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terça-feira, 16 de junho de 2015

+44 - Discografia

É engraçado como nossas opiniões mudam, não é? Quanto ao gosto musical, se não muda, ele amplia, ou pelo menos acontece com muitos. Comigo não foi diferente. Na adolescência eu não suportava o Pop Punk. Não suportava Blink-182, Good Charlotte, Green Day. Não suportava os vocais. Nada descia. E falava mal. Ah! Falar mal era necessário! Hoje em dia, adulto, penso que para uma parcela dos adolescentes, o Metal é libertador, mas também, um tanto venenoso. Seu peso faz com que os garotos subestimem e menosprezem a qualidade de Rocks mais alternativos, acessíveis, comerciais. Hoje em dia, adulto, admiro bandas do ramo e me impressiono com a qualidade, alegria e competência das canções. Acredite: as bandas são boas pra caramba.
O +44 era mais uma que eu detestava. Meu irmão ouvia muito e eu era obrigado a me trancar em outro cômodo e colocar Metal em altura suficiente para não ouvir o que vem do outro lado. Quem nunca? Só que eu não imaginava que no futuro eu passaria a gostar. Quando decidi rolar por conta própria o único álbum lançado pela banda, "When Your Heart Stops Beating", foi engraçado perceber que eu já conhecia todas as músicas, mas só sabia o nome da faixa-título, que é uma das melhores do disco. Coisas da vida...
O Plus Forty-Four, como é pronunciado, foi uma banda que nasceu graças à inconstância interna do Blink-182. A criação do Box Car Racer pelo vocalista/guitarrista Tom DeLonge em 2002 abalou a amizade com o vocalista/baixista Mark Hoppus, mas eles ainda tentaram manter o pé no acelerador e tocar a banda principal adiante. Isso resultou no lançamento do experimental álbum homônimo em 2003, mas com o passar do tempo os atritos se tornariam cada vez mais constantes e levariam a um hiato que começaria em 2005. Separados e sem previsão para retorno - sem saber também se haveria um retorno (que efetivamente aconteceu em 2009) -, cada qual seguiu seu rumo. Tom DeLonge apostou no Alternative Rock e formou o consistente Angels & Airwaves, enquanto Mark Hoppus iniciou no ano de 2005 em Los Angeles, na Califórnia, ao lado do baterista e companheiro de Blink-182 Travis Barker, o +44.
O nome provém do código de área internacional do Reino Unido, onde Travis estava descansando do hiato do Blink. Hoppus e Barker alimentaram a ideia do projeto pela primeira vez à distância, pelo telefone, daí a inspiração. A título de curiosidade, o código de área internacional do Brasil é +55. Por isso ele aparece antes dos números que não temos em nossas agendas.
Enfim. A princípio, a abordagem do projeto era bastante eletrônica, não por intenção, mas por conveniência. Afinal, não estavam com estrutura para uma barulhada e não queriam que a polícia batesse na casa deles às duas da manhã por estarem gravando a bateria. Por utilizarem o porão de Barker e a sala de jantar de Hoppus, fizeram tudo eletronicamente, com teclados, bateria eletrônica, samples e gravações direto no computador. À medida que os dias se tornaram meses, o peso foi acrescentado aos poucos, bem como novos membros na formação, estruturando a espinha dorsal da banda. Primeiro chegaram a contar com a ex-vocalista do Get The Girl, Carol Heller, que emprestou sua voz para a maioria das primeiras demos. Depois veio o guitarrista e amigo Shane Gallagher apenas para gravar algumas faixas, mas acabou efetivado.
Buscando um lugar apropriado para gravar músicas em melhor qualidade, compraram o estúdio do guitarrista Richie Kotzen (The Winery Dogs, ex-Poison), em North Hollywood, e se mudaram para lá. Com melhor estrutura, o som foi se tornando mais pesado. Pouco tempo depois, o guitarrista Craig Fairbaugh chegou ao estúdio para observar, ouvir e até fazer um som com os caras, o que resultou no convite para se tornar mais um membro da banda. Dessa forma, a formação compreendia Mark Hoppus no vocal e baixo, Shane Gallagher na guitarra solo, Craig Fairbaugh na guitarra base e Travis Barker na bateria e teclado.
A relevância do Blink-182 era grande. Logo, quaisquer coisas que seus membros fizessem, também recebia bastante atenção. Ainda mais com o fato de Travis e Mark se equivocarem ao mencionar a existência da banda em algumas entrevistas, mesmo que tudo ainda estivesse nos primeiros estágios. Uma grande expectativa tomava conta da mídia e dos fãs, provocando o arrependimento e combinação de não mais mencionar nada até que fosse a hora certa. Muitos rumores circularam a internet, até mesmo músicas fakes foram soltas. Mas enfim, em novembro de 2006, o debut "When Your Heart Stops Beating" finalmente foi lançado. Evidentemente algumas similaridades com o Blink-182 são partilhadas, como a base em Pop Punk e a própria voz de Mark Hoppus e estilo único de Travis Barker ao tocar bateria, o que induz a tal relação por motivos óbvios. Contudo, outros elementos tornam a diferença maior: a banda mostra-se mais alternativa e não deixa totalmente de lado os "antigos" elementos eletrônicos. Teclados e samples são explorados e casam perfeitamente com a acessível e animada sonoridade. Os caras conseguiram produzir músicas de grande identidade e um álbum variado, com canções calmas postas nos lugares certos do set, dando a pausa correta entre as outras mais pegadas ou mistas com seus diferentes momentos para se apegar. Tudo isso sem perder o estilo gostoso de se ouvir. A voz de Carol Heller aparece na peculiar "Make You Smile", comprovando a diversidade do trabalho.
O álbum chegou à décima posição da Billboard 200 após vender aproximadamente 66 mil cópias na primeira semana. Apesar do sucesso comercial e de eu achar um disco fantástico, a mídia ficou dividida e escreveu resenhas mistas. Em setembro aconteceu o primeiro show, em Hollywood, e então embarcaram em uma turnê pela Europa e Austrália, que só não saiu como deveria porque Travis Barker quebrou o braço. Mesmo agoniando e alterando as posições de seu set de bateria, ele se apresentou, mas acabou cedendo à recomendação do médico e descansando. Daí, Gil Sharone (ex-The Dillinger Escape Plan) ocupou sua posição para os próximos shows, inclusive no Japão.
Até então eles tocavam apenas músicas do próprio projeto, mas essa rigidez foi suavizada em em meados de 2007 e passaram a incluir também músicas do Blink-182. Pouco depois, as datas para agosto foram prorrogadas por razões não convincentes; uma delas era de que entrariam novamente em estúdio para a gravação de um segundo álbum. O quarteto gastou o restante do ano conversando com gravadoras sobre o novo trabalho, até que foi anunciado que ele seria lançado através da Interscope Records. Todavia, mais trabalhos paralelos consumiam o tempo disponível na época. Barker estava trabalhando em remixes para sua carreira solo, assim como Hoppus, que também gravava conteúdo para uma possível carreira solo. Ambos trabalhavam no mesmo estúdio, então acompanhavam de perto o desenvolvimento um do outro.
Contudo, em setembro de 2008 aconteceu algo trágico que viria a mudar o curso das coisas de uma forma ou de outra: o baterista e seu colaborador Adam Goldstein (conhecido como DJ AM) se envolveram em um acidente de avião com mais quatro pessoas e apenas os dois sobreviveram. Travis teve queimaduras de segundo e terceiro graus e desenvolveu estresse pós-traumático. Sua recuperação custou dezesseis cirurgias e 4 a 8 horas de transfusão de sangue. O incidente levou à mais contato com Tom DeLonge, que o visitava no hospital. A volta de um contato mais cálido pavimentou o caminho para a reunião do Blink-182.
Chegando em fevereiro de 2009, Hoppus comentou em uma entrevista que o +44 estava em hiato e que o foco era o Blink-182. Apesar de demonstrar desejo de prosseguir com a banda futuramente, não há planos para o lançamento do tal segundo álbum, nem de qualquer outro trabalho. Mas isso pode ocorrer em algum momento do futuro.
E assim segue até os dias de hoje. Mark Hoppus e Travis Barker se dedicam muito ao Blink-182, que lançaria em 2011 o primeiro álbum desde o retorno, intitulado "Neighborhoods". Porém, os conflitos internos permaneceriam, culminando na nova saída de Tom DeLonge em 2015. Já o +44, bem, vamos esperar que mais trabalhos sejam lançados num futuro mais próximo possível. De preferência, nesse mesmo calibre Pop Punk com elementos eletrônicos. O "Plus" teve vida curta, mas certamente, deixou um excelente trabalho para ser apreciado.


 When Your Heart Stops Beating (2006)

01 - Lycanthrope
02 - Baby, Come On
03 - When Your Heart Stops Beating
04 - Little Death
05 - 155
06 - Lillian
07 - Cliff Diving
08 - Interlude
09 - Weatherman
10 - No It Isn't
11 - Make You Smile
12 - Chapter XIII
13 - Baby, Come On (Acoustic Version) (Bonus Track)
14 - Weatherman (Acoustic Version) (Bonus Track)


Um comentário:

  1. Muito bom, pop rock de altíssima qualidade! Parabéns galera pelo post!!! 👍

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