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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Attick Demons - Discografia Comentada

O que é aquilo? É um pássaro? É um avião pilotado pelo Bruce Dickinson? Não! É uma banda que voa alto com uma excelente sonoridade interpretada por um vocalista de timbre idêntico ao do frontman do Iron Maiden: o Attick Demons!
A forma como eu e provavelmente muitos outros a conhecemos é deplorável. A similaridade do som desses portugueses com o Iron Maiden (que é de fato sua principal referência) leva a brincalhões na internet pegarem músicas deles e soltarem como se fossem novas singles da banda inglesa. Foi numa dessas que o trouxa aqui caiu, afinal, tem vezes que músicas reais vazam antes da hora. Com o timbre de Artur Almeida praticamente clonado de Bruce e uma sonoridade que se encaixaria perfeitamente no set de álbuns como "Dance of Death", nem passou pela minha cabeça contestar a autenticidade do material. Contudo, em meio à apresentação da "nova canção", veio à tona que, na verdade, a música era "City of Golden Gates", do Attick Demons. Lado ruim? A música incrível não era da minha banda preferida. Como disse meu pai, que também se impressionou com a similaridade, "não é Iron Maiden mas é Artur 'Almeiden'". Lado bom? Ganhei a oportunidade de conhecer uma excelente banda de nossos irmãos lusitanos. Há males que vêm para o bem!
Com raízes criadas no ano de 1998 em Almada, as comparações com a Donzela surgiam já desde cedo, não apenas pelo timbre do vocalista mas também pelo Heavy Metal tradicional que executavam. No início era irritante para os membros, porém, com o tempo, acabaram se acostumando e até gostando. Segundo eles, não é culpa de Artur que a voz seja parecida com a de Bruce. É a voz dele mesmo. Nada forçado. Okay, mas a influência também é inegável, não é? A coisa é tão Maiden que há até mesmo três guitarristas na formação!
Inicialmente as comparações incomodavam tanto que na gravação do EP-demo autointitulado, lançado em 2000, o Artur tentou cantar com voz diferente, mas ficou um pouco estranho, ainda mais junto da crua sonoridade tradicional executada. Então optaram por ignorar as relações e permitir o curso natural das coisas. Mesmo com o estilo Old School, a sonoridade era sustentada por teclados no fundo, que davam um ar um pouco mais épico. Isso acabaria por influenciar o som em direção ao Power Metal, sem necessariamente se desgarrar das raízes.
Daí, bem mais tarde, ressurgiram em 2006 com a demo "Atlantis", que contém quatro faixas que eventualmente fariam parte do vindouro debut. Elas já tinham o estilo do Attick Demons atual, com Artur Almeida solto no vocal e uma sonoridade de momentos Speed, outros melódicos e, sobretudo, um estilo Iron Maiden moderno.
Após mais um tempo de trabalho, conseguiram lançar em 2011, através da Pure Steel Records, o primeiro álbum de estúdio. Nomeado da mesma forma que a demo anterior, o registro apresenta um pesado e criativo Heavy Metal que bebe de gloriosas fontes de Speed Metal e também Power Metal. Aliás, a temática mesmo é digna de Power, uma vez que "Atlantis" é conceitual, não no sentido de ser um álbum de história linear, mas que todas as canções são relacionadas com a Cidade Perdida. Mesmo que o álbum seja excelente de verdade, com canções bem estruturadas de riffs base a estonteantes solos e refrões por vezes cadenciados e decoráveis, sente-se falta da predominância de uma identidade própria. Isso não se limita apenas à estética vocal. Artur alcança as mesmas notas de Bruce Dickinson e até o drive é o mesmo, bem como a forma de composição das linhas vocais. No entanto, o intérprete também é capaz de ir além e manda agudos. Quando vai às casas altas, seu vocal torna-se parecido com o de Kai Hansen (Gamma Ray). Já no âmbito instrumental, é bastante evidente que além do Maiden, outra forte influência é o Helloween.
Mas também há espaço para surpresas com convidados especiais. O ilustre Paul Di'Anno (ex-Iron Maiden) gostou tanto do som que não cobrou um centavo sequer para gravar com eles. Sua participação pode ser apreciada na faixa-título. Já na faixa "Meeting The Queen" temos uma vocalista com um lindo soprano, embelezando uma canção que já é bela por seus trechos de violão, momentos lentos, impressionante solo que alicerça técnica e feeling, e encerramento com piano.
Em suma, a banda, composta atualmente por Artur Almeida (vocal), Luís Figueira (guitarra), Hugo Monteiro (guitarra), Nuno Martins (guitarra e teclado), João Clemente (baixo) e Ricardo Allonzo (bateria) é muito foda e faz por merecer os ouvidos dos headbangers. Som de qualidade, impressionante e até viciante. Contudo, peca na questão de que a experiência é mais como ouvirmos outras bandas do que o próprio Attick Demons. Engraçado como até o rosto e o estilo de Artur se assemelham com o de outra lenda da história do Heavy Metal: Ronnie James Dio. Só que com mais corpo. Curiosidades comparativas são mesmo rotina para o conjunto!
Atualmente os caras estão trabalhando no lançamento do segundo álbum de estúdio, mas ainda não divulgaram maiores detalhes. Se você achava que nada se parecia com Iron Maiden, aqui está a prova portuguesa de que não é bem assim!

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 Attick Demons (EP) (2000)

01 - Visions
02 - The Ideal
03 - Desert Rose
04 - Left To Breath
05 - The Believer
06 - Attick Demons

Ouvir (YouTube)

 Atlantis (Demo) (2006)

01 - The Flame of Eternal Knowledge
02 - Riding The Storm
03 - Meeting The Queen
04 - Listen To The Fool

 Atlantis (2011)

01 - Back In Time
02 - Atlantis
03 - City of Golden Gates
04 - The Flame of Eternal Knowledge
05 - Riding The Storm
06 - Sacrifice
07 - Meeting The Queen
08 - In Memoriam
09 - Listen To The Fool

Ouvir (YouTube)

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