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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Walls of Jericho - Discografia

Se o Rock por si só não é o estilo preferido de todas as pessoas, dentro dele também há vertentes mais apreciadas, enquanto outras são menos. O Hardcore é um desses gêneros que não caem no gosto de todos os ouvintes da música pesada, mesmo assim é amplamente difundido e apreciado por uma quantidade invejável de ouvintes mais underground. Apesar da fama de um estilo estreito e rigorosamente linear - de certa forma -, nem todas as bandas fazem algo assim. Os estadunidenses do Walls of Jericho até seguiam esse andar de carruagem no princípio (unindo também a elementos de Punk), mas passaram a ser uma caixinha de surpresas e introduzir também o Metalcore no decorrer dos álbuns, o que contribuiu com encorpamento e criatividade nos arranjos, e até mesmo EP acústico. Detalhe notável é o fato da linha de frente ser ocupada por uma mulher, Candace Kucsulain, que fazia uso de urrados guturais rasgados nos primeiros discos, mas depois passou a variar com guturais fechados e até vocal limpo, dependendo da música.
Tudo começou em 1998 na cidade de Detroit, no Michigan, após a dissolução das bandas Earthmover e Universal Stomp, que encontraram seu fim por volta da mesma época. A amizade entre ambas fez com que Mike Hasty (guitarra) e Wes Keely (bateria), do Earthmover, e Aaron Ruby (baixo), do Universal Stomp, unissem forças e fundassem uma nova. Era o início do Walls of Jericho. Após diversas análises sobre possíveis vocalistas, optaram por convocar Candace Kucsulain, na época membra do Apathemy, para o posto. Preencher a vaga de segundo guitarrista foi mais complicado, pois não havia um nome que almejassem, o que os levava a contar com amigos quebrando um galho para shows. Acabou que por fim Chris Rawson, um amigo próximo da banda, preencheu a vaga, fechando assim o line-up como quinteto.
Realizaram então alguns shows por Detroit nos tempos seguintes, até que assinaram com a Underestimated Records para o lançamento de seu primeiro EP no formato de fita cassete em 1999, chamado "A Day and A Thousand Years", que trás sete faixas apresentando uma forte característica Hardcore. Pouco depois ele seria relançado em CD pela Eulogy Recordings, e lançado também na Europa pela Genet Records. Os shows de divulgação do trabalho demonstrativo chamaram a atenção da Ferret e da Trustkill Records e, por considerarem que oferecia melhores condições, firmaram contrato com a segunda e encerraram o ano de 1999 com mais um lançamento: o debut "The Bound Feed The Gagged". Apesar de conter 11 faixas (algumas reaproveitadas do EP), o tempo total de duração é extremamente rápido: 22 minutos. O trabalho é cru, pegado e tradicional, naquela insistente e quase invariável pegada do Hardcore, aliada a elementos de Punk. A velocidade com que os instrumentos são tocados é proporcional à duração das faixas. Candace demonstra bastante fibra e garra em sua técnica vocal, contribuindo com imprescindível agressividade na sonoridade.
No ano seguinte os caras se apresentaram em diversos festivais de Hardcore e, em agosto, excursionaram com In Flames, Earth Crisis e Skinlab.
Em 2001 aconteceu a primeira baixa na formação com a saída do baterista Wes Keely, que se mudaria para Washington afim de concluir os estudos. Derek Grant (ex-Suicide Machines) o substituiu por cinco meses, mas também partiu para ingressar no Alkaline Trio, famosa banda de Punk Rock.
Após várias audições com candidatos à vaga de baterista, concluiu-se que não seria possível tocar o projeto adiante pois não conseguiam encontrar alguém com os atributos que desejavam. Por isso o Walls of Jericho se viu forçado a entrar em hiato. O tempo a mais livre foi aproveitado de diferentes formas pelos membros: Mike, Aaron e Chris começaram o projeto paralelo It's All Gone To Hell (sendo que Mike também trabalharia como engenheiro de som para bandas como The Black Dahlia Murder e Bloodlined Calligraphy), enquanto Candace começaria um curso de piercing que a ocuparia por dois anos.
Já em 2003, ano de "aniversário" de dois anos de paralisação, o baterista Alexei Rodriguez (ex-Catharsis) estava retornando da Alemanha e sabia da existência do Walls of Jericho. Por isso, ele mesmo convocou os membros originais para retomar as atividades, o que fatalmente ocorreu (ainda em tempo de contar com Candace, que estava prestes a prestar audições para uma banda Indie local). Rapidamente o conjunto voltou a aparecer sobre os palcos e a escrever novos materiais.
Com isso, cinco anos depois do lançamento do debut, sai em fevereiro de 2004 o interessante "All Hail The Dead". Trata-se de um álbum um pouco mais aberto, mas sem fugir muito do insistente Hardcore que era executado no primeiro. Claramente os arranjos estão mais elaborados, gerando canções com ginga, com balanço, que fogem um pouco da linearidade homogênea anterior. O evidente amadurecimento não poderia ter melhor resposta; o registro foi muito bem criticado pela mídia, gerando divulgação e impulsionando-os para o lado de bandas como Sick of It All, Hatebreed e Madball, com quem excursionaram. Shows próprios também seriam amplamente realizados.
Apesar de tudo estar indo bem, o baterista Alexei Rodriguez precisou deixar seu cargo. Porém, dessa vez, não tiveram problemas para encontrar um substituto: Dustin Schoenhofer rapidamente assumiu a posição e a banda pôde seguir realizando shows sem qualquer tipo de interrupção.
Em 2006 é a vez do álbum "With Devils Amongst Us All" sair. Ele pega de surpresa quem esperava algo na secura e objetividade dos lançamentos anteriores, e isso não diz respeito apenas à produção, mas a tudo em geral. O Hardcore segue firme, mas recebe gratos elementos mais explícitos de Punk (inclusive vocais, com aqueles backing vocals típicos e esporádicos trechos cantados em um "convocativo" vocal limpo) e também expõe o Metalcore pela primeira vez. O resultado é um trabalho com músicas inteligentes instrumentalmente, com interessantes arranjos mais complexos, riffs pausados, sem perder a já tradicional ferocidade, principalmente vocal. Surpreendentemente o set conta com uma música balada com direito a orquestração, solo e tudo: "No Saving Me". Nela, Candace prova que também tem habilidade no vocal limpo e isso também serve como explicação do porquê dela ter quase ingressado numa banda de Indie. A canção também demonstra que a banda é capaz de tocar estilos diferentes, mas não o faz por opção.
"With Devils Amongst Us All" vendeu 2.800 cópias na primeira semana, de acordo com a Nielsen Soundscan. Uma turnê se sucedeu então, começando nos Estados Unidos abrindo para o Bury Your Dead, passando pelo Brasil para algumas datas e enfim voando até a Europa para apresentações tanto fechadas quanto em festivais. Oito dos onze shows tiveram ingressos completamente esgotados. Mais shows aconteceram na sequência, passando por México, novamente Estados Unidos e Europa, até que voltaram para seu país natal para trabalhar em novos lançamentos.
Legal que as surpresas musicais não param em "With Devils Amongst Us All" e no fato de ter uma música balada, pois em abril de 2008 a banda reapareceu com o novo EP "Redemption", que, surpreendentemente, é composto por calmas e lindas, mas muito lindas faixas! Produzido por Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), que empresta sua voz em três das cinco faixas do set ("Ember Drive", "My Last Stand" e "Addiction"), esse trabalho trás faixas que exploram violão, teclado, cello, violino, e tudo quanto atributo que embeleza canções. Não é 100% acústico, uma vez que guitarras distorcidas também aparecem em modelo mais Hard Rock, mas não desviam o foco do que deve brilhar, que são os instrumentos acústicos. Aqui também fica evidente de uma vez por todas que Candace é uma vocalista de recurso e que sua voz limpa seria desejável por bandas que buscassem propostas diferentes.
Após experimentarem uma sonoridade completamente fora do esperado no EP lançado em abril, em julho surpreenderam novamente com o lançamento do álbum "The American Dream", que tem uma sonoridade sofisticada e diferenciada dentro da discografia. As músicas são pulsantes, carregadas de peso e expulsão de energia. Até mesmo a postura vocal de Candace muda, agora apostando em um gutural mais fechado similar ao de bandas de Thrash. Claramente o Metalcore, bem como elementos de Death Metal, fizeram muito bem à sonoridade e a transformaram em algo mais desenvolvido e impositivo, de pulso mais firme - fato realçado por uma produção impecável de Ben Schigel, que também assina a produção do álbum anterior. Esse trabalho de tirar o fôlego tem o set finalizado com mais uma faixa calma, à base de vocal limpo.
Nova turnê de divulgação aconteceu a seguir, começando no Rockstar Energy Drink Mayhem Festival ainda em 2008, dividindo o palco com bandas como Disturbed, Slipknot e Machine Head.
Ao fim da turnê, a banda passou por nova paralisação, talvez férias. Candace aproveitou a pausa para trabalhar em um projeto paralelo com seu marido (Frankie, guitarrista do Death Before Dishonor), chamado The Beautifuls. Eventualmente tiveram um filha, nascida no dia 1º de agosto. Enquanto isso, o baterista Dustin Schoenhofer tocava com o Bury Your Dead, Vision of Disorder e Devour The Day. A pausa não durou muito tempo, uma vez que voltaram aos palcos no segundo semestre de 2012 e anunciaram que estavam trabalhando em um novo álbum com previsão de lançamento para 2014. O disco não foi lançado, por enquanto, exceto por uma demo intitulada "Relentless", ainda naquele ano.
É sempre interessante quando uma banda muda a sonoridade, mas pode ser um tiro no pé. Algumas mudanças são consideradas para pior, outras, pra melhor. Aliando mudança e maturidade, acredito que no caso do Walls of Jericho foi positivo, além de comercial. Só ganharam e cresceram com ela. E ser comercial não quer dizer ruim. Eles são a prova isso.


 A Day and A Thousand Years (EP) (1999)

01 - A Day and A Thousand Years
02 - Our Fate Ends
03 - Athenian
04 - Moment of Thought
05 - Why Father?
06 - Overpower
07 - Collecting On A Debt

Download

 The Bound Feed The Gagged (1999)

01 - Playing Soldier Again
02 - Home Is Where The Heart Is
03 - Changing Times
04 - Unwanted Resistance
05 - Misanthropy
06 - Beneath The Exterior
07 - Full Disclosure
08 - Family Values
09 - Why Father?
10 - Angel
11 - Inevitable Repercussions


 All Hail The Dead (2004)

01 - All Hail The Dead
02 - There's No "I" In Fuck You
03 - A Little Piece of Me
04 - Another Anthem For The Hopeless
05 - Revival Never Goes Out of Style
06 - Day and A Thousand Tears
07 - Through The Eyes of A Dreamer
08 - 1:43 AM
09 - Jaded
10 - Thanks For The Memories
11 - More Life In The Monitors
12 - Fixing Broken Hearts
13 - To Be Continued...


 From Hell (EP) (2006)

01 - A Trigger Full of Promises
02 - I Know Hollywood and You Ain't It
03 - The Revolving Door Strategy


 With Devils Amongst Us All (2006)

01 - A Trigger Full of Promises
02 - I Know Hollywood and You Ain't It
03 - And Hope To Die
04 - Plastic
05 - Try.Fail.Repeat
06 - The Haunted
07 - And The Dead Walk Again
08 - Another Day, Another Idiot
09 - No Saving Me
10 - Welcome Home
11 - With Devils Amongst Us All


 Redemption (EP) (2008)

01 - Ember Drive
02 - My Last Stand
03 - No Saving Me
04 - House of The Rising Sun
05 - Addicted


 The American Dream (2008)

01 - The New Ministry
02 - II: The Prey
03 - The American Dream
04 - Feeding Frenzy
05 - I: The Hunter
06 - Famous Last Words
07 - A Long Walk Home
08 - III: Shock of The Century
09 - Discovery of Jones
10 - Standing On Paper Stilts
11 - Night of A Thousand Torches
12 - Slaughter Begins


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