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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Noturnall - Discografia

Lembro quando eu era pequeno, e uma novela chamada "O Beijo do Vampiro" era transmitida pela Rede Globo no fim da tarde. Acompanhei ela inteira, e era especialmente atraído por uma das músicas que fizeram parte da trilha sonora. Algum tempo depois, não me recordo se a novela já havia acabado ou se foi durante sua transmissão ainda, meu irmão compra um disco que ele diz ter 'aquela tal música'. Era o álbum "Ritual", do Shaman, lançado em 2002 (exata época em que a novela foi transmitida), e ele continha aquela canção, chamada "Fairy Tale". Por muito tempo ouvi apenas aquela música... Eu tinha nove anos na época. Tava começando a me introduzir no mundo do Heavy Metal, e já estava ficando obcecado pelo Iron Maiden. Logo, foi questão de tempo até eu começar a ouvir ao Angra, e novamente mirar meus olhos sobre o Shaman, percebendo que "Ritual" é um disco sensacional em sua totalidade. Descobri que era muito aclamado, e que "Fairy Tale" é um dos clássicos absolutos, acolhidos pelo público headbanger de forma calorosa. Não é à toa que a canção faz parte do repertório dos shows do "gogozinho afinado" até os dias atuais.
Agora, me impressiona mesmo é como aquela banda, que à época de "Ritual" tinha tudo para ser verdadeiramente grandiosa e um forte expoente do Metal brasileiro, acabou desandando um pouco. Isso já vai desde ainda na época de Andre na linha de frente, à altura do álbum "Reason", lançado em 2005. Após um debut inspirado e um DVD com excelente repercussão, era de se esperar algo igualmente explosivo na sequência, mas não foi o que aconteceu. Claro, "Reason" é excelente, gosto demais, mas não foi muito bem recebido pelos fãs e crítica.
Após a saída de Andre Matos e dos irmãos Jesus e Jesus Jr., digo, Luís (baixo) e Hugo Mariutti (guitarra), o futuro da banda ficou bastante incerto. Porém, o baterista e fundador do grupo, Ricardo Confessori, prosseguiu com a banda, reformulando o line-up com o vocalista Thiago Bianchi, o guitarrista Léo Mancini e o baixista Fernando Quesada, além de Fabrizio di Sarno nos teclados. Tragicamente, o nome Shaman perdeu força desde então. "Immortal" (2007) e "Origins" (2010) mostraram-se ótimos álbuns, mas alguma coisa não estava funcionando e os fãs não estavam gostando tanto, como se alguma nuvem carregada estivesse pairando sobre os céus da banda, e os respingos da chuva pudessem ser sentidos nos rostos dos fãs.
Nessa tragédia de percurso, a banda perdeu força, perdeu expressão, sobrando críticas até mesmo ao vocalista Thiago Bianchi, que nunca achei ruim como alguns bravamente diziam, e sempre parecia que algo de bom poderia ser desenvolvido ali.
Pois é. As coisas se mantiveram nesse clima negativo até que, em 2013, um novo álbum foi anunciado para 2014, e detalhes da capa e do videoclipe promocional começaram a ser lentamente apresentados. Era o Shaman criando expectativas de, enfim, um álbum para rechaçar as críticas e provar que estavam vivos e afim de fazer barulho na cena. Dava pra sentir a empolgação por parte da banda.
Entretanto, chegando a certa altura do fim de 2013, mudanças ocorreram. Mesmo com tudo já gravado e pronto, algo estava atrasando a banda. Era o Ricardo, que estava especialmente focado no Angra, e de alguma forma, não contribuía do modo esperado com a sonoridade que estava sendo construída, que de fato, era bem, bem diferente de tudo que o Shaman havia feito até então. Houve então uma conversa entre os membros da banda, que refletiu na atitude de mudança de titularidade pouco depois. O Shaman foi desativado, mas não acabou. Apenas está hibernando, e todos os membros ainda fazem parte da banda. Logo, no futuro, quando, ou se a banda for reativada, todos os membros voltarão normalmente. Todavia, frente a tanta dedicação e entrega que os membros agregaram ao trabalho, com muita química e entrosamento, com todos os membros não se dedicando apenas ao seu próprio instrumento, mas também acrescentando ideias aos demais, os caras sentiram que seria sensato tocar aquilo adiante de qualquer forma.
Com as demos apresentando um trabalho mais violento, a banda percebeu que aquilo era a alma de sua química, e gostaram tanto, que encararam como não tendo volta. "No turn at all". Era aquilo. Através dessa frase, surgiu o nome Noturnall, na capital paulista.
Tudo já estava gravado, exceto a bateria, e os caras procuravam alguém pra completar essas linhas. Pensaram então em Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra), que acolheu a ideia e foi capaz de fazer o processo ao inverso: acrescentar as linhas de bateria às músicas já prontas. Mas ele fez mais do que isso; trouxe uma nova energia aos entornos da banda.
O passo seguinte foi Nova Iorque, nos Estados Unidos, para onde o grupo viajou a fim de produzir o disco e gravar o videoclipe da faixa "Nocturnal Humans Side", que conta com a primorosa participação de Russell Allen (Symphony XAdrenaline Mob), que também é o responsável pela produção do trampo. Dali, tudo ganhou forma final, e essa forma final, rapaz... impressiona. Impressiona mesmo!
Lançado em fevereiro de 2014, "Noturnall" é um álbum que, com segurança, é de se tirar o chapéu. Calcado em um Progressive Metal atormentante e violento, sua sonoridade é moderna e esmagadora. É também bem verdade que ele é complexo. A primeira audição pode soar linear demais, tornando as coisas difíceis de assimilar. Mas como todo bom Prog, com as repetições da experiência, tudo vai clareando, e o disco vai se mostrando construído sobre camadas de maestria e técnica.
Não se trata de um trabalho composto por músicas extensas, maçantes, com faixas de diferentes e imersivas atmosferas, ou trechos onde cada músico tem sua vez para mostrar que sabe tocar, como é típico em bandas mais generalizadas do estilo. Pelo contrário: elas têm em média 4 minutos e meio de duração, e a "fritação" (que sim, existe) emerge por parte de todos os instrumentos, compactados numa mescla que talvez não tenha o intuito de mostrar que toca pra caralho, mas de contribuir com uma sonoridade mais pegada e turbulenta, abundante em quebradas progressivas, quebradas tais que são alucinantes, diga-se de passagem.
Ponto muito marcante é a performance de todos os músicos, que é simplesmente impressionante: a começar pela voz de Thiago Bianchi, que confessa que o intérprete talvez esteja no auge de sua capacidade; impõe respeito e moral através de fortes drives em algo á lá Southern Metal, mas também mostra-se perspicaz nos trechos mais suaves e etéreos. Exatamente por isso, sua voz casa com perfeição à de Russell Allen em "Nocturnal Humans Side", mantendo os dois em consonância, não deixando, portanto, a peteca cair com a alternância das vozes; A guitarra de Léo Mancini sola com veemência, frita bastante, é verdade, mas também toca com feeling. Normalmente as pessoas separam os dois aspectos, mas eles podem ser unidos, e Mancini mostra isso de forma linda, como em "Hate", por exemplo. É muito sua característica própria a iniciação de um solo com feeling, e lentamente aumentar o ritmo até se tornar fugaz; em meio a tanta turbulência, é difícil parar pra perceber o contrabaixo de Fernando Quesada, mas é igualmente impressionante o quão veloz é sua forma de tocar e acompanhar os demais instrumentos. Claro, ele também tem sua vez, brevemente utilizada após um solo matador na faixa "Fake Healers"; Na medida e nos momentos certos encontram-se os teclados de Juninho Carelli que complementam o toque moderno que a guitarra já esbanja com naturalidade. Seus efeitos tecnológicos e urbanos dão o exato perfil do conceito da banda, e a exemplo do que Jordan Rudess vem fazendo, solos de teclados virtuais no iPad são introduzidos, contribuindo com variedade de recursos sem exageros em quantidade de teclados; e por fim, vem a já conhecida bateria de Aquiles Priester. Sempre espera-se muito do gaúcho, mas nesse álbum ele supera as expectativas talvez até do mais otimista dos fãs. Eu diria que é um dos melhores, senão o melhor trabalho já feito por Aquiles em seu instrumento. O cara espanca o instrumento, faz uso de diversos recursos, muita virada, e contribui com uma incansável energia que acaba por ser imprescindível às canções. É difícil prever onde baterá a seguir, e essa imprevisão é reflexo de sua coroa de criatividade, reafirmando a ideia de que se trata de um dos melhores bateristas a nível mundial.
A mistura de todos os elementos humanos criou uma massa de tal consistência que torna o trampo cativante. Tenha certeza que estamos lidando com algo bombástico, agressivo, e moderno. Mas fique tranquilo, não é "pé na porta" o tempo inteiro, pois os refrões de algumas músicas são mais melódicos e cadenciados, como em "Master of Deception" ou "St. Trigger", ao passo de que canções mais baladas também fazem parte do repertório, como a belíssima "Last Wish", e "The Blame Game", que fecha o disco com seus violões e piano, algo inesperado após um disco de vivacidade e prepotência.
No dia 29 de março de 2014 foi gravado, no Carioca Club, em São Paulo, o que viria a ser já o primeiro DVD dos caras. Lançado em setembro, "First Night Live" conta com um extensivo set que totaliza uma hora e meia de concerto, tempo acrescido por conteúdos extras na versão em DVD, como making of e videos clipes das faixas "No Turn At All", "Nocturnal Human Side", além de "Woman In Chains", cover do Tears For Fears, que a banda gravou em dueto entre Thiago Bianchi e Maria Odette sua mãe, em homenagem ao dia das mães. O registro do show foi é muito bom e conta inclusive com a presença de alguns covers como "Symphony of Destruction", do Megadeth, "Stand Up and Shout" do Dio, e "War Pigs" do Black Sabbath, encerrando a apresentação na casa de show paulistana. Poderia ser melhor produzido, dando mais ênfase para a guitarra base, mas dá pra sentir bem o clima.
É bem verdade que, no fundo, até agora a banda não fez algo original. De alta qualidade, sim!, de enorme competência, sim!, estupefato, sim!, de exímia criatividade, sem dúvidas! Não se faz Prog desse cunho sem alicerçar criatividade e técnica. Porém, soa muito como uma mistura entre Symphony XDream Theater e Adrenaline Mob. Thiago canta de forma demasiadamente parecida com a do Russell, o que fortalece ainda mais essa impressão, e até me levou a, na primeira ouvida, pensar que Russell emprestasse sua voz no decorrer do disco. Por esse motivo, se fosse para atribuir notas, eu daria 9/10.
Ouçam sem medo, e esqueçam o Shaman. É uma nova banda, paralela ao Shaman, e os membros estão empolgados. Querem agitar a cena, e querem vir pra ficar. Quem sabe a banda não engrena e nos presenteia com mais álbuns de qualidade? Esse debut, por si só, já é de uma maravilhosidade matadora.


 Noturnall (2014)

01 - No Turn At All
02 - Nocturnal Humans Side (feat. Russell Allen)
03 - Zombies
04 - Master of Deception
05 - St. Trigger
06 - Sugar Pill
07 - Last Wish
08 - Hate
09 - Fake Healers
10 - The Blame Game

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 First Night Live (Live) (2014)

01 - Intro
02 - No Turn At All
03 - St. Trigger
04 - Inferno Veil
05 - Zombies
06 - Master of Deception
07 - Hate!
08 - Aquiles Priester Psychoctopus Solo
09 - Last Wish (feat. Luiz Vernando Venturelli)
10 - Symphony of Destruction (feat. Luiz Vernando Venturelli) (Megadeth Cover)
11 - Léo Mancini Solo - Intro Brazilian Act
12 - Fake Healers
13 - Sugar Pill
14 - Nocturnal Human Side (feat. Russel Allen)
15 - Stand Up and Shout (feat. Russel Allen) (Ronnie James Dio Cover)
16 - War Pigs (feat. Russel Allen) (Black Sabbath Cover)

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 Back To Fuck You Up! (2015)

01 - Enquanto A Trégua Não Vem...
02 - Back To Fuck You Up!
03 - Zombies (The Holy Trinity)
04 - Fight The System
05 - Major Cover Ups
06 - Industry of Fear
07 - This Life
08 - Green Disease
09 - We Are Not Alone
10 - Rise Now!
11 - Sick and Tired of It All

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