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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Maquinarios - Discografia

Diz-se que o Metal nasceu na Inglaterra e que, por isso, letras em inglês combinam mais com o estilo. Trata-se de uma meia-verdade. Pra ficar bacana, o Metal em outros idiomas depende unicamente da capacidade do compositores de fazê-lo soar natural. Por mais que alguns insistam em alimentar certa resistência ao estilo cantado em português e levantem a bandeira do "não tem nada a ver", há bandas espalhadas por aí que fazem a língua parecer inerente às guitarras distorcidas.
Por outro lado, em vista da grande quantidade de bandas cantando em inglês, existe também a parcela do público que clama por um pouco de identidade linguística. Especialmente para esse público, que deseja vislumbrar o velho Rock 'n' Roll em nosso idioma materno, o Maquinarios cai do céu. Para aqueles que têm resistência, a banda é uma prova de que estão enganados.
Estabelecendo bandas pioneiras como Black Sabbath, Made In Brazil e Patrulha do Espaço como norte de sua bússola musical, o trio entrega um forte Heavy Metal de qualidade, influenciado também por estilos como Stoner Metal, Hard Rock e até um fundo de Blues, sobrepostos por letras muito bem compostas interpretadas por memoráveis linhas vocais, principalmente nos refrões, que ficam na cabeça.
Embora tenham se assentado em Chapecó, no Estado de Santa Catarina, a partir de 2012, as origens do Maquinarios remontam até o norte do país, em Palmas, no Tocantins, quando de fato a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Watson Silva e do baixista Matheus Andrighi, em 2010. Alguns shows foram realizados naquela época já sob o nome atual, mas as variações na formação eram constantes, exceto pela dupla fundadora.
Em posse de algumas composições já bem adiantadas, decidiram se transferir para Chapecó (cidade de origem de Matheus Andrighi), onde por consequência fixariam a banda e traçariam suas ambições. Pensando no primeiro lançamento, o grupo viajou até São Paulo para gravar o primeiro EP, considerado por eles como um teste. A formação, naquele ponto, era completada com Ivan Silva no vocal e Cézar Fernandes nas baquetas, que participaram das gravações do trabalho.
Gravado e produzido no estúdio Mr. Som por Marcello Pompeu e Heros Trench (ambos do Korzus), o resultado saiu na forma de um EP de quatro faixas intitulado "Seis Milhas Para O Inferno", lançado virtualmente em 2013. Ele demonstra uma banda ainda nos primeiros estágios, sem uma identidade definida, mas que apesar disso, rende excelentes e energéticas faixas de fácil apegação. Os riffs são pesados e sujos, na mais homogênea mistura entre Heavy Metal e Hard Rock, com muitas arranjos "sabáticos". Tal influência inglesa é inclusive fortemente realçada numa quebra de ritmo em "Cinza Espúrio" que muito lembra a presente em "War Pigs". O alto e rasgado vocal de Ivan Silva acompanha apropriadamente a timbragem suja do instrumental, complementando com garra e vivacidade. Apesar disso, essas linhas vocais dão a impressão de precisarem de mais refinamento sobre o tom empregado, quando aplicar os drives, entre outros detalhes. Isso não afeta a excelência desse primeiro registro, de qualquer forma, até por ele ser mesmo um teste.
Não há muita homogeneidade entre as faixas desse EP, já que cada uma tem seu próprio ritmo. Algumas são mais energéticas como "Além da Estrada" e a faixa-título, enquanto a própria "Cinza Espúrio" tem momentos bem cadenciados. Tudo isso sob a roupagem de uma produção realmente excelente!
Contribuindo com ainda mais brilho ao disco, podemos apreciar as participações dos vocalistas Marcello Pompeu (Korzus) e Rogério Fernandes (Carro Bomba) na faixa que dá nome ao EP, mostrando que a banda estava muito bem acompanhada.
Após o lançamento, o Maquinarios voltou para Chapecó e passou por reformulações na formação com as saídas do vocalista Ivan Silva e do baterista Cézar Fernandes. Diego Massola foi o escolhido para preencher a função deixada por Cézar, enquanto o guitarrista Watson Silva deslocou-se também para o microfone, transformando a banda num trio completo. Dessa forma, anunciaram, então o relançamento do EP "Seis Milhas Para O Inferno" para março de 2014, agora com nova capa e também em mídias virtual e física.
Um pouco mais tarde, o trio iniciou pelo YouTube o projeto de uma série de dois vídeos chamada "Live In Studio". Gravados no Top Studio, as filmagens tinham o intuito de apresentar o novo Maquinarios, já na aguda voz de Watson, e, de quebra, promover o lançamento da edição especial do EP. Os vídeos exibem as regravações de duas faixas: "Seis Milhas Para O Inferno", lançada em junho; e "Além da Estrada", lançada em setembro. O "Live In Studio" foi promovido no programa Temos Vagas da 89 FM, de São Paulo, além de outras estações de rádio.
Com a repercussão, já no fim daquele ano de 2014, os caras foram agraciados com a oportunidade de se apresentarem no Estúdio Showlivre, onde tantos outros nomes consolidados ou em ascensão já deixaram suas marcas. Nessa apresentação, tocaram não apenas músicas do EP mas também testaram algumas inéditas que integrariam o vindouro álbum de estreia.
Na sequência, sentindo-se mais confiante e preparado, o grupo percebeu o momento perfeito para a gravação do primeiro álbum. Foi aí que viajaram de volta para São Paulo e entraram novamente no estúdio Mr. Som para concretizar seus planos. "Intacto" foi o título escolhido para o álbum, lançado através do selo Wikimetal em julho de 2015 e novamente produzido por Marcello Pompeu e Heros Trench. O álbum - cuja belíssima arte é de autoria do francês Olivier Dzo - foi disponibilizado pra venda no iTunes e em todas as principais plataformas de streaming.
Não há como negar que agora o Maquinarios tem cara de Maquinarios. Transitando pelo Hard 'n' Heavy com fortes manifestações Stoner Metal, sua essência e estilo próprios foram encontrados, por mais que a sonoridade não seja inovadora, no fim das contas. Watson Silva se consolida como um excelente frontman para a banda e dota de um vocal interessante e carismático, embora agudo. Drives também são ocasionalmente empregados. Conforme as gravações "Live In Studio" já mostravam, seu vocal caiu muito bem nas composições antigas e mudou bastante a atmosfera delas, até pela redefinição de alguns detalhes das linhas de voz. Por detrás da voz, testemunha-se um instrumental pulsante e cheio de vida graças à impecável produção. O contra-baixo de Matheus é estrondoso, a bateria é muito bem mixada e revela o talento de Diego sem sobressair o instrumento, e a guitarra de Watson tem arranjos claros sem que peso seja perdido. Essa combinação transportou à modernidade uma sonoridade de essência e ideias antigas.
A influência das bandas pioneiras do Brasil e do mundo segue latente, com todos os secos e nostálgicos riffs "sabáticos". Detalhe para os solos, que não são duradouros e fritantes, mas são viçosos e ficam ainda mais bonitos com o pequeno grau de reverb aplicado, concedendo certa profundeza e sentimentalismo. O vocal também ganha esse reverb principalmente nas puxadas mais agudas. Sem dúvidas o nível desse trabalho é grande de música a produção.
Não é necessário qualquer tipo de receio em relação às letras em português já que elas são compostas de modo a casar com o instrumental, então tudo fica bastante natural ao invés de deslocado ou forçado. Elas falam de assuntos clichês, mas são muito bem interpretadas, principalmente nos refrões, que ficam na cabeça e brandam repetidamente o título das canções. Desse modo, fica fácil relacionar o nome à música em si, pois ao ler o título, automaticamente o refrão será tocado mentalmente. Trabalho muito foda!
Aliás, a faixa "Um Grito Na Noite" recebeu um videoclipe bem produzido pra cacete pela My Name Is Films e dirigido por Jéssica Mendonça, lançado no final de junho, pouco antes do álbum.
É muito evidente que o Maquinarios está em uma ascensão que pode merecidamente levá-los alto. É uma banda para ser ouvida mesmo por quem não é chegado em letras em português, pois ela tem a capacidade de quebrar esse gelo. Aliando isso a uma sonoridade na linha de bandas como Carro Bomba e Patrulha do Espaço, que agitam o cenário atual, não restam motivos para não dar uma chance. Tenha em mente que quanto mais se ouve, melhor fica, e logo, logo cantará as músicas. Isso sem contar que o trio claramente tem capacidade de lançar álbuns ainda melhores no futuro. O Maquinarios não inventou a roda, mas a circunferência é perfeita e roda que uma beleza!
Curtam a página dos caras no Facebook, sigam no Twitter, inscrevam-se no canal no YouTube, e adquiram os materiais! O Metal nacional precisa mesmo de representantes modernos assim que reciclam o velho e o fazem soar novo, ao mesmo tempo em que cantam em nossa língua materna! Prepare-se, pois o espírito do Rock do Maquinarios vai te levar além da estrada!

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E-mail: maquinariosmusic@gmail.com
music@asepress.com.br

TELEFONE:
(49) 9901-7753 - Matheus Andrighi


 Seis Milhas Para O Inferno (EP) (2013)

01 - Além da Estrada
02 - Cinza Espúrio
03 - Seis Milhas Para O Inferno
04 - Sentido Contramão

Download

 Intacto (2015)

01 - Um Grito Na Noite
02 - Desgovernado
03 - Além da Estrada
04 - Veneno, Sangue e Destroços
05 - Ignição
06 - Vulto Negro
07 - Anjo Ou Réu
08 - Seis Milhas Para O Inferno
09 - Intacto


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