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domingo, 28 de junho de 2015

Aeternam - Discografia Comentada

A origem dos músicos pode ser das frias terras do Canadá, mas o som é quente como as areias do deserto. Na mesma proporção em que a cultura árabe é rica, única e envolvente, a sonoridade desses caras é imersiva, avassaladora e de alto nível. Combinando os dois âmbitos, temos como resultado uma banda de punho firme que faz da arte e da cultura algo incrivelmente brutal: o Aeternam.
Calcados num furioso Death Metal, os canadenses não deixam de lado a utilização de recursos extras afim de fidelizar a sonoridade à proposta lírica e vestuária, tais como épicos teclados para sinfonizar a atmosfera e samples com percussões e instrumentos típicos da região. Esbanjam fartamente de tudo o que têm ao alcance e abusam da criatividade para nos brindar com uma sonoridade autêntica.
A concepção da banda se deu no ano de 2007 na cidade de Quebec. Não demorou muito tempo para conquistarem um contrato com a Metal Blade Records, selo pelo qual o conjunto então composto por Ashraf Loudiy (vocais e guitarra), Alexandre Loignon (guitarra), Jeff Boudreault (baixo), Antoine Guertin (bateria, percussão, samples) e Samuel Dubois (teclados) lançou o arregaçante debut "Disciples of The Unseen" em 2010.
Mesmo com uma abordagem mais direta e menos tematizada, o trabalho consegue transmitir uma inteligente fusão entre harmonia e peso. Os épicos teclados apenas fazem o background de encorpamento da sonoridade, sem efetivamente roubar a cena nos arranjos, que pertence aos demais instrumentos. Sobre esse véu pisam pesadas distorções de guitarra que criativamente alternam de acordo com a conveniência entre riffs mais pegados - seguindo o passo de uma impecável bateria - e mais melódicos ao mais autêntico estilo árabe. Os solos também seguem esse padrão, uma vez que são ora melódicos e sentimentais, ora velozes e técnicos. Aliás, "conveniência" é mesmo a palavra-chave, pois ela gerou um álbum plural onde até mesmo diferentes técnicas vocais são exploradas por Ashraf, como um cavernoso vocal gutural fechado e um cadenciado vocal limpo que muito se assemelha ao de Tomi Joutsen, do Amorphis. Interessantemente, a variação de uma erupção instrumental à cadência não são um baque no ouvinte. São bem transicionais e naturais. Embora seja um desgraceira total com teclados apenas apoiando - mas muito bem notados -, passagens puramente ambientais também compõem o set, mas limitando-se à apenas alguns momentos como na introdução do álbum, no início de canções como "The Coronation of Seth", ou em interlúdios como "Iteru". Trabalho certamente matador e impressionante. Não é à toa que foi frequentemente citado como melhor debut do ano de 2010, e também descoberta do ano.
Após o lançamento, mudanças ocorreram no line-up: o tecladista Samuel Dubois deixou o conjunto, mas não teve um substituto oficial. Em 2012 foi a vez do baixista Jeff Boudreault sair de cena. Maxime Boucher o substituiu. Com essa nova cara, como quarteto, o Aeternam lançou em 2012, através da Galy Records, o fantástico álbum "Moongood".
Sem dúvida alguma, trata-se de um álbum bem mais imersivo que o anterior. O que poderia ter de peso extra nos teclados de "Disciples of The Unseen" é compensado aqui. Sem perder o peso avassalador já praticado anteriormente, "Moongod" é capaz de efetivamente te mergulhar na sonoridade. Um verdadeiro teletransporte. Os arranjos árabes estão mais insistentes e interessantes, e as guitarras acompanham muito bem, mantendo o padrão praticado antes. Outro avanço jaz na questão dos vocais limpos, que ao contrário do primeiro álbum, onde eles são mais "gélidos" e lineares, aqui se mostram mais técnicos, subindo e descendo de tom com maior frequência. Vale ressaltar que a distribuição entre os diferentes tipos de vocais é muito bem feita, pois não sente-se que é demais. É a conveniência. Há músicas exclusivas de cada tipo, e músicas que alternam. Álbum sinfônico e construído em cima de muita inteligência e competência.
Nova alteração na formação aconteceu em 2013 com a chegada do guitarrista Matthew Sweeney, substituindo Alexandre Loignon. Por enquanto a banda segue sem novidades.
O Aeternam é espetacular e cada álbum é capaz de agradar mais especialmente a um tipo de público. Apesar da diferença não ser tanta por ambos serem matadores, ela ainda é sensível devido aos teclados. Se você prefere algo mais seco que até trás flashes de Nile, o primeiro álbum é recomendado. Agora, se sua praia é mais sinfônica e você curte bandas como Orphaned Land mesmo em músicas de gutural, o segundo é uma boa pedida. Entretanto, essas bandas são apenas referência, pois o que esses canadenses fazem é bastante próprio.
Os portões do Egito estão abertos. Entre e envolva-se.

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 Disciples of The Unseen (2010)

01 - Ars Almadel
02 - Angel Horned
03 - Esoteric Formulae
04 - The Coronation of Seth
05 - Hamunaptra
06 - Iteru
07 - Goddess of Masr
08 - Ouroboros
09 - Circle In Flames
10 - Through The Eyes of Ea

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 Moongod (2012)

01 - Moongod
02 - Invading Jerusalem
03 - Cosmogony
04 - Iram of The Pillars
05 - Rise of Arabia
06 - Xibalba
07 - Descent of Gods
08 - Idol of The Sun
09 - Hubal, Profaner of Light

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Um comentário:

  1. Cara, tô até zonzo !!!!!!! Que porrada. Acabei de baixar, e escutei só o 1° cd dos meninos.Mas nem precisa escutar o 2° , para se manifestar. Som de quebrar o crânio na parede. Peso mortal. Feroz. Pô velho, que bom que descobri o " WOTM " , +1X VLW... Obrigado Walker, Falei q vc É O CARA!!!

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