quer Respeito, Conquiste!
10 - Doa Em Quem Doer
11 - Sentença de Fogo


3 comentários:

  1. Porra tem letras , tem conteúdo. Banda do meu estado..orgulho...foda, foda ee foda....

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