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sábado, 14 de junho de 2014

Lost Horizon - Discografia

Embora eu tenha me auto-introduzido no mundo da música pesada a partir do Heavy Metal, quando, aos nove anos de idade, fui enxerido e pus o "Somewhere In Time" do Iron Maiden no player (e depois me expandi para bandas como Ozzy Osbourne e Megadeth), o que me consolidou de verdade no gosto musical e expandiu meu conhecimento foi o Power Metal. Essa consagrada e famosa vertente foi uma constante na minha vida desde o fim da pré-adolescência e início da adolescência, por ali entre os 12 e 13 anos, e se manteve firme e quase incessante até os 17. Enchi muito o saco dos vizinhos com Rhapsody of FireKamelotAngraLuca TurilliHeavenlyDark MoorBlind Guardian, entre várias e várias outras bandas... até que, aos 18, já tinha ouvido o suficiente para me cansar e perceber que tanto eu quanto o próprio gênero estavam saturados. Toda banda nova do ramo que eu conhecia por vontade própria ou me colocavam para ouvir, eu sentia que era apenas mais do mesmo... então me fechei ao gênero e me tornei altamente rigoroso para gostar de verdade de bandas que ainda não conhecia que apostavam nesse rótulo.
Ainda na adolescência muito me expandi para outras áreas, então passei a, mesmo sem perceber, me pegar investindo cada vez mais nelas, principalmente bandas que faziam uso de guturais. Afinal, eu vejo o Metal como uma droga: o usuário geralmente começa com algo leve... até que vicia e o efeito já não vai mais sendo o mesmo, então ele busca algo mais pesado.
Desde a fase oficialmente adulta, a banda de Power Metal tem que ser, na minha concepção, muito especial para que eu goste dela. Tem que ser diferente de alguma forma aos meus ouvidos, ou então ser foda pra caralho. Não que eu não goste mais das bandas que ouvia antes, muito pelo contrário; não sou do tipo "gostava". Se gosto, é pra sempre. A questão é que ainda sou apaixonado pelas bandas que moldaram meu gosto, mas sou exigente com outras que ainda não conheço.
Nesse meio tempo, algumas me conquistaram de jeito, tal como SabatonMetalium e Powerwolf. Achei que mais nenhuma fosse me encantar de forma tão "catastrófica", mas, como bem sabem os visitantes que acompanham o blog há mais tempo e leem meus textos, eu sempre acabo me enganando.
Nome nada chamativo, roupas e pinturas de corpo clichê, som de certa forma cru, banda atualmente sem atividade, apenas dois álbuns lançados há tempos... O Lost Horizon tinha tudo para ser uma banda para bater o olho no nome e nas capas e procurar outra coisa. Mas por sorte, mesmo que a contragosto, fui conferir algo no YouTube e gostei... tempos depois acabei baixando e resolvendo me aprofundar, e aí me apaixonei de verdade!
Imagine uma banda de Power Metal com elementos de Progressive Metal que não precise de super-produção e teclados épicos para ser verdadeiramente épica e fazer você se sentir guerreiro? Aquela banda que faz você sentir que tem músculos que na verdade não tem, que o faz ter vontade de desembainhar e brandir uma espada imaginária... Imagine uma banda com um vocalista excepcional que canta em grande variação de notas, insere agudos incrivelmente técnicos e esgoelantes e o faça ter inveja por não ser capaz de fazer o mesmo? Essa noção define bem essa banda formada no ano de 1990 em Gothemburg, na Suécia, sob o nome Highlander.
Os fundadores compreendem o vocalista Joacim Cans, o guitarrista polonês Wojtek Lisicki (Transcedental Protagonist), o segundo guitarrista Mickael Nicklasson, e o baixista Martin Furängen (Cosmic Antagonist), mas não muita atividade aconteceu durante os anos iniciais, além da entrada do baterista Christian Nyqvist (Preternatural Transmogrifier) em 1992. Entraram em hiato em 1995, voltando apenas em 1998 sem Joacim e Michael, brevemente com o mesmo nome, mas logo alterando para Lost Horizon. Recrutaram então o talentosíssimo vocalista Daniel Heiman (Ethereal Magnanimus) em 1999 e começaram a trabalhar na primeira de suas obras.
Dois anos mais tarde, em 2001, o excelente debut "Awakening The World" foi lançado via Music For Nations, um disco que já possui os atributos que elogiei mais acima, e que viriam a ser ainda melhor aprimorados no full-lenght subsequente. O brilho da banda está em ser capaz de acoplar o Progressivo ao Power Metal sem perder a veia Power, e sim aguçando-a ainda mais, e ainda fazendo Power Metal digno sem precisar de mais do que um teclado base só para dar aquele background, sem exageros. Destaque óbvio é o impressionante vocalista Daniel Heiman, que dá um show! Para se ter uma noção de como é sua voz, ela é um típico timbre escandinavo: limpa e predisposta a elevar tons com facilidade. Mas Daniel tem recurso: além dos altos agudos, o modo como canta oscila entre várias notas, muitas vezes elas variam dentro de uma mesma frase, e mudam bastante entre as estrofes, dando uma dor de cabeça para quem quer dominar as músicas. Além disso, abusa de um carregado drive guerreiro que modifica bastante sua voz e se estendem até alguns agudos, demonstrando muito domínio e versatilidade. É meio que uma mistura entre Ari Koivunen (Amoral) e Henning Basse (Mayan, ex-Metalium). "Heart of Storm", "Sworn In The Metal Wind" e "The Kingdom of My Will" são bons pontos de partida para esse álbum.
Já em 2002, a banda passou a contar com mais integrantes, pois o guitarrista Fredrik Olsson (Equilibrian Epicurius) e o tecladista Attila Publik (Perspicacious Protector) ingressaram para tornar o som ainda mais poderoso.
E essa foi a formação que lançou o fantástico "A Flame To The Ground Beneath" em 2003, novamente através da Music For Nations. Um disco que merece um pedestal e não deveria passar despercebido. Ainda melhor que o primeiro, compreende muito mais do que apenas músicas; são espetáculos de voz, de sentimento, de clima, de solos que alicerçam velocidade e feeling. O vocal de Daniel Heiman consegue ser ainda mais um show à parte do que seria possível imaginar, principalmente quando em "Highlander (The One)" ele faz algo como isso. Vale ressaltar que essa música é muito mais do que apenas uma música... assimilando bem a banda, quem não conhece, vai entender o porquê, e quem conhece sabe bem do que tô falando. É muito sentimento envolvido. Outras faixas que se destacam demais são "Pure", "Lost In The Depths of Me" e "Cry of A Restless Soul". Um verdadeiro espetáculo!
Infelizmente essa majestosa banda nunca recebeu o reconhecimento que merece... é uma agulha no palheiro do Power Metal. Pra piorar, Daniel Heiman e o guitarrista Fredrik Olsson deixaram o conjunto em 2004 e fundaram o Heed, que encerrou suas atividades em 2008, após lançar o ótimo e genérico álbum "The Call" em 2005 e uma demo agressiva demo em 2007.
A banda atualmente conta apenas com os integrantes que ficaram, e o futuro é incerto. O status é semi-ativo, sem muitas pretensões. Em 2008, mesmo sem substituto para Heiman, anunciaram um álbum independente que estava sendo gravado e que assim que contratassem um vocalista, as linhas vocais seriam introduzidas, mas nada aconteceu desde então.
Não sou do tipo de dizer que existe Metal verdadeiro ou Metal falso. O que existe são diferentes formas de executar Metal. Mas assim como nada é totalmente ruim e nada é totalmente bom, esse tipo de alegação tem sua dose de razão, pois de certa perspectiva, o Lost Horizon resguarda o "verdadeiro" significado do Power Metal. Aquele que te faz sentir o poder nas veias, que te faz viajar mesmo, da forma mais tradicional. Isso é Lost Horizon!


 Awakening The World (2001)

01 - The Quickening
02 - Heart of Storm
03 - Sworn In The Metal Wind
04 - The Song of Air
05 - World Through My Fateless Eyes
06 - Perfect Warrior
07 - Denial of Fate
08 - Welcome Back
09 - The Kingdom of My Will
10 - The Redintegration


 A Flame To The Ground Beneath (2003)

01 - Transdimensional Revelation
02 - Pure
03 - Lost In The Depths of Me
04 - Again Will The Fire Burn
05 - The Song of Earth
06 - Cry of A Restless Soul
07 - Think Not Forever
08 - Highlander (The One)
09 - Deliverance


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