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domingo, 6 de julho de 2014

Whiplash - Discografia

Talvez não paremos pra pensar, mas nós headbangers somos bastante tolerantes ao "mais do mesmo" quando ele vem de diferentes bandas. Por exemplo, na maioria das vezes é melhor ouvir um álbum parecido com outro de duas bandas diferentes do que ouvir dois parecidos da mesma banda. De alguma forma, só o sentimento de que estamos dando atenção a outros grupos que também são capazes de executar determinado gênero com responsabilidade cria uma espécie de tolerância.
No entanto, o assunto "mudanças e mesmices" dentro do Metal é algo bastante conturbado, principalmente em vista de que o metalhead é uma espécie exigente de fã, e cada um tem suas opiniões e preferências. Por isso, se uma banda se mantém tocando sempre determinada vertente, ela será criticada por uma parcela por não ser criativa e faltar ousadia e será elogiada por outra parcela que defende que as raízes devem ser mantidas. O inverso também acontece com as bandas que se arriscam: se resolvem acrescentar novos elementos ou mudar (um pouco ou drasticamente) o rótulo, uma parte dos fãs aplaudirá por buscarem sempre novos experimentos e trazer diferentes abordagens para nós, enquanto outra parte criticará e dirá que "se desviaram das raízes". É uma coisa bem estranha...
Se existem gêneros que são marcados pelo "mais do mesmo", gostando os fãs ou não dessa alegação, um dos mais latentes é o Thrash Metal. Particularmente, bandas da linha que vivem fazendo a mesma coisa me desagradam, mas as que oscilam ao longo dos álbuns ganham meu respeito. Nesse ritmo de variação musical, o Whiplash me agrada. Cada álbum é caracterizado por uma forma distinta de executar esse tão amado gênero. Aliás, isso torna a discografia algo mais exigente de se analisar.
O grupo foi nasceu em 1984 na cidade de Passaic, no Estado de Nova JerseyEstados Unidos, quando uns xarás decidiram fazer um som Thrash Metal que rumasse numa linha veloz. Além do guitarrista Tony Portaro e do baterista Tony Scaglione, xarás fundadores do conjunto, a primeira formação compreendia também o vocalista Mike Orosz e o baixista Rob Harding, quarteto que lançou a primeira demo "Fire Away", em março de 1984.
A segunda demo "Thunderstruck" foi lançada pouco depois, em agosto, mas contava apenas com a dupla de xarás na formação. Portaro se encarregava do vocal, guitarra e baixo, enquanto Scaglione permanecia com as baquetas. Completando a formação com a entrada de um terceiro Tony (Bono) como baixista (deixando Portaro apenas por conta das cordas vocais e de guitarra), ainda lançaram, em 1985, antes de assinarem com a Roadrunner Records, uma terceira demo intitulada "Looking Death In The Face".
Já com o contrato com um grande selo em mãos, março de 1985 foi o mês que power trio inseriu o fodaço álbum de estreia "Power and Pain" no mercado. O que é feito nesse primeiro registro é um tradicional e agressivo Speed Thrash Metal da melhor qualidade, com músicas rápidas, constante porradaria sem momentos de trégua, solos alucinantes e vocais guturais rasgados. Uma bela encaçapada, embora homogênea.
Em 1987, o baterista Tony Scaglione foi substituído por Joe Cangelosi para embarcar em uma turnê de sete semanas de duração com o Slayer. O power trio, agora com um novo integrante, entrou novamente em estúdio e lançou em outubro o excelente álbum "Ticket To Mayhem", mantendo o Speed Thrash Metal, porém, de forma mais bem trabalhada, com momentos de cadência e de introdução de recursos que não se limitam a velocidade, com pausas na distorção e mais limpeza. Os vocais de Tony Portaro começam a demonstrar mudanças, aliando voz limpa carregada de drives com os já utilizados guturais rasgados. Quando canta limpo, lembra bastante ao Dave Mustaine (Megadeth).
Estranhamente, o trio se tornou um quarteto em 1989 com a entrada do vocalista Glenn Hansen, fazendo com que Tony Portaro deixasse de ser vocalista e se concentrasse apenas na guitarra.
"Insult To Injury", terceiro álbum, de 1990, simboliza diversas mudanças para o Whiplash; foi lançado pelo selo Roadracer Records, é o primeiro da banda como um quarteto, o primeiro com Glenn Hansen, e apresenta também mudanças pra um Thrash Metal que deixa de focar na homogeneidade do Speed e aposta na precisão e beleza de um tradicionalismo a caráter da Bay Area. Hansen é dono de um excelente vocal com típicos drives e subidas a tons agudos, sendo até engraçado algumas vezes, como em "Hiroshima". Grande álbum, do exato tipo de Thrash que mais gosto!
Por razões empresariais, o Whiplash acabou encerrando suas atividades nessa época. Após alguns anos de silêncio, Portaro e Scaglione reativaram a banda, em 1996. Uma vez que a formação se completou novamente com a chegada de Rob Gonzo (vocal), Warren Conditi (guitarra) e James Preziosa (baixo), entraram em estúdio e lançaram, através da Massacre Records, o quarto álbum de estúdio chamado "Cult of One".
Mais distante do Thrash Metal genérico dos discos anteriores, esse fodaço álbum revela gratas influências de Groove Metal, resquícios de Hard Rock e até mesmo belas doses de Progressive Metal em faixas como "Lost World" e "Cult of One". A voz de Rob Gonzo ajuda nessa percepção de "som de bar cowboy", ou no mínimo induz a, pois é bem encorpada e sustenta com firmeza drives comuns nesse tipo de som, que é grave, forte e cadenciado.
O line-up sofreu alterações rapidamente em questão de um ano. O recém-chegado vocalista Rob Gonzo e o baterista de longa data e fundador da banda Tony Scaglione deixaram seus postos. O novo guitarrista Warren Conditi foi então deslocado para a posição de vocalista, deixando Tony Portaro sozinho na guitarra. Bob Candella foi anunciado como novo baterista.
A nova formação trouxe o pesado e criativo "Sit Stand Kneel Prey" em dezembro de 1997, ótimo disco que soa um híbrido de Thrash Metal e Hard Rock, até pela forma como Warren canta.
Novamente no breve passar de um ano, a formação foi alterada, mas dessa vez voltando às origens, contando com o trio de xarás: Tony Portaro regressou à posição de vocalista e guitarrista, Tony Bono reconduzido à posição de baixista e Tony Scaglione assumiu as baquetas. Coroando a volta do line-up clássico do primeiro disco, nada como um disco que represente isso ao pé da letra, não é? Pois é, foi o que aconteceu!
"Thrashback" foi lançado em outubro de 1998 e volta com força ao Speed Thrash Metal outrora executado pelo trio com tanta energia. A única diferença realmente notável reside no vocal de Portaro, que abandonou completamente os guturais rasgados e investe integralmente em um vocal limpo com alguns drives, assemelhando-se com Dave Mustaine com ainda mais evidência do que nos primórdios da banda.
O Whiplash, infelizmente, encerrou suas atividades novamente em 1999, após lançar a compilação "Messages In Blood", contendo diversas canções em versão demo e faixas ao vivo gravadas em Dover e Nova Iorque. O fim foi sério, perdurando por um longo tempo, ainda mais do que os seis anos do primeiro hiato. Nesse meio tempo, o baixista Tony Bono sofreu um ataque cardíaco e faleceu aos 38 anos de idade, em 2002.
Inesperadamente, Tony Portaro ressuscitou a banda novamente ao lado de Joe Cangelosi, aquele que foi o segundo baterista da história do Whiplash. O baixista Rich Day ingressou a seguir, iniciando um novo capítulo do conjunto como um power trio. Na sequência, entraram novamente em estúdio e gravou o sétimo álbum de estúdio da discografia, intitulado "Unborn Again" e lançado pela Pulverised Records em setembro de 2009. Excelente, conta com a produção mais limpa da discografia ao mesmo tempo em que é crua, tornando o som realmente bonito, puro e assimilativo.
Engraçado é que mesmo depois da reunião, o line-up não estabilizou. Rich Day saiu em 2011 e foi substituído por Dank DeLong, enquanto o baterista Joe Cangelosi se desligou em 2010 e foi substituído por Tony Scaglione em mais um retorno que durou apenas até 2011. Dan Foord, por sua vez, foi contratado a seguir, no entanto, largou a posição em 2014. Atualmente, Charlie Zeleny é o responsável pelo manejamento das baquetas.
Já após a reunião atual, o conjunto excursionou através de diversos países e participou de muitos festivais de expressão do ocidente. Tiveram passagens inclusive na América do Sul, pisando no Chile e na Colômbia.
É certo que as constantes mudanças na formação afetaram o direcionamento da banda. Entretanto, acabou por ser positivo, devido a variedade de abordagens adotadas em cada álbum, ou até no desenvolvimento das repetições. A discografia inteira é de alto nível, facilmente sustentando todo o reconhecimento que obtiveram ao longo de todos esses anos e consolidando-os como uma das melhores bandas de Thrash Metal. Muito provavelmente o trio está trabalhando no oitavo álbum de estúdio, já que a single "Sword Meet Skull, Skull Meet Sword" foi lançada em 2013. A expectativa é de um registro à altura do nome da banda e da qualidade que são capazes de oferecer.


 Fire Away (Demo) (1984)

01 - Headthirst
02 - Ruthless
03 - In The Line of Fire
04 - Living Nightmare


 Thunderstruck (Demo) (1984)

01 - King With The Axe
02 - Spit On Your Grave
03 - Thrash Till Death
04 - Chained Up Strapped Down


 Looking Death In The Face (Demo) (1985)

01 - The Burning of Atlanta
02 - Stirrin' The Cauldron
03 - Respect The Dead
04 - Last Man Alive
05 - Spit On Your Grave


 Power and Pain (1985)

01 - Stage Dive
02 - Red Bomb
03 - Last Man Alive
04 - Message In Blood
05 - War Monger
06 - Power Trashing Death
07 - Stirring The Cauldron
08 - Spit On Your Grave
09 - Nailed To The Cross


 Ticket To Mayhem (1987)

01 - Perpetual Warfare
02 - Walk The Plank
03 - Last Nail In The Coffin
04 - Drowning In Torment
05 - The Burning of Atlanta
06 - Eternal Eyes
07 - Snake Pit
08 - Spiral of Violence
09 - Respect The Death
10 - Perpetual Warfare


 Insult To Injury (1990)

01 - Voice of Sanity
02 - Hiroshima
03 - Insult To Injury
04 - Dementia Thirteen
05 - Essence of Evil
06 - Witness To The Terror
07 - Battle Scars
08 - Rape of The Mind
09 - Ticket To Mayhem
10 - Pistolwhipped


 Cult of One (1996)

01 - Such Is The Will
02 - No One's Idol
03 - No Fear To Tread
04 - 1.000 Times
05 - Wheel of Misfortune
06 - Heavenaut
07 - Lost World
08 - Cult of One
09 - Enemy
10 - Apostle of Truth


 Sit Stand Kneel Prey (1997)

01 - Climb Out of Hell
02 - Left Unsaid
03 - Hitlist
04 - Cyanide Grenade
05 - Jane Doe
06 - Knock Me Down
07 - Lack of Contrition
08 - Word To The Wise
09 - Strangeface
10 - Catharsis
11 - Sit Stand Kneel Prey


 Thrashback (1998)

01 - Temple of Punishment
02 - Stab
03 - This
04 - Killing On Monroe Street
05 - King With The Axe
06 - Strike Me Blind
07 - Memory Serves
08 - Resurrection Chair
09 - House With No Doors
10 - Thrash 'Till Death
11 - Nails In Me Deep


 Messages In Blood (Compilation) (1999)

01 - King With The Axe (Demo)
02 - Spit On Your Grave (Demo)
03 - Thrash 'Til Death (Demo)
04 - Chained Up, Strapped Down (Demo)
05 - The Burning of Atlanta (Demo)
06 - Stirrin' The Cauldron (Demo)
07 - Respect The Dead (Demo)
08 - Last Man Alive (Demo)
09 - Spit On Your Grave (Demo)
10 - Killing On Monroe Street (Live In Dover)
11 - Eternal Eyes (Live In Dover)
12 - Respect The Dead (Live In Dover)
13 - Stirrin' The Cauldron (Live In Dover)
14 - The Burning of Atlanta (Live In Dover)
15 - Nailed To The Cross (Live In Dover)
16 - War Monger (Live In New York)
17 - Message In Blood (Live In New York)
18 - Nailed To The Cross (Live In New York)
19 - Stagedive (Live In New York)


 Unborn Again (2009)

01 - Swallow The Slaughter
02 - Snuff
03 - Firewater
04 - Float Face Down
05 - Fight Or Flight
06 - Pitbulls In The Playground
07 - Parade of Two Legs
08 - Hook In Mouth
09 - I've Got The Fire
10 - Feeding Frenzy


 Sword Meet Skull, Skull Meet Sword (Single) (2013)

01 - Sword Meet Skull, Skull Meet Sword


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