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domingo, 25 de janeiro de 2015

Daydream XI - Discografia

Sempre defendi que a posição de uma nova banda em relação a qual gênero metálico virão a desempenhar deva ser muito bem pensada, além de muito bem enquadrada dentro das influências pessoais dos músicos e, claro, dentro do seu limite técnico. Para correr, primeiro, precisa saber andar. E se não gosta de correr, simplesmente não corra. Fazer Progressive Metal é uma tarefa bastante difícil em vista da exigência técnica e complexidade composicional, por mais que também encontremos por aí "no mercado" bandas que executem o gênero de forma simplificada. Só que não é fácil. Ou faz algo foda, ou acaba tropeçando e deixando a desejar. Coisa fácil de acontecer nessa área.
Não sei se é chatice minha, mas quando vejo que alguma banda faz Prog de alguma forma, ela se torna mais interessante pra mim. Se for brasileira, desperta mais atenção ainda. Uma banda que une esses dois pontos de interesse é o Daydream XI, banda gaúcha fundada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no ano de 2005 sob o nome Osmium. Difícil não ficar curioso com o que esses caras são capazes de fazer.
Os caras ficaram conhecidos como Osmium apenas por três anos, pois em 2008 o nome foi alterado para Daydream XI, iniciando, de fato, a etapa atual da banda. Contando com Tiago Masseti no vocal, Cássio de Assis e Marcelo Pereira como guitarristas, Tomás Gonzaga no baixo e Lucas Santos na bateria, já em 2009 lançaram o EP independente intitulado "Humanity's Prologue", contendo quatro amostras do que estavam predispostos a fazer de forma melhor desenvolvida em tempos futuros.
Honestamente, o EP não é impressionante, e isso não tem relação com a qualidade de gravação, que apesar de claramente não ser a nível profissional, é limpíssima. Os gaúchos apresentavam bastante qualidade técnica e consciência sobre a proposta, com composições complexadas, solos velozes, alternâncias de andamentos na harmonia, entrando guitarras mais pegadas, guitarras mais "dançantes", além de violões e guitarras limpas também. Mas careciam de energia, de maturidade, de carisma, principalmente devido ao vocal do Tiago, que era demasiado comportado apesar dos belos drives. Mas não se pode pegar tão pesado com uma banda que está apenas começando e já, com apenas um EP, demonstrava bem que poderiam ainda vir a lançar coisas excelentes. Por isso não me decepcionei. Foi um grande primeiro passo e era questão de apenas dar tempo de lançarem um trabalho completo, como um álbum.
Houve mudança na formação em 2010 com a saída do baterista Lucas Santos e entrada de Bruno Giodano em seu lugar, mas apesar disso, rotatividade de integrantes na formação é incomum até o momento, já que a banda tem formação bem estabilizada.
Com o novo baterista, ainda naquele ano, veio a single "The Guts of Hell", uma faixa que viria a compôr o álbum de estreia, já demonstrando algum avanço na qualidade geral da banda.
Tempos de maior silêncio passaram a seguir enquanto a banda trabalhava no debut. E a julgar pelo próprio, muita dedicação foi doada, muito coração foi empenhado na tarefa. Através da Power Prog Records, os gaúchos lançaram, em 2014, o fodíssimo álbum "The Grand Disguise", disco que pega desprevenido quem os conhecia desde o EP. Trata-se de um trabalho muito mais competente, muito mais inflado, com a energia que carecia o primeiro registro lá trás, em 2009.
"The Grand Disguise" ostenta todos os requisitos necessários para um Progressive Metal de qualidade e moderno: força, velocidade, intensidade, duetos ferozes entre guitarra e teclados. Esbanja qualidade técnica, criatividade em cada passagem. É um álbum plural, mas para perceber essa pluralidade, é necessário prestar atenção e dedicar assimilação. A turbulência da sonoridade, com "muita coisa acontecendo ao mesmo tempo", retarda a assimilação, mas quanto mais se ouve, mais se entende e gosta. E ainda fazem questão de rechaçar a velha falácia de que Prog Metal não tem feeling, sendo que mesmo nas músicas mais agitadas, passagens sentimentais surjam, e ainda os gaúchos nos brindam com faixas cadenciadas e cheias de emoção, como "Alone". E por falar em emoção, ela é muito acrescentada às canções graças ao vocal de Tiago Masseti, que apresenta maior extensão e mais entrega, tornando o Tiago do EP quase irreconhecível. Amadurecimento indiscutível.
Sem dúvida alguma, o disco é digno de uma banda que já tem tempo de estrada, não de uma que está em seu primeiro passo, o que só reforça a qualidade dos músicos envolvidos.
Se você é do tipo que é chegado num Metal Progressivo contemporâneo, com técnica e velocidade instrumental, peso esmagador nas guitarras e vocais em altos tons e versatilidade, essa é uma banda para você, ainda mais pelo fato de ser brasileira. Novamente, é o nosso povo mostrando que aqui também tem Metal de qualidade e que os tempos de ignorar uma banda simplesmente por ser brasileira têm que ter ficado no passado. Vivemos uma era de prosperidade!


 Humanity's Prologue (EP) (2009)

01 - Graveyard of Disgrace
02 - Beyond The Veil
03 - Travel Through Time
04 - Open Minds


 The Grand Disguise (2014)

01 - Keeping The Dream Alive
02 - Like Darkness Rules The Night
03 - Watch Me Rise
04 - The Guts of Hell
05 - The Age of Sadness
06 - Wings of Destruction
07 - About Life and Its Ending
08 - Phoenix
09 - Zero Days
10 - Alone
11 - The Grand Disguise


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