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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Stress - Discografia

Sempre existem os pioneiros, não é verdade? Para tudo há alguém que chegou a fez primeiro. Nem todos conhecem ou reconhecem, mas o Stress ostenta um interessante fato tanto em sua própria história quanto na do Heavy Metal brasileiro: foram a primeira banda de Metal formada no Brasil, bem como a primeira a lançar um disco.
Não há como dizer que o esses caras influenciaram todas as bandas brasileiras que vieram depois, uma vez que se inspiram no Metal exterior e as bandas posteriores também tomaram tal referência mesmo muito provavelmente sem conhecer o Stress. No entanto, é de fato muito interessante ver que ainda nos anos setenta, em plena ditadura militar, algo do gênero já era praticado no país.
A banda foi fundada em 1974 com o nome de Pingo D'Água, quando Roosevelt Bala (vocal), Wilson Mota (guitarra), Paulo Lima (baixo), André Lopes Chamon (bateria) e Leonardo Renda (teclados) se conheceram na escola. Já que são os pioneiros, é natural deduzir que sejam de São Paulo ou Rio de Janeiro, grandes metrópoles. Mas pior que não - são de uma terra bem mais distante: Belém, capital do Pará, no norte do país.
Os paraenses iniciaram a carreira tirando som de covers de bandas como Nazareth, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Rolling Stones, Deep Purple e bandas da linha. Foi só e 1977 que se apresentaram ao vivo pela primeira, durante uma festa de aniversário da escola.
No fim de 1977, resolveram alterar o nome da banda para Stress, nome em inglês que já refletia o desejo do conjunto de compôr canções na língua estrangeira. Começaram os trabalhos para o primeiro álbum no ano seguinte escrevendo letras que alternavam entre inglês e português. Porém, a ideia não foi adiante devido ao apelo dos fãs, que desejavam entender as letras. Com isso, deram exclusividade à nossa língua e reescreveram tudo em português.
Alguns anos se passaram, até que chegamos em 1982, ano em que a banda lançou seu primeiro álbum de estúdio de forma independente, intitulado simplesmente "Stress". O quarteto, composto por Roosevelt Bala nos vocais e baixo, Pedro Lobão na guitarra, André Lopes Chamon na bateria e Leonardo Renda nos teclados, é o responsável por essa obra, que foi o primeiro disco de Heavy Metal a surgir em solo brasileiro.
Essa exibição de Heavy Metal com boas influências de Hard Rock é curta, tendo apenas 36 minutos de duração. Porém, é muito claro como a principal influência é o Deep Purple, principalmente pelos teclados. É possível notar certo amadorismo principalmente no vocal, que não é nem um pouco técnico e atrativo, além de que algumas linhas de vocal são confusas, parecem que não sabem para onde vão. O instrumental em si também é diversas vezes simples e direto. A qualidade da gravação, que não é das melhores, deixa o disco um pouco estranho, mas é uma verdadeira relíquia ainda assim. Fãs de bandas de Rock setentistas como Deep Purple e Led Zeppelin certamente se apegariam demais ao trabalho por ser quase uma conversão delas para o português. Contudo, a banda toca com um ritmo que, à época, era considerado rápido.
Muitas das letras têm foco em questões políticas e sociais, criticando a ditadura militar, por exemplo. Mas muitos trechos e títulos das canções sofreram alteração devido à censura imposta na época. Tempos negros de nossa história... Ainda assim, a faixa "O Oráculo de Judas" recebeu apreço da mídia e foi bastante tocada pelas rádios do Rio de Janeiro.
Há espaço até para controvérsias: o vocalista Roosevelt é contrário à ideia de que o Metallica foi o primeiro a executar um Thrash Metal veloz, uma vez que o Stress já tocava rápido ainda antes do lançamento de "Kill 'Em All", de 1983, um ano mais tarde em relação ao debut do Stress. Portanto, o músico põe sua banda não apenas como pioneira do Metal no Brasil mas também a primeira de Speed Thrash Metal no mundo, o que já é absurdo, até pelo Thrash Metal do Stress naquele ponto ser apenas elemental, enquanto o Metallica fazia Thrash de fato, além de bem mais veloz e técnico.
Passados três anos, novas alterações na formação ocorrem: saíram o guitarrista Pedro Lobão e o tecladista Leonardo Renda. Alex Magnum chegou para preencher a função de guitarrista, enquanto Bosco ocupou a função de baixista, que no primeiro álbum era exercida pelo vocalista Roosevelt. Leonardo Renda permaneceu na banda, embora não mais oficialmente, só que como membro de sessão, quebrando um galho pois seus teclados ainda eram desejados.
Com isso, ainda em 1985, somos presenteados com o lançamento do segundo álbum de estúdio, intitulado "Flor Atômica", via Polyfar Records. O amadurecimento musical é gritante! Roosevelt passa a utilizar técnicas agudas de vocal de forma muito respeitável, enquanto backing vocals o apoiam e o instrumental se torna muito melhor estruturado, colocando-os com cara de banda grande, de renome. Entretanto, os teclados passaram a receber menos atenção, se tornando meramente apoio dos demais instrumentos ao invés do papel determinando do primeiro disco. Efeitos da saída de Leonardo.
Apesar de ser um trabalho de inéditas, algumas faixas do álbum anterior como "Mate O Réu" e "Sodoma e Gomorra" foram repaginadas, regravadas e incluídas no set. Comparar as duas versões é o mais evidente modo de notar como os caras se desenvolveram musical e criativamente. Não é á toa que a partir daqui consolidaram-se no underground brasileiro.
Shows foram apresentados nos tempos que se seguiram, porém, prováveis conflitos levaram a banda a não trabalhar em um terceiro álbum e encerrar suas atividades em 1987.
Somente em 1995 o Stress decidiu se reunir para manter a pioneira do gênero no Brasil na ativa. Mas voltaram como um power trio composto por Roosevelt Bala no vocal e baixo, Paulo Gui na guitarra e André Lopes Chamon nas baquetas. Rapidamente em 1996 chegou, de forma independente, o terceiro álbum de estúdio, nomeado "III". Esse ótimo trabalho é o mais pesado, dignamente Heavy Metal puro. Mas há algumas diferenças em relação aos anteriores: o vocal de Roosevelt, embora permaneça agudo, não mais dá puxadas ainda mais agudas como antes e o instrumental é mais seco e purista, não só por uma mais forte distorção da guitarra de Paulo Gui como também pela total ausência de teclados, exceto pelas últimas três faixas, sendo que em "Aventura" o instrumento é tocado pelo membro de sessão Hermínio Dias, e em "Vigília" e "Fé Em Procissão", pelo próprio vocalista Roosevelt.
A sonoridade em geral não é Speed como em "Flor Atômica". Aqui já apostam muitas vezes na cadência e melodismo. Violões também são introduzidos nas introduções de faixas como "Nada A Perder" e "Folha No Vento", acrescentando diversidade à musicalidade.
Mesmo se mantendo ativos desde então, o trio não lançou mais nenhum álbum de inéditas. O máximo que saiu foi a single de apenas uma música "Coração de Metal", de 2005, que mais tarde, em 2009, seria incluída na compilação "Live 'n' Memory", uma coletânea de registros ao vivo, da demo lançada em 1986 e dessa nova single.
Rumores sobre o lançamento de um novo álbum circulam atualmente, mas o Stress não confirmou nada oficialmente. 
O Stress escreveu uma importante página da história da música pesada no Brasil e isso há de ser respeitado. São um dos dinossauros de nossa terra, executando um som com aquele estilo clássico do Heavy Metal brasileiro, que é único! Que novos álbuns venham!


 Stress (1982)

01 - Sodoma e Gomorra
02 - A Chacina
03 - 2031
04 - Oráculo do Judas
05 - Stressencefalodrama
06 - O Viciado
07 - Mate O Réu
08 - O Lixo


 Flor Atômica (1985)

01 - Heavy Metal
02 - Não Desista
03 - Mate O Réu
04 - Flor Atômica
05 - Esperando O Messias
06 - Forças do Mal
07 - Inferno Nuclear
08 - Sodoma e Gomorra
09 - Tributo Ao Prazer
10 - Jennie


 Demo 86 (Demo) (1986)

01 - Vale O Que Tem
02 - Vida e Glória
03 - Nossa Vez
04 - Aventura


 III (1996)

01 - Estrela Azul
02 - Sexo Anual
03 - Nada A Perder
04 - Dança do Trem
05 - Folha No Vento
06 - Maria Mentira
07 - Dor e Prazer
08 - Aventura
09 - A Tua Mãe É Moça?
10 - Vigília
11 - Fé Em Procissão
12 - Coração de Metal (Bonus Track)


 Live 'n' Memory (Compilation) (2009)

01 - Heavy Metal (Live)
02 - Sodoma e Gomorra (Live)
03 - A Chacina (Live)
04 - Stressencefalodrama (Live)
05 - Inferno Nuclear (Live)
06 - Flor Atômica (Live)
07 - Mate O Réu (Live)
08 - Folha No Vento (Live)
09 - O Lixo + Drum Solo (Live)
10 - Não Desista (Live)
11 - A Tua Mãe É Moça? (Live)
12 - Vale O Que Tem (1986 Demo)
13 - Vida e Glória (1986 Demo)
14 - Nossa Vez (1986 Demo)
15 - Aventura (1986 Demo)
16 - Coração de Metal


2 comentários:

  1. Essa banda escupio a memória eterna do heavy metal brasileiro. Excelente banda. honra e amor ao metal \../.

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