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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Optical Faze - Discografia

Ah... o Brasil! Provavelmente você já ouviu diversas vezes alguém dizer "tem muita banda foda pelo Brasil afora, só falta o reconhecimento", certo? Então me permita dizer isso mais uma vez. Só pra frisar mesmo. O nosso país tem representantes de muita qualidade em todas as vertentes do Rock e do Metal. Isso é mais que evidente.
Quando se fala em Metal moderno, vêm à cabeça bandas de Metalcore ou Nu Metal, geralmente oriundas dos Estados Unidos ou Reino Unido. No entanto, aqui está um puta exemplar de Metal contemporâneo de qualidade e competência vindo lá da capital da nossa terra: Brasília, no Distrito Federal.
Atualmente consistindo em Mateus Araújo no vocal e guitarra, Jorge Rabelo também na guitarra, Vicente Júnior no baixo, Renato de Souza na bateria e Pedro Gabriel nos teclados e sintetizadores, o Optical Faze desempenha a difícil tarefa de executar (dependendo do trabalho, fundir) elementos de Nu Metal, Metalcore, Alternative Metal e, melhorando tudo ainda mais, uma veia Atmosférica cibernética. O resultado é uma musicalidade moderna (até futurista), viajante e muito bem construída. Conforme vão demonstrando, a cada álbum dominam ainda mais a proposta e apresentam cada vez mais lucidez.
As atividades começaram em 2000, sendo que já em 2001 conseguiram boa exposição pública ao tocarem no Porão do Rock, famoso festival local. O que os colocou no set daquele ano foi o fato da revista oficial do evento ter considerado os rapazes como revelação do ano, após duas demos lançadas: "Evolution" e "The Saturation Chamber", que saíram naquele mesmo ano. A qualidade da gravação de ambas não é das melhores, mas dá pra identificar sem dificuldades que a proposta musical inicial era bastante voltada para o Nu Metal. Isso, na verdade, se arrastaria por um bom tempo ainda.
Foi apenas em 2005 que o álbum debut foi lançado. Também de forma independente, o ótimo disco recebeu o nome "I", em trocadilho com a palavra "eye", que se pronuncia da mesma forma. O olho, inclusive, é um insistente tema da banda. Nesse registro, a banda apresenta notáveis avanços tanto na qualidade de gravação (que é limpa) quanto no amadurecimento da sonoridade. Executam uma sonoridade que o Nu Metal é a vertente mais latente, mas resquícios de Metalcore também são notados, além da introdução dos sintetizadores cibernéticos, dando um aspecto cibernético e computadorizado às canções. A forma como Mateus Araújo canta é típica do Nu Metal, com uma técnica que esbanja forte drive, bem rasgado, não chegando, no entanto, ao gutural, mas trechos mais limpos também mostram as caras em alguns momentos. A recepção do disco foi muito boa tanto no Brasil quanto no exterior.
Um ano mais tarde, os brasilienses chegaram com um novo trabalho, mas dessa vez diferente tanto em formato quanto em abordagem musical. Ao invés de demo ou álbum, agora apareceram com um EP de quase meia-hora, intitulado "Riots In The Iris Sea". Quanto à abordagem, ela é diferente pois a musicalidade é mais crua, mais orgânica. Tocando um Nu Metal mais puro e afastando os sintetizadores modernos (limitando-os ao background), esse registro lançado apenas digitalmente trás uma nostalgia muito vívida do Slipknot nos tempos do homônimo de 1999 e "Iowa", de 2001. Ótimo trabalho. Todavia, a qualidade de gravação é um pouco abafada, deixando evidente a independência do trabalho.
Comemorando os dez anos de estrada, a single promocional "Black Hole Iris" foi lançada apenas em formato digital, contendo duas faixas. Ambas trazem novo avanço na maturidade do conjunto, além do desenvolvimento do lado Metalcore, revelado principalmente através do trabalho com a bateria, algo fodaço. O ambiente obscuro que os teclados propiciam torna a musicalidade ainda mais densa e profunda, casando perfeitamente com o peso dos demais instrumentos, tocados com autoridade. Era o Optical Faze começando a tender para a postura que atualmente ostenta. O feedback foi compreensivelmente positivo, empolgando-os e culminando num apaixonado e dedicado trabalho de composição do segundo álbum de estúdio, tarefa que perdurou ao longo do ano de 2011.
O maravilhoso fruto de todo o empenho pode ser colhido em 2013. Gravado em janeiro de 2012 no Surplus Sound Studio, em Los Angeles, Estados Unidos, mixado por Rhys Fulber (Fear Factory, Paradise Lost) e masterizado por Maor Appelbaum (Cynic, Sepultura), "The Pendulum Burns" finalmente rechaça o aspecto de banda independente que o conjunto vinha tendo e exibe um Optical Faze em alto nível; a nível internacional. Diferente dos registros anteriores, esse disco tem uma sonoridade mais voltada para um Atmospheric Metalcore fundido ao Alternative Metal. É uma musicalidade profunda, com vigorosa incidência dos teclados, atingindo seus sentimentos e trazendo imagens cinematográficas à mente, como aqueles filmes que o fazem encucar com algum mistério.
Normalmente, a grande crítica contra o Metalcore é quando o vocalista canta limpo, pois geralmente é de forma mais afeminada. Não é o que acontece com o Optical Faze, pois os trechos limpos são cantados ao estilo Alternative Metal da mais alta das qualidades. É marcante! Falando de forma bruta, é Metalcore másculo. Enfim, "The Pendulum Burns" é um trabalho fantástico, moderno, e responsável pleno pelo justo crescimento que os brasilienses estão tendo. É um trabalho que os destaca em meio a tantas bandas existentes. No entanto, não é a primeira audição que vai fazer o ouvinte chegar à essa conclusão; várias são necessárias para melhor assimilação, e vá por mim: quanto mais você ouve, mais se encanta.
Conhecer e se impressionar com novas bandas do cenário brasileiro é uma coisa que jamais vai me cansar. Aposto que com todo mundo é assim também. Ouvir álbuns fodaços de bandas do nosso país é sempre especial. Não deixe de conferir o som desses caras, que transbordam profissionalismo. Curtam a página no Facebook. Comprem os discos. É o Brasil representando em todas as vertentes!


 Evolution (Demo) (2001)

01 - Intro For The Pain
02 - Real Notion
03 - People
04 - Hell Creation


 The Saturation Chamber (Demo) (2001)

01 - Lost Boys
02 - New Evolution
03 - Hell Creation


 I (2005)

01 - One Second
02 - Rise Above It
03 - Influenza
04 - Insensitive Sense
05 - Amorphophallus Titanum
06 - 18 Steps
07 - New Moments of Truth
08 - Cyca Revoluta
09 - I'm Your Life
10 - Shattered Apart
11 - Phosgene Oxime
12 - Shade Goin' Ahead
13 - Gummatous (Destruction of Face)


 Riots In The Iris Sea (EP) (2007)

01 - Electroshock Therapy
02 - I Am Deceiving
03 - Open Sore
04 - My New Condition
05 - The Big Cut
06 - Fixed Point


 Black Hole Iris (Single) (2010)

01 - Reverse Alchemy
02 - Black Hole Iris


 The Pendulum Burns (2013)

01 - Trail of Blood
02 - Pressure
03 - Moment of Nothing
04 - One Way Path
05 - Lie To Protect
06 - Mindcage
07 - Carved
08 - Red Sun
09 - The Collapse
10 - Ghost Planet


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