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domingo, 12 de abril de 2015

Cacophony - Discografia

É ouvindo músicas como as do Cacophony que comprovamos que o Metal é um desmembramento da Música Erudita. É assim que vemos com clareza a virtuosidade de determinados músicos, que se o Metal fosse o primeiro estilo musical de todos os tempos, os caras seriam considerados grandes compositores e instrumentistas de todos os tempos, com ainda mais ênfase do que já são. E tudo isso é aguçado pela própria veia clássica introduzida nas canções. É um espetáculo de técnica, de classe, de velocidade, de habilidade.
Palavras fortes como essas definem o que é o Cacophony. Fora os rótulos: uma combinação de Shred, Progressive Metal - com todo o exibicionismo que ambos os gêneros têm a oferecer - e elementos Neoclássicos. Se você não os conhece, talvez pareça nome de banda de Death Metal, mas é bem longe disso!
Pode até ser que você nunca tenha mesmo ouvido falar do Cacophony, mas com certeza ouviu muito falar dos fundadores: a dupla de guitarristas-prodígio Marty Friedman e Jason Becker. Entre os dois, Friedman é mais conhecido, principalmente por, em tempos póstumos, ter integrado o line-up do Megadeth por nove anos.
A banda iniciou suas atividades no ano de 1986 em São Francisco, Califórnia. Rapidamente em 1987, com a formação composta, além dos dois guitarristas fundadores, por Peter Marrino no vocal e Atma Anur nas baquetas, chegou o primeiro álbum completo. Lançado através da Shrapnel Records, "Speed Metal Symphony" é um verdadeiro espetáculo de exibicionismo, talento, e técnicas para deixar o ouvinte estarrecido. Peter possui vocal firme com grande exploração de drives e facilidade para elevar os tons. Enquanto ele canta, a base instrumental é um Heavy Metal tradicional que casa perfeitamente com sua voz e com a própria década. Mas quando Friedman e Becker entram nos solos, é apavorante a velocidade das notas e as frequentes escalas, fora o fato de que as guitarras solam juntas, em perfeita sincronia. A musicalidade é aliada a elementos Neoclássicos que deixam o instrumental com um ar erudito, estreitando os laços com a música de alta classe. O álbum é lindo e todo o trabalho justifica a nona posição na lista de dos dez melhores álbuns de Shred de todos os tempos, elaborada em 2009 pela revista Guitar World.
Um ano mais tarde a banda passa a contar com um baixista fixo chamado Jimmy O'Shea, e com um novo baterista, Deen Castronovo. Com isso, mais uma obra fantástica é lançada pelo mesmo selo: "Go Off!". Os caminhos trilhados pelo disco anterior são mais ou menos seguidos aqui, mas com mais diversidade, como uso de guitarras limpas e violões e sons ambiente. Peter Marrino também canta com mais ira. Certamente, trata-se de mais um show de trabalho exibicionista de guitarras que alternam e se sincronizam de momentos a momentos.
Uma pena que o tempo de vida do Cacophony tenha sido tão curto. Três anos após o início das atividades, as mesmas foram encerradas. Cada um seguiu, então, seu próprio rumo solo que já haviam começado a trilhar. Ambos lançaram em 1988 seus próprios álbuns, solo, "Dragon's Kiss" e "Perpetual Burn", respectivamente de Marty Friedman e Jason Becker.
Em 1990, Friedman ingressaria na banda de Dave Mustaine e permaneceria até 1999, tempo suficiente para lançar cinco álbuns de estúdio, dentre os quais três são verdadeiras obras primas: "Rust In Peace" em 1990, "Countdown To Extinction" em 1992 e "Youthanasia" em 1994. Por outro lado, Jason Becker ingressaria na banda solo de David Lee Roth (vocalista do Van Halen) em 1989 mas permaneceria somente até 1991, participando apenas do álbum "A Little Ain't Enough", que saiu no mesmo ano de seu desligamento forçado com a banda devido ao início dos sintomas de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que o roubou a capacidade de tocar guitarra, e mais ,posteriormente de se mover e até mesmo falar. Um fim de carreira trágico para alguém tão virtuoso.
Embora viva em cadeiras de rodas atualmente, Jason Becker é um exemplo de teimosia e persistência. Não desistiu de sua maior paixão, que é a música, por isso continuou compondo e até mesmo lançando álbuns solo, graças à ajuda de parentes, amigos, e, claro, da tecnologia de um computador. Seu corpo pode ter perdido suas capacidades de locomoção, mas sua mente ainda é intacta.
Marty Friedman e Jason Becker nos deixaram dois álbuns maravilhosos antes de suas vidas tomarem rumos distintos. Toda a classe se resume em 15 faixas que valem muito a pena serem ouvidas, principalmente se você aprecia solos velozes e apelativos como essas duas feras eram capazes de executar juntas.


 Speed Metal Symphony (1987)

01 - Savage
02 - Where My Fortune Lies
03 - The Ninja
04 - Concerto
05 - Burn The Ground
06 - Desert Island
07 - Speed Metal Symphony


 Go Off! (1988)

01 - X-Ray Eyes
02 - E.S.P.
03 - Stranger
04 - Go Off!
05 - Black Cat
06 - Sword of The Warrior
07 - Floating World
08 - Images


4 comentários:

  1. Meu chapa, que porrada na orelha... Essa banda foi "FÊMONEMO" total.
    Graças ao bom DEUS, pude conferir Mr. Marty, estraçalhando as cordas algumas vezes durante os shows do Megadeth.por aqui no Brazil. Muito som, + 1 X, VLW WOTM... Obrigado...

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  2. EU SABIA QUE ESSE DIA IA ACONTECER... só falta a discografia do jason e marty

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  3. Nossa. Que foda. Sem nem o que dize...! \m/

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