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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Iron Maiden (Blues) - Discografia

Heavy Metal de primeira linha, uma das maiores bandas da história, mais de 85 milhões de discos vendidos no mundo inteiro, a espinha dorsal do Heavy Metal, venerados por milhões de fãs ao redor do globo... Isso é Iron Maiden! Ou melhor... um dos! Dificilmente é preciso dar muitas pistas para a pessoa adivinhar quando outra está se referindo a essa famosíssima e bem-sucedida banda. Porém, como já devem ter reparado, a banda de Steve Harris e cia. não foi a única a caminhar pela Terra que recebeu o nome do sarcófago com espinhos internos. Tampouco foi a primeira, ou sequer a segunda.
Eddie? Bruce Dickinson? Steve Harris? Capas monstrengas? Sonoridade galopante? Heavy Metal? Que nada... O Iron Maiden "original" não tinha nada disso. Fundada em 1968 na cidade de Basildon, no condado inglês de Essex, a banda tocava Blues Rock e infelizmente não lançou mais do que singles enquanto ainda estavam em atividade. Elas foram compiladas e lançadas somente três décadas mais tarde.
Mas a breve história dos caras remonta até um pouco mais cedo, em 1964, quando o projeto acústico Growth foi iniciado pelo quarteto Steve Drewett (vocal e harmônica), Chris Rose (guitarra), Barry Skeels (baixo) e Alan Hooker (bateria), que se apresentava em pubs locais tocando canções de Blues e covers do The Rolling Stones. À altura de 1966, a banda contava também com um guitarrista base chamado Tom Loates, e outro baterista, Stan Gillem. No entanto, o conjunto se desintegrou e se reduziu à dupla Steve Drewett e Barry Skeels, que passou a ser conhecida como Stevenson's Blues Department. A dupla acústica seguia no mesmo esquema anterior, tocando por clubes e pubs por Essex, e também em Londres.
Já em 1968, após a chegada do guitarrista Trev Thoms e do baterista Paul Reynolds, a banda passou a se chamar Bum (gíria britânica para "bunda"), e sob o nome sacana, conseguiram repercussão rapidamente após gravarem uma single independente intitulada "God of Darkness/Ballad of Martha Kent", levando-os inclusive a abrir shows para bandas como King Crimson, Fleetwood Mac, Jethro Tull e The Groundhogs.
Com a repercussão do grupo aumentando, acabaram conquistando um contrato com a Gemini Records em 1970, época em que o baterista Paul Reynolds foi substituído por Steve Charpman e o nome foi alterado para Iron Maiden. Então, os caras gravaram uma nova single, agora intitulada "Ned Kelly/Falling", que foi muito bem criticada pelo público e pela mídia especializada. O mantimento do passo de crescimento do conjunto fez com que abrissem shows para mais bandas expressivas, como Amen Corner, High Tide, David Bowie e The Who, e até mesmo realizassem uma mini-turnê pela Austrália. Pouco depois, Paul Reynolds retorna e a banda lança mais dois singles: "Liar/Ritual" e "CC Ryde/Plague", mas as fitas foram perdidas e elas acabaram não sendo lançadas. A partir daí, as coisas só foram despencando, a começar pelo selo Gemini Records, que faliu, seguido pelo fato de que a espinha dorsal da banda, o baixista Barry Skeels, saiu em 1972, logo após supostamente terem gravado seu primeiro álbum de estúdio, que nunca foi lançado. Os caras até seguiram sem ele, mas, infelizmente, o Iron Maiden encerrou suas atividades em 1972.
Barry Skeels saiu em busca das singles gravadas, e as encontrou. Elas foram compiladas em lançadas apenas em 1998 pela Audio Archives, por meio do disco "Maiden Voyage". Ao ouvi-lo na íntegra, é incrivelmente interessante como os caras eram muito bons no que faziam, e poderiam mesmo vir a se tornar uma grande banda. O pilar principal era o Blues Rock, mas recebia influências também do Rock Progressivo e do Rock Psicodélico, tornando o som ainda mais técnico e cativante. 
A título de curiosidade, Barry Skeels, após sua saída do Iron Maiden, veio a se tornar influente, não nos palcos, mas nos bastidores. A princípio, entrou para a banda Zior, onde gravou dois álbuns de boa repercussão: "Every Inch A Man" e "Zior". Em seguida, passou pelas bandas Monument, Gypsy Rock Squad e The Blue Burglars, esta última com melhor repercussão do que as outras duas.
Na segunda metade dos anos oitenta, tornou-se técnico de baixo do Venom, e viajou pelo mundo com a banda. Depois de um tempo, tornaria-se agente de turnê do Skyclad, e permaneceria no ramo por doze anos, trabalhando com bandas como Manowar, Yngwie Malmsteen, Ozzy Osbourne, Saxon e Black Sabbath.
O Iron Maiden de Blues e o Iron Maiden consagrado no Heavy Metal não foram os únicos que existiram. No espaço de tempo entre o surgimento de ambos, um segundo Iron Maiden foi fundado e permaneceu em atividade entre os anos de 1970 e 1976, não lançando nenhum álbum oficialmente, apenas gravando músicas. As canções foram compiladas nos anos 2000 em dois discos ("Maiden Flight" e "Boulton Flies Again") sob o nome The Bolton Iron Maiden, em acordo com o Iron Maiden de Steve Harris.
Claro, há controvérsias. Existem rumores de que o Iron Maiden de Steve Harris havia roubado o nome do segundo Iron Maiden. Quem diz isso é o vocalista Paul O'Neill, alegando ainda que isso ocorreu quando Steve Harris conheceu Ian Boulton-Smith, que era guitarrista desse segundo Iron Maiden. Mesmo Barry Skeels chegou a conhecer o guitarrista Dennis Stratton e o baterista Clive Burr, ambos integrantes da formação original do Iron Maiden de Steve Harris, mas diz não acreditar que o nome da banda tenha relação com seu Iron Maiden, que foi o primeiro. Acredita que Steve Harris tenha ouvido falar do Bum, mas não do Iron Maiden. De qualquer forma, é evidente que há certas disputas pelo nome do Iron Maiden. Aliás, em sua biografia, Steve Harris diz que recebeu uma ligação em 1976 ameaçando-o de processo por usar tal nome.
Brigas e curiosidades à parte, esse primeiro Iron Maiden, tema dessa postagem, é realmente excelente, e provavelmente se tivesse permanecido em atividade e crescido, o Iron Maiden de Steve Harris não teria esse nome. Poderia até ser famoso como é hoje, mas não sob esse nome. Fica aí então esse tanto de informação curiosa acerca do nome, e, claro, música, que é o que importa pra nós. Os roqueiros de idade mais avançada dizem que o "Maiden-Blues" é melhor que o "Maiden-Metal", mas, hum... bom, papo de velho, né!


 Maiden Voyage (Compilation) (1998)

01 - Falling
02 - Ned Kelly
03 - Liar
04 - Ritual
05 - CC Ryder
06 - Plague
07 - Ballad of Martha Kent
08 - God of Darkness


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