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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Metal Allegiance - Discografia

A maioria dos headbangers, alguma vez na vida, já fantasiou aleatoriamente sobre um projeto onde seus ídolos favoritos de algumas das maiores bandas do planeta unissem forças e lançassem um álbum fabuloso, inspirador, marcante. Muitos se deixam levar por esse momentâneo devaneio para em seguida cair na realidade e dizer que esse tipo de coisa seria "boa demais pra ser verdade". Vida que segue, não é? E se eu dissesse que esse sonho virou realidade? Que uma verdadeira aliança metálica foi forjada com o poder do que há de melhor na música pesada? Pois bem, o sonho agora é sim realidade e se materializou na forma de um Thrash Metal mais explosivo do que um mundo inteiro de bombas atômicas, conhecido pelo sugestivo nome de Metal Allegiance!
Membros de distintas bandas - especialmente vocalistas - trabalhando juntos em um mesmo projeto não é exatamente novidade no Metal, ainda mais após a popularização do Metal Opera (vários músicos de diversas bandas inseridos em um único conceito) desde a última década, ou também com os chamados supergrupos (músicos já conceituados na cena fundando uma nova banda).
No entanto, ao nos referirmos ao Metal Allegiance, estamos falando de um patamar superior. Não se trata de um projeto criado por um músico ambicioso que convida vocalistas de várias bandas por aí. Estamos falando de um projeto que somente a espinha dorsal já é formada por três dos mais conceituados músicos do mundo: Alex Skolnick (Testament), David Ellefson (Megadeth) e Mike Portnoy (The Winery Dogs, ex-Dream Theater). Estamos falando de um projeto que não convidou grandes músicos, mas sim Os Músicos, aqueles que você reverencia desde a infância! Um hipergrupo!
Tudo começou lá trás, em 2011, quando o músico e compositor estadunidense Mark Menghi aproveitou sua estreita amizade com Skolnick, Ellefson e Portnoy para compôr algumas canções juntos e realizar algumas apresentações ao vivo. Naquela época, o projeto ainda não tinha o nome atual. Por essência, o Metal Allegiance começou com a intenção de reunir grandes músicos nos palcos para realizar memoráveis shows. Desde então, à medida em que mais concertos eram realizados, músicos de renome como o vocalista Phil Anselmo (Down, ex-Pantera), os guitarristas Kerry King (Slayer) e Steve Vai e o baterista Dave Lombardo (ex-Slayer) se reuniram aos membros fixos e geraram apresentações de grande repercussão. A primeira sob o nome Metal Allegiance de fato aconteceu durante no festival Mötorboat Cruise, organizado pelo Motörhead, em setembro de 2014. Dali em diante, em vista da amizade, fluidez dos shows e da sincronizada sintonia em que os integrantes se encontravam, a ideia da concretização de um álbum totalmente novo sob o título do Metal Allegiance amadureceu naturalmente.
Certamente esse é um projeto diferenciado desde os processos mais básicos, como composição e ensaios. É coisa grande e séria. Normalmente bandas que têm alguns membros fixos e outros variáveis - como aqui é o caso de guitarrista solo e vocalista - têm músicas compostas pelos integrantes fixos que são entregues aos convidados apenas para que eles gravem ou contribuam com algum toque marcante que os defina, sem que eles tenham contato entre si. Esse não é o caso do Metal Allegiance, já que todos os músicos envolvidos de fato se reuniram no estúdio, discutiram as composições e ensaiaram. Nada de distância ou frieza. Apenas amigos fazendo um som juntos. Talentosos amigos. Não tinha como dar errado, não é?
Mixado por Josh Wilbur (que já trabalhou com bandas como Lamb of God, Avenged Sevenfold e Gojira) e produzido por Mark Menghi, Alex Skolnick, David Ellefson e Mike Portnoy, o resultado de todo o empenho colossal pode ser apreciado na forma de um álbum homônimo lançado no dia 18 de setembro de 2015 pela Nuclear Blast.
Apesar da variedade de músicos inseridos, a soberania certamente pertence ao Thrash Metal, até pela proveniência dos principais músicos, refletida diretamente nessa sonoridade bombástica. A Bay Area não poderia estar melhor representada.
Ostentando um set recheado de renomados e talentosos vocalistas como Mark Osegueda (Death Angel), Phil Anselmo (Down, ex-Pantera), Troy Sanders (Mastodon), Chuck Billy (Testament), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Randy Blythe (Lamb of God), Matt Heafy (Trivium), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest), Steve "Zetro" Souza (Exodus), entre outros, e instrumentistas como Andreas Kisser (Sepultura), Charlie Benante (Anthrax) e Gary Holt (Exodus), fica muito difícil não criar expectativas de um trabalho no mínimo sensacional.
A impecável produção definiu magistralmente cada um dos instrumentos utilizados, gerando uma sonoridade pesadíssima e estrondosa que dá ênfase até no contra-baixo, que pulsa com vivacidade. Os fortes adjetivos não são exagero, pois o álbum é definitivamente impactante. No entanto, isso não quer dizer que se trate de uma completa porrada na orelha o tempo todo. Claro, pode-se esperar muita técnica destilada, especialmente na bateria e nos solos de guitarra, mas os minutos de determinadas canções também cedem espaço a momentos de cadência, com vocais mais amenos, violões, guitarras limpas e solos mais profundos e sentimentais.
"Metal Allegiance" foi inteligente e criativamente composto de modo que as canções têm tanta particularidade quanto os vocalistas que as interpretam, explorando o que todos os músicos de linhas básicas a notáveis têm de melhor a oferecer. Nem sempre o instrumental se adapta de acordo com o vocalista, porém, as linhas vocais são fiéis às suas características, trazendo flashes de suas bandas de origem. Vide o cadenciado Troy Sanders e o grudento Matt Heafy, por exemplo. Entretanto, por vezes o instrumental se curva ao vocalista, ou até mesmo faz grandes tributos como na canção "Pledge of Allegiance", cuja sonoridade bebe das fontes mais tradicionais do Thrash Metal da Bay Area e é cantada por ninguém menos que Mark Osegueda, fazendo soar como se fosse o primeiro álbum do Death Angel sob produção moderna. Há espaço até mesmo para uma faixa instrumental de sete minutos de duração, cheia de influências Progressivas certamente oriundas de Mike Portnoy: "Triangulum". 
De fato, há muita diversificação no decorrer do disco, mas tudo sem deixar que a essência se dissipe. Em nenhum momento a peteca cai ou o foco se desvia demais, fazendo parecer não se tratar do mesmo álbum. A edição brasileira, lançada 20 dias antes da data internacional pela Voice Music, fecha o repertório com chave de ouro através da faixa "We Rock", cover do eterno Ronnie James Dio. Na versão do Metal Allegiance ela é uma verdadeira festa agitada por diversos vocalistas ao mesmo tempo, como Mark Osegueda, Tim "Ripper" Owens, Alissa White-Gluz, Steve "Zetro" Souza, Chuck Billy, entre outros. Grandiosa maneira de encerrar um trabalho!
O nível demonstrado pelos músicos nesse álbum é tão alto que, apesar da maior manifestação do Thrash Metal, ele é tão unificador das tribos quanto toda essa união de diferentes músicos faz parecer. É tão foda que qualquer headbanger deveria ouvi-lo e inevitavelmente ficar impressionado, contagiado com toda essa inspirada energia. Dificilmente se lança algo tão fantástico assim. Quem sabe um segundo álbum não venha no futuro? Se vier, obrigatoriamente terá de ser tão incrível quanto o primeiro. O fato é que o Metal Allegiance já entrou para a história.


 Metal Allegiance (2015)

01 - Gift of Pain (feat. Randy Blythe)
02 - Let Darkness Fall (feat. Troy Sanders)
03 - Dying Song (feat. Phil Anselmo)
04 - Can't Kill The Devil (feat. Chuck Billy)
05 - Scars (feat. Mark Osegueda & Cristina Scabbia)
06 - Destination: Nowhere (feat. Matt Heafy)
07 - Wait Until Tomorrow (feat. Dug Pinnick & Jamey Jasta)
08 - Triangulum
09 - Pledge of Allegiance (feat. Mark Osegueda)
10 - We Rock (Dio Cover) (feat. Mark Osegueda, Chris Jericho, Tim "Ripper" Owens, Alissa White-Gluz, Chuck Billy & Steve "Zetro" Souza) (Bonus Track)

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