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terça-feira, 28 de abril de 2015

Persefone - Discografia

Misturar gêneros distintos é uma prática que exige muita criatividade e maturidade, ainda mais em se tratando do aplicamento do Progressive Metal. Por vezes o resultado pode ser bem insatisfatório. No entanto, há bandas que conseguem exceder o limite do satisfatório e alcançam resultados impressionantes! A beleza do Persefone jaz nesse detalhe. Dificilmente encontramos bandas que misturam gêneros melódicos como o Progressive Metal e extremos como o Death Metal e alcançam um nível tão elevado e cativante. Esses caras são simplesmente excepcionais!
Essa fantástica banda surgiu no ano de 2001 em Andorra-a-Velha, capital do pequeno país europeu de Andorra, falante do catalão e esmagado entre a Espanha e a França. Tendo em vista que a população do país não chega sequer aos 75 mil habitantes, é extremamente difícil encontrar grandes bandas oriundas de lá. Contudo, como toda regra tem exceção, o Persefone vem para nos impressionar com sua musicalidade fora de série!
Tudo começou por iniciativa dos amigos Carlos Lozano Quintanilla (guitarra), Jordi Gorgues Mateu (guitarra), Toni Mestre Coy (baixo) e Xavi Pérez (bateria), que deram o nome de Persefone à banda, em referência à deusa grega Perséfone, filha de Zeus e Deméter, deusa das flores, frutos, ervas e perfumes, sobrinha e esposa de Hades, rainha do mundo inferior. O primeiro recrutamento aconteceu em 2002 com a chegada do tecladista Miguel Espinoza Ortiz.
Inicialmente os responsáveis pelos vocais, que alternam guturais e graves limpos graves, eram o guitarrista Carlos Lozano e o tecladista Miguel Espinoza. Foi com esse perfil que os caras entraram em estúdio e lançaram em dezembro de 2004 o álbum de estreia "Truth Inside The Shades", via Adipocere Records.
Trata-se de um pontapé inicial sinistro e com o pé direito! Nesse maravilhoso disco os andorranos aplicam uma sólida mistura composta por Symphonic, Black, Gothic e, claro, Progressive Metal. A técnica vocal extrema mais utilizada aqui é o gutural rasgado típico do Black Metal, enquanto o gutural fechado, típico do Death Metal, é bem menos explorado, utilizado apenas como backing vocal em alguns trechos. Impressionante é a raça com a qual essas agressivas técnicas são feitas! O lado Gothic contribui não apenas com a atmosfera arcaica e obscura típica, mas também com a introdução de graves vocais limpos que se apresentam como se estivessem em transe. A principal aposta dos caras, o Prog, não aparece de forma tão latente, exceto por alguns trechos e na última faixa. Ele contribui mais com técnica subjetiva e longa duração das faixas. Nada extremamente fritado. Todos esses elementos são guiados pelo lado Symphonic e sua bela aplicação de teclados, que não é nada exagerada e complementa muito bem a atmosfera negra desse trabalho idealizado e produzido com excelência.
Algumas pequenas turnês sucederam ao lançamento, mas com nova formação, pois ainda em 2004 o baterista Xavi Pérez deixou o conjunto e foi substituído pelo produtor da banda, o talentoso Aleix Dorca Josa. Ainda no mesmo ano deu tempo de desafogar Carlos Lozano de sua função extra de vocalista gutural e entregá-la ao novo membro Marc Martins Pia, que chegou exclusivamente para tal fim.
Essa foi a formação que entrou no estúdio e lançou através da Soundholic Records o magnífico álbum conceitual "Core" em 2006. Ele é composto apenas por três canções com mais de 20 minutos de duração que contam a história da deusa que dá nome à banda. "Core" vem de Coré, nome de Perséfone quando ainda pura e inocente na época que vivia no Olimpo. Ela se torna Perséfone depois de desposada à força por seu tio Hades que, apaixonado e louco de ódio após uma luta com seu irmão Zeus, levada-a ao mundo inferior, onde ela se nega a se alimentar. A fome a levou a não resistir à tentação de comer o fruto proibido, permitido apenas aos condenados. O efeito foi a implantação o mal no coração de Coré, tornando-a Perséfone.
Toda essa história é contada através de um álbum musicalmente impressionante e apocalíptico! A banda passa a usufruir mais de suas influências Progressivas, unindo-a bem sucedidamente ao Death Metal com rastros melódicos a um nível de deixá-lo boquiaberto. É aqui que a fritação da banda dá seus primeiros enormes passos: os riffs são fodaços e pesadíssimos, com criativas e pontuais quebradas e muita escala. Os solos também esculacham, mas também são pontuais. Isso é porque a principal preocupação da banda era transmitir a história.
O Symphonic Metal do "Truth Inside The Shades" desapareceu. Agora os teclados são utilizados inteiramente ao melhor estilo Progressive Metal, contribuindo com arranjos providenciais de base e solo tanto em efeitos de piano quanto nos demais sons sintéticos, muitos aparecendo em velozes solos.
Vocalmente a banda também mudou, graças à chegada de Marc Martins Pia. Ele contribui com os avassaladores vocais guturais fechados intensamente aplicados nesse trabalho, em consonância com os ferozes guturais rasgados com a raça do álbum anterior. Por vezes eles cantam ao mesmo tempo no fim de algumas frases, dando aquele efeito monstruoso de arrepiar! Claro, os graves vocais limpos também recebem atenção, como anteriormente. Aparece em alguns refrões (chamemos assim devido à melodia dos trechos, pois o trabalho é retilíneo e sem refrões), emprestando diversidade ao trabalho.
Já o conceito lírico é em linha reta, sem muita repetição de estrofes, logo, sem refrões. As canções são divididas em diversos atos que guiam como o instrumental vai soar. Cada uma das três faixas conta a história sob uma perspectiva diferente: "Sanctuary: Light and Grief" é do ponto de vista de Deméter; "Underworld: The Fallen & The Buttlerfly", da perspectiva de Hades; e por fim, "Seed: Core & Persephone", dos olhos e coração de Coré, ou Perséfone.
Há também uma participação especial não creditada no álbum. Um lindo vocal feminino que aparece sempre que a passagem lírica é pertinente à pura Coré (os trechos como Perséfone são guturais, afinal, é o lado sombrio da deusa). Não se sabe quem é a responsável.
"Core" possui todos os atributos de um grandiosíssimo álbum conceitual, onde não apenas as letras se comunicam com o ouvinte, mas também o instrumental. Cada arranjo e riff é cuidadosamente composto de forma a representar o momento em que a história se passa, seja batalha, seja angústia, seja tristeza, ódio, ou os efeitos desses sentimentos. É genial e espetacular. Uma obra-prima do Progressive Death Metal!
Nova mudança na formação ocorreu na sequência, novamente na bateria. Saiu Aleix Dorca Josa e entrou Marc Mas Marti. Então o sexteto novamente invadiu o estúdio e se preparou para mais um fodaço lançamento.
Agora inspirados na cultura japonesa e talvez de alguma forma no livro estratégico japonês "O Livro dos Cinco Anéis", escrito pelo lendário espadachim Miyamoto Musashi, os rapazes surgiram novamente em 2009 com o álbum "真剣", ou "Shin-Ken", nome da espada exibida pelo samurai na bela capa.
O trabalho é primoroso como se deve ser e esperar do Persefone, com o correto balanceamento entre os vocais extremos e o espaço para o limpo. A musicalidade é uma montanha-russa devido à constante transição entre calmaria e tempestade, além da diversidade entre músicas tranquilas e pegadas. Nas músicas mais energéticas temos ainda momentos mais comportados e outros mais fritantes, com solos técnicos e frenéticos de guitarra e teclado. Instrumentação japonesa pode ser elementalmente apreciada, como em "Fall To Rise" e "Rage Stained Blade", provavelmente graças a efeitos de teclado. Mas um ponto negativo é o retrocesso no âmbito das baquetas, pois mesmo que tenha feito um bom trabalho, Marc Mars não fez um serviço de encher os olhos.
No geral, a postura da banda é mais melódica. Executam um Progressive Melodic Death Metal com a veia Melodeath um tanto mais contundente, só que não de forma genérica. Elementos de Black Metal aparecem aqui e ali em alguns riffs de rápidas palhetadas alternadas, mas não passa do nível elemental, mesmo que os vocais rasgados típicos do gênero ainda sejam constantemente explorados.
Quatro anos mais tarde é a vez do quarto álbum de estúdio chegar às prateleiras, através da ViciSolum Productions. "Spiritual Migration" já é um estupendo álbum que aposta no mais genuíno Progressive Melodic Death Metal possível, com todos os seus atributos intensamente realçados. O Prog aqui é uma surra, com muita técnica e exibicionismo, cheio de quebradas, escalas e velocidade, enquanto o Melodic Death Metal é claríssimo de instrumental a vocal; o instrumental mais genérico do estilo é perfeitamente fundido ao Progressive Metal resultando em uma musicalidade singular. Prova da grande atenção ao Melodeath é o fato de abrirem mão dos guturais fechados e inserir integralmente vocais rasgados, não ao estilo Black, mas ao estilo Melodeath, que é diferente, mais urrado, aberto e agressivo. Outro detalhe é a volta dos holofotes à bateria, que é variada e cheia de recursos. O clima aqui é mais moderno, profundo e até tecnológico, o que faz deste um bom ponto de partida de quem gosta de bandas atuais. Álbum fantástico, com muitas atmosferas diferentes, assim como "Shin-Ken", logo, um disco muito diversificado.
Outra vez o conjunto sofreu troca de bateristas em 2015. Com a saída de Marc Mas Marti, Sergi Verdeguer assumiu a vaga.
Impressionantes, fabulosos, o Persefone é uma banda que todo tipo de ajetivo não é suficiente para dizer precisão a excelência deles. É só no ouvido, com a degustação correta. Seus trabalhos são intensos e necessitam de insistência para a assimilação. Coisa que o Prog nos obriga a fazer. Mas uma vez compreendida a sonoridade, vicia. Banda como nenhuma outra, para tirar o chapéu.


 Truth Inside The Shades (2004)

01 - My Unwithered Shrine (Prologue)
02 - The Whisper of Men
03 - Truth Inside The Shades
04 - Niflheim (The Eyes That Hold The Edge)
05 - Atemporal Divinity
06 - The Demise of Oblivion
07 - The Haunting of Human's Denial (Japanese Bonus Track)


 Core (2006)

01 - Sanctuary: Light & Grief
02 - Underworld: The Fallen & The Butterfly
03 - Seed: Core & Persephone
04 - Train of Consequences (Megadeth Cover) (Japanese Bonus Track)


 真剣 / Shin-Ken (2009)

01 - The Ground Book (Intro)
02 - Fall To Rise
03 - Death Before Dishonour
04 - The Water Book
05 - The Endless Path
06 - The Wind Book
07 - Purity
08 - Rage Stained Blade
09 - The Fire Book
10 - Kusanagi
11 - Shin-Ken Part I
12 - Shin-Ken Part II
13 - The Void Book
14 - Japanese Poem
15 - Sword of The Warrior (Cacophony Cover) (Bonus Track)


 Spiritual Migration (2013)

01 - Flying Sea Dragons
02 - Mind As Universe
03 - The Great Reality
04 - Zazen Meditation
05 - The Majestic of Gaia
06 - Consciousness Pt. 1: Sitting In Silence
07 - Consciousness Pt. 2: A Path Tto Enlightenment
08 - Inner Fullness
09 - Metta Meditation
10 - Upward Explosion
11 - Spiritual Migration
12 - Returning To The Source
13 - Outro


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