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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Anaal Nathrakh - Discografia Comentada

Quando se fala de Metal Extremo no calibre do Anaal Nathrakh, é difícil não fazer uso de palavras mais clichês de impacto como "destruição", "sodomização", "violência", "podreira" e afins... Até porque de fato é o que fazem.
A intensa, negra, vívida e apocalíptica sonoridade desses ingleses é sufocante e desesperadora. Quem ouve sem ainda ter conhecido a fundo, pensa que se trata de uma banda completa, com pelo menos quatro ou cinco membros, e a julgar pelo nome, que seja algo pornográfico de gêneros mais underground do Metal tais como Brutal Death Metal, Grindcore ou Porn Gore/Grind. Errado, e errado em termos.
Pode parecer um exército inteiro tocando, mas na verdade, o Anaal Nathrakh é composto por apenas uma dupla de psicopatas: o vocalista Dave Hunt
(sob o pseudônimo V.I.T.R.I.O.L.), mais conhecido pelo seu trabalho junto ao Benediction, e o multi-instrumentista Mick Kenney (sob o pseudônimo Irrumator), que se encarrega do baixo, guitarra e programação. Além disso, embora como falantes da língua portuguesa, o "Anaal" no nome soe vulgar para nós, na realidade não é nada disso. "Anaal" e "Nathrakh" são as duas palavras iniciais de uma frase completa dita pelo mago Merlin no filme Excalibur ao lançar um feitiço. Significa "hálito da serpente".
A banda foi formada no ano de 1998 em Birmingham, na Inglaterra, inicialmente como um trio. Além de V.I.T.R.I.O.L. e Irrumator, havia também Leicia, que era baixista, mas permaneceu até 2000 apenas. Durante esse espaço de dois anos com três no line-up, lançaram três trabalhos, compreendidos em duas demos ("Anaal Nathrakh" e "Total Fucking Necro") em 1999, e a compilação também chamada de "Total Fucking Necro" em 2000, que nada mais é que a junção das duas demos. Após a saída de Leicia, um contrato com o selo Mordgrimm foi conquistado, desembocando no lançamento do debut "The Codex Necro" em 2001.
O álbum de estreia é, em termos elementais, o mais diferente da discografia. A violência presente aqui também está nos posteriores, porém, este é mais cru, mais podre, graças ao Raw Black Metal executado. Mesmo que seja lei os caras não divulgarem suas letras, é muito claro que em "The Codex Necro" elas não existem; há apenas porradaria total nos instrumentos e sons vocais insanos na linha do pig squeal, típicos do Grindcore, que é um gênero também presente.
Mantendo o caotismo, em 2003 chega mais um lançamento, agora um EP, intitulado "When Fire Rains Down From The Sky, Manking Will Reap As It Has Sown", que foi subsequenciado já em 2004 pelo segundo álbum "Domine Non Es Dignus", lançado através do gigante selo Season of Mist. Este trabalho já começa a revelar os primeiros sinais de mudança no direcionamento musical, mesmo que o devastador Black Metal base fundido a elementos de Grindcore se mantenha presente. Tendências de Industrial Metal passam a ser inseridas, tornando a sonoridade mais mecânica e moderna. Essa veia Industrial é ainda mais intensamente explorada nos lançamentos seguintes. Ao contrário de "The Codex Necro", "Domine Non Es Dignus" claramente tem músicas com letras ao invés de apenas sons vocais guturais, mas os trechos sem letra também se apresentam. Outra mudança de leve é o início de certa utilização de vocais limpos, bem como de alguns solos que deixam o som ainda mais batedor de cabeça.
Com o nome de uma profecia que versa sobre o fim do mundo, o álbum "Eschaton" é lançado em 2006, desenvolvendo um pouco mais aquilo que era feito no disco anterior. A sonoridade se mantém perturbante e não dá paz por um segundo sequer, mas é possível notar como a veia Industrial Metal está melhor inserida, bem como os refrões de vocais limpos graves. O jeito com que a dupla funde Industrial Metal, Black Metal e Grindcore é perfeita! Pela primeira vez, um álbum recebe participações especiais. Entre as mais relevantes estão o vocalista Attila Csihar (Mayhem), que aparece na faixa "Regression To The Mean" e o baixista Shane Embury (Napalm Death, Brujeria), que toca no álbum inteiro.
Após migrar para a FETO Records, em outubro de 2007 é a vez de "Hell Is Empty, and All The Devils Are Here" sair. Agora, a veloz e violenta sonoridade está em sua forma mais plena de Black/Industrial Metal com elementos de Grindcore. O amadurecimento e domínio da proposta são notáveis, resultando em um álbum extremamente foda onde o instrumental tira o ar, é porradeiro, mas também harmonioso, com riffs até indutores a bater cabeça. Os vocais estão ainda mais agressivos, com amplo uso de guturais rasgados e as mais variadas técnicas do estilos mais sujos de Grind e Gore, além de uma ainda mais interessante atenção nos vocais limpos. Um disco extremamente versátil, sem deixar a velha pancadaria de lado. Membros convidados mostram as caras novamente, a começar pela nova colaboração de Shane Embury (Napalm Death, Brujeria) no baixo de algumas canções. Joe Horvath (Circle of Dead Children) e Dirty Von Dovonan também contribuem, mas nos vocais.
Na sequência chega o álbum "In The Constellation of The Black Widow" em 2009, após nova migração de selos, agora com outra gigante, a Candlelight Records. Mais uma vez, um álbum explosivo, mas aqui a banda volta a explorar muito aquela velha essência do Raw Black Metal, fazendo do som algo mais "nojento", por mais que os elementos mais atuais ainda estejam presentes. Finalmente, há também uma bem-vinda aparição de mais solos de guitarra, velozes, técnicos, assim como a aura da banda exige. Esse registro é um dos mais velozes e porradeiros do conjunto, chegando a te deixar elétrico. Há muita variação nos vocais, desde guturais mais fechados, aos diversos noises pútridos, passando também por desesperados guturais rasgados. Álbum super completo, quiçá o mais Black Metal da discografia.
Mais dois anos se passam e novamente outra devastação surge, dessa vez atendendo pelo nome "Passion", novamente pela Candlelight Records. Não há muito o que acrescentar em relação a comentários sobre esse disco, pois a banda mantém praticamente a mesma pegada do antecessor, deixando a performance bastante previsível sim, mas não menos impressionante.
Rapidamente, em 2012, outro álbum chega às prateleiras: "Vanitas", o último sob a guarda da Candlelight Records. É mais um registro insano, fortemente Industrial, da forma como os discos vão ascendentemente ficando. Mas isso aqui também aposta em belos riffs melódicos, estendidos até os solos! Nos registros anteriores, geralmente, eles eram velozes, mas aqui alguns têm até mesmo feeling, revelando mais uma carta na manga da dupla, que sabe muito bem como fazer Metal Extremo de alto nível.
Com o fim do contrato com a Candlelight Records, a banda migra para outra poderosa, a Metal Blade Records. Claro que uma banda no naipe do Anaal Nathrakh não ficaria sem um grande contrato a essa altura da carreira. A seguir, novamente os trabalhos de composição voltaram a acontecer, resultando no álbum "Desideratum", lançado em outubro de 2014, o disco mais recente da discografia. Trampo brutal como de costume, mas também uma forte presença atmosférica é mais nítida no background, embora esse seja um pequeno detalhe que já vinha sendo acrescentado de vez desde que começaram a inserir o Industrial Metal. Mas agora, está mais aparente.
O Anaal Nathrakh é uma banda cuja discografia não dá sossego. É porrada na orelha o tempo inteiro, sem momentos calmos. O tempo total de duração dos álbuns é curto, entre 30 e 40 minutos, mesmo assim, esse tempo rende. A experiência é assombrosa. Te deixa elétrico, envolvido pelo ritmo acelerado e demente da musicalidade.
Apesar de ser composto oficialmente por apenas dois membros, os caras também realizam apresentações ao vivo. Nesse caso, têm membros convidados especialmente para tocar pelos palcos afora. Os músicos que emprestam suas habilidades não são exatamente fixos, pois houve muito vai-e-vem no decorrer dos anos, auxiliando a banda a se apresentar em festivais ao redor do mundo.
Não há dúvidas de que esses ingleses são fantásticos e fazem Metal Extremo da mais alta qualidade! Se você nunca ouviu falar neles, ou nunca deu uma chance e gosta de porrada, está panguando. Essa é a banda!

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 Anaal Nathrakh (Demo) (1999)

01 - Anaal Nathrakh
02 - Necrodeath
03 - Iceblasting Stormwinds
04 - Carnage (Mayhem Cover)

 Total Fucking Necro (Demo) (1999)

01 - The Supreme Necrotic Audnance
02 - Satanarchist
03 - Lethal D.I.A.B.O.L.I.C
04 - De Mysteriis Dom Sathanas
05 - The Technogoa

 Total Fucking Necro (Compilation) (2000)

01 - Anaal Nathrakh
02 - Necrodeath
03 - Ice Blasting Storm Winds
04 - Carnage (Mayhem Cover)
05 - The Supreme Necrotic Audnance
06 - Satanarchrist
07 - Lethal, D.I.A.B.O.L.I.C.
08 - De Mysteriis Dom Sathanas (Mayhem Cover)
09 - The Technogoat
10 - Necrogeddon

Ouvir (Spotify)

 The Codex Necro (2001)

01 - The Supreme Necrotic Audnance
02 - When Humanity Is Cancer
03 - Submission For The Weak
04 - Pandemonic Hyperblast
05 - Paradigm Shift - Annihilation
06 - The Technogoat
07 - Incipid Flock
08 - Human, All Too Fucking Human
09 - The Codex Necro

 When Fire Rains Down From The Sky, Mankind Will Reap As It Has Sown (EP) (2003)

01 - Cataclysmic Nihilism
02 - How The Angels Fly In (We Can Never Be Forgiven)
03 - Never Fucking Again
04 - Genesis of The Antichrist
05 - Atavism
06 - When Fire Rains Down From The Sky, Mankind Will Reap As It Has Sown
07 - Human, All Too Fucking Human (Live)
08 - Swallow The World (Live)
09 - Do Not Speak (Live)

 Domine Non Es Dignus (2004)

01 - I Wish I Could Vomit Blood On
02 - The Oblivion Gene
03 - Do Not Speak
04 - Procreation of The Wretched
05 - To Err Is Human, To Dream - Futile
06 - Revaluation of All Values (Tractatus Alogico Misanthropicus)
07 - The Final Destruction of Dignity (Die Letzten Tage Der Menschheit)
08 - Swallow The World
09 - This Cannot Be The End
10 - Rage Against The Dying of The Light

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 Eschaton (2006)

01 - Bellum Omnium Contra Omnes
02 - Between Shit and Piss We Are Born
03 - Timewave Zero
04 - The Destroying Angel
05 - Waiting For The Barbarians
06 - The Yellow King
07 - When The Lion Devours Both Dragon and Child
08 - The Necrogeddon
09 - Regression To The Mean

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 Hell Is Empty, and All The Devils Are Here (2007)

01 - Solifugae (Intro)
02 - Der Hölle Rache Kocht In Meinem Herzen
03 - Screaming of The Unborn
04 - Virus Bomb
05 - The Final Absolution
06 - Shatter The Empyrean
07 - Lama Sabachthani
08 - Until The World Stops Turning
09 - Genetic Noose
10 - Sanction Extremis (Kill Them All)
11 - Castigation and Betrayal

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 In The Constellation of The Black Widow (2009)

01 - In The Constellation of The Black Widow
02 - I Am The Wrath of Gods and The Desolation of The Earth
04 - The Unbearable Filth of The Soul
05 - Terror In The Mind of God
06 - So Be It
07 - The Lucifer Effect
08 - Oil Upon The Sores of Lepers
09 - Satanarchrist
10 - Blood Eagles Carved On The Backs of Innocents

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 Passion (2011)

01 - Volenti Non Fit Iniuria
02 - Drug-Fucking Abomination
03 - Post Traumatic Stress Euphoria
04 - Le Diabolique Est L'ami du Simplement Mal
05 - Locus of Damnation
06 - Tod Huetet Uebel
07 - Paragon Pariah
08 - Who Thinks of The Executioner?
09 - Ashes Screaming Silence
10 - Portrait of The Artist

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 Vanitas (2012)


 Desideratum (2014)

01 - Acheronta Movebimus
02 - Unleash
03 - Monstrum In Animo
04 - The One Thing Needful
05 - A Firm Foundation of Unyielding Despair
06 - Desideratum
07 - Idol
08 - Sub Specie Aeterni (of Maggots and Humanity)
09 - The Joystream
10 - Rage and Red
11 - Ita Mori

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 The Whole of The Law (2016)

01 - The Nameless Dead
02 - Depravity Favours The Bold
03 - Hold Your Children Close and Pray For Oblivion
04 - We Will Fucking Kill You
05 - ...So We Can Die Happy
06 - In Flagrante Delicto
07 - And You Will Beg For Our Secrets
08 - Extravaganza!
09 - On Being A Slave
10 - The Great Spectator
11 - Of Horror, and The Black Shawls
12 - Powerslave (Iron Maiden Cover) (Bonus Track)
13 - Man At C&A (The Specials Cover) (Bonus Track)

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