Social Icons

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Opera IX - Discografia

Ao voltar no tempo, provavelmente quem testemunhasse os primeiros passos do seco, agressivo e objetivo Black Metal não pudesse imaginar o quão versátil ele viria a se tornar alguns anos mais tarde. Já atualmente podemos ter acesso a uma enorme gama de bandas que executam o estilo de tantas formas distintas, unindo a tão diferentes elementos, que o Black Metal se provou um dos rótulos mais versáteis de nosso meio.
Se tem uma banda que primorosamente faz uso desse gênero negro em aliança com outras influências como Gothic Metal e Folk e conseguiu, por sinal, deixá-lo ainda mais negro, certamente ela atende pelo nome de Opera IX. Originária da cidade de Biella em Piedmont, Itália e caracterizada por músicas de longa duração, essa banda é capaz de fazê-lo tremer espinha abaixo. Sua sonoridade única explora intensamente o lado mais negro do Black e Gothic Metal, sem abrir mão de aplicar uma veia céltica por meio de pontuais elementos Folk como gaita de foles, violões sombriamente tocados e outros instrumentos de sopro. Quando não manifestados por meio de instrumentos tradicionais, esse lado pagão é percebido através da própria composição das linhas vocais, que, com demoníacos guturais rasgados variando desde algo mais narrado a algo mais propriamente urrado, interpretam as letras cheias de ocultismo, magia negra e bruxaria de forma que se assemelhe a um verdadeiro ritual.
Esse espetáculo da música ocultista nasceu em 1988 por iniciativa do guitarrista Ossian, que teve muita dificuldade de estabilizar a formação nos primeiros anos. Para o lançamento da primeira demo, "Gothik", em 1990, chegou a contar com membros temporários. Na época era um trio, com o vocalista Daniel Vintras e o baixista Lord Vlad apoiando o guitarrista. Então o baterista Rex Bells e a tecladista Scarlet quebraram um galho na gravação do trabalho.
Passados dois anos, o line-up já começou a ter os contornos que consolidariam a banda, a começar pela chegada da vocalista Cadaveria, verdadeiro cartão-postal da banda pelo grande carisma, técnica e teatrismo na interpretação das letras, sem mencionar o fato que na época era extremamente raro uma mulher abusar dos guturais. O baterista Flegias foi outro que veio somar, e o líder Ossian passou a dividir as atenções também com detalhes de teclados. Assim, na forma de um quarteto, lançaram a "Demo '92" com quatro novas faixas e apoio do tecladista de sessão Alessio Camaiti. O trabalho foi muito bem recebido por alguns selos, abrindo caminho para o primeiro contrato profissional dos italianos.
Finalmente, em 1993, além do contrato com a Wimp Records, conseguiram também um tecladista fixo. Silent Bard e suas influências clássicas auxiliaram o conjunto na "manufatura" do EP "The Triumph of The Death", composto por mais duas faixas inéditas. O compacto inicialmente teve prensagem limitada em 500 cópias, que surpreendentemente acabaram em dois meses. Sucesso para uma banda iniciante naquela época.
Às vésperas da vinda do debut, em 1995, o tecladista Silent Bard se desligou da banda, mas sua marca permaneceu, uma vez que gravou o álbum. Lançado pela Miscarriage Records e intitulado "The Call of The Wood", o registro é um espetáculo de paganismo e obscuridade. As cinco faixas inéditas são longas e em determinados trechos, Cadaveria canta limpo também. Por mais que o instrumental seja em muitos momentos cadenciado, ele não se transforma em tédio nem arrastamento. É tudo na medida certa. Porém, como se não bastasse a união entre a ira vocal e instrumental (pontualmente), a aura negra e misteriosa de teclados góticos e o paganismo dos instrumentos acústicos e de sopro folclóricos, o álbum tem mais um charme, que é justamente a produção. Em padrões atuais, pode não ser considerada uma produção de primeira linha, mas é justamente aí que jaz a beleza. Os teclados parecem um pouco deslocados, os riffs da guitarra são ásperos, o baixo mal é ouvido, a bateria é seca, o vocal um pouquinho alto... mas é isso que faz da obra ainda mais sinistra e arcaica.
Nos relançamentos em 2001 pela Avantgarde Music, em 2003 pela Irond Records e em 2009 pela Peaceville Records, o trabalho trás duas faixas bônus: "Rhymes About Dying Stones" e "Born In The Grave", está última sendo a única vez que uma música das eras "pré-debut" foi reaproveitada.
Somente em 1997 a função de tecladista foi efetivamente preenchida novamente, por Lunaris. De volta como um quinteto, em 1998, agora via Shiver Records, os italianos ressurgiram das catacumbas com o magnífico e épico "Sacro Culto". A mixagem é um pouco melhor em relação ao antecessor, apesar do avanço não ser muito. Mas no estilo que executam, continuam excelentes. "Sacro Culto" é um álbum que segue a mesma trilha de "The Call of The Wood", mas com algumas mudanças. É um disco mais "dançante", onde os teclados contribuem com um background mais épico, um tanto mais sinfônico. O lado Folk também recebe muito mais atenção, enquanto as vozes limpas e góticas de Cadaveria são mais intensamente exploradas, em dueto com os guturais rasgados do Black Metal. Essa característica aguçou o lado ritualístico do conjunto, dando um ar mais forte e pagão. É pra dar calafrios nos mais frágeis emocionalmente.
Após obter mais um novo contrato em mãos (agora com a Avantgarde Music), mais um álbum de estúdio sai da escuridão em 2002. Trata-se do "The Black Opera: Symphoniae Misteriorum In Laudem Tenebrarum", um álbum cuja mixagem e produção já se adequam mais à modernidade e, com ela, novas sensíveis mudanças sonoras. Em um aspecto geral, não deixaram de ser eles mesmos, nem de transmitir sua atmosfera característica. Contudo, nota-se que, apesar das alternâncias entre guturais rasgados e vocais limpos de Cadaveria seguirem muito bem distribuídos em dose certeira, o Black Metal ganha força, apresentando seus riffs característicos de rápidas palhetadas alternadas ao mesmo tempo em que em diversos outros momentos ganha melhor harmonia, aproximando-se mais do Melodic Black Metal. Como consequência, esses riffs são melhor arquitetados e criativos, evidenciando o amadurecimento do conjunto. É possível perceber também que a aura está ainda mais sinfônica, pois os teclados são mais latentes e ainda mais épicos, materializando um misterioso clima de calabouço à luz de tochas. Já os elementos Folk são totalmente abandonados. A consequência desse álbum maravilhoso foi o ótimo reconhecimento do conjunto por parte do público, que rapidamente, na época, consumiu 18 mil cópias.
Infelizmente, em 2001, "pra manter a tradição", outra vez a formação sofreu baixas. Mas as dessa vez foram um duro golpe, pois ninguém menos que a vocalista Cadaveria abandonou o grupo, juntamente com Flegias, baterista que entrou junto com ela em 1992. A dupla então convocou o guitarrista Frank Booth, o baixista Killer Bob e o tecladista Baron Harkonnen e assim a banda Cadaveria teve início, seguindo linha similar àquela traçada pelo Opera IX.
Enquanto isso, do lado de cá, as vagas foram preenchidas pelo vocalista Madras e pelo baterista Taranis. Com isso, em 2002, lançaram o quarto álbum de estúdio, intitulado "Maleventum". Pela primeira vez os italianos apostaram em um trabalho conceitual, abordando uma história sobre bruxaria e paganismo. Musicalmente falando, é no geral parecido com o anterior, exceto por algumas novas mudanças. A mais notável delas é a introdução de coros de vocais graves nas canções, fazendo lembrar uma igreja medieval cantando em latim. O Black Metal também é ponto de destaque aqui devido a sua postura firme e avassaladora, deleitada com uma bateria morta de raiva. "Maleventum" também marca a volta dos elementos Folk, como em "Muscaria" e, inédita na sonoridade, a gaita de foles em "Forgotten Gods". Vocalmente, a banda não perdeu qualidade. Madras veio para substituir Cadaveria muito bem. Sua abordagem não prejudicou em nada no conceito da banda, muito pelo contrário: auxiliou à sua maneira. Seu gutural rasgado é diferente: é baixo, mais prensado na garganta, produzindo um vocal mais seco, como o de uma pessoa possuída por um demônio, ao contrário dos urros raçudos e drives de Cadaveria. Sem dúvida o conjunto de todos os elementos resultou em mais um álbum obscuro de alta classe.
Mesmo com o bom trabalho, os dois membros mais recentes não permaneceram muito tempo. Ainda em 2012 e próximos de terminar o processo de composição do álbum subsequente, Madras e Taranis saíram da banda. O vocalista M The Bard e o baterista Dalamar, respectivamente, foram contratados para seus postos.
Em novembro de 2014 é a vez de "Anphisbena" ser lançado, este que é o álbum mais distinto da discografia. M The Bard é dono de um gutural que vai na contra-mão dos vocalistas anteriores, uma vez que é fechado, tradicional do Death Metal. Isso acrescentou ares Death à sonoridade também, embora o Black seja bem mais latente. Além disso, aqui a banda é intensamente sinfônica, enfeitando de forma heroica o genuíno Pagan Black Metal executado. Essa incidência imprescindível dos teclados dá à musicalidade a atmosfera guerreira e pagã que as letras lendárias exigem. A introdução de instrumentos Folk como vários tipos de flautas, harpas e cellos é feita inteligentemente, da forma obscura que a banda tanto sabe fazer, viabilizando o termo "Pagan" entre com vigor na rotulação.
Interessantemente, o Opera IX sempre foi uma banda que, a cada trabalho, apresentou apenas conteúdo inédito. Nunca reaproveitou ou remasterizou nenhuma música para preencher algum repertório, exceto pela inclusão de "Born In The Grave" do EP "The Triumph of The Dead" de 1993 como faixa bônus do álbum "The Call of The Wood". Isso é indício de uma banda que confia nas suas músicas e em sua evolução. As músicas antigas só voltaram a aparecer na discografia em 2007, na compilação "The Early Chapters", lançada pelo selo Occultum. É uma coleção nascida justamente para reunir as músicas das duas primeiras demos e do primeiro EP em um único registro. É a única compilação da discografia.
Pela primeira vez desde que começou, em 1988, a banda passou um longo período sem lançar nenhum álbum de inéditas. Foi durante esse meio-tempo que o tecladista lunares deixou o conjunto, em 2006. Mesmo assim prosseguiram como um quarteto sem tecladista e, em 2012, oito anos depois do lançamento de "Anphisbena", o álbum "Strix - Maledictae In Aeternum" foi lançado, pela Agonia Records.
Trata-se de um álbum que resgata um pouco a antiga postura da banda, mas com produção inevitavelmente pesada e de muita qualidade. Está um pouco mais cadenciado, mas sem descaracterizar o Black Metal, que só não está tão evidente pois a mixagem foi trabalhada de forma a deixar as guitarras mais baixas e os bumbos da bateria e teclados mais evidenciados. É um trabalho cheio de momentos distintos, com momentos mais fugazes e outros mais cadenciados, sentimentais e suspensivos. As vias em direção ao Gothic Metal também são bem trilhadas, principalmente no âmbito dos teclados, que soam um tanto atmosféricos e cheios de suspense. Instrumentalmente, o disco é todo assim, excelente, porém, novamente sem Folk, exceto pelo fim da última faixa. Aquele clima ritualístico, todavia, volta com tudo, com os sintetizadores gerando efeitos até egípcios, se você parar pra reparar bem. Vocalmente, o gutural fechado de M The Bard (que também gravou as guitarras rítmicas) caiu muito bem na proposta, pesando ainda mais o background que já é denso. Algumas vezes canta de forma mais narrativa também. Sem dúvidas, esse é um trabalho primoroso de uma banda primorosa.
Em 2014 houve uma debandada geral no line-up da banda. O vocalista M The Bard, o baterista Dalamar e até mesmo o baixista de longa data Vlad deixaram o guitarrista e fundador Ossian como único membro remanescente. No entanto, não demorou muito para Ossian fechar a formação novamente. Ainda em 2014, convocou o baixista Scùrs, o baterista M:A Fog, o tecladista Alessandro Muscio e, claro, a desconhecida vocalista Abigail Dianaria, que faz a banda voltar a contar com uma mulher na linha de frente após 13 anos, desde a saída de Cadaveria.
Atualmente os italianos trabalham em um novo álbum de estúdio, o sétimo da carreira. Ele já tem nome! Será "Back To Sepulcro" e tem previsão de lançamento ainda para 2015, apesar de não ter data definida.
O Opera IX é, de fato, uma banda com aura única que faz das trevas a sua arte. A experiência de ouvi-los é maravilhosa e sinistra, com a densidade lúcida, bem direcionada e bem moldada de uma forma que apenas uma grande banda é capaz de desenvolver.


 Gothik (Demo) (1990)

01 - Prelude
02 - Groglin Grange
03 - Gothik
04 - Cemeteria
05 - Invocation


 Demo '92 (Demo) (1992)

01 - Rhymes About Dying Stones
02 - House of Agony
03 - Last Down
04 - Malum In Sacrum


 The Triumph of The Death (EP) (1993)

01 - Born In The Grave
02 - The Red Death


 The Call of The Wood (1995)

01 - Alone In The Dark
02 - Esteban's Promise
03 - The Call of The Wood
04 - Al Azif
05 - Sepulcro
06 - Born In The Grave (Bonus Track)
07 - Rhymes About Dying Stones (Bonus Track)


 Sacro Culto (1998)

01 - The Oak
02 - Fronds of The Ancient Walnut
03 - The Naked and The Dance
04 - Cimmeries
05 - My Devotion
06 - Under The Sign of The Red Dragon


 The Black Opera: Symphoniae Mysteriorum In Laudem Tenebrarum (2000)

01 - Act I: The First Seal
02 - Act II: Beyond The Black Diamond Gates
03 - Act III: Carnal Delight In The Vortex of Evil
04 - Act IV: Congressus Cum Daemone
05 - Act V: The Magic Temple
06 - Act VI: The Sixth Seal
07 - Bela Lugosi's Dead (Bauhaus Cover)


 Maleventum (2002)

01 - Maleventum
02 - Princess of The Ancient
03 - In The Dark I Found The Reflection of The Hidden Mirrors
04 - Unearthed Arcana
05 - Muscaria
06 - Forgotten Gods
07 - In The Raven's Eyes


 Anphisbena (2004)

01 - Intro: Many Moons Ago
02 - The Serpent's Nemeton
03 - The Prophecy
04 - In Hoc Signo Sanguinis
05 - Immortal Chant
06 - Scell Lem Duibh (Song of Death)
07 - In The Sixth Tower
08 - Battle Cry
09 - Anphisbena
10 - One Rode To Asa Bay (Bathory Cover) (Bonus Track)


 The Early Chapters (Compilation) (2007)

01 - Prelude: Cemeteria
02 - Groglin Grange
03 - Gothik
04 - Invocation
05 - Rhymes About Dying Stones
06 - House of Agony
07 - Last Dawn
08 - Malum In Sacrum
09 - Born In The Grave
10 - The Red Death


 Strix - Maledictae In Aeternum (2012)

01 - Strix: The Prologue (Intro)
02 - 1313 (Eradicate The False Idols)
03 - Dead Tree Ballad
04 - Vox In Rama (Part I)
05 - Vox In Rama (Part II)
06 - Mandragora
07 - Eyes In The Well
08 - Earth and Fire
09 - Ecate: The Ritual (Intro)
10 - Ecate
11 - Nemus Tempora Maleficarum
12 - Historia Nocturna

Download

 Back To Sepulcro (Compilation) (2015)

01 - Sepulcro
02 - The Oak
03 - Act I: The First Seal
04 - Maleventum
05 - Consacration
06 - The Cross (Outro)

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

Um comentário: