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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Vital Remains - Discografia

Blasfêmia, anti-Cristianismo, morte e ocultismo são temas líricos geralmente acompanhados por uma musicalidade brutal, violenta e frenética sem precedentes. São atributos que definem um Death Metal de qualidade. Atributos esses que uma banda do calibre do Vital Remains possui e faz questão de executar da forma mais violenta e blasfêmica possível.
Fundado na cidade de Providence, em Rhode Island, Estados Unidos, o Vital Remains é uma banda que toca Death Metal em sua característica mais avassaladora e tradicional. Possuem uma discografia onde à medida que a quantidade de álbuns cresce, o peso segue o passo. Suas fortes características são as introduções e interlúdios dos discos, que geralmente apresentam diálogos sobre um background guiado a teclados ambientais, o uso de violões em determinadas passagens, além da longa duração das músicas, a mais forte e incomum de todas as características. Diversas canções se estendem ao longo de 6 a 10 minutos e alguns álbuns ultrapassam a marca de 60 minutos de duração. Death Metal assim é realmente raro. Coisa de uma banda monstruosa.
Foi em 1988 que o guitarrista Paul Flynn deu início à banda. A primeira formação compreendia, além do fundador, o vocalista Mike Flynn, o guitarrista Butch Machado, o baixista Tom Supkow e o baterista Chris Dupont, mas não resistiu tanto tempo pela limitação de alguns músicos. Por isso Flynn substituiu Mike Flynn por Jeff Gruslin, e Butch Machado pelo comprometido Tony Lazaro, que passou a também assinar as composições ao lado de Paul Flynn.
As músicas que iam tomando forma eram gravadas e lançadas em forma de demo. Em 1989 saiu a primeira, "Reduced To Ashes", acompanhada de perto pela segunda em 1990, chamada "Excruciating Pain", já com Joe Lewis no baixo e Ace Alonzo na bateria. Era muito claro que a banda era promissora, por isso foram premiados com a assinatura de um contrato com a Thrash Records, que lançou a single "The Black Mass" em 1991. Acabou que esse foi o único lançamento com o selo francês, pois a banda optou por migrar para a Peaceville Records, na esperança de melhor visibilidade.
Em 1992, antes de cumprirem seu recém-conquistado contrato profissional com o lançamento do debut, ainda lançaram de forma independente a demo ao vivo "Live Demo 1991", eternizando a performance no festival The Metal Cage de Kingston, em Rhode Island, no dia 1º de abril de 1991, com direito a cover de "Dethroned Emperor", do Celtic Frost. Também antes do álbum de estreia, o baterista Ace Alonzo deixou o conjunto. Porém, gravou as linhas de bateria e é creditado como membro de sessão.
Foi então que em agosto o álbum "Let Us Pray" saiu. É um trabalho de abordagem seca, tradicional e bastante cadenciada, mas sem pender ao melódico. A musicalidade é tão arrastada quanto o tempo de duração das músicas. Há muitos momentos de clímax, quando a porradaria come solta, mas são pontuais, assim como os velozes solos, que não aparecem sempre e só o fazem quando o momento está mais pegado.
No meio tempo entre um álbum e outro, os estadunidenses trouxeram mais trabalhos independentes, peças para colecionador. A primeira é a split junto do Morta Skuld (banda de Death Metal compatriota) em 1993, subsequenciada por outra demo ao vivo, "Live Promo '94", que saiu no mesmo ano indicado no título e é composta apenas por três canções. Mil novecentos e noventa e quatro também marcou a entrada do baterista Rick Corbett.
Entrando em 1995, é a vez de "Into Cold Darkness" somar à discografia. Dessa vez a banda exibe avanços no quesito "peso", talvez pela melhor produção, mas não é tão significativo. No entanto, a atitude cadenciada do primeiro álbum é substituída por agressividade e ira, desabrochando os primeiros passos de uma musicalidade que se tornaria cada vez mais alucinada. Ao contrário dos demais lançamentos, esse álbum compreende músicas mais rápidas e objetivas, o que afeta o tempo total de duração do álbum, que é de apenas 40 minutos.
Insatisfeitos com os serviços da Peaceville Records, que distribuía mal seus discos e tinha um serviço promocional fraco, os rapazes decidiram interromper o contrato. Entretanto, o vínculo com o selo não seria a única coisa a ser interrompida: a formação também. Todos os membros - inclusive o fundador Paul Flynn - deixaram a banda, restando apenas o guitarrista Tony Lazaro e o baixista Joe Lewis como remanescentes.
Mas os caras não desistiram; recrutaram o talentoso multi-instrumentista Dave Suzuki em 1997 e tocaram o barco como um power trio. No mesmo ano assinaram com a Osmose Records e entraram no estúdio para a gravação de "Forever Underground". A abrupta mudança no line-up obrigou a alterações nas funções: Joe Lewis foi movido para a função de vocalista, Tony Lazaro pegou a guitarra base e baixo, enquanto Dave Suzuki se encarregou da guitarra principal, baixo e bateria.
Lançado ainda em 1997, "Forever Underground" é a prova que a chegada de Dave Suzuki acrescentou muito aos propósitos composicionais da banda. O trabalho é uma combinação de algumas características dos dois primeiros álbuns, mas um nível acima: o peso de "Into Cold Darkness" é aprimorado, enquanto a duração das faixas está ainda mais extensa que em "Let Us Pray".
Embora o álbum seja excelente e tenha rendido uma boa turnê através dos Estados Unidos e Europa, a banda ainda precisava de músicos fixos, até para não depender de membros de sessão. Por isso em 1999 chegou o vocalista Thorn, que também acrescentaria samples, programação e teclados à sonoridade, não para fundir com o Death Metal - pois isso para eles é intocável -, mas para tornar a introdução e interlúdio mais intensos.
Evidentemente o quarteto estava muito focado. O fruto da dedicação madura em 2000 e atende pelo nome de "Dawn of The Apocalypse". Avassalador, o álbum marca o primeiro registro de uma banda absolutamente possuída pelo espírito da violência. Ele ostenta uma ímpar característica brutal em relação aos anteriores que se manteria em prática e ganharia novos elementos longo dos álbuns seguintes.
Infelizmente o baixista Joe Lewis deixou a banda em 2000. Outra baixa ocorreria mais tarde. Mesmo satisfeitos com o trabalho de Thorn, Dave Suzuki e Tony Lazaro decidiram demiti-lo em 2003 por receio de que seu vício em álcool e drogas se tornasse um problema para o Vital Remains. Mas há males que vêm para o bem, pois o substituto para a posição veio a ser ninguém menos que Glen Benton (também vocalista do Deicide) e seu cavernoso gutural fechado.
Pela segunda vez na história configurado como um power trio, com Glen Benton no vocal, Tony Lazaro na guitarra ritma e Dave Suzuki na guitarra solo, baixo e bateria, o conjunto soltou em agosto de 2003, agora com a Olympic Records, o fenomenal "Dechristianize". Como é de se esperar, novos traços e aprimoramentos sonoros tornam o álbum único na discografia, assim como qualquer outro. Além da total destruição que a voz de Glen proporciona a esse demolidor Death Metal, também podemos apreciar solos bastante puxados para o Melódico, consequência de um Dave Suzuki bem à vontade. Arranjos melódicos também são introduzidos em várias passagens no decorrer do disco, criando uma interessante alternância entre o sentimental e o brutal. Dave Suzuki se mostrou afiado na bateria e apresentou uma performance impecável, sobressaltada por uma mixagem que reduziu um pouco o volume das guitarras e aumentou o dos bumbos e principalmente da caixa. O trabalho foi muito bem recebido por fãs e mídia crítica.
A destruição teve sequência em 2007, ainda como um trio. Agora sob tutela da poderosa Century Media Records, sai o álbum de mixagem e produção mais equilibrados de toda a discografia - e também um dos mais agressivos: "Icons of Evil". O álbum já começa com uma introdução sinistra retirada do filme "A Paixão de Cristo", no momento em que Jesus é chicoteado. Igualmente impiedosa é a sonoridade, que é pesada e frenética. É o álbum mais longo do grupo, totalizando uma hora e sete minutos de duração, e também o mais rico em solos (super melódicos), em riffs criativos e energia.
Desde então nenhum outro álbum foi lançado e a formação já teve algum rodízio. Glen Benton deixou a banda em 2009, mesmo ano em que Dave Suzuki também partiu. Scott Wily (ex-Zircon) chegou a ser efetivado no posto de vocalista, mas saiu em 2012. Tão logo Scott saiu, entrou o baterista Jack Blackburn (Inferi, Accursed Aeons), mas permaneceu na casa apenas até 2014. Em 2013, Aaron Homma (Immersed) se encarregou da vaga de Dave Suzuki, mas saiu junto com Jack Blackburn.
Atualmente a formação é compreendida em Brian Werner no vocal (desde 2012), Tony Lazaro e Dean Arnold nas guitarras (este último desde 2015), Gator Collier no baixo (desde 2008) e James Payne na bateria (desde 2014). Os caras já estão com o novo álbum pronto e, segundo Lazaro, é na mesma pegada que já vinham desenvolvendo nos últimos álbuns, porém, com canções mais curta, nada exagerado. Portanto a expectativa de um álbum sair em algum momento do futuro próximo é justificável. O lançamento está bem atrasado, mas a banda ainda não se retratou sobre os motivos. Enquanto isso, temos seis ensurdecedores álbuns para apreciar. O Vital Remains é um grande e singular representante do Death Metal conhecido pela maioria dos adeptos do gênero. É também uma iniciação de qualidade para os interessados em conhecer mais do estilo.


 Reduced To Ashes (Demo) (1989)

01 - Vital Remains
02 - Smoldering Burial
03 - Morbid Death
04 - Reduced To Ashes
05 - More Brains
06 - Slaughter Shack


 Excruciating Pain (Demo) (1990)

01 - Intro: Human Sacrifice
02 - Resurrected
03 - Fallen Angels
04 - Excruciating Pain
05 - Nocturnal Blasphemy (Outro)


 Live Demo 1991 (Demo) (1992)

01 - Intro
02 - Malevolent Invocation
03 - Of Pure Unholiness
04 - Deathroned Emperor (Celtic Frost Cover)
05 - Break
06 - Frozen Terror
07 - Ceremony of The Seventh Circle
08 - Pause To Downtune
09 - Cult of The Dead


 Let Us Pray (1992)

01 - War In Paradise
02 - Of Pure Unholiness
03 - Ceremony of The Seventh Circle
04 - Uncultivated Grave
05 - Malevolent Invocation
06 - Isolated Magick
07 - Cult of The Dead
08 - Frozen Terror
09 - Amulet of The Conquering


 Morta Skuld/Vital Remains (Split) (1993)

01 - Morta Skuld: Sacrificial Rite
02 - Vital Remains: Amulet of The Conquering


 Live Promo '94 (Demo) (1994)

01 - Scrolls of A Millennium Past
02 - Under The Moon's Fog
03 - Angels of Blasphemy


 Into Cold Darkness (1995)

01 - Immortal Crusade
02 - Under The Moon's Fog
03 - Crown of The Black Hearts
04 - Scrolls of A Millenium Past
05 - Into Cold Darkness
06 - Descent Into Hell
07 - Angels of Blasphemy
08 - Dethroned Emperor


 Forever Underground (1997)

01 - Forever Underground
02 - Battle Ground
03 - I Am God
04 - Farewell To The Messiah
05 - Eastern Journey
06 - Divine In Fire


 Dawn of The Apocalypse (2000)

01 - Intro
02 - Black Magick Curse
03 - Dawn of The Apocalypse
04 - Sanctity In Blasphemous Ruin
05 - Came No Ray of Light
06 - Flag of Victory
07 - Behold The Throne of Chaos
08 - The Night Has A Thousand Eyes
09 - Société des Luciferiens


 Dechristianize (2003)

01 - Let The Killing Begin
02 - Dechristianize
03 - Infidel
04 - Devoured Elysium
05 - Savior To None... Failure For All..
06 - Unleashed Hell
07 - Rush of Deliverance
08 - At War With God
09 - Entwined By Vengeance


 Horrors of Hell (Compilation) (2006)

01 - Of Pure Unholiness
02 - Frozen Terror
03 - Human Sacrifice
04 - Resurrected
05 - Fallen Angels
06 - Excruciating Pain
07 - Nocturnal Blasphemy
08 - Vital Remains
09 - Smoldering Burial
10 - Morbid Death
11 - Reduced To Ashes
12 - More Brains
13 - Slaughter Shack


 Icons of Evil (2007)

01 - Where Is Your God Now?
02 - Icons of Evil
03 - Scorned
04 - Born To Rape The World
05 - Reborn The Upheaval of Nihility
06 - Hammer Down The Nails
07 - Shrapnel Embedded Flesh
08 - 'Til Death
09 - In Infamy
10 - Disciples of Hell (Yngwie Malmsteen Cover)


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