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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Scars From The Last Fight - Discografia

Não há dúvidas de que se alguém diz que a música pesada no Brasil é fraca e a cena não tem boas bandas, não está por dentro do que realmente está acontecendo em nosso país. A ascensão de conjuntos com discos de bela produção e composições de evidente qualidade em todo o território nacional já não é novidade alguma, independente da vertente executada. Eventualmente, uma vez que o Metalcore é um estilo badalado atualmente, bandas brasileiras trilhando a linha também somam na conta, contribuindo com variedade "étnica" em um estilo marcado por bandas britânicas e estadunidenses.
Assim como acontece em qualquer outra vertente, ao fundir diferentes influências ao Metalcore, obtém-se distintos resultados de sonoridade. Um dos fodíssimos exemplos disponíveis hoje no país é o Scars From The Last Fight, que aposta num Metalcore menos identificável e mais magnetizado pela forte influência de bandas como Pantera, Killswitch Engage e até mesmo flashes de Black Label Society principalmente em decorrência do vocalista Diego Camargo, que alterna entre um vocal limpo bem carregado por drives e guturais rasgados e fechados. Mas até refinar a sonoridade dessa forma, claro, levou tempo, trabalho e experimentação.
Natural de Caraguatatuba, interior de São Paulo, o Scars From The Last Fight nasceu no início de 2010 por iniciativa dos amigos Diogo Serra (vocal limpo, vocal gutural e guitarra), Anderson Emídio (guitarra e vocal gutural) e Gabriel Hatoun (bateria), que compartilhavam o desejo de dar início a um projeto musical. No decorrer do ano, as ideias amadureciam e se traduziam em composições, e consequentemente, a necessidade de fechar o line-up. Foi aí que, no final do ano, o baixista Emerson Oliveira chegou, estabilizando a espinha dorsal para o primeiro lançamento.
Com isso, saiu já em 2011 o EP de estreia "Screenplay", lançado de forma independente. Listado com seis faixas e totalizando 28 minutos, o compacto apresenta uma ótima sonoridade correta e alternativa, porém, ainda não muito refinada, mas deixando um ar de que a banda tem condição de amadurecer bastante.
Com um instrumental que não se destaca tanto mas cumpre bem seu papel, o destaque vai para as linhas vocais de Diogo, que são melódicas, bem desenhadas e altas, empregando ainda um fundo de drive algumas vezes. Sua característica pode ser encontrada em algumas bandas de Alternative Rock. Os guturais de Anderson Emídio também dividem as atenções em meio aos vocais limpos de Diogo (que por vezes faz os rasgados também), aparecendo em momentos estratégicos ou backing vocals, complementando bem a sonoridade e dando um andamento mais pegado.
Interessantemente, a segunda metade é mais ousada, uma vez que conta com canções como "I Don't Believe", que é mais passional e explora bem o violão; "Lies of True", que é mais forte e impactante; e, por sua vez, a "Scars From The Last Fight", que tem um andamento que divide ritmo pegado e cadência com interessantes e variantes jogadas de riffs e um apreciável trabalho de bateria.
É bem verdade que o EP poderia ter uma produção mais clara e pesada, mas limitações impediram que isso acontecesse. As guitarras estão um pouquinho baixas e abafadas e às vezes o baixo se destaca demais. Mas para um primeiro trabalho, o resultado geral de produção é excelente e totalmente audível.
O trabalho chamou a atenção da gravadora 272 Records, de Los Angeles, que prontamente solicitou que a faixa-título integrasse a coletânea que estavam lançando. Esse foi um bom boot nos ânimos!
Mas as coisas ficaram ainda melhores com a complementação de seu currículo em 2012 com mais uma experiência que certamente auxiliou na exposição da banda: a seleção para a participação no programa televisivo Showlivre Day, da empresa Show Livre (grupo MSN). Ao obter a maior audiência entre todas as bandas envolvidas, a oportunidade se converteu num convite para uma edição exclusiva no programa Estúdio Showlivre.
Na sequência, lançaram a single "Walking Dead" em homenagem ao famoso seriado "The Walking Dead", criado por Frank Darabont e exibido originalmente no canal AMC. A canção conquistou a apreciação do ator Norman Reedus (responsável por dar vida ao personagem Daryl Dixon), que a criticou positivamente e divulgou.
Em 2013, os paulistas apareceram com mais um lançamento independente, só que, dessa vez, com duração ainda mais breve, com seus quase 8 minutos de tempo total. Trata-se de mais um EP, intitulado simplesmente como "EP 2013", que conta com três ótimas faixas, dentre as quais a primeira é uma rápida introdução esbanjando um clima misterioso. O aspecto geral das canções, sobretudo em relação à produção, é bem parecido com o do primeiro EP, mas há algumas pequenas diferenças. Os vocais guturais praticamente desaparecem, sendo possível notá-los apenas timidamente como apoio na canção "Don't Bring Me Down", essa que é uma canção com arranjos mais melódicos. Já "Malibu Rulez" é um pouco mais rítmica, percussiva, com uma excelente performance vocal de Diogo, que se mostra teatral cantando em um estilo que remonta aos Blues e Jazz. Um rápido solo pode ser apreciado no fim, algo bem-vindo e raramente explorado pela banda.
Apesar de um lançamento geralmente significar que as coisas estão fluindo, esse novo compacto marcou a despedida de Diogo Serra. Até por isso o trabalho foi muito pouco divulgado, pois agora representava uma banda que não mais tinha aquela cara. Com a saída, eventualmente duas posições ficaram vagas, já que era vocalista e guitarrista. Por isso, dois recrutamentos aconteceram: o do vocalista Diego Camargo e o do guitarrista Matheus Lorenzetti. Ambos se tornaram peças fundamentais no alcance de uma musicalidade mais pesada e agressiva em todos os aspectos.
Após colherem positivas críticas e bons resultados com os lançamentos anteriores, além dos membros originais claramente terem se entrosado bem com os novos, o foco em novas composições se intensificou. Com novas ideias, nova energia e clara paixão, o grupo apareceu em 2015 com seu primeiro álbum de estúdio completo, disponibilizado gratuitamente em seu site oficial. Independente, gravado no próprio estúdio da banda e com produção a cargo do baixista Emerson Oliveira junto do restante do conjunto, o registro (que leva o nome da banda) exibe uma sonoridade bem diferente daquela dos EPs.
Estamos falando de um som bem "pé na porta", que expulsa grande carga de energia e agressividade. Aquela pegada mais alternativa anterior deu lugar a uma competente fusão entre um técnico Metalcore e o Southern Metal, tornando a sonoridade meio texana e digna de um bar com ambiente pesado, esfumaçado e baixa iluminação, cheio de brigas. Contudo, isso diz respeito apenas à sonoridade, já que o tema lírico aborda assuntos mais pensados como valores, realidade e ações do ser humano.
De qualquer forma, as canções são coesas, estruturadas com perícia e compostas com criatividade. Não se vê repetições nos riffs. Cada faixa fala sua própria língua com seus arranjos únicos, sem que isso dissipe a sensação de se tratar do mesmo álbum, que é latente. Aliás, impossível não dar o devido destaque ao trabalho de bateria de Gabriel Hatoun, que usufrui bem de seus recursos e fez um trabalho excelente, longe de qualquer mesmice.
A sonoridade mais pesada é aguçada pela excelente produção e ganha contornos especiais através do talentoso vocal de Diego Camargo, que impõe ira, que se entrega, por meio de vocais limpos firmes e carregados de drives e vocais guturais rasgados soltos com a alma. Ele não poupa voz. E a violência vocal segue ganhando suporte com os guturais fechados de Anderson Emídio, um grande intensificador. Certamente, o álbum é punho-firme e agrada àqueles que gostam de bandas que passam essa atmosfera e postura. Algumas como Texas Hippie Coalition vêm facilmente à minha cabeça. 
Embora seja um álbum empolgante, sente-se falta de solos, que deixariam as músicas ainda mais fodas e contribuiriam com maior clima de diversidade, dando um "descanso melódico" em meio a tanta porrada. Eles chegam a ser explorados com perspicácia em canções como "Gates of Lust" - que conta com a participação especial da vocalista Nathália Sato - e "Sons of Midas", mas não é frequente, deixando uma sensação retilínea, embora os arranjos sejam bem trabalhados.
Meses após o lançamento, foi anunciada a saída do guitarrista Anderson Emídio, por razões pessoais. Até o momento, o espaço deixado pelo músico não foi ocupado novamente.
Seus trabalhos recheados de qualidade justificam a ascensão que o Scars From The Last Fight vem conquistando no cenário. Sem dúvidas, há espaço para ainda mais aprimoramento, logo, trabalhos ainda melhores no futuro, já que é composta por músicos de mão cheia que sabem o que estão fazendo e são capazes de ainda mais.
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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: info@scarsfromthelastfight.com
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 Screenplay (EP) (2011)

01 - Screenplay
02 - Promises and Illusions
03 - Promises and Illusions (Remix 2012)
04 - I Don't Believe
05 - Lies of True
06 - Scars From The Last Fight


 EP 2013 (EP) (2013)

01 - Introdução
02 - Don't Bring Me Down
03 - Malibu Rulez


 Scars From The Last Fight (2015)

01 - Relentless Reaper
02 - Bolshevik
03 - Spider
04 - Gates of Lust (feat. Nathália Sato)
05 - Moth-Eaten
06 - Sinking Alone
07 - Trusting In Fate
08 - Sons of Midas
09 - Walking Dead
10 - Wise Man


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