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sábado, 29 de março de 2014

Nervosa - Discografia

...Pois é, cara, foi um boom!, completamente do nada, vindo de lugar nenhum, de repente um power trio de Thrash Metal surgiu em São Paulo e saiu do total anonimato direto para a exposição mundial em larga escala, conquistando, em apenas dois anos (o que do ponto de vista do meio musical é na velocidade de um piscar de olhos), um contrato com as poderosas Napalm Records e Nuclear Blast antes mesmo de terem lançado qualquer demo, coisa que outras bandas chegam a demorar 15 anos para alcançar, isso se alcançar. É, rapaz, espantoso, espantoso mesmo!
Mas que porra é essa? Que façanha é essa? Bom, essa "porra" é o nervoso som do Nervosa, banda composta apenas por meninas, que fazem um som foderoso. E essa façanha? Bom... vai saber. Talvez uma influente lista de contatos que deva levar o nome "Jesus Cristo" na capa, pois, por sinal, transforma água em vinho em um segundo.
Esse milagre da propaganda brotou em 2010 por iniciativa da guitarrista Prika Amaral, que já tinha em mente iniciar uma banda de Thrash Metal que fosse composta apenas por mulheres. No mesmo ano, a guitarrista Karen Ramos e a baterista Fernanda Terra foram recrutadas, mas apenas em 2011 a formação ficou completa como um quarteto com a entrada da violenta vocalista e baixista Fernanda Lira (ex-HellArise e Hellgard, atualmente namorada de Christófaro Amilcar, baterista do Torture Squad). Contudo, os tempos de quarteto foram bem breves, pois Karen Ramos deixou sua posição, tornando a banda novamente um trio, e assim mesmo as meninas seguiram. A partir daí, era só trabalho nas primeiras músicas.
O título definitivo do grupo foi escolhido nessa época. "Nervosa" porque é uma palavra em português, é agressiva, condiz com o som que estavam preparando, e ainda é feminino, além de ser fácil de memorizar.
Já em março de 2012, as garotas lançaram o primeiro videoclipe no Youtube, promovendo a faixa "Masked Betrayer", e incrivelmente atingiu a marca de 20 mil visualizações na primeira semana, levando-as a obter Menção Honrosa na rede social, protagonizando na 17ª posição dos clipes mais acessados da semana, e 55ª posição no mês. A banda já sabia trabalhar com sua promoção desde os primórdios.
Continuando os trabalhos com as músicas, um salto evolutivo com direito a elo perdido aconteceu, pois, em agosto, o EP independente "2012" foi lançado, contendo três faixas. Até aí, nada anormal, a não ser pelo fato de que no mês seguinte, conseguiram relançar o mesmo disco na Europa através da Napalm Records e da Nuclear Blast, que também o distribuíram em edições limitadas coloridas em vinil. Contudo, a partir dos grandes selos, recebeu outro nome: "Time of Death". Portanto, não se preocupem, é a mesma coisa.
Na real, o EP demonstra uma banda que não é apenas voltada para o Thrash Metal, mesmo que influências de bandas como DestructionSodom e Kreator possam ser notadas. O que elas fazem é, de certo modo, um híbrido com o Death Metal, resultando em uma sonoridade ainda mais poderosa e técnica. Ah, "técnica" sim, e muito. Muita técnica, velocidade e calor são exalados por voz, braços e pernas. Tanta qualidade e vontade de fazer música certamente criaram grande expectativa sobre como viria o debut, mas isso foi questão de tempo.
O ano de 2012 foi extremamente frutífero, não só pela conquista dos contratos com duas das maiores gravadoras do mundo, ou pelo lançamento do EP e divulgação efetiva do videoclipe, mas também pela grande carga de shows realizados: mais de 50 em todo o país, abrindo para bandas expressivas como ArtilleryExodusGraveExumerSamael, entre várias outras. Tamanho crescimento exponencial criou muitos fãs, certamente, mas também deixou uma pulga atrás da orelha de vários outros. A seguir, a baterista Fernanda Terra teve de deixar a banda, o que levou Christófaro Amilcar (Torture Squad) a tapar um buraco em alguns shows, até que Jully Lee chegasse para preencher o vazio em definitivo. Só que ela pouco ficou, já saindo em 2013, substituída por Pitchu Ferraz, que estabilizou de vez a formação.
Os trabalhos de composição do primeiro álbum prosseguiram a todo vapor em 2013, no passo em que a banda era promovida a ritmo frenético nas redes sociais e pelo Brasil, usando o fato de serem mulheres muito bem ao seu favor, e convencendo com um som de primeira categoria. O power trio seguiu mostrando as caras ao lado de mais bandas de peso como Exciter, Destruction, Blaze Bayley, Kreator, D.R.I.KorzusRatos de Porão e Benediction.
Por fim, em 2014, as garotas quebraram tudo definitivamente com o lançamento do primeiro álbum, "Victim of Yourself", via Napalm Records. Até esse disco sair, sinceramente, eu nem me ligava na banda, mas me bateu a curiosidade quando o vi. Ele segue o mesmo passo do primeiro EP, contudo, de forma mais completa e satisfatória. A banda amadureceu um pouco mais e aprimorou suas técnicas. O disco é de tirar o fôlego, tem mais peso, agressividade e responsabilidade do que muita banda composta por homens, e ainda pode superar as expectativas de quem já conservava alguma. Novamente, apesar da banda ser divulgada como sendo detentora do Thrash Metal puro, elas chegam também ao Death/Thrash: o vocal de Fernanda Lira é venenoso, cortante e violento. Um gutural rasgado digno de quem põe o coração no que está fazendo. É possível sentir isso. E o mais interessante de tudo é que é um vocal rasgado que não perde o estilo Thrash de cantar! Os instrumentos também não deixam nada a desejar, e uma verdadeira mistura pode ser notada: por horas, o som é veloz, pegado, digno do rótulo Speed; outras vezes, cadencia para um lindo Melodic Death Metal; e mais frequentemente, é sentida uma sóbria mistura entre Death e Thrash por momentos, com guitarras pesadas, riffs variantes, solos rápidos, dedos ligeiros no baixo e uma bateria habilidosa que é impossível não ser notada. Essas baquetas de Pitchu Ferraz (que acumula mais de 20 anos de experiência) acrescentam uma eletricidade que cativa!
A bem da verdade, o som não é original. Não é mesmo. Mas é de alta qualidade, satisfatório, e acima de tudo, sincero. As garotas estão fazendo o que realmente querem fazer, e colocando o coração nisso. Não é pecado. Puta álbum, puta banda! Por mais que elas façam uso de desconhecidas artimanhas para se promover melhor do que as outras bandas (afinal, não se chega à Nuclear Blast e à Napalm Records tão cedo assim, senão isso seria frequente. É preciso contatos para mexerem nos pauzinhos por debaixo dos panos), isso não deslegitima o som, que é maravilhoso, e não pode deixar de ser apreciado por nós. São ferozes, poderosas, e nesse ritmo, podem se tornar um dos maiores expoentes do Thrash Metal no Brasil. Isso o tempo dirá. Seja lá como for, não é por falta de qualidade, nem por divulgação forçada que elas chegaram onde estão. É por som de verdade, e competência.


 Time of Death (EP) (2012)

01 - Time of Death
02 - Invisible Oppression
03 - Masked Betrayer


 Victim of Yourself (2014)

01 - Intro
02 - Twisted Values
03 - Justice Be Done
04 - Wake Up and Fight
05 - Nasty Injury
06 - Envious
07 - Morbid Courage
08 - Death!
09 - Into Moshpit
10 - Deep Misery
11 - Victim of Yourself
12 - Urânio Em Nós


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