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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Myrath - Discografia

Não que eu não aprecie um som de abordagem mais crua e direta, mas quando uma banda executa um som mais enfeitado, a probabilidade de que eu goste é mais alta. Sou fã do Metal artístico, em especial quando remonta a alguma época ou cultura através de elementos Folk. A climatização me leva a outras terras, e a sensação de transposição espacial para um local ou época diferente da atual é o que me toca. Até porque outra forte razão é que um estilo marginalizado pelos ignorantes (que não fazem ideia da imensidão e das diferentes vertentes do Rock e Metal) se mostra poderoso e compatível perfeitamente com elementos outrora ditos como externos, mas que hoje em dia vemos tantas bandas fazendo uso que acredito que podemos dizer que é natural, que é nosso.
Outro motivo de orgulho para mim é o fato do Metal ser global. O mundo inteiro tem adeptos, até nos países mais improváveis. Certa vez, quem dominou a cena foram os Estados Unidos e o Reino Unido. Mas hoje... são meros figurantes. Bandas brilhantes surgem o tempo todo ao redor do planeta, todas inserindo de forma consciente ou subconsciente as influências de viver em locais marcantes. Se só o fato ter crescido em bairros industriais fez com que o Metal executado por músicos desses locais soasse diferente e desse origem ao Industrial Metal, imagina o que viver em um contexto social todo diferente é capaz de fazer. Não que uma banda de um país não possa se inspirar e conseguir fazer um som competente que climatize a cultura de outro país ou região, mas quando a banda é oriunda da própria região/cultura/país, a coisa soa mais natural e autêntica.
Essa postagem trata de uma banda que une tudo escrito acima - e muito mais - de forma fantástica. Calcado num estilo característico e ideal para complexidade como o Progressive Metal, o Myrath adiciona elementos Folk desérticos na sonoridade e é de um país improvável, nas vísceras do deserto do Saara: a Tunísia. Tudo bem que alguém de outro país improvável já faz algo nessa mesma configuração. Evidentemente, me refiro ao estupendo Orphaned Land, de Israel, outra banda que sou "ferrenhamente" apaixonado. É bem verdade mesmo que o Myrath cresce "às sombras" dos israelenses mesmo não querendo (afinal, após conhecer o Orphaned Land, as pessoas geralmente buscam por mais bandas da linha e chegam ao Myrath, e também pois as duas bandas excursionaram juntas em novembro de 2011 pela Europa), mas isso não ofusca o brilho dos tunisianos, que são magníficos. Seu crescimento é justificado por grandes álbuns, e algo que difere as duas bandas é que os israelenses têm temática religiosa, são judeus, enquanto os tunisianos não têm relação alguma com religiosidade em suas músicas. Falam sobre esperança, otimismo e conflitos mentais com seu próprio ser, claro, geralmente falando algo sobre os desafios do deserto e da guerra também. Se você não conhece ainda, essa é a chance!
Tudo começou em 2001 na cidade de Ez-Zahra, no interior de Tunis, quando o guitarrista Malek Ben Arbia formou o X-Tazy quando tinha apenas 13 anos, sob o pretexto de tocar covers. Humildemente assim foi nos anos que se seguiram. A maturidade foi vindo, a banda foi se desenvolvendo em direção a um som mais progressivo e a banda foi ficando cada vez mais séria. Naturalmente, músicas autorais começaram a brotar do solo estéril do deserto. Somente em 2005 uma demo foi lançada. O nome era "Double Face".
Nascendo 2006, o X-Tazy se tornou Myrath, nome transliterado da palavra arábica "ميراث", significando "legado". A formação original contava com Elyes Bouchoucha no vocal e teclados, Malek Ben Arbia na guitarra, Anis Jouini no baixo e Saif Ouhibi na bateria. Com tudo pronto, os trabalhos de composição do debut tiveram início.
O primeiro 'full-lenght' do grupo veio à luz do sol escaldante em setembro de 2007 e atende pelo nome de "Hope". O trabalho é um exímio Progressive Metal, cheio de quebrada nos riffs e solos de guitarra e teclados. A sonoridade em geral e até o vocal de Elyes chegam a me lembrar ao Russell Allen e ao Symphony X, até porque o disco não é muito climatizado, embora tais elementos se façam presentes às vezes. A coisa é um pouco mais voltada ao Neoclássico. Apesar de ser um bom disco, ele não demonstra foco e objetividade. Por isso, se for levar em conta apenas ele, não dá pra fazer ideia de como a banda mudaria, desenvolveria-se e cresceria.
As portas do progresso se abriram em 2007 com a entrada do vocalista Zaher Zorgati, que deixou o Pirania para ingressar no Myrath. Sua entrada moveu Elyes Bouchoucha exclusivamente aos teclados. Um longo trabalho de composição do próximo álbum começou, enquanto, no meio tempo até o lançamento, assinaram com a XIII Bis Records.
Uma nova banda, mais madura, desenvolvida, coesa e lúcida foi apresentada com o lançamento de "Desert Call" em janeiro de 2010. É possível sentir com poucos segundos que agora a banda agora tem um norte, maior consciência do que está fazendo, e claro: que a produção é do caralho. Progressivo como reza a lei, leva também um lado Folk desértico bem bombástico e presente, sendo decisivo na atração para si. A pitada de Power Metal recebida ajuda a tornar o som mais melódico, alicerçando poderosamente com os elementos Folk que vão de batuques de percussão a violinos e teclados poderosos. O novo vocalista Zaher também contribuiu de forma primordial para dar ao Myrath a cara que tem, uma vez que dota de um excelente vocal que carrega um pouco de drive e também faz uso de técnicas mais nasais e vibratos típicos de canções culturais árabes, coisa que Elyes não tinha em "Hope", apesar de ter uma ótima voz.
Embora esse álbum seja maravilhoso e tenha sido minha porta de entrada de conhecimento da banda, e tenha sido meu álbum preferido até eu prestar a devida atenção no disco seguinte, ele é um tanto cansativo. Ouvi-lo inteiro demanda um pouco de si, é um pouco cansativo.
Rápidos e empolgados, já em 2011 o terceiro álbum de estúdio foi lançado novamente via XIII Bis Records, recebendo o belo título "Tales of The Sands". É gratificante ver como esse trabalho ficou foda e bem trabalhado em um intervalo de apenas um ano em relação ao lançamento do álbum anterior. Isso sem contar que ele tem uma abordagem um pouco diferente do anterior. Não apresenta influência Power, o Progressivo se mantém intacto, mas na medida certa, e o lado Folk aparece de mãos dadas com o restante da sonoridade, não recebendo destaque exacerbado como no anterior. Ficou mais sublime, e como o Prog está na medida correta, mesmo que seja um pouco complexo, dificilmente ouve-se o disco uma vez só depois que já o assimilou e o conhece bem. Outra correção é que as canções de "Desert Call" contam com versos gerais e pré-refrões (ou pontes) cantados com técnica árabe, mas refrões mais melódicos e dignamente de Power Metal. Em "Tales of The Sands", a aderência ao estilo de composição árabe das linhas vocais é completa. Com isso, até os refrões têm balanço característico, fazendo do disco ainda mais magnífico e autêntico. O tal "controle" do Prog e toda a beleza geral das canções faz com que o disco seja mais curto (apenas 44 minutos). Até por isso o repeat não é problema!
Sou fã demais do Myrath, apaixonado por essa sonoridade cativante e saárica! Estou certo também que muita gente já conhece, e quem ainda não conhece, aqui está uma bela chance. Se querem alguns pontos de partida para descobrir as maravilhosas ornamentações dessa banda, indico que ouçam as quatro primeiras faixas de "Desert Call" e "Tales of The Sands", só pra sentir o clima. Entre elas, faixas como "Forever and A Day", "Braving The Seas", "Desert Call" e "Merciless Times" são maravilhosas e amostras exatas do que são os restantes dos álbuns. Tamanha qualidade por parte de uma banda de um país onde não se cogita de primeiro pensamento que tenha boas bandas só mostra como o Metal é mundial, gigante! Motivo de orgulho pra todos nós!


 Double Face (Demo) (2005)

01 - Prelude
02 - Glorious Day
03 - Diary of A Slave
04 - Terror
05 - Double Face
06 - Moon Light
07 - Chaos
08 - Fantasy World

Download

 Hope (2007)

01 - Intro
02 - Hope
03 - Seven Sins
04 - All My Fears
05 - Confession
06 - Last Breath
07 - Fade Away
08 - My Inner War


 Desert Call (2010)

01 - Forever and A Day
02 - Tempests of Sorrows
03 - Desert Call
04 - Madness
05 - Silent Cries
06 - Memories
07 - Ironic Destiny
08 - No Turning Back
09 - Empty Word
10 - Shockwave
11 - Hard Times (Bonus Track)


 Tales of The Sands (2011)

01 -  Under Siege
02 - Braving The Seas
03 - Merciless Times
04 - Tales of The Sand
05 - Sour Sigh
06 - Dawn Within
07 - Wide Shut
08 - Requiem For A Goodbye
09 - Beyond The Stars
10 - Time To Grow
11 - Apostrophe For A Legend (Bonus Track)
12 - Fate In Motion (Bonus Track)


Um comentário:

  1. Esse ultimo álbum deles é covardia, o que é isso ? Parabéns aos caras e a você por disponibilizar essa pérola.

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