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domingo, 19 de abril de 2015

Rage Against The Machine - Discografia

Para que impôr regras na música? Regras no que devemos ouvir? Regras no que pode ou não pode ser misturado a determinado gênero musical? Pra quê? Música é uma arte universal e gostar de mais de um estilo musical é natural. Mais interessantemente ainda, é também natural sempre ter alguém que misture dois gêneros teoricamente distantes entre si. Isso é bem comum no Rock e Metal. Por isso costumo ter a ideia de que, se bem feito, qualquer estilo musical é compatível. Basta estruturar corretamente, o que é não é uma tarefa fácil e exige muita criatividade.
Rock e Rap. Dois gêneros musicais incompatíveis, em tese. Entretanto, podemos apreciar exemplos muito bem feitos desse híbrido entre os dois universos a partir de bandas como Linkin Park, ou mesmo Anthrax em algumas músicas com o Public Enemy, grupo de Hip Hop. Um outro exemplo - poderoso, diga-se de passagem - nasceu em Los Angeles, na Califórnia, no ano de 1991, quando quatro músicos decidiram formar uma banda com tal finalidade: o famoso Rage Against The Machine.
Não apenas o Rage Against The Machine une de forma sublime Rock e Rap em um único composto, mas também carrega em suas músicas importantes e fortes mensagens ativistas com ideais esquerdistas, criticando as políticas estadunidenses com pontos de vista até insultantes. E o mais bacana é que nunca foram hipócritas: sempre participaram de protestos. Certamente a mensagem contida em suas canções foram, além da excelente musicalidade, grandes impulsores da fama que a banda alcançou, principalmente pelo fato da música ultrapassar barreiras políticas, sociais e culturais.
Gigantes, o quarteto formado pelo vocalista rapper Zack de La Rocha, pelo criativo e técnico guitarrista Tom Morello, pelo baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk voou alto e fez com que o Rage Against The Machine se tornasse uma das maiores bandas da história do Rock, mesmo com poucos discos lançados. Alcançaram platinas com altas vendagens e tiveram dois de seus trabalhos incluídos na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, elaborada pela importante revista Rolling Stone, em 2003.
Tudo começou quando o guitarrista Tom Morello saiu da banda Lock Up em 1991. Certa noite estava em um club em Los Angeles, onde o vocalista Zack de La Rocha estava fazendo freestyle rapping. Morello se impressionou e convidou Zack para formar uma banda. Na sequência, Morello chamou o baterista Brad Wilk (já conhecido pelo guitarrista por ter feito testes no Lock Up) enquanto Zack convidou seu amigo de infância Tim Commerford para ser baixista. Com a formação fechada, só faltava um título mesmo para a banda. O nome "Rage Against The Machine" foi escolhido devido a uma música que Zack de La Rocha havia escrito para sua banda anterior, Inside Out. Este também seria o título de um álbum que nunca foi lançado pela banda.
Não levou muito tempo para começarem a se apresentar ao vivo. Pouco depois, ainda em 1991, já veio a primeira demo. Lançada de forma independente, era composta por doze músicas e intitulada com o nome da banda. Muitas gravadoras se interessaram no que estes caras estavam fazendo, e eventualmente ofereceram contratos. A escolhida foi a Epic Records devido à liberdade criativa dada ao conjunto.
O primeiro álbum de estúdio foi lançado em 1992, também autointitulado. Apresentando uma genuína fusão entre Nu Metal e Rap, e composto por várias faixas presentes na demo, o disco obteve grande repercussão e apreço da mídia e do público. Não é à toa que alcançou tripla platina, principalmente graças a faixas como "Killing In The Name", além de ter ficado na 368ª colocação da lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da Rolling Stone em 2003.
Liricamente as canções não têm construções complexas, já que são cantadas ao estilo Rap e há muitas repetições de palavras e frases, mas casam muito bem com a sonoridade e o resultado geral é realmente satisfatório, até mesmo revolucionário à época. Interessante que não só as músicas são diferentes de tudo e as mensagens são abusivamente ideológicas, mas até á capa do álbum é um convite à crítica: trata-se de uma foto tirada em 1963 por Malcolm Browne em Saigon, no Vietnã, no momento em que um monge budista vietnamita chamado Thich Quang Duc ateia fogo em si mesmo até a morte em protesto ao assassinato de budistas pelos Estados Unidos.
Uma turnê de divulgação sucedeu ao lançamento, chegando a tocarem no Lollapalooza em 1993 e a excursionar com o Suicidal Tendencies pela Europa.
Você vê como uma banda está realmente deslanchando no cenário quando ela começa a produzir trilhas sonoras para filmes (ou em outros casos, jogos eletrônicos). Foi exatamente o que aconteceu após a turnê. Participaram da trilha sonora do filme "Higher Learning" com as faixas "Year of Tha Boomerang" e uma versão antiga de "Tire Me", ambas inéditas até então (viriam a integrar o próximo álbum). Na sequência, regravaram a faixa "Darkness" da primeira demo para que fosse incluída na trilha sonora de "O Corvo", bem como "No Shelter" entrou estrelou em "Godzilla". Faixa bem rara, esta última.
Rumores sobre uma possível separação do conjunto se espalharam pelas bocas dos fãs nos tempos subsequentes. Rumores estes que não se concretizaram - muito pelo contrário: a banda surgiu com tudo em 1996 com um novo e ótimo álbum, intitulado "Evil Empire". Foi um verdadeiro sucesso de vendas, chegando à primeira colocação do Top 200 da Billboard e consequentemente alcançando tripla platina mais tarde. Uma das faixas é bastante conhecida para quase qualquer jogador de videogame, uma vez que integrou o game "Guitar Hero III: Legends of Rock": claro, "Bulls On Parade". Aliás, ela também foi tocada no Saturday Night Live em abril de 1996. Aquela performance era para contar com duas faixas, mas apenas uma foi tocada pois a banda tentou pendurar bandeiras dos Estados Unidos de cabeça para baixo nos amplificadores, protestando pelo fato do candidato à presidência republicano Steve Forbes ser convidado do anfitrião naquela noite.
Uma turnê de divulgação veio a seguir. Em 1997 abriram um show para o U2 no PopMart Tour, onde todo o lucro do Rage Against The Machine foi destinado a organizações beneficentes. A seguir, excursionaram pelos Estados Unidos com o Wu-Tang Clan abrindo seus shows (um grupo de Hip Hop nova-iorquino). Por onde passavam geravam muita polêmica com suas mensagens, por isso as polícias de muitos estados tentaram cancelar os shows alegando que o quarteto transmitia "filosofias violentas e anti-lei", mas sem sucesso.
Em 1998 uma compilação foi lançada pela Sony Records assim que pisaram em solo japonês para divulgação do "Evil Empire". "Live & Rare" era composta por canções ao vivo e outras lado-B, uma verdadeira relíquia para colecionadores.
Um ano mais tarde se apresentaram no Woodstock '99, até que, pouco depois, mas um aclamado (e ainda mais maduro) álbum é lançado. "The Battle of Los Angeles" foi, para variar, mais um sucesso comercial e novamente coadjuvou a primeira colocação na Billboard 200 após vender 450 mil cópias logo na primeira semana. Posteriormente o álbum subiu à dupla platina. Esse expressivo registro foi posto na 426ª posição da lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, elaborada pela Rolling Stone em 2003. É outro marco da música.
Novamente a banda foi premiada com mais faixas escolhidas para trilhas sonoras de filmes. "Wake Up" entrou em "Matrix", enquanto "Calm Like A Bomb" fez parte de "Matrix Reloaded".
Até o ano 2000, a banda só voava cada vez mais alto. Nada poderia pará-los... exceto a concretização dos antigos rumores sobre uma possível separação. O vocalista Zack de La Rocha anunciou, naquele ano, seu desmembramento do Rage Against The Machine devido às disparidades de opiniões quando estão prestes a decidir algo pela banda. Não estavam mais na mesma sintonia.
Mesmo após a separação, mais um disco de estúdio saiu, mas num caráter mais de compilação. É o raro "Renegades", de 2000, que consiste em uma coleção de covers de diversos artistas do âmbito do Rock e do Rap que muito os influenciaram. É mais um disco tratado como peça de colecionador.
Em 2003 a Epic Records lançou o primeiro registro ao vivo da discografia, intitulado "Live At The Grand Olympic Auditorium", gravado, claro, no Grand Olympic Auditorium, em Los Angeles, nos dias 12 e 13 de setembro de 2000. Originalmente era previsto para sair em novembro de 2000, mas o lançamento foi segurado devido ao fim da banda. A data foi remarcada então para  2001, mas a formação de outra banda envolvendo os antigos membros do Rage Against The Machine atrasou os planos novamente.
Essa banda é o Audioslave. Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk ainda planejavam manter o Rage Against The Machine vivo, por isso procuravam um novo vocalista. Nessa caça, acabaram encontrando e fazendo amizade com Chris Cornell, mas acabaram mesmo é formando outra banda.
Enquanto o Audioslave dava seus primeiros passos rumo ao sucesso, membros ex-Rage Against The Machine também trabalhavam paralelamente. Tom Morello iniciou um projeto solo de Folk acústico com temas políticos sob o apelido "The Nightwatchman". Mais tarde, por volta de 2008, juntou-se à Boots Riley e formou outra banda de Rap Rock, chamada Street Sweeper Social Club.
Por outro lado, Zack de La Rocha também iniciou carreira solo em colaboração com músicos como DJ Shadow, Company Flow, Roni Size e Questlove, mas parou no meio do caminho porque começou a trabalhar com o vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor. Contudo, foi outro projeto que até chegou até ser totalmente gravado, mas nunca lançado. Nos anos seguintes, Zack foi muitas vezes visto se apresentando junto com vários artistas do mundo do Hip Hop, mas sem maiores pretensões como lançamentos de discos.
Rumores sobre um possível retorno da banda começaram a circular por volta de 2005. Provavelmente porque ofereciam muito dinheiro para a banda retornar e realizar shows, mas nenhuma era aceita. Todos os membros se davam bem, até dizem que surfavam juntos. 
Eventualmente os rumores se fortaleceram devido ao vazamento da informação de que se apresentariam no Coachella Valley Music and Arts Festival em janeiro de 2007, o que de fato aconteceu. A princípio o plano era que realizassem um único show, só que o calor do palco e da reunião fez bem ao quarteto, que passou o resto dos anos de 2007 e 2008 se apresentando em "comemoração" à reunião e, igualmente importante para eles, criticando o governo de George W. Bush. Passaram então por vários países como Austrália, Nova Zelândia, Japão, Europa, além de seu próprio, apresentando-se em diversos festivais de renome.
Apesar de se apresentarem intensamente ao redor do globo nos anos que se seguiram, jamais confirmaram se um novo álbum está sendo escrito. As respostas são sempre evasivas e seguidas por comentários sobre serem apenas uma banda ao vivo atualmente. Não dão certeza de nada, mas provavelmente estão sim trabalhando em algo, talvez não com tanto empenho, por motivos pessoais de cada integrante, eu diria.
No entanto, o fato é que o Rage Against The Machine, com toda sua irreverência, atitude, polêmica, e até sonoridade divisora de águas, é uma das maiores e mais singulares bandas que o mundo já viu. Amplamente premiada e bem-sucedida. Enquanto um novo álbum não vem - se é que virá -, vale a pena esquentar as orelhas com os excelentes trabalhos deixados para nós. Apenas três álbuns de estúdio. Porém, três jóias.


 Rage Against The Machine (Demo) (1991)

01 - Bombtrack
02 - Take The Power Back
03 - Bullet In The Head
04 - Darkness of Greed
05 - Clear The Lane
06 - Township Rebellion
07 - Know Your Enemy
08 - Mindset's A Threat
09 - Killing In The Name
10 - Autologic
11 - The Narrows
12 - Freedom


 Rage Against The Machine (1992)

01 - Bombtrack
02 - Killing In The Name
03 - Take The Power Back
04 - Settle For Nothing
05 - Bullet In The Head
06 - Know Your Enemy
07 - Wake Up
08 - Fistful of Steel
09 - Township Rebellion
10 - Freedom


 Evil Empire (1996)

01 - People of The Sun
02 - Bulls On Parade
03 - Vietnow
04 - Revolver
05 - Snakecharmer
06 - Tire Me
07 - Down Rodeo
08 - Without A Face
09 - Wind Below
10 - Roll Right
11 - Year of Tha Boomerang


 Live & Rare (Compilation) (1998)

01 - Bullet In The Head (Live)
02 - Settle For Nothing (Live)
03 - Bombtrack (Live)
04 - Take The Power Back (Live)
05 - Freedom (Live)
06 - Black Steel In The Hour of Chaos (Live)
07 - Zapata's Blood (Live)
08 - Without A Face (Live)
09 - Hadda Be Playing On The Jukebox (Live)
10 - Fuck Tha Police (Live)
11 - Darkness
12 - Clear The Lane
13 - The Ghost of Tom Joad
14 - People of The Sun (Live)
15 - No Shelter (Live)


 The Battle of Los Angeles (1999)

01 - Testify
02 - Guerrilla Radio
03 - Calm Like A Bomb
04 - Mic Check
05 - Sleep Now In The Fire
06 - Born of A Broken Man
07 - Born As Ghosts
08 - Maria
09 - Voice of The Voiceless
10 - New Millennium Homes
11 - Ashes In The Fall
12 - War Within A Breath


 Renegades (2000)

01 - Microphone Fiend (Eric B. & Rakim Cover)
02 - Pistol Grip Pump
03 - Kick Out The Jams (MC5 Cover)
04 - Renegades of Funk (Afrika Bambaataa Cover)
05 - Beautiful World (Devo Cover)
06 - I'm Housin' (EPDM Cover)
07 - In My Eyes (Minor Threat Cover)
08 - How I Could Just Kill A Man? (Cypress Hill Cover)
09 - The Ghost of Tom Joad (Bruce Springsteen Cover)
10 - Down On The Stree (The Stooges Cover)
11 - Street Fighting Man (The Rolling Stones Cover)
12 - Maggie's Farm (Bob Dylan Cover)
13 - Kick Out The Jams (MC5 Cover) (Live Version)
14 - How I Could Just Kill A Man? (feat. B-Real and Sen Dog) (Cypress Hill Cover) (Live Version)


 Live At The Grand Olympic Auditorium (Live) (2003)

01 - Bulls On Parade
02 - Bullet In The Head
03 - Born of A Broken Man
04 - Killing In The Name
05 - Calm Like A Bomb
06 - Testify
07 - Bombtrack
08 - War Within A Breath
09 - I'm Housin'
10 - Sleep Now In The Fire
11 - People of The Sun
12 - Guerrilla Radio
13 - Kick Out The Jams
14 - Know Your Enemy
15 - No Shelter
16 - Freedom


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