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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Erik Norlander - Discografia

Consegue imaginar uma discografia não tão curta que seja maravilhosa do primeiro ao último disco? Se você for como eu, do tipo de ouvir música com o coração, de entrar no universo das canções e se sentir fora de si, em outra dimensão, então provavelmente vai se encantar com isso aqui, especialmente se for um progger.
Erik Norlander é o maestro de uma sonoridade na qual sou apaixonado, daquele tipo "deixe-se flutuar graciosamente no espaço". É um daqueles músicos capazes de fazer sua música dar um macio e irresistível abraço, transferindo-te para um lugar fora da atual realidade, onde você se sente inerte, entorpecido. É galático. Magistral.
Não foi tão por acaso que descobri esse grande músico. Fã roxo do maior projeto de Arjen Anthony Lucassen como sou, o Ayreon, acabo por conhecer os músicos envolvidos ao longo dos álbuns do Metal Opera holandês. Um desses músicos é esse tecladista estadunidense natural de Los Angeles. Nascido no dia 26 de julho de 1967, Erik cresceu apaixonado pelas teclas e tornou-se um famoso tecladista, compositor, produtor e engenheiro musical. Sua fama é muito bem justificada por sua fascinante forma de compôr.
Ao descobrir seu talento por meio da contribuição nos álbuns "Universal Migrator Pt I: The Dream Sequencer" e "Universal Migrator Pt. II: Flight of The Migrator", ambos lançados em 2000 pelo Ayreon, não pude deixar de notar a similaridade com a qual os trechos dos teclados de Erik soam em relação à forma do Arjen de tocar. Ao caçar sua carreira solo e ouvir os álbuns, tudo ficou justificado: os dois têm o mesmo interesse pelo espaço, o mesmo interesse pela ficção científica, e uma peculiar e similar forma de utilizar os teclados. Não foi difícil então mergulhar de cabeça nos álbuns e não querer sair dessas águas, que como se fossem perfluorocarbonos, permitem que eu continue respirando.
O gênero executado aqui é majoritariamente o Progressive Rock, mas dependendo do álbum e da faixa, também se encaixa no Progressive Metal. O foco é muito instrumental, pois dos seis álbuns de estúdio lançados até o momento, três são completamente instrumentais, um completamente cantado, e outros dois com algumas faixas inteiramente instrumentais.
Confesso que não sou dos maiores fãs de bandas instrumentais. Hoje não faço tanto, mas por muito tempo fui daqueles de pular a faixa instrumental de certo álbum, caso exista. Sinto maior atração por algo cantado, pois me prende mais e gosto de cantar junto. Mas Erik Norlander se mostrou uma valiosa exceção com seu foco nos teclados, e eu prefiro seus álbuns e faixas instrumentais aos cantados. Sob suspeita, afirmo que todos deveriam dar uma chance aos trabalhos, mesmo os menos chegados em algo instrumental. E que estilo melhor do que o Progressivo para te fazer viajar?
A carreira relevante de Erik Norlander começou quando formou o Rocket Scientists ao lado do vocalista e guitarrista Mark McCrite em 1980 para fazer Progressive Rock. O primeiro álbum "Earthbound" só foi lançado em 1993, após a entrada do baixista Don Schiff. Três anos mais tarde, em 1996, Norlander resolveu partir para carreira solo paralelamente ao Rocket Scientists. Em meio aos seus trabalhos de composição do debut, assinou com a Think Tank.
Contando com a ajuda do baterista Greg Ellis e de seu amigo do Rocket Scientists Don Sciff no baixo, "Threshold" foi lançado em 1997, marcando o ponto de partida da discografia. Ele é totalmente instrumental, e claro, lindo. A qualidade da produção é excelente, mas um tanto rústica ainda, atrapalhando de leve a apreciação do som. Mas não chega a tanto, pois já aqui é possível viajar na sonoridade poeticamente dos céus. Como o foco do projeto são os teclados, sintetizadores e derivados (uma vez que Erik é tecladista), pode-se ter uma boa ideia de como a sonoridade é rica em efeitos e autossuficiente na manutenção da aura sideral.
O ano de 2000 já viu o lançamento de "Into The Sunset", lançado via Transmission Records e marcado como sendo o primeiro álbum não-instrumental. Das onze faixas, apenas duas são instrumentais. A equipe convidada para ajudá-lo na construção dessa sonoridade Progressiva também é de respeito, graças a uma notável "troca de favores" entre Erik Norlander e Arjen Lucassen. Afinal, tanto "Into The Sunset" quanto os dois "Universal Migrator" foram lançados nesse mesmo ano de 2000, logo, os trabalhos já precediam desde o ano anterior. Enquanto Erik gravou teclados no Ayreon, o Arjen gravou todas as linhas de guitarra do álbum de Erik. Fora o uso dos vocalistas, mais um ponto de evidente troca. Os quatro vocalistas são: Robert Soeterboek (Wicked Sensation), que gravou vocais em uma das músicas "Universal Migrator Pt. II" do Ayreon; o honorável Glenn Hughes (Black Country Communion, ex-Black Sabbath e Deep Purple); Lana Lane (Roswell Six), esposa de Erik, que também gravou vocais e backing vocals nos dois "Universal Migrator"; e Edward Reekers, que vinha marcando presença no projeto holandês desde o primeiro álbum "The Final Experiment", de 1995. Completando os convidados, vêm Tony Franklin no baixo, novamente Greg Ellis nas baquetas e Cameron Stone no cello. O resultado final não poderia ser menos lindo. O que experienciamos é um disco de Rock Progressivo ao extremo, com uma atmosfera envolvente e tradicional, com efeitos, cheio de reverb generalizado e linhas vocais típicas do gênero. A coisa aqui não é tão galática, mas certamente, a sensação imersiva se faz presente.
Após novos três anos terem se passado, foi a vez de "Music Machine" vir à luz, dessa vez, de volta à via Think Tank. A proposta do projeto aqui foi mais ousada e extensiva, uma vez que se trata de um álbum duplo que novamente é não-instrumental. A atmosfera geral é um pouco mais seca do que a de "Into The Sunset", porém, é um disco de ambiente ainda mais profundo e reflexivo. É possível novamente sentir-se no espaço. Tem um ar tecnológico, inóspito, misterioso e ao mesmo tempo belo e convidativo, graças ao próprio jeitão Rock Progressivo das canções. Os vocalistas são espetaculares, e sem eles, creio que faltaria algo.
Oficialmente, o plantel é composto por, novamente, Tony Franklin no baixo, Vinny Appice na bateria e Don Schiff no NS-Stick e Robert Soeterboek no vocal. Já os convidados especiais compreendem bem mais músicos, mas dentre os mais relevantes, que são os vocalistas, cá estão Kelly KeelingScott KailMark Boals (Iron Mask, ex-Royal Hunt e Yngwie Malmsteen) e Donald Roeser (Blue Öyster Cult). A maturidade e ousadia desse álbum acabaram por se mostrarem importantes para que "Music Machine" fosse um grande disco, e certamente, esse é o mais recomendado para aqueles que querem conhecer um de seus álbuns não-instrumentais.
Já o ano de 2004 trouxe dois lançamentos: o primeiro deles foi lançado em julho, e seu nome é "Stars Rain Down", o primeiro solo disco ao vivo de Norlander. Chegando setembro, foi a vez do quarto álbum de inéditas chegar às prateleiras. "Seas of Orion" revela que Erik Norlander volta a apostar em um trabalho inteiramente instrumental. Usando e abusando dos sintetizadores, e auxiliado por Greg Ellis na percussão, a abordagem é diferente, uma vez que esse disco é puramente eletrônico. Para quem gosta de algo futurista e robótico, esse álbum é uma excelente pedida. Eu sou um desses, até porque para que a sonoridade se torne galática e futurista, uma jogada eletrônica é essencial. O Ayreon mesmo tem bastante. Portanto, apesar de não ser Metal, quem ouvir e gostar desse tipo de coisa não vai sentir nenhum baque. Na verdade, se ninguém falar que o trabalho não é Metal, poucos perceberiam, porque quando fala-se em música eletrônica, as pessoas relacionam a raves e esses "batidões". Mas jogada eletrônica é muito mais do que isso, e o Metal tem às pampas. Logo, "Seas of Orion" é um maravilhoso trampo familiar e aconchegante, capaz de te transportar lentamente lá mesmo para onde o título sugere: para Órion.
Em 2006, mais novidades. A começar pelo DVD ao vivo "Live In St. Petersburg", lançado em abril, trazendo um extensivo setlist, acrescido de documentários e bastidores. Mais tarde, no finzinho do ano, em novembro, foi a vez de "Hommage Symphonique" compôr o acervo de álbuns de estúdio. Como de costume, Norlander está sempre bolando alguma tática diferente para seus álbuns. Aqui, a sonoridade volta a ser calcada no Rock Progressivo, manifestado por meio de uma atmosfera reverberada próxima à do "Into The Sunset". Porém, diferente de todos os outros discos, o setlist é composto inteiramente por covers de grandes e clássicas bandas do Prog, tais como Electric Light OrchestraEmerson, Lake & PalmerRick WakemanYes, entre outros. Todas as faixas são cantadas por Kelly Keeling, novamente marcando presença com sua magnífica voz com drive. Gregg Bissonette (bateria) e, novamente, Don Schiff (NS-Stick, guitarra e baixo) completam a formação oficial do disco, sendo que esse último ainda utiliza uma técnica incomum na guitarra, o chamado "bow guitar", que consiste em tocar guitarra com um arco de violino. Os membros de sessão complementam a sonoridade com trombones, trompetes, cellos, entre outros instrumentos, oferecendo dinâmica e riqueza. Não é demais ressaltar que esse é mais um álbum fantástico, embora nada tenha de futurista. Ao invés disso, é mais conservador, resgatando, de novo, o antigo e agradável Prog Rock.
Fechando a discografia, pelo menos por enquanto, veio em 2010 o meu álbum preferido: "The Gallactic Collective". Dessa vez, quem as guitarras são alternadas ao longo das canções entre John PayneMitch PerryMark McCriteRon Redfield e Freddy DeMarco, enquanto no contrabaixo é Mark Matthews que comanda, e Nick LePar põe as baquetas para trabalhar. Lana Lane também faz participação, mas apenas como coral, realçando o clima em faixas como "After The Revolution".
Se os anteriores já são sensacionais, esse aqui é ainda mais fantástico, embora não tenha nada de novo, a princípio. Na verdade, o trabalho é uma espécie de compilação compreendendo faixas totalmente instrumentais de sua carreira solo, e outras de sua esposa Lana Lane e de sua outra banda, Rocket Scientists (pois ele é o compositor de todas), porém, sob uma nova roupagem. Uma roupagem totalmente cósmica e magnífica! Todas as faixas foram rearranjadas, com detalhes, efeitos e novas passagens acrescentadas, transformando e melhorando bastante todas as músicas. De todos os discos mais estelares, esse é o mais forte, melhor trabalhado e agradável. É bastante parecido com "Seas of Orion", entretanto, sem deixar o lado pesado para trás, uma vez que, dessa vez, o gênero mandante é o Progressive Metal. Por ser o meu preferido, e um daqueles raros discos instrumentais que me fascinam, é o álbum que mais recomendo a todos. O principal responsável por como recebo e interpreto o projeto. O principal responsável por me fazer pairar em torno de seu forte campo gravitacional.
Enfim, esses são os trabalhos de Erik Norlander. Apresento-os com a alegria de um fã de músicos de mão-cheia. Esse cara é tão foda que me faltam adjetivos para transliterar o quão magistral é sua forma de fazer música. Só ouvindo mesmo. E de coração aberto. Sentindo...
Erik Norlander é um músico de respeito, muito conhecido por já ter trabalhado com diversos músicos de renome na cena, e também por compôr e produzir os álbuns de sua esposa, Lana Lane. Além de todos que contribuíram em seu projeto solo, Norlander também já trabalhou com músicos como James LaBrie (Dream Theater), Joe Lynn Turner (Rainbow), Kristoffer Gildenlöw (Pain of Salvation), Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer), Ed Warby (AyreonThe 11th Hour), entre vários, vários outros. Seu atrativo currículo e sua perspicácia musical tendem a afastar qualquer receio por parte daqueles que ainda não o conhecem. Apague as luzes. Desligue o monitor. Deite em sua cama ou sofá. Feche os olhos. Saia de si...


 Threshold (1997)

01 - Arrival
02 - Neurosaur
03 - No Cross To Carry
04 - Threshold
05 - Neuro Boogie
06 - Trantor Station
07 - Waltz of The Biots
08 - Critical Mass
09 - The Long Ion Train
10 - Hyperspace
11 - Solace
12 - Return To The Ruins of Trantor

Limited Edition Bonus CD:
01 - Threshold Medley 1999 (Live At The Cadillac Room)
02 - Trantor Station (Live At ProgWest 2001)
03 - No Cross To Carry (QCard Version)
04 - Neuro Boogie (QCard Version)
05 - Waltz of The Biots (Machine Mix)
06 - Neurosaur (Machine Mix)


 Into The Sunset (2000)

01 - Sunset Prelude
02 - Into The Sunset
03 - Rome Is Burning
04 - Fanfare For The Dragon Isle
05 - Fly
06 - Dreamcurrents
07 - Lines In The Sand
08 - On The Wings of Ghosts
09 - Hymn
10 - Into The Sunset Reprise
11 - Sunset Postlude
12 - Neurosaur (New Recording) (Bonus Track)
13 - Alchemy and Astronomy (Bonus Track)


 Music Machine (2003)

CD 1:
01 - Prologue: Project Blue Prince
02 - Music Machine
03 - Turn Me On
04 - Heavy Metal Symphony
05 - Tour of The Sprawl
06 - Andromeda
07 - Letter From Space
08 - Lost Highway
09 - Soma Holiday
10 - Return of The Neurosaur
11 - Project Blue Prince Reprise

CD 2:
01 - Fanfare and Interlude
02 - Beware The Vampires
03 - The Fire of Change
04 - The Fall of The Idol
05 - Metamorphosis
06 - One of The Machines
07 - Fallen
08 - Johnny America
09 - Music Machine Reprise
10 - Epilogue: Sky Full of Stars


 Stars Rain Down (Live) (2004)

01 - Rome Is Burning
02 - Beware The Vampires
03 - One of The Machines
04 - Mariner
05 - Sky Full of Stars
06 - Lost Highway
07 - Arrival
08 - Neurosaur
09 - Heavy Metal Symphony
10 - Project Blue Prince
11 - Fly
12 - Oblivion Days
13 - Space: 1999


 Seas of Orion (2004)

01 - Fanfare (For Absent Friends)
02 - City of Living Machines
03 - New Gotham Prime
04 - Adrift On The Fire Seas of Orion's Shield
05 - Oasis In Stasis
06 - Opera Sauvage: Hymne


 Hommage Symphonique (2006)

01 - Conquistador (Procol Harum Cover)
02 - Sir Lancelot and The Black Knight (Rick Wakeman Cover)
03 - Turn of The Century (Yes Cover)
04 - Pirates (Emerson, Lake & Palmer Cover)
05 - Clasp (Jethro Tull Cover)
06 - Ocean Breakup/King of The Universe (Electric Light Orchestra Cover)
07 - Children of Sanchez Overture (Chuck Mangione Cover)
08 - Starless (King Crimson Cover)


 The Galactic Collective (2010)

01 - Arrival
02 - Neurosaur
03 - Fanfare (For Absent Friends)
04 - Sky Full of Stars
05 - Astrology Prelude
06 - Trantor Station
07 - After The Revolution
08 - Garden of The Moon
09 - Dreamcurrents
10 - The Dark Water


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