Social Icons

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Voodoopriest - Discografia

Se até mesmo os próprios membros do Torture Squad foram pegos de surpresa quando, após um show em Brasília em 2012, o até então vocalista Vitor Rodrigues os chamou para uma conversa e anunciou sua decisão de sair da banda, imagina os fãs? Foram 19 anos à frente de uma foderosa banda que deveria ter ainda mais reconhecimento do que tem. O próprio conjunto e os fãs estavam mais que acostumados com Vitor na linha de frente. Pensar em Torture Squad sem Vitor Rodrigues é como pensar em Iron Maiden sem Bruce Dickinson ou Judas Priest sem Rob Halford. Não combina. E assim como aconteceu com essas mencionadas bandas, com o Torture Squad também aconteceu.
Segundo nota da banda, Vitor Rodrigues sustentou seu desligamento com argumentos de que desejava buscar novas experiências na vida, que aquele era o momento ideal, e decidiu que era melhor manifestar essa vontade antes que um novo álbum fosse gravado.
Uma vez Vitor Rodrigues fora, o Torture Squad não contratou outro vocalista; resolveu seguir como um power trio e efetivou o recém-ingressado guitarrista André Evaristo (que havia entrado em 2011) também na posição de vocalista, complementando as quatro cordas e vocal de apoio de Castor e as conhecidas habilidades de Amílcar Christófaro nas baquetas. O trio viria a lançar o divisor de opiniões "Esquadrão de Tortura" em 2013.
Em paralelo, Vitor Rodrigues fundou, em 2012, na capital paulista, um novo projeto de Death/Thrash Metal e o batizou como Voodoopriest. Os guitarristas César Covero e Renato de Luccas, o baixista Bruno Pompeo e o baterista Edu Nicolini foram a seguir convocados, afim de compor o line-up, e assim, tudo ficou pronto e as composições engrenaram.
Logo cedo, em fevereiro de 2013, o primeiro expoente do que viria a ser o som da banda veio à luz: um EP homônimo e independente. Forte e agressivo, através desse registro, a banda mostra logo de cara para que veio, causando expectativa naqueles que já os acompanharam desde ali. Inclusive, tive a oportunidade de testemunhá-lo ao vivo no mês seguinte durante o festival Rock Humanitário em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro.
O tempo foi passando e pouco se falou sobre a banda, que seguiu fazendo shows. A expectativa para o álbum debut só reascendeu de forma generalizada quando a capa foi finalmente revelada e a single "Mandu", que leva o mesmo nome do álbum, apresentada em abril de 2014. Confesso que ao contemplar o crânio indígena na arte de autoria do polonês Rafał Wechterowicz (que já trabalhou com bandas como Havok), fui induzido a acreditar que o disco seria uma espécie de "Roots parte dois". Esperava mesmo algo bem tribal. Talvez eu não tenha sido o único.
O full-lenght "Mandu" foi enfim lançado oficialmente e de forma independente no dia 10 de junho de 2014. Embora na verdade não siga as raízes tão descaradamente tribais como Sepultura outrora propôs e que eu esperava (exceto a faixa "Warrior", que começa com batuques indígenas e um clima misterioso), o resultado não é menos satisfatório e convincente. A experiência fica melhor ainda quando se tem a informação de que este é um trabalho conceitual que narra uma história muito desconhecida pelo povo brasileiro e ocultada dos livros de História das escolas: a da revolta do índio Mandu Ladino.
Mandu Ladino era um índio arani nascido em São Miguel do Tapuio, no Piauí, que foi recolhido por padres jesuítas portugueses após se tornar órfão aos 12 anos de idade. Foi batizado e educado por eles, mas nunca esqueceu os resultados da atividade do homem branco nas terras indígenas, que seguiam avançando cada vez mais terra adentro, expandindo a criação de gado e da cana-de-açúcar, expulsando nações indígenas das margens do Rio Parnaíba.
A ideia de revolta de Mandu Ladino teve início em 1712, quando testemunhou uma índia sendo brutalmente assassinada por soldados portugueses. Mandu se revoltou e conseguiu reunir diversas tribos indígenas à sua causa, mesmo que distantes e de outras línguas. Sua influência se estendeu pelo Maranhão, Piauí e Ceará. A revolta começou efetivamente com o assassinato do fazendeiro Antônio da Cunha Solto devido a sua crueldade, e assim começou uma verdadeira guerra entre índios contra portugueses e brasileiros. Esse capítulo escondido da história brasileira perdurou até 1719, quando uma grande expedição de fazendeiros perseguiram Mandu Ladino, que foi ferido e morto por afogamento no Rio Parnaíba, e seu bando cariri teve destino semelhante.
Histórias de massacre e o Metal fornecendo cultura à parte, o som segue firme uma fodaça linha de Death/Thrash Metal que, embora não seja tão violento e, por momentos, veloz como o que geralmente acontece no Torture Squad, é de pesada produção, obrigando-o a bater cabeça. A sonoridade não é frenética, mas harmoniosa e cadenciada ao mesmo tempo em que é Extrema, e os solos também seguem a linha harmônica, com belíssimas veias técnicas e melódicas. O baixo acrescenta um peso imprescindível, e as interessantes e por vezes variantes linhas de bateria (que muitas vezes tocam em ritmo tribal) completam o esmagamento instrumental. Vitor Rodrigues aqui faz mais uso de seu demoníaco vocal gutural fechado, com algumas alternâncias para o rasgado. Todo o peso desse excelente registro brasileiro ganhou vida com o excelente trabalho de produção de Brendan Duffey e Adriano Daga.
Com toda certeza, "Mandu" é um álbum de qualidade, à altura do que o nome de Vitor Rodrigues sugere no subconsciente. Mais um excelente disco brasileiro, que abre uma discografia que deixa a entender que coisas cada vez melhores virão no futuro, ainda bem tendo em vista toda a experiência acumulada pelo vocalista ao longo de sua estrada no mundo metálico. Quem não conhece, aqui está a oportunidade, e dificilmente não gostará. Vida longa ao Voodoopriest!


 Voodoopriest (EP) (2013)

01 - Juggernaut
02 - Kamakans
03 - Reborn
04 - The One I Feed
05 - Aftermath (Of Mass Suicide)

Download

 Mandu (2014)

01 - Dominate and Kill
02 - Religion In Flames
03 - Warrior
04 - Eye For An Eye
05 - Trail of Blood
06 - Mandu
07 - Warpath
08 - Swallowed By The Waters
09 - We Shall Rise


Nenhum comentário:

Postar um comentário