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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Asking Alexandria - Discografia Comentada

É muito comum as pessoas julgarem bandas por trechos de músicas, por popularidade, por aparência, ou por fãs, no meio da música pesada, infelizmente. Os pré-conceitos acabam por minar a oportunidade de dar atenção a bandas que fazem som de respeito, independente de qualquer outro fator externo, como aparência.
Devido à aparência moderna e até mesmo afeminada - diga-se de passagem - dos músicos, e por ser mainstream, o Metalcore é uma subvertente do Metal que recebe muita rejeição por parte dos headbangers que curtem estilos mais tradicionais (ou mais centrados no que é considerado "Metal de verdade"), e há anos está na moda e conquista a molecada que está apenas conhecendo o que é música pesada. O fato das bandas da linha serem insistentemente expostas, e o fato de conseguirem fazer o lado pesado oriundo de estilos como Death Metal, Melodic Death Metal e até Grindcore/Hardcore ser executado ombro a ombro com o lado leve, tomado emprestado de estilos como o Alternative Rock, faz com que seu som seja assimilável para quem não está tão acostumado com som pesado. Logo, surgem os fãs. E é assim que começa mesmo. De algum ponto os headbangers "plenos" começaram também.
Essa é mais uma daquelas bandas que por muito tempo ignorei, até porque não gosto de Bullet For My Valentine. De certa forma, o Asking Alexandria é bem mais próximo do Bullet do que de outras bandas do gênero que gosto, como o The Agonist... Até que decidi dar uma chance e ver como é o som, e... cara, que banda! Eu não gosto da forma como os intérpretes vocais cantam limpo no Metalcore, mas com o Asking Alexandria, isso se tornou relevável em vista da "foderozidade" dos demais elementos, em especial nos dois primeiros álbuns pós-assentamento na Inglaterra (pois o debut de verdade foi lançado em Dubai, com uma formação diferente), pois no terceiro os caras deixam a peteca cair para um som mais leve, com músicas mais homogêneas.
Muitos não imaginam, mas o início do Asking Alexandria se deu em um lugar completamente diferente do que é dito. É oficialmente divulgado que o conjunto nasceu em 2008 em York, na Inglaterra, mas as raízes da banda enfincam mais profundamente no solo. Tudo na verdade começou em 2006, na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por iniciativa do guitarrista Ben Bruce, que nasceu em Londres, mas viveu em Dubai. Por lá, preencheu a formação com membros locais e os trabalhos de composição naturalmente iniciaram, até que em 2007, lançaram o álbum de estreia "The Irony of Your Perfection", que viria a ser relançado mais tarde pela Sumerian Records. O registro é pesado e muito bem gravado, seguindo uma seca e estreita linha de Metalcore. Embora o disco seja ótimo, não tem a cara do Asking Alexandria atual, não tem a mesma versatilidade, carecendo de muitos elementos que definem a banda de fato, que mencionarei mais abaixo nos comentários sobre os discos seguintes. Interessante é a secura dos riffs de guitarra, e o grande investimento no vocal rasgado, que se apresenta muito mais do que o vocal limpo. A porradaria é frenética, enquanto o vocal é desesperado e bastante entregue, até teatral.
No entanto, Ben Bruce percebeu que em Dubai, a banda não conseguiria despontar no cenário mundial, por isso arrumou as malas e se mudou de mandou de volta para a Inglaterra em 2008, onde encontrou o vocalista Danny Worsnop, começando, assim, a nova fase do Asking Alexandria. O restante do line-up foi completado por Cameron Liddell na guitarra base, Joe Lancaster no baixo, James Cassells na bateria e Ryan Binns nos teclados sintetizadores. As primeiras baixas ocorreram rapidamente ainda naquele ano, em decorrência das saídas de Ryan Binns em 2008, e Joe Lancaster em 2009. Apenas a vaga de baixista de Joe foi preenchida por Sam Bettley, enquanto o vocalista Danny Worsnop se deslocou também para a função de tecladista e programação. O nome da banda permaneceu o mesmo, e Ben Bruce alega que é o mesmo nome, mas não a mesma banda, por isso é a partir daqui que a banda começa oficialmente, até por não gostar do primeiro álbum e por se tratar de outra época e local. Tem bandas que são assim mesmo, negando o que já fizeram para encarar as coisas, a partir de determinado ponto, como um novo começo.
E então começaram a trabalhar no álbum de estreia (oficial), após assinar com a Sumerian Records, e lançaram em 2009 o fantástico e melhor álbum da discografia: "Stand Up and Scream". Embora a linha principal seja a do Metalcore, a última coisa que esse novo Asking Alexandria é, é linear. Em consonância com o som base, tomaram como referência bandas de Hard Rock tais como Whitesnake, Skid Row, Aerosmith e Mötley Crüe; música eletrônica; Grindcore e Hardcore no instrumental; e vários outros elementos, inclusive certa orquestração, combinaram tudo e desenvolveram uma sonoridade de alto nível, organizada e coerente.
O que é apresentado é uma poderosa alternância entre vocais guturais rasgados e fechados (muitas vezes combinados), com determinados espaços para vocais limpos, além de coros típicos de Hard Rock em inícios ou fins de frase. Esses vocais são embasados por um instrumental que oscila entre a agressividade do Metalcore (que por si só recebe pitacos de Death e Melodic Death Metal), a cadência de riffs quebrados do Grindcore e a acessibilidade agitada do Rock Alternativo, ainda somados com elementos de Música Eletrônica, tornando os trechos mais encorpados ou até dançantes, caso o lado Metal desapareça. Parece que não cabe isso tudo de forma organizada em uma única banda, mas sim, cabe, e muito!
Apesar de toda a excelência do disco de estreia, a banda chegou aos charts apenas nos Estados Unidos, onde a melhor posição foi a 4ª no Top Heatseekers. Uma turnê de divulgação nos Estados Unidos se sucedeu, apoiando bandas como Evergreen Terrace, The World Alive, From Fist To Last, entre outras.
A partir de 2010, o grupo passou a se apresentar como banda principal em diversos eventos, dividindo palco com bandas como Born of Osiris, We Came As Romans, Bury Tomorrow, e várias outras. Mas fora a grande carga de shows, o único lançamento do ano foi o EP "Life Gone Wild", trazendo seis músicas, dentre as quais duas são excelentes covers de "Youth Gone Wild" e "18 and Life" do Skid Row.
O segundo álbum de estúdio, "Reckless & Relentless", saiu em abril de 2011 e consolida de vez o talento dos garotos britânicos. Mantendo o pique do primeiro álbum, mas com ainda mais vigor, um pouco mais de incidência de vocais limpos e belas introduções de algumas orquestrações e pianos, esse disco demonstra também maturidade. Elementos de música eletrônica são menos aparentes, mas estão presentes, camuflados no meio da intensidade de distorção. No entanto, o primeiro é mais impressionante aos meus ouvidos, e este segundo, um tanto homogêneo, oferecendo uma leve dificuldade de identificação das músicas. Mas assim como "Stand Up and Scream", o decorrer inteiro do disco é fodaço.
A representação dessa consolidação se deu com o aparecimento dos caras nos charts de Austrália, Reino Unido, e novamente nos Estados Unidos.
Nova turnê subsequenciou o álbum, passando por Austrália, Europa, Estados Unidos, e acompanhando bandas como Chelsea Grin, Hollywood Undead, Of Mice & Men e Avenged Sevenfold.
Dois mil e onze também foi ano de lançamento do disco remix "Stepped Up and Scratched", trazendo canções dos dois álbuns, claro, em versões remixadas.
Em 2012, mais um EP-tributo às suas influências chega às prateleiras, intitulado "Under The Influence: A Tribute To The Legends of Hard Rock", apresentando covers de bandas como Journey, Whitesnake, Mötley Crüe e Def Leppard, além da nova faixa "Run Free", que viria no disco seguinte.
O mês de dezembro de 2012 trouxe alguns infortúnios para a banda, assustando tanto aos caras quanto aos fãs, a começar pelo acidente que sofreram no dia 2, na estrada entre Chicago e Cleveland, nos Estados Unidos. Ninguém se feriu gravemente, mas o busu ficou destruído. No dia 9, em Nova Iorque, Danny Worsnop rompeu uma corda vocal e não pôde se apresentar naquela noite. Para não cancelar o show, os vocalistas Chris Fronzak (Attila) e Devin Oliver (I See Stars) o substituíram. Após a consulta médica, foi receitado a Danny apenas um remédio e lhe foi recomendado não forçar as cordas vocais por um bom tempo, e após esse repouso, poderia cantar normalmente de novo.
Alguns podem dizer que sim, mas provavelmente isso não afetou o direcionamento da banda vocalmente, até porque o terceiro álbum contém muitos guturais. De qualquer forma, em 2013, "From Death To Destiny" surgiu e apresenta um Asking Alexandria com postura mais pé no freio, se comparando com antes. Os riffs estão mais próximos de um Heavy/Groove Metal, tornando a sonoridade menos pegada, e os vocais guturais aparecem bem, mas os limpos são mais frequentes. Outro detalhe é a maior exploração dos violinos e do Rock Alternativo, bem como de "travadas" típicas do Eletrônico. Em suma, um álbum mais leve, mais acessível, comercial, com poucos riffs fortes e quebrados como antes. As canções até têm sua força nos versos, mas quando chegam às pontes e refrões, suavizam, se homogenizam e comercializam. Refrões grudentos, fáceis de decorar. No decorrer do registro, o passo parece cair, ficando chato. Porém, não é de todo um álbum ruim. Algumas músicas, como "Poison", até lembram os primeiros passos do Slipknot.
O trabalho vendeu bastante logo na primeira semana, fazendo com que a banda alcançasse sua posição mais elevada nos charts até então, e que se tornasse o álbum que mais vendeu logo na primeira semana na história da Sumerian Records.
Naturalmente, outra turnê teve início, dividindo os palcos com August Burns Red, Born of Osiris, Korn, Bring Me The Horizon, e várias outras bandas.
O Asking Alexandria é, de fato, um conjunto que mostra pra que veio, com uma puta musicalidade bem trabalhada, versátil, e competente. Dou ênfase aos dois primeiros álbuns, mas o terceiro, também tem qualidade, é bem gravado, mas não é muito minha preferência. No entanto, satisfaz a quem é adepto da linhagem.
Esse rico estilo musical chamado Heavy Metal é, até hoje, um gênero que sofre preconceito por parte dos desinformados. Um gênero marginalizado. Como se já não bastasse isso, ainda os próprios headbangers têm preconceitos entre si. Preconceito dentro do próprio estilo musical que tanto amam. E isso acaba por fazer deixar passar uma penca de bandas interessantes. Não sou referência pra nada, nem senhor da razão nisso, mas se eu não ouvisse novas bandas de mente aberta, se me mantivesse restrito, bem... não teria conhecido muitas bandas fodas, muitas das quais hoje estão entre minhas bandas preferidas. Vale a pena? Vale a pena é pelo menos dar uma chance para qualquer banda!

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 The Irony of Your Perfection (2007)

01 - In Loving Memory of You, Despite You
02 - Writing Her Ballad
03 - Bitter Revenge, Sweet Tragedy
04 - Bite Your Lip and Fake It
05 - Asking For Ashes
06 - My Last Words Before It's All Over
07 - Numb In A Matter of Screams
08 - Gramophone Elegance
09 - Bullets In A Music Box
10 - Wings For The Sake of Falling
11 - Friends Before Angels
12 - The Irony of Your Perfection
13 - Red Letter Day
14 - Bite Your Lip and Fake It (Demo)
15 - Gramophone Elegance (Demo)
16 - Snow Falls As Memories Fade

 Demo (Demo) (2008)

01 - The Final Episode (Let's Change The Channel)
02 - A Single Moment of Sincerity
03 - A Candlelit Dinner With Inamorta
04 - Nobody Don't Dance No More
05 - I Was Once, Possibly, Maybe, Perhaps, A King
06 - Not The American Average

 Stand Up and Scream (2009)

01 - Alerion
03 - A Candlelit Dinner With Inamorta
04 - Nobody Don't Dance No More
05 - Hey There Mr. Brooks (feat. Shawn Milke)
06 - Hiatus
07 - If You Can't Ride Two Horses At Once... You Should Get Out of The Circus
08 - A Single Moment of Sincerity
10 - I Used To Have A Best Friend (But Then He Gave Me An STD)
12 - I Was Once, Possibly, Maybe, Perhaps A Cowboy King
13 - When Everyday's The Weekend

Ouvir (Spotify)

 Life Gone Wild (EP) (2010)

01 - Youth Gone Wild (Skid Row Cover)
02 - 18 and Life (Skid Row Cover)
03 - A Single Moment of Sincerity (Bare Remix)
04 - Not The American Average (Voorny Remix)
05 - I Was Once, Possibly, Maybe, Perhaps A Cowboy King (Demo Version)
06 - Breathless

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 Reckless and Relentless (2011)

01 - Welcome
02 - Dear Insanity
03 - Closure
04 - A Lesson Never Learned
06 - Dedication
08 - Breathless
09 - The Match
10 - Another Bottle Down
11 - Reckless and Relentless
12 - Morte Et Dabo
13 - When Everyday's The Weekend (Big Chocolate Remix)
14 - Nobody Don't Dance No More (Noah D Remix)
15 - If You Can't Ride Two Horses At Once... You Should Get Out of The Circus (Noah D Remix)
16 - I Was Once, Possibly, Maybe, Perhaps, A Cowboy King (Robotsonics Remix)
17 - A Prophecy (Big Chocolate Remix)

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 Stepped Up and Scratched (Remix Album) (2011)

01 - A Single Moment (KC Blitz Remix)
02 - Another Bottle Down (Tomba Remix)
03 - Reckless & Relentless (Document One Remix)
04 - I Was Once, Possibly, Maybe, Perhaps A Cowboy King (Robotsonics Remix)
05 - To The Stage (Bare Remix)
06 - A Lesson Never Learned (Celldweller Remix)
07 - The Final Episode (Let's Change The Channel) (Borgore Remix)
08 - A Candlelit Dinner With Inamorta (RUN DMT Remix)
09 - If You Can't Ride Two Horses At Once... You Should Get Out of The Circus (Noah D Remix)
10 - I Used To Have A Best Friend (But Then He Gave Me An STD) (Big Chocolate Remix)
11 - Dear Insanity (Revaleso Remix)
12 - Not The American Average (J. Rabbit Remix)
13 - Morte Et Dabo (Sol Invicto Remix)
14 - Closure (Mecha Remix)
15 - A Prophecy (Big Chocolate Remix)
16 - A Lesson Never Learned (Sol Invicto Remix)

Ouvir (Spotify)

 Under The Influence: A Tribute To The Legends of Hard Rock (EP) (2012)

02 - Kickstart My Heart (Mötley Crüe Cover)
05 - Run Free

 From Death To Destiny (2013)

01 - Don't Pray For Me
04 - Run Free
05 - Break Down The Walls
06 - Poison
07 - Believe
08 - Creature
09 - White Line Fever
10 - Moving On
11 - The Road
12 - Until The End
13 - The Death of Me (Rock Mix)

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 I Won't Give In (Single) (2015)

01 - I Won't Give In

Ouvir (Spotify)

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