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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Centúrias - Discografia

Muitos tendem a subestimar o clássico Heavy Metal brasileiro, geralmente por terem ouvido uma ou outra banda que não gostaram tanto e acabarem abatendo todo o rebanho por causa de uma cabeça de gado. Principalmente os mais novos costumam achar que bandas clássicas são "coisa de velho" e que elas não são capazes de impressionar novos ouvintes, acostumados com os padrões modernos. Se você é jovem e tem esse tipo de ideia, principalmente em se tratando de nosso som tradicional, esteja pronto para mudá-la, porque o Centúrias é um dos pioneiros do Heavy Metal no Brasil e desde cedo já tinham qualidade inquestionável. A maneira como compõem suas músicas é madura e natural, sem causar estranhezas por comporem letras em português.
Foi em São Paulo, no ano de 1980, que o baterista Paulo Thomaz decidiu fundar uma banda que fizesse aquele som pesado que tanto estourava na época. Que mexia com a cabeça dos ouvintes (literalmente) e os fazia adotar uma identidade e desenvolver grande paixão. Afinal, ele era um deles.
Paulo adotou para a banda o nome Centúrias após sugestão daquele jornalista sem papas na língua, o Régis Tadeu, e completou a primeira formação com o vocalista Eduardo Camargo, o guitarrista Paulo Roberto, o falecido baixista Cacá e o tecladista Aguinaldo Martins.
Ainda antes de começarem a subir aos palcos, gravaram algumas canções com o auxílio do baixista Gerson Tatini (Rita Lee, Secos & Molhados), até que na noite de Halloween de 1981, realizaram seu primeiro show no antigo Teatro Idema, no bairro Jabaquara, na capital paulista. Enquanto a formação sofria algumas alterações dos tempos subsequentes, shows eram realizados com alguma regularidade. Uma das alterações mais relevantes na formação foi a saída do tecladista Aguinaldo Martins devido à decisão de seguir uma linha pesado e pura, sem o auxílio do instrumento.
Em 1983, mais uma demo foi gravada, composta por quatro faixas e produzida por Rolando Castello Júnior, baterista do Patrulha do Espaço, banda que também já gravou discos no Abertura Estúdio, mesmo estúdio onde essa demo foi gravada.
Os caras estavam havia algum tempo sem realizar shows, até pela dedicação à demo, então só um pouco depois do lançamento da mesma é que voltaram aos palcos. Fato curioso é que os roadies do primeiro show desde a demo, realizado no Teatro Paulo Eiró, eram os mesmos caras que mais tarde formariam um dos maiores nomes do Thrash Metal no Brasil: o Korzus.
Em 1984, após mais algumas alterações no line-up, o Centúrias participou de uma das splits mais lendárias da história do Metal brasileiro: a SP Metal I. O Centúrias contribuiu, além das bandas Avenger, Salário Mínimo e Vírus, com as faixas "Duas Rodas" e "Portas Negras". Por ter sido um dos primeiros registros de Heavy Metal a ser lançado em solo brasileiro, SP Metal foi um grande marco na nossa linha do tempo, principalmente pelo fato de ter tido grande aceitação, alavancando as bandas envolvidas. O Centúrias mesmo só teve a ganhar, alcançando um público ainda maior que se interessou muito por suas músicas.
A cada show e a cada contato que novas pessoas tinham com as músicas do Centúrias, mais o status aumentava. Com muita razão, diga-se de passagem. Com o respeito crescendo, algum registro sólido precisava ser lançado pela banda. Por isso em 1986, já configurados como um quarteto composto por Eduardo Camargo no vocal, Adriano Giudice na guitarra, Rubens Guarnieri no baixo e Paulo Thomaz na bateria, lançaram o primeiro trabalho da banda, o EP "Última Noite", através do selo Baratos Afins. Esse registro é simplesmente maravilhoso! Acima do nível de qualquer banda do gênero em atividade tanto naquela época quanto nos anos posteriores. A sonoridade é um Heavy Metal tradicional com pitacos de Hard Rock muito bem arquitetado e lúcido. Os riffs são inteligentes e criativos, longe da linearidade da maioria das bandas. Os solos são velozes e sensacionais. Técnicos e cheios de recursos. Quanto ao vocal, simplesmente excelente e cantado de forma muito bem casada com o instrumental, em tons médios, trechos em tons mais altos, muitas puxadas agudas de muito respeito e ainda certa exploração de drives. A língua portuguesa não é nada estranha, até pela pronúncia de Eduardo ser um tanto nasal e "colada", se aproximando um pouco de um jeito inglês, contribuindo com a naturalidade lírica para o gênero. Não há como discordar que "Última Noite" um dos melhores registros de Heavy Metal em português lançados no Brasil, mesmo que seja um EP ao invés de um álbum.
Tempos um tanto turbulentos se assolaram a seguir, pois meio que a banda teve um bloqueio de criatividade e de relacionamento entre os integrantes. A começar pelo fato do baterista Paulo Thomaz se tornar membro temporário do Korzus, algo que não agradou nem um pouco aos demais integrantes por ele ter que dividir as atenções. Os ensaios deixaram de render e simplesmente não conseguiam compôr com a mesma natureza de antes. Isso tudo quando já planejavam o evidente próximo passo, que era o lançamento de um álbum completo. Alguns membros também se tornaram menos interessados em seguir naquela sonoridade, o que fez com que o tempo fechasse de vez nos céus da banda e um tornado passasse, levando a uma reformulação drástica da formação.
Por drástica entende-se drástica mesmo! O line-up se dissolveu em apenas o fundador Paulo Thomaz. Buscando concretizar os planos traçados para o Centúrias, correu atrás de novos músicos e preencheu novamente a formação com o vocalista Nilton "Cachorrão" Zanelli (ex-Santuário e Aerometal) e Marcos Patriota (guitarra) e Ricardo Ravache (baixo), ex-membros do Harppia. A nova cara da banda realmente deu certo no que diz respeito a entrosamento, pois os ares eram bem leves e todo mundo se entendia bem. Todos também eram focados: trabalhavam com vontade nas composições do próximo trabalho e ainda tocavam novas músicas durante os shows. Não demorou muito para perceberem que já tinham um repertório longo o suficiente para compôr um álbum.
Com isso, pularam para dentro do estúdio Guidon, em São Paulo mesmo, e trataram de gravar as faixas que representariam o álbum "Ninja", lançado em 1988 também pela Baratos Afins.
Embora não tivesse o mesmo charme e energia do EP "Última Noite", é muito claro como os integrantes estavam animados e se entendiam. O trabalho, mais voltado para um Heavy Metal purista, conta com os mesmos atributos criativos do que era executado no trabalho anterior, fazendo desse um álbum forte e convincente, ainda mais com seus solos maravilhosos. A mudança de voz não afetou a sonoridade pois o vocal de Nilton tem suas semelhanças com o de Eduardo, exceto pelo fato de que puxa menos nos agudos. Eles eram um belo cartão-postal do Centúrias, mas a menor exploração deles não torna esse registro menos interessante. Contudo, mesmo com toda a aceitação do público e da mídia, assim que "Ninja" foi lançado, a banda encerrou suas atividades.
O mais profundo silêncio se manteve pairando no ar durante os dezesseis anos seguintes. Até que em julho de 2004 esse silêncio foi interrompido por um show histórico de reunião do conjunto, ao lado do Harppia. O evento aconteceu graças ao guitarrista Tadeu Dias (Oitão), que tocou na vaga que seria de Marcos Patriota.
Novo silêncio irrompeu após aquela comemoração, perdurando até 2008, quando novos shows foram marcados, agora com uma nova formação onde apenas dois eram remanescentes do álbum "Ninja": o vocalista Nilton "Cachorrão" Zanelli e o baixista Ricardo Ravache. Os demais músicos eram o guitarrista Roger Vilaplana (ex-Nostradamus) e o baterista Júlio Príncipe (Aggression Tales, ex-Firebox). O Centúrias então voltou a subir aos palcos e acabou atingindo uma nova geração de fãs que puderam conhecer os saudosos trabalhos de outrora. Contudo, isso não significou necessariamente o retorno definitivo do grupo, uma vez que o intuito das apresentações era apenas comemorativo.
Acabou que os caras gravaram uma música inédita para o documentário "Brasil Heavy Metal" da produtora Ideia House. A volta ao estúdio animou o quarteto, que decidiu reativar definitivamente o Centúrias em 2012.
Tudo indica que os paulistanos estão vindo com um novo álbum nos próximos tempos. Excelente sinal disso foi o lançamento da single "Rompendo O Silêncio", em 2013, através do SoundCloud, composta por duas canções inéditas: "Ruptura Necessária" e "Sobreviver". Duas músicas que demonstram uma banda pesada, animada e afim de fazer Heavy Metal, de manter seu nome vivo.
O Heavy Metal tradicional brasileiro é, sem sombra de dúvidas, único, singular. Dotamos de excelentes bandas dinossáuricas que escreveram importantes páginas da história da nossa música pesada e, muito embora muitas sejam realmente boas, o Centúrias se destaca com muito mais facilidade. São simplesmente fantásticos!


 SP Metal: Vol I (Split) (1984)

01 - Avenger: Missão Metálica
02 - Centúrias: Duas Rodas
03 - Vírus: Matthew Hopkins
04 - Salário Mínimo: Cabeça Metal
05 - Centúrias: Portas Negras
06 - Salário Mínimo: Delírio Estelar
07 - Avenger: Cidadão do Mundo
08 - Vírus: Batalha No Setor Antares

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 Última Noite (EP) (1986)

01 - Não Pense, Não Fale
02 - Rock Na Cabeça
03 - Chama de Pouca Idade
04 - Duas Rodas
05 - Inferno Falso
06 - Última Noite


 Ninja (1988)

01 - Animal
02 - Senhores da Razão
03 - Guerra e Paz
04 - Arde Como Fogo (To Hell)
05 - Ninja
06 - Fortes Olhos
07 - Metal Comando
08 - Cidade Perdida

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 Rompendo O Silêncio (Single) (2013)

01 - Ruptura Necessária
02 - Sobreviver

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