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segunda-feira, 2 de março de 2015

Forest Stream - Discografia

Se tem algo que sempre admirei em diversos músicos do Metal em geral, é a capacidade de elevar a criatividade a parâmetros que se pelo menos um não tivesse imaginado, talvez ninguém imaginasse e fizesse. Quem iria imaginar, por exemplo, que era possível criar músicas realmente belas ou calmas mesmo que se faça uso de vocal gutural? Isso que é maneiro demais!
O Gothic e o Doom Metal são estilos que realmente conseguiram unir o pesado ao belo e ao mesmo tempo manter obscuro. Quando se une ambos, o resultado geralmente é muito positivo.
Lá na Rússia tem uma banda chamada Forest Stream que faz exatamente isso: a combinação entre esses dois lindos gêneros metálicos para alcançarem músicas negras, belas e ambientalizadas. Fundada em 1995 em Chernogolovka, cidadezinha situada 40 km a nordeste de Moscou, a banda trás o clima noturno e acompanhamento à tristeza e solidão que muitos buscam, mas sem perder momentos mais pegados, usufruindo de uma grata influência de Black Metal.
A princípio, eram apenas os fundadores Sonm (vocal, baterista e teclados) e Omin (guitarra e baixo) que sustentavam o projeto ainda embrião. Mas não tardou para o baixista Silent Anth começar a ajudar nas linhas do instrumento de sua especialidade e logo se tornar membro fixo. Foi como um trio que a banda lançou as suas primeiras demos: "Snowfall", em 1999, e "Last Season Purity", em 2001.
O ano de 2002 foi bastante intenso em atividade e emoção para os russos. Para começar, a formação ficou mais completa com a chegada do guitarrista Berserk e da baterista Elhella. Em seguida, vem a conquista do contrato com a Elitist Records, possibilitando maior foco e seriedade na composição do álbum de estreia. Mesmo diante de dificuldades desanimadoras como roubo de equipamento, destruição do estúdio onde ensaiavam e a mudança de Sonm à Holanda para cursar PhD em Física, a banda continuou viva e disposta a concretizar a ambição de lançar o debut.
A persistência levou ao lançamento do excelente "Tears of Mortal Solitude" no início de 2003. Trata-se de um álbum que não é a invenção da roda, mas roda que uma beleza. Os caras se mostram ótimos com uma musicalidade calma e ao mesmo tempo pesada, com riffs arrastados, guturais arrastados e também vocais limpos no modelo do que se espera de uma banda que faça Gothic/Doom. Claro, muito teclado é introduzido também, pois ele é quem completa o objetivo de transmitir uma atmosfera triste, cavernosa, obscura, mas também, como venho frisando, bonita. Faixas de longa duração marcam esse ótimo trabalho que é bem diversificado.
Uma vez se situando como uma banda séria, com álbum lançado, as oportunidades para tocar ao vivo naturalmente vieram, mas a pulga de um line-up instável coçava atrás da orelha dos fundadores. A solução, claro, foi remanejar tudo. A baterista Elhella passou a ser tecladista, Kir assumiu a antiga função da guria e T. Moloch chegou para ser baixista no lugar de Silent Anth.
Nos anos seguintes a banda andou se apresentando ao vivo, sendo atração principal de alguns festivais pela Rússia e Ucrânia, e até mesmo abrindo shows de bandas como Cradle of Filth e Katatonia. As composições é que ficaram meio que em marcha lenta... mas o resultado final compensou muito a demora de seis anos.
Agora através do grande selo britânico Candlelight Records, foi a vez do segundo álbum "The Crown of Winter" sair das trevas. Certamente este é um álbum muito mais atraente, correto e maduro do que seu antecessor. A atmosfera tem ainda mais beleza e profundeza, e o balanceamento entre a melancolia dos vocais limpos e a alternância entre o arrastado sofrimento ou a ira dos vocais guturais está melhor feito de acordo com o momento ou a faixa. O Black Metal é um pouco melhor sentido momentaneamente, mas sem tornar o percurso das músicas errante. Este álbum é realmente lindo e merece repetidas ouvidas. Pode-se considerar uma agulha no palheiro.
Nada novo foi lançado até o momento, mas caso isso aconteça no futuro, sem dúvidas vai me despertar a atenção. Vale a pena dar atenção pra uma banda tão desconhecida, ainda assim, tão boa. Na verdade, é comum na Rússia podermos desfrutar de excelentes bandas, mas poucas delas chegarem a nós.


 Tears of Mortal Solitude (2003)

01 - Autumn Elegy
02 - Legend
03 - Last Season Purity
04 - Snowfall
05 - Mel Kor
06 - Whole
07 - Black Swans
08 - Winter Solstice
09 - Steps of Mankind


 The Crown of Winter (2009)

01 - Intro (Feral Magic)
02 - The Crown of Winter
03 - Mired
04 - Bless You To Die
05 - Autumn Dancers
06 - The Seventh Symphony of...
07 - The Beautiful Nature
08 - Outro (My Awakening Dreamland)


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