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sábado, 15 de agosto de 2015

Cruachan - Discografia

Não há dúvidas de que o Folk Metal é um gênero muito popular hoje em dia. O resgate cultural do estilo através de letras e instrumentos tradicionais de determinada época ou civilização conquistou de jeito a atenção dos headbangers. Claro que atualmente ele está mais refinado, mais polido, coeso, consequência quase inevitável após mais de duas décadas de aprimoramento. Mas em nem todos os estilos as bandas pioneiras ganham o respeito e audições que merecem, e isso infelizmente acontece no Folk, exceto por uma banda: o Cruachan. Não foram os primeiros a surgir, mas fazem parte da onda pioneira e com certeza é a banda mais mencionada e aclamada entre os pais fundadores desse tão apreciado estilo folclórico.
Formado em Dublin, na Irlanda, o Cruachan conta com uma discografia onde cada álbum é marcante à sua maneira, seja por aspectos positivos ou negativos em quesitos produtivos ou criativos/musicais. Baseados na cultura celta - e algumas vezes nas mitologias de J. R. R. Tolkien -, demonstram uma musicalidade bastante à caráter de sua naturalidade irlandesa.
Começaram aplicando unicamente Black Metal em meio ao Folk, mas, rapidamente, com a chegada da vocalista Karen Gilligan em 1999, essa característica foi amenizada e o som se tornou mais melódico. Porém, progressivamente o Black foi voltando ao longo dos discos, até que Karen saiu em 2008 e o estilo negro ficou mais evidente e denso. O que nunca mudou de fato foi o atributo que os torna inconfundíveis, que é exatamente o Folk e toda a sua alegria exposta com instrumentos tradicionais de sopro, cordas e arco.
Tudo começou em 1991, quando o multi-instrumentista Keith Fay pegou pra ouvir o debut "The Wayward Sons of Mother Earth", do Skyclad (os grandes pioneiros do Folk), lançado ainda naquele ano. Fay ficou maravilhado com a expansão das bordas do que é possível fazer com o Metal. Influenciado pela proposta medieval dos ingleses, decidiu extinguir a banda que havia acabado formar em 1991 - o Minas Tirith, baseado em Tolkien -, e fundar o Cruachan em 1992, que seguiria linha similar. O nome foi escolhido em homenagem à Cruachan, a capital do império irlandês medieval de Connacht, e atualmente também é o nome dado ao sítio arqueológico de Rathcroghan, também na Irlanda.
Após a formação ficar estabelecida com Keith Fay (vocal, guitarra e baixo), Leon Bias (violão e bouzouki), Jay O'Neill (bateria e percussão), Collete O'Fathaigh (teclados) e John Fay (flautas), saiu em 1994 a primeira e rústica fita demo, intitulada "Celtica". O trabalho rendeu  um contrato com a Nazgul's Eyrie Productions, possibilitando a distribuição do primeiro álbum da discografia.
Já com um sexto membro adicionado (John Clohessy no baixo, liberando Keith Fay da função), sai em abril de 1995 o debut "Tuatha Na Gael". A primeira coisa que se nota é, de cara, a produção. Como muito comumente acontecia nos primeiros trabalhos das bandas novas daquela época, a qualidade da gravação deixava a desejar. Quando há apenas trechos limpos de Folk, o som é claro e agradável, mas, naturalmente, quando entra o Metal com o peso de suas guitarras, a gravação demonstra sua limitação e distorce, tornando as músicas ácidas e um tanto abafadas. Mesmo com esse infeliz detalhe, ainda dá pra apreciar bem o trabalho feito nesse álbum, que é calcado num tradicional Black Metal alicerçado com os instrumentos folclóricos de cordas e sopro. Uma vez que o Black Metal se manifesta em sua forma mais tradicional desde os riffs à técnica vocal gutural - que é bem rasgada, na raça -, o resultado fica bastante pagão e perverso. Esse tipo de vocal é o único explorado no trabalho, com exceção de algumas quedas limpas com drive.
Instrumentalmente, o disco apresenta vários momentos diferentes e interessantes no transcorrer das canções. Passa de momentos mais calmos e ambientais puramente Folk com exploração de flautas, teclados e sons ambientais, para momentos mais agressivos com a frieza do Black Metal. Quando ambos se unem, a sonoridade por vezes se mantém agressiva e, por outras, se transforma em Heavy Metal clássico, mas sem deixar a peteca cair.
Apesar da pobre produção, a banda se mostrava promissora. Por isso chamaram a atenção da poderosa Century Media Records, que logo ofereceu um contrato. Entretanto, ao visualizar os termos para a assinatura, os irlandeses desanimaram pois a gravadora teria o direito de mudar qualquer aspecto das músicas deles, correndo o risco de perderem sua identidade e terminarem com álbuns diferentes daquilo que gostariam de fazer. Recusaram então a proposta. O impacto negativo desencadeou um desânimo total que culminou no fim do Cruachan em 1997.
Para o bem do Folk Metal, a paralisação não foi eterna. Em janeiro de 1999 a banda estava de volta à ativa com um contrato com a Hammerheart Records debaixo do braço e poucas, porém sensíveis mudanças na formação. De volta à configuração de um quinteto, Leon Bias, John Fay e Jay O'Neill deixaram o conjunto, cedendo espaço para o baterista Joe Farrell e, mais notavelmente, a vocalista Karen Gilligan, que provocaria uma brusca mudança na postura da banda, mas, claro, mantendo a proposta Folk.
Dessa forma, foi lançado em 2000 o álbum "The Middle Kingdom", que pega de surpresa quem espera algo na linha do "Tuatha Na Gael". Agora, ao invés dos guturais de Keith Fay, é a suave voz de Karen Gilligan que assume a responsabilidade de interpretar as canções, afetando de forma direta a sonoridade, que cortou quase completamente a agressividade do Black Metal e e deu espaço a uma abordagem mais delicada, atmosférica e melódica, com teclados envolventes ditando o clima e as sensações do ambiente.
Com uma maior gama de instrumentos Folk e, consequentemente, mais possibilidades de composição, o trabalho se mostra bastante rico e explora muitos instrumentos diferentes. Eles que, em consonância com os teclados, resultam em uma sonoridade bastante feliz e dançante, dignamente gnoma, irlandesa.
A produção de fato melhora, mas não a largos passos. É mínima. Porém, melhora o suficiente para realçar bem o lado mais pesado do trabalho, que alterna entre pegadas de Heavy Metal e até mesmo Punk Rock, dependendo da música. Alguns flashes da proposta anterior brilham por vezes, como na faixa-título, onde vocais guturais rasgados são introduzidos, mas só lá mesmo. Interessantemente, vocais limpos masculinos também se fazem presentes em faixas como "Óró Sé Do Bheatha", que é bem Punk, e "Unstabled (Steeds of Macha)", aliviando o ouvinte de ter que ouvir apenas vocais femininos - não que isso seja necessariamente ruim, mas diversidade é sempre bem-vinda.
O disco é encerrado com chave de ouro através da faixa instrumental "The Butterfly", que agracia nossos ouvidos com belíssimos arranjos medievais.
Dois anos mais tarde, foi a vez do álbum "Folk-Lore" sair. Novamente, os avanços são tímidos em relação ao antecessor, exceto pela pequena melhora na produção, que deu um jeito na timbragem das guitarras. Em meio às poucas mudanças podemos destacar a abordagem um pouco menos ambiental do que aquela demonstrada em "The Middle Kingdom", e a manutenção do investimento em canções mais sentimentais, valorizando a suavidade do vocal de Karen Gilligan. Apesar disso, canções mais agressivas para a vocalista também integram o set, como a faixa de abertura "Bloody Sunday", até porque a temática exige isso. Ela conta um triste capítulo da história norte-irlandesa chamado "Domingo Sangrento", que aconteceu em 1972 durante manifestações populares, onde grupos religiosos manifestantes foram oprimidos pelas forças militares locais, deixando 14 mortos e 26 feridos. O U2, outra banda irlandesa, também escreveu um clássico sobre esse dia: "Sunday Bloody Sunday".
De qualquer forma, vocais limpos masculinos também são um pouco mais frequentemente acionados, o que pode ser observado em faixas como "The Rocky Road To Dublin", "Ossian's Return", e nas músicas tradicionais irlandesas "Spancill Hill" e a lindíssima "Ride On", que inclusive foi single e alcançou altas posições nos charts, dando à banda um pequeno gosto de sucesso comercial. Os guturais rasgados do Black Metal também retornam timidamente, apresentando-se apenas na faixa "Exiles", que fecha o disco.
Após o lançamento, o flautista John O'Fathaigh deixa o conjunto e não é substituído. Ao invés disso, a banda passa a contar com membros de sessão para o álbum subsequente.
Já em 2004, o álbum "Pagan" é lançado, via Karmageddon Media Records. Embora o álbum utilize mais um belo instrumento nas canções (o cello), a produção novamente deixa a desejar e as diferenças são minúsculas. Entretanto, vocais limpos masculinos são mais intensamente explorados, bem como uma maior incidência do Black Metal e guturais, tornando as faixas eventualmente mais pegadas. Elas inclusive são mais secas, distanciando-se definitivamente daquela jogada mais envolvente. A última faixa, "The Fall of Gondolin", é regravação da faixa de mesmo nome originalmente lançada no álbum de estreia "Tuatha Na Gael".
Para o próximo álbum, o flautista John Ryan foi oficialmente recrutado. Voltando ao mesmo estúdio onde gravaram os primeiros álbuns, a banda se empenhou na composição daquele que é - justamente, diga-se de passagem - considerado por muitos fãs e pelo próprio Keith Fay o melhor da banda: "The Morrigan's Call".
Lançado em 2006, é muito claro que, nesse trabalho, algo deu muito, muito certo, pois as canções simplesmente estão muito melhores. Melhores que nunca! Com toda certeza esse é o álbum mais consistente e convincente da discografia. O amadurecimento gerou canções realmente sólidas, que evidenciam uma clara segurança por parte do conjunto. Combinando muita inspiração e alegria a uma produção enfim excelente de verdade (pesada, clara, muito bem feita), é possível sentir a energia e vivacidade do trampo!
Vale relembrar que a banda começou com um intenso Black Metal acoplado ao Folk Metal, com ocasionais elementos Punk, e após abolir essa característica, ela foi, aos poucos e timidamente, inserindo-o de volta. Após toda essa progressão, chegamos ao auge da plenitude nesse álbum! Agora os antigos atributos estão bem mais presentes, mas na correta medida, sem se sobressair demais. Como resultado, geraram-se excelentes duetos entre os vocais masculinos (que alternam entre vocais limpos e guturais) e femininos, sobrepondo um instrumental forte, marcante e energético, sem dúvidas exalando identidade. As músicas são bem polidas e esbanjam o melhor que o Cruachan é capaz de fazer.
Mudanças no line-up marcaram os tempos subsequentes, e uma delas teve impacto direto na forma como a banda soa. A primeira baixa aconteceu em 2006 mesmo. Por diferenças pessoais, o baterista Joe Farrell deixou o conjunto pouco após o lançamento, e acabou sendo substituído por Colin Purcell. Na sequência, o flautista John Fay retornou à banda. Mas a mudança mais sensível ocorreu em 2008, quando a vocalista Karen Gilligan decidiu sair da banda "por diversas razões". Keith Fay poderia até convocar outra vocalista, porém, optou por promover uma nova mudança na banda, resgatando a antiga essência e acoplando-a à produção moderna. Com isso, ele volta a ser vocalista principal, explorando vocais guturais e também vocais limpos com fortíssimos drives.
O impacto da mudança pode ser testemunhado através do álbum "Blood On The Black Robe", lançado em 2011 após assinar com a gigante Candlelight Records. Trata-se de um álbum bem pesado, de punho firme. Com produção fodaça e uma atmosfera densa, engolfante, esse álbum are mão daquela clássica alegria em prol de uma postura mais séria e obscura. Essas características negras realçam bastante a natureza pagã da banda, tornando tudo intimidador. Uma vez que o Black Metal está um pouco mais forte, as canções também ganham contornos mais violentos, com uma bateria mais pegada e riffs mais rápidos, contudo, sem deixar a natureza Folk de lado, ela que também se mostra tão negra quanto o Metal.
Embora Karen Gilligan tenha deixado o conjunto, ela ainda contribuiu como membro de sessão em algumas faixas como "An Bean Sidhe" e "The Voyage of Bran". Certamente se trata de um álbum muito foda!
No ano seguinte, a banda passou por uma grande reformulação na formação que deixou o vocalista e guitarrista Keith Fay, o flautista John Fay e o violinista John Ryan como únicos remanescentes. O conjunto passou a contar com Kieran Ball na outra guitarra, Eric Fletcher no baixo e Mauro Frison na bateria e percussão.
Na sequência, o contrato com a Candlelight Records foi rescindido para assinar com a Trollzorn Records, selo especializado na linha Folk. Sob sua tutela saiu em 2014 "Blood For The Blood God", o sétimo álbum de estúdio da discografia.
O disco reflete bem a "mania" da banda de dar início a uma proposta e apresentar progressividade no desenvolvimento ao longo dos álbuns. Por isso ele parece uma continuação ainda mais seca e obscura do trabalho anterior. A produção é matadora, muito clara, e as canções são ainda mais intensas, impondo um Black Metal mais latente através de riffs que aludem com clareza à tradicionalidade do estilo.
Apesar do Folk se manter firme como dita o manual da banda, ele desaparece em várias passagens e passa a bola para trechos unicamente metalizados. Enquanto isso, os vocais deixam de ser mais guturalizados e pendem para algo mais limpo, com fortes drives - embora a diferença seja tênue -, mas o primeiro continua aparecendo em vários momentos. Vocais femininos também são encaixados em alguns poucos trechos de algumas canções, emprestados da vocalista de sessão Barbara Allen, mas nada que mude dramaticamente o estilo esmagador do trabalho.
É muito verdade que o Cruachan não foi uma banda forte durante a discografia inteira. Pode-se dizer que só passaram a ser sólidos de fato a partir de 2006, com o lançamento do álbum "The Morrigan's Call". Ainda assim, a importância de bandas como eles e o Skyclad no impulsionamento e popularização do Folk Metal é grande, já que muitas bandas se inspiraram nesses caras que deram os primeiros passos do gênero. E não há dúvidas de que os irlandeses são reconhecidos por isso e pelo seu Metal Celta, por mais que não sejam mainstream e muitos nunca tenham ouvido nenhuma música, embora com certeza a maioria já tenha pelo menos ouvido falar. Se você é um desses, cá está uma bela chance de conferir uma das mais importantes bandas do gênero!


 Celtica (Demo) (1994)

01 - To Moytura We Return
02 - Maeves' March
03 - Cúchulainn
04 - Battle Frenzy
05 - The Voyage of Bran
06 - To Invoke The Horned God
07 - F.M.C.D.A.C.A.K.A.F.G.H.
08 - Scéal Na Fianna (Live)


 Tuatha Na Gael (1995)

01 - I Am Tuan
02 - The First Battle of Moytura
03 - Maeves' March
04 - Fall of Gondolin
05 - Cúchulainn
06 - Taín Bó Cuailgne
07 - To Invoke The Horned God
08 - Brian Boru
09 - To Moytura We Return


 Promo '97 (Demo) (1997)

01 - Return
02 - Erinsong
03 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile


 The Middle Kingdom (2000)

01 - A Celtic Mourning
02 - Celtica (Voice of The Morrigan)
03 - The Fianna
04 - A Druids Passing
05 - Is Fuair An Chroi
06 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
07 - The Middle Kingdom
08 - Óró Sé Do Bheatha Abhaile
09 - Unstabled (Steeds of Macha)
10 - The Butterfly


 Ride On (Single) (2001)

01 - Ride On
02 - Maeves' March (2001)
03 - To Hell Or To Connaught
04 - Sauron


 Folk-Lore (2002)

01 - Bloody Sunday
02 - The Victory Reel (Instrumental)
03 - Death of A Gael
04 - The Rocky Road To Dublin
05 - Ossian's Return
06 - Spancill Hill
07 - The Children of Lir
08 - Ride On
09 - Susie Moran
10 - Exiles
11 - To Invoke The Horned God (Bonus Track)


 Pagan (2004)

01 - Michael Collins
02 - Pagan
03 - The Gael
04 - Ard Rí Na Heirann
05 - March To Cluain Tairbh
06 - Viking Slayer
07 - 1014 A.D.
08 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
09 - 1000 Years
10 - Lament For The Wild Geese
11 - Erinsong
12 - Summoning of The Sidhe
13 - The Fall of Gondolin


 The Morrigan's Call (2006)

01 - Shelob
02 - The Brown Bull of Cooley
03 - Coffin Ships
04 - The Great Hunger
05 - The Old Woman In The Woods
06 - Ungoliant
07 - The Morrigan's Call
08 - Téir Abhaile Riú
09 - Wolfe Tone
10 - The Very Wild Rover
11 - Cúchulainn
12 - Diarmuid and Grainne


 A Celtic Legacy (Compilation) (2007)

01 - I Am Tuan
02 - Cúchulainn
03 - To Invoke The Horned God
04 - Celtica (Voice of The Morrigan)
05 - Cattle Raid of Cooley (Taín Bó Cuailgne)
06 - The Middle Kingdom
07 - Death of A Gael
08 - The Children of Lir
09 - Ride On (feat. Shane McGowan)
10 - Michael Collins
11 - Some Say The Devil Is Dead (Wolfe Tones Cover)
12 - The Fall of Gondolin
13 - Little Timmy Scumbag
14 - Bloody Sunday (Unplugged)


 Blood On The Black Robe (2011)

01 - To War
02 - I Am Warrior
03 - The Column
04 - Thy Kingdom Gone
05 - An Bean Sidhe
06 - Blood On The Black Robe
07 - Primeval Odium
08 - The Voyage of Bran
09 - Brian Boru's March
10 - Pagan Hate
11 - The Nine Year War


 Blood For The Blood God (2014)

01 - Crom Cruach
02 - Blood For The Blood God
03 - The Arrival of The Fir Bolg
04 - Beren and Luthien
05 - The Marching Song of Fiach Mac Hugh
06 - Prophecy
07 - Gae Bolga
08 - The Sea Queen of Connaught
09 - Born For War (The Rise of Brian Boru)
10 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 1)
11 - Perversion, Corruption and Sanctity (Part 2)

Bonus CD:
01 - Pagan (2014 Version)
02 - Prophecy (Demo Version)
03 - Sea Queen (Demo Version)
04 - Marching Song (Demo Version)
05 - I Am Warrior (Demo Version)
06 - Pagan Hate (Demo Version)
07 - Voyage of Bran (Demo Version)


3 comentários:

  1. Excelente discografía! Gracias por compartir! Saludos desde México hasta el hermoso Brasil! \,,,/

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  2. Velhoooo eu esperava isso há anos, quanta emoção *-------*

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