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domingo, 2 de agosto de 2015

Impaled Nazarene - Discografia

Polêmica, extremismo, elitismo e Black Metal são assuntos que, quando combinados, dão resultados que não são novidade pra quem curte essa vertente da música extrema. É por isso que os finlandeses do Impaled Nazarene sempre deram o que falar. Já correram risco de terem lançamento de álbum banido; já tiveram shows cancelados; já sofreram e ainda sofrem muita crítica acerca do irreverente conteúdo lírico; já tiveram até mesmo rixa com a cena norueguesa de Black Metal... a lista continua. Bem ou mal, esses eventos tornam a banda ainda mais chamativa.
Entretanto, nem só de polêmicas é feito o Impaled Nazarene; eles fazem por onde musicalmente. Muito embora os caras pareçam limitados e estreitos em seus pensamentos - vide as entrevistas que concedem -, a sonoridade é bastante versátil no âmbito extremo. Mesmo que sempre tenham se assentado num devastador Black Metal, podemos desfrutar de muita competência e coesão em um verdadeiro passeio por vários dos gêneros mais pesados (como Grindcore, Punk, Thrash Metal, Death Metal, entre outros) ao longo da discografia, sem deixar o gênero negro para trás. Dando vida à letras que abordam temas como violência, satanismo, sexo, política (de certa forma com o anti-comunismo) e, mais evidentemente, patriotismo finlandês - relacionado ao elitismo racial ou nazismo -, a musicalidade é uma verdadeira destruição, algumas vezes até medonha. Por mais que no passar dos anos a produção tenha gradativamente se modernizado, ficando mais limpa, e as canções tenham se tornado mais abrangentes composicionalmente, o som nunca deixou de ser verdadeiramente agressivo.
Considerado um dos pioneiros da cena Black Metal na Finlândia, o Impaled Nazarene teve seu início em Oulu no começo de 1990. A ideia do nome vem de um panfleto que o vocalista e líder Mika Luttinen leu sobre Jesus Cristo de Nazaré ser um vampiro. Isso fervilhou sua imaginação, que logo traçou um paralelo com o fato de uma das únicas formas de se matar um vampiro seja empalá-lo no peito com uma estaca de prata. Então brotou o título "Nazaré Empalado", com o qual a banda foi batizada.
Inicialmente o nome do conjunto foi muito propagado devido aos discursos de ódio pelo Black Metal norueguês, criando uma espécie de rivalidade. Contudo, a treta não vingou. Rapidamente esses atos foram extintos e Luttinen diz que já até mesmo tocou com Euronymous (guitarrista do Mayhem) antes de ter sido assassinado a facadas por Varg Vikernes (Burzum).
Outro detalhe passageiro nos primeiros estágios foi a adoção do corpse paint, que eram muito populares no estilo (e ainda são nos dias de hoje), principalmente entre os noruegueses. Todavia, em vista do "boom" do estilo naquele princípio de década e da relação que as pessoas faziam entre declarações extremistas, toda a polêmica em si e o Black Metal, decidiram se distanciar disso para não serem generalizados. Com isso, o Impaled Nazarene é também uma das poucas bandas da época que se preocupavam em fazer um som extremo sem que seja necessário se preocupar também com a aparência.
A primeira formação a lançar algum registro se resumia a um quinteto composto por Mika Luttinen no vocal, Mika Pääkkö e Ari Holappa nas guitarras, Antti Pihkala no baixo e Kimmo Luttinen na bateria. Este último era o irmão mais novo de Mika Luttinen. Juntos, lançaram a demo cassete "Shemhamforash" em fevereiro de 1991, composta por 9 músicas, dentre as quais duas eram covers de Extreme Noise Terror e Deicide. Nos tempos subsequentes, a formação se mostrou bastante instável, com muita troca de membros em meio a mais trabalhos independentes lançados, como a demo "Taog Eht Fo Htao Eht" em agosto de 1991 e o EP "Goat Perversion" em fevereiro de 2002.
À altura de novembro de 1992, quando o álbum debut "Tol Cormpt Norz Norz Norz..." foi lançado através da Osmose Productions (selo com quem a banda tem contrato até hoje), a formação já era um quarteto onde alguns membros decidiram usar pseudônimos. O vocalista Mika Luttinen agora era conhecido como Mikaakim, enquanto seu irmão - agora guitarrista principal e baterista -, Kimmo Lutinen, passou a ser chamado Kimmoomik. Os demais membros eram o guitarrista Jarno Anttila e o baixista Taneli Jarva.
O álbum de estreia era uma coisa realmente medonha. Focado em um Black Metal/Grindcore/Punk sujo e energético, o trabalho se mostra extremamente furioso, alucinado. Esse extremismo diz respeito tanto à objetividade das faixas quanto no conteúdo lírico, repleto de mensagens de blasfêmia. Os vocais guturais oscilam de um demoníaco gutural fechado para um desesperado e balbuciado gutural rasgado impossível de compreender. A postura combina perfeitamente com o frio e crespo instrumental que faz com que o álbum renda, mesmo que tenha apenas 29 minutos de duração - suficientes para encaixar diversos interlúdios ambientais macabros com sons infernais de sofrimento e tortura, geralmente levados à base de teclados.
Rapidamente, em menos de um ano o segundo álbum de estúdio já foi lançado. Diferente do anterior, "Ugra-Karma" é um álbum que sacrifica a expulsão de energia imposta no primeiro disco em prol de passagens mais rítmicas e harmônicas, mas apenas em detalhamento, sem que isso afete drasticamente a violência. Agora os finlandeses apresentam músicas um pouco mais longas e melhor trabalhadas, guiadas por uma atmosfera mais densa, flertando com algo mais atmosférico através de um teclado base que dá certo epicismo. Contudo, o teclado se limita a acompanhar os irados riffs, sem efetivamente tomar a posição de protagonista.
Pouco após o lançamento, todos os membros passaram a ser conhecidos por nomes artísticos, e os dois que já eram, alteraram. Mika Luttinen agora mudou para Mr. M. L. G-D-6th e Kimmo Luttinen para Sir Luttinen, enquanto Taneli Jarva adotou The Fuck You-Man e Jarno Anttila escolheu Dr. J-Ace.
Dessa forma, novamente apenas um ano separa a data de lançamento de um álbum para o próximo, pois, em 1994, o terceiro registro de estúdio, intitulado "Suomi Finland Perkele", saiu. Esse trabalho foi resultado dos pitacos que Kimmo Luttinen dava nas composições, provocando uma certa mudança que deixou os demais membros insatisfeitos. Para um ouvinte, a mudança não é tão drástica, e para quem gosta de algo mais melódico, é até bem-vinda, mas para Mika Luttinen, foi o fim do mundo e uma descaracterização do que o Impaled Nazarene vinha sendo.
O frio Black Metal se mantém, mas elementos Punk aparecem de forma um pouco mais viçosa, em perfeita fusão, tornando os arranjos mais harmônicos, estilísticos. O Punk também contribuiu com a introdução de backing vocals em coros típicos do estilo em algumas passagens. Mas, claro, são gritos de profanação. Para quem gosta de algo um pouco mais melódico e menos retilíneo, o disco pode ser um ponto de partida, cheio de passagens marcantes para se apegar como referência em novas audições, coisa que a banda tinha em escassez nos discos anteriores devido a objetividade e limitação da sonoridade.
A contribuição de Kimmo nessa mudança de sonoridade com certeza não era esperada por quem acompanhava a banda, e nem mesmo pelos demais membros. Eventualmente, com os nervos à flor da pele, os irmãos Luttinen brigaram seriamente em 1995. Pouco depois, durante as gravações do EP "Hamnasnas" (que nunca foi lançado), os desentendimentos relacionados a Kimmo se estenderam até o baixista Taneli Jarva, inevitavelmente resultando na saída do músico. Felizmente, Kimmo e Taneli fariam as pazes em 1998 e fundariam juntos uma nova banda chamada The Black League, que fazia Gothic Metal e só encerraria suas atividades em 2014, após cinco álbuns lançados.
Sem Kimmo Luttinen, que exercia as funções de principal guitarrista e baterista, a banda ganhou um verdadeiro buraco na formação. Decidiram, portanto, seguir apenas com a guitarra de Jano Antilla e preencher a vaga de baterista com Reima Kellokoski, preservando a configuração de quarteto. Além disso, a banda optou por abandonar os nomes artísticos e utilizarem seus nomes reais.
Em vista da turbulência que se assolou nos céus do grupo com as brigas, o ritmo de lançamento de um álbum por ano foi quebrado. Mesmo assim, não tardou tanto para que o quarto álbum saísse.
Com ânimos renovados e criatividade mais inflada, os finlandeses marcaram o ano de 1996 com o lançamento do poderoso álbum "Latex Cult", onde os elementos Punk se consolidam de vez na sonoridade, em alto grau de coesão, tornando-o digno de ser referência nessa fusão. Os atributos positivos do momento geraram um álbum impressionante, porradeiro e bastante energético. Sem dúvidas, é o trabalho mais insano e desesperado lançado até aquele momento. Certa diferença também aparece no vocal de Mika, que dota de um rasgado mais aberto e assimilável.
O retorno da grande exploração Punk gerou um álbum de longa lista de canções, porém, curta duração (apenas 30 minutos), a exemplo do primeiro. No entanto, essa meia-hora rende muito devido à homogeneidade das canções.
Após o lançamento, outra baixa aconteceu na formação. Dessa vez quem estava de saída era o baixista Taneli Jarva, afim de se dedicar integralmente ao The Black League. Por isso, Jani Lehtosaari foi recrutado em seu lugar, ele que também se tornou guitarrista e trouxe de volta os duetos de guitarras.
Como resultado da mudança, saiu o álbum "Rapture" em 1998, um dos trabalhos mais simples e pobres da discografia, composicionalmente falando. Ele se apresenta na forma de um Black Metal/Punk bastante retilíneo, direto ao ponto. Não tem muita firula ou jogadas que exigem um pouco mais de criatividade ou fazem o ouvinte se apegar mais facilmente. Porradaria resume o registro. Sem interlúdios. Sem passagens melódicas. Sem praticamente nada mais ameno. A tamanha violência imposta demonstra que a banda sabia o que fazer e como fazer, até pela sua simplicidade.
Mesmo com as limitações, o CD é bem prolongado pro gênero, com 37 minutos de duração. Inclusive, a partir daqui os discos passaram a ser melhor produzidos. Aqui a produção é realmente excelente, sem invenção de moda, ajudando a destacar o peso e a detectar os instrumentos com mais clareza.
Ainda naquele ano de 1998, um novo integrante foi adicionado à formação, que voltou a ser um quinteto após 7 anos. Esse integrante era ninguém menos que o guitarrista Alexi Laiho, atualmente famoso por ser vocalista e guitarrista do Children of Bodom. Naquela época, a sua agora banda principal tinha apenas um ano de vida. Então tinha tempo de sobra em mãos para se entregar no perverso Black Metal do Impaled Nazarene.
Tendo alguém como Alexi Laiho na formação, Mika Luttinen decidiu explorar o que ele tinha de melhor para oferecer e se afastar do Punk anteriormente executado, rumando em direção a algo mais criativo, melhor trabalhado, mas sem perder a essência do peso esmagador que tão fortemente marca sua sonoridade. Era o amanhecer de uma nova era na discografia. Uma era onde a banda exploraria novos horizontes e lançaria discos diferenciados que ironicamente contradizem a subconsciente noção de que esses caras não são abertos o suficiente para apostar em novos modelos de sonoridade.
De sonoridade mais polida, a nova fase da banda tem início com o álbum "Nihil". O sexto da discografia, lançado em 2000. Provavelmente, um resultado inesperado para muitos acostumados com a sonoridade dos álbuns anteriores. A abordagem é mais diversificada, harmônica e melódica, contrariando a insistente e quase retilínea porradaria dos trabalhos anteriores. "Nihil" apresenta momentos de cadência, frenéticos solos (algo difícil até então) que deixam a sonoridade batedora de cabeça à sua maneira, e uma postura vocal de Mika que não se mostra tão balbuciada mais, e sim mais "falada", propriamente dito. Interessantemente o disco é encerrado com um solo pegando na veia do feeling, digno de fechar os olhos e se deixar levar.
Claro, o trabalho é pesado, tal como é a exigência da banda, sem contar a excelente produção. Os caras não deixaram a peteca cair em sua tradicional agressividade, ao passo em que souberam acoplar inteligentemente novos elementos e dar origem ao álbum mais deslocado da discografia até então. Mesmo com os flertes com Melodic Death Metal e o maior empenho na confecção das canções, a tradição de lançarem álbuns rápidos se manteve intacta: o tempo total de duração é de 32 minutos.
O ano de 2000 ainda foi marcado por mais agitação: em agosto foi lançada pela Solardisk Records a split "Impaled Nazarene/Driller Killer". Como o próprio nome indica, é um trabalho colaborativo; por sua vez, em novembro, foi lançada pela Osmose Records a primeira compilação da discografia, intitulada "Decade of Decadence", contando com incríveis 33 faixas. O ano também é encerrado com a notícia de que o guitarrista Alexi Laiho não mais fazia parte da banda, após dois anos de trabalho. Daquele momento em diante teria mais tempo para se dedicar ao Children of Bodom e eventualmente crescer com a banda ao longo dos anos seguintes. Outra baixa foi a do baixista Jani Lehtosaari. Rapidamente suas vagas foram preenchidas por Teemu Raimoranta (ex-Finntroll) e Mika Arnkil, respectivamente, e os trabalhos para mais um álbum de estúdio recomeçaram ligeiramente.
Com nova formação, pseudônimos voltaram a ser utilizados. A formação, portanto, agora é composta da seguinte maneira: Slutti666 (Mika Luttinen, vocal), Onraj 9mm (Jarno Anttila, guitarra), Somnium (Teemu Raimoranta, guitarra), Arc v 666 (Mika Arnkil, baixo) e Repe Misanthrope (Reima Kellokoski, bateria). Todavia, esse não foi o único antigo costume a ser ressuscitado. Outro muito bom também voltou: o de lançar um álbum por ano.
Por isso, já em 2001 os finlandeses apresentaram o álbum "Absence of War Does Not Mean Peace". Com direito a até faixa de introdução, podemos apreciar um álbum que segue abrindo o leque de recursos e mantém a crescente tendência iniciada em "Nihil". Porém, apesar de trazer músicas melhor estruturadas com arranjos bem desenhados e composições interessantes, abrangentes, ele aposta em um andamento mais cadenciado, com momentos bem melódicos e teclados apoiando na base. Claro que se trata de um álbum pesado e carregado de ira, mas não tão homogêneo quanto era a banda nos primeiros estágios. Certamente é um disco que chama bastante a atenção de quem procura algo mais melódico, e faz quem gosta de porrada pura torcer o nariz.
Surpreendentemente, uma tragédia aconteceu em 2003, provocando uma dolorosa baixa nas formações do Impaled Nazarene e do Finntroll: o guitarrista Teemu Raimoranta, ou Somnium, morreu após cair ou saltar da ponte Kaisaniemi em Helsinque e se chocar com o gelo logo abaixo. Apesar da causa oficial da morte ter sido relatada como intoxicação por álcool (levando-o a acidentalmente cair da ponte), Mika Luttinen especula que Raimoranta possa ter cometido suicídio. O incidente aconteceu pouco após a finalização do EP acústico "Visor Om Slutet", do Finntroll, que, quando lançado naquele mesmo ano, foi dedicado à sua memória.
Não foi apenas o Finntroll que lançou o último um último disco com Raimoranta naquele tempo, já que 2003 também é o ano de lançamento do oitavo álbum de estúdio do Impaled Nazarene, intitulado "All That You Fear". Na data de lançamento, já contavam com o substituto Tuomo Louhio, que seguiu bem com a banda.
Esse é provavelmente o álbum mais complexo e maduro já lançado pela banda no que diz respeito à competência com a qual conseguiram passear por diferentes estilos metálicos sem perder sua essência. Voltando no tempo, seria difícil imaginar que aquela banda que só tocava Black Metal/Punk fosse um dia se render a tanta diversidade e ainda fazer um grande trabalho. De porteiras abertas, o conjunto se deixou influenciar por estilos que só acrescentaram na sonoridade e deram uma nova roupagem ao violento e pegado Black Metal executado com violência e brilhantismo na bateria, que é sensacional, cheia de viradas e blast beats, até que o Black Metal se converte em estilos como Thrash Metal e Melodic Death Metal, cheios de solos explorados com excelência. Como resultado geral, temos um trabalho de músicas intensas e teclados que apoiam com firmeza, sem muito disfarce, o que intensifica o ambiente bem preenchido das canções. Sem dúvidas, o álbum mais abrangente e assimilável da discografia. Entretanto, longe de cair no gosto dos mais puristas.
Já em 2005, enfim saiu o primeiro disco ao vivo dos finlandeses. Gravado em dezembro de 2004 no clube Tavastia em Helsinque, na Finlândia, "Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces" contém 26 faixas que totalizam uma hora e sete minutos de pura blasfêmia.
O live precede o nono e intrigante álbum de estúdio que exala patriotismo, chamado "Pro Patria Finlandia". Sucesso comercial que rendeu uma extensiva turnê que passou por mais de trinta países em quatro continentes ao lado de bandas como Cannibal Corpse, Mayhem e Dark Tranquillity, este é um álbum que contraria a tendência melódica que vinha sendo alimentada desde 2000 com "Nihil". "Pro Patria Finlandia" é um álbum que retoma uma sonoridade mais purista, livre de teclados e cadências. De forma longínqua, trás flashes dos primeiros discos em se tratando da resolução em uma devastadora agressividade. Porém, diferentemente dos primórdios, aqui podemos apreciar uma produção moderna e limpa que valoriza as intensas palhetadas e toda a fúria descontrolada da bateria, que é muito bem mixada e é o principal motor desse desesperado e energético som. A bateria dita o ritmo e é muito foda mesmo com a falta de criatividade demonstrada por meio da carência de recursos e incessantes blast beats, transições e mais variações de blast beats no decorrer de todos os 38 minutos de álbum.
De qualquer forma, a musicalidade é bem crua, veloz e seca, oscilando entre o Black Metal puro e o Melodic Black Metal, abusando de solos que complementam a velocidade dos riffs e empregam excitantes alavancadas. Trabalho bem técnico e certamente capaz de chamar de volta a atenção dos que preferiam o Impaled Nazarene mais ríspido.
Em 2007 houve outra alteração na função de guitarrista. Tuomo Louhio havia sido substituído por Tomi Ullgrén (Shape of Despair) para a gravação do álbum "Manifest", lançado em 2010. Trata-se do álbum mais distante do Black Metal e também o mais longo, com 50 minutos de duração. Ele é calcado num avassalador e exímio híbrido de Black Metal e Thrash Metal, onde o segundo se sobrepõe e faz da sonoridade um assalto Thrash verdadeiramente bisonho, esmagador e de enorme competência. Embora apresente momentos que se arrastem um pouco mais e outros mais rítmicos com belas harmonias, o disco preserva a costumeira violência imposta através da velocidade, com bateria e riffs sedentos e alucinados.
Certamente estamos falando de outro trabalho cru, bem direto, sem tanta invenção de moda com efeitos extras, exceto pelos teclados em "Mushroom Truth", que são épicos como em uma batalha, e "Funeral For The Despicable Pigs", soando como num funeral e complementando assim o tema. Além da objetividade de uma sonoridade raivosa, o assalto também ganha contornos mais definidos com seus maravilhosos solos dignos de qualquer Thrash Metal de ponta, ricos em velocidade, técnica e excelente exploração da alavanca. É um álbum mega aconselhado pros thrashers.
Novidades só voltaram a surgir três anos mais tarde, em 2010, quando o guitarrista base Jarno Anttila deixou o conjunto. Com sua saída, a banda voltou a ser configurada em um quarteto e não pretende substituí-lo.
Dois mil e dez também foi ano de lançamentos, a começar pelo EP de 8 minutos "Enlightment Process", que saiu no dia 19 de novembro, subsequenciado pelo álbum "Road To The Octagon" no dia seguinte. Esse disco abre (ou reabre) mais uma nova (velha, né) era na discografia, mas não uma era de novidades, e sim de volta às origens. Ignorando a roupagem dos últimos álbuns, o registro se caracteriza por utilizar da produção moderna na confecção de um som das antigas. O modelo de composição de faixas rápidas resultando em álbuns de curta duração é retomado. Com seus 33 minutos totais de duração, "Road To Octagon" tem uma sonoridade tão veloz quanto o tempo de duração de suas músicas. Por mais que nos brinde com um peso sufocante nas distorções exaladas por um Black Metal maleável o suficiente para decair ao Speed, tirar elementos Punk da manga e trazer flashes do Thrash Metal do "Manifest" à superfície, o disco me parece confuso e pouco inspirado. A atmosfera é turbulenta, com a intensidade de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e os instrumentos misturando-se entre si sem demonstrar harmonia. É complicada a assimilação. Dificultando ainda mais para escolher um ponto de referência, os solos são explorados muito moderadamente, e quando aparecem, são bem modestos em técnica e duração. Mesmo com os fortes negativos, o clima caótico de correria e desespero deixa o ouvinte elétrico. Muita raiva é transmitida.
Passados mais três anos, os finlandeses voltam à lista de lançamentos com um dos menores EPs que alguém pode ouvir na vida, chamado "Die In Holland". São apenas duas faixas, sendo que a de abertura é homônima, e a segunda é um cover do The Exploited. Juntas elas somam 3 minutos e 53 segundos.
A espera pelo 12º álbum de estúdio teve fim em 2014 com o lançamento de "Vigorous and Liberating Death". Nunca a banda tinha ficado quatro anos sem lançar álbum de inéditas. De qualquer forma, a espera sem sombra de dúvidas valeu a pena para os fãs mais tradicionais. É o trabalho que mais se aproxima dos primeiros álbuns, não apenas pela sonoridade que junta Black Metal, Death Metal e elementos Punk, mas também pela produção retrô, abafada, suja. São 33 minutos de uma sonoridade veloz, cruel, crespa e abominável. Sem firulas, sem polimento, bem rústico. O máximo de diferente são alguns sons ambiente em alguns momentos dependendo da canção, só para melhor ilustrar as letras contidas, assim como acontecia nos primórdios. Excelente álbum flashback. Lançar álbuns assim é uma jogada ousada nos tempos atuais.
Fazer música de qualidade parece inerente ao cidadão finlandês. Não importa o gênero, sempre haverá uma banda com o selo Finlândia de qualidade. O Impaled Nazarene tem esse DNA. Tem toda a competência de uma banda finlandesa. São polêmicos, até contraditórios às vezes... Dizem uma coisa, fazem outra. Criticaram e se enfureceram com a pequena mudança de postura que Kimmo Luttinen provocou na sonoridade em "Suomi Finland Perkele", mas acabaram desenvolvendo o que tanto os enfureceu e ainda levaram além. Mesmo assim, são uma grande banda que não tem medo de fazer o que achar conveniente, desde que esteja fazendo aquilo que os deixa bem. Metal extremo de primeira linha!


 Shemhamforash (Demo) (1991)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)


 Taog Eht Fo Htao Eht (Demo) (1991)

01 - Nuctemeron of Necromanteion
02 - Condemned To Hell
03 - Impurity of Dawn
04 - The Crucified
05 - Infernus
06 - Morbid Fate
07 - Ave Satanas
08 - In The Name of Satan
09 - Fall To Fornication
10 - Damnation (Raping The Angels)


 Goat Perversion (EP) (1992)

01 - Noisrevrep Taog
02 - In The Name of Satan
03 - Noisrevrep Eht Retfa
04 - Damnation (Raping The Angels)


 Tol Cormpt Norz Norz Norz... (1992)

01 - Apolokia
02 - I Al Purg Vonpo/My Blessing (The Beginning of The End)
03 - Apolokia II: Aikolopa 666
04 - In The Name of Satan
05 - Impure Orgies
06 - Goat Perversion
07 - The Forest (The Darkness)
08 - Mortification/Blood Red Razor Blade
09 - The God (Symmetry of Penis)
10 - Condemned To Hell
11 - The Dog (Art of Vagina)
12 - The Crucified
13 - Apolokia III: Agony
14 - Body-Mind-Soul
15 - Hoath: Darbs Lucifero
16 - Apololokia Finale XXVII A.S.
17 - Damnation (Raping The Angels)
18 - Ghost Riders (Stan Jones Cover) (Bonus Track)
19 - Sadogoat (Bonus Track)
20 - Noisrevrep Taog (Bonus Track)
21 - Taog Eht Fo Htao Eht (Demo 1991) (Bonus Track)


 Ugra-Karma (1993)

01 - Goatzied
02 - The Horny and The Horned
03 - Sadhu Satana
04 - Chaosgoat Law
05 - Hate
06 - Gott Ist Tot (Antichrist War Mix)
07 - Coraxo
08 - Soul Rape
09 - Kali-Yuga
10 - Cyberchrist
11 - False Jehova
12 - Sadistic 666/Under A Golden Shower


 Suomi Finland Perkele (1994)

01 - Intro
02 - Vituksen Multihuipennus
03 - Blood Is Thicker Than Water
04 - Steelvagina
05 - Total War - Winter War
06 - Quasb/The Burning
07 - Kuolema Kaikille (Paitsi Meille)
08 - Let's Fucking Die
09 - Genocide
10 - Ghettoblaster
11 - The Oath of The Goat


 Latex Cult (1996)

01 - 66.6 S of Foreplay
02 - 1999: Karmakeddon Warriors
03 - Violence I Crave
04 - Bashing In Heads
05 - Motörpenis
06 - Zum Kotzen
07 - Alien Militant
08 - Goat War
09 - Punishment Is Absolute
10 - When All Golden Turned To Shit
11 - Masterbator
12 - The Burning of Provinciestraat
13 - I Eat Pussy For Breakfast
14 - Delirium Tremens


 Rapture (1998)

01 - Penis Et Circes
02 - 6th Degree Mindfuck
03 - Iron Fist With An Iron Will
04 - Angel Rectums Do Bleed
05 - We're Satan's Generation
06 - Goatvomit and Gasmasks
07 - Fallout Theory In Practise
08 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
09 - Healers of The Red Plague
10 - The Pillory
11 - The Return of The Nuclear Gods
12 - Vitutation
13 - JCS
14 - Nuclear Metal Retaliation
15 - Inbred
16 - Phallus Maleficarum (Bonus Track)
17 - Transvestite (Bonus Track)
18 - Motörpenis (Bonus Track)
19 - Bashing In Heads (Bonus Track)
20 - I Eat Pussy For Breakfast (Bonus Track)
21 - Whore (Bonus Track)
22 - Violence I Crave (Bonus Track)
23 - Goat Perversion (Bonus Track)
24 - Hoath- Darbs Lucifero (Bonus Track)
25 - Goat Perversion (Reprise) (Bonus Track)


 Nihil (2000)

01 - Cogito Ergo Sum
02 - Human-Proof
03 - Wrath of The Goat
04 - Angel Rectums Still Bleed: The Sequel
05 - Post Eclipse Era
06 - Nothing Is Sacred
07 - Zero Tolerance
08 - Assault The Weak
09 - How The Laughter Died
10 - Nihil


 Impaled Nazarene/Driller Killer (Split) (2000)

01 - Impaled Nazarene: Impotent Mankind
02 - Driller Killer: How Come?
03 - Impaled Nazarene: I Couldn't Care Less (Driller Killer Cover)
04 - Driller Killer: Ghettoblaster (Impaled Nazarene Cover)


 Decade of Decadence (Compilation) (2000)

01 - Intro
02 - Condemned To Hell
03 - The Crucified
04 - Disgust Suite O:P I
05 - Morbid Fate
06 - Disgust Suite O:P II
07 - Worms In Rectum
08 - Conned Thru Life (Extreme Noise Terror Cover)
09 - Crucifixation (Deicide Cover)
10 - Nuctemeron of Necromanteion
11 - Condemned To Hell
12 - Impurity of Dawn
13 - The Crucified
14 - Infernus
15 - Morbid Fate
16 - Ave Satanas
17 - In The Name of Satan
18 - Fall To Fornication
19 - Damnation (Raping The Angels)
20 - Noisrevrep Taog
21 - In The Name of Satan
22 - Noisrevrep Eht Retfa
23 - Damnation (Raping The Angels)
24 - The Black Vomit (Sarcófago Cover)
25 - Ghost Riders (Stan Jones Cover)
26 - Sadogoat
27 - I Am The Killer of Trolls
28 - Kill Yourself (S.O.D. Cover)
29 - Burst Command 'Til War (Sodom Cover)
30 - Nuclear Metal Retaliation
31 - Instrumental I
32 - Instrumental II
33 - Instrumental III


 Absence of War Does Not Mean Peace (2001)

01 - Stratagem
02 - Absence of War
03 - The Lost Art of Goat Sacrificing
04 - Prequel To Bleeding (Angels III)
05 - Hardboiled and Still Hellbound
06 - Into The Eye of The Storm
07 - Before The Fallout
08 - Humble Fuck of Death
09 - Via Dolorosa
10 - Nyrkillä Tapettava Huora
11 - Never Forgive
12 - Satan Wants You Dead
13 - The Madness Behind


 All That You Fear (2003)

01 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
02 - Armageddon Death Squad
03 - The Endless War
04 - The Maggot Crusher
05 - Curse of The Dead Medusa
06 - Suffer In Silence
07 - Halo of Flies
08 - Recreate Thru Hate
09 - Goat Seeds of Doom
10 - Even More Pain
11 - Tribulation Hell
12 - Urgent Need To Kill
13 - All That You Fear


 Death Comes In 26 Carefully Selected Pieces (Live) (2005)

01 - Intro
02 - The Horny and The Horned
03 - Armageddon Death Squad
04 - Goat Perversion
05 - 1999: Karmageddon Warriors
06 - Motörpenis
07 - Kohta Ei Naura Enää Jeesuskaan
08 - The Endless War
09 - Sadhu Satana
10 - Ghettoblaster
11 - Coraxo
12 - Soul Rape
13 - Sadistic 666/Under A Golden Shower
14 - Zero Tolerance
15 - The Maggot Crusher
16 - Let's Fucking Die
17 - Tribulation Hell
18 - We're Satan's Generation
19 - Cogito Ergo Sum
20 - Goat Seeds of Doom
21 - Condemned To Hell
22 - Intro S.F.P.
23 - Sadogoat
24 - Vitutuksen Multihuipennus
25 - The Lost Art of Goat Sacrificing
26 - Total War - Winter War


 Pro Patria Finlandia (2006)

01 - Weapons To Tame A Land
02 - Something Sinister
03 - Goat Sodomy
04 - Neighbourcide
05 - One Dead Nation Under Dead God
06 - For Those Who Have Fallen
07 - Leucorrhea
08 - Kut
09 - This Castrated World
10 - Psykosis
11 - Contempt
12 - I Wage War
13 - Cancer
14 - Hate - Despise - Arrogance


 Manifest (2007)

01 - Intro: Greater Wrath
02 - The Antichrist Files
03 - Mushroom Truth
04 - You Don't Rock Hard
05 - Pathogen
06 - Pandemia
07 - The Calling
08 - Funeral For Despicable Pigs
09 - Planet Nazarene
10 - Blueprint For Your Culture's Apocalypse
11 - Goat Justice
12 - Die Insane
13 - Original Pig Rig
14 - Suicide Song
15 - When Violence Commands The Day
16 - Dead Return


 Enlightenment Process (EP) (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - Ghettoblaster
03 - Kali-Yuga


 Road To The Octagon (2010)

01 - Enlightenment Process
02 - The Day of Reckoning
03 - Corpses
04 - Under Attack
05 - Tentacles of The Octagon
06 - Reflect On This
07 - Convulsing Uncontrollably
08 - Cult of The Goat
09 - Gag Reflex
10 - The Plan
11 - Silent and Violent Type
12 - Execute Tapeworm Extermination
13 - Rhetoric Infernal


 Die In Holland (EP) (2013)

01 - Die In Holland
02 - Let's Start A War (The Exploited Cover)


 Vigorous and Liberating Death (2014)

01 - King Reborn
02 - Flaming Sword of Satan
03 - Pathological Hunger For Violence
04 - Vestal Virgins
05 - Martial Law
06 - Riskiarvio
07 - Apocalypse Principle
08 - Kuoleman Varjot
09 - Vigorous and Liberating Death
10 - Drink Consultation
11 - Dystopia A. S.
12 - Sananvapaus
13 - Hostis Humani Generis


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