Social Icons

terça-feira, 8 de abril de 2014

Paulo Schroeber - Discografia

Essa é uma postagem especial, envolta no véu negro do luto em nome da música bem feita, do virtuosismo, do Metal. É uma postagem para homenagear um dos mais talentosos guitarristas da cena brasileira, que infelizmente teve o fio de sua vida cortado no dia 24 de março de 2014. É uma postagem para conhecer um pouco mais do que Paulo Schroeber, que fez seu nome amplamente devido a sua passagem pelo Almah de Edu Falaschi (ex-Angra e Symbols), fez no mundo da música. Afinal, ele tinha também um recém-fundado projeto solo.
Paulo Schroeber nasceu no dia 18 de agosto de 1973 na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Seu contato com as cordas começou relativamente tarde, aos 15 anos de idade, quando seu pai lhe presenteou com um violão e ele começou os estudos de música.
O desenvolvimento de suas habilidades o levou a se interessar ainda mais pelo instrumento. Por isso, aos 18, não quis mais saber de colégio e começou os estudos de violão clássico, conhecimento que absorveu por três anos. Apesar de estudar o lado clássico da instrumentação, e até mesmo chegar a executar peças de compositores clássicos como Villa LobosSebastian Bach e Sagreras, Paulo também era ligado no mundo marginalizado do Metal e em sua forma única de tocar instrumentos de cordas como violão, guitarra e baixo, levando-o a cultivar fascínio por guitarristas como Jason Becker (David Lee Roth, ex-Cacophony), Marty Friedman (ex-Cacophony e Megadeth) e Steve Morse (Deep Purple, ex-Kansas).
Sua primeira banda metálica foi o Fear Ritual, que executava Melodic Death Metal. Com eles, lançou o único EP da discografia em 1995, autointitulado, através da extinta Wild Rags Records, dos Estados Unidos, país onde o disco até teve boa repercussão. A seguir, chegou a ter rápidas passagens por bandas como Burning In Hell (Power Metal) e Predator (Death Metal), auxiliando principalmente nas composições.
Mas exposição maior aconteceu na banda Naja, com quem gravou um CD e um DVD que presentearam o conjunto com o prêmio de revelação independente e o prêmio Açorianos pela prefeitura de Porto Alegre, de melhor intérprete da categoria. Daí foi só questão de tempo até chamar a atenção de Edu Falaschi e ingressar na banda que o despontaria de vez: o Almah, em 2008. Ao lado de Edu, Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa (guitarra) e Marcelo Oliveira (bateria), Paulo lançou o primoroso álbum "Fragile Equality", o melhor álbum de sua carreira, e também o melhor do Almah, na minha opinião. Quem conhece seu jeito de tocar sabe o quanto Schroeber ficou à vontade nessa obra, o que foi positivo e gerou um puta disco, com riffs e solos velozes, melódicos e atrativos. Não é à toa que teve repercussão positiva nos diversos tipos de mídia e fez muito barulho.
Em paralelo ao Almah, o gaúcho se dedicava também à banda Astafix, que lançou o álbum "End Ever" em 2009, disco que rendeu à banda o primeiro lugar no quesito "revelação nacional" pela Roadie Crew. A banda excursionou pelo Brasil inteiro, e até mesmo um DVD gravado em São Paulo foi lançado em 2011.
Foi até essa época que Paulo ficou com o Almah, 2011, ano em que o álbum "Motion" saiu, também com linhas de guitarra por sua conta, excelente disco cujas vendas falam por si só, pois ficou entre os mais vendidos em diversas lojas do ramo no país. Nessa época, o guitarrista já estava ficando doente, e isso prejudicava sua performance e sua saúde durante as extensivas turnês. Por isso, e por ordens médicas, teve que deixar a banda. O comunicado foi emitido oficialmente no em abril de 2012.
Também em 2011, Paulo Schroeber estreou seu projeto solo. Contando com Felipe Andreoli no baixo e Rodrigo Zorzi nas baquetas, o guitarrista lançou o debut "Freak Songs", um disco que condiz bastante com suas influências e estudos clássicos, afinal, é um trabalho instrumental de Jazz/Fusion. Isso pode pegar desprevenido aqueles que esperavam algo mais pesado, até porque, ao longo da carreira, Paulo só passou por bandas de Death Metal e Power Metal. Mas aqui a coisa é tranquila, o virtuosismo é valorizado, e o gaúcho demonstra toda sua técnica e criatividade com muita classe.
Infelizmente, seu quadro de saúde foi piorando nos tempos que se seguiram, impedindo-o seriamente de fazer música, devido a problemas no coração. Chegando em 2014, o cara ficou internado por vários dias na UTI do Hospital Nossa Senhora Medianeira, também conhecido como Hospital do Círculo, localizado em sua cidade natal. "O procedimento de reconfiguração do aparelho cardíaco - uma espécie de marcapasso - não surtiu efeito". O coração inchou, comprimindo os pulmões, prejudicando o movimento de respiração e formando água dentro dele. Paulo Schroeber acabou não resistindo ao quadro, e faleceu no dia 24 de março de 2014, ainda jovem, com 40 anos de idade. A morte levou um guitarrista virtuoso, um dos melhores do país...
Mas Paulo Schroeber não foi apenas guitarrista e compositor em vida. O cara também estava começando a se dedicar às carreiras de produtor e professor de música. Como produtor, foi o responsável pela produção do álbum "World of Glory and Hate", do Torvo, e como professor, passou um pouco de seu conhecimento a músicos como Cássio Vianna e Daniel Suliani, ambos do Abomination.
Essa é um pouco da história da vida musical de Paulo Schroeber, um guitarrista ímpar, que já era grande, mas ainda tinha muito espaço para crescer mais, e muitos grandes trabalhos para lançar, se não fosse a doença. Resta agora apreciar seu legado, e como essa postagem é focada nele, está abaixo seu único disco solo, um trabalho maravilhoso e rico em talento!


 Freak Songs (2011)

01 - Parallel Realities
02 - Fast Jazz
03 - Give Me A Pill
04 - Neoclassical Party
05 - Mom's Patience
06 - Fusion Headache
07 - Rock It
08 - To My Father
09 - Good Trip
10 - Insert Coins
11 - Rabbit Soup
12 - The Third Wish


Nenhum comentário:

Postar um comentário